domingo, 5 de maio de 2013

texto sobre o encerramento do Projeto da Secretaria de Cultura de Maricá: Golpe de 64: A história que não foi contada

GOLPE DE 64: A história que não foi contada

Depois de três cancelamentos fechamos o Projeto com o excelente show multimídia na Praça Orlando Rangel neste 1º de maio. Aconteceram alguns problemas de iluminação e som por conta da decisão de realizarmos em cima da hora o show, em um evento patrocinado pela Secretaria do Trabalho, ossos do ofício. Só podemos agradecer a oportunidade que nos deu a Secretaria do Trabalho e o apoio das Secretarias de Turismo, Educação e Direitos Humanos.

Foram cinco filmes com palestras e debates com a plateia, uma Batalha de MC`s, o Dia Internacional da Poesia e o show de encerrando o Projeto. Uma verdadeira aula sobre o período negro de nossa recente história.

O objetivo foi o de resgatar nossos verdadeiros heróis e apresentar para as gerações que não viveram aqueles momentos de terror (80 para cá), como aconteceu e as estratégias aplicadas para o sucesso do Golpe: o desmantelamento da Educação e a concentração dos meios de comunicação na nas mãos das famílias que apoiaram o Golpe. Tínhamos o dever de denunciar estas estratégias, pois elas são as mesmas utilizadas até hoje.

Muito timidamente conseguimos alguns avanços na questão da Educação, notadamente nos últimos 10 anos. Na questão da mídia a situação só não é pior por conta do advento da Internet que permite um contraponto à mídia “democrática”, mais com alcance limitado e com riscos de ser abafado por conta das propostas de controle pelo Estado (França, Inglaterra, EUA e outros),que em nome da segurança querem o controle total da Internet e nos calar mais.

Hoje praticamente só temos a Internet para denunciar as mesmas manipulações que aconteceram em 1954 (contra Getúlio) e 1964 (contra Jango). A mesma fórmula. Mentiras, ocultação do que não é de interesse e desvirtuação dos fatos, são práticas comuns nas grandes redes de televisão e mídia impressa. Verdades viram mentiras e mentiras viram verdades. Condena-se e inocenta-se com a mesma desfaçatez e cinismo, e preparam um novo Golpe nos dias de hoje. Não existe “interesse em acabar a corrupção” existe o interesse de retomar o poder. Não pelas elites – não os são, mais pelas classes que ainda dominam o país e não admitem a distribuição do que acreditam serem “suas” rendas.

Na realidade não são as questões religiosas, de liberdade ou não, que movem o mundo para as guerras de “libertação”. Foram e sempre serão lutas pelo capital e sua concentração. O bem contra o mal se traduz em mais dinheiro no bolso a qualquer custo.

Por isso fizemos questão de realizar este projeto pela Casa de Cultura e pretendemos fazer muito mais. Como cita Raul Castro: “devagar mais sem pausa”.

No mais só posso agradecer a equipe de colaboradores da Cultura e aos nossos amigos que incentivaram, criaram e discutiram o show em sua forma e conteúdo e, claro, ao nosso Governo Municipal.

Sobre a matéria "O flagelo silencioso"

Sobre o texto publicado em: http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed743_o_flagelo_silencioso


Após mais de 29 anos trabalhando na TVE-RJ e depois TV Brasil (através da OS – ACERP) posso arriscar alguma opinião sobre o assunto.
Durante o estudo de criação da EBC, foi colocado para os responsáveis do mesmo, a importância da não criação de uma Empresa de direito público, pois seria o retorno a um passado triste da TVE-RJ que foi de direito privado, passou para público, retornou ao privado (como OS) e, com a criação da EBC simplesmente deixaria de existir sendo substituída por uma televisão de direito público (TV Brasil).
Explicando o imbróglio de direito “público e privado”: por ser um meio de comunicação, os impactos tecnológicos são enormes e, se para cada atualização de seu parque for necessário licitação, irá correr sempre atrás do rabo. Outro ponto de igual importância está no seu quadro profissional. A dinâmica, o salário do mercado e atualização profissional, infelizmente está além do Concurso Público. Não estou defendendo terceirização de mão de obra como muito acontece principalmente nas OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Uma Organização Social está mais para Cooperativa de Produção do que prestação de serviço - Mal comparando. Somam-se a isso as fiscalizações que as OSs sofrem como se pública fossem, pois também recebem dinheiro público (Contratos de Gestão).
O fato é que a EBC foi criada e ainda patina por conta das dificuldades geradas por seu modelo jurídico. Quer e deve se “livrar” da ACERP (OS que cuidava da TVE-RJ e da Rádio MEC), mas não pode (ainda) abrir mão da mesma. Infelizmente deve acontecer com a EBC o que aconteceu com a TVE. Vai se descolar do mercado profissional e tecnológico, apesar de seu atual quadro de profissionais ser composto por gente atualizada. Porém dificilmente conseguirá manter seus melhores profissionais, como vem ocorrendo.
No meu ver, a atual direção não tem tanta responsabilidade assim no processo, pois está além de sua vontade, mas como alguns que lá estão defenderam o modelo atual, com certeza amargam pela decisão tomada lá trás.
Por ser uma empresa “política” talvez não esteja se posicionando como devia em relação ao tema. Uma empresa de comunicação pública deveria ser a primeira a gritar contra o processo de privatização do espectro público. Nos EUA a PBS, televisão pública, foi a única a noticiar a derrota do Bush filho, enquanto as privadas saudavam sua reeleição. Qual a diferença entre os modelos?
Defendi a EBC como uma empresa ou agência reguladora, mas como o modelo destas agências são o de privilegiar o privado em detrimento ao público, não sei se resolveria. O fato é que ainda estamos nas mãos das seis famílias detentoras do monopólio da comunicação e, caminhamos para o fim da neutralidade da Internet com o apoio da ANATEL. Nosso governo deveria enxergar estes movimentos e ter um posicionamento mais claro sobre o assunto.

quarta-feira, 13 de março de 2013

JUSTIFICATIVA DO PROJETO "GOLPE DE 64 A HISTÓRIA QUE NÃO FOI CONTADA" PARA SECRETARIA DE CULTURA DE MARICÁ



A Luta de Classes continua acirrada no mundo e em especial no Brasil. Apesar de todos os avanços nas políticas públicas, obtidas nestes últimos 10 anos, continuamos sofrendo do mesmo mal que, na década de 60, permitiu o acontecimento do Golpe de 64 -  O domínio dos meios de comunicação nas mãos de 6 famílias.
Estas famílias, que em nome da liberdade de expressão, manipulam os fatos, não permitem e não desejam que o povo brasileiro seja autossuficiente e muito menos que, este mesmo povo possa se governar. Constroem as imagens de seus interesses e tentam desconstruir as que não são de seus interesses. Fabricam mentiras e escondem a verdade.
Esta realidade pode ser confirmada nos últimos 50 anos, analisando-se quatro grandes episódios de nossa recente história: O Golpe Militar de 64, a Campanha pelas Diretas, a eleição do Collor e hoje o Mensalão. Basta uma rápida análise, mesmo que superficial, para encontrarmos um denominador em comum – Em todos os casos, a mídia trabalhou e continua trabalhando contra o povo e sua autodeterminação. Deturpam a notícia em favor de da acumulação do capital.
Este processo se mantém forte, muito devido à estratégia dos militares golpistas que investiram no desmantelamento da Educação. As gerações que se seguiram aos anos 60 e 70, aos poucos foram sendo “desmemorializadas” e transformadas em “apertadores de parafusos”, a chamada “geração Coca-Cola”. Somente uma pequena parte da população conseguiu algum tipo de Educação e mesmo essa parte, sem saber como pensar e construir alternativas para a sociedade como um todo.
A esquerda por sua vez, ainda não consegue se contrapor por ter adotado uma política de bom comportamento, assumindo em algumas situações discursos antes negados. Vê-se em uma encruzilhada. Retoma, com as devidas atualizações, a Luta de Classe e se vê taxada de “dinossauro” pela mídia ou, em nome da modernidade, quase se entrega ao discurso oficial, estampado nas primeiras páginas dos jornais como O Globo, Estadão, Folha e outras publicações de caráter reacionário.
O presente Projeto tem por objetivo resgatar o outro lado da história. A história daqueles que lutaram contra a opressão e os assassinatos que se seguiram por duas décadas de Ditadura.
Contrapor-se ao discurso oficial e desnudar o outro lado da história, faz parte da luta de um Governo socialista que busca a igualdade e justiça para o conjunto de sua população. É dever da Secretaria de Cultura não só apoiar como também participar ativamente desta luta de resgate da memória de um período também conhecido como os “anos de chumbo”. O presente Projeto se encaixa bem neste perfil quando utilizando-se de várias mídias, resgata os fatos históricos e os expõe para discussão a partir de uma visão crítica. É a informação transformada em conhecimento.

terça-feira, 22 de março de 2011

OBAMA, DEMOCRACIA E VISITA AO BRASIL

Há pouco, escrevi um texto baseado no posicionamento de um dos grandes nomes da intelectualidade mundial, Eric Hobsbawm (sergiomesquita.blogspot.com – Eleição como alegoria). Ele coloca que as eleições hoje não passam de meras formalidades, uma festa. Justifica sua linha de pensamento através do processo de privatização do estado, que domina a linha de pensamento liberal de nossas democracias. O que isso tem haver com Obama e sua visita?

Obama foi eleito nos EUA como “o cara” que levantaria a economia nacional e “pacificaria” o mundo, por ser o oposto de seu antecessor. O negro que humanizaria o sistema de Saúde. Passada a festa, não mudou nada, tem um Congresso retrógrado (bem ao estilo da moral americana), popularidade em baixa e já se envolveu em sua primeira guerra em nome da democracia e, a Saúde, continua a mesma.

Em relação ao Brasil, ao contrário do que pensam aqueles que continuam com Lula atravessado na garganta, sua visita não foi por que Dilma tem estilo diferente ou política diferente do Lula. Sua visita foi para tentar recuperar seu prestígio (EUA) e um mercado que sempre foi cativo ao americano. O Brasil diversificou seus parceiros comerciais e isto prejudicou a balança americana. Obama não veio para ser um igual. Nosso suco, aço, sapato e outros continuam e continuarão sobretaxados lá. Exaltou a democracia e iniciou uma guerra do hotel em que estava hospedado.

E por falar em democracia (qual?). Apoiaram Mubarack por trinta anos. Quando a população egípcia foi para as ruas, ficaram quietos. O ditador era aliado.

Já em relação ao Kadafi, quando o pêndulo tendeu para o ditador, os mesmos da guerra do Iraque (aquela da mentira das armas de dizimação em massa) a exceção da Alemanha, estão bombardeando o país em apoio a população que quer democracia. E no Barem? País sem democracia onde o rei (que na Inglaterra perdeu o poder) nomeia o primeiro ministro (o mesmo há quarenta anos) e demais políticos. Quando a população foi para as ruas, o “não ditador” recebe ajuda militar de outro rei “não ditador”, da Arabia Saudita, para combater a população que, a exemplo do Egito, Tunísia e Líbia, foram para as ruas pedirem democracia. Lá, a ONU e os paladinos da democracia estão quietinhos. Não estão bombardeando nada e a imprensa democrática, só da destaque para o lado que interessa a eles economicamente.

E por falar em população na rua, os tunisianos e egípcios foram para as ruas desarmados. De onde vieram as armas dos “rebeldes” líbios?

Infelizmente, de acordo com a história intervencionista americana (com ou sem armas), com certeza seus políticos e empresários devem estar adorando a tsunami japonesa. Economicamente será um alento para economia americana a ajuda que oferecerão.

Te abraço.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

BREVE VISÃO SOBRE O JORNALISMO

Mensagem a uma amiga recém formada

Para minha amiga, JORNALISTA e esposa do lusitano, amigo e companheiro de trabalho Alcino (hehehe).Que seja muito bem vinda esta nova fase em sua vida e, claro, na do Alcino também (por tabela).

Como bem sabe, já fui “dono” de jornal, “jornalista”, colunista, diagramador, fotógrafo, participei de programa de rádio e outras funções que perpassam pela comunicação, além claro de trabalhar na TV Brasil. E, por conta desta pequena experiência, irei tecer alguns comentários sobre alguns pontos, de acordo com o que acredito e aprendi com outros, bem mais notáveis do que eu. Aliás extremamente mais notáveis!

Para começar, não caia no engodo da imprensa imparcial. Tudo que tem a participação humana, torna-se parcial. Quando esta parcialidade é explícita e assumida, no mínimo o veículo merece respeito, mesmo que não concordemos com sua linha editorial. Mas, quando travestida da “imparcialidade”, só podemos desconfiar e muito.

Outro ponto de conflito, é o Controle Social da Mídia. Controle este “vendido” para a sociedade como o retorno da censura. Grande mentira. Pode-se comparar a campanha dos Meios de Comunicação contra o Controle ao corporativismo de alguns juízes e advogados para não terem seus pares revistados nos Presídios ou seus atos questionados pela sociedade. Advogado pode levar arma para o presídio e homens do judiciário podem vender suas sentenças sem problemas. Na realidade, os donos dos meios de comunicação não querem é dar satisfação de seus atos. Podem denigrir uma imagem ou criarem uma falsa ao bel prazer. Exemplos clássicos foram a eleição de Collor e seu “impeachment”.

Sabemos que as notícias são manipuladas e o que, você jornalista pode fazer? Render-se? Viver de luz? Complicado né. Principalmente quando recém formada a procura de um espaço. Oliver Stones, cineasta americano, já questionou: “o que adianta viver na maior democracia do mundo, se todos leem as mesmas coisas”. Loucura, mas este será seu mundo daqui para frente. Submissa ou indignada? Só o tempo e as experiências por que passar vão te ajudar neste dilema e alicercear seu caráter. Agora é tempo ao tempo.

Saramago já nos disse que todo o jornalista deve ter o “dom”, ser sempre investigativo e ter a ética presente.Este deve ser o caminho a ser buscado, na minha opinião. A faculdade para colocar a técnica a serviço do “dom”. O caráter investigativo deve existir em quaisquer das áreas de trabalho. Se escreve sobre degustação, vá degustar antes de falar. E, finalmente, ele nos coloca que a ética deve estar para o jornalista assim como o zumbido está para o voo da abelha. Ele é ótimo!

Amiga... agora é com você! E não se preocupe se não concordar com o texto. Sinal que está LENDO e não passando os olhos. Parabéns por mais este degrau.

Te abraço e boa sorte.

domingo, 21 de novembro de 2010

O VOTO COMO ALEGORIA
Impressiona a fome de alguns em não permitir a diplomação do Tiririca. Tudo bem. A Lei exige que o candidato não seja analfabeto? Ele provou que não é.... Aliás, se diploma fosse sinônimo de austeridade, ética e cidadania, teríamos um excelente Congresso. Infelizmente a realidade se mostra diferente. Acredito que a cruzada contra a diplomação do Tiririca seja mais de cunho segregacional que legal.
Foram próximos 1,5 milhões de votos. Conscientes? De brincadeira? Ou um recado?
Particularmente, Tiririca não teria meu voto. Por qualquer motivo que me apresentem, acho um erro este tipo de voto. Sempre existirão opções, mesmo que poucas.
Já tivemos outros exemplos e nenhum deles deu em alguma coisa, pelo menos, não lembro. Juruna, Enéias, Clodovil, Macaco Tião e muitos outros. Até Mulher Melancia concorreu nesta última Eleição. Votos que tiveram seus 15 minutos de fama e nada mais. Sem qualquer efeito prático.
Agora o que realmente vem me preocupando...
O problema é que, este tipo de voto só vem confirmando o (auto) isolamento do cidadão do processo político. Aos poucos a ideologia, a ética e a política deixam de fazer parte da disputa eleitoral. Porque?
Segundo Eric Hobsbawn, em seu livro “Globalização, Democracia e Terrorismo”, o processo de privatização do Estado, iniciado desde da década de 70 (século passado), vem tirando das mãos dos governos as decisões e rumos a serem tomados, em benefício do bem estar da população.
Com a privatização dos serviços públicos, a lógica do “custo x benefício” muda do bem estar social para o lucro empresarial (mercado). O governante ou candidato, pode ter boas intenções e ideias e, ser eleito em consequência delas. Mas, na hora de governar, se o lucro estiver no oposto de sua campanha, é lá que a empresa detentora do serviço (público) irá trabalhar.
Como a lógica do mercado precisa cada vez menos da participação do cidadão, e mais do consumidor, o processo eleitoral vem mudando da disputa política ideológica para a disputa da melhor produção midiática. Por isso, em países de voto não obrigatório como os EUA, presidentes são eleitos com próximos 25% do total de votos possíveis. No Brasil, fica-se assustado com índices de abstenção próximo aos mesmos 25% (onde o voto é obrigatório). Nas atuais democracias liberais, bastam os mesmos 25% para se eleger Executivos e Parlamentos.
Por conta do exposto, vamos defender o fim da contagem de votos, a que se resume o atual processo? Claro que não! Nem eu e, com certeza, Hobsbawn defende algo perto disso.
Sempre afirmei e reafirmo que a democracia é muito difícil. Fácil é a ditadura – “baixa o pau e pronto” - seja feita a “minha” vontade.
Hoje, o processo ditatorial vem mascarado pela democracia de mercado. Não precisa-se mais “descer o pau”. Basta descaracterizar a Eleição. O poder econômico é quem decide quem participa ou não dos benefícios democráticos – leia-se do mercado. Processo ainda mais perverso que a ditadura explícita.
Por isso temos os “Tiriricas” (com e sem diplomas) dirigindo a nossa vida, enquanto representantes do povo. A consciência desta situação, talvez evitasse os 1,5 milhões que ele teve.
Te abraço.
Sérgio Mesquita.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

