sábado, 12 de junho de 2021

O BARCO DO FERNANDEZ ADERNOU

 Concordando com as críticas feitas ao presidente argentino Alberto Fernandez, em seus gêneros e graus, cito aqui Valéria Brandini quando coloca: “E, de minha parte, sou muito mais os "selvagens", a população indígena que ocupava o território que hoje compreende o Brasil, do que o europeu colonizador que dizimou a população nativa que aqui vivia.” Uma coisa me preocupa e, com certeza, alegra aos Bozos e aos Bidens, entre outros “líderes”. Está se criando um clima de guerra por conta da fala do presidente argentino. Mas antes, um esclarecimento:

Cito aqui como exemplo, um texto meu escrito para III Seminário Decolonizando Práticas e Saberes em Religião e Educação, que aconteceu em Maricá em 2018. O texto tinha como título “O Racista Funcional”, em alusão ao analfabeto funcional, aquele que só sabe assinar seu nome. Falo de minha vida no texto, onde me assumo, pelo menos por um período da vida, como  racista funcional. Nasci e cresci ouvindo piadas e desmerecimento em relação a raça negra, em especial. Tinha o português e o japonês, mas o foco era a questão do Negro/a. Escrevo que faz parte de nosso crescimento a tomada de consciência, e esta consciência, acaba por nos permitir  questionamentos e correções de rumos em nossas vidas. Se assim não acontecer, é porque você é racista de carteirinha, por ideologia. Não deveria viver em sociedade.

Voltando a preocupação colocada anteriormente, declarações como a do Fernandez, que devem ser, como foram, rechaçadas, não devem apagar a luz da integração regional, como querem os Bidens e a turba que encontra-se em Brasília. Não devemos esquecer as Domitilas, as Mercedes, os Camilos, os Fuentes, as Clarices, Veríssimos, as Parras, os Machados, Bragas, as Nélidas, Cortázares, Sandinos, Krenaks, Galeanos, Bengelas, as Conceições, Bolívares, Borges, Otávios, Ches. Enfim de uma infinidade de outros e outras, que se formaram a partir da miscigenação dos povos que aqui existiam e os que aqui chegaram, apesar de verdadeira a colocação da Valéria Brandini, quando nos lembra a dizimação dos povos nativos. Bem como não devemos esquecer que a maioria da população brasileira é oriunda dos ancestrais que aqui chegaram nos barcos “tumbeiros” EUROPEUS.

Não estou defendendo o Fernandez, acho que ele se colocou como um verdadeiro colonizado. Se fosse aqui, lembrando Nelson Rodrigues, um vira lata. Só estou chamando a atenção para que, este ato, esta falha, não sirva de bucha de canhão contra o resgate do Mercosul e de uma verdadeira integração latina. Temos muito que aprender uns com os outros. Em especial, como condenar e prender os ditadores assassinos, os juízes e procuradores corruptos e outras “cositas más”.


Há braços,
Sérgio Mesquita

“Transformar em imperdoável o que hoje é aceitável”
Délcio Teobaldo

quinta-feira, 3 de junho de 2021

PENSAR FORA DA CAIXINHA

 PENSAR FORA DA CAIXINHA

Lendo o livro “O tempo de Keynes nos tempos do capitalismo”, do Luiz Gonzaga Belluzzo, deparo com uma descrição, segundo Keynes, de algumas das qualidades necessárias para que seja considerado um economista-mestre. Escrita no prefácio do livro por Sérgio Lírio da revista Carta Capital:

“O economista-mestre tem que possuir uma rara combinação de dons. Ele tem de ser matemático, historiador, estadista, filósofo – em algum grau. Ele tem que compreender símbolos e falar em palavras. Tem que contemplar o particular em termos do geral, e tocar o abstrato e o concreto no mesmo voo do pensamento.”

Segundo Sérgio: “Os atuais comentaristas econômicos, ao menos os brasileiros, já tem dificuldade para unir o sujeito e o  predicado, imagine ‘tocar o abstrato e o concreto’ ao mesmo tempo.”

Imaginemos esta definição, transportada e adaptada na Saúde, na Educação, no Planejamento, enfim, em todas as áreas de atuação, sejam municipais, estaduais ou federal. Não seria mais interessante? Mais participativo?

Keynes nos brindou com esta definição no começo do século XX e lemos e ouvimos nestes tempos atuais, a importância da intersetorialidade, da multidisciplinaridade como movimentos atuais, 2.0, 3.0, ... como a solução para resolver os problemas sociais, econômicos e, em tempos de pandemia, um efetivo resultado contra a expansão da pandemia e o controle da COVID-19. Ou seja, para que reinventar a roda, se ela está aí para, a partir das atualizações necessárias, possamos avançar enquanto governos e sociedades cooperativas? Por que continuamos a nos render ao discurso fácil do individualismo, da meritocracia? Por que permitimos a existência de prefeituras dentro de Prefeituras, estados dentro Estados? Não seria um projeto mais bem realizado com eficiência e eficácia, se fossem de todos e não somente de um, se fosse participativo?

Assisti em uma palestra promovida pelo PNUD e a Petrobras, para os municípios que sofrem impactos diretos dos projetos da Petrobras, que a Prefeitura de Francisco Morato, com seis meses de governo, socializou entre seus funcionários a importância da Agenda 2030 da ONU. E realizou o seu PPA de forma participava com a sociedade. Ao final de seu primeiro mandato, a prefeita foi reeleita com mais de 90% dos votos e seu PPA cumprindo em 90%.

Todos os projetos foram pensados a luz dos indicadores dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030 da ONU. O que permitiu a Prefeitura e a população identificar como importantes, naquele momento, ações a serem tomadas. Como a Agenda 2030 é totalmente interdisciplinar, e multidisciplinar e, em seu 17º ODS – Parcerias e meios de implementação, deixa claro que a existência de parcerias, interações e iteração são importantes. Imagine a redução do índice de mortalidade infantil, trabalhando-se somente no campo da Saúde, com bons equipamentos, atendimento e profissionais? Qual seria o impacto na mortalidade pós-natal se continuar a existir fome, não ter Educação, Segurança, Justiça e seus Direitos garantidos? Pode-se baixar o índice da mortalidade pré-natal, mas a falta de alimentação adequada e suficiente, a morte por alta criminalidade e falta de Justiça, deve aumentar com o índice de mortes no município.

Por isso, a definição do economista-mestre, deve ser inspiradora a todas as áreas de relacionamento humano.


Há Braços,
Sérgio Mesquita

 

Tornar imperdoável o que hoje é aceitável.
Délcio Teobaldo

 

 

 

 

segunda-feira, 31 de maio de 2021

A CAMINHO DA IDADE MÉDIA

        Se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo.

Voltaire 

Nunca uma frase, dita lá pelo século XVI, vem representar tão bem o momento pelo qual passamos em Maricá, no Brasil e possivelmente no mundo. Se não existisse Deus, teria que ser inventado de maneira que sua história nos remetesse a Idade Média, a Idade das Trevas. Somente assim, poderemos tentar entender o que nos acontece hoje, com mais de 450 mil mortes, somente no Brasil, por conta de ações que nos leva a pensar como criminosas no combate (diria incentivo) a COVID-19.

Cito a Idade Média, porque foi o período em que Deus era responsabilizado pelas alegrias da vida, bem como pelas suas tristezas, em especial – as tristezas. Se você era pobre, doente, passava fome ou não tinha como pagar os impostos, a “culpa” era da vontade de Deus. Ele era o responsável, segundo os que não passavam fome, tinham terras e/ou eram nobres, diziam para o grosso da população empobrecida. A vontade de Deus era quem comandava o mundo, não as intrigas entre os nobres e suas guerras por posses.

Hoje, incluído no grupo que cresce geometricamente, daqueles que conhecem alguns CPFs “cancelados”, em consequência do genocídio em andamento no Brasil, fico assustado com as reações da grande maioria das pessoas. Não porque sejam falsas, sei que não são. São reações de sofrimento pela perda recente de um amigo ou amiga, um/a colega de trabalho, um/a parente. Em algum momento, por conta desse governo instalado em Brasília, cada brasileiro/a conhecerá alguém que faleceu por conta da COVID. Caminhamos para esta triste realidade.

Mas o que me faz lembrar o aprendido nas salas de aulas e nos filmes que retrataram a vida dos cavaleiros e suas armaduras na Idade Média? O preocupante fato, pelo menos para mim, de que uma imensa maioria de manifestações de solidariedade, serem jogadas aos ombros de Deus, do Nazareno, do Misericordioso. Ele será quem curará os enfermos, ele que vai cuidar das famílias enlutadas, ele vai nos dar força, ele, ele, ele... Onde fica o “livre arbítrio”? Sufocado como foi por centenas de anos na Idade Média? Não!

Se nos foi permitido o “livre arbítrio”, que o usemos para denunciar o que estão fazendo conosco. Como na Idade das Trevas, os senhores de hoje, estão achando ótimo que nossa tristeza nos imobilize, e como lá, aceitemos que tudo não passa da vontade de Deus, uma vez que transferimos para ele, através de nossas mensagens de solidariedade, e somente a ele o ato da cura, da salvação.

Devemos a cada mensagem, a cada pesar, deixar claro para todos que sabem o porquê e para quem interessa a falta de ação no enfrentamento da COVID. Deixar claro que sabemos quem são os responsáveis aqui e fora do Brasil, que calados, torcem pelo não impeachment do Bolsonaro. Deixar claro que a mídia corporativa, que sempre apoiou golpes e assassinatos, continua com a mesma postura contrária ao bem-estar da população. Sim, para eles, cada morte significa uma despesa a menos, seja com benefícios ou com a Educação e Saúde. Significa bilhões e bilhões de lucro aos bancos e financeiras. Esse é o Brasil do Bolsonaro, do Aécio, Temer e uma infinidade que se acham lordes, senhores feudais, mas que na realidade, não passam de gerentes do engenho.

Professemos nossa Fé, mas não como vassalos, mas como gente que somos. Gente que quer amar, ter uma casa, alimentação, saúde e educação. Gente que quer ter condições de viver dignamente, de cabeça em pé. Nada disso contradiz nossa Fé, seja nos Deuses, seja nas pessoas. Lembrando Saramago - queremos um Direito que nos reconheça e uma Justiça que nos atenda - independente da nossa Fé.

Devemos por direito e necessidade, apontar os responsáveis pelas mais de 450 mil mortes, em especial, daquelas que conviviam conosco. Devemos isso a elas.


