terça-feira, 15 de abril de 2014

Uma análise de conjuntura acertada.


(Texto construído para o curso de Difusão Política-RJ da FPA)

Vou falar sobre Maricá e como foi traçada luta de mais de 20 anos até a chegada a Prefeitura e seu andamento hoje.

Desde tempos idos que se elegeu como o principal entrave, para o crescimento da cidade o monopólio da empresa de ônibus, Nsa. Sra. do Amparo. A empresa sempre teve na mão a política local. Independente do candidato que se elegesse, nada mudava para ela. Em segundo lugar, identificávamos o empresariado local que, por sua vez, também bebia nas águas da empresa de ônibus. 

Sempre nos colocamos, acertadamente, como a única força política – mesmo quando pequeninos – que poderia mudar esta história e colocar Maricá no mapa do Brasil. Decisão que nos custou muitos anos de luta e insistência na mesma tecla.

Em 2004 quase nos elegemos, em 2008 ganhamos e nos reelegemos agora em 2012. Foram vários os momentos ruins no primeiro mandato, a Prefeitura estava mais “pelada” que nossa Mata Atlântica. Dívidas para pagar, HDs “apagados” e muito mais. Assumimos literalmente a luz de vela o governo municipal. 

Mas mesmo com todos os problemas, a linha de atuação foi mantida, brigar pelo fim do monopólio do transporte e mudar e “elite” econômica da cidade. Ou seja, cortar o mal pela raiz. 

Mantida a linha, hoje, agora em maio, começam a rodar os primeiros ônibus da Empresa Municipal de Transporte Público, dotados de ar condicionado, Wi Fi, GPS, acessibilidade, circuito de TV e sistema de segurança, com transmissão “on line” para a central de controle. 

Em relação ao empresariado local, a Prefeitura investiu pesado – aproveitando a proximidade do COMPERJ – na “venda” do município para os empreendimentos afins com o complexo petrolífero. Inclusive participando Feiras de Negócios na Itália e França, o que redeu reuniões com os governos japonês e chinês para tratar da questão do transporte sobre trilho. 

Outras empresas de várias nacionalidades procuram o governo municipal para tratar de possíveis instalações em Maricá. Não só na área do Petróleo, mas também na área do turismo e lazer. 

Mas ao contrário do que acontece normalmente, as contrapartidas não são só por parte do governo, mas principalmente são cobradas pelo governo às empresas que aqui pretendem se instalar. Estas contrapartidas estão permitindo ao município, praticamente, ter pela primeira vez, coleta de esgoto, seu tratamento e futuro descarte no emissário submarino que também será construído.

Estes e muitos outros benefícios estão acontecendo, em consequência direta do que foi planejado há 20 anos pelo menos. 
O impacto da empresa municipal de transporte, que começará a rodar com passagens inferiores ao cobrado pelas privadas, mais a promessa de em quatro anos, a passagem ser gratuita, quebrou e muito o poder dos donos do monopólio (mas a luta continua acirrada). Somando-se aos ônibus, também estão planejados e em estado avançado de estudo, os transportes aquaviario e sobre trilhos.

Em relação à “elite” econômica, seu poder já quase não existe. As chegadas de novos empreendimentos e de lojas de varejos com nome no mercado estão fazendo com que muitos dos negociantes de Maricá passem a ver o governo com outros olhos e, aqueles mais contrários, estão ficando isolados, no limbo. 

Ainda temos muitos problemas e muito por fazer, mas o bom levantamento da conjuntura local, feita ainda no final da década de 80 e inicio da de 90 ajudou e muito na hora de decidir qual o rumo de nossa atuação no município. É claro que com o passar dos anos, houve mudanças nas estratégias, mas a linha central se manteve a mesma. O que nos deu força e credibilidade junto á população. 

Sofremos no poder o que todos sofrem. Mentiras e intrigas são criadas e/ou forjadas, mas nunca falaram que recebemos dinheiro da empresa de ônibus.

