quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

A Era do Humanismo Está Terminando

Achille Mbembe

 

“Outro longo e mortal jogo começou. O principal choque da primeira metade do século XXI não será entre religiões ou civilizações. Será entre a democracia liberal e o capitalismo neoliberal, entre o governo das finanças e o governo do povo, entre o humanismo e o niilismo”, escreve Achille Mbembe. E faz um alerta: “A crescente bifurcação entre a democracia e o capital é a nova ameaça para a civilização”.

 

O artigo foi publicado, originalmente, em inglês, no dia 22-12-2016, no sítio do Mail & Guardian, da África do Sul, sob o título “The age of humanism is ending” e traduzido para o espanhol e publicado por Contemporea filosofia, 31-12-2016. A tradução é de André Langer.

 

Eis o artigo:

 

Não há sinais de que 2017 seja muito diferente de 2016.

Sob a ocupação israelense por décadas, Gaza continuará a ser a maior prisão a céu aberto do mundo.

Nos Estados Unidos, o assassinato de negros pela polícia continuará ininterruptamente e mais centenas de milhares se juntarão aos que já estão alojados no complexo industrial-carcerário que foi instalado após a escravidão das plantações e as leis de Jim Crow.

 

A Europa continuará sua lenta descida ao autoritarismo liberal ou o que o teórico cultural Stuart Hall chamou de populismo autoritário. Apesar dos complexos acordos alcançados nos fóruns internacionais, a destruição ecológica da Terra continuará e a guerra contra o terror se converterá cada vez mais em uma guerra de extermínio entre as várias formas de niilismo.

 

As desigualdades continuarão a crescer em todo o mundo. Mas, longe de alimentar um ciclo renovado de lutas de classe, os conflitos sociais tomarão cada vez mais a forma de racismo, ultranacionalismo, sexismo, rivalidades étnicas e religiosas, xenofobia, homofobia e outras paixões mortais.

 

A difamação de virtudes como o cuidado, a compaixão e a generosidade vai de mãos dadas com a crença, especialmente entre os pobres, de que ganhar é a única coisa que importa e de que ganhar – por qualquer meio necessário – é, em última instância, a coisa certa.

 

Com o triunfo desta aproximação neodarwiniana para fazer história, o apartheid, sob diversas modulações, será restaurado como a nova velha norma. Sua restauração abrirá caminho para novos impulsos separatistas, para a construção de mais muros, para a militarização de mais fronteiras, para formas mortais de policiamento, para guerras mais assimétricas, para alianças quebradas e para inumeráveis divisões internas, inclusive em democracias estabelecidas.

 

Nenhuma das alternativas acima é acidental. Em qualquer caso, é um sintoma de mudanças estruturais, mudanças que se farão cada vez mais evidentes à medida que o novo século se desenrolar. O mundo como o conhecemos desde o final da Segunda Guerra Mundial, com os longos anos da descolonização, a Guerra Fria e a derrota do comunismo, esse mundo acabou.

 

Outro longo e mortal jogo começou. O principal choque da primeira metade do século XXI não será entre religiões ou civilizações. Será entre a democracia liberal e o capitalismo neoliberal, entre o governo das finanças e o governo do povo, entre o humanismo e o niilismo.

 

O capitalismo e a democracia liberal triunfaram sobre o fascismo em 1945 e sobre o comunismo no começo dos anos 1990 com a queda da União Soviética. Com a dissolução da União Soviética e o advento da globalização, seus destinos foram desenredados. A crescente bifurcação entre a democracia e o capital é a nova ameaça para a civilização.

 

Apoiado pelo poder tecnológico e militar, o capital financeiro conseguiu sua hegemonia sobre o mundo mediante a anexação do núcleo dos desejos humanos e, no processo, transformando-se ele mesmo na primeira teologia secular global. Combinando os atributos de uma tecnologia e uma religião, ela se baseava em dogmas inquestionáveis que as formas modernas de capitalismo compartilharam relutantemente com a democracia desde o período do pós-guerra – a liberdade individual, a competição no mercado e a regra da mercadoria e da propriedade, o culto à ciência, à tecnologia e à razão.

 

Cada um destes artigos de fé está sob ameaça. Em seu núcleo, a democracia liberal não é compatível com a lógica interna do capitalismo financeiro. É provável que o choque entre estas duas ideias e princípios seja o acontecimento mais significativo da paisagem política da primeira metade do século XXI, uma paisagem formada menos pela regra da razão do que pela liberação geral de paixões, emoções e afetos.

 

Nesta nova paisagem, o conhecimento será definido como conhecimento para o mercado. O próprio mercado será re-imaginado como o mecanismo principal para a validação da verdade. Como os mercados estão se transformam cada vez mais em estruturas e tecnologias algorítmicas, o único conhecimento útil será algorítmico. Em vez de pessoas com corpo, história e carne, inferências estatísticas serão tudo o que conta. As estatísticas e outros dados importantes serão derivados principalmente da computação. Como resultado da confusão de conhecimento, tecnologia e mercados, o desprezo se estenderá a qualquer pessoa que não tiver nada para vender.

 

A noção humanística e iluminista do sujeito racional capaz de deliberação e escolha será substituída pela do consumidor conscientemente deliberante e eleitor. Já em construção, um novo tipo de vontade humana triunfará. Este não será o indivíduo liberal que, não faz muito tempo, acreditamos que poderia ser o tema da democracia. O novo ser humano será constituído através e dentro das tecnologias digitais e dos meios computacionais.