Há braços.
Sérgio Mesquita


“Transformar em imperdoável o que hoje é aceitável”
Délcio Teobaldo

segunda-feira, 17 de maio de 2021

A Peste" brasileira

 


Raí* Colunista convidado

Raí, ex-jogador de futebol Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

14/05/2021 16h30 Atualizada em 14/05/2021 22h09

Le Monde

 

Que me perdoem Camus, seus estudiosos e milhões de admiradores, peço licença para repetir aqui algumas de suas palavras, do clássico "A Peste", de reivindicar tua audácia, uma ousadia à imagem das tuas, para me ajudar neste momento de súplica rebelde, deste espasmo de "combat" e de "combattant", diante de atos desumanos e suas terríveis consequências.

Como brasileiro, como tantos outros e perante o mundo, assumo aqui que estamos habitados, sitiados, nestes tempos sombrios de nossa história, por mais de uma terrível peste. Este duplo flagelo, cujas devastações são apenas o acréscimo de nossos próprios erros coletivos, que pode contaminar muito além de nossas fronteiras.

Além da "Peste" biológica, epidemia pessimamente gerida, causadora da maior crise sanitária da história do Brasil, temos outro mal, que no longo prazo pode deixar terríveis sequelas ainda mais profundas. A peste antidiplomática que nos isola, a peste que corrói a Amazônia, o meio ambiente e persegue os que a protegem, o mal que distancia a vigilância e permite passar a boiada, aceita garimpos em reservas indígenas, que prefere troncos deitados a vê-los em pé, vivos, pragas cúmplices dos responsáveis por estes crimes. Também a peste que castra liberdades, ameaça a democracia e resgata a censura, a peste preconceituosa que promove a intolerância, a homofobia, o machismo e a violência.

Enfim, a Peste que nos destrói, destrói a razão e o bom senso, que perturba nossa essência, nossa consciência e nega a ciência. A Peste que promove o ódio é inimiga das artes e da cultura. Ela, que tem suas próprias variantes, é obra de um clã. Associada ao distanciamento, ao negacionismo, a desinformação, a mentira, acaba por reprimir, mesmo que temporariamente, nossa revolta, resistência e indignação.

Citamos Camus: "Os flagelos, na verdade, são uma coisa comum, mas é difícil acreditar neles quando se abatem sobre nós. Quando estoura uma guerra, as pessoas dizem: 'Não vai durar muito, seria estúpido'. Sem dúvida, uma guerra é uma tolice, o que não a impede de durar. A tolice insiste sempre, e nós a compreenderíamos se não pensássemos sempre em nós"

Sim, aqui do outro lado do Atlântico, este oceano que nos separa e nos aproxima, amigo francês, vemos de tudo. Da "ocupação" de boa parte de nosso espírito, até ideias muito próximas de um nazismo medíocre, ao menos de um ideal genocida de poder, que se pretende genocida de ideias, mesmo que para isso a morte de concidadãos enteja no caminho, nem que para isso aconteça um massacre humanitário, desnecessário, com centenas de milhares de mortes evitáveis.

O mal está espalhado: meio ambiente, relações internacionais, Fundação Palmares, direitos humanos. Chegamos ao cúmulo de assistirmos um certo secretário de Cultura parafraseando em rede nacional o discurso de Joseph Goebbels, ministro de Adolf Hitler antissemita, maldita alma da pior das ideologias.

"Tinham visto morrer crianças, já que o terror, há meses, não escolhia, mas nunca lhes tinham seguido o sofrimento minuto a minuto, como faziam desde essa manhã".

No nosso caso (que revoltaria ainda mais os personagens de Camus), morrem inocentes por falta de oxigênio,

 e/ou por falta de leitos. É preciso então, mais que resistir. Contra este peste brasileira que veste um terno sombrio com seu sorriso astuto, ataca seus adversários com repressão, agressão e perseguição, resgatando "sobras legais" herdadas da ditadura, como a lei de segurança nacional. Nosso Brasil, depois de ter passado por 20 anos de torturas, assassinatos, censuras, pensávamos nunca mais sofreríamos deste mal.

Ainda Camus: "O padre dizia que a virtude da aceitação total de que falava não podia ser compreendida no sentido restrito que lhe era habitualmente atribuído, que não se tratava da banal resignação, nem mesmo da difícil humildade". "Era por isso - e Paneloux afirmou ao seu auditório que o que iria dizer não era coisa fácil - preciso querê-la, porque Deus a queria".

"O Brasil acima de tudo e Deus acima de todos" Este era o slogan da última campanha presidencial, esta que acompanhou a vitória do inominável. Alguns de nós já imaginávamos que por detrás destas palavras, se escondia a carne do mal coberta pela fake pele de um fake salvador da pátria, uma clara tentativa de iludir cidadãos de boa-fé, evangélicos, fiéis e crentes de Deus, já feridos e traídos em sua cidadania, querendo fazer crer que toda e qualquer atitude de seu governo segue princípios divinos.

Pois me diga, que Deus seria este que destrói e coloca a vida humana em um plano tão desprezível?

"Porque ele sabia o que essa multidão eufórica ignorava e se pode ler nos livros: o bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis e na roupa, espera pacientemente nos quartos, nos porões, nos baús, nos lenços e na papelada. E sabia, também, que viria talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz".

E me permita completar, e em meu país, perigosamente distraído.

O Brasil que queremos e que o mundo precisa, também negou o horror que se aproximava. E, portanto, há décadas os ratos já estavam aqui mostrando seus rostos e dentes, de olhos revirados, afiando suas unhas. E não nos atentamos. Será que nós, concidadãos, e sobretudo nosso parlamento, também somos negacionistas/cumplices, ao não querer enxergar o tamanho do perigo, ao nos sujeitarmos a este poder já manchado de sangue e de crimes?

Eu sei que longo prazo, e seja qual for o país, o homem corajoso, o cientista, o resistente conseguirão juntos derrotar o mal. Aqui, não será tão simples assim, porque carregamos nas nossas costas a histórica extrema desigualdade, econômica, social e educacional que esteriliza alguns comportamentos e aniquila a vontade de ruptura.

Toda Peste causa separações profundas e dolorosas. E olhem nós aqui, já isolados, tratados como pária do mundo... mas, sobretudo, separados de nós mesmos, desviados do Brasil que viemos para ser, do nossa essência, da nossa natureza, do país do futuro e de um mundo mais humano e justo. Do país exuberante, da alegria de viver que faz sonhar, que dança, brinca, canta e encanta. Porém, ao nos rendermos ao mal, passivos, mostramos o que temos de pior. O país da miscigenação não pode ser o da negação do seu próprio destino!

"O flagelo não está à altura do homem; diz-se então que o flagelo é irreal, que é um sonho mau que vai passar. Mas nem sempre ele passa e, de sonho mau em sonho mau, são os homens que passam?"

Como fazer para se livrar deste pesadelo? Sobretudo não fiquemos anestesiados, amordaçados por esta "angústia muda". Fora com este mal maior, fora a estupidez que desencoraja o uso de máscaras, que dificulta o combate ao vírus, que mata e deixa morrer, e ainda insiste!

Vacinemo-nos uma vez por todas! Vacinemo-nos também para expulsar de nós o mal maior, que vai muito além do agente infeccioso microscópico, que gangrena nosso "corps social".

Porque não basta identificar o sequenciamento do vírus que nos impõe suas leis e viola nossos direitos, devemos agora encontrar o antídoto. Vacina sim! Ele não! Ele nunca mais! Fora Bolsonaro! Caso contrário, nos tornaremos a nossa própria peste.

"A partir desse momento, pode-se dizer que a peste se tornou um problema comum a todos nós".

sábado, 17 de abril de 2021

Dia do Índio: o que comemorar?

 Em tempos não pandêmicos, com certeza, nossas escolas estariam pintando nossos alunos como indiozinhos civilizados, todos de bem com a vida. Quando sabemos que estas datas, criadas inicialmente como resistência, como uma satisfação mal dada para os poucos índios que ainda nos restam, como as demais datas, foram apropriadas pelo sistema, e acabaram se transformando em incentivo as compras.

Dia do Índio, da Árvore, da Água, do Zumbi, da Liberdade de Religião, do LBGT..., enfim, do que representa o cuidado com a vida, com o ser humano, com a justiça e a igualdade, devem ser considerados, comemorados e todos os “ados” que se pensar. O que não deve continuar, a exemplo das lutas identitárias (necessárias), é continuarmos “comemorando” isoladamente. Como se o Índio não dependesse da Água, da Floresta e vice-versa. Como dependem também cada morador da cidade, o Agricultor Familiar, o Mateiro, o Seringueiro, o Castanheiro, a Agricultura Orgânica e, para não alongar – dependemos todos nós.

Nós, independente de cor, credo, do Sul maravilha ou do Norte, somos os que deveríamos assumir o papel de cuidadores da senhora Natureza ou sermos suas babás. Nunca seus algozes ao destruir florestas, mananciais e envenenarmos nossas plantações a serviço de uma ínfima parcela da população.

Corremos o risco de sobrar para gente, o mesmo papel do Jacarandá, como nos ensina Jatobá em seu poema Matança: Parece até mentira que o Jacarandá / Antes de virar poltrona, porta, armário / Mora no dicionário, vida eterna, milenar.

O que queremos para nós e nossas crianças? Sermos um futuro verbete em um dicionário?


Sérgio Mesquita
Diretório PT-Maricá

quinta-feira, 15 de abril de 2021

 

PQP – Legitimar Bolsonaro coisa nenhuma – eles querem é a Amazônia!

 

Segundo matéria da excelente Eliane Brum no El País[i], Biden e Bolsonaro estão em conversas secretas sobre a Amazônia. Deixando muitas das ONGs, Associações e etc. preocupadas com os possíveis desvios do dinheiro a ser investido e, estar o presidente americano sujando suas mãos ao negociar com o ser mais desqualificado e despreparado, colocado na presidência de um país. Venhamos e convenhamos...

Comecemos por esclarecer quatro pontos:

·        Biden foi um dos articulistas que representou os interesses dos EUA na derrubada da Dilma e da criação da Lava Jato e a consequente eleição do “coiso”. Não tem nada de bonzinho e de estar sendo enganado.

·        Os governos democratas dos EUA sempre foram os que pior agiram para com o Terceiro Mundo, hoje conhecido como Países em Desenvolvimento. O DEMOCRATA Kenedy, idolatrado por muitos, foi quem deu a ordem “tirem Goulart do Brasil”. A ditadura foi projeto democrata americano. Fato que não qualifica em nada os Replubicanos.

·        Como a Base de Alcântara, Bolsonaro está entregando a Amazônia e suas riquezas para os EUA, em nome das mudanças climáticas. Esse é o verdadeiro interesse americano, mais um território, explícito ou disfarçado, não interessa para eles.

·        Nenhum governo democrata ocidental, se pronunciou oficialmente quanto as posturas integristas e golpistas da familícia (exceção para a pandemia). Pelo contrário, continuam comprando nossas riquezas a preço de banana e, agora nossas terras e águas. As Corporações agradecem.

Vamos assistir a mais essa entrega sem nada fazer? Se o dinheiro não for desviado e entrar na conta tudo bem?


Há Braços.
Sérgio Mesquita

Transformar em imperdoável o que hoje é aceitável
Delcio Teobaldo

https://brasil.elpais.com/opiniao/2021-04-14/biden-ameaca-sujar-as-maos-com-bolsonaro.html



 

domingo, 28 de março de 2021

MOBILIDADE – DISCUSSÃO NO RENASCIDADE

 

Parabéns pelo texto, Humberto. O retrovisor deve nos servir de alerta pelos erros cometidos, para que continuemos em frente.

Na questão da mobilidade, fui apresentado a várias propostas, em sua maioria pontuais e muitas paliativas. Enquanto secretário de C&T, participei do Fórum de Desenvolvimento do Estado ( e continuo participando), patrocinado pela ALERJ, onde aconteceram vários encontros sobre o ponto mobilidade. Inclusive, uma consultoria francesa foi contratada para estudar o caso metropolitano, onde coloco aqui uma das discussões ocorridas, para ilustração.

Foi apresentada uma solução integrando modais distintos de transporte, que além de muito interessante, integrava a preocupação com a Saúde, levando o usuário a caminhadas através de áreas urbanizadas e plantadas, entre um modal e outro. Muito bonito quando ocorre na cidade ainda em seu início, mas dentro do caos estabelecido, os custos destes projetos ficam bem mais altos (desapropriação e etc.). Pensando, inclusive, na questão da formação da consciência do cuidado com a saúde. Imagino o cidadão atrasado, correndo entre um modal e outro. Abandona-se a ideia, acredito que não, mas ela sozinha não vai resolver a causa do problema.

No caso da Região Metropolitana da cidade do Rio, são pelo menos, 2 milhões de pessoas se locomovendo pendularmente, de suas cidades/moradias em direção ao centro da cidade e depois, voltando a sua moradia. Os modais ajudam, mas não vão resolver a médio e longo prazo. Como também a ideia dos turnos de entrada e saída diferentes, também pensado nas discussões e colocado pelo Ralf em seu texto. Funcionará bem no início, mas não resolverá o problema.

O grande causador do caos do transporte urbano está na concentração da oferta de emprego nas regiões centrais. Com ou sem pandemia, o problema provoca a concentração da demanda do transporte. No Fórum também foi discutido este ponto.

São várias as discussões em fóruns de arquitetura e urbanismo, no Ministério das Cidades, nas Secretarias de Desenvolvimento, Secretarias de Transportes, na necessidade de alterações nos Planos Diretores das cidades e outras áreas afins. Sem a integração dos diversos entes de decisão e a participação das categorias civis envolvidas, os riscos de boas soluções a serem perdidas, por falta de integração, é grande.

Vou citar três exemplos que conheci de perto, onde a falta de integração provoca problemas na mobilidade. Participei de uma imersão no Parque Tecnológico de Málaga, na Espanha. Como solução para o desenvolvimento do Estado de Andaluzia, foi desenvolvido o PqT em Málaga. Hoje são umas 20.000 pessoas trabalhando diretamente no Parque que, passam por um “engarrafamento” ao chegar e sair do mesmo. O transporte público que chega na região é o Metrô, que tem sua última estação na Universidade de Málaga, próxima ao Parque, mas com longa e difícil caminhada. Soma-se as dimensões do Parque, que inviabiliza o caminhar internamente. Todos utilizam-se dos automóveis, demandando áreas para estacionamento sempre crescentes. Neste ponto, como colocado no texto do Humberto, uma ação governamental faz-se necessária, mas com Estados cada vez mais mínimos...

O @22 Barcelona, passou a distribuir as empresas ligadas ao seu Parque, nos diversos bairros da cidade e entorno, distribuindo assim a movimentação de seus trabalhadores, inclusive levando desenvolvimento para áreas periféricas. O que lembra a decisão da Reitoria do Instituto Federal Fluminense – IFF, com sede em Campos-RJ. Construiu uma nova sede para a Reitoria no bairro periférico mais empobrecido de Campos, distribuindo a concentração de seus servidores e atraindo desenvolvimento para local.

Acredito ser esta a principal solução a ser tomada. Criar novas centralidades, aproximando o local de trabalho do local de moradia do trabalhador. Os bairros se transformarem em locais de moradia, lazer e trabalho. Para tanto, as discussões para tal devem ser públicas, transparentes e participativas, envolvendo todas as hélices pensadas no RENASCIDADE.

Trabalho árduo onde aponto um dos problemas que deverá ser discutido. O que fazer com o grande número de linhas, de ônibus e seus trabalhadores que, poderão sofrer impactos com a descentralização. De novo concordo com Humberto: - o governo deve ser atuante, no sentido de não provocar novos problemas na tentativa de solução de outros. E esta “força” deve ser acompanhada pelos demais entes governamentais e civis. A solução deve ser de todos e para todos, e não somente comercial, como focam a maioria das empresas de transportes.

Subsídios, horários distintos, modais onde possível, sozinhos não resolverão o principal problema, que para mim, não é financeiro, e sim no tempo que o trabalhador fica “preso” no “direito” de ir e vir. Parodiando o título de um filme de Hollywood, “A soma de todos os medos”, precisamos da “soma de todas as soluções”, de forma integrada.

Há braços.

Texto que originário: https://sustentamonos.blogspot.com/2021/03/vamos-continuar-olhando-so-pelo.html

 

quinta-feira, 25 de março de 2021

PERIGOS DA NORMALIZAÇÃO – A QUEM INTERESSA?

                                                                                                     Eu tenho o maior medo desse negócio de ser normal.

John Lennon

Muito se fala e escreve sobre a questão da “normalização”. Normalizamos o número de mortes da COVID-19. Normalizamos os mandos, os desmandos e as palhaçadas daquele que foi eleito presidente do Brasil. Normalizamos as “Fake News” e a não punição de seus produtores. Normalizamos a mídia corporativa e suas mentiras. Os exemplos são muitos e ficaria um tanto quanto cansativo expô-los aqui, pois me parece que, também normalizamos o normalizar.

              Fato é que quando se discute a questão da normalização, a mesma acontece em um nível raso, apesar de suas consequências. Discute-se a ponta do “iceberg” e não a sua totalidade, seus impactos futuros. Um bom exemplo está na compra das vacinas pelos estados e municípios.

Ninguém vai se colocar contra – nem eu. O ato da compra da vacina e sua aplicação, acaba por tornar-se um ato de resistência aos “terraplanistas” e ao genocida de Brasília. Enfim, a estes governos de inconsequentes, eleitos no rastro da família que se instalou em Brasília.

O ato de buscar a manutenção da vida, não teria qualquer efeito colateral se fôssemos continuar a viver (espero que não), entre pandemias e com estes mesmos governos, que pensam tal qual seu mito e/ou ajudaram a elegê-lo. Todos passaríamos a defender a descentralização da Saúde e até mesmo, a sua consequente privatização, pois teria todo o sentido não depender de Brasília.

O fato é que a normalização da compra das vacinas por prefeitos e governos estaduais, acaba por criar uma cortina de fumaça a favor da privatização do Sistema Único de Saúde – SUS e o fim da Saúde Pública do Brasil. A partir do discurso da descentralização, ensaiado por Bolsonaro, quando diz ser da responsabilidade dos governadores os problemas da pandemia, ou ao contrário, ao tentar impedir que prefeitos e governadores tomem atitudes, produz assim mais fumaça. A cada investida, maior o sentimento de descentralização do SUS.

Por outro lado, alguns prefeitos e governadores, em especial aqueles que apoiaram desde o primeiro momento os golpes e os crimes cometidos que levaram Bolsonaro à presidência do Brasil, só enxergam a compra das vacinas eleitoralmente, e continuarão a apoiar a privatização da Saúde e o fim do Estado, talvez sem a presença do “coiso”. Outros, realmente preocupados com o bem estar da população e assustados, como todos nós, com o crescimento das mortes e da contaminação, tratam do imediato e não chamam a atenção do que poderemos enfrentar mais à frente. O total caos com a possível privatização da Saúde, em especial, para aqueles empobrecidos pelo sistema.

Estão faltando às ações práticas e necessárias, a ação política. Aquela que pensa o bem estar da população como um todo, em especial dos empobrecidos. Precisamos deixar claro que são as grandes corporações que se beneficiam e enriquecem com a pandemia. São estas mesmas corporações que desejam a privatização das Saúde e o Estado Mínimo. São elas, que através de seus capatazes, seus gerentes aqui no Brasil e nos EUA, financiaram o Golpe em 2012, a pretensa primavera em 2013, a continuação do golpe em 2016, a prisão do Lula e a eleição do Bolsonaro e seus filhos.

Faz parte de cada cidadão, cada vereador, deputado e prefeito não se deixar normalizar. São mais de 16 anos de desmando e crimes realizados por políticos, empresários e por membros da Justiça tentando acabar com o Brasil e sua soberania conquistada, que deixou saudades no mundo.

Não a normalização de nossas vidas!

03.21

sábado, 13 de março de 2021

JOAQUIM PIÑERO: SEMPRE PRESENTE!

               Hoje, 13.03.21, talvez em um dos piores momentos do enfrentamento da pandemia, aconteceu em Maricá o velório do Valquimar, do Kima , do Joaquim Piñero. O velório de um homem que precisou de três identidades, tamanha sua grandeza e importância para vida daqueles que tiveram o prazer de conviver, lutar e/ou beber de seu conhecimento e ensinamentos. Daquele que o sorriso sempre chegava na frente, segundo a fala de João Paulo, liderança nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, em Maricá.

               Convivi pouco com o Joaquim aqui em Maricá. Foram poucos momentos juntos, mas sempre emblemáticos e marcantes. Tinha mais próximo o Mineirinho, também do Movimento do MST, que, quando juntos, nos atualizávamos. Mas em todos os momentos ou encontros com o Joaquim, seu sorriso realmente chegava na frente.

               Minha lembrança deste homem, deste internacionalista que visitou dezenas de países, sempre na construção da solidariedade, do combate à fome, e do reconhecimento internacional do MST, aconteceu na comemoração da reeleição do Fabiano Horta na Prefeitura de Maricá, cidade adotada pelo Joaquim.

               Entre um e outro gole, na frente da sede do PT, comemorando a vitória, escuto meu nome sendo chamado pelo Mineirinho. Viro e dou de cara com Joaquim Piñero, sentado na cadeira de rodas devido a doença, empurrado pelo Mineirinho. Ao nos vermos, primeiro o sorriso, confirmando o já falado, depois, o chamado do meu nome com os braços estendidos, na busca do abraço prontamente atendido por mim, apesar dos riscos por conta de sua doença e da pandemia. Era impossível me negar o prazer daquele momento que manterá vivo o Kima em minhas lembranças. Fica o sentimento de gratidão e, em especial, o respeito por um homem que até o final transbordou coragem por todos os seus poros.