domingo, 6 de abril de 2014

Redução da idade penal

Discussão aças interessante esta da diminuição da idade penal para o menor no link: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/04/reducao-da-maioridade-penal-professora-rebate-senador-em-rede-nacional.html
Enquanto devemos à Educação e Saúde, os “cidadãos” que defenderam a ditadura, os assassinatos e torturas são os primeiros a quererem diminuir a idade penal. Por quê?
Em um evento “não muito interessante em um cemitério”, encontrei Vladimir Palmeira. Saudade “matada” iniciaram-se várias conversas e, em uma delas, Vladimir colocou que o país está envelhecendo, o número de jovens está diminuindo. Concordamos todos e, coloquei que apesar disso, falo para minha filha só pensar em filho quando estiver estabelecida profissionalmente – está na faculdade hoje. Vladimir rindo, me chamou de reacionário de direita, pois quem faz revolução são os jovens, velhos não vão para rua. Imediatamente lembrei-me de uma fala de meu sogro, hoje nos seus 80 e tal anos. Diz ele que sua geração se acovardou e ficou vendo a estudantada apanhando e morrendo na ditadura sem fazer nada.
Voltando ao texto da reportagem, quando a professora fala dos exames que alguns estados dos EUA fazem em menores para avaliar se possuem atitudes de adulto – ela discorda do método. Lembrei imediatamente do livro do Cid Benjamin, “Gracias a la Vida”, na parte que ele lembra o julgamento do César, seu irmão que também pegou em armas. Cesinha era menor de idade e não poderia ser julgado, muito menos por um Tribunal Militar, o que fazer? Chamaram um psiquiatra que atestou a idade mental de Cesinha como a de um homem de 35 anos. Cesinha foi julgado e condenado (já havia sido torturado).
Pergunto eu, não será essa luta pela diminuição da idade penal, mais uma manobra para que se mantenha o status quo da classe que ainda é dominante? As manifestações de junho do ano passado foram puxadas por jovens. Depois apropriada pelos fascistas e pelas mentiras das mídias. Mas foram os jovens que através da rede iniciaram o processo.
Aliás, isto me leva a outro assunto... o Marco Civil da Internet.

Assisti aos debates antes da aprovação e doía ver o “comunista” do Roberto Freire dizendo que teríamos uma internet “cubana” no Brasil. Ele só esqueceu que foi o Sarcosy na França e o Cameron na Inglaterra que defenderam a censura na rede, depois que tiveram que enfrentar manifestações. Esquece ele (esquece nada, ele sabe) que o Obama é que espiona as redes. Aliás a França e Alemanha estudam criar os datacenters europeus, para que os dados da Europa não passem mais pelos EUA. Já aqui, a desculpa para não fazermos o mesmo, era que iria encarecer o serviço para o usuário. Podemos conviver com a espionagem sem problema, principalmente se reduzirmos a idade penal para prender os jovens “terroristas” que se utilizam da Rede.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Fazer o obvio é buscar o Estado de Direito

De forma bem simplificada poderíamos dizer que política pode ser definida como o “como nos relacionamos com o entorno”. Tudo é política, até o fato de dizer-se não político. Mas como o ponto é a política na política, falemos sobre ela.
Relendo o bom e velho Maquiavel, entendo que ser político é simplesmente ser óbvio no trato das coisas e com as pessoas. Nosso problema é não entender que basta fazer o obvio. Mário Covas, aquele do PSDB, já dizia que as vezes, para se fazer a coisa certa, é preciso desagradar muita gente – sem entrar no mérito do que é certo para ele. Situação obvia, pois nunca agradaremos a todos. Daí os ensinamentos do Maquiavel, ser temido, mas justo.
Sempre falo que a maneira mais fácil de resolver qualquer situação, está na Ditadura. Basta a sua vontade e, quem não concordar vira carta fora do baralho. A democracia é difícil, dá trabalho, tem que engolir sapo, estar sorrindo e outras “coisitas”. Mas acredito ser a melhor maneira de se resolver e co-dirigir um governo, uma associação, etc. Um verdadeiro Estado de Direito, deve ser pautado na cooperação e no respeito entre os que estão no aparelho e os que mantêm este aparelho e/ou dependem dele.
Não podemos abrir mão da participação popular e devemos sempre provocar a mesma. A burocratização e o afastamento das bases, podem nos levar no máximo a sermos bons síndicos. Mas bons síndicos só administram bem o que já está estabelecido. Se nosso objetivo é transformar, devemos sempre trabalhar com um pé para além das fronteiras estabelecidas. Nosso dever é levar a fronteira para onde o pé está e, não manter o pé dentro da ordem. Manter o pé dentro é a mesma coisa de mudar para deixar como está.

Nosso governo hoje está sendo um ótimo síndico, mas acredito que a distribuição da renda deva ir além da distribuição pela distribuição. Corremos o risco de aumentar o voto da burguesia, uma vez que os que hoje estão ascendendo estão agradecidos, mas sonhando em fazer parte de uma classe superior e, para tal irão reproduzir o pensamento da mesma – tiro no pé. Por tanto, precisamos avançar para além da ordem estabelecida, vamos ganhar os corações como estamos fazendo, mas não podemos abrir mão das mentes. Como disse, democracia é difícil, mas sem ela nunca teremos um estado de “direito”, participativo.