MEU VOTO EM 31.10.2010

Queridos parente e amigos.
Chegamos há um momento em que temos de nos despir de todos os preconceitos e conceitos para tomarmos uma decisão, talvez mais importante que a tomada na eleição de 2002.
Para tanto, primeiro é preciso desmascarar uma lenda criada ao longo destes últimos 8 anos, por aqueles que trabalham intensivamente para o retorno de uma política discriminatória com apogeu nos 8 anos do governo FHC/Serra.
A lenda criada é do “descolamento” do Governo Lula, do Lula, de uma política pensada e repensada ao longo de mais de 25 anos no seio do PT. Lula fez tudo sozinho a partir de sua privilegiada cabeça. Depois dele, se Dilma vencer, o monstro do PT irá ressurgir das trevas e destruir o país. Esta é a linha de campanha do Serra, de novo o medo (lembram da Regina Duarte).
Durante estes últimos 8 anos, assistimos sim uma mudança de rumo e atitudes que, como já dito, pensada ao longo de mais de duas décadas (não ignorando a história de luta de tempos passados). É claro e óbvio que este trabalho foi sim, facilitado pelo enorme carisma de um pernambucano que chegou em um “pau de arara” e conquistou o Brasil e o mundo, “esse é o cara”. Tive a oportunidade de almoçar por duas vezes com ele no início da década de 90 e, estar com ele pessoalmente durante a apuração do primeiro turno nestas eleições. Vi a mesma pessoa que, como meus cabelos, mais grisalho.
O que está em jogo nesta eleição não é quem é mais simpático ou simpática - por mais incrível que pareça, a preocupação de muitos dos que estão em dúvida. O que realmente está em jogo é a continuidade de um Projeto de Governo que, de forma efetiva começou a transformar a história de mais de 500 anos de colonialismo, para uma história de respeito e preocupação com povo brasileiro. O fim do “sim senhor” em vários idiomas pelo “muita calma nessa hora” em um claro e bom português. Você pode até não gostar mais é impossível fechar os olhos para as mudanças que ocorreram e irão continuar ocorrer com o nosso apoio.
Não queremos e nunca foi projeto do PT, apesar do apregoado pela imprensa, aumentarmos o mandato do Lula, muito menos desejo dele. Lembro aqui que, quem mudou a Constituição para aumentar seu mandado foi o FHC com apoio do Serra e asseclas.
Neste próximo 31.10, o voto não será na Dilma ou no Serra. O voto será dado para quem irá dar continuidade as conquistas obtidas e seus aprimoramentos. Será dado em quem acredita e sempre lutou e luta por dignidade e respeito a todo um povo. Ou podemos votar no discurso falso e hipócrita, daqueles que nunca se preocuparam com o povo ou com o país.
Do mesmo jeito que vi o mesmo Lula de anos atrás, conheci pessoalmente a Dilma. Uma Dilma nem mais bonita e nem mais feia, nem mais simpática ou antipática que sua imagem na televisão. Conheci a Dilma que, como meus amigos gaúchos comentam: “com ela tem que trabalhar”.
Meu voto por convicção e pelos últimos 8 anos é 13. Dilma presidente.
Te abraço.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

E O VOSSO REINO??? NADA???


O título acima, adaptado de uma passagem religiosa, serve bem para o texto que segue. Política e religião se misturam há muito, quando o objetivo é a satisfação de uns poucos em relação aos demais. Spock, em um dos filmes “Jornada nas Estrelas”, fala ao Kirk um pouco antes de falecer: “a necessidade de um não pode se sobrepor a necessidade de muitos”. Bonito né. Possivelmente em Vulcano, planeta de Spock, a frase seja uma regra. Já aqui, em nossa amada Terra... sei não.
E o vosso Reino? Nada? Só o venha a nós?
Este é o tratamento que as grandes nações do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Alemanha, França, Inglaterra e Rússia) dão aos demais países: o venha a nós. O vosso reino é somente vosso nunca nosso.
Esta linha de raciocínio é a que permite a estes países produzirem e explodirem bombas (nucleares ou não), colocarem seus exércitos, sempre em nome da democracia e liberdade, na casa de outros habitantes do planeta. Com ou sem o aval do próprio órgão que fazem parte (vide invasão do Iraque).
Aliás, em relação ao Iraque, ficou mais que provado que a documentação apresentada para justificar a invasão (condenada pela ONU), era falsa. Teve jornalista britânico, da BBC, suicidando quando descobriu-se usado pelo governo. Agora é o Irã, que já foi aliado, a exemplo do mesmo Iraque.
É esta linha ideológica, dogmática, que permite a países que nunca realizaram eleições, suas mulheres não podem estudar e são apedrejadas, são considerados exemplos de civilidade e cidadania. Nestes países, você sempre encontrará uma “Base Militar Aliada” e/ou produtos de interesses estratégicos, comerciais ou não, para os guardiões da paz.
Por outro lado, países vizinhos aos acima, com a mesma religião e realizando eleições, são inimigos do mundo. Não respeitam os direitos humanos e praticam crimes inenarráveis. Normalmente, estes países não são lá tão subservientes as necessidades comerciais e expansionistas dos cinco paladinos.
Temos nossos exemplos aqui também. Em nossas Américas, Zelaia presidente de Honduras, foi derrubado porque tentou mudar a Constituição para, em eleição, disputar um segundo mandato (lembram de FHC). Na Colômbia, Uribe com as mesmas manobras, quer seu terceiro mandato. Na Colômbia, permitiu-se a instalação de Base Militar Americana. Lá, o presidente deve até merecer mais mandatos.
Esta introdução, que poderia ser bem maior em consequência da quantidade de exemplos, é só para dividir com vocês minha opinião sobre a atitude dos cinco paladinos, em relação ao acordo em que Brasil e Turquia fecharam com o Irã. HIPOCRESIA PURA.
Para os EUA não interessa nenhum acordo. O governo ainda não se recuperou. Ainda estão atônitos por causa do atentado das Torres. Para piorar, muitos de sua população, mesmo sem acreditar, não acham impossível ter sido alguma coisa interna ou permitida de maneira tácita.
Com tudo isso, precisam-se de novas guerras, de novos financiamentos para a indústria da guerra e do petróleo, tudo pela manutenção do poder.
Não se assustem se daqui a pouco, nós sermos os alvos. O petróleo tá acabando? Tá! Mas e água como está? Quem tem água potável a céu aberto em quantidade? Quem pensou na Amazônia acertou. Ouro, minérios diversos, Urânio e muita, muita água.
A internacionalização da Amazônia, que já foi sugerida anteriormente, logo será pauta do Conselho de Segurança da ONU, dos cinco paladinos da justiça e paz. Vão dizer que não respeitamos nossos índios e a floresta. Logo eles, que mataram os seus. HIPOCRESIA.
Te abraço.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Existe mídia sem ideologia???

O Texto abaixo nos mostra bem como funciona a nossa “liberdade de imprensa”, tanto para o bem como para o mal.
Quando nossa imprensa democrática, apolítica e sem partido “grita” que querem resgatar a censura, na verdade querem somente a manutenção de seus status.
Oliver Stones (cineasta americano), como já escrevi em alguns textos, denuncia bem este fato com uma pequena frase: “Como podemos viver na maior democracia do mundo se todos leem as mesmas notícias”.
A minha intenção é somente demonstrar que, independente da esquerda ou direita, devemos ler com muito carinho as notícias que nos são permitidas ler e, filtrá-las. Não podemos simplesmente repassar qualquer mensagem que nos chegue a alcance. Pensemos!
Te abraço.
Sérgio Mesquita

Operação "Tempestade no Cerrado": o que fazer?

O PT é um partido sem mídia...
O PSDB é uma mídia com partido...
Mauro Carrara

"Tempestade no Cerrado": é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.
A expressão é inspirada na operação "Tempestade no Deserto", realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.
Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.
A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.
A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.
As conversas tensas nos "aquários" do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.

1. Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.
2. Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.
3. Ressuscitar o caso "Mensalão", de 2005, e explorá-lo ao máximo.
4. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.
5. Elevar o tom de voz nos editoriais.
6. Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de "censura".
7. Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.
8. Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.
9. Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.

Quem está por trás

Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral.
É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.
A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo "cientista político" Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.
Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.

O conteúdo

As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.
Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e "vetada" pelo TCU.
Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.

Criam deturpações numéricas.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto "Minha Casa, Minha Vida" está fadado ao fracasso.
Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas. O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis.
Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.
A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses.
A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.
Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena.
É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90.
Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia.
É o caso da "bomba" requentada neste março. Segundo Alencar, Lula vai "admitir" (em tom de confissão, logicamente) que foi avisado por Roberto Jefferson da existência do Mensalão.

Crimes anônimos na Internet

Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores.
Três deles merecem destaque...


1. O "Bolsa Bandido". Refere-se a uma lei aprovada na Constituição de 1988 e regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.
2. Dilma "terrorista". Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: "Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas".
3. O filho encrenqueiro. De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.

O que fazer

Sabe-se da incapacidade dos comunicadores oficiais. Como vivem cercados de outros governistas, jamais sentem a ameaça. Pensam com o umbigo.
Raramente respondem à injúria, à difamação e à calúnia. Quando o fazem, são lentos, pouco enfáticos e frequentemente confusos.
Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade.

São cinco as tarefas imediatas...

Cada cidadão deve estabelecer uma rede com um mínimo de 50 contatos e, por meio deles, distribuir as versões limpas dos fatos. Nesse grupo, não adianda incluir outros engajados. É preciso que essas mensagens sejam enviadas à Tia Gertrudes, ao dentista, ao dono da padaria, à cabeleireira, ao amigo peladeiro de fim de semana. Não o entupa de informação. Envie apenas o básico, de vez
em quando, contextualizando os fatos.

1. Escreva diariamente nos espaços midiáticos públicos. É o caso das áreas de comentários da Folha, do Estadão, de O Globo e de Veja. Faça isso diariamente. Não precisa escrever muito. Seja claro, destaque o essencial da calúnia e da distorção. Proceda da mesma maneira nas comunidades virtuais, como Facebook e Orkut. Mas não adianta postar somente nas comunidades de política.
2. Faça isso, sem alarde e fanatismo, nas comunidades de artes, comportamento, futebol, etc. Tome cuidado para não desagradar os outros participantes com seu proselitismo. Seja elegante e sutil.
3. Converse com as pessoas sobre a deturpação midiática. No ponto de ônibus, na padaria, na banca de jornal. Parta sempre de uma concordância com o interlocutor, validando suas queixas e motivos, para em seguida apresentar a outra versão dos fatos.
4. Em caso de matérias com graves deturpações, escreva diretamente para a redação do veículo, especialmente para o ombudsman e ouvidores. Repasse aos amigos sua bronca.
5. Se você escreve, um pouquinho que seja, crie um blog. É mais fácil do que você pensa. Cole lá as informações limpas colhidas em bons sites, como aqueles de Azenha, PHA,Grupo Beatrice, entre outros. Mesmo que pouca gente o leia, vai fazer volume nas indicações dos motores de busca, como o Google. Monte agora o seu.

A guerra começou. Não seja um desertor.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Foi-se a 1ª Década. Que Venha a Próxima.

É verdade que falta um ano para o final da primeira década do século XXI. Há pouco tempo, quase ontem, virávamos o Século XX. “Bug do Milênio”, final dos tempos e outras pérolas foram anunciadas e rogadas.
Quando chegou o primeiro dia do século seguinte, fora a ressaca que pode ter sido mais forte ou fraca, nada mudou. Mais um dia de um novo ano como qualquer outro. Nada de calamidades anunciadas e o “bug do milênio” rendeu bastante para os programadores de computador e, só.
No entanto, esta atual década ainda não findada, mostrou que muita coisa aconteceu e está por acontecer. Logo em seu início é derrubado o “Golias” americano. Os EUA sofrem atentado dentro de suas fronteiras (as torres do World Trade). O mito do país indestrutível, da economia forte e exército imbatível (mesmo após o Vietname), literalmente começam a desabar junto com as Torres.
O centro do poder desloca-se da América do Norte para a Europa, com sua nova moeda e ainda incipiente União e, continua a migrar para novas organizações e grupamentos governamentais, que buscam respeito e poder de decisão nas instâncias criadas no século passado, muitas desrespeitadas por seus próprios fundadores. Está aí a ONU que não nos deixa mentir.
Surge o G20 no finalzinho do século XX, o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) começam a despontar como futuras economias. Lula é apontado como personalidade do ano de 2009 (Le Monde) e não o Obama.
O clima começa a incomodar e ser usado como moeda de troca e barganha política. Questões como a fome e a SIDA, tratadas pontualmente no século passado, não foram resolvidas. Permanecem os problemas e soma-se a questão do meio ambiente que, devido as suas especificidades, não possui fronteiras para confinamento. Não adianta tentar isolar o clima, transferir as industrias poluentes para outras áreas, consumir ou poluir a água ou florestas alheias. A água, como as florestas derrubadas aqui ou acolá, irão impactar no mundo como um todo e não somente em algumas de suas áreas.
A situação está tão latente que a conferência de Copenhague quase militarizou-se. As ONGs que lá estavam foram expulsas, acordo por baixo dos panos denunciados, a presidente da entidade renuncia e um resultado pífio, imposto pelos grandes do século passado, é o seu relatório final. Nenhum compromisso sério, de impacto é assinado. Ficou como positivo a boa vontade de alguns países como o Brasil em vias de sancionar a Lei de Política Nacional de Mudanças Climáticas.
Falando no Brasil, experimentamos algumas mudanças por aqui também. Sentimos mais orgulho, não nos colocamos subservientes nos grandes encontros governamentais e passamos a exigir nossa parcela de dignidade e respeito.
A crise financeira que preocupou e ainda preocupa o mundo, acabou confirmando-se aqui não passar de uma “marola”. A política econômica, independente de sua “matiz política” tem garantido o mercado interno e mantido o dólar em níveis aceitáveis. A procura de novos parceiros para nossas exportações possibilitaram a manutenção de uma Balança Comercial favorável.
Temos problemas e não são poucos. Mas estamos conhecendo uma nova Polícia Federal e um novo Ministério Público que, apesar de todas as diversidades, se não conseguem tirar de circulação certos políticos e personalidades, deixam bem claro para a população quem são estes cidadãos sórdidos e em que estão envolvidos. A corrupção não está maior nem menor neste final de década, mas com certeza está mais exposta, divulgada e combatida.
Não conquistamos os direitos de sediarmos uma Copa do Mundo e uma Olimpíadas de graça. Como colocou Lula no Prêmio Brasil Olímpico, “foi fruto de muito trabalho sério”. Trabalho este, “facilitado” por toda uma política e postura governamental de respeito ao próximo, respeito ao povo brasileiro. Respeito este que fazemos por merecer a cada novo dia de luta e trabalho.
Otimismo exacerbado? Inocente? Petista? Não! Apenas acredito que nós, “homo sapiens”, não devemos ser tão ruins para com os outros e para com o planeta, como fazemos questão de demonstrar.
Que venha a próxima década!
Te abraço.

domingo, 23 de agosto de 2009

COM QUE ROUPA EU VOU? (14/08/2009)

Ao estilo – com muita presunção - do então deputado pelo PT, Chico Alencar, inspirado na letra do samba de Noel, escreveu carta ao Lula à época da cassação da candidatura de Vladimir Palmeiras ao Estado (1998), escreverei esta coluna com uma pequena nuance. Na realidade o título deveria ser “Com que roupa eu fico – oposição ou situação?”.
Esta dúvida está na cabeça de muitos de meus amigos e amigas por causa desta coluna, escrita em um jornal com perfil atual de oposição. Portanto, quero deixar claro aqui o meu posicionamento: Não mudei em nada, sou petista, apoio o governo por convicção e acredito na pessoa do Prefeito e sua índole. Foram uns 18 anos de luta (no meu caso) para chegarmos até aqui e, tenho a certeza, que serão necessários mais alguns para transformarmos nossa Maricá.
Hoje, temos completo um semestre de governo, com um Orçamento que já acreditávamos fictício e que a realidade se mostrou pior ainda. Mesmo assim, cobram-se resultados de anos em meses.
É fato que existem problemas, já ouvi muita reclamação. Entendo que na maioria das vezes, são coisas de súdito querendo ser mais rei que a própria realeza e outras, conflitos oriundos da própria coligação, o que acontece em qualquer eleição com qualquer Partido. Não é privilégio nosso.
O problema é que quando fui convidado para aqui escrever, o perfil deste jornal era também o de divulgação do governo com isenção, ou seja, elogiar e criticar quando assim achasse necessário e, sempre de maneira construtiva. Prática esta que nunca foi problema para mim e muito menos para o Quaquá, pois temos um belo histórico de debates.
Hoje, no meu entender, as críticas aqui apresentadas não estão lá tão construtivas o que me levou a iniciar uma conversa com o Diretor do Jornal, quanto a possibilidade do mesmo vir a virar panfleto ou não. Conversa esta que daremos continuidade, pois também sou amigo e tenho apreço pelo Ricardo Vieira, que é o Diretor.
Esta coluna, em especial será curta e grossa, pois estou atrasado com a mesma, são exatas 18:30 do dia 13.08 e o jornal tem que estar na rua amanhã e não tive disponibilidade para trabalhá-la melhor. Ricardo já me ligou e não quero deixar furo.
Te abraço e peço desculpas.

O QUE ADIANTA VIVER NA MAIOR DEMOCRACIA DO MUNDO SE TODOS LEEM A MESMA COISA” (07/08/2009)

O QUE ADIANTA VIVER NA MAIOR DEMOCRACIA DO MUNDO SE TODOS LEEM A MESMA COISA”
Oliver Stone
É a segunda vez que cito a frase acima. A primeira foi quando um jornal de Maricá escreveu que o Outras Palavras era do PT. Respondemos que não. O Outras Palavras foi idealizado, escrito e diagramado por petista e não pelo PT. Muito pelo contrário, por várias vezes fomos criticados nas reuniões do Diretório pelo espaço que cedíamos para munícipes de outras linhas políticas. É verdade que ao lado de cada texto ou informe publicitário, escrevíamos a “Opinião do Conselho Editorial” que, podia concordar ou não com o teor ali disponibilizado. Mas o espaço era garantido.
Voltando ao cineasta norte-americano, Oliver Stone estava preocupado com a “pasteurização” da imprensa no geral. Todos os grandes meios de comunicação noticiam as mesmas matérias, obtidas nas mesmas fontes e com as mesmas fotos. E, como apenas cinco empresas praticamente dominam a maioria dos órgãos de comunicação do planeta, fica impossível dizer que a mídia não é direcionada (matéria publicada na Revista Atenção, de onde foi retirada a frase de Oliver Stone). A título de curiosidade, duas destas empresas são a GE e WestingHouse, as demais: Sony, Warner e Disney.
É por essas e outras que dificilmente assistimos na televisão ou lemos nos jornais, as reais razões das campanhas escondidas atrás das notícias em destaques. Como exemplo, temos duas campanhas hoje no “ar”, ambas envolvendo diretamente a Petrobras. A CPI e o Conselho de Ética contra Sarney (não vou aqui defender Sarney e muito menos se temos ou não motivos para CPI e, deixo claro que não confio em políticos que passaram pela Arena, PDS e PSDB). O “pano de fundo” de ambas as campanhas, está na questão da liberação ou não do petróleo localizado na área do “Pré-Sal”. Sarney defende a exploração somente pela Petrobras, como exposto pelo jornalista e palestrante Oswaldo Maneschi, no Fórum de Comunicação Social promovido pela Prefeitura de Maricá. Na mesma linha, temos o responsável pela comunicação e patrocínio cultural da Petrobras, Wilson Santarosa, citado na CPI. Em entrevista na revista Carta Capital (05.08), afirma que o interesse escondido na CPI é a desestabilização da empresa para facilitar a exploração do petróleo no “Pré-Sal” pelas “multis”. Alguém em sã consciência acha isso impossível? Alguém em sã consciência acha que as bases americanas a serem instaladas na Colômbia são por conta do narcotráfico e ação humanitária?
Em Maricá, dentro de nossas proporções, acontece a mesma coisa quando jornais passam a atuar como panfletos e não como meio de distribuição da informação, a favor ou contra - não interessa. Se panfleto, não existe preocupação com a veracidade da informação e a discussão sobre a mesma.
Tem-se que ter cuidado com as fontes de pesquisa. Textos livres na internet como no sítio da “Wikpedia” podem ser pesquisados, mas com a confirmação do que lá está disponibilizado através de outras referências. Se não, você pode colocar uma informação (assinada ou não, copiada ou não) e ser rebatido.
Como exemplo, vou apontar duas fontes que podem levantar questionamentos em matérias já publicadas sobre os índios guaranis e sua ocupação territorial. Fonte: Enciclopédia Barsa: “(...) O grande tronco tupi-guarani se estendia do Rio Paraná à bacia amazônica e chegava aos limites da Guiana, incluindo a maior parte do leste brasileiro, com ramos para o oeste que chegavam até os Andes. Antes do descobrimento, houve uma forte migração dos guaranis para as proximidades do rio Prata, onde se estabeleceram.(...)”. Fonte: “As Demarcações Guarani, a Caminho da Terra Sem Mal”, trabalho de Maria Inês Ladeira, antropóloga do Centro de Trabalho Indigenista – CTI, “(...) Na região costeira do Sul e Sudeste do Brasil, entre os estados do Rio Grande do Sul e Espírito Santo, existem, atualmente, 53 aldeias guarani e incontáveis locais de parada provisória. As considerações apresentadas no presente artigo fundamentam-se na dinâmica de ocupação territorial dos Guarani que vivem atualmente nessa região litorânea do Brasil, cuja maioria é constituída pelos Mbya, seguidos dos Nhandeva (estes e os Kaiová compõem os três subgrupos guaranis no Brasil). Entretanto, muitas das situações que serão aqui mencionadas são também vivenciadas pelos Guarani no interior do Brasil, da Argentina e do Paraguai (...).
Boa leitura e discussão sobre a coluna.
Te abraço.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

QUEM NÃO SE COMUNICA... SE “TRUMBICA”. (31/07/2009)

Vou mudar um pouco a linha da coluna e vou falar sobre um assunto que me é bem próximo: a Comunicação. Em especial a institucional.
Aconteceu nesta última segunda, dia 27.07.2009, o Fórum sobre Comunicação Social promovido pela Prefeitura como preparação para a Conferência Municipal de Comunicação Social, a ser realizada em outubro. Como não escreverei matéria sobre o encontro, e somente farei considerações com intuito de colaboração, encerro o assunto do Fórum parabenizando as secretarias que o organizaram: Comunicação Social e Gestão de Metas.
Em relação a Conferência, acredito que o governo irá apresentar uma proposta de ação para discussão no evento. Esta proposta deve estar bem afinada com a Missão e Visão que o norteiam. E deve ter como objetivos finais, não só a democratização e distribuição da informação mas principalmente transformar esta informação em conhecimento nos corações e mentes da população.
Para tanto, a proposta que dará conteúdo e forma a Comunicação Social deve estar em total consonância com as demais Secretarias de Governo, ser alimentada e justificada por elas. Não pode e não deve ser mera repassadora de informação.
Outro ponto importante está na integração digital. Aqui a preocupação precisa estar além da liberalidade da conexão. A Comunicação Social em parceria direta com a TI da Prefeitura deve integrar o projeto social com o tecnológico. Terá a Prefeitura condições de interligar todo o município e suas unidades de uma só vez ou será em partes?. E no caso específico da Educação e a distribuição dos “lap-tops”, interligará primeiro as escolas e treinará seus professores no uso da máquina e da Internet ou simplesmente irá distribuir as máquinas? Quais sítios nossos mestres apresentarão para seus alunos, através da Comunicação, como referência de buscas e apoio ao processo educacional e de aprendizado?
Saindo um pouco do problema institucional, como se dará esta liberalidade para a população como um todo. A conexão será inciada em um grande “Portal” do município, generalista (com informação para os não munícipes) e uma área bem identificada para acesso dos munícipes em busca dos serviços que lá estarão disponibilizados? Ou nos contentaremos em simplesmente permitir o acesso livre para que todos alimentem seus “orkuts”, “msns”, twitter e outros?
Municípios que simplesmente liberaram o acesso sem preocupação inicial com o conteúdo não obtiveram crescimento social e menos ainda em seus negócios (divulgação do turismo, produtos locais e etc.). A única área que apresentou crescimento foi a de vendas de computadores.
Terminando, ainda temos a questão dos canais de Rádio e Televisão digital, com ou sem interatividade. Neste ponto específico fica como proposta a criação de uma Fundação Municipal de direito privado e sem fins lucrativos. Como? Deixo por conta de nossos legisladores as questões legais.
Dou a ideia pela experiência por mim adquirida nos 26 anos de televisão estatal/pública. Parte deles em fundação pública de direito público, onde fez-se de tudo menos televisão. Outra parte como Organização Social (privada sem fins lucrativos), o que permitiu maior agilidade na manutenção e criação do negócio de televisão e rádio. Para tal, cria-se um Conselho Administrativo, onde a Prefeitura indicará no todo ou em parte seus membros, de acordo com a Lei de sua criação e, inclua verba pública (contrato de gestão como ex.). Uma vez que o dinheiro público está envolvido, a Fundação fica passível de sofrer todas as fiscalizações dos órgão públicos afins, como se pública fosse e com a agilidade de empresa privada.
Te abraço.

domingo, 26 de julho de 2009

BRINCANDO EM CIMA DAQUILO (24/07/2009)

Calma! Apesar do título, o assunto é sério e dentro dos padrões morais da sociedade ocidental. Aquele que normalmente é exposto da porta para fora. Porque para dentro ou, como ouvi muito no movimento sindical – até a página cinco tudo bem, depois vale tudo. Mas, vamos ao texto.
Quantas vezes ouvimos de nossos pais e avós a recomendação: “menino olhe onde brinca”.
Mais novos e mesmo adolescentes, éramos todos super-homens, não sentíamos fome nem frio e mesmo quando algo dava errado, o prejuízo era só seu. Uns pontos aqui, alguns membros engessados e muitos sustos e aporrinhações para os pais e avós. Depois, só risadas e histórias repetidas ao longo dos anos. Conheço um adolescente que quando novinho, tinha o apelido de “Faz Merdinha da Estrela”. Dá para imaginar a encrenca né!
O problema é você como adulto, continuar a brincar. Brinca com a vida, o dinheiro e a esperança dos outros.
Você exerce uma profissão de maneira irresponsável ou pior, transforma em profissão o que deveria ser próximo da doação (nada de “franciscanismo”). Você vira político profissional, “ongueiro” ou milita no movimento estudantil durante anos e, pior ainda, tá cheio de cabelos brancos e continua estudante organizando a “juventude”. Hoje até pode aparecer na televisão e no jornal com “N” cursos incompletos, e você lá representando a estudantada.
Cara! Você não representa nada! Deixou de ser estudante há muito tempo. Não passa de um mero político que participa de uma eleição mais barata em busca de seus 15 minutos de fama. A institucionalização e a sede do poder é tanta, que a razão principal deixou de ser o povo, a causa estudantil ou qualquer outra. Dane-se que analfabeto esteja sendo aprovado no vestibular. “Luto por uma causa maior... estou inserido na discussão conjuntural nacional... luto pela solução do grande para resolver a causa menor”. “Balela”, nem o inglês vai ver! Estão brincando de representação – tudo “café com leite”. Mais ou menos como um senador que conseguiu nas urnas algo próximo dos 5% de votos, no estado do Amazonas, quando tentou ser governador e em Brasília brinca de representante do povo.
Não esqueci a ideia do Projeto de Lei de Iniciativa Popular “regulamentando” a profissão de político. Quer brincar de político profissional? Aposentadoria pelo INSS, não exercer o mesmo cargo eletivo por mais de duas vezes a qualquer tempo e/ou “zona” leitoral,... por aí vai. O problema está em achar um político que ajude no projeto: “Ehr... o quê? Desculpas, minha “tátara-tátara-vó” acabou de sofrer um acidente dirigindo na Linha Amarela...” É bom brincar. Também gosto. Só não vale com o povo.
Continuo com minha crença no ser humano inabalada. Segundo meu gerente, como Líder eu estou mais para avó (sem conotação sexual e de idade) do que para chefe. Mas existem momentos em que quase deixo-me levar. Quase concordo quando escuto que Brasília deve ser implodida. Porque se explodir... espalha e a cosia pode piorar.
Só para constar. A questão da explosão/implosão é maneira de se expressar somente - brincadeirinha. Vai que algum desavisado comece a me chamar de terrorista e o EUA invadam Maricá brincando de paladinos da liberdade? “Vixe”! Voltaremos a dançar “For all” e não Forró.
Encerrando, dia 20.07, foi comemorado o “dia do amigo”. E, amigo de verdade, que não brinca, é aquele que além dos tapinhas nas costas, também pisa no calo para que você se lembre sempre que existe o outro lado da moeda. Xingue o “desgraçado” pela lembrança da dor, mas depois agradeça e trate de tomar cuidado onde pisa.
Te abraço

quinta-feira, 16 de julho de 2009

NAVEGAR É PRECISO; VIVER NÃO É PRECISO. (17.07.2009)

Esta frase popularizou-se no Brasil com a música O Barco, de Caetano Veloso em seu disco Argonautas, lançada nos “anos de chumbo” da Ditadura. O que muitos não sabem é que antes do Caetano (que se inspirou, não se apropriou), esta frase foi realmente popularizada pelo poeta português Fernando Pessoa que, por sua vez, adaptou-a do poeta italiano Petrarcha (idos de 1300).
Petrarcha, diferente do sentido dado por Pessoa, usou a “precisão” no sentido puro dos equipamentos de navegação. Alguem imagina um avião navegando sem precisão, ou mesmo as Caravelas da época de Petrarcha? Por outro lado, qual a precisão que temos de nossas vidas além da certeza da morte? Daí...”viver não é preciso”.
A “precisão” da navegação nos é necessária para que tenhamos nossos sonhos e projetos apontados para um “norte”. Precisamos saber bem o que queremos, aonde chegar! Como chegar são outros “quinhentos”. Neste caso a precisão é a mesma da vida; não existe. É mais ou menos como estratégia e tática. Precisamos da estratégia para vencermos a guerra; nosso norte. A tática vai se desenhando de acordo com as batalhas a serem transpostas. Algumas vezes é necessário a derrota em uma batalha para se vencer a guerra.
Esta linha de pensamento vale para todos os momentos de nossa vida. Basta lembrarmos que um dos clássicos mais utilizados no marketing moderno foi escrito nos anos AC (antes de Cristo). É o caso da “Arte da Guerra” escrito por Sun Tzu (sec. IV AC) e, mais “recentemente” o Livro dos Cinco Anéis do samurai Musashi (1584-1645). Ambos os livros buscam o aprimoramento na arte da guerra e, são atualíssimos e muito usados nos cursos de Administração, no que tange a como administrar e enfrentar a concorrência do mercado.
Nossa Petrobras, há anos planejou ser uma empresa referência em geração de energia - estratégia. Gás, Bio-diesel e Álcool são algumas das consequências desta estratégia, além da referência de exploração em águas profundas.
Este mesmo processo vale para nossos governantes e legisladores. Se queremos mudar o mundo ou o município, temos que saber bem aonde queremos chegar (planejamento estratégico), para depois começarmos a galgar os degraus da mudança. Mesmo que em alguns momentos tenhamos de descer dois para subir três mais a frente. Qualquer atitude tomada sem um mínimo de planejamento e comprometimento com o mesmo, vai acabar por navegar em mares desconhecidos e possivelmente naufragar.
Como já colocado em outro texto, quando a coisa é mal feita no campo político, quem sofre é o povo. Segundo Waldez Ludwig, o erro só é aplaudido no circo porque o povo sabe que o artista está indo além dos limites. O prato cai e os aplausos acontecem pelo reconhecimento da dificuldade. Mas quando o público não sabe qual a dificuldade, não tem conhecimento do planejamento ou não enxerga a sua necessidade, vai certamente vaiar e o projeto será desacreditado.
Jucelito Wainer, foi meu professor na Faculdade, recomenda que quando você for apresentar um projeto, tese ou um simples trabalho, transforme a Banca, seus mestres em aliados, não meros avaliadores. Como? Informe com antecedência a ideia central, a linha de desenvolvimento, as referências que serão usadas. Seus examinadores se sentirão co-responsáveis e vão te ajudar com inclusão ou retirada de referências e outras propostas. No momento da apresentação, você terá aliados e não somente examinadores. Isto vale para a política também. O povo quer ser aliado, quer aplaudir.
Te abraço.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Construir ou Destruir (10.07.2009)

Por um acaso do destino, já passaram pela situação onde te param na rua e, com muito brilho nos olhos, apreensão e expectativa te pedem opinião sobre um projeto ou ideia? Você de “saco cheio”, dívidas para pagar e ainda brigou com a companheira. O que fazer?
Não adianta perguntar como vai avó, fazer comentário sobre o tempo. O cara vai estar lá, fazendo “suco de mão” (esfregando uma na outra), não ouviu nenhum de seus pretextos. Só espera a sua opinião que, para piorar, é considerada importante.
Você respira fundo, tenta limpar a cabeça dos pensamentos de segundos atrás e começa a pensar no que dizer. Pela situação, se não gostou, deve medir bem as palavras para não desmoronar com o cara – você está de “saco cheio”. Se no meio do turbilhão você ainda conseguiu ouvir e achar interessante, mais cuidado ainda. Para esquecer seus problemas, você entra de cabeça, incentiva, dá novas ideias e acaba passando a impressão de apropriação do projeto/ideia. Pode dar problemas.
Nestes casos, você foi procurado. Não meteu o “bedelho”, pode até não agradar, mas dificilmente perderá o amigo. Foi pedida e dada a opinião. Mas quando você não pede e nem mesmo conhece o infeliz que resolveu palpitar sobre seu trabalho?
É mais ou menos isso que acontece no dia a dia. Você estuda a teoria, tenta a prática, estuda mais um monte, pega no pincel e nada além de borrões na tela. Mas como conhece da teoria... vira crítico de arte – as vezes nem teoria, mas vira assim mesmo.
Por outro lado, você nasce com o “dom”. Não tem a menor ideia do como, mas pinta, toca, dá cambalhota. É admirado, amado e até mesmo estudado. Porém, o cara do parágrafo anterior te arruma um monte de defeitos... falta isso, não sabe aquilo, as mão são grossas. Mais ou menos como Salieri e Mozart.
Como exemplo destas situações, outro dia, na Rádio MEC, ouvi um comentário do povo do esporte oriundos da Nacional. Era o seguinte: “Antes, o crítico de futebol era aquele gostava do esporte. Se reunia com outros, debatiam e expunham seus pensamentos”. Nesta conversa foram citados Saldanha e Nélson Rodrigues. “Hoje – continuaram – qualquer um dá palpite e a maioria é comprada pelos clubes”. Como sou só próximo e não especificamente da área, continuei meu caminho com aquele sentimento de concordância.
O problema/solução, como já citado em colunas anteriores, é o advento da tecnologia. Tudo ficou mais rápido e acessível. Como exemplo eu virei ou acho que virei colunista. Pelo menos, até o momento não pediram para parar.
Existem várias ferramentas disponíveis onde, mesmo que não queiram, não podem te impedir de dar a sua opinião ou de se expressar. O problema está na velha e procurada honestidade. Quando honesta sua opinião, mesmo que contrária, será sempre construtiva e bem vinda. Para cima! Mas se desonesta, o efeito será contrário. Só destruirá aquilo que as vezes ainda não teve chances de aparecer. De nascer para o mundo.
Qualquer um pode identificar aquele artista que chorando, rindo ou preocupado tem sempre a mesma cara. Não precisamos de críticos para tal. Mas quando trata-se da sutileza da fotografia, é sempre bom alguém explicando as técnicas, suas origens e etc. Você pode até não gostar mais... vai saber porque. Mas quando o cara só fala mal, reclama mas não aponta caminhos e soluções, só atrapalha. Nestes casos basta lembrarmos das “Peneiras” de Sócrates. É verdade o que está sendo colocado? Vai fazer bem a alguém? É imprescindível que você saiba? Se ficou em alguma das três peneiras... Blarg!! Ignore.
Te abraço.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

E Josef Goebbels perdeu a guerra da mentira. (26.06.2009)

Para quem não lembra, Josef foi o Ministro da Propaganda de Hitler na 2ª Guerra. Ficou famoso, principalmente, pela frase “uma mentira dita 100 vezes torna-se verdade”.
Cito Goebbels pela atualidade, meados do século passado e “desatualidade” pela prática usada nos dias de hoje. A mentira é antiga. Desde que o Homem se compreende como ser social que ela existe. Goebbels só criou o jargão, como mais recentemente foi criado o “Consenso de Washington”. A diferença é que a frase do Josef era verdadeira, já o Consenso nunca existiu. Foi uma alcunha usada para justificar atos políticos/econômicos (mentirosos).
Infelizmente, nos nossos dias, esta prática de mentir ao povo é tão usual que nem é mais preciso repetir para virar verdade. Nossos políticos sabem muito bem da perda de tempo que é ficar repetindo a mentira. Basta publicar um Ato Secreto e pronto. Ninguém vai discutir o preço da reforma da cozinha ou, se fulaninho é parente ou não de sicraninho. Simplesmente não tomaremos conhecimento, pois é secreto. Salvo outros interesses.
O escárnio com a população é tão grande que onde deveria reinar a Democracia e o Bom Senso (maiúsculos), reina a promiscuidade (minúscula). A lama é tanta que tiveram que inventar os Atos Secretos para burlar suas próprias Leis internas (não vou me ater a Constituição).
Nunca me imaginei olhando para trás, coçando o queixo na pose de pensador e, chegando a seguinte conclusão: Merda! Josef era pelo menos sincero, tinha mais integridade!
O que nossos políticos querem? Um novo Golpe para que os mesmos se deem mais poder? Desanimarem mais ainda a população e acabar com a pouca fé, que ainda existe na Democracia? Estes monstros deviam ser expulsos e execrados da vida pública. Não com golpes. Mas com a afirmação da Democracia, o VOTO maiúsculo e consciente.
Não me interessam Goebbels e Sarneys. Chega! O problema é como manter o Congresso Nacional e os legislativos estaduais e municipais depois de tudo que fazem só focando os próprios umbigos. Como aprovar uma Lei que proíba o exercício de um mandato por mais de duas eleições? Exerceu dois mandatos de um determinado cargo (consecutivo ou não), NUNCA mais poder exercê-lo de novo. É uma ideia. Teríamos sempre renovação e não ouviríamos a frase “tenho vinte anos de mandato”. Fazendo o que além da perpetuação no cargo?
Podemos por nossa conta propor um “Projeto de Lei de Iniciativa Popular”, que venha proibir a perpetuação dos mesmos em Brasília, nos estados e municípios. Para tanto devemos apresentar um Abaixo Assinado (com o Projeto de Lei) com um total mínimo de assinaturas de 1% dos eleitores nacionais (1.260.000 de acordo com eleitorado de 2006), desde que pelo menos 5 estados participem com 30% de seu eleitorado. Ou, no caso de âmbito municipal, 35% de seu eleitorado (no caso de Maricá 26.000 assinaturas).
Temos os mecanismos para exercer pressão. Eles que ponham a cara de pau de fora e votem contra. No mínimo teríamos os nomes para pedir o não voto na próxima eleição.
Vou expor a ideia para algumas ONGs e outras entidades civis. Aguardem-me.
Te abraço.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

0x0 ou 1x1 (19.06.2009)

Ainda na linha do relacionamento humano, vou falar de uma situação que “surfa” desde as negociações políticas e sindicais até nosso dia a dia dentro de nossa casa. Até onde podemos e devemos ceder e, até onde devemos “esticar a corda”?

Nas questões sindicais e políticas precisamos trabalhar no limite da corda se quisermos tirar algum benefício para a classe trabalhadora ou para a população. O empresariado em geral, bem como a maioria de nossa classe política, está mais preocupado com seus bolsos e menos com o povo e a classe trabalhadora.

Neste caso para podermos obter algum benefício comum, temos que ter a população ou os trabalhadores como aliados e trabalharmos no limite do radicalismo. É imprescindível a aliança e o posicionamento firme para que demonstremos ter “garrafas para vender” na hora da negociação. Caso contrário, seremos engolidos pela avareza e egoísmo daqueles que em nosso nome locupletam-se e enriquecem.

Já em nossa casa, a coisa muda um pouco. Temos de ter consciência da total perda e ataque ao “seu” espaço, ao individualismo – vale para ambas as partes, quando da opção de uma vida em comum.

Neste caso, não devemos esticar a corda. Pelo contrário. A situação é a mesma para os dois. Comecemos cedendo espaço aqui para buscar outro acolá. Pois na pior das situações, se existe a possibilidade de negociação é por que existe a possibilidade de continuar juntos.

Se você gosta de cinema e ela de futebol (por que não?), qual o problema dela jogar sua peladinha e você curtir um drama no cinema? Já imaginou se nenhum e nem outro? Vai dar problema. Você vai acabar indo ao cinema escondido e ela chutando o pau da barraca (de chuteira) e indo para o futebol e, se tiver a cervejinha depois “se tá lascado”.

Não seria melhor você ir ao cinema, com ou sem ela e, ela ir para o futebol, com ou sem você e todos ficarem bem quando chegarem em casa? Ela contando as jogadas – você fingindo que ouve e, você falando da fotografia do filme – ela fingindo que ouve. Cabeça de um no colo do outro, sorrisos e uma boa chance de rolar uma saliência. Perfeito!

Como bem coloca Djavan em sua música “Se”: ela quer zero a zero eu quero um a um. Não nos anulemos, empate só é ruim quando zero a zero. Um a um ou dois a dois tá de bom tamanho mas, não exageremos. Placar como cinco a cinco ou seis a seis só demonstram que a vida a dois é mera conveniência para ambos.

Te abraço.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Prática Teoria Prática ou Teoria Prática Teoria (12.06.2009)

Para quem boiou com o título acima, este é um dilema por que sempre passou a política partidária e sindical. Os resultados da luta sindical em especial, e os da política, em relação a formação de seus quadros não andam bem por conta da não escolha do processo.
Eu mesmo como Secretário de Formação Política em Maricá, não ajudei muito. Assumo publicamente a falha.
Vivi a formação política com mais intensidade nos tempos de sindicato e, defendia e defendo a linha da Teoria Prática e Teoria.
Acredito que preparando-se o militante, explicando o por que dos atos e necessidades, contextualizando-o em relação a conjuntura, atual e passada. A “não simples” distribuição de um jornal seria realizada com eficiência e eficácia. Eficiência em distribuir o maior número possível com matérias afins e eficácia em saber que aqueles distribuídos serão lidos. No movimento sindical você deve aprender como distribuir para não perder material e atingir o objetivo. Manda-se o obreiro - termo dado ao dirigente “braçal”, ele vai fazer igual aquelas pessoas que distribuem propaganda de “compro ouro”, “dinheiro fácil” ou “sex-shopping”... “ops” ato falho. Não temos diferença no resultado. Você pega, dá alguns passos e... lixeira ou chão se mal educado.
O exemplo acima serve para qualquer atividade. Política, profissional e mesmo religiosa. Quantos de nós já não fomos parados ou bateram a nossa porta para pregação? Já tentou abrir uma linha de discussão? Amigo, saiu do versículo acabou. Não tem debate.
Como exemplo, morava em Niterói e todos os domingos, entre sete e oito horas da manhã, duas senhoras crentes batiam a minha porta. Na segunda vez não aguentei (haveriam outras) e comecei a me posicionar. Falei um monte de besteiras – sem faltar ao respeito, para ver no que dava. Abri uma linha de pensamento divergente. Disse que todos no mundo adoravam o Demo – foi expulso do céu e precipitado em direção a Terra; gaguejaram; disse que as guerras e fome aconteciam justamento porque o Demo não era perfeito como Deus; gaguejaram; finalizei dizendo que todas as religiões pediam dinheiro por que o Demo gosta de vida boa, e vida boa custa caro; despediram-se gaguejando e nunca mais na minha porta. Já na do vizinho...
Elas poderiam me contestar. Nem me ameaçaram com a chama eterna.
Em uma palestra sobre obsessor – já em Maricá, que assisti em um Centro Espírita, ao final brinquei com os médiuns (amigos meus). O palestrante falou que em muitos casos, casais brigam porque o obsessor da mulher (ciumento) faz com que briguem. Ao final, todos vieram falar comigo – sabiam que perdia a virgindade quanto a visitar um Centro. Eu disse que na realidade eu era um cara caseiro, não gostava da noite e menos ainda de cerveja. O problema era o infeliz do obsessor da minha mulher me fazia chegar tarde da noite e etc. Gargalhadas. Eles sabiam da minha falta de conhecimento e, eu sabia do conhecimento deles. Ninguém correu ou ficou chateado. Houve respeito e não tentativa de convencimento.
Esclarecendo: não tenho problemas com religião, crença ou seita. Tenho amigos em várias. Discuto algumas práticas e não a fé. No caso das crentes em Niterói, esperei um raio na cabeça com a força de todos os Deuses. Não aconteceu. Acredito por que todos concordaram quando Jesus chutou o camelódromo no Templo.
Sem me estender mais, a formação em qualquer etapa da vida é importante. Principalmente durante nossa infância. Ainda bem que o ensino está mudando e hoje aprendemos menos dadas e mais por quês.
Tê abraço.
Ps: enquanto o site do jornal não entra no ar, textos anteriores em sergiomesquita.blogspot.com


Não consta no Jornal
Na mesma linha religiosa e demonstrando a necessidade de uma boa formação, o texto a seguir (uma das versões distribuídas na rede) demonstra bem como podemos tirar proveito de um bom conhecimento:

Pergunta feita pelo Dr. Fernando, da FATEC em sua prova final do curso de maio de 1997. Este doutor é reconhecido por fazer perguntas do tipo: "Por que os aviões voam?" em suas provas finais. Sua única questão na prova final de maio de 1997 para sua turma foi: "O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique sua resposta." Vários alunos justificaram suas opiniões baseados na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma, um aluno, entretanto,escreveu o seguinte: "Primeiramente, postulamos que se almas existem, então elas devem ter alguma massa. Se elas têm, então um conjunto de almas também tem massa. Então, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno? Podemos assumir seguramente que uma vez que uma alma entra no inferno ela nunca mais sai. Por isso não há almas saindo. Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes religiões que existem no mundo hoje em dia. Algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno... Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno. Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno. Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno. A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante. Existem então duas opções: 1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir. 2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele. Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da FATEC me disse, no primeiro ano: "só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar" e,levando-se em conta que ainda NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações sexuais com ela, então a opção 2 não é verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico." O aluno Sérgio Fonseca tirou o único 10 na turma.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Consternação: Até onde e por quem? (05.06.2009)

Antes de qualquer formação de juízo sobre minha pessoa, em consequência ao texto a seguir, vou deixar bem claro que passei uma segunda-feira de merda em consequência do voo da Air France. Uma amiga de trabalho perdeu o marido.
A observação acima, quanto a formação de juízo, é porque farei alguns questionamentos, na linha dos textos anteriores mas, desta vez talvez um pouco mais antipático.
Questiono por exemplo porque um caderno inteiro no jornal O Globo sobre o desastre. Segundo o mesmo jornal, em matéria de 2007, nos 10 anos (87-97) morreram em média 98 pessoas/dia em acidente de trânsito, um acidente aéreo a cada dois dias. Fora o interesse estatísticos, onde não se leva em consideração os familiares e a vida dos mesmos a partir da tragédia, estes dados só repercutem em período eleitoral ou, se alimentam escândalos políticos.
No jornal de hoje, 02.06.09, também era assunto o retorno do garoto Sean para viver com o pai biológico nos EUA. Na matéria, uma foto de uma das passeatas para que o menino ficasse no Brasil. Pergunto eu: alguém viu passeata para que se adotem meninos/as de rua ou, para que os mesmos voltassem para as favelas para viverem com seus pais? Isto me lembra passagem do filme Tropa de Elite. Deve ter doído a muita gente, as verdades que o policial de preto, falou para os participantes de branco. O filme não inventou a situação. Muitos daqueles que participam dessas passeatas, estão lá para ficar “bem na fita”. Depois vão beber ou cheirar e pegar seus carros para mais uma aventura.
Em Maricá lembro quando através da Ação da Cidadania, promovemos cursos de alfabetização de jovens e adultos. Nosso prefeito estava junto. Tivemos a excelente participação da professora Alrenice, que esteve junto com Paulo Freire nos idos e não esquecidos anos de chumbo (década de 60/70). Montamos turmas que iam de evangélicos (Ubatiba) a pedreiros (Caxito). Na época o empresariado de Maricá (maioria esmagadora) não contribuiu com nada. Mudavam de calçada porque era coisa de comunista petista. Reclamam de que hoje? É verdade que com a eleição do Washington, muitos passaram a estar “juntos”. A dúvida é se estão juntos da ideia ou querem apenas ficarem bem na fita. O tempo dirá.
Tentando limpar um pouco minha barra, fico emocionado a cada notícia de bala perdida, assassinatos gratuitos ou não, deslizamentos e etc. Resumindo, a cada desgraça que alguma família sofra, independente de conhecer ou não. Quando se é próximo pior ainda. Segundo meus filhos, me emociono em filme de Rambo – total exagero da parte deles.
Meus pêsames a cada família do voo 477 da Air France, em especial a Sueli a quem conheço. Meus pêsames a cada família vítima de atropelamento (por deputado ou não), bala perdida e outras desgraças.
Com todo o exposto acima, não perco a esperança e muito menos a vontade de lutar por ela. O ser humano vale a esperança! Espero que todos pensem parecido.
Te abraço.
Ps: Parabéns Délcio pelo livro Pivetim. É Maricá bem na fita por merecimento.