 

A era computacional – a era do Facebook, Instagram, Twitter – é dominada pela ideia de que há quadros negros limpos no inconsciente. As formas dos novos meios não só levantaram a tampa que as eras culturais anteriores colocaram sobre o inconsciente, mas se converteram nas novas infraestruturas do inconsciente. Ontem, a sociabilidade humana consistia em manter os limites sobre o inconsciente. Pois produzir o social significava exercer vigilância sobre nós mesmos, ou delegar a autoridades específicas o direito de fazer cumprir tal vigilância. A isto se chamava de repressão.

 

A principal função da repressão era estabelecer as condições para a sublimação. Nem todos os desejos podem ser realizados. Nem tudo pode ser dito ou feito. A capacidade de limitar-se a si mesmo era a essência da própria liberdade e da liberdade de todos. Em parte graças às formas dos novos meios e à era pós-repressiva que desencadearam, o inconsciente pode agora vagar livremente. A sublimação já não é mais necessária. A linguagem se deslocou. O conteúdo está na forma e a forma está além, ou excedendo o conteúdo. Agora somos levados a acreditar que a mediação já não é necessária.

 

Isso explica a crescente posição anti-humanista que agora anda de mãos dadas com um desprezo geral pela democracia. Chamar esta fase da nossa história de fascista poderia ser enganoso, a menos que por fascismo estejamos nos referindo à normalização de um estado social da guerra. Tal estado seria em si mesmo um paradoxo, pois, em todo caso, a guerra leva à dissolução do social. No entanto, sob as condições do capitalismo neoliberal, a política se converterá em uma guerra mal sublimada. Esta será uma guerra de classe que nega sua própria natureza: uma guerra contra os pobres, uma guerra racial contra as minorias, uma guerra de gênero contra as mulheres, uma guerra religiosa contra os muçulmanos, uma guerra contra os deficientes.

 

O capitalismo neoliberal deixou em sua esteira uma multidão de sujeitos destruídos, muitos dos quais estão profundamente convencidos de que seu futuro imediato será uma exposição contínua à violência e à ameaça existencial. Eles anseiam genuinamente um retorno a certo sentimento de certeza – o sagrado, a hierarquia, a religião e a tradição. Eles acreditam que as nações se transformaram em algo como pântanos que necessitam ser drenados e que o mundo tal como é deve ser levado ao fim. Para que isto aconteça, tudo deve ser limpo. Eles estão convencidos de que só podem se salvar em uma luta violenta para restaurar sua masculinidade, cuja perda atribuem aos mais fracos dentre eles, aos fracos em que não querem se transformar.

 

Neste contexto, os empreendedores políticos de maior sucesso serão aqueles que falarem de maneira convincente aos perdedores, aos homens e mulheres destruídos pela globalização e pelas suas identidades arruinadas.

 

A política se converterá na luta de rua e a razão não importará. Nem os fatos. A política voltará a ser um assunto de sobrevivência brutal em um ambiente ultracompetitivo.

 

Sob tais condições, o futuro da política de massas de esquerda, progressista e orientada para o futuro, é muito incerto. Em um mundo centrado na objetivação de todos e de todo ser vivo em nome do lucro, a eliminação da política pelo capital é a ameaça real. A transformação da política em negócio coloca o risco da eliminação da própria possibilidade da política.

 

Se a civilização pode dar lugar a alguma forma de vida política, este é o problema do século XXI.

 

Fonte: Revista IHU On-line

MUNDO À DERIVA

Frei Betto

       Até meados do século XX, a mobilidade humana era muito restrita. As pessoas mantinham vínculos comunitários mais estreitos. Relacionavam-se, por toda a vida, com familiares, amigos, frequentadores da mesma igreja ou do mesmo clube. Se viagens ocorriam, eram periódicas, e quase nunca para lugares muito distantes dos limites da cidade. Avós, pais e irmãos moravam, quase todos, próximos uns dos outros. Isso reforçava os elos comunitários, a autoidentidade, o senso de agregação. Os laços de sangue falavam mais alto que o padrão de vida ou o nível de cultura.

       Tudo isso ruiu com a mobilidade geográfica facilitada pela pós-modernidade. O barco que conduzia o clã familiar congregado foi de encontro aos penhascos da sociedade consumista e se estilhaçou. Todos ficaram à deriva. 

       Hoje, nessa enorme gaiola de cimento e ferro, chamada prédio de apartamentos, o vizinho de porta nada sabe a respeito de quem mora ao lado. Estão todos condenados à perda de identidade, ao anonimato, à estranheza. Enquanto na “aldeia” os olhares eram de familiaridade e acolhimento, agora são de suspeita e medo. Como diria Sartre, o outro é, potencialmente, o inferno. Como preservar a autoestima se a pessoa não se sente estimada?

       Soma-se a isso um novo fator que agrava a ansiedade, a solidão, as atitudes narcísicas: a aldeia digital. Assim como as pessoas buscam grupos com os quais se identificam (clube, igreja, associação, núcleo cultural etc.), elas também se inserem em vários nichos internáuticos no esforço de se afirmarem socialmente. O ser humano não pode prescindir do olhar benfazejo do outro. Mas o espaço cibernético é substancialmente narcísico. A pessoa posta algo – mensagem, foto, meme etc. – como quem joga um peixe no lago cercado de pescadores. Ansiosa, quer saber quem fisgou a sua postagem, se interagiu e de que maneira. E mergulha no círculo vicioso da digitação constante.