domingo, 30 de março de 2014

Marco Civil da Internet... a discussão que não existiu

Marco Civil da Internet... a discussão que não existiu
Por ter trabalhado 30 anos na área de informática, em televisão (TVE-RJ, hoje TV Brasil) acompanhei de perto as discussões, falsa do lado da oposição raivosa e as respostas e os porquês da necessidade da aprovação do Marco.
O que não assisti, nem no Congresso, no dia da votação, foi o que para mim, salvo total equívoco meu, foi a exposição da real intenção da teles com fim da neutralidade; as intenções daqueles que defenderam as teles; e a torcida que a nossa “democrática” mídia, quietinha fazia pelo fim da neutralidade.
Acredito que a discussão do fim da neutralidade começa na fome por mais dinheiros das teles. Venderam o que tinham para vender, cobram o absurdo aqui no Brasil e, chegaram à encruzilhada: para manter o modelo atual, vão ter que investir mais na infraestrutura – está além da capacidade instalada. Para não precisar investir e aumentar os ganhos precisam do fim da neutralidade.
Acabando-se com neutralidade, iriam aumentar os preços dos pacotes, pois ali estaria embutida a prioridade de tráfego. Os mais ricos pagariam mais, sem reclamar e, teriam seus filmes, fotos e mensagens com mais “velocidade”. Os mais pobres ficariam restritos ao tráfego de textos. Com isso, sem gastar um centavo, arrecadariam mais. Fazendo um paralelo com o que acontece no Canal do Panamá: O navio de bananas, que não pagou pela prioridade de tráfego, só poderia atravessar o canal depois do navio de transporte de carros, que pagou. Sem o aumento  da capacidade do Canal, ganharam mais dinheiro. Exatamente a lógica das teles.
Já, políticos como Eduardo Cunha, possivelmente teria uma boa ajuda de custo em sua campanha. Ele e os que defenderam a “democracia” na Rede.
E nossa “democrática” mídia, que foi achincalhada recentemente, devido a exposição de suas mentiras, como aconteceu na questão das manifestações de junho/2013. Qual o interesse em manter as manchetes contra o Marco? Com o aumento dos custos dos serviços na “WEB”, as redes sociais teriam menos influência devido seu esvaziamento, Blogs e organizações como a MÍdia Ninja perderiam poder de penetração, o que reestabeleceria seu poder de influencia – não que o tivessem perdido – por ausência da contraposição.
A exemplo da AP 470, fomos tímidos e nos deixamos pautar pelo discurso “democrático” deles. Nenhum parlamentar levantou qualquer das questões acima. Pelo menos não os vi.
São vários os exemplos que poderíamos usar em contraposição: Freire, o ex-comunista, dizia que queríamos censurar a Internet. Transformá-la na Internet cubana ou do Irã. Ninguém ao defender o contrário, citou os exemplos dos governos inglês, francês e americano, que defenderam abertamente o controle da rede, em especial das redes sociais.
Quando se discutiu a questão dos datacenters no Brasil, ninguém falou que a Alemanha e a França, iniciaram discussão para criação dos datacenters da União Europeia, pois não querem mais seus dados passando pelos EUA.

É certo que nosso modelo de fazer política está esgotado, mas se não o querem mudar, que pelo menos não nos deixemos pautar por ele.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Neutralidade da Rede - Marco Civil da Internet

Vou tentar simplificar um pouco a questão da neutralidade da rede e tentar explicar àqueles que adoram reproduzir os discursos de nossa “democrática” mídia que vive da publicidade das teles e dos favores políticos. Por outro lado, nossas teles precisam de um mercado mais “livre” para ganhar mais. Então, junta-se as teles, os “comentaristas” de plantão de nossa mídia e a fome do PMDB e....pronto. O Marco Civil da Internet vira tentativa de censura do PT. Não acham estranho?
O Marco está muito além da neutralidade, mas porque a neutralidade é tão combatida? O bravo e valoroso Eduardo Cunha: “Não é que o projeto provoque prejuízo às Teles. O que está em jogo ai é que o projeto provoca uma necessidade de investimento maior para manter o nível de serviço igualitário, que acarretará, ao fim, no aumento do custo para o usuário”.
Mentira deslavada. O que está em jogo é a exclusão de uma parcela grande da população, com a melhora do serviço para aqueles 10% que concentram 90% da renda. Isto feito, as teles vão ganhar mais, sem precisar investir, nossos políticos não precisarão se preocupar tanto com as redes sociais e, nossa amada mídia, poderá mentir mais tranquilamente, sem medo das mídias alternativas da rede, que não terão dinheiro para se manter. Este é o viés político da manobra.
Ou seja... mudar para deixar tudo como está!
O que é a neutralidade.... By eu mesmo...rsrs
Minha vizinha maravilhosa tem uma conexão de 10MB. Eu, não tão maravilhoso e com menos dinheiro, tenho uma conexão de 2MB.
Ambos querem “baixar” o mesmo filme lá da China para nossos computadores. De acordo com a neutralidade que existe hoje – que querem acabar – nossos filmes chegarão juntos à portaria de nosso prédio. Como nossa conexão possuem velocidades diferentes (chamada de” última milha”), o filme chegará mais rápido no computador de minha maravilhosa vizinha. O meu irá demorar um pouco mais.
O que querem as teles... cobrar prioridades na rede. Ou seja... durante o percurso da China até nossa porta, por algum milagre, eu poder pagar por essa prioridade, meu filme chegará primeiro na portaria. Eu paguei mais caro tenho prioridade. Lembram do Eduardo Cunha... “(...)uma necessidade de investimento maior para manter o nível de serviço igualitário”(...). O termo “igualitário” dá urticária neles.
Qual a consequência do fim da neutralidade? Os 10% mais ricos, além de uma melhor “última milha”, terão toda a estrada a seu favor. A maioria dos 90% restantes não poderão desfrutar da estrada, pois não possuem “dindim” para tal. As teles vão ganhar mais dinheiro – para apoiarem o PMDB – sem qualquer investimento físico na rede. As teles mais ricas, os ricos mais felizes e que se dane o resto da população.
O pior problema é a consequência política. Os donos das mídias voltarão a ser os maiorais e a verdade será mais manipulada do que é hoje.

