Negritos do texto - Sérgio Mesquita
Creio que muitos dos
companheiros nunca ouviu falar de uma “Internacional Capitalista”. Muitos
pensam que é piada ou apenas força de expressão, mas a organização existe de
fato e, há bastante tempo, venho protelando escrever sobre o assunto!
A origem da organização
está no pensamento de Anthony Fisher, um empresário britânico fiel leitor de
Friedrich Hayek e de Milton Friedman, os dois expoentes do pensamento
neoliberal. Na década de 1970 mudou-se para os EUA onde, em 1981, fundou a
Atlas Economic Research Foundation. Curiosamente, no mesmo ano que Ronald
Reagan chegava ao poder! No programa de sua organização (que mais tarde mudaria
de nome para Atlas Network) estão as principais bandeiras o pensamento
neoliberal: desmonte do Estado de bem-estar, defesa do livre mercado,
desregulamentação da economia, cortes de impostos e redução do orçamento de
programas sociais.
Segundo informações no
site da organização, a Atlas não recebe recursos governamentais, apenas
contribuições privadas de grandes corporações e/ou doações individuais de
simpatizantes da causa neoliberal, entre eles os conhecidos irmãos Koch,
bilionários estadunidenses cujas empresas atuam, entre outros setores, com
petróleo e gás (falarei sobre eles adiante). Ainda de acordo com o site, a
Atlas tem 465 “parceiros”, entidades que divulgam seus estudos e práticas, em
95 países. Nos EUA são 168, na Europa e Ásia Central são 134. Na América Latina
são 79 entidades “parceiras” da Atlas (12 na Argentina, 11 no Brasil e
10 no Chile)!
No dia 03 de junho de
2014, em Londres, um grupo de “cidadãos” se reuniu para debater um tema de
muita urgência, para eles: “o destino do sistema capitalista no mundo”! Juntos,
os membros do seleto grupo controlam mais de 30 trilhões de dólares em ativos
globais (investimentos no exterior que podem ser de diversos tipos: dívidas de
governos de outros países, empresas multinacionais, ativos imobiliários em
vários países etc.).
Deixando clara sua
posição diante de uma sociedade que luta pela justiça social, a Atlas não teme
publicar entre seus princípios básicos uma tese defendida por James McGill
Buchanan —economista da Universidade de Chicago —: “Para que prospere o
capitalismo, é preciso colocar algemas na democracia”!
Ainda que a Atlas anuncie que não recebe
financiamento de organismos oficiais, a verdade é que os” (instituições ou
grupos de especialistas com a missão de refletir sobre assuntos relevantes)
associados ao grupo são financiados pelo Departamento de Estado (EUA),
pela USAID (Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA) e pela
National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia),
braço muito importante do poder estadunidense.
Segundo o jornalista
Aram Aharonian (1), a Atlas “Havia passado inadvertidamente durante muito
tempo, até que, no Fórum Latino americano da Liberdade da Rede Atlas, em maio
de 2017, no luxuoso Brick Hotel de Buenos Aires, com a presença do presidente
neoliberal argentino Mauricio Macri e o escritor peruano-espanhol Mario Vargas
Llosa, se debateu como derrotar o socialismo em todos os níveis, desde as
batalhas campais nos campus universitários até a mobilização de um país para
defender a destituição de um governo constitucional, como no Brasil”.
Pelo que sabemos, a nova
grande ofensiva capitalista em nossa região, com uma imagem pseudo acadêmica,
teve início com essa Internacional Capitalista, movimento que se intitula
“libertário” de extrema direita (libertarians) que tem como principal fachada a
Rede Atlas.
E aqui temos uma
releitura do termo “libertário” ou “libertarismo”, antes usado para designar
grupos anarquistas que combatiam o capitalismo, em particular o pensamento de
Proudhon. Atualmente, essa direita que combate todo e qualquer papel do Estado
na sociedade assumiu o nome, razão pela qual encontramos algumas vezes como
“anarquismo capitalista”! Esses grupos, afinados com parte da ideologia
neoliberal, propõem a liberdade individual em contraposição ao Estado. A
liberdade individual é o valor fundamental e rejeitam qualquer forma de
organização da sociedade chamando de autoritarismo!
Voltamos, então, aos
acontecimentos na Argentina onde, agora, a vitória de Javier Milei tem grande
importância para os projetos da extrema direita em Nossa América. Afinal de
contas, um economista libertário assumido, como ele gosta de dizer, conseguiu uma
impressionante votação derrotando partidos tradicionais no país. E isto tem um
grande significado.
Na França, a Frente
Nacional (FN), partido de extrema direita comandado por Jean-Marie Le Pen, que
nos anos 80 dizia-se seguidor do pensamento de Ronald Reagan e Margaret
Thatcher, não encontrou muito apoio na classe média e precisou refazer seu
discurso passando a defender um Estado economicamente forte.
Na Alemanha, o partido
de extrema direita Alternative Für Deutschland (AfD), fundado por economistas
liberais, mudou também o discurso contra o Estado e passou a defender políticas
centradas em criticar a imigração dizendo que enfraquece a proteção social da
população alemã!
Nos EUA existe um
pequeno Partido Libertário, mas é microscópico e se dilui dentro do Partido
Republicano, não tendo força sequer para influir nas propostas republicanas e
não atrai a extrema direita estadunidense.
Acreditem ou não, a
“Rede Atlas” está também por trás das políticas de Donald Trump através de um
documento especial escrito para ele pela tristemente famosa “Heritage
Foundation”, também um grupo financiado pela Atlas Network.
Os grupos que recebem fundos da Atlas não se
limitam a financiar e dirigir governos que os favoreçam, mas são também especialistas
em manobrar a opinião pública para jogar contra as políticas que incomodem
seus interesses. Um exemplo disso é dado pelo britânico George Monbiot, um
jornalista, escritor, acadêmico e ambientalista do Reino Unido com uma coluna
semanal no jornal The Guardian. Em um dos seus artigos ele demonstra como essa
rede, com todo dinheiro que possui para essas práticas, consegue influenciar a
opinião pública. Em particular ele cita o trabalho de desmoralização realizado contra
grupos de ambientalistas que costumam realizar atos em locais públicos”!
O mesmo trabalho
denunciado por Monbiot nós temos visto no movimento sindical através do mundo.
Essas redes vão, momento a momento, desmoralizando todo e qualquer movimento
sindical, usando seus veículos de comunicação para desacreditar as entidades de
classe. O trabalho dos propagandistas do pensamento “libertário” moderno é tão
insidioso que consegue levar os indivíduos a desacreditarem de qualquer tipo
de vínculo comunitário, a abrir mão de direitos coletivos e, até mesmo,
preferirem vender seus órgãos no mercado negro para doentes ricos do que
buscarem um sindicato que defenda seus interesses!
E Javier Milei é o mais
recente produto desse trabalho. Ostenta um passado de roqueiro, com ênfase em
sua paixão pelos Rolling Stones, sem ser um ex-militar como Bolsonaro ou um
multimilionário como Donald Trump. Não, Milei é diferente e seu discurso tem
grande valia para o pensamento dos senhores da Atlas. Confunde suas ideias com
pensamentos “libertário” e consegue desarmar a direita tradicional argentina
que fica sem discurso para enfrentá-lo. E consegue desqualificar a esquerda com
seu discurso raivoso exibindo uma motosserra!
O fato é que a
extrema-direita, através dessas organizações financiadoras e think tanks está
de olho no “fenômeno” Milei e a capacidade que demonstrou para ganhar a opinião
da direita tradicional argentina. E, antes dele, temos alguns exemplos de como
funciona esse discurso “libertarista” e como vai conquistando espaço. Na
França, por exemplo, despontou um tal de Éric Zemmour que, mesmo não vencendo
as eleições de 2022, alcançou uma votação inesperada pelos analistas. Outro
exemplo é o do Partido da Inovação Japonesa (Ishin) que, fundado em 2015
alcançou 14% dos votos na eleição japonesa de 2022! O discurso é moderno, rompe
com a direita tradicional, mas consegue angariar eleitores naquele espaço. Uma
nova extrema direita que, como diz Romaric Godin, jornalista do La Tribune, é “tão
eleitoralmente competitiva quanto ideologicamente perigosa”!
A realidade é que o
capitalismo busca, a qualquer preço, uma alternativa diante do avanço do
multilateralismo no planeta e o enfraquecimento dos ideais representados
pelos EUA. E o trabalho dessas entidades/organizações “parceiras” da Atlas
Network vai avançando, em particular entre os jovens. Pelos levantamentos que
vimos, uma imensa quantidade dessas organizações dedica-se, em especial, ao
trabalho entre jovens. No Brasil, um dos maiores exemplos que temos é o MBL,
criado pela poderosa Students for Liberty (Estudante pela Liberdade), dos EUA,
outra “think tanks” mantida pela Atlas para atuar junto aos jovens.
A cada dia nos
encontramos com mais e mais pessoas que se diz “libertária” e que, como
papagaios, repetem discursos da extrema direita. Uma extrema direita que deseja
mudar o mundo e encontra, nesse público, um universo convencido de que isso é
preciso!
Neste ano, entre os dias
30 de maio e 02 de junho, tivemos notícias do Encontro Anual do Clube
Bilderberg! Mas, o que é o tal Clube e o que representa no tema que estamos
desenvolvendo?
Para fazer uma breve
história devemos dizer que a primeira conferência desse grupo aconteceu no
Hotel de Bilderberg em Oosterbeek, Países Baixos, entre os dias 29 e 31 maio de
1954. Basicamente, a ideia do encontro partiu do político polonês exilado Józef
Retinger. Sua grande preocupação era com o crescimento do antiamericanismo
na Europa Ocidental e, para combater a tendência, teve a ideia de uma
conferência internacional em que líderes de países europeus e dos EUA
realizariam reuniões para promover o que chamou de “atlantismo” e a
cooperação entre as culturas estadunidense e europeia em matéria de política,
economia e questões de defesa. Em outras palavras, depois da Atlas Network,
esse é o segundo membro de uma “internacional capitalista”, surgida para dar
novo fôlego ao sistema.
Vale registrar que
aquele primeiro encontro foi possível graças ao apoio de 30 mil dólares da
Fundação Ford, que também financiou as conferências de 1959 e 1963
Neste ano, o seleto
grupo de convidados teve uma pauta extensa, apesar de a organização do encontro
ser coberta por um elevado grau de segredo! Em particular, das informações que
vasaram, consideramos muito importante que tivessem debatido sobre o “avanço
imparável da Inteligência Artificial”, questões da mudança climática que eles
negam existir e conflitos bélicos (em especial a Ucrânia). Mas, como
dissemos, o encontro é cercado de sigilo e dificilmente saberemos as conclusões
que chegaram sobre esses temas.
No encontro deste ano
estiveram presentes altas personalidades do governo espanhol: o ministro de
Assuntos Exteriores (José Albares), o ministro da Economia (Carlos Cuerpo), o
presidente do Banco de Espanha (Pablo Hernández de Cos) e outros representantes
de empresas governamentais. Completam a elite espanhola: Ana Botin, presidenta
do Banco Santender; José Creuheras, presidente do Grupo Planeta e; Sol Daurella
Camadrán, presidenta da Coca-Cola Europacifi Parners.
Entre os convidados “de
peso” do encontro estão os presidentes e fundadores de grandes grupos
internacionais: Musafa Suleyman (Microsoft IA), Murray Auchincloss (BP), Daniel
Ek (Spotify); Albert Bourla (Pfizer), Mark J. Carney (Brookfield), David H.
Petraeus (KKR Global Institute), Jane Fraser (Citigroup), Stacey Abrams (Sage),
Roger C. Altman (Evercore), Marco Alverà (zhero.net).
Também estiveram
presentes: Valérie Baudson (Amundi); Lorenzo Bini Smaghi (Societé Générale);
Charlene de Carvalho (Heineken), Demis Hassabis (Google DeepMind), Colm
Kelleher (UBS), Kasia Kieli (Warner Bros), Michael O'Leary (Raynair), Patrick
Pouyanné (TotalEnergies), Wael Sawan (Shell) e Christian Sewing (Deutsche
Bank).
Uma curiosidade é pensar
os motivos que levaram o Grupo Bilderberg a realizar o encontro deste ano na
Espanha. Sabemos que aquele país está arrasado economicamente, por seguir as
ordens de Washington para boicotar os produtos da Rússia. A crise espanhola no
setor de energia é gritante e parte da indústria está parada. Além disso, a
Espanha passa por uma espantosa crise de moradias, com aluguéis altíssimos e
falta de oferta tanto para alugar quanto para vender. Aliás, esse fenômeno está
alimentando o discurso anti-imigrantes da extrema direita.
Ainda conversando sobre
o Grupo Bilderberg, cabe assinalar que, ao ser criado, tinha como principais
funções, além das já citadas, “reforçar um consenso em torno do capitalismo
ocidental de livre mercado e os seus interesses em todo o mundo”. Em 2001,
Denis Healey, um dos fundadores do grupo de Bilderberg e membro do comitê
diretivo por 30 anos, afirmou: "dizer que estávamos lutando por um
governo mundial é exagerado, mas não totalmente injusto. Nós no Bilderberg
sentimos que não poderíamos continuar a estabelecer conflitos uns contra os
outros por nada, ao matar pessoas e criar milhões de desabrigados. Por isso,
sentimos que uma única comunidade global seria uma coisa boa." (2)
Ainda de acordo com a
Wikipédia, em agosto de 2010, o ex-presidente cubano Fidel Castro escreveu um
artigo para o jornal do Partido Comunista de Cuba, o Granma, no qual ele citou
o livro de Daniel Estulin, “Os segredos do Clube Bilderberg”, de 2006, que descreve
“panelinhas sinistras e os lobistas Bilderberg 'manipulam o público' para
instalar um governo mundial que não conhece fronteiras e não é responsável
perante ninguém, exceto a si mesmo”.
E chego ao prometido no
primeiro artigo da série: falar sobre os Irmãos Koch, bilionários e também financiadores
da Atlas Network!
Segundo o jornal
espanhol El Pais, em 23 de setembro de 2019, eles gastaram centenas de
milhões de dólares no financiamento de candidatos extremistas hostis aos
direitos sindicais e ao controle da emissão de gases no planeta! Eles
agiram em todo o mundo, não em um único país!
Para os muito
interessados no assunto sugiro a leitura do livro “Dark Money”, de Jane Mayer.
Nesse trabalho de muita pesquisa e compilação de documentos, a autora mostra a
forma como alguns bilionários financiaram desde o começo dos anos setenta a
guinada teórica e política que levou ao desmantelamento das conquistas
sociais, às maciças diminuições de impostos a favor dos ricos e à
eliminação das regulamentações que desde a época da New Deal limitavam a
capacidade de especulação e manipulação dos grandes bancos e das agências
financeiras de Wall Street.
Sobre os irmãos Koch, no
livro, vamos descobrir que seus negócios se espalham por mais de 60 países,
mantendo mais de 100.000 empregados. Seus investimentos vão desde refinarias, a
fábricas de gás natural, redes de oleodutos, fábricas de fertilizantes e de
ração, de toalhas de rosto, de papel higiênico, até de cartões de aniversário.
Entre os dois irmãos — um deles já falecido, mas substituído pelo filho — era
contabilizada uma fortuna de mais de 100 bilhões de dólares (414 bilhões de
reais).
Segundo um pensamento
muito difundido nos EUA, “a Koch Industries é uma empresa revolucionária:
não quer vencer a negociação com o sindicato, quer destruí-lo”.
Em uma excelente matéria
datada de 20 de agosto de 2020 (3), o jornal “Brasil de Fato” denuncia a
maneira e o trabalho desses grupos.
De acordo com a matéria,
o grupo visa alterar a noção de “educação como direito” e tornar a noção
de “educação como mercadoria” um senso comum. Agem, principalmente, por
dois meios: primeiro, disseminando a desconfiança em relação à escola
pública e os seus professores, acusando-os de fabricar ideologias,
instigando uma cultura da delação; segundo, disseminando a adoção de vouchers
em larga escala, a gestão privada de aparelhos públicos, defendendo a
liberação do homeschooling (educação escolar em casa), e até mesmo o
unschooling, que é o direito de não escolarização.
Para esses grupos, crianças
que não podem ir à escola são mais bem aproveitadas no mundo do trabalho.
Esses grupos, ou “think
tanks”, fazem ampla defesa do homeschooling, mas buscam o apoio de grupos
religiosos que defendem escolarizar as crianças em casa aos moldes dos valores
de suas religiões, muitas vezes promovendo o negacionismo científico e
revisionismos históricos que relativizam violências.
O trabalho desses grupos
financiados pela Atlas Network, pelo Grupo Bilderberg ou pelos irmãos Koch não
mede esforços para defender o capitalismo sem limites onde a vontade
individual se sobrepõe às necessidades coletivas. Crianças pobres precisam
aprender a trabalhar, não a pensar.
Certa vez perguntaram a
Warren Buffet, um dos três ou quatro homens mais ricos do planeta, se ele
acreditava na guerra de classes. Com toda tranquilidade, ele respondeu: “É
claro que sim. E nós ganhamos!
Acompanhamos a
conjuntura internacional há bastante tempo e com muita preocupação, em
particular esses movimentos que expressam o pensamento da extrema direita. E,
nesse longo tempo lendo sobre suas ações, podemos perceber que esses grupos
financiados pelos grandes defensores do capitalismo “sem fronteiras” formam um
exército bem afinado que defende os interesses dos poderosos. Levantando
uma bandeira de “liberdade”, esses “libertarianos” trabalham a favor dos
grandes empresários ao combater leis que regulam a emissão de gases que causam
o efeito estufa, ao defenderem redução nos impostos das grandes empresas, ao
combaterem as organizações dos trabalhadores, ao se colocarem contra as escolas
tradicionais e defenderem a “escola em casa” ou a militarização das escolas ou,
mesmo, ao fazerem um discurso de que “todo político é sujo” para defenderem
os que eles sabem que vão defender suas propostas. De toda forma, seja qual
for o discurso que fazem, sempre será para defender um capitalismo sem limites
e sem críticos.
Curiosamente, pensam e
agem pela primazia da propriedade. Na concepção deles, o corpo é a primeira
propriedade! E isso nos ajuda a entender a necessidade que sentem de
cultivar o corpo! Acreditam que o individualismo e a propriedade são fatores
“criados pela natureza ou por Deus”! Essa a base do trabalho de propaganda que
fazem contra os movimentos sociais e/ou comunitários.
E os irmãos Koch podem
ser entendidos como um ponto de partida para compreender a organização
estratégica e os modos de financiamento na construção histórica de uma rede com
programa expansionista desse ideário político-social. São os grandes
financiadores das campanhas contra o ensino público e os modelos educacionais
que conhecemos e que, até hoje, deram certo.
No Brasil, segundo o último levantamento
conhecido, são 15 entidades financiadas pelos irmãos Koch. E o discurso
desses grupos vai se espalhando com bastante agilidade.
No mesmo número do
jornal Brasil de Fato, já citado (4), vamos encontrar o pensamento de uma (na
época) jovem estudante “libertariana” durante o parlamento Ibero-americano da
juventude. Ela afirma que o “livre mercado é o remédio para todos os males”. Diz
que nenhum habitante do planeta está livre do egoísmo. A musa libertariana se
opõe a tudo o que é público, reafirmando que todo político luta por interesse
próprio. Ironicamente, tornou-se presidenciável em 2019, pleiteando um cargo
público, talvez tendo em vista o cumprimento dos seus próprios objetivos.
Segundo o jornal, “essa
jovem também atuou de maneira intensificada, no Brasil, durante as
manifestações de oposição à presidenta Dilma Rousseff. Financiada por fundações
latino-americanas parceiras da Rede Atlas, Álvarez foi à Avenida Paulista
discursar a favor do impeachment, no palanque do grupo ‘Vem pra Rua’.
paramentada com a bandeira do Brasil estampada na camiseta. Há sucursais da
Atlas Network espalhadas por toda América Latina.
Em 1 de abril de 2015, a
Atlas publicou uma matéria elogiando a atuação do Movimento Brasil Livre
(MBL), dizendo que havia um parceiro da Atlas Network e do Students for
Liberty, estrela libertária em ascensão à frente do movimento. Este é Kim
Kataguiri, um dos líderes que passa a aplicar o que aprendeu no terreno onde
vive e trabalha.
É através desses “think
tanks”, dessas figuras “jovens” formadas, treinadas e adestradas pelos vários
sites de “formação” existentes na Internet, que os novos donos do mundo
divulgam suas ideias contra o Estado e contra a educação tradicional.
A quantidade de
financiamento e apoio ($$$$$$$$$$$$) que entra no Brasil através dessas ONGs
financiadas por esses três grupos citados por nós é impossível de ser
calculada. O sigilo que exigem e o apoio que encontram entre os
parlamentares e alguns executivos municipais e estaduais que foram eleitos com
o financiamento deles impede que venhamos a saber o que se passa, de fato, nos
bastidores.
Um fenômeno é bem
visível atualmente, se bem que nem sempre entendido. Estou falando da
questão da diminuição do espaço da cidadania, do espaço de corresponsabilidade
entre e dos cidadãos, está estruturalmente associada ao movimento pelo direito
de educação domiciliar.
Na questão da educação
domiciliar, a “homeschooling”, há uma ideologia ultraliberal e ao mesmo tempo
conservadora, que concebe o desenvolvimento do sujeito numa perspectiva
individualista. Ou, como diria Margareth Thatcher, “eu não reconheço
sociedade, mas sim indivíduos”.
Há uma associação no
Brasil que atua com muita disposição desde 2010. Ali se encontram pais
insatisfeitos com a educação que os filhos recebem nas salas de aula.
Questionam o ensino e os conhecimentos que são passados para seus filhos, A
Associação Nacional de Educação Domiciliar não apenas organiza essa demanda,
mas também a promove, divulga, e se propõe a conseguir a regulamentação da
chamada ED no país.
Quem visitar o site da
tal “associação” vai ver imagens de casais jovens com seus filhos em situações
domésticas que produzem um sentido de “paz, amor e harmonia no seio da
família”. Imagens que nos lembram a insistência com que a palavra de ordem “pela
família brasileira”, ou “Deus, Pátria e Família”, como gostam de dizer,
marca desse grupo.
Agora, alguém aí poderia
“adivinhar” quem financia esse grupo?
Meu objetivo nesse texto
não é, apenas, denunciar esse trabalho da Internacional Capitalista que, como
demostrei, existe! O objetivo é mostrar a alguns/algumas
companheiros/companheiras que ficar lutando contra esse ou aquele prefeito, ou
governador ou presidente é não conhecer a realidade. Os fios que movem esses
políticos são manobrados pelos três grandes financiadores do pensamento
capitalista mundial, pelo que chamamos de “Internacional Capitalista”.
Saudações a todos.
(2) Em Wikipédia
(3) “Os irmãos Koch miram a América Latina”
(4) Brasil de Fato – 20/08/2020