       Se no espaço urbano, onde os laços familiares estão geograficamente distanciados, prevalece a desconfiança, no virtual isso se torna mais acentuado. Como no paradoxo do gato de Schrodinger, o outro com quem você se relaciona pode ser e pode não ser ele. E, como é natural, cada um busca ser reconhecido dentro daquela bolha. Quando alguém posta é também em busca de si mesmo. O smartphone funciona como um espelho, no qual bilhões esperam ver a sua imagem melhorada. E o retorno, muitas vezes, é a desconstrução de quem postou. Ninguém ingressa na arena de boxe para presenciar a luta, e sim para esmurrar o outro até que ele seja aniquilado. E isso é mais fácil quando o outro é um estranho. O outro, nessa arena virtual, é sempre um concorrente, e não um parceiro. 

       Daí a usina do ódio, das fake news, de tudo que faça um sobressair sobre os outros. A emoção prevalece sobre a razão. E a imposição sobre o diálogo. Não se procura ter parceiros e, sim, seguidores. Milhões de pequenos ditadores emitem a sua verdade sobre o mundo, ainda que seja uma clamorosa mentira, e assim fuzilam virtualmente todos que se lhe opõem. 

       Um exemplo dessa tendência de isolamento e agressividade é a crescente venda de veículos utilitários (SUVs), próprios para zonas rurais, nas classes altas de áreas urbanas. Além de não serem adequados para trafegarem na cidade, criam nos passageiros uma sensação de proteção e poder. Muitos adicionam à marca modelos com expressões típicas de conflito e belicismo: Defender (defensor), Raider (agressor), Crossfire (fogo cruzado), Tracker (perseguidor), Compass (renegado), Kicks (chutes).

       Convém escutar os sábios: “É chegado o momento, não temos mais o que esperar. Ouçamos o humano que habita em cada um de nós e clama pela nossa humanidade, pela nossa solidariedade, que teima em nos falar e nos fazer ver o outro que dá sentido e é a razão do nosso existir, sem o qual não somos e jamais seremos humanos na expressão da palavra” (Rubens Alves: “A Escutatória”).

Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros. 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

A nova Guerra Fria na América Latina

 Para aqueles que esqueceram, ou fingem terem esquecido, a participação dos EUA em 64 e o Golpe, acordo MEC-USAID, os assassinatos, os golpes militares na América do Sul e Central, as interferências nas eleições nacionais, o impeachment da Dilma, a prisão do Lula e os canalhas Moro e Bolsonaro. E, principalmente, para aqueles que placidamente, cantam a vitória em primeiro turno do Lula... a história não acabou. E como dizia Marx, quando a história se repete é como tragédia ou farsa.
Sérgio Mesquita
Obs: negritos no texto, são meus.

A NOVA GUERRA FRIA NA AL 

Carlos Cruz Mosqueira
Tradução: Cauê Seignemartin Ameni
 
Usando mais uma vez os argumentos da Guerra Fria, a mídia e os EUA tentam influenciar as próximas eleições em seu antigo "quintal", como disse Joe Biden recentemente. Mas a guinada à esquerda na Colômbia está se consolidando à medida que a candidatura de Gustavo Petro avança.
 
À medida que os Estados Unidos continuam a aumentar a pressão diplomática e militar sobre a Rússia e a China devido a uma suposta intromissão estrangeira no mundo todo, evidências na América Latina expõem o duplo jogo imperialista. Historicamente percebida pelos EUA como seu “quintal”, ou seu “quintal da frente”, como Joe Biden disse mais recentemente, a América Latina é agora uma peça de xadrez na “nova Guerra Fria”.
 
No início desta semana, membros influentes do Congresso dos EUA propuseram um novo projeto de lei intitulado “Lei de Segurança Estratégica do Hemisfério Ocidental”, com o objetivo de aumentar a cooperação militar com nações amigas da América Latina. Isso, de acordo com políticos dos EUA, ajudará a lidar com a ameaça de interferência chinesa e russa na região.
 
Mas enquanto a China e a Rússia estão de fato aprofundando as relações diplomáticas e comerciais em toda a América Latina, são os EUA cuja história de intromissão antidemocrática continua até o hoje em dia. Em um documento recente que circula na embaixada dos EUA em Bogotá, na Colômbia, são feitas promessas de doações de grande e pequena escala a organizações locais que promovam projetos alinhados com a postura política do governo dos EUA.
 
O aviso da embaixada afirma que eles financiarão grupos que apoiem os “objetivos estratégicos da embaixada” e que “aumentem… a afinidade com as políticas e prioridades dos EUA por meio de programação cultural e educacional estratégica na mídia e plataformas digitais”. O projeto de doação tem um orçamento anual de US$ 250.000, pouco menos de um bilhão de pesos colombianos.
 
Com as eleições parlamentares e presidenciais colombianas se aproximando e uma coalizão de esquerda liderando as pesquisas, não é surpresa que a superpotência ocidental esteja gastando muito. Os EUA têm mais poder de compra do que todos os partidos políticos do país e estão tentando garantir a lealdade política da população tradicionalmente ligada à direita que está em pleno declínio.
 
Esse esforço é, obviamente, apenas a tática mais recente usada pelos EUA para manter um governo aliado dentro de uma nação dominada pelo conflito. O governo dos EUA gastou bilhões ao longo das décadas cooperando com consecutivos governos violentos de direita.
 
Além do esforço para difundir uma afinidade com as posições políticas do governo dos EUA, a orientação da embaixada para financiamento também pretende priorizar candidatos com projetos empresariais que incluam “mulheres, afro-colombianos, venezuelanos em diáspora, comunidades indígenas, LGBTQ+ e outras comunidades vulneráveis”. Este esforço para “empoderar” comunidades negligenciadas e vulneráveis não é apenas hipócrita, considerando o importante papel dos EUA no fortalecimento das forças políticas que abandonam e oprimem essas comunidades; o financiamento dos EUA para organizações “civis” sempre veio junto com o financiamento de violentas autoridades militares e policiais.
 
Pesquisas mostram que o governo dos EUA (e da União Europeia) tem usado organizações civis na Colômbia para combater possíveis ameaças à ordem política e econômica estabelecida desde a década de 1990. Um programa, conhecido como Laboratórios da Paz, começou como um esforço de base para difundir o conflito nas regiões mais afetadas. Depois que dezenas de milhões de dólares foram canalizados por nações ocidentais, ficou conhecido como o “braço social” do Plano Colômbia uma operação militar apoiada pelos EUA conhecida por suas violentas táticas de contra insurgência.
 
Hoje, uma virada à esquerda na Colômbia, historicamente o aliado estratégico mais próximo dos EUA na região, representa uma ameaça ao domínio imperialista – mesmo quando o movimento é liderado pelo candidato de centro-esquerda Gustavo Petro, que tem evitado criticar abertamente os EUA. A ampla coalizão de esquerda que Petro lidera, Pacto Histórico, está atraindo as massas em todo o país e parece o provável vencedor nas eleições de maio, que podem marcar uma ruptura com mais de duzentos anos de hegemonia do partido liberal-conservador. E embora as figuras mais destacadas da coalizão pareçam radicais (e são retratadas como tal na mídia), suas propostas políticas são moderadas.
 
Petro dificilmente é um agente russo ou chinês ou representa uma ameaça “comunista” como dizem por aí. Influenciado e aconselhado por pensadores como Thomas Piketty, a ameaça de Petro à classe dominante da Colômbia e aos EUA é sua insistência em uma redistribuição modesta da vasta riqueza do país, muito distante do Castro-Chavista como a mídia corporativa apoiada pelos EUA o caracteriza.
 
A tentativa da embaixada de influenciar as próximas eleições na Colômbia é apenas a mais recente prova de que o imperialismo continua atuante na região. Em um momento em que o Ocidente clama tão vagamente por “intromissão” dos outros, não esqueçamos que foram os EUA que enviaram navios de guerra, ameaçaram invasão e forçaram a separação do Panamá da Colômbia. Os EUA também pressionaram o governo colombiano a enviar tropas para defender a United Fruit Company dos trabalhadores em greve, o que acabou instigando o massacre de milhares de pessoas na época. Os EUA aconselharam e depois treinaram os militares e paramilitares colombianos em suas violentas táticas de contra insurgência com legados que persistem até hoje e são os EUA e o Ocidente que, consistentemente, ao longo de décadas, apoiaram e defenderam um Estado nefasto para proteger sua economia e interesses geopolíticos no continente.
 
Sejamos claros. A batalha pela Colômbia, e pela América Latina de forma mais ampla, não é entre as superpotências mundiais, mas entre o governo dos EUA, as classes dominantes amigas de Washington e as massas oprimidas e exploradas que anseiam por mudanças: mudanças que não faça um país ser um quintal do outro, mas uma região independente capaz de ajudar a afastar o mundo do capitalismo neoliberal – um sistema que não fez nada por nós, e só leva a mais destruição e desgraça.
 
Sobre os autores
CARLOS CRUZ MOSQUERA
é doutorando e professor associado na Queen Mary, University of London. Ele é especialista em analisar o "poder civil" da União Europeia na América Latina e seu papel na manutenção do status quo neoliberal na região

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Direto ao ponto!

 Jamil Chade

Se Jair Bolsonaro causou constrangimento e indignação em sua participação na ONU, coube a uma mulher despontar como a antítese do presidente negacionista. Num discurso no mesmo púlpito que foi usado pelo brasileiro, a primeira-ministra de Barbados abandonou o texto que havia sido preparado por seu serviço diplomático e chacoalhou a Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Mia Amor Mottley subiu ao pódio, na sexta-feira, determinada a dizer o que líderes queriam evitar escutar. E imediatamente foi elevada a uma espécie de celebridade diplomática, com comentários de que, finalmente, o mundo tinha uma líder....

"Quem se levantará em nome de todos aqueles que morreram durante esta terrível pandemia? São milhões. Quem se levantará em nome de todos aqueles que morreram por causa da crise climática?", questionou.

"Quantas mais variantes do covid-19 devem chegar, quantas mais, antes que um plano de ação mundial de vacinação seja implementado"? disse Mottley. "Quantas mais mortes devem ocorrer antes que 1,7 bilhão de vacinas em excesso na posse dos países avançados do mundo sejam compartilhadas com aqueles que simplesmente não têm acesso?"

"Temos os meios para dar a cada criança deste planeta um comprimido. E temos os meios para dar a cada adulto uma vacina". E temos os meios para investir na proteção dos mais vulneráveis em nosso planeta contra uma mudança no clima. Mas optamos por não fazê-lo", disse a primeira-ministra. "Não é porque não temos o suficiente, é porque não temos a vontade de distribuir o que temos".

A primeira-ministra ainda atacou líderes que usam da mentira como instrumento de poder. Segundo ela, se o mundo ataca as plataformas para garantir o pagamento de impostos, é inconcebível que não se toque na questão da fake news.

A primeira-ministra também alertou para a falta de ação no campo ambiental. "Quantos mais aumentos globais de temperatura devem ocorrer antes de acabarmos com a queima de combustíveis fósseis? E quanto mais o nível do mar deve subir em pequenos estados insulares antes que aqueles que lucraram com o armazenamento de gases de efeito estufa contribuam para as perdas e danos que ocasionaram, em vez de nos pedir que excluamos o espaço fiscal que temos para o desenvolvimento para curar os danos causados pela ganância de outros"?

Ela ainda completou: "se conseguirmos encontrar a vontade de enviar pessoas à lua e resolver a calvície masculina, poderemos resolver problemas simples como deixar nosso povo comer a preços acessíveis"."

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

CURSO LINGUAGEM E EDUCAÇÃO: FORMAÇÃO POLÍTICA DO PROFESSOR E MEIOS DE COMUNICAÇÃO

 

Resumo estendido da Aula 2: Direitos Humanos, Democracia e Comunicação

 

Sérgio Luiz de Oliveira Mesquita*[1]

 

 

Resumo

A partir da influência dos meios de comunicação e das redes sociais, a Aula 2 provoca uma discussão sobre como o profissional da Educação deve se preparar, em especial aquele que frequenta a sala de aula, para não cair nas armadilhas da mídia, das redes sociais e do retorno do “macarthismo”[i]. Mas, a partir do dia a dia, como apresentado nos textos e falas de vários autores e pensadores disponibilizados na Aula. Saindo do “quadrado” dos conceitos pré-definidos, no caso Direitos Humanos, Democracia e Comunicação, priorizando a vivência do dia a dia, da interpretação dos fatos e seus “links” com os conceitos existentes. Desmontando as novas conceituações fabricadas na mídia e nas redes sociais, no interesse das grandes corporações imperialistas, o que nos leva ao questionamento: vivemos em uma democracia?

 

 

Resumen

A partir de la influencia de los medios y las redes sociales, la Clase 2 provoca una discusión sobre cómo deben prepararse los profesionales de la Educación, especialmente los que asisten al aula, para no caer en las trampas de los medios, las redes sociales y el regreso de “Mcarthismo”. Pero desde la vida cotidiana, como se presenta en los textos y discursos de varios autores y pensadores disponibles en el Aula. Saliendo del "cuadrado" de conceptos predefinidos, en el caso de Derechos Humanos, Democracia y Comunicación, priorizando la vivencia diaria, la interpretación de los hechos y sus "vínculos" con los conceptos existentes. Desmantelando los nuevos conceptos fabricados en los medios y redes sociales, en interés de las grandes corporaciones imperialistas, lo que nos lleva a la pregunta: ¿Vivimos en democracia?

 

 

 

Introdução

Erik Hobsbawm[ii], em seu livro “Globalização, Democracia e Terrorismo”, publicado em 2007, pela Editora Companhia das Letras, abre discussão sobre o conceito de democracia e as democracias de fato “instaladas” no dito mundo ocidental, citando como exemplo as democracias colombiana, africana do sul e a ucraniana. A Colômbia, o único país do Cone Sul, essencialmente democrático, com alguns espasmos de caudilhismo e militarismo, segundo o autor. Mas, o país com o maior número de mortes e população desalojada na segunda metade do século XX. A África do Sul era uma democracia que excluía do processo democrático a sua população negra, imensa maioria. A Ucrânia se democratiza ao custo da perda de 2/3 de seu PIB, empobrecendo sua população. Recentemente, a perda da Criméia como pais filiado a Rússia (plebiscito em 2014), levou o presidente Obama a apoiar os neonazistas eleitos na Ucrânia[iii]. A partir destes exemplos, Hobsbawm passa a questionar a democracia (conceitualmente) no sistema capitalista como um todo.

 

Através da percepção apresentada pelo Hobsbawm, podemos identificar uma série de outros pensadores/autores, que pensaram ou pensam as questões ligadas aos Direitos Humanos, à Comunicação e à Democracia, na mesma linha do Hobsbawm. A Aula 2 trabalha apresentando alguns textos nesta linha, com foco em autores como Erik Hobsbawm e José Saramago[iv]. Também foram incluídos Eduardo Galeano, Umberto Eco, Ariano Suassuna, Hannah Arendt, Papa Francisco, entre outros, que somados a uma lista de filmes e documentários, justificam o questionamento colocado. Trazendo para a realidade brasileira, arrisco o seguinte questionamento: vivemos em uma democracia?