               Coragem que me fez ir ao seu velório com uma máscara contendo uma frase do Graciliano Ramos onde se lia – “A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e aí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem” – do livro Grande Sertão Veredas. Coragem é o que não faltou ao Kima, nem ao Joaquim Piñero e nem para aquele que começou tudo, o rondoniense Valquimar.

               Siga em paz, chame o menino aí em cima para uma conversa, e prepare os lotes para quando for a nossa vez, os terrenos já estejam preparados para as novas sementes. Pois a luta continuará, desta vez, em outro plano.

               Há Braços.

               Sérgio Mesquita

                    DM-PT Maricá-RJ

              

               Transformar em imperdoável o que hoje é aceitável”

                    Délcio Teobaldo


domingo, 7 de março de 2021

8 DE MARÇO

Ao assistir na Tv Câmara, a palestra “Novo Milênio, Nova Economia, Novo cidadão” realizada na Câmara dos Deputados em Brasília, no dia 8 de março de 2000, pelo analista de sistemas, psicólogo e diretor de teatro, Waldez Ludwig, um ponto especial me chamou a atenção. Aliás, toda a palestra chamou a atenção, mas seu início, foi voltada para as mulheres.

Segundo ele, em tom de brincadeira, mas acredito verdadeiro, as mulheres inicialmente não ouviriam nada do que dissesse, sem antes analisa-lo. Se a roupa combinava entre suas peças e com o ambiente, se estava despenteado e outras colocações. Pois, segundo Waldez, uma das grandes qualidades das mulheres, diferente de nós homens, é a de ver, enxergar o contexto completo, enquanto nós homens, por regra, só focamos em um ponto. Com isso, é colocado para os presentes e para os telespectadores, que o futuro do mundo passa essencialmente por um futuro feminino, onde as mulheres já alçavam, naquele período, cargos importantes em metalúrgicas, bancos, petrolíferas e outras empresas e ramos de atividade. Seria a Era de Aquarius, a era feminina. Depois em tom de brincadeira, ainda sem o “politicamente correto” a predominar, avisa aos homens: “tratem de imitarem as mulheres, mas não precisa aviadar”, pois o mundo será delas.

Lembrando da palestra 21 anos depois, ainda a tenho gravada, continua atual quanto a importância das mulheres nos momentos de dúvidas e tomadas de decisão e aos demais pontos. Pois nos dias de hoje, não devemos nos pautar por “damares”, “gabrielas hardt” e “bolsonaros”. São pontos fora da curva e devemos acreditar passageiros. Pontos que dão trabalho, que destroem o que temos de humano, mas não dá para acreditar que se sustentarão, pois são a exceção do momento, como foi Hitler e outros idiotas. Voltemos as mulheres...

Nesta data, 8 de março, não tem como lembrar da música “Maria Maria” do Milton Nascimento que em uma de suas estrofes confirma Waldez: Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça / É preciso ter sonho sempre / Quem traz na pele essa marca possui /
A estranha mania de ter fé na vida.
A manha do sexto sentido, entre tantas outras, que só as mulheres possuem e sabem usá-lo com maestria. Verdade que as vezes, nós homens somos pegos com a “mão na botija” por conta disso, mas faz parte da vida (uma brincadeirinha). A força que vocês demonstram possuir ao longo dos séculos, representadas pelas Rosas, Antonietas, Terezas de Benguelas, Angelas, Anitas Garibaldis, Iracemas Rã-Nga, Domitilas, Mercedes, enfim, entre uma infinidade de exemplos, fica aqui o meu agradecimento a existência de cada uma, neste universo, neste continente e neste país muito louco, pelo o que estamos passando.

Um obrigado a cada uma de vocês, que enxergam para “além do umbigo”, para além do palmo a frente destes belos narizes. Que o 8 de março não nos deixe esquecer as companheiras que morreram em Nova York lutando pelo direito a serem respeitadas, ouvidas. Que o mesmo valha para as que morreram antes e depois pelos mesmos motivos, o de serem/sermos respeitadas(os).

Encerro com um dos tantos ensinamentos do Saramago, que escreve na introdução do livro Terra, do Sebastião Salgado, ao tratar da desobediência de Adão e Eva: (...) Dos dois criminosos, digamo-lo já, quem veio suportar a carga pior foi ela e as que depois dela vieram, pois tendo que sofrer e suar tanto para parir, conforme havia sido determinado pela sempre misericordiosa vontade de deus, tiveram também que suar e sofrer trabalhando ao lado de seus homens, tiveram também de esforçar-se o mesmo ou mais do que eles, que a vida, durante milênios, não estava para senhora ficar em casa, de perna estendida, qual rainha das abelhas, sem outra obrigação que a de desovar de tempos a tempos, não fosse ficar o mundo deserto e depois não ter Deus em quem mandar (...).

Que todos os dias sejam oito de março, primeiro de maio e tantas outras datas que representem o respeito, a justiça e a igualdade para com esse mundo e seus habitantes.

Há Braços.

Transformar em imperdoável o que hoje é aceitável”

Délcio Teobaldo

 

Sérgio Mesquita

Dir. Municipal PT-Maricá

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

NÃO VOU ME ADAPTAR II

                                                                                                                                    “Será que eu falei o que ninguém ouvia?

Será que eu escutei o que ninguém dizia?”

Nando Reis

O texto abaixo é uma atualização de outro texto, de mesmo título, publicado em fevereiro de 2019, há exatos dois anos. Onde, desavergonhadamente, me apodero do título e versos de uma canção do compositor Nando Reis.

Como no texto original, no período de 2002 a 2016, quando o Partido dos Trabalhadores ganhou por quatro vezes consecutivas as eleições presidenciais (2002, 2006, 2010, 2014), em nenhum momento tivemos um governo comunista, sequer um governo socialista, definindo as políticas e ações a partir de Brasília. Tivemos sim, um governo capitalista, que se afastava da corrente neoliberal e aproximava-se do “Estado de bem estar”, também conhecido por “welfare state”. Melhorou e muito a vida dos empobrecidos, do “andar de baixo”. Iniciou um processo forte de distribuição de renda e investimento na Educação, Saúde, C&T e outras áreas. Mas esqueceu-se do principal - ganhou os corações, mas descuidou-se das mentes.

Acreditou piamente que, a partir de acordos com a classe dominante, conseguiria avançar com o projeto de resgate da população mais necessitada (cria do sistema capitalista) e distribuir mais renda. O Brasil passou por período de crescimento econômico, aliado ao aumento da qualidade de vida dos empobrecidos e, tão importante quanto, por um período de respeito internacional, em especial pelo trabalho de mediação em várias crises mundiais, quase todas envolvendo os EUA.

Mas bastou uma única crise para que tudo desmoronasse. A crise de 2008, provocada pela “zona” que é o mundo financeiro, em especial o de “Wall Street”, neoliberal, tirou do armário os demônios até então acomodados aos ganhos sem esforços. Bastou os primeiros revesses, os primeiros esforços para manterem seus níveis exorbitantes de acumulação do capital, para sacarem de seus tridentes e exigirem as manutenções de seus ganhos. No Brasil, em especial, alguns demônios já haviam surgidos em 2005, com apenas três anos de governo, com a descoberta do pré sal e seu volume de óleo e sua qualidade. Quando o governo anuncia que teria o predomínio na exploração da Bacia de Santos, as grandes corporações e seus aliados, começam a pressionar, a criar contextos que pudessem levar ao fim do governo do PT e a prisão do Lula. O Golpe não foi dado com o “impeachment” da Dilma em 2016. O “impeachment” foi uma fase avançada do jogo. O Golpe começou em 2005 e foi dado em 2012 com o famoso julgamento do “Mensalão”, ou mentirão como hoje é conhecido. Foi dado quando o Supremo Tribunal Federal inaugura a condenação sem provas, como explicita a juíza Rosa Weber ao escrever em seu voto que não havia provas dos crimes, mas condenaria o Réu. Ali, o governo percebeu que lhe faltava o povo nas ruas. Ali, foi percebido que o governo se afastou das massas, das organizações civis, sindicatos e etc. Ali, entendeu mais não aprendeu, que não se deve confiar cegamente nas classes dominantes, nas corporações.

As corporações por sua vez, entenderam que precisavam da manipulação do povo, do povo nas ruas, para criar o clima de destruição do PT e do governo Dilma e, principalmente, da prisão do Lula. Investiu na nossa “primavera”, que como as demais, teve o apoio maciço dos EUA e a mídia “nacional”, subserviente aos interesses de fora. A Justiça já estava destruída com o processo, tão criminoso quanto o da recente Lava Jato, só faltava trabalhar o povo nas ruas manipulado pelas redes sociais, através daqueles que podiam pagar os algoritmos de manipulação e as “fake News”.

Dilma cai em 2016 e o foco passa a ser o Lula. E o que a esquerda faz, em especial o PT, continua achando que poderia se manter nos espaços, então conquistados, com ou sem Lula, através de jantares e acordos com o andar de cima. Mas os demônios já estavam soltos, o brasileiro cordial havia ido para a merda. Lula sofre um processo, que nem Kafka imaginou em seu livro “O Processo”. De novo a Rosa Weber, em julgamento de liminar (“habeas corpus”) pois Lula havia sido preso antes do processo ter terminado a tramitação, o que não é permitido pela Constituição, coloca em seu voto algo como: voto pela manutenção da prisão neste momento, mas quando em julgamento do mérito, votarei a favor. Que porra é essa? É contra a prisão em segunda instância, mas no caso do Lula é favor? O fato é que preso, Lula não pode concorrer às eleições de 2018, onde era franco favorito.

Bem, chegam as eleições e a esquerda continua sem se entender. De um lado Partidos ditos extrema esquerda, apoiaram o “impeachment” de Dilma e a prisão do Lula, sem crimes ou mesmo provas de algum crime. Bolsonaro se elege. De novo a justiça tem uma atuação que nos leva a duvidar de sua imparcialidade, como depois ficou evidente no processo da Lava Jato. Denúncias com nomes e valores de crime de abuso financeiro, de financiamento das “fake News”, a falsa facada, o apoio das milícias criminosas e outras, nada anda no STF e no Superior Tribunal Eleitoral. Caso houvesse julgamento no STJ, as probabilidades da não posse do Bolsonaro seriam certas (nas Condições Normais de Temperatura e Pressão), pois tudo estava documentado.

Porém se aproxima, no calendário dos políticos, as eleições de 2022. As municipais de 2020, foram sem surpresas e o “bolsonarismo” vai bem obrigado, mesmo com toda a crise por que passa o país. A direita continua sem candidato, o que no frigir dos ovos, pode levá-los a apoiar o Bolsonaro. A esquerda continua dividida, sem um projeto nacional ou mesmo minimamente alternativo. Pior, continua longe das massas e muitos ainda pensando como nos anos 80/90 do século passado. Não querem perder seus espaços de “poder” nas casas legislativas, nem que para isso venham a repetir os mesmos acordos que, arrisco a dizer, não mais “inocentemente”, pois a história, quando se repete, se repete como farsa, nos ensinou Marx. O que não muda é o afastamento das organizações civis e da população. O exercício da escuta, tão exaltado pelo Paulo Freire e pelo Frei Beto, foram para as cucuias.

Por um lado, o que antes fora um projeto, o de se criminalizar a política, hoje é fato. O pior é que os principais agentes para tal feito, não saíram das fileiras “bolsonaristas”, que acreditam ser a Terra plana. Vieram das classes dominantes que não queriam “ceder” mais nenhum centavo, do que acreditam ser direito adquirido ainda em berço. Bem como da gentalha que acredita ser classe média e no máximo, não passam de capitães do mato (que resolve na violência) ou gerentes dos engenhos, que acreditam comandar. O que não esperavam foi a perda do controle total sobre aquele ser. Os absurdos e a ignorâncias são tantas, que não sabem como evitar a lama em que estão compartilhando com o “coiso”, pois a mesma, não só respinga, mais está atolando os seus carros 4x4. Estão percebendo que, mesmo como classe dominante, suas influências estão se deteriorando devido as ligações com a família Bolsonaro. Correm o risco de transformarem-se em novos gerentes de engenhos, perdidos entre a classe média e a classe dominante. Estão perdendo seus negócios, deixando de ser intermediários com as grandes corporações.

Por tudo colocado acima, a população não acredita mais nos legisladores, nos executivos e muito menos nos juízes e promotores. O barco está sem o timão e sem o timoneiro, largado ao apetite dos de fora, daqueles que querem o fim de nossas florestas, da nossa água potável e do que resta de petróleo e outros minérios. Enquanto puderem extrair, as estruturas se manterão pró forma, depois, farão com a FORD, “by by” Brasil. Fodam-se, pensam, pois aqui não consigo mais ganhar dinheiro. Nos sobrará a terra arrasada. Pois continuamos a fazer acordos sem qualquer projeto que possa, pelo menos, nos dar mais tempo para retomar a organização da sociedade civil.

Hoje, temos um presidente mais preocupado com que os brasileiros possam ter até seis armas em casa, do que com o combate a COVID-19 e a vacinação da população. Passamos as 240 mil mortes e continuamos escutando: “e daí”. Claramente ele arma seus correligionários (milícias), e busca trazer a PM para seu comando, e já anunciou que se perder as eleições, não aceitará o resultado. Anunciou um golpe futuro.

E do lado de cá, ninguém tem a coragem, a partir de sua projeção política, de tentar trabalhar manifestações que possam sim, incomodar. Ninguém propõe o fechamento de esquinas cruciais nas cidades, mesmo que por pouco tempo, para incomodá-los diariamente. Ninguém propõe momentos de desobediência civil, para irmos, na pior das hipóteses, nos “acostumando” com o cacetete e o gás de pimenta. E mais uma vez, recorro ao Nando Reis, na esperança da carapuça servir...

“Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia”

Nando Reis 

Sérgio Mesquita

Diretório do PT-Maricá/RJ

sábado, 13 de fevereiro de 2021

QUEM DE FATO’’ SUSTENTA O (DES)GOVERNO BOLSONARO?

 FRENTE ATIVISTAS DE ESQUERDA BRASIL

1) OS EUA E O IMPERIALISMO

É um fato já notório para muitos brasileiros que os EUA exercem aqui, no nosso País, uma relação de COLONIZADOR. Porém, não podemos culpar somente os EUA. É mais que notório que os maiores culpados são os brasileiros traidores da Pátria, que aqui dentro são lacaios do IMPERIALISMO, a troco de dinheiro e outras benesses. Demonstrar e provar o que dizemos é o objetivo mais importante deste nosso estudo. Outro objetivo é criarmos uma consciência no nosso povo de que os EUA não são vizinhos bonzinhos, parceiros amistosos, nem defensores da democracia e do bem estar entre os povos. São exploradores que tem por objetivo roubar nossas riquezas para que eles possam ostentar uma vida de bilionários para suas elites, sugerindo que são ricos porque são mais desenvolvidos ou mais inteligentes que os outros. Eles são, na realidade, grandes ladrões, exploradores e malandros, que vivem às custas do empobrecimento e ignorância do seu próprio povo que vive na extrema pobreza (grande parte) também, e dos povos do mundo inteiro, sejam brasileiros, latino americanos, africanos e asiáticos.

Para termos mais uma noção de como os Estados Imperialistas agem, trazemos um exemplo através de uma reportagem da página do Jornal Carta Campinas, em um artigo sobre PIRATARIA INGLESA, cujo link aqui colocamos para verificação, denúncia e estudo: https://cartacampinas.com.br/2020/07/corte-da-inglaterra-promove-pirataria-com-ouro-que-pertence-a-populacao-da-venezuela/

”Com efeito, a medida inglesa nada mais é do que pirataria moderna, expediente que a Coroa de Sua Majestade conhece muito bem, desde a época em que financiava mercenários para saquear galeões espanhóis repletos de ouro roubados da América Latina.” (UCHÔA, 2020)

O escritor uruguaio Eduardo Galeano em seu célebre livro ‘’As Veias Abertas da América Latina’’ mostra de forma muito bem definida essa questão da dominação do Imperialismo na América Latina, desde a época dos Europeus quando a descobriram, e a invadiram para cometer os diversos genocídios e holocaustos contra os povos originários que aqui viviam, e roubar tudo o que fosse precioso. Ele diz:

‘’É a América Latina, a região das veias abertas. Desde o descobrimento até nossos dias, tudo se transformou em capital europeu, ou mais tarde, norte-americano, e como tal tem-se acumulado e se acumula até os dias de hoje nos distantes centros de poder.  Tudo: a terra, seus frutos e suas profundezas ricas em minerais, os homens e sua capacidade de trabalho e de consumo, os recursos naturais e os recursos humanos. O modo de produção e a estrutura de classes de cada lugar foram sucessivamente determinados, do exterior, por sua incorporação à engrenagem universal do capitalismo. Para cada um se atribuiu uma função, sempre em benefício do desenvolvimento da metrópole estrangeira do momento, e se tornou infinita a cadeia de sucessivas dependências, que têm muito mais do que dois elos e que, por certo, também compreende, dentro da América Latina, a opressão de países pequenos pelos maiores seus vizinhos, e fronteiras adentro de cada país, a exploração de suas fontes internas de víveres e mão de obra pelas grandes cidades e portos (há quatro séculos já haviam nascido dezesseis das 20 cidades latino-americanas atualmente mais populosas). Para os que concebem a História como uma contenda, o atraso e a miséria da América Latina não são outra coisa senão o resultado de seu fracasso. Perdemos; outros ganharam. Mas aqueles que ganharam só puderam ganhar porque perdemos: a história do subdesenvolvimento da América Latina integra, como já foi dito, a história do desenvolvimento do capitalismo mundial. Nossa derrota esteve sempre implícita na vitória dos outros. Nossa riqueza sempre gerou nossa pobreza por nutrir a prosperidade alheia: os impérios e seus beleguins nativos. Na alquimia colonial e neocolonial o ouro se transfigura em sucata, os alimentos em veneno. Potosí, Zacatecas e Ouro Preto caíram de ponta-cabeça da grimpa de esplendores dos metais preciosos no fundo buraco dos socavões vazios, e a ruína foi o destino do pampa chileno do salitre e da floresta amazônica da borracha; o nordeste açucareiro do Brasil, as matas argentinas de quebrachos ou certos povoados petrolíferos do lago de Maracaibo têm dolorosas razões para acreditar na mortalidade das fortunas que a natureza dá e o imperialismo toma. A chuva que irriga os centros do poder imperialista afoga os vastos subúrbios do sistema. Do mesmo modo, e simetricamente, o bem-estar de nossas classes dominantes – dominantes para dentro, dominadas de fora – é a maldição de nossas multidões, condenadas a uma vida de bestas de carga.” (GALEANO, 1996, pág. 14)

Dentro das informações governamentais, temos por exemplo, a declaração de Henry Kissinger (diplomata estadunidense que atuou na política externa dos EUA na América, entre 1968 e 1976) que foi publicado em jornais brasileiros.

Certa feita, os jornais brasileiros publicaram que Henry Kissinger teria dito em uma conferência, após sua saída do governo, que o Brasil desenvolvido seria uma ameaça para a segurança de seu país. Embora houvesse o desmentido de praxe, o que Kissinger queria dizer com isso? Por que o desenvolvimento do Brasil poderia ser uma ameaça para a segurança nacional norte-americana? Como se sabe, Kissinger foi dirigente do National Security Council (NSC) no primeiro mandato de Nixon (1913-1994) e acumulou essa função com a de secretário de Estado no segundo governo daquele presidente. Em 1974, o memorando secreto NSSM-200, do NSC, desclassificado em 1989 por força da lei de liberdade de informação, fornecia as evidências básicas para interpretarmos as palavras de Kissinger. A economia norte-americana era cada vez mais dependente de recursos naturais do exterior para garantir o seu desenvolvimento, e isso foi oficializado no NSSM-200 emitido pelo governo norte-americano. O NSSM-200 fixava uma política para garantir o fluxo contínuo de materiais para o desenvolvimento da economia norte-americana: “A localização de reservas conhecidas de minérios de mais alto teor da maioria dos elementos favorece uma dependência crescente de todas as regiões industrializadas de importações dos países menos desenvolvidos. O problema real de suprimentos minerais reside, não na disponibilidade física básica, mas nos temas econômico-políticos relativos ao acesso a eles, os termos de exploração e divisão dos benefícios entre os produtores, consumidores e os governos dos países de origem. […] “Sejam quais forem as medidas que se tomem para resguardar-se de uma interrupção nos fornecimentos, a economia norte-americana requererá grandes e crescentes quantidades de recursos minerais do exterior, especialmente dos países menos desenvolvidos. Este fato amplia o interesse dos Estados Unidos na estabilidade social, política e econômica dos países fornecedores.” [Paulo Romeu Braga – Analista de Informações, ex-funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN)] (BRAGA, 2002)

Ou seja, o que o documento (memorando) intitulado NSSM-200 mostra é: UMA CONFISSÃO DE QUE OS EUA NÃO ADMITE QUE OS PAÍSES A ELES SUBORDINADOS TIVESSEM e continuem a ter o DOMÍNIO SOBRE SEUS PRÓPRIOS RECURSOS NATURAIS. Ex. É por isto, que os EUA tentam de diversas maneiras derrubar o governo de Nicolás Maduro na VENEZUELA, para roubar o PETRÓLEO do povo venezuelano. E é por isto que o BRASIL ao sofrer o golpe de 2016 (orientado pelos EUA) perdeu todo o domínio sobre o Petróleo que se encontra na camada PRÉ-SAL.

