domingo, 25 de setembro de 2016

Se os Tubarões fossem homens...

Utilizo-me no título deste texto, de forma desavergonhada, Bertold Brecht. Uso seu texto “Se os tubarões fossem homens”, como também, o reproduzo ao final desse meu texto.

Mas antes, viajo mais um pouco na “maionese”. Depois que foi apresentada pelo governo GOLPISTA do Temer e do PSDB, as mudanças no Ensino Médio, veio à minha cabeça, outras estripulias que a classe dominante vem nos empurrando paulatinamente. Como o Golpe, com seu roteiro próprio, porém paralelo ao do Golpe ainda não completado – falta impedir a candidatura do Lula.

Entre os vários pontos necessários para o bom andamento do Golpe, destaco aqui três, não mais, mas importantes também. Primeiro, “conquistar” os corações e mentes da maioria dos profissionais da mídia (que pode acontecer por convencimento ou medo); segundo, dar o Golpe sem a coisa antipática das armas e o parlamentar tradicional. É preciso travesti-lo do embasamento jurídico; Terceiro, fazer a cabeça da juventude pela ausência de pensamento ou discussão – qualquer discussão. Agora vamos às coincidências, ou se preferir a teoria da conspiração.

Começa em nossa “democrática e ética” mídia, a discussão sobre a necessidade ou não da exigência de um diploma – papel – que de ao profissional de Jornalismo o status de Nível Superior. Como os sindicatos da categoria entraram na luta de forma corporativa, e não para discutir o principal problema da categoria que é o monopólio da Comunicação, não a “perderam” oficialmente, mas a perderam de fato. Digo isso devido a pasmaceira da categoria em relação aos mandos e desmandos de seus patrões. Ninguém mais se posiciona, Conselho de Comunicação, entidades representativas e outras que envolvem a categoria. Fazem barulho, mas sem qualquer encaminhamento de luta, de fato, contra a postura dos donos das mídias. O resultado é a manutenção do emprego, dos trocados no final do mês, à ética e democracia.

Na questão da Justiça, do Estado de Direito, começaram por atacar a política através de sua criminalização a qualquer custo. Depois, por não ter havido reação ao contrário por parte dos políticos, passaram a atacar as próprias Leis, em especial a Constituição de 88. A estratégia acirrou no Mensalão, quando juízes declaram em seus votos não terem encontrado culpas a imputar aos condenados, mas os condenariam assim mesmo. De novo, sem reações. Agora temos a Lava Jato, que tem a mão de Deus guiando advogados e procuradores, na “republiqueta de Curitiba”. Que por se considerarem o próprio Deus, declaram a Lava Jato acima das Leis que regem os simples mortais. O Estado de Exceção implantado com apoio da mídia.

Para finalizar, até o dia de hoje, 25 de agosto de 2016, o ataque à Educação, como se fosse o último baluarte de resistência da Democracia. Acreditam no “ser de luz”, Alexandre Frota, e mudam a Educação Média. Atacam os professores e alunos, ao reduzirem a necessidade da formação de mestres e de um currículo mais amplo e reflexivo para a juventude. Encerram com os projetos de alfabetização, reduzem a necessidade de formação dos professores e capam o Ensino Médio. Na realidade, preocupados com uma das muitas máximas de Paulo Freire, “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Querem acabar com qualquer possibilidade de transformação do mundo em algo diferente do que planejaram para eles. Pois não passamos de intrusos, nos espaços feitos para eles, criados pelas leis feitas por eles, para atender as necessidades deles.

Segundo minha impressão, após assistir a palestra do Nildo Ouriques (https://www.youtube.com/watch?v=QJziflgyHdk), nossas Universidades já são “sem partido”. Falta agora, apresentar para nossa juventude, a “escola sem partido”. E estão trabalhando com afinco para tal.

E o que fazem a maioria de nossos políticos – de qualquer coloração? Tratam da manutenção de seus carguinhos, como fossem ser esquecidos pelas corporações que usaram e abusaram deles, como usaram e abusaram do Barbosa, e agora usam e abusam do Sérgio Moro e sua republiqueta.

Encerro aqui reproduzindo do Bertold “Se os tubarões fossem homens” ou, como fazer uma escola sem partido. Sim... o projeto é antigo, as reações é que arrefeceram.


Sérgio Mesquita
Sec. Formação do PT-Maricá-RJ

SE O TUBARÕES FOSSEM HOMENS

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.

Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.

Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.
Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.

Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.

Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre sí a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.

As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.

Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos
Da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.

Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.

A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos .

Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.

Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.

Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

Bertolt Brecht

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Entre a prisão e o ócio remunerado, que tipo de sociedade desejamos?

Segue mais um texto do Márcio Valley para se tentar entender esse país/mundo em que vivemos..

Presumindo-se que todos ainda sejamos capazes de sonhar, que tipo de sociedade nós, brasileiros, desejamos para viver? Que espécie de comunidade humana reside em nossas utopias mais longínquas?

Assim como todo objeto de estudo, sociedades podem ser categorizados de diversas formas. Costumam ser rotuladas como abertas ou fechadas, capitalistas ou comunistas, democráticas ou ditatoriais, modernas ou primitivas, e diversas outras, sendo possível avançar em infinitas divisões categóricas mais adequadas ao estudo que se pretende.

No presente caso, interessa a divisão próspera ou opressiva, mais adequada e abrangente do que, simplesmente, feliz e infeliz, que também caberia, porém dizendo menos do que se pretende.

Embora semanticamente a palavra opressão envolva imediatamente o significado de dominação e autoritarismo, subjaz em seu sentido mediato a ideia de tristeza, depressão e frustração decorrente do sentimento sempre presente de impotência e ausência de livre-arbítrio. Uma sociedade oprimida é geralmente formada por indivíduos que sentem perdedores, impotentes e infelizes.

A ideia mais simples de opressão é a de alguma coisa mais forte exercendo pressão sobre outra mais fraca, de modo a impedir que a mais fraca realize qualquer movimento não desejado pelo mais forte.

Em regra, toda sociedade é opressora, dado que viver em sociedade implica necessariamente abdicar do desejo individual em favor do benefício coletivo. Todavia, em certos casos a sociedade oprime muito além do que seria minimamente necessário para o bem comum. Freud, em seu opúsculo "O mal-estar na civilização", pontificou que a vida em sociedade, ou seja, a civilização, por ele também identificada como cultura, é sempre caracterizada pela antítese liberdade x segurança. No início do século XX, quando o escreveu, o pai da psicanálise já considerava que as pessoas haviam cedido liberdade demasiada em favor de uma suposta segurança, sendo daí que derivava a maior parte dos problemas psicológicos. Ou a infelicidade, acrescento.

Atualmente, quando a hipotética profundidade do terrorismo conduz estados considerados altamente ciosos da liberdade, como os Estados Unidos, a prender cidadãos sem ordem judicial, sem o direito de defesa e por prazo indeterminado, o que Freud diria?