Te abraço.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Texto de provocação lido na palestra da FLIM em Maricá com o tema Regulamentação da Mídia x Censura

Chegamos em casa cansados do trabalho, em busca de um bom banho,  nos alimentar, um afago nas crianças, ver uma televisãozinha e descansar, para suar no dia seguinte, o pão nosso de cada dia.
Sentamos na cama ou sofá, esperamos o jornal das oito, que começa as nove, e nos indignamos a ponto de querer desligar a televisão. Mas a indignação é grande. O sangue até da uma esquentadinha e você murmura entre os dentes: “canalhas, cadeia para todos”. Acaba o jornal e você pode até tentar uma saliência para espairecer, com seu parceiro ou parceira. Se conseguir, melhor. Senão, é mais revolta ao ler nos jornais do dia seguinte as manchetes assistidas na noite anterior. “Bandidos” você pensa, ”na próxima eleição vão ver só”, continua pensando, até começar o batente.
O fluxo acima pode ser muito bem o seu, que nos escuta agora. Não adivinhamos. Este fluxo pode representar a maioria das pessoas que possuem algum “status”, algum dinheiro e são consideradas como Classe Média, Média Alta. Acham que o dia é curto, se matam no trabalho para, no final do mês, por compensação e não por dever cumprido, receberem um “dimdim” e continuar vendo e ouvindo, sem discutir o que os donos das mídias nos impõem.
Vamos apresentar em dois momentos distintos, com aproximadamente vinte anos de diferença, dois episódios, um político e outro policial, que demonstram bem a que pode levar a nossa “preguiça” de ler uma notícia inteira e, principalmente não busca-la em outras fontes de informação (outra mídia de viés político e/ou econômico distinto daquela que vemos todos os dias). Simplificando, transformar uma informação em conhecimento.
Em ordem decrescente de data, começaremos com a questão política bem atual. Vamos começar pela AP 470, conhecida como mensalão. Vamos citar a condenação do João Paulo Cunha e do Pizzolatto. Em seguida falaremos do episódio da Escola de Base, da cidade de São Paulo, evento ocorrido no ano de 1994.
Mensalão
Pizzolato foi condenado por ter facilitado o desvio de quase R$ 74 milhões considerados dinheiro público pelo STF e João Paulo de R$ X,x milhões.
Vamos ao Pizollatto:
·         Barbosa encaminha aos demais Ministros o Auto 2828, do Instituto Nacional de Criminalística, que investigou no Banco do Brasil, quem era responsável pela movimentação do dinheiro do Visanet (hoje Cielo), com “bilhetinho” dizendo tratar-se de um documento longo (43 páginas) e ele já havia lido e estava convencido da culpa do Pizolatto – Não sabemos quem mais leu o documento mas, o nome Pizolatto não é citado em nenhuma das páginas do documento;
·         Foram necessárias 767 NFs (mãe) e 2631 NFs (filhas) assinadas por um total de 57 funcionários do BB diferentes;
·         Todas as 767 NFs e suas filhas foram auditadas pela Simonaggio Perícias, empresa de auditoria muito utilizada nos tribunais nacionais;
·         Nenhumas destas NFs têm validade, sem que haja, no mínimo, três assinaturas atestando a transferência;
·         Somando-se o total de assinaturas por NF, chegamos ao total de 2631 assinaturas,
·         Nomes como o de Rogério Oliveira (PSDBXXXX) aparecem 541 vezes; Cláudio Vasconcelos 386, Roberto Messias em 279 NFs; Rosemere Souza em 229 e Pizolatto em 19 NFs, é o 20º colocado da lista. Assinaram mais NFs que ele, 19 outros funcionários do BB;
Somente Pizolