domingo, 9 de junho de 2024

A INTERNACIONAL CAPITALISTA... OU, A ORGANIZAÇÃO DOS QUE NOS ROUBAM!


Ernesto Germano Parés – junho de 2024
Negritos do texto - Sérgio Mesquita

Creio que muitos dos companheiros nunca ouviu falar de uma “Internacional Capitalista”. Muitos pensam que é piada ou apenas força de expressão, mas a organização existe de fato e, há bastante tempo, venho protelando escrever sobre o assunto!

A origem da organização está no pensamento de Anthony Fisher, um empresário britânico fiel leitor de Friedrich Hayek e de Milton Friedman, os dois expoentes do pensamento neoliberal. Na década de 1970 mudou-se para os EUA onde, em 1981, fundou a Atlas Economic Research Foundation. Curiosamente, no mesmo ano que Ronald Reagan chegava ao poder! No programa de sua organização (que mais tarde mudaria de nome para Atlas Network) estão as principais bandeiras o pensamento neoliberal: desmonte do Estado de bem-estar, defesa do livre mercado, desregulamentação da economia, cortes de impostos e redução do orçamento de programas sociais.

Segundo informações no site da organização, a Atlas não recebe recursos governamentais, apenas contribuições privadas de grandes corporações e/ou doações individuais de simpatizantes da causa neoliberal, entre eles os conhecidos irmãos Koch, bilionários estadunidenses cujas empresas atuam, entre outros setores, com petróleo e gás (falarei sobre eles adiante). Ainda de acordo com o site, a Atlas tem 465 “parceiros”, entidades que divulgam seus estudos e práticas, em 95 países. Nos EUA são 168, na Europa e Ásia Central são 134. Na América Latina são 79 entidades “parceiras” da Atlas (12 na Argentina, 11 no Brasil e 10 no Chile)!

No dia 03 de junho de 2014, em Londres, um grupo de “cidadãos” se reuniu para debater um tema de muita urgência, para eles: “o destino do sistema capitalista no mundo”! Juntos, os membros do seleto grupo controlam mais de 30 trilhões de dólares em ativos globais (investimentos no exterior que podem ser de diversos tipos: dívidas de governos de outros países, empresas multinacionais, ativos imobiliários em vários países etc.).

Deixando clara sua posição diante de uma sociedade que luta pela justiça social, a Atlas não teme publicar entre seus princípios básicos uma tese defendida por James McGill Buchanan —economista da Universidade de Chicago —: “Para que prospere o capitalismo, é preciso colocar algemas na democracia”!

 Ainda que a Atlas anuncie que não recebe financiamento de organismos oficiais, a verdade é que os” (instituições ou grupos de especialistas com a missão de refletir sobre assuntos relevantes) associados ao grupo são financiados pelo Departamento de Estado (EUA), pela USAID (Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA) e pela National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia), braço muito importante do poder estadunidense.

Segundo o jornalista Aram Aharonian (1), a Atlas “Havia passado inadvertidamente durante muito tempo, até que, no Fórum Latino americano da Liberdade da Rede Atlas, em maio de 2017, no luxuoso Brick Hotel de Buenos Aires, com a presença do presidente neoliberal argentino Mauricio Macri e o escritor peruano-espanhol Mario Vargas Llosa, se debateu como derrotar o socialismo em todos os níveis, desde as batalhas campais nos campus universitários até a mobilização de um país para defender a destituição de um governo constitucional, como no Brasil”.

Pelo que sabemos, a nova grande ofensiva capitalista em nossa região, com uma imagem pseudo acadêmica, teve início com essa Internacional Capitalista, movimento que se intitula “libertário” de extrema direita (libertarians) que tem como principal fachada a Rede Atlas.

E aqui temos uma releitura do termo “libertário” ou “libertarismo”, antes usado para designar grupos anarquistas que combatiam o capitalismo, em particular o pensamento de Proudhon. Atualmente, essa direita que combate todo e qualquer papel do Estado na sociedade assumiu o nome, razão pela qual encontramos algumas vezes como “anarquismo capitalista”! Esses grupos, afinados com parte da ideologia neoliberal, propõem a liberdade individual em contraposição ao Estado. A liberdade individual é o valor fundamental e rejeitam qualquer forma de organização da sociedade chamando de autoritarismo!

Voltamos, então, aos acontecimentos na Argentina onde, agora, a vitória de Javier Milei tem grande importância para os projetos da extrema direita em Nossa América. Afinal de contas, um economista libertário assumido, como ele gosta de dizer, conseguiu uma impressionante votação derrotando partidos tradicionais no país. E isto tem um grande significado.

Na França, a Frente Nacional (FN), partido de extrema direita comandado por Jean-Marie Le Pen, que nos anos 80 dizia-se seguidor do pensamento de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, não encontrou muito apoio na classe média e precisou refazer seu discurso passando a defender um Estado economicamente forte.

Na Alemanha, o partido de extrema direita Alternative Für Deutschland (AfD), fundado por economistas liberais, mudou também o discurso contra o Estado e passou a defender políticas centradas em criticar a imigração dizendo que enfraquece a proteção social da população alemã!

Nos EUA existe um pequeno Partido Libertário, mas é microscópico e se dilui dentro do Partido Republicano, não tendo força sequer para influir nas propostas republicanas e não atrai a extrema direita estadunidense.

Acreditem ou não, a “Rede Atlas” está também por trás das políticas de Donald Trump através de um documento especial escrito para ele pela tristemente famosa “Heritage Foundation”, também um grupo financiado pela Atlas Network.

 Os grupos que recebem fundos da Atlas não se limitam a financiar e dirigir governos que os favoreçam, mas são também especialistas em manobrar a opinião pública para jogar contra as políticas que incomodem seus interesses. Um exemplo disso é dado pelo britânico George Monbiot, um jornalista, escritor, acadêmico e ambientalista do Reino Unido com uma coluna semanal no jornal The Guardian. Em um dos seus artigos ele demonstra como essa rede, com todo dinheiro que possui para essas práticas, consegue influenciar a opinião pública. Em particular ele cita o trabalho de desmoralização realizado contra grupos de ambientalistas que costumam realizar atos em locais públicos”!

O mesmo trabalho denunciado por Monbiot nós temos visto no movimento sindical através do mundo. Essas redes vão, momento a momento, desmoralizando todo e qualquer movimento sindical, usando seus veículos de comunicação para desacreditar as entidades de classe. O trabalho dos propagandistas do pensamento “libertário” moderno é tão insidioso que consegue levar os indivíduos a desacreditarem de qualquer tipo de vínculo comunitário, a abrir mão de direitos coletivos e, até mesmo, preferirem vender seus órgãos no mercado negro para doentes ricos do que buscarem um sindicato que defenda seus interesses!

E Javier Milei é o mais recente produto desse trabalho. Ostenta um passado de roqueiro, com ênfase em sua paixão pelos Rolling Stones, sem ser um ex-militar como Bolsonaro ou um multimilionário como Donald Trump. Não, Milei é diferente e seu discurso tem grande valia para o pensamento dos senhores da Atlas. Confunde suas ideias com pensamentos “libertário” e consegue desarmar a direita tradicional argentina que fica sem discurso para enfrentá-lo. E consegue desqualificar a esquerda com seu discurso raivoso exibindo uma motosserra!

O fato é que a extrema-direita, através dessas organizações financiadoras e think tanks está de olho no “fenômeno” Milei e a capacidade que demonstrou para ganhar a opinião da direita tradicional argentina. E, antes dele, temos alguns exemplos de como funciona esse discurso “libertarista” e como vai conquistando espaço. Na França, por exemplo, despontou um tal de Éric Zemmour que, mesmo não vencendo as eleições de 2022, alcançou uma votação inesperada pelos analistas. Outro exemplo é o do Partido da Inovação Japonesa (Ishin) que, fundado em 2015 alcançou 14% dos votos na eleição japonesa de 2022! O discurso é moderno, rompe com a direita tradicional, mas consegue angariar eleitores naquele espaço. Uma nova extrema direita que, como diz Romaric Godin, jornalista do La Tribune, é “tão eleitoralmente competitiva quanto ideologicamente perigosa”!

A realidade é que o capitalismo busca, a qualquer preço, uma alternativa diante do avanço do multilateralismo no planeta e o enfraquecimento dos ideais representados pelos EUA. E o trabalho dessas entidades/organizações “parceiras” da Atlas Network vai avançando, em particular entre os jovens. Pelos levantamentos que vimos, uma imensa quantidade dessas organizações dedica-se, em especial, ao trabalho entre jovens. No Brasil, um dos maiores exemplos que temos é o MBL, criado pela poderosa Students for Liberty (Estudante pela Liberdade), dos EUA, outra “think tanks” mantida pela Atlas para atuar junto aos jovens.

A cada dia nos encontramos com mais e mais pessoas que se diz “libertária” e que, como papagaios, repetem discursos da extrema direita. Uma extrema direita que deseja mudar o mundo e encontra, nesse público, um universo convencido de que isso é preciso!

Neste ano, entre os dias 30 de maio e 02 de junho, tivemos notícias do Encontro Anual do Clube Bilderberg! Mas, o que é o tal Clube e o que representa no tema que estamos desenvolvendo?

Para fazer uma breve história devemos dizer que a primeira conferência desse grupo aconteceu no Hotel de Bilderberg em Oosterbeek, Países Baixos, entre os dias 29 e 31 maio de 1954. Basicamente, a ideia do encontro partiu do político polonês exilado Józef Retinger. Sua grande preocupação era com o crescimento do antiamericanismo na Europa Ocidental e, para combater a tendência, teve a ideia de uma conferência internacional em que líderes de países europeus e dos EUA realizariam reuniões para promover o que chamou de “atlantismo” e a cooperação entre as culturas estadunidense e europeia em matéria de política, economia e questões de defesa. Em outras palavras, depois da Atlas Network, esse é o segundo membro de uma “internacional capitalista”, surgida para dar novo fôlego ao sistema.

Vale registrar que aquele primeiro encontro foi possível graças ao apoio de 30 mil dólares da Fundação Ford, que também financiou as conferências de 1959 e 1963

Neste ano, o seleto grupo de convidados teve uma pauta extensa, apesar de a organização do encontro ser coberta por um elevado grau de segredo! Em particular, das informações que vasaram, consideramos muito importante que tivessem debatido sobre o “avanço imparável da Inteligência Artificial”, questões da mudança climática que eles negam existir e conflitos bélicos (em especial a Ucrânia). Mas, como dissemos, o encontro é cercado de sigilo e dificilmente saberemos as conclusões que chegaram sobre esses temas.

No encontro deste ano estiveram presentes altas personalidades do governo espanhol: o ministro de Assuntos Exteriores (José Albares), o ministro da Economia (Carlos Cuerpo), o presidente do Banco de Espanha (Pablo Hernández de Cos) e outros representantes de empresas governamentais. Completam a elite espanhola: Ana Botin, presidenta do Banco Santender; José Creuheras, presidente do Grupo Planeta e; Sol Daurella Camadrán, presidenta da Coca-Cola Europacifi Parners.

Entre os convidados “de peso” do encontro estão os presidentes e fundadores de grandes grupos internacionais: Musafa Suleyman (Microsoft IA), Murray Auchincloss (BP), Daniel Ek (Spotify); Albert Bourla (Pfizer), Mark J. Carney (Brookfield), David H. Petraeus (KKR Global Institute), Jane Fraser (Citigroup), Stacey Abrams (Sage), Roger C. Altman (Evercore), Marco Alverà (zhero.net).

Também estiveram presentes: Valérie Baudson (Amundi); Lorenzo Bini Smaghi (Societé Générale); Charlene de Carvalho (Heineken), Demis Hassabis (Google DeepMind), Colm Kelleher (UBS), Kasia Kieli (Warner Bros), Michael O'Leary (Raynair), Patrick Pouyanné (TotalEnergies), Wael Sawan (Shell) e Christian Sewing (Deutsche Bank).

Uma curiosidade é pensar os motivos que levaram o Grupo Bilderberg a realizar o encontro deste ano na Espanha. Sabemos que aquele país está arrasado economicamente, por seguir as ordens de Washington para boicotar os produtos da Rússia. A crise espanhola no setor de energia é gritante e parte da indústria está parada. Além disso, a Espanha passa por uma espantosa crise de moradias, com aluguéis altíssimos e falta de oferta tanto para alugar quanto para vender. Aliás, esse fenômeno está alimentando o discurso anti-imigrantes da extrema direita.

Ainda conversando sobre o Grupo Bilderberg, cabe assinalar que, ao ser criado, tinha como principais funções, além das já citadas, “reforçar um consenso em torno do capitalismo ocidental de livre mercado e os seus interesses em todo o mundo”. Em 2001, Denis Healey, um dos fundadores do grupo de Bilderberg e membro do comitê diretivo por 30 anos, afirmou: "dizer que estávamos lutando por um governo mundial é exagerado, mas não totalmente injusto. Nós no Bilderberg sentimos que não poderíamos continuar a estabelecer conflitos uns contra os outros por nada, ao matar pessoas e criar milhões de desabrigados. Por isso, sentimos que uma única comunidade global seria uma coisa boa." (2)

Ainda de acordo com a Wikipédia, em agosto de 2010, o ex-presidente cubano Fidel Castro escreveu um artigo para o jornal do Partido Comunista de Cuba, o Granma, no qual ele citou o livro de Daniel Estulin, “Os segredos do Clube Bilderberg”, de 2006, que descreve “panelinhas sinistras e os lobistas Bilderberg 'manipulam o público' para instalar um governo mundial que não conhece fronteiras e não é responsável perante ninguém, exceto a si mesmo”.

E chego ao prometido no primeiro artigo da série: falar sobre os Irmãos Koch, bilionários e também financiadores da Atlas Network!

Segundo o jornal espanhol El Pais, em 23 de setembro de 2019, eles gastaram centenas de milhões de dólares no financiamento de candidatos extremistas hostis aos direitos sindicais e ao controle da emissão de gases no planeta! Eles agiram em todo o mundo, não em um único país!

Para os muito interessados no assunto sugiro a leitura do livro “Dark Money”, de Jane Mayer. Nesse trabalho de muita pesquisa e compilação de documentos, a autora mostra a forma como alguns bilionários financiaram desde o começo dos anos setenta a guinada teórica e política que levou ao desmantelamento das conquistas sociais, às maciças diminuições de impostos a favor dos ricos e à eliminação das regulamentações que desde a época da New Deal limitavam a capacidade de especulação e manipulação dos grandes bancos e das agências financeiras de Wall Street.

Sobre os irmãos Koch, no livro, vamos descobrir que seus negócios se espalham por mais de 60 países, mantendo mais de 100.000 empregados. Seus investimentos vão desde refinarias, a fábricas de gás natural, redes de oleodutos, fábricas de fertilizantes e de ração, de toalhas de rosto, de papel higiênico, até de cartões de aniversário. Entre os dois irmãos — um deles já falecido, mas substituído pelo filho — era contabilizada uma fortuna de mais de 100 bilhões de dólares (414 bilhões de reais).

Segundo um pensamento muito difundido nos EUA, “a Koch Industries é uma empresa revolucionária: não quer vencer a negociação com o sindicato, quer destruí-lo”.

Em uma excelente matéria datada de 20 de agosto de 2020 (3), o jornal “Brasil de Fato” denuncia a maneira e o trabalho desses grupos. 

De acordo com a matéria, o grupo visa alterar a noção de “educação como direito” e tornar a noção de “educação como mercadoria” um senso comum. Agem, principalmente, por dois meios: primeiro, disseminando a desconfiança em relação à escola pública e os seus professores, acusando-os de fabricar ideologias, instigando uma cultura da delação; segundo, disseminando a adoção de vouchers em larga escala, a gestão privada de aparelhos públicos, defendendo a liberação do homeschooling (educação escolar em casa), e até mesmo o unschooling, que é o direito de não escolarização.

Para esses grupos, crianças que não podem ir à escola são mais bem aproveitadas no mundo do trabalho.

Esses grupos, ou “think tanks”, fazem ampla defesa do homeschooling, mas buscam o apoio de grupos religiosos que defendem escolarizar as crianças em casa aos moldes dos valores de suas religiões, muitas vezes promovendo o negacionismo científico e revisionismos históricos que relativizam violências.

O trabalho desses grupos financiados pela Atlas Network, pelo Grupo Bilderberg ou pelos irmãos Koch não mede esforços para defender o capitalismo sem limites onde a vontade individual se sobrepõe às necessidades coletivas. Crianças pobres precisam aprender a trabalhar, não a pensar.

Certa vez perguntaram a Warren Buffet, um dos três ou quatro homens mais ricos do planeta, se ele acreditava na guerra de classes. Com toda tranquilidade, ele respondeu: “É claro que sim. E nós ganhamos!

Acompanhamos a conjuntura internacional há bastante tempo e com muita preocupação, em particular esses movimentos que expressam o pensamento da extrema direita. E, nesse longo tempo lendo sobre suas ações, podemos perceber que esses grupos financiados pelos grandes defensores do capitalismo “sem fronteiras” formam um exército bem afinado que defende os interesses dos poderosos. Levantando uma bandeira de “liberdade”, esses “libertarianos” trabalham a favor dos grandes empresários ao combater leis que regulam a emissão de gases que causam o efeito estufa, ao defenderem redução nos impostos das grandes empresas, ao combaterem as organizações dos trabalhadores, ao se colocarem contra as escolas tradicionais e defenderem a “escola em casa” ou a militarização das escolas ou, mesmo, ao fazerem um discurso de que “todo político é sujo” para defenderem os que eles sabem que vão defender suas propostas. De toda forma, seja qual for o discurso que fazem, sempre será para defender um capitalismo sem limites e sem críticos.

Curiosamente, pensam e agem pela primazia da propriedade. Na concepção deles, o corpo é a primeira propriedade! E isso nos ajuda a entender a necessidade que sentem de cultivar o corpo! Acreditam que o individualismo e a propriedade são fatores “criados pela natureza ou por Deus”! Essa a base do trabalho de propaganda que fazem contra os movimentos sociais e/ou comunitários.

E os irmãos Koch podem ser entendidos como um ponto de partida para compreender a organização estratégica e os modos de financiamento na construção histórica de uma rede com programa expansionista desse ideário político-social. São os grandes financiadores das campanhas contra o ensino público e os modelos educacionais que conhecemos e que, até hoje, deram certo.

No Brasil, segundo o último levantamento conhecido, são 15 entidades financiadas pelos irmãos Koch. E o discurso desses grupos vai se espalhando com bastante agilidade.

No mesmo número do jornal Brasil de Fato, já citado (4), vamos encontrar o pensamento de uma (na época) jovem estudante “libertariana” durante o parlamento Ibero-americano da juventude. Ela afirma que o “livre mercado é o remédio para todos os males”. Diz que nenhum habitante do planeta está livre do egoísmo. A musa libertariana se opõe a tudo o que é público, reafirmando que todo político luta por interesse próprio. Ironicamente, tornou-se presidenciável em 2019, pleiteando um cargo público, talvez tendo em vista o cumprimento dos seus próprios objetivos.

Segundo o jornal, “essa jovem também atuou de maneira intensificada, no Brasil, durante as manifestações de oposição à presidenta Dilma Rousseff. Financiada por fundações latino-americanas parceiras da Rede Atlas, Álvarez foi à Avenida Paulista discursar a favor do impeachment, no palanque do grupo ‘Vem pra Rua’. paramentada com a bandeira do Brasil estampada na camiseta. Há sucursais da Atlas Network espalhadas por toda América Latina.

Em 1 de abril de 2015, a Atlas publicou uma matéria elogiando a atuação do Movimento Brasil Livre (MBL), dizendo que havia um parceiro da Atlas Network e do Students for Liberty, estrela libertária em ascensão à frente do movimento. Este é Kim Kataguiri, um dos líderes que passa a aplicar o que aprendeu no terreno onde vive e trabalha.

É através desses “think tanks”, dessas figuras “jovens” formadas, treinadas e adestradas pelos vários sites de “formação” existentes na Internet, que os novos donos do mundo divulgam suas ideias contra o Estado e contra a educação tradicional.

A quantidade de financiamento e apoio ($$$$$$$$$$$$) que entra no Brasil através dessas ONGs financiadas por esses três grupos citados por nós é impossível de ser calculada. O sigilo que exigem e o apoio que encontram entre os parlamentares e alguns executivos municipais e estaduais que foram eleitos com o financiamento deles impede que venhamos a saber o que se passa, de fato, nos bastidores.

Um fenômeno é bem visível atualmente, se bem que nem sempre entendido. Estou falando da questão da diminuição do espaço da cidadania, do espaço de corresponsabilidade entre e dos cidadãos, está estruturalmente associada ao movimento pelo direito de educação domiciliar.

Na questão da educação domiciliar, a “homeschooling”, há uma ideologia ultraliberal e ao mesmo tempo conservadora, que concebe o desenvolvimento do sujeito numa perspectiva individualista. Ou, como diria Margareth Thatcher, “eu não reconheço sociedade, mas sim indivíduos”.

 

Há uma associação no Brasil que atua com muita disposição desde 2010. Ali se encontram pais insatisfeitos com a educação que os filhos recebem nas salas de aula. Questionam o ensino e os conhecimentos que são passados para seus filhos, A Associação Nacional de Educação Domiciliar não apenas organiza essa demanda, mas também a promove, divulga, e se propõe a conseguir a regulamentação da chamada ED no país.

Quem visitar o site da tal “associação” vai ver imagens de casais jovens com seus filhos em situações domésticas que produzem um sentido de “paz, amor e harmonia no seio da família”. Imagens que nos lembram a insistência com que a palavra de ordem “pela família brasileira”, ou “Deus, Pátria e Família”, como gostam de dizer, marca desse grupo.

Agora, alguém aí poderia “adivinhar” quem financia esse grupo?

Meu objetivo nesse texto não é, apenas, denunciar esse trabalho da Internacional Capitalista que, como demostrei, existe! O objetivo é mostrar a alguns/algumas companheiros/companheiras que ficar lutando contra esse ou aquele prefeito, ou governador ou presidente é não conhecer a realidade. Os fios que movem esses políticos são manobrados pelos três grandes financiadores do pensamento capitalista mundial, pelo que chamamos de “Internacional Capitalista”.

Saudações a todos.

 

(1) “El terraplanismo, la Red Atlas y Javier Milei”, em Rebelión
(2) Em Wikipédia
(3) “Os irmãos Koch miram a América Latina”
(4) Brasil de Fato – 20/08/2020