São exemplos gritantes de excesso opressor as questões que envolvem a homoafetividade e o exercício da sexualidade em geral, o uso de drogas, a prostituição, o aborto e outras que em geral impõem ao indivíduo restrições que visam exclusivamente satisfazer uma duvidosa, e muitas vezes hipócrita, satisfação moral coletiva, que é coletiva somente para eles, os incomodados que possuem voz, e não para a efetiva coletividade. Exemplos drásticos de sociedades opressoras seriam as que permitissem o trabalho escravo, adotassem o genocídio como programa de governo ou a transformação compulsória dos cidadãos em espiões uns dos outros, com delações obrigatórias, sob pena de prisão ou morte. É interessante relembrar que, nesse último exemplo, o regime de governo da sociedade se transformaria em totalitarista, segundo descreveu Hanna Arendt, pois o terror difuso daí decorrente, de ser delatado pelo parente ou pelo vizinho, se dissemina e atomiza a sociedade, ou seja, a degenera, tornando o que era sociedade em mero ajuntamento de pessoas, cada uma preocupada apenas com os próprios e imediatos interesses e, de preferência, encerrada solitariamente em sua casa, com temor de interrelações.

Uma forma mais branda de opressão, em geral admitida pelo silêncio obsequioso de quem produz opinião pública, mas nem por isso menos importante, se materializa através da má distribuição da riqueza. A miséria e a pobreza são, sempre, opressivas, capazes de impedir o exercício dos mais elementares direitos da pessoa, não somente os mais óbvios, como o de ter abrigo e alimento, mas também os de ir e vir (aprisionando a pobreza em guetos) e o de obter conhecimento (imobilizando o pobre no estamento em que nasceu).

Uma sociedade opressora, pois, é aquela que exerce abusivamente o direito de restringir a liberdade individual, assim impedindo que os indivíduos que a compõem se autodeterminem e, consequentemente, se realizem nos modos por eles desejados.

Prosperidade, por sua vez, deve ser compreendida no sentido abrangente de bom êxito na vida e costuma ser acompanhada da sensação geral de felicidade. Claro que não cabe, de forma alguma, igualar "bom êxito na vida" ao significado rasteiro e frívolo de "ganhar muito dinheiro". A palavra guarda maior afinidade com a ideia de florescimento pessoal desenvolvida pelo economista ecológico inglês Tim Jackson, em seu livro "Prosperidade sem crescimento – Vida Boa em um Planeta Finito", cuja leitura é enriquecedora.

Dentro dessa significação, ganhar dinheiro até o ponto da obtenção de uma renda digna é apenas um dos diversos requisitos necessários ao atingimento da meta de florescimento pessoal, que obviamente não é passível de ser alcançada por quem sequer possui alimento ou abrigo. A prosperidade individual, o florescimento pessoal, somente se inicia a partir da satisfação das necessidades básicas, nunca antes.

Renda digna, todavia, não é riqueza e nem chega perto desse conceito. Riqueza corresponde à acumulação de bens além do necessário à manutenção de uma vida digna. A riqueza, na verdade, pode se tornar um empecilho à prosperidade, pois traz consigo, além da fartura em satisfações materiais, os abalos espirituais decorrentes da mera posse já que, via de regra, quem tem alguma coisa se preocupa com essa coisa e, sob diversos ângulos, a ela está aprisionado.

A prosperidade, pois, se identifica amplamente com os seguintes desejos: manter bom relacionamento com familiares e amigos; segurança material para si e para essas pessoas; realização de ações gratificantes, profissionais ou não; manutenção de um emprego decente e atrativo com renda suficiente para que se viva dignamente; e participação ativa nas decisões de sua comunidade, com isso desenvolvendo um sentimento de pertencimento.

Assim entendido, renova-se a indagação inicial: que Brasil queremos? Próspero, e portanto, feliz? Ou opressivo e, assim, infeliz?

Fruto da melhoria geral na renda dos brasileiros ocorrida nos últimos anos, é cada vez mais comum que brasileiros viajem para outros países, tendo a oportunidade de conhecer outros povos, outras culturas, outras experiências de vida em comunidade. E não são poucos os que ficam maravilhados com o que veem. Um ponto muito comum é a sensação de segurança e respeito às leis que percebem no exterior. Espantam-se com a ausência de roubos a transeuntes. Admiram o fato de que automóveis param em faixas de pedestre, sem sinal vermelho, para o pedestre atravessar.

Deixando de lado o fato de que, em geral, sente-se mais segurança em lugares cuja amplitude dos riscos desconhecemos, surge daí a pergunta: por que esses povos tendem a respeitar mais a ordem legal, serem mais urbanos e possuir menos criminalidade?

Como resposta, afirma-se que essas sociedades possuem uma cultura superior, mais antiga e por isso mais desenvolvida, com um povo mais educado e menos propenso ao roubo e à corrupção. Em geral, brasileiros, os novos viajantes, acabam por concluir que a culpa é de quem habita o Brasil, ou seja, o povo brasileiro, ignorante, inculto e desonesto por natureza.
Trata-se do que foi maravilhosamente bem sintetizado por Nelson Rodrigues através da expressão "complexo de vira-lata". Disse o dramaturgo que o "brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima".

Não há dúvida de que certas sociedades são mais antigas, educadas e cultas do que a nossa. Isso, porém, por si só, não dá conta de explicar por que suas sociedades respeitam mais as leis e são menos propensas à violência do que a brasileira.

O fato é que a conclusão simplista, fundada no reducionismo da comparação direta entre povos que se encontram em momentos históricos distintos, não pode ser admitida como verdadeira. Nenhum povo é mais ou menos propenso ao respeito às leis ou a descambar em violência. Nem os admirados, nem os cuspidos (nós, os brasileiros). De forma geral, seres humanos submetidos aos mesmos níveis sociais de temperatura e pressão, agirão de forma similar. Trata-se de questão evolutiva e não cultural e, por isso mesmo, é uma inclinação mais forte do que a que decorre da civilização na qual se inserem.

Se sociedades inseridas no estado de direito e fundadas na lei autorizam a prevalência do interesse do opressor politicamente mais forte (é a elite que elabora as leis), com muito mais razão prevalecerá, e de forma exponenciada, a opressão pela força física direta num ambiente sem a presença inibidora da lei e do Estado ou, ainda pior, quando a iniciativa opressora do indivíduo encontrar eco na estrutura do Estado. De fato, vários experimentos acadêmicos foram capazes de demonstrar que a ausência de controle externo ao indivíduo é capaz de conduzi-lo à prática do mal banal e ao crime, sendo exemplo o que foi conduzido pelo psicólogo Philip Zimbardo na Universidade Stanford, na Califórnia, Estados Unidos, que pode ser visto no filme alemão "A experiência", filmado em 2001.

A sociedade mais culta e educada da Europa, a alemã, nos proporcionou o exemplo mais hediondo de opressão, o nazismo. Outra cultura antiga, a russa, foi vencida pelo totalitarismo comunista. A cultura mais antiga e ordenada do planeta, a chinesa, cedeu à violência opressiva de Mao, principal responsável pela maior carnificina da história da humanidade. Filhos diletos dos civilizados europeus, os americanos não hesitam em guerrear e matar, e não hesitaram em dolosamente matar centenas de milhares de civis inocentes com a bomba atômica, fundados em racionalismos antiéticos e amorais.

Num certo sentido, e dado que o Brasil não se envolve costumeiramente em guerras, pode-se afirmar que, desde 1500, nosso país possui um dos povos mais pacíficos do mundo, que abomina a violência.

Isso significa que deve haver algum elemento social que nos distinga da sociedade europeia, e de outras admiradas sob o viés do vira-latas complexado, que seja responsável pelo maior número de crimes contra o patrimônio e contra a vida que ocorrem no Brasil e, também, pelo maior descaso com a legislação.

Claro que há e são, principalmente, dois elementos. Chamam-se universalização da educação de qualidade e transferência de renda ou, mais comumente, reunidos ambos em uma expressão só, estado de bem-estar social.

Trata-se de obviedade: quanto menos pressão ambiental o animal enfrenta em relação à obtenção de abrigo e alimento, menos ele reagirá em relação ao outro. Serve para o leão, para a formiga e para o ser humano.

É mais fácil ser gentil e educado com vizinhos e estranhos quando a família está abrigada e alimentada e o filho estuda em bom colégio. Se isso é alcançado por renda própria ou através de programa governamental de transferência não importa, o efeito será o mesmo. O que importa é que, em geral, quem sobrevive dignamente tende a estar mais satisfeito com a sociedade que integra e menos propenso a surtos de ira ou revolta.

Claramente o ressentimento, a depressão e o estado geral de infelicidade são fatores determinantes para o descumprimento da lei e para a ação criminosa. Uma pessoa preocupada com a próxima refeição ou onde sua família irá dormir terá menos inclinação a parar na faixa de pedestres (presumindo-se que por alguma razão esteja dirigindo embora não tenha dinheiro para comer), simplesmente porque terá menos respeito por todas as pessoas que a cercam.

Pode-se imaginar um agrupamento humano do tipo "cada um por si". Difícil seria categorizar tal agrupamento como sociedade humana, cujo valor semântico embute a noção de associação para ajuda mútua. Um agrupamento "cada um por si" seria socialmente inferior a um bando de leões, já que, nele, todos comem independentemente de terem caçado, mesmo os dorminhocos.

Em qualquer agrupamento animal do tipo "cada um por si" é natural que os indivíduos menos favorecidos ataquem a caça dos mais favorecidos. Portanto, a opção por essa espécie de sociedade importa a ciência prévia de que haverá um certo incremento nos assaltos à propriedade privada.

Eis aí, pois, uma explicação para a aparente bonomia europeia, japonesa ou qualquer outra: são países cujos habitantes, por emprego ou por transferência de renda, não sofrem as pressões pela sobrevivência que os brasileiros sofrem.

Os Estados Unidos em geral são exemplificados como país no qual o estado de bem-estar social não existe. Não é verdade. A taxa de pobreza absoluta nos EUA é de 21% da população, índice que cai para cerca de 12% após as transferências governamentais (1). E esse é um país desenvolvido que transfere pouco. Os europeus são mais arrojados.

Na Suécia, a taxa inicial de pobreza absoluta é de cerca de 24%, que cai para cerca de 6% após a intervenção do estado. Na França, 36% e 10%, respectivamente. A Noruega, de forma mais ousada, praticamente elimina a pobreza, pois reduz para cerca de 2% da população uma miséria que, sem transferência de renda, seria de mais de 9% (1).

E no Brasil? Como melhoramos a renda dos menos afortunados?

O pobre brasileiro que trabalha possui direito ao salário-família, cujo valor é de R$ 37,18, para quem ganha até R$ 725,02, e de R$ 26,20, para quem ganha até R$ 1.089,72 (2). Acima desse valor, nada.

R$ 26,20 e R$ 37,18, ou seja, o correspondente a cerca de 4% de um salário mínimo que, por si, já é ridículo (R$ 880,00 a partir de janeiro de 2016). Será que não vai fazer falta no orçamento federal?

O brasileiro que tem emprego, e ganha até dois salários mínimos mensais, também possui direito a um salário mínimo anual, através do PIS, o que corresponderia ao 14º salário, o que, considerado o novo salário mínimo, equivale a um acréscimo salarial mensal de R$ 73,00 (3). Novamente: não vai fazer falta essa derrama de dinheiro?

Fica-se assim: um cidadão brasileiro que está empregado e recebe salário mínimo, na verdade ganha o equivalente a cerca de novecentos reais após o incremento de salário-família, projeção da parcela duodecimal do PIS e dedução da contribuição previdenciária. É isso: o afortunado brasileiro empregado ganha cerca de 225 dólares mensais.

O Dieese projetou, para novembro de 2015, o valor de R$ 3.399,22 para o salário mínimo ser capaz de atender às necessidades de habitação, alimentação, educação e lazer (4).

Conheço vários críticos do bolsa-família que dariam um tiro na cabeça se recebessem como salário o valor projetado pelo Dieese. Portanto, não sofreriam com o real salário mínimo, de R$ 880,00, pois já teriam morrido antes.

Mas, esses são os sortudos, os brasileiros que têm emprego. E os que não conseguem emprego?

Quem não consegue emprego possui, basicamente, o bolsa-família, o qual somente é dado às mães ou aos pais solteiros ou viúvos.

Brasileiros sem filhos, homens e mulheres, e sem renda somente possuirão amparo a partir dos 65 anos, quando terão direito a uma aposentadoria especial sem contribuição. Até lá, é como diz Bauman, terão que resolver individualmente os problemas que decorrem do coletivo. Soluções privadas para questões públicas nada mais significam do que o império do "cada um por si" descrito no início, que nos involui à animalidade.

A falta de emprego ou de empregabilidade não decorre de ação ou omissão do indivíduo, mas de circunstâncias da sociedade, que tanto não produz a educação necessária, como não é capaz de gerar o número suficiente de empregos. Aliás, a civilização humana será cada vez mais incapaz de produzir empregos em número satisfatório, trata-se de uma bomba-relógio já acionada e que deve ser desativada o quanto antes. A ideia de pagamento social sem trabalho parece que será uma das soluções possíveis.

Como transferir às pessoas a solução de problemas que estão muito acima de sua potência e capacidade de decisão? A resposta é simples: não é possível.

Não cabe invocar a Índia, como se costuma fazer, como exemplo de sociedade pobres e pacífica. De pacífica a Índia possui pouco, tratando-se de país em eterno conflito de fronteiras, com terrorismo e fundamentalismo religioso que chega aos embates físicos entre indivíduos de religiões diferentes. Embora o que foi dito antes, há o esforço em exercer a cultura da não-violência, famosa em Gandhi, que não é típica na maioria das demais civilizações. Deve ser considerado também que aquele país iniciou um projeto de redução da desigualdade antes do Brasil, de modo que a desigualdade afrontosa que oprime e conduz à reação é inferior á do Brasil. Paralelamente, se a propriedade é algo respeitada pelos indianos, outros valores não são, gerando conflitos sociais que não possuem tal dimensão no Brasil, como os estupros e os já apontados tremores religiosos.

Tampouco cabe se irresignar pela circunstância de ser possível a alguém viver sem trabalhar. Primeiro, porque ninguém escolhe quando ou onde nascer e, ao nascer, encontra uma cultura completamente formada e contra a qual não pode se opor. A sociedade humana não fornece opções aos incomodados que não desejam integrá-la, aos que não se adaptam às suas regras. Antes do domínio da propriedade privada, sempre era possível aos desajustados o retorno ao estado de natureza, à caça e à coleta. Se Buda nascesse atualmente, teria dificuldades em vagar pelo mundo em busca de elevação: encontraria um sem número de arames farpados a barrar o seu corpo e, portanto, a ferir o seu espírito. Hoje, com as propriedades cercadas e muradas, com as fronteiras fechadas à imigração e com as florestas, a fauna e a flora protegidas por lei (ainda bem), se tornou impossível abdicar da convivência social.

Segundo, porque não trabalhar se constitui em opção individual e legítima. Se alguém resolve viver de forma mínima, frugal, quase ascética, sem preocupação com o consumo, com exigência apenas de abrigo e alimento razoáveis, e não há como viver do meio natural, o que fazer? Encarcerá-lo? Essa opção, com o aparato estatal necessário à repressão e com a construção de um sem número de prisões, poderia sair bem mais cara, além de claramente ser desumana. Fuzilá-lo? Infeliz da sociedade que mata seus desajustados. Claro que não. Então é melhor que seja sustentado pela coletividade, o que pode resultar inclusive em benefícios. Quantos não se dedicariam a alguma arte ou ao conhecimento, retornando em beleza e cultura a pequena migalha que lhe foi entregue?

A inveja do ócio alheio não deveria afligir quem possui ânsia de aquisição de maior quantidade de bens materiais. Com certeza um programa como o bolsa-família não será capaz de preencher a vaidade de possuir um smartphone último tipo ou de custear uma viagem de turismo internacional. Quem deseja uma renda ótima jamais se contentará em receber apenas uma pequena ajuda do governo.

São realidades distintas e não deveriam provocar choque.

Terceiro, porque nem sempre quem recebe auxílio do governo está desempregado. O auxílio, cujo valor é quase insignificante no Brasil, é, em princípio, para complementar renda e não para ser sua única fonte. Isso significa que o benefício é, em grande parte, dirigido a pessoas que são exploradas por alguém, que obtém lucro através do pagamento de salário irrisório. Sendo assim, a transferência de renda ganha a dimensão nobre de redução de flagrante injustiça social.

Como é difícil, nesse momento, exigir que empregadores em geral paguem um salário mínimo superior, inclusive porque, ao lado dos exploradores, encontram-se microempregadores sem condição de pagar mais, aplica-se o paliativo de aumentar a renda através da carga tributária.

Como criticar isso num país que transfere mais de um terço (36%) de toda a arrecadação tributária para os ricos (mais de 240 bilhões de reais), através do pagamento de juros dos títulos da dívida pública?

Se somados os valores pagos a título de aposentadoria rural, benefício de prestação continuada, renda mensal vitalícia, seguro-desemprego, PIS e bolsa-família, a transferência de renda para os pobres não chega a 17% do orçamento federal, sendo que o bolsa família responde por menos de 1% dessa fatia.

Então o que está travando o Brasil é a transferência de renda para os pobres, de 17%, e não a dos ricos, de quase 40% do mesmo orçamento?

Isso sem considerar que a transferência para os ricos, em geral, é definitiva, ou seja, não volta aos cofres públicos, enquanto a dos pobres, destinada basicamente ao consumo mais urgente, em geral retorna por metade na forma de impostos indiretos. E essa conta também deixa de levar em conta que os ricos igualmente são beneficiados por transferências indiretas, sendo exemplo a prática de empréstimos concedidos com juros subsidiados no BNDES ou isenção fiscal aplicada como incentivo à instalação de fábricas ou incremento das vendas.

Aquelas sociedades que, vistas de longe, causam salivação pavloviana em certos vira-latas, por inveja, tributa pesadamente suas classes média e rica e em geral impedem a transmissão da totalidade da herança pela via de dura taxação. Em certos países europeus, a carga tributária é de quase 50%, enquanto no Brasil é de pouco mais de 34% (5).

Apenas como exemplo, um trabalhador que receba alto salário, digamos, R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais) por ano - ficará em média com 74% desse valor se brasileiro for, enquanto, mantido o mesmo padrão salarial em dólares, ficará com 54% na Itália e 56% na Alemanha (6).

Como outro exemplo de favorecimento aos cidadãos do andar de cima, afirma o senador Lindbergh Farias (7), em discurso no Senado, que somente o Brasil e a Estônia, em todo o mundo, isentam totalmente os dividendos recebidos por rentistas.

Da lista elaborada em 2012 pela instituição inglesa Legatum Institute (8), dos países considerados mais prósperos do mundo a partir dos critérios de saúde da economia, empreendedorismo e oportunidades, governança, educação, saúde individual, segurança e sensação de segurança pessoal, liberdade pessoal e capital social, os três primeiros colocados são escandinavos: Noruega em primeiro, Dinamarca em segundo e Suécia em terceiro. Todos com carga tributária elevada e com programas de transferência de renda que não podem ser comparados ao bolsa-família. A transferência de renda é real, pesada, em valores altos inclusive para os padrões europeus. E todos países pequenos se comparados ao Brasil, necessitando, portanto, de um compromisso orçamentário menos impactante para atender às demandas sociais, não somente de renda, mas de educação, saúde e segurança.

Aí está a evidência cabal de que tributação elevada nas camadas superiores, com auxílio aos desamparados e prestação de serviços públicos de qualidade, principalmente educação, é capaz de reduzir a desigualdade e as tensões sociais, contribuindo para a sensação de paz testemunhada pelos nossos viajantes e causa de tanta dor de cotovelo.

São brasileiros, entretanto, que, mais favorecidos, reclamam de serviços públicos que não usam, do gigantismo de um Estado do qual pouco necessitam e também de uma carga tributária que não lhes pesa no bolso, teses que se contradizem se analisadas a fundo.

O problema de quem se opõe ao auxílio governamental aos pobres brasileiros é que invejam sociedades que consideram civilizadas apenas no que toca aos efeitos visíveis, mas não às causas subjacentes. O motorista que para na faixa de pedestre é o último degrau numa escada de causalidades cujo primeiro degrau é a participação mais significativa, honesta e fraterna dos empoderados nesse grande condomínio que se chama nação.

Essa conclusão em nada é afetada ou mitigada pelo insano esforço mundial atual de reduzir ou acabar com o welfare state na Europa. Trata-se de gigantesco equívoco que, se levado a efeito, produzirá efeitos nefastos no futuro. Hitler nasceu do grito dos desesperados e foi isso que, cessado o conflito, conduziu ao estabelecimento do estado de bem-estar social. Quem não aprende com a história...

Que tipo de sociedade desejamos para viver?

Uma no qual o vizinho desempregado consiga sobreviver ou uma na qual ele seja obrigado a pular o seu muro e roubar para alimentar a família?

Para mim a resposta parece clara e cristalina: prefiro viver no estado de bem estar social e andar em paz nas ruas, ainda que isso me custe uma facada mais aguda em meu salário.


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

JANAÍNA FOGE DA RESPONSABILIDADE, CULPA DEUS E COBRA DE TEMER! MAS QUEM RECEBEU OS R$ 45.000,00?

O que pensar de um processo e de sua representante legal, quando ao final do embate, antes mesmo do resultado final – que todos já sabiam qual, Janaína, a advogada de acusação nega os louros ainda vindouros?
Talvez a certeza da grande farsa que foi o processo, aliada a grande atuação da presidenta, então como ré no mesmo.

Acredito que todos esperavam aquela Dilma insegura, sem muita coordenação ao falar. Mas assistimos uma presidenta tranquila, focada e firme em suas respostas. Mesmo quando atacada em sua honra, exigia o respeito merecido e derrubava as argumentações, uma a uma. Ao final de horas de depoimento, nas alegações finais – como nos filmes, assistimos sim, uma advogada de acusação, de novo perder o prumo e a misturar justiça e religião. Tenta tirar o foco dela ao introduzir Deus como o verdadeiro responsável pelo processo de impeachment. Quer dizer que Deus se mobilizou para salvar Cunha, Temer, Aécio e todos os demais deputados e senadores envolvidos na Lava Jato? Salvar Temer de um processo de impeachment e outros de corrupção? Ao final das dezenas de milhares páginas de processo, páginas da lava Jato, Deus se levanta de seu trono, e silenciosamente sem trovões e estardalhaços, sussurra na orelhinha da Janaína...”diz que fui eu”. E assim se fez. Deus foi quem permitiu a existência do processo de impeachment,  e não aqueles que após quatro derrotas consecutivas, tentam retomar o governo. Deus é o “cabra da peste” (no sentido pejorativo) que cansou das “bondades” sociais experimentadas no Brasil desde 2002. “Que se faça o processo”, disse Ele. A emenda pior que o soneto.

É fato, que o coitado do Deus, vem ao longo dos séculos e, muito antes dos séculos (os XXI reconhecidos) recebendo a culpa de tudo que aconteceu e acontece no mundo. Esquecemos nós, que somos nós, os humanos, que temos o tal do livre arbítrio e, em vez de assumi-lo, colocamos a culpa de nossos atos em Deus, quando sabemos sê-los de nossa responsabilidade. Janaína na realidade foi mais uma covarde entre tantos outros e outras que desfilam por esse mundo.

E pelo exposto acima, é que prefiro a explicação de Machado de Assis quanto às atitudes de Deus: “Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento”.  Mas notem... mesmo Machado, ciente da força de sua sentença, perdoa nossa humanidade ao culpar o Diabo. Mesmo Machado, finge ignorar o livre arbítrio.

Não Janaína, você recebeu R$ 45 mil do partido do CANDIDATO DERROTADO para iniciar a farsa. Assuma suas responsabilidades. Não cobre do golpista o que você já recebeu de paga.

Sérgio Mesquita

Secretário de Formação do PT-Maricá

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A Farsa pela Farsa

Acabei de assistir na TV Senado, a primeira parte da apresentação das testemunhas de defesa da Dilma. Ontem foi o dia da acusação, onde algumas testemunhas foram desqualificadas e/ou colocadas em suspeição.

Assisti o testemunho do Dr. Geraldo Prado, que segundo Lewandowski, ministro do STF, e demais senadores presentes, é um homem de reputação ilibada e reconhecida internacionalmente. Ao ouvi-lo, confesso que fiquei extremamente envergonhado pelo país e por aqueles que saíram de camisa amarela defendendo a farsa, o golpe.

Em uma das respostas, sobre a legalidade ou não do processo, ele comenta que seus pares na Europa, comentaram com ele, que se fosse na Europa, nenhum presidente passaria de três meses no cargo, pois todos cometem os mesmos atos realizados pela Dilma. Seu par português falou que em Portugal, o presidente não duraria 15 minutos no cargo. Nenhum jurista no mundo entende o que está acontecendo aqui. Melhor, todos entendem que se trata de um golpe.

É isso que estamos assistindo, o mundo inteiro sabe que o que está movendo o processo do impeachment é o desejo de alguns deputados e senadores em continuar roubando o país. O mundo inteiro sabe que é uma farsa. Dr. Geraldo Prado inclusive enquadra o STF ao colocar que, já que está provado que o ato de criação do processo foi por Desvio de Finalidade (vingança do Cunha pelo voto do PT a favor do processo de ética), o STF deveria ter anulado o impeachment ainda no momento de sua criação. Lewandowski fingiu que não ouviu.

Ao ouvir as perguntas e respostas, você olha para o lado e pensa: porque não anulam logo essa palhaçada. Até o Lewandowski sabe, o Gilmar sabe, porque não acabam?

Ao ouvir a idiota da senadora Ana Amélia do PP, uma das golpistas, a resposta veio como um soco na boca do estomago, seguido de um direto no queixo. É total a falta de vergonha e qualquer vestígio de honestidade e ética naquele Congresso. Seja na Câmara ou no Senado. Ainda arrisco, sem medo de erro, no STF e na PGR também.

Temos todos os ingredientes para entregarmos o país a aventureiros fascistas, que estão se aproveitando da situação para fazerem seus nomes, um bom exemplo é o Bolsonaro. São nessas situações que o fascismo cresce, a História está aí para não nos deixar mentir.

A grande pergunta é: o que iremos fazer daqui a poucos meses, quando a crise estiver totalmente instalada, tudo privatizado, o desemprego de volta aos índices de 2002?

A outra pergunta é: porque as nações “democráticas” do ocidente, não se manifestam oficialmente?
A segunda pergunta é a mais fácil de responder. Não fazem nada porque seus governos já estão dominados pelas corporações. Quem manda no Obama não é a Michelle nem o Congresso dos EUA, são as corporações, das empreiteiras, as armamentistas e de combustível. Por isso estão aguardando o final do processo calados, torcendo contra nossa democracia. Tirada a Dilma, vão colocar a mão de vez em nossa água, nosso petróleo, a Petrobras e nossos minérios (os ainda não entregues). Por isso os governos do ocidente, nossos “parceiros de democracia”, estão calados aguardando o fim, para começar o butim comandado pelo Serra.

Foi para isso que você saiu de camisa amarela. Parabéns, você é um idiota.

Sérgio Mesquita

Secretário de Formação do PT-Maricá

A Jiripoca vai piá

Meio que cabisbaixo, amuado com a proximidade do fim de mais uma farsa a nós imposta, ao povo desse Brasil, o rito final do processo do impeachment, fica a pergunta. Dilma fica? Sai? Acredito que sai.

Por mais que todos saibamos da grande mentira que é esse processo. Por mais que todos saibamos que os jucás, gilmares, moros, janots, aecins e outros, representam o que há de pior da raça humana nesse Brasil. A Dilma não deverá continuar. Hoje, nem sei se quero que ela continue. Não sei se por desalento com alguns politiquinhos ou pelo sentimento de vingança para com aqueles que saíram de amarelo nas ruas, e hoje estão escondidos debaixo de suas camas, envergonhados ou conscientes de terem sido massa de manobra. Mas como não sou de guardar rancor, e vou passar pelos mesmos problemas deles, e com eles, que fique registrado o sentimento momentâneo de vingança.

Fato, é que no dia de hoje, 25.08, tentava imaginar o que seria do futuro de meus filhos, e não consegui vislumbrar, antever qual seria a conjuntura do país daqui a seis meses, por exemplo. O que já estaria vendido, quais universidades já não seriam públicas, o que seria do SUS, do Bolsa Família e muito mais. Em quanto tempo voltaríamos ao Mapa da Fome. Uma vez que nosso interino golpista é “um coisa” ruim mais atrasado do que os piores da Velha República.

Pensava nesse quadro, quando me lembrei do convite do amigo Délcio Teobaldo, multiartista, que segue para Portugal por conta de um de seus roteiros de teatro, premiado por lá. Conversamos muito, onde de tudo se falou um pouco. Ao final, Délcio me presenteia com um conjunto de três livros, produzidos pela Secretaria de Cultura do Rio, por conta dos 450 anos da cidade. Despedidas, e segui para minha casa.

Já em casa abro o um dos livros, “40 Vozes do Rio”, onde uma das vozes era a do Délcio, transmitida através do texto, “Para Pensar o Rio, dos Ritos e dos Ruídos”. Deparo-me com o primeiro parágrafo do texto que transcrevo abaixo...

“Há 191 anos, desde que migrou do Império para República, o Brasil vive, no dia a dia, a responsabilidade de pensar-se como Pátria, diante dos seus e como Nação, aos olhos do mundo. Nunca foi fácil, não é e nem será tarefa fácil. Entre as alternâncias de regimes fechados e democráticos, volta e meia o país precisa dizer a que veio; mirar-se no espelho e para isto recorrer ao lustro, ao brilho, à anima que lhe trazem as Constituições. Daí, nada mais apropriado que chama-la de Carta ou, melhor ainda, Carta Magna. Como se o país endereçasse uma carta a si mesmo, e ao recebê-la, e abri-la, sentisse no rosto a luz que o renova, que o reconsidera, que o recompõe e o predispõe a assumir novas posturas e responsabilidades.”

Era coincidência de mais para passar despercebida. Pensei: será que entre aqueles que foram as ruas de amarelo, entre os fhcs, serras, os já citados acima, terão condições de sentir a luz que renova, reconsidera, recompõe e predispõe novas posturas e responsabilidades? Ou para esses, a Constituição não passa de letra morta desde antes do começo do Mensalão? Desde o momento que prometeram à Chevron, o nosso Pré Sal e Petrobras? Como são seres da escuridão...

Te abraço. E seja o que os deuses quiserem, pois a luta vai continuar.

Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT-Maricá

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

PARA ENTENDER: ACABOU! O QUE FAZER?

Começo esse texto sem negar as enormes melhorias que aconteceram no país desde as eleições de 2002. A ideia é discutir a que preço conquistamos essas mesmas melhorias e o que fazer daqui para frente.

O PT e a esquerda em geral, parece ou fingem não entender que as forças que realmente detém o poder no Brasil - os donos do capital - estão com a “faca e o queijo” na mão. Pior, “faca e queijo” cedidos a eles por conta do nosso abandono das ruas e acreditar que as redes sociais poderiam substituir a política. Grande engano, as redes podem marcar eventos e expor as mentiras de nossa mídia. Mas a política de verdade não é feita nas redes e muito menos nos interiores dos gabinetes e corredores de Brasília. Ela é feita olho no olho, ombro a ombro, como “nos antigamente”. Ao abandonarmos o olho no olho, deixamos de priorizar as relações horizontais e passamos a adotar as relações verticais, o tal “centralismo democrático” que não prioriza as discussões na base do partido, revivendo em alguns momentos o pior do “stalinismo”.

Passamos a apostar nos projetos pessoais mais do que nos projetos (planejados e/ou executados) de transformação das cidades e seus cidadãos. As ações passaram a visar a manutenção dos cargos e mandatos a qualquer custo, mesmo que esse custo venha a ser o abandono dos princípios políticos que nos norteavam. Abrimos mão da discussão com a militância ao implantarmos o PED e deixar de lado os Núcleos e Setoriais, que até então eram a alma do Partido. Expulsamos parlamentares e deixamos que outros saíssem sem uma discussão aprofundada sobre o que realmente estava acontecendo, quais os reais interesses. Essa “nova” visão do Partido trouxe nomes da oposição para a legenda, negociou votos para o Rodrigo Maia na Câmara ou mesmo, a sobrevivência à Lava Jato.

Por outro lado, os reais donos do poder - os donos do capital, perceberam que o mesmo estava em disputa, em jogo. Parcela do PT passa a disputar o poder “por cima”, através de acordos que nos colocaram permissivos ao uso abusivo das doações financeiras. Entendido isso, os donos do capital passam a atuar estrategicamente na desconstrução da imagem do PT e de suas principais lideranças. Usam e abusam da falta de normatização da mídia e fecham acordo com uma classe até então “ignorada” politicamente, os juízes, promotores e procuradores, o Judiciário. As corporações estrangeiras também se colocam partícipes dessa estratégia, calando o governo americano em relação ao Golpe. São pelo menos 12 anos de massacre midiático que desembocaram no julgamento da AP 470, o Mensalão. Julgamento que arranhou, mas não impediu a vitória eleitoral do PT no Governo Federal, porém o Congresso Nacional começou a ser reconfigurado. Na reeleição da Dilma, a Lava Jato tentava terminar o que o Mensalão não conseguiu. De novo mantivemos o Governo Federal, mas o Congresso se transformou no pior Congresso da história brasileira. Nem a Ditadura obteve tal vitória. De lá para cá, o Brasil tem sua imagem e sua recente história destruída e achincalhada internacionalmente. Nossos “homens” da justiça, comprometidos com o “andar de cima”, rasgam as Leis, a Constituição e qualquer vestígio de moral pública ou individual. Voltamos a ser vistos, como uma República das Bananas como no início do século XX. Nada do que relatado aqui, incomoda os donos do poder, aqui e muito menos nas corporações estrangeiras de olho em nossas riquezas, em especial o petróleo. No dicionário deles, moral e princípios não existem para além de servi-los.

Hoje, no ano de 2016, mesmo depois de tudo que aconteceu, mesmo com o impeachment da Dilma em vias de ser aprovado definitivamente no Senado, o Partido continua dividido. Parte insiste nos acordos com o “andar de cima”, e parte tenta reviver as ruas. Mas os dias são outros, os mais empobrecidos continuarão fora das ruas, e a classe média que antes formava alguma opinião a nosso favor, hoje, com boa vontade, está dividida por conta do massacre midiático e cultural do projeto neoliberal. Os movimentos de 2013 não serviram de aprendizado, nem para a classe dominante, apesar de terem se apropriado do movimento e, muito menos, para parte da esquerda que não entendeu a mensagem colocada pela juventude. Mesmo as ocupações das escolas em São Paulo, com seu caráter totalmente horizontal, conseguiu abrir os olhos de alguns parlamentares e dirigentes políticos/sindicais.

Fato mesmo, é que a juventude já mandou o recado - o modelo está esgotado e não os representa mais. Precisamos mudar nossa forma de fazer política ou teremos pela frente um bom tempo de governos fascistas esquizofrênicos (que defendem o livre mercado). Precisamos construir juntos com a juventude uma nova forma de fazer política.

Abaixo, após o poema do Bertold, segue o texto do companheiro Marcos de Dios. Até porque, nada é imutável.

Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT-Maricá

NADA É IMPOSSÍVEL MUDAR
Bertold Brecht
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.

A crise política vivida na América Latina e pela sociedade brasileira está interligada a uma disputa interna entre frações das classes dominantes pelo controle do aparelho do Estado.  A disputa é dada entre grupos “desenvolvimentistas”, que pensam o estado nacional e grupos “financistas” que defendem o livre capital, o livre mercado. Ambos capitalistas. No outro lado da moeda, temos os partidos de esquerda, burocratizados e verticalizados, estranhando setores da sociedade, das classes populares, que estão gestando uma nova concepção de valores morais e familiares. Construtores de uma nova ética social baseada na verdade, na horizontalidade e respeito à autoridade constituída pelo diálogo conflituoso das relações interpessoais e o bem estar do Planeta. Construindo uma nova institucionalidade em todos os campos (família, escola, trabalho, política, economia, nas relações de Amizade e Amorosas,...), e lutando para romper com o papel que temos enquanto nação na divisão internacional do trabalho, nos imposto desde o período colonial. Construir uma nova unidade de esquerda, baseada não na uniformidade, pois respeitará as diferenças, formulará e discutirá horizontalmente as propostas programáticas que irão nos mover em direção a uma organização plural e democrática na sua radicalidade. Resistir através da transformação da realidade que nos cerca e principalmente, deixar de lado momentaneamente os interesses do meu grupo político em nome de um Projeto Maior, possibilitador da esperança construída coletivamente para uma sociedade mais solidária, humana, sustentável e como consequência, mais Justa e Amorosa.

Marcos de Dios
Prof. De Filosofia e História

Secretaria de Formação PT-Maricá

terça-feira, 28 de junho de 2016

Seriam os estudantes paulistas islandeses?

O caso da Islândia é realmente emblemático e, para os financistas, a notícia não deve ser espalhada pelo mundo não. Como explicar a todos que é possível sim a um país anoitecer falido e amanhecer, no dia seguinte, sem dívidas e com sua soberania resgatada?
Da mesma forma que o dinheiro que circula hoje no mundo é virtual, não tem seu lastro em ouro como “nos antigamente”, as dívidas que existem a partir dele também são virtuais. E como tais, podem ser apagadas pela tecla “delete”. Todo o processo financeiro desregulado é um processo criminoso que atenta contra a vida humana, contra a soberania de países e pessoas e deve ser “deletado”.

Mas se formos deixar para os Congressos atuais, eleitos por uma falsa democracia, como colocaram Saramago e Hobsbawm em seus escritos, nunca será apertada a tecla “delete” da dívida. Pelo contrário, se for apertada, será para apagar a maioria da população que é considerada estorvo para o sistema atual, que só precisa de 20% da mesma para se manter. Os demais 80% representam números - não pessoas - vermelhos em suas planilhas.

 O povo da Islândia deu uma aula de democracia para o mundo. A verdadeira democracia, horizontal, onde todos podem opinar e decidir. O governo foi demitido, banqueiros presos, bancos nacionalizados, dívida anualada e o país voltou à sua normalidade. FMI, a Comunidade Européia e demais entidades financista, preferiram ficar caladas para não chamar atenção para o caso.

Fazendo uma rápida comparação, os estudantes paulistas fizeram a mesma coisa que o povo da Islândia durante as ocupações das escolas públicas. Exerceram a democracia e enfrentaram a máquina do governo paulista e o enquadraram, como os islandeses fizeram com seu sistema financeiro.

Nosso problema, principalmente nas esquerdas, é a existência de um forte patrimonialismo cultural que cega seus quadros. Enquanto mantermos as instâncias de decisão partidárias e das organizações civis verticalizadas, nunca chegaremos perto do que os islandeses e os estudantes paulistas fizeram. Há pouco tempo, ouvi queixa de um membro da Frente Brasil Popular quanto aos movimentos que surgiam contra o Golpe, sem que a Frente avaliasse ou validasse os mesmos. O problema está exatamente aí, porque teríamos de validar ou não as manifestações contra o Golpe? Temos é que incentivá-las, porque se não, as mesmas podem cansar. Temos é que discutir com elas como atingir a um objetivo comum e não para o que, internamente, a Frente ache o correto. Enquanto agirmos assim, corre-se o risco do movimento esfriar e o roteiro do golpe ser levado até o fim, como hoje acontece. Lula acabará preso, Dilma fora e a direita puxando nova eleição presidencial, como querem as corporações.

Se o modelo está esgotado, não adianta lutar por dentro dele. Que comêssemos a botar em prática um novo modelo (que pode até ser um resgate de práticas anteriores), mas tem que ser horizontal e respeitar o povo nas ruas.

Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT-Maricá/RJ


https://youtu.be/lNt7zc6ouco

domingo, 19 de junho de 2016

QUEM SOMOS NO TABULEIRO DO GOLPE...

Qual a importância de Maricá nesse mundo chamado de Brasil

Título estranho né? Importância de Maricá? Até há pouco tempo nem no mapa do RJ estávamos. Importância no Brasil? Coisa de petista!

Verdade. É coisa de petista sim. Mas não somos os únicos que pensam para além do umbigo, que botam os pés para além das fronteiras do “quadrado”, ao contrário do que preconiza a música. Se você, que pode ou não ser petista, não persegue a linha do horizonte, não tem uma utopia e, não é minimamente curioso, aconselho que pare a leitura por aqui. Mas se for minimamente curioso, acho que vale a pena, sem falsas modéstias. Aliás, sempre me vi como aquele que busca extremar as situações. Deixo para os demais a mediação, o acordar uma posição em comum. Meu papel é esticar a corda. Provocar!

Chega, já deu! Voltemos a Maricá e o Brasil de hoje.

Afirmo e reafirmo sem presunções, mas com convicção, que vivemos um processo golpista e criminoso, que depende do esfacelamento de nosso curtíssimo período democrático, e de qualquer resquício de Lei. Um período em que a Constituição, é ignorada ou destruída em nome de um deus de existência recente, chamado Mercado. Não vou aprofundar-me nas justificativas, mas vou sintetizar em um único fato ocorrido em 2005 -  quando o Governo Federal definiu que o PRÉ SAL era da Petrobras, era do Brasil e para os brasileiros. De lá para cá, incentivados pelas Seis Irmãs do petróleo, o golpe contra o Brasil começou. Passou pela farsa criminosa do “Mentirão” e segue em sua nova fase na “Lava Jato”, que não tem interesse em lavar nada. Pior, como coloca Marilena Chauí, com grandes possibilidades de assassinatos por aqui. Pois as Seis Irmãs desde os anos 70 (século passado), promovem guerras, derrubadas de governos e assassinatos para atingirem seus objetivos. Isso é fato, não é especulação. Aqui encerramos o Brasil.

Neste período conturbado de nossa história, local e nacional, Maricá vem se destacando por conta de seu governo petista, em seu segundo mandato. As Leis aqui aprovadas e colocadas em prática fizeram que o município e seu Prefeito, Washington Quaquá, acabassem por virar referência nacional de Governo que busca o fim das desigualdades em seu território, através da redistribuição de renda aliada ao crescimento econômico do município. Pois no meio a uma crise financeira internacional, e uma crise política amoral e aética por que passa o Brasil, Maricá se sobressai. Municípios e mesmo estados, fecham hospitais e escolas, paralisam suas obras e não pagam seus funcionários. Maricá constrói um novo hospital, urbanizando suas vias e praças (saímos de 69 Km de ruas asfaltadas em quase 200 anos, para quase 500 Km em 8 anos), constrói moradias, creches municiais que antes eram inexistentes, e traz para o munícipio o Instituto Federal Fluminense. Ainda estuda a construção e criação de uma universidade municipal, reforma as escolas e projeta os Centros Populares de Educação Integral.  O Governo garante a seus estudantes uniforme completo, material didático, transporte escolar e uma merenda de qualidade. Prepara o município para receber o Porto de Jaconé, as indústrias decorrentes da construção e a manutenção dos negócios e empregos que serão gerados a partir do Porto e do COMPERJ. Seus funcionários recebem em dia, sem atraso e dentro do mês. O professorado de Maricá recebe um salário que está entre os mais altos do país. O Turismo passa por transformações nunca antes imaginadas, contemporizando a chegada de grandes hotéis com o turismo ecológico. Também criou e colocou em funcionamento a Empresa Pública de Transportes – EPT, com tarifa zero, provando para a classe política do país que é possível SIM uma política de transportes que respeite os trabalhadores e que seja gratuita.

Pelo exposto acima e pelos projetos que estão em gestação pela frente, Maricá virou um “péssimo exemplo” de governo a ser seguido. Em especial pelos políticos corruptos que defendem o Golpe contra a democracia brasileira e a Constituição de 88 - um exemplo que deve ser riscado do mapa - assim pensam eles, conservadores e vassalos do capital financeiro. Assim pensam eles - sofredores do complexo de vira-latas que sonham com um apartamento em Miami - a democracia só deve atender aos interesses deles e não o de todos.

Esses políticos se juntarão para que esse projeto de crescimento aliado à qualidade de vida seja interrompido, como estão fazendo com o projeto nacional dos governos Lula e Dilma. Não estão preocupados e nem se interessam com o bem estar da população. Só se interessam com suas contas bancárias e retorno ao feudalismo, onde eles podiam se considerar deuses, acima do bem e o mal. O município de Maricá está inserido nesse processo de disputa ideológica, a favor do entreguismo, de retorno à um passado próximo, onde a classe dominante local sonhava com o retorno do “direito de pernada”, onde a primeira noite de uma noiva era com o seu senhor e não com o marido.

As eleições municipais que ocorrerão em todo o Brasil em outubro desse ano terão o caráter plebiscitário, para além do nome que assumirá a Prefeitura. Estará em jogo qual a linha de pensamento que o governo terá. Seja uma linha de inclusão ou de exclusão de sua população no processo produtivo. Quem vai decidir é você que lê esse texto. Se vai votar naquele candidato que te promete o imediatismo de algumas vantagens pessoais, ou as vantagens de ser parte de um governo que pensa o todo e não o imediato. O que espera para o futuro de seus filhos em Maricá? Um município para todos ou somente para alguns, como até há pouco tempo?

Os olhos estarão voltados para Maricá e outras poucos cidades como São Paulo, onde seus governos pensam em seus trabalhadores a partir de políticas humanas e não do consumo. O trabalhador como cidadão e não como um peão a ser sacrificado no xadrez do poder. “Inté” outubro.

Sérgio Mesquita

Secretário de Formação do PT-Maricá

quinta-feira, 19 de maio de 2016

SURTO DE TRIPANOSSOMÍASE AFRICANA NO CONGRESSO

A mosca tsé tsé e a doença do sono em Brasília

(...) vivi durante muitos anos aferrado à crença de que, apesar de umas tantas contrariedades e contradições, esta espécie de que faço parte usava a cabeça como aposento e escritório da Razão. Certo era que o pintor Goya, surdo e sábio, me protestava que era no sono dela que se engendram os monstros, mas eu argumentava que, não podendo ser negado o surgimento dessas avantesmas, tal só acontecia quando a razão, pobrezinha, cansada da obrigação de ser razoável, se deixava vencer pela fadiga e mergulhava no esquecimento de si própria. Chegado agora a estes dias, os meus e os do Mundo, vejo-me diante de duas possibilidades: ou a razão no homem não faz se não dormir e engendrar monstros, ou o homem, sendo indubitavelmente um animal entre os animais, é, também, o mais irracional entre todos eles.(...)
José Saramago – Cadernos de Lanzarote

Na realidade, não sei, ou não sabemos bem, o que está acontecendo com nossos parlamentares em Brasília, como também com nosso judiciário. Em especial o Supremo Tribunal Federal.

Cientificamente, poderíamos partir da possibilidade de surto da Doença do Sono. Uma vez que os governos “petistas” ampliaram nossas relações com o Continente Africano e passamos a trocar mercadorias com mais afinco. Vá que em uma dessas importações, acabamos por trazer e tropicalizar a mosca tsé tsé e, esse carregamento foi parar em Brasília. Tsé tsé para lá, tsé tsé para cá e nosso Congresso e STF picados pela mosca, que além do sono, pode levar a morte do paciente.

Poderíamos estar nesse momento, passando por alguns dos sintomas da doença, em especial, a confusão mental e distúrbios sensoriais. Somente isso para explicar a grande “M” que está acontecendo em Brasília. Estão todos doentes e, como ainda não caíram no sono ou não morreram, a “cáca” está solta. Somente muita, mas muita confusão mental para se justificar todo e qualquer desrespeito às Leis, à Constituição e a população mais carente desse gigante deitado em berço esplendido. Será que também foi picado?

Como entender advogado de facção criminosa na Justiça; um Ogro na Educação; elemento ligado a plano de saúde, tratando da Saúde. Ou mesmo, um monte de investigados e réus no comando do país. Como explicar aos demais países desse Planeta, tal situação inusitada? Em Marte, talvez fosse comum...sei lá, mas aqui? Nem o presidente escapa e, coitada de sua bela esposa. Até então só admirada, e lá foram incomodá-la com a história de “bela, recatada e do lar”. Pior, o próprio marido, presidente golpista sim – alguém avise àquela juíza que gosta de condenar sem provas, o que é golpe, por favor – a faz passar por 171 com a história de ser advogada. “Tava” quietinha no canto dela e não sai mais dos jornais.

Como vamos explicar aos nossos netos, quando eles estiverem estudando História no colégio, o período da República Velha. Que Temer não foi presidente no mesmo período de Prudente de Moraes, Campos Sales e outros? Coitados, sofrerão com o nó na cabeça (homenagem ao amigo Marcos de Dios, professor de História e idealizador do comentário).
Voltemos à doença do sono. Como não morreram, não deve ser ela. Resta-nos Goya e Saramago. Estará a razão deles em estado de coma, engendrando monstros? Ou serão eles os verdadeiros animais irracionais do planeta?

Não dá para acreditar que as corporações, idealizadoras do golpe, vão aceitar esses tipos no comando do país. É muito ruim para os negócios deles. Nem eles esperavam o tamanho escárnio moral daqueles que os representam aqui. E se eles resolverem prender a todos, inclusive o presidente golpista e alguns do STF? Em seguida incentivam eleições gerais em 2016. Já pensaram nisso? Nós também. E temos quase a certeza absoluta que não ficará barato para o campo popular, pois continua o processo de destruição do PT. Não mais só do Lula, mas do partido. Assim se livrariam de seus parlamentares sujos e elegeriam um preposto, sem tanta sujeira, ou pelo menos, ainda debaixo do tapete, enquanto servi-los.

A única maneira hoje de resistência, seriam as ocupações se tornarem insuportáveis para eles. Envolver a sociedade de maneira que, os que antes os apoiaram, revessem suas posições e somassem na luta. Serão menos de 180 dias de resistência. O Senado se veria forçado a manter a Dilma.

Certo é que, com ou sem Dilma, não adianta mais pensar em manter qualquer tipo de negociação com essa gente. Deixaram bem claro que podemos ceder nossos dedos ou até mesmo as mãos, mas no final, estaremos fora e teremos que pedir ajuda para limpar a bunda. Chega de acordo com bandidos.

Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT-Maricá

(texto inspirado nos debates com Marcos de Dios e Rogério Almenteiro, ambos do PT-Maricá)