A intromissão dos EUA no Brasil acontece de fato, após a Segunda Guerra Mundial, onde a Inglaterra devendo diversos favores (acordos) de guerra aos EUA, cede os seus territórios coloniais na América Latina para os EUA, e o Brasil estava dentro desse acordo, pois antes da Segunda Guerra Mundial o Brasil era área de influência do Imperialismo da Inglaterra.

1.1) A TENTATIVA DE GOLPE EM GETÚLIO VARGAS EM 1954 FOI FRUSTRADA PELO SEU SUICÍDIO.

Na década de 1940, (GOVERNO DE GETÚLIO) o governo norte-americano, interessado no estudo dos minerais estratégicos para a defesa continental, enviou ao Brasil três ilustres técnicos: Charles Will Wright, especialista em minerais estratégicos, do U.S. Bureau of Mines, Stephen R. Capps e William Drumn Johnston Jr., geólogos conceituados do U.S. Geological Survey, para colaborarem com seus colegas brasileiros nas determinações de nossas reservas minerais. Em 1941, (GOVERNO DE GETÚLIO) os Drs. Wright e Johnston passaram a chefiar as pesquisas na América do Sul. Frank Gray Pardee, do Serviço Geológico do Estado de Michigan, foi comissionado pelo U.S. Bureau of Mines para dar assistência à Embaixada Americana no Rio de Janeiro. John Van Nostrand Dorr II, assistido por sua esposa Mary Elizabeth Dorr, paleontologista, e pelo engenheiro C. Buckey, topógrafo, estudaram minuciosamente o depósito manganesífero de Urucum, em Mato Grosso. Em 1942 (GOVERNO GETÚLIO) Buckey realizou, na Divisão de Geologia e Mineralogia, um curso sobre topografia para fins de geologia, introduzindo o método de levantamento a prancheta, pouco divulgado no País. William Pecora, também do U.S. Geological Survey, estudou pormenorizadamente os depósitos niquelíferos do Brasil, especialmente os da Serra da Mantiqueira, em São José do Tocantins, Goiás. Rápida passagem pelo Brasil tiveram, em janeiro de 1942, (GOVERNO DE GETÚLIO) o Dr. Elmer W. Peherson, chefe da Divisão Econômica do U.S. Bureau of Mines, e o Dr. Donnel Foster Hewett, chefe da Divisão de Metais do U.S. Geological Survey e a maior autoridade dos Estados Unidos em manganês. O prof. W. D. Johnston continuou no Brasil estudando os depósitos de cromita, os pegamatitos produtores de tantalita, berilo etc., tendo apresentado à Academia Brasileira de Ciências uma interessante contribuição sobre a gênese dos depósitos estratificados de cromita, na sua opinião, provenientes de uma verdadeira sedimentação rítmica em câmara magmática. Posteriormente, uma turma numerosa de outros técnicos aqui aportou, subordinada ao magnata Nelson Rockefeller, coordenador do Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA). Rockefeller havia conseguido esse cargo de dirigente do OCIAA no governo Eisenhower (1890-1969), depois de convencê-lo de que os Estados Unidos precisavam olhar com mais carinho a América Latina. Nelson Rockefeller tinha grandes negócios aqui e através do Instituto de Assuntos Inter-Americanos. [Paulo Romeu Braga – Analista de Informações, ex-funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN)] (BRAGA, 2002)

Quando ocorreu o “Golpe de 1954”, os Estados Unidos já haviam montado uma ampla estrutura de segurança exclusivamente para cuidar da América Latina. A base para a fundamentação dessa decisão adveio das reuniões de consultas dos chanceleres americanos, que geraram o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), assinado em 1947 no Rio de Janeiro. Uma das ambiguidades do TIAR é que ele poderia ser usado contra os governos que o haviam assinado, com exceção dos Estados Unidos. A primeira missão naval dos Estados Unidos na América Latina se instalara no Brasil em 1922. Até 1942 os oficiais brasileiros eram treinados na Alemanha ou com os franceses, que mantiveram uma missão no Brasil entre 1919 e 1940. A Segunda Guerra mundial deu a Washington uma justificativa para expandir mais sua influência sobre as forças brasileiras. O planejamento militar era coordenado por uma Comissão Militar Mista Brasil/Estados Unidos. […] Em decorrência, no acordo de cooperação militar formalizado durante a Segunda Guerra, o Brasil veio a ocupar um importante papel como grande fornecedor de matérias-primas e minerais estratégicos para o desenvolvimento da economia e segurança norte-americana. Finda a Guerra, já estava definida a função que a América Latina teria dentro da zona de influência global dos Estados Unidos. Em 1949, o Departamento de Estado havia decidido que a América Latina deveria constituir-se em reserva estratégica para garantir o poderio econômico e militar dos Estados Unidos dentro do novo arranjo mundial que deu origem à Guerra Fria. […] Em 1949, o Pentágono ajudou o Brasil a fundar e equipar uma cópia do U.S. National War College, a Escola Superior de Guerra (ESG). Militares norte-americanos permaneceram no corpo docente da ESG até 1967. A Comissão Militar Mista sobrevivera a guerra e, em 1954, foi registrada nas Nações Unidas como agencia permanente, destinada a cuidar das vendas de armamentos e da assistência militar. A participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália propiciou estreito relacionamento e amizades prolongadas entre oficiais brasileiros e norte-americanos. O relacionamento pessoal entre Castelo Branco e Vernon Walters veio a configurar-se, em 1964, como um importante trunfo para os norte-americanos. Vários oficiais brasileiros que haviam estado na campanha da Itália foram enviados aos Estados Unidos para treinamento, de onde voltaram com novas ideias sobre desenvolvimento industrial e organização política do país. Os oficiais, influenciados pelos acontecimentos da Segunda Guerra e decididamente opostos a Getúlio Vargas, a quem consideravam como chefe de um regime neofacista, conspiravam contra Getúlio Vargas defendia uma economia nacionalista estatizante e antes que implementasse seu plano foi deposto pelos oficiais da FEB alinhados com os industriais locais, a oligarquia, a classe média e as empresas multinacionais. O marechal Dutra, que sucedeu a Vargas em 1946, abriu a economia ao capital estrangeiro, criou a ESG e estabeleceu a Comissão Mista Brasil/Estados Unidos. [Paulo Romeu Braga – Analista de Informações, ex-funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN)] (BRAGA, 2002)

A Carta Testamento de Getúlio Vargas é uma prova candente da exploração do Brasil por “capitais estrangeiros”, conforme podemos ler nos trechos escolhidos do último documento escrito pelo ex. presidente do Brasil.

“Mais uma vez AS FORÇAS  E OS INTERESSES CONTRA O POVO COORDENARAM-SE.

[…] DEPOIS DE DECÊNIOS DE DOMÍNIO E ESPOLIAÇÃO DOS GRUPOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS INTERNACIONAIS, […]

A CAMPANHA SUBTERRÂNEA DOS GRUPOS INTERNACIONAIS ALIOU-SE À DOS GRUPOS NACIONAIS REVOLTADOS CONTRA O REGIME DE GARANTIA DO TRABALHO.

A LEI DE LUCROS EXTRAORDINÁRIOS FOI DETIDA NO CONGRESSO. […]

QUIS CRIAR LIBERDADE NACIONAL NA POTENCIALIZAÇÃO DAS NOSSAS RIQUEZAS ATRAVÉS DA PETROBRÁS E, MAL COMEÇA ESTA A FUNCIONAR, A ONDA DE AGITAÇÃO SE AVOLUMA.

A ELETROBRÁS FOI OBSTACULIZADA ATÉ O DESESPERO. […]

OS LUCROS DAS EMPRESAS ESTRANGEIRAS ALCANÇAVAM ATÉ OS 500% AO ANO.

NAS DECLARAÇÕES DE VALORES DO QUE IMPORTÁVAMOS EXISTIAM FRAUDES CONSTATADAS DE MAIS DE 100 MILHÕES DE DÓLARES POR ANO. […]

LUTEI CONTRA A ESPOLIAÇÃO DO BRASIL. LUTEI CONTRA A ESPOLIAÇÃO DO POVO.  […] 

Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.’’ (Getúlio Vargas- Rio de Janeiro, 23/08/1954)

1.2) O GOLPE DE 1964

”A política intervencionista dos Estados Unidos em relação aos países da América Latina não é de agora: ela tem pelo menos 150 anos. […] Essas intervenções, brancas ou armadas, segundo nos revela a História, muitas vezes ainda bem recente, se manifestam de vários modos, desde a simples corrupção particular, usada na compra de presidentes, ministros, deputados, generais, jornalistas, em dinheiro sonante ou sob a forma de concessões comerciais, publicidade, etc., até a corrupção generalizada sob a forma de aliança para o Progresso, com a qual se pretende comprar o país inteiro. Podem apresentar-se ainda sob a forma de golpes de Estado, militares, mais ou menos violentos, para derrubar presidentes eleitos pelo voto popular ou de puro e simples desembarque de Marines” (BASBAUM, 1977, Pág. 101, Cáp. VI)

Desde 1963, o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) fornecia material impresso, apoio operacional e dinheiro a candidatos a governador, deputados e senadores anticomunistas e contrários a João Goulart. (CARTA CAPITAL, 12/02/2014)

Através de empresas como Texaco, Esso, Coca-Cola, Bayer e IBM, o dinheiro dos EUA ajudou a eleger ainda mais de 150 deputados na Câmara que fizeram frente ao governo Jango. (CARTA CAPITAL, 12/02/2014) [como hoje muitos deputados foram comprados para comporem um rolo compressor]

“UM ANO ANTES DO GOLPE JÁ SE SABIA DA PRESENÇA, ATRAVÉS DA EMBAIXADA AMERICANA, DA CIRCULAÇÃO DE DÓLARES E TAMBÉM DA COMPRA DE REDAÇÕES DE JORNAL.’’  (CARTA CAPITAL, 12/02/2014)

‘’Entre 1962 e 1964 o IBAD financiou mais de 200 filmetes de propaganda contra o governo João Goulart”, explica João Vicente. (filho de João Goulart). (CARTA CAPITAL, 12/02/2014)

“E temos ainda gravações da Casa Branca que mostram o Kennedy, antes mesmo do (Lyndon) Johnson, falando com o (então embaixador norte-americano no Brasil) Lincoln Gordon: ‘Pô, mas estamos acusando o Jango de comunismo, e o Partido Comunista no Brasil é incipiente’. Ao que Johnson responde: ‘Não importa, agora já está montado e ele vai ser acusado da mesma forma’.” (CARTA CAPITAL, 12/02/2014)

Nos primeiros dias após o golpe, uma violenta repressão atingiu os setores politicamente mais mobilizados à esquerda no espectro político, como por exemplo o CGT, a União Nacional dos Estudantes (UNE), as Ligas Camponesas e grupos católicos como a Juventude Universitária Católica (JUC) e a Ação Popular (AP). Milhares de pessoas foram presas de modo irregular, e a ocorrência de casos de tortura foi comum, especialmente no Nordeste. O líder comunista Gregório Bezerra, por exemplo, foi amarrado e arrastado pelas ruas de Recife.  (FGV CPDOC)

A junta baixou um “Ato Institucional” – uma invenção do governo militar que não estava prevista na Constituição de 1946 nem possuía fundamentação jurídica.  (FGV CPDOC)

Seu objetivo era justificar os atos de exceção que se seguiram. ao longo do mês de abril de 1964 foram abertos centenas de inquéritos policiais-militares (IPMS) chefiados em sua maioria por coronéis, esses inquéritos tinham o objetivo de apurar atividades consideradas subversivas. Milhares de pessoas foram atingidas em seus direitos: parlamentares tiveram seus mandatos cassados, cidadãos tiveram seus direitos políticos suspensos e funcionários públicos civis e militares foram demitidos ou aposentados. Entre os cassados, encontravam-se personagens que ocuparam posições de destaque na vida política nacional, como João Goulart, Jânio Quadros, Miguel Arraes, Leonel Brizola e Luís Carlos Prestes, Magalhães Pinto, de Minas Gerais, e Ademar de Barros, de São Paulo. E AMPLOS SETORES DE CLASSE MÉDIA PEDIRAM E ESTIMULARAM A INTERVENÇÃO MILITAR, como forma de pôr fim à ameaça de esquerdização do governo e de controlar a crise econômica. (FGV CPDOC) [como ocorrido recentemente, no golpe contra Dilma]

O golpe foi recebido com alívio pelo governo norte-americano, satisfeito de ver que o Brasil não seguia o mesmo caminho de Cuba, onde a guerrilha liderada por Fidel Castro havia conseguido tomar o poder. Os Estados Unidos acompanharam de perto o desenrolar dos acontecimentos, principalmente através de seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, e do adido militar, Vernon Walters, e haviam decidido, através da secreta “Operação Brother Sam”, dar apoio logístico aos militares golpistas, caso estes enfrentassem uma longa resistência por parte de forças leais.

Uma ideia fundamental para os golpistas era que a principal ameaça à ordem capitalista e à segurança do país não viria de fora, através de uma guerra tradicional contra exércitos estrangeiros; ela viria de dentro do próprio país, através de brasileiros que atuariam como “inimigos internos” – para usar uma expressão da época. Esses “inimigos internos” procurariam implantar o comunismo no país pela via revolucionária, através da “subversão” da ordem existente – daí serem chamados pelos militares de “subversivos”. Diversos exemplos internacionais, como as guerras revolucionárias ocorridas na Ásia, na África e principalmente em Cuba, serviam para reforçar esses temores. Essa visão de mundo estava na base da chamada “Doutrina de Segurança Nacional” e das teorias de “guerra anti-subversiva” ou “anti-revolucionária” ensinadas nas escolas superiores das Forças Armadas. (FGV CPDOC)

Porém, como sabemos, os motivos verdadeiros para o golpe foram:

1) A Lei do Controle das Remessas de Lucros;

2) A Lei da Reforma Agrária;

3) A lei do Monopólio Estatal do Petróleo.

É por isso que 1964 representa um marco e uma novidade na história política do Brasil: diferentemente do que ocorreu em outras ocasiões, desta vez militares não apenas deram um golpe de Estado, como permaneceram no poder.

1.3) O GOLPE DE 2016

O POVO BRASILEIRO tem um importante contingente de entreguistas em toda as esferas das classes dirigentes. Ao mesmo tempo, o Povo Brasileiro tem um grande contingente de patriotas entre as classes populares, o que é o mais importante dentro de uma Nação.

Mesmo antes de 1500, já era amplamente praticada a interferência de um país mais poderoso sobre outro ingênuo, ou menos poderoso. Sempre foi propósito das relações exteriores em interferir na vida política interna de outros países, e os chefes de Estado sempre procuraram inventar maneiras de subordinar outros países menos desenvolvidos e com governos pouco avisados de modo a obterem proveitos em seus próprios interesses, declaradamente ou usando de subterfúgios para conseguirem informações, furtando segredos e se intrometendo nos assuntos internos do governo-vítima.

Caso um país não tenha condições de segurar e esconder suas informações secretas, estratégicas, facilmente poderá ser vítima de espionagem por outros competidores, os quais poderão usar seus serviços de inteligência, espionagem, fornecendo informações falsas, ou patrocinando propagandas mentirosas, com o objetivo de descrédito, que são táticas muito utilizadas contra países indefesos. Outras vezes, o próprio país competidor se acha tão esperto que pode achar uma maneira mais curta de influir sobre os rumos do país-vítima conseguindo alguém, um habitante do país-vítima, ou um grupo deles dispostos a efetuar UM GOLPE DE ESTADO, os quais podem ser encorajados por uma quantia bem gorda de dinheiro, ou a certeza de proteção, ajuda externa e guarida, em caso de ser pego em flagrante, etc. A maneira mais comum e mais fácil de um governo competidor afetar, influir, ou destruir o outro, é construir um relacionamento especial com certos grupos de pessoas ambiciosas dentro do país-vítima. 

Por exemplo, foi revelado dia 01/07/2020, através de reportagem esclarecedora da Agência Pública, o envolvimento de agentes do FBI com os procuradores da Lava jato e a PF (Polícia Federal): ‘’O FBI E A LAVA JATO’’ https://apublica.org/2020/07/o-fbi-e-a-lava-jato/

“uma agente do FBI, que agia junto com os procuradores da Lava Jato, foi revelada por reportagem da Agência Pública e The Intercept Brasil. O nome é Leslie Rodrigues Backschies. Dois anos antes do Golpe Parlamentar de 2016, Leslie foi designada pelo FBI para ajudar nas investigações da Lava Jato. Em diálogos revelados, também mostram ilegalidades defendidas pelo procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba”. (CARTA CAMPINAS, 01/07/2020)

A atuação de Leslie no Brasil foi considerada “um trabalho tremendo” e “crítico para o FBI” pelos seus supervisores. Atualmente, Leslie comanda a Unidade de Corrupção Internacional do FBI em Miami aberta apenas para investigar casos de corrupção na América do Sul, o Miami International Corruption Squad.  (CARTA CAMPINAS, 01/07/2020)

Mas Leslie não atuou sozinha na Lava Jato. Em outubro de 2015, diz a reportagem, Leslie fez parte da comitiva de 18 agentes norte-americanos que foram a Curitiba se reunir com procuradores e advogados de delatores sem passar pelo Ministério da Justiça, órgão que deveria, segundo a lei, intermediar todas as matérias de assistência jurídica com os EUA, segundo revelaram Agência Pública e The Intercept Brasil. (CARTA CAMPINAS, 01/07/2020)

2) O QUE É O IMPERIALISMO E COMO ELE DESTRÓI A SOBERANIA DOS POVOS?

Segundo Vladimir Lenin, o “Imperialismo é a fase superior do Capitalismo’’, que por ele é definido como: ‘’Se fosse necessário dar uma definição o mais breve possível do imperialismo, dever-se-ia dizer que o imperialismo é a fase monopolista do capitalismo. Essa definição compreenderia o principal, pois, por um lado, o capital financeiro é o capital bancário de alguns grandes bancos monopolistas fundido com o capital das associações monopolistas de industriais, e, por outro lado, a partilha do mundo é a transição da política colonial que se estende sem obstáculos às regiões ainda não apropriadas por nenhuma potência capitalista para a política colonial de posse monopolista dos territórios do globo já inteiramente repartido.’’  (LENIN, 1984)

Mas as definições excessivamente breves, se bem que cômodas, pois contêm o principal, são insuficientes, já que é necessário extrair delas especialmente traços muito importantes do que é preciso definir. Por isso, sem esquecer o caráter condicional e relativo de todas as definições em geral, que nunca podem abranger, em todos os seus aspectos, as múltiplas relações de um fenômeno no seu completo desenvolvimento, convém dar uma definição do imperialismo que inclua os cinco traços fundamentais seguintes: 1) a concentração da produção e do capital levada a um grau tão elevado de desenvolvimento que criou os monopólios (e, na prática eliminou a livre concorrência, tão cara à classe burguesa.), os quais desempenham um papel decisivo, (tipo ditadura do capital) na vida econômica; 2) a fusão do capital bancário com o capital industrial e a criação, baseada nesse “capital financeiro” da oligarquia financeira; 3) a exportação de capitais, diferentemente da exportação de mercadorias, adquire uma importância particularmente grande; 4) a formação de associações internacionais monopolistas de capitalistas, que partilham o mundo entre si, e 5) o termo da partilha territorial do mundo entre as potências capitalistas mais importantes. O imperialismo é o capitalismo na fase de desenvolvimento em que ganhou corpo a dominação dos monopólios e do capital financeiro, adquiriu marcada importância a exportação de capitais, começou a partilha do mundo pelos trusts internacionais e terminou a partilha de toda a terra entre os países capitalistas mais importantes. (LENIN, 1984)

O Imperialismo destrói a soberania dos povos de diversas maneiras, entre elas podemos citar algumas, como:

1) O Imperialismo compra os políticos (e financia os partidos) de determinado país, para que esses agentes públicos tornem-se defensores dos interesses privados, e negligencie os interesses do povo. (Ex. O ex. presidente Fernando Henrique Cardoso [PSDB] e a Privataria Tucana que aconteceu na década de 1990. Um exemplo atual: O Senador Tasso Jereissati [PSDB] e a operação que está sendo feita para privatizar a água potável dos aquíferos e entregar o monopólio de uso para a Coca-Cola, igual fizeram nos países africanos.)

2) Infiltra agentes imperialistas dentro dos países, para que essas pessoas espionem e trabalhem para destruir as empresas públicas e os setores da economia que são concorrentes das empresas multinacionais de países capitalistas. (Ex. Operação Lava Jato e a destruição das empresas nacionais que detinham obras no mercado externo. Espionagem da Petrobras pelos EUA durante o governo Dilma Rousseff, antes do golpe de 2016)

3) Utiliza as ferramentas jurídicas de determinado país, comprando a burguesia local (Legisladores) para que as leis sejam mudadas, de forma que favoreça a privatização e a entrega de riquezas (empresas, indústrias, terras, etc..) e minerais preciosos (Nióbio) para os países Imperialistas. (Ex. Reforma da Previdência, Privatização da empresa Vale do Rio Doce)

4) Utiliza a Democracia burguesa como fachada de Democracia real, enganando a maioria da população, implantando uma ditadura do capital disfarçada, onde o povo sempre será lesado em seus direitos básicos e impedido de utilizar os recursos naturais (como água), além de outras riquezas de interesse privado sejam cooptadas (roubadas) pelos países imperialistas. (Ex. Dívida Pública, Roubo do Petróleo – Pré-Sal).

3) COMO O GOVERNO BOLSONARO É SUSTENTADO PELO IMPERIALISMO?

Os documentos oficiais que irão comprovar esse fato só serão divulgados para conhecimento público daqui há 20 ou 30 anos (quando a maioria dos envolvidos já tiverem morrido), como eles sempre fazem, mas na atualidade, existem inúmeras evidências que mostram como o (des)governo Bolsonaro é sustentado pelas forças do Imperialismo norte-americano que atuam dentro do Brasil, controlando e orientando as instituições públicas brasileiras (Polícias, Justiça, Tribunais, Partidos Políticos, etc..), para que se faça a defesa dos interesses econômicos dos EUA, e a pátria brasileira juntamente com o povo brasileiro sejam prejudicados e roubados.

Já deu para compreender que essas mesmas instituições citadas estão propositadamente cegas, surdas e mudas, quando o assunto é qualquer crime cometido por Bolsonaro e família, pois enquanto o (des)governo estiver dando lucros e entregando as riquezas nacionais a burguesia internacional norte-americana e ao governo dos EUA, qualquer crime poderá ser cometido pelo presidente fascista, que não resultará em sua queda pelo sistema.

Nos últimos dias tem sido veiculado na mídia independente, diversos tipos de reportagens que revelam essa prostituição governamental de forma muito clara e esclarecedora, para quem quiser ver, quem realmente está mexendo as cordas que movimentam o boneco de ventríloquo presidencial e as medidas tomadas pelo seu (des)governo.

A reportagem abaixo mostra a visita de um agente norte-americano ao TRF-4 em dezembro de 2019 (quando Bolsonaro já era presidente). O mesmo tribunal que condenou (em 24 de janeiro de 2018) o ex. presidente Lula sem provas, para que ele não pudesse se candidatar ao cargo de presidente da República, beneficiando desta forma a eleição fabricada de Bolsonaro. Lembre-se que o Juiz Gebran Neto na época afirmou: ‘’Não há necessidades de provas concretas, bastando indícios para confirmar a sentença condenatória.’’

Agora questione-se: Você acha que um agente da Embaixada norte-americana em Brasília, iria se deslocar até um tribunal de importância para o golpe, como foi o TRF-4 no Sul do país, se não houvesse interesses maiores por detrás desta visita? Ou você acredita na desculpa deles, dizendo que tem interesse em conhecer o funcionamento do Poder Judiciário brasileiro?

O presidente do TRF-4 (Juiz Thompson Flores) afirmou considerar importante que órgãos como a Embaixada dos EUA se aproximem da Justiça e dos tribunais brasileiros, o que, segundo ele, possibilita uma maior integração e articulação entre as instituições. (CONSULTOR JURÍDICO, 03/12/2019)

 Em outra reportagem da Agência Pública que saiu recentemente, mostra como os EUA estão infiltrados dentro do território brasileiro controlando as instituições para benefício próprio, e fazendo a evasão de divisas para o seu governo.

Com base na lei americana Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), o Departamento de Justiça investigou e puniu com multas bilionárias empresas brasileiras alvos da Lava Jato, entre elas a Petrobras e a Odebrecht. (AGÊNCIA PÚBLICA/THE INTERCEPT BRASIL, 02/07/2020) (VIANA, 2020)

A leitura que se faz desse parágrafo é: Com base na invasão dos EUA no Brasil, e controle das instituições brasileiras através do golpe de 2016, os EUA utilizou a sua lei, que não se aplica no Brasil, para multar empresas brasileiras competidoras comerciais no mercado econômico internacional, e roubar bilhões de dólares do governo brasileiro. Tudo isto com o aval positivo da operação Lava Jato, comandada pelos procuradores de Curitiba, ou devemos dizer: ‘’agentes do Imperialismo disfarçados de servidores públicos!’’

Agora questione-se: Os EUA condenam empresas brasileiras por suposta corrupção. E por acaso, a corrupção que as empresas norte-americanas praticam, poderão ser julgadas e condenadas pelo Departamento de Justiça do Brasil? Claro que não né meu povo! Nós fomos condenados e roubados, por que fomos invadidos e colonizados, por isso o invasor utiliza todo tipo de artífice ilegal para dilapidar toda a economia brasileira desde 2016. O documentário independente ‘’Destruição a Jato’’ (ver link abaixo, nas referências bibliográficas) mostra essa relação de destruição da economia brasileira pela Operação Lava Jato, de forma muito esclarecedora.

Outra reportagem muito importante que tem a ver com a recente votação e aprovação da privatização da água no Brasil. E adivinha quem está metido nesse meio? EUA, claro! Eles têm muitos interesses na privatização dos recursos naturais do Brasil. PRIVATIZAÇÃO = ROUBO DA NAÇÃO!

Tudo indica que os golpes desferidos na América Latina, com a coordenação geral dos EUA, têm também como fator motivador, os mananciais de água na Região. Em 2016, logo após o golpe no Brasil, o governo dos Estados Unidos iniciou negociação com o governo Macri sobre a instalação de bases militares na Argentina, uma em Ushuaia (Terra do Fogo) e outra localizada na Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai). Um dos objetivos na instalação destas bases, tudo indica, foi o Aquífero Guarani, maior reserva subterrânea de água doce do mundo. O Aquífero, localizado na parte sul da América do Sul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) coloca a região como detentora de 47% das reservas superficiais e subterrâneas de água do mundo. Os EUA sabem que não há nação que consiga manter-se dominante sem água potável em abundância, por isso seu interesse em intensificar o domínio político e militar na região, além do acesso à água existente em abundância no Canadá, garantida por acordos como o do NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte, entre EUA, Canadá e México). (DIÁLOGOS DO SUL, 18/12/2019) (CARDOSO, 2019)

A água potável vai ser entregue aos norte-americanos e o povo brasileiro vai sofrer na seca e morrer de sede. Lembrem disso, quando forem comprar aquela Coca Cola bem gelada, ‘’Made in USA’’. Isto vai sair muito caro para você que está lendo essa publicação, e talvez você nem possa pagar! Pense muito nisso. É a sua sobrevivência futura que está em jogo.

O Projeto de Lei 4162, de 2019 (https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/140534), que autoriza e obriga a privatização da água em todo o território nacional. Esse PL foi votado pelo Senado Federal em 24 de junho de 2020. A fotografia deste painel é importante para você ver e divulgar a frente o nome dos políticos e os partidos a serviço dos EUA, que votaram contra você e o seu direito ao acesso a água!

E para aqueles que ainda não visualizaram com os exemplos acima que revelam claramente que quem está à frente das decisões políticas no Brasil é o IMPERIALISMO e os EUA, fica uma prova visual definitiva da subserviência e falta de patriotismo dessa burguesia brasileira prostituída.

De fato, o mandatário atual da República em nenhum momento oculta do conhecimento público as verdadeiras forças que sustentam o seu (des)governo, assim como não se cansa de lamber as botas e as bolas daqueles que o mantém no poder.

4) A PERCEPÇÃO ERRÔNEA DAS REDES SOCIAIS

As redes sociais, infelizmente, não são redes de aprendizado, muito menos lugar preferido para o compartilhamento de informações verdadeiras e científicas. Ao contrário, as redes sociais são utilizadas pelos inimigos da classe trabalhadora contra o nosso povo.

Em grande parte, elas ajudam a desinformar, através da disseminação de noções falsas sobre a realidade brasileira. Com raras e felizes exceções, as redes sociais ajudam a fazer o esclarecimento e a divulgação de fatos verídicos e realmente importantes. Mas, no geral, essa ferramenta foi criada de forma pensada, para servir aos propósitos da classe dominante mundial, como redes auxiliares de desinformação que objetivam nos manter submissos à opinião disseminada pela mídia em geral, como por exemplo, a Rede Globo e outras Redes Golpistas de Televisão, que também possuem páginas nessas mesmas redes sociais.

Em função disso, nossas Redes Sociais, que deveriam ser lugar privilegiado de disseminação do conhecimento e da ciência, acabam sendo um amontoado de noções falsas que encobrem a realidade da situação brasileira, dificultando aos seus usuários, um pouco por comodismo, a procurarem (pesquisarem) o que se passa realmente, sendo comprovado pela Ciência.

Em consequência, somos iludidos, e acabamos por ser também disseminadores de falsas noções e percepções. E por ingenuidade, acabamos por aumentar o véu de nebulosidade que esconde a correta interpretação da realidade brasileira.

A enquete que fizemos na rede social Twitter provou na prática essa interpretação superficial que a grande maioria das pessoas estão tendo sobre a nossa realidade. O sistema faz de tudo para enganar, entorpecer, e ocultar os verdadeiros controladores que promovem a tragédia social em nosso país, desde que o Capitalismo foi implantado como Sistema Político e Econômico. Por que é de interesse dos grandes capitalistas, que a população seja vendada e bloqueada no conhecimento, de forma que não consiga visualizar os verdadeiros culpados, causadores de todas as explorações, e mazelas do nosso povo. Então, a população passa a visualizar enviesadamente os criminosos secundários que executam as ações, e não percebem quem são os principais criminosos, que se ocultam atrás do véu do próprio sistema.

Essa tática de engabelar o povo é fundamental para os controladores do Sistema Capitalista, pois eles sabem que a percepção errada do povo, fará com que a sua luta seja infrutífera e fracassada, por que não há como planejar e vencer um inimigo que não se conhece.

RESPOSTA CORRETA: IMPERIALISMO/EUA

A Burguesia local (que são os ricos, os donos dos meios de produção, os políticos profissionais, os latifundiários, os donos das mídias de comunicação, os quadros elevados da Justiça e das forças armadas, etc..) sempre fará o jogo dos imperialistas, pois é através desse jogo que ela (burguesia) obtém a sua riqueza, mais precisamente roubando o Estado (corrupção e sonegação de impostos) e explorando a mão de obra do povo.

Os Militares (forças armadas e forças coercitivas auxiliares) são o braço armado do Imperialismo, utilizados para atuar sempre contra a população, caso essas enxerguem a realidade e a verdade dos fatos, e se rebelem contra o sistema. As cúpulas das forças armadas são preenchidas sempre por militares oriundos da burguesia (da classe dominante), que usam as patentes mais baixas (soldados, sargentos, cabos, etc..) que fazem parte do povo, para agir coercitivamente (prender, torturar, matar) contra o próprio povo.

Então, dentro desta ótica, os golpes de Estado são aplicados pelos Militares (como em 1964) e pela Burguesia (como em 2016), com a compactuação dessas duas classes, sempre contra o povo, e sempre planejados e orientados (de fora) pelos interesses externos do Imperialismo e dos EUA.