 

Argumento

O sistema capitalista, através de seus tentáculos, em especial àqueles ligados à Mídia e às Redes Sociais, deturpa conceitos enraizados, provocando questionamentos ou mesmo a inversão destes conceitos, em prol dos interesses financeiros e políticos (nesta ordem) dos grandes conglomerados. Hoje, o sistema passa por mais uma crise, que o leva a uma nova transição, esta do capitalismo financeiro para o da vigilância, segundo Agabem[v], em seu polêmico artigo “A Invenção da Pandemia”. Principalmente após a ONU abrir discussão sobre a implantação do “chip” de identificação digital - ID2020[vi]. Os governos “democráticos” ou não perceberam com o surgimento da pandemia da COVID-19, a facilidade com que os “lockdows” “enclausuraram” milhões de pessoas. Que se “chipadas” com o ID2020, adaptado em Passaporte e Carteira de Saúde (nomeando os fabricantes das vacinas – guerra comercial/ideológica), poderia ser uma grande ferramenta de controle das massas e de localização de indivíduos. Uma das facetas da vigilância, a outra, é o “macartismo” e as consequentes desconfianças e delações. Pais e alunos denunciando e ameaçando professores/as.

 

No caso do Brasil, assistimos a um processo de destruição massiva em relação à Educação, em especial à Educação Pública. Cortes de verbas, mudanças nas Leis Trabalhistas, achatamento salarial, pressões políticas aplicadas diretamente aos educadores e gestores, enfim uma guerra aberta e direta, sem intermediários, a favor do sucateamento da Educação. O “mote” está na possível incapacidade dos/das educadores/as e das metodologias aplicadas, com discursos inclusive a favor do fechamento de escolas. Defendem o ensino em casa através de tutoria, como se a maioria dos estudantes fossem filhos de lordes e reis. Movimentos como o “Escola sem partido”[vii], sem qualquer fundamento teórico que o justifique para além do político, apresentam um crescimento massivo, de “gado” e criam problemas para o conjunto de professores/as, com certo “carinho” para com os da área de humanas. Reproduzem em pleno século XXI, práticas da Idade das Trevas, da Idade Média, renegando a ciência a favor de seitas religiosas, combatendo a vacinação em meio a pandemia e estão convencidos que a Terra é plana. É neste contexto que nossos mestres/as e amantes da educação, iniciam e terminam seu dia de labuta, de aprendizado e troca de conhecimentos, sendo atacados pela mídia, pelas redes sociais e por um governo obscuro e incompetente para com a coisa pública.

 

Por outro lado, o processo que no Brasil parece mais desumano e perverso, não é único. Vários países no mundo estão passando pelo mesmo. Forças nazifascistas reaparecem na ultradireita e passam a conquistar espaços na sociedade, cadeiras nos parlamentos e na presidência, como citado anteriormente.

 

Outro problema está no “vício” de sermos muito bons para fazer análise e identificar problemas, e só apresentarmos soluções paliativas, que não mexem na engrenagem causadora dos mesmos. Recentemente, a antropóloga Valéria Brandini[viii] expõe esta situação em palestra do “HackInverno”, realizado pelo grupo RenaSCidade[ix], com o tema “O Brasil tem Futuro?”. Valéria nos fala que antes de pensarmos o futuro devemos conhecer bem a nossa história para não ficarmos rediscutindo problemas há muito identificados e não resolvidos a contento. Apresenta exemplos como: no final do século XIX, discutiu-se o desemprego por conta das máquinas a vapor, hoje repetimos a mesma discussão por conta dos robôs e da Inteligência Artificial – a Tecnologia avançou, as soluções não; há oitenta anos a Escola de Frankfurt[x], no pré Segunda Guerra, discutia a atuação da mídia na formação de Estados Totalitários, hoje, discutimos o mesmo problema com a inclusão das redes sociais; nos anos cinquenta, nos EUA, e setenta no Brasil, discutia-se a má influência da tela da televisão nas crianças, hoje é a tela do celular. Discute-se que o ensino nas universidades deve mudar, mas parece que a “tradição” é mais forte... No geral não se apresentaram ou tentaram resolver as raízes dos problemas, trabalhou-se em suas consequências, não nas causas. Mais ou menos o que acontece na área da Saúde e os interesses das “big farms”[xi]. Trata-se os sintomas da doença, seus alertas, não suas causas. O sistema agradece, os negócios da Educação agradecem e a vida degrada.

 

Para esperançar

No mesmo “HackInverno”, citado anteriormente, o Prof. Dr. Lawrence Koo[xii], atualmente na PUC-SP, nos fala que o Brasil, com seus mais de 200 milhões de pessoas, tem tudo para ser um país líder em inovação. Hoje somos o segundo consumidor de inovação e estamos acima da sexagésima posição no “ranking” dos produtores de inovação. Historicamente uma Educação classificada como “bancária” e em processo de sucateamento. Mesmo assim, apesar de poucas pessoas com melhores condições de estudo e acesso à Universidade, criamos a EMBRAPA, a PETROBRAS e a EMBRAER, todas empresas líderes em seus ramos de atuação. Líderes nos negócios, mas, principalmente, na capacidade tecnológica e de inovação. Imaginem um Brasil, com muito mais pessoas desfrutando de uma Educação de qualidade, e com grande capacidade criativa – o brasileiro precisa ser estudado pela NASA, dito popular. De minha parte, incluo na lista do Prof. Lawrence a FIOCRUZ.

 

Em relação as universidades, existe um movimento, conhecido na UNICAMP como “Tecnociência”[xiii], onde cursos da área de “não humanas”, como burila o Prof. Dr. Renato Dagnino da UNICAMP, buscam a interdisciplinaridade com os cursos da área de “não exatas”. As Universidades Federais de Santa Maria-RS, Santa Catarina-SC, a Fluminense e a do Rio de Janeiro-RJ, a UNICAMP-SP e outras tantas, buscam a humanização de seus cursos e dos seus graduandos. Trazem para o interior de suas disciplinas o mundo real, as comunidades para além das áreas nobres. Uma estratégia que sofre ataques do sistema e da “tradição” da grade curricular. A insistência e resistência têm rendido bons resultados e avanços. Como exemplo, temos o curso de Medicina de Cuba, onde seus alunos passam parte de seu aprendizado nas comunidades e áreas rurais. Os exemplos acima poderiam ser muito bem adaptados aos cursos de formação de professores/as. Profissionais que, por essência são humanizados, não deveriam passar por resistências em relação à modificações nas grades dos cursos, mas elas existem.

 

Em relação ao Ensino Médio e Fundamental, a regra é a falência do ensino, as exceções são alguns municípios e estados com algum diferencial e algumas escolas municipais e estaduais também diferenciadas. Escolas comemoradas, premiadas, mas exceções a regra. Não faz parte do sistema uma educação pública, de qualidade e inclusiva. Basta ler as intervenções do atual Ministro de Educação para comprovar.

 

Maricá, no Estado do Rio de Janeiro, começa a despontar por conta de suas políticas sociais e a integração delas com a Educação, Esportes e o Trabalho. Mas mexer no currículo ainda é um tanto quanto tabu. O contraturno, por sua vez, está cada vez mais badalado e com resultados internos e externos importantes. Mas, por não estar incluso na grade, basta uma mudança de política e tudo pode se acabar.

 

Maricá, entre os vários projetos em execução, na minha opinião, o Mumbuca Futuro talvez seja o que mais vai de encontro a política da meritocracia e do individualismo, uma “ode” ao egoísmo. Crianças do Ensino Fundamental e Médio, por adesão, participam do projeto ligado à Secretaria de Direitos Humanos, que trabalha a Economia Solidária o Cooperativismo e a Solidariedade. Durante o curso, as crianças recebem cinquenta Mumbucas mensalmente (moeda social local, que só circula no Município), e a cada ano aprovado, mil Mumbucas depositadas em uma Caderneta de Poupança. Ao se formar no Ensino Médio, o agora adolescente tem a sua disposição uma verba para usar em seu curso universitário ou montar uma cooperativa. A essência do projeto pode ser resumida na vida em comunidade e solidária na busca da abundância. Na contramão do que prega o sistema capitalista é individual e depende da escassez para movimentar sua máquina. Outro projeto é o Novos Pesquisadores, da Ciência e Tecnologia em parceria com a Educação. Alunos/as do Fundamental (nono ano), do Ensino Médio e a Educação de Jovens e Adultos, com a orientação de um professor/a ou Orientador/a Pedagógico/a ou Educacional, escreve um artigo sobre o município. Os três primeiros lugares de cada segmento (Fundamental e Médio), professor e aluno, recebem a mesma premiação, um “Notebook” turbinado. Um projeto de incentivo à pesquisa e ao pertencimento. O Passaporte para o Futuro, onde a Prefeitura financia até 100% de bolsa para que o munícipe curse uma faculdade, tem por objetivo a crescimento local e da formação de mão de obra para o futuro Parque Tecnológico e projetos como o Porto de Jaconé e outros. A Secretaria de Esportes também investe em projetos na Educação, atingindo bons resultados, inclusive com premiações internacionais.

 

As possibilidades de resistências são muitas e diversificadas. Pessoalmente, cada educador/a ou munícipe pode “dar” a sua parcela de contribuição, independente de sua área de atuação. Alguma leitura ou busca no “Google” e similares, podem nos fornecer muita munição para o “combate” às “fake news” e a mídia corporativa. Não é uma luta entre iguais, mas de guerrilha, uma vez que os financiadores do “armamento” deles (mídia, robôs, etc.) não nos querem vitoriosos. Hobsbawm, Saramago e os demais pensadores, apresentados na Aula 2, nos fornecem a ideia e a munição para a quebra de seus argumentos, bem como da falta deles.

 

Conclusão

Apesar da situação atual ter nos levados a descobrir que, o fundo do poço possui níveis de subsolo, não podemos deixar de esperançar, como nos ensinou Paulo Freire. Digo que, para retornamos à situação de 2014, tamanho o estrago até o momento, deveremos levar no mínimo uns vinte anos, para sair do poço. Somente depois, começar a recuperar o tempo perdido. Mas se não começarmos...

 

A história já conhecemos, se vamos repeti-la é outro problema, ou farsa, como nos ensinou Marx[xiv]. Valéria Brandini nos ensina que devemos parar de só pensar no futuro. Se queremos melhorar a vida das próximas gerações, que começamos agora a arrumar a casa. Pegar o problema de hoje resolvê-lo hoje, se não, melhorá-lo para que a próxima geração de continuidade. Caso contrário, continuaremos a discutir os malefícios da tela, o desemprego pela tecnologia e o fortalecimento dos Estados Totalitários, mais e mais vezes. Quando falo a jovens, os aconselho a darem como resposta a frase “vocês são o futuro do Brasil”, uma bela “banana” e a fazer a pergunta: “qual a herança vocês estão nos deixando?” Pois sem herança, sem um rastilho de caminho, de direção, o futuro não passará de uma data que virou um presente, uma farsa.

 

Délcio Teobaldo[xv] nos indica uma das estratégias para o hoje, que gosto de incluir nos textos e ter como prática: “Transformar em imperdoável o que hoje é aceitável”. Por que o negro é traficante e bandido, e o “play boy” da Classe Média é usuário e comete desvio de conduta? Por que em plena pandemia temos bares abertos até a madrugada com música ao vivo? Porque temos que importar gasolina em dólar, se temos condição de produzir as nossa? Por que Educação deixou de ser investimento e virou bem de consumo?

Apresentar questionamentos como esses, sabermos as respostas e os porquês delas, é a guerra de guerrilha, é lançar sementes para o amanhã, deixar heranças para nossos filhos e netos. À Luta.

 

Há braços.

 

 

 



* Subsecretário, Secretaria de Educação de Maricá-RJ, slomesquita@gmail.com



[i] Macarthismo: Termo criado após aprovação de Lei anticomunista pelo senador dos EUA, Joseph McCarthy (1908-1957), durante a Guerra Fria. Passou a denominar atos e práticas de delações infundadas e perseguições políticas;

[ii] Eric Hobsbawm (1917-2012): autor de vários livros, entre eles Globalização, Democracia e Terrorismo;

[iii] Bandeira, Luiz Alberto Moniz. A Desordem Mundial – o espectro da total dominação. Rio de janeiro. Civilização Brasileira 2018 (5ª Edição). Cap 17, p 305;

[iv] José Saramago (1922-2010): escritor português ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1998;

[v] Giorgio Agabem, filósofo italiano estudioso do Estado de exceção;

[vi] ID2020 – Digital Identity Alliance: Consórcio Público Privado (ONG), que trabalha com a ONU na dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Busca a implantação de um “chip” de identidade em caráter mundial;

[vii] Escola sem Partido: movimento fundado em 2004, defende práticas macarthistas nas escolas, ataca Paulo Freire, patrono da Educação brasileira, defende o ensino em casa em detrimento da escola;

[viii] Valéria Brandini: Graduada em Ciências Sociais, modalidade Antropologia pela Universidade Estadual de Campinas (1995), Mestre em Ciências da Comunicação com ênfase em Publicidade e Propaganda, na Linha de Pesquisa Arte Publicitária e Produção Simbólica, pela Universidade de São Paulo (1998), com Bolsa FAPESP, Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo com Bolsa FAPESP em convênio com a Universitá La Sapienza (pesquisa realizada com bolsa de doutorado sanduíche da FAPESP) (2003). Pós Doutorada em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, (2013 - 2015). Pesquisadora do Grupo GESC3, Grupo de Estudos Semióticos em Comunicação, Cultura e Consumo, certificado pelo CNPq (2007);

[ix] RenaSCidade: Grupo criado em 2019, no HackTown de Santa Rita do Sapucaí-MG. Formado por um grupo de pessoas que adotam governança “holocrática” para repensar os modelos das cidades, criando e divulgando experiências e projetos.

[x] Escola de Frankfurt: Surgida após a Primeira Guerra foi uma escola de pensamento filosófico e sociológico, filiada ao Instituto de Pesquisa Social, que nasceu como um projeto de intelectuais vinculados à Universidade de Frankfurt, inovando na teoria marxista, sociológica e política;

[xi] “Big Farms”: Grandes indústrias e conglomerados da produção de remédios alopáticos, em sua maioria;

[xii] Laurende Koo: graduado em Engenharia Mecânica pelo ITA - Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1972), Mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (CAPES 5) - 2006, Doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (CAPES 5) - 2011, Pós-doutorado na ECA-USP no Programa de Pós-Doutorado Relações Públicas, Propaganda e Turismo - 2013, Pós-doutorando em Inteligência Artificial pelo Programa TIDD Tecnologia da Inteligência e Design Digital - PUCSP/SP, Pós-graduação Lato Sensu em Administração pela FGV/CEAG - 1978, Especialização em Marketing Analysis and Planning pelo The Wharton School -University of Pennsylvania – 1994;

[xiii] Seminário: Como incorporar a tecnociência solidária à política de inovação da Unicamp? Disponível em: <https://www.eco.unicamp.br/eventos/seminario-como-incorporar-a-tecnociencia-solidaria-a-politica-de-inovacao-da-unicamp>;

[xiv] Karl Marx (1818-1883): Sociólogo, Filósofo, Historiador e Economicista, autor do “O Capital” e a frase “A História acontece como tragédia e se repete como farsa”;

[xv] Delcio Teobaldo (1953 – 2021): mineiro de Ponte Nova radicado em Maricá, foi jornalista, escritor premiado, músico, roteirista, diretor de cinema e teatro premiado;

 

Referência Bibliográficas

 

AGUILLERA, Fernando Gómes. Palavras de Saramago. São Paulo: Companhia das Letras. 2010.

BANDEIRA, Luiz Alberto Muniz. A Desordem Mundial. São Paulo: Civilização Brasileira. 2016

HOBSBAWM, Eric. Globalização, Democracia e Terrorismo. São Paulo: Companhia das Letras. 2007.

MESQUITA Sérgio. Conjuntura Brasileira a partir de uma visão Freiriana. In Paulo Freire e as Fake News. São Paulo: Instituto Paulo Freire, 2019. p. 267.

BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. A Desordem Mundial – o espectro da total dominação. Rio de janeiro. Civilização Brasileira 2018 (5ª Edição).

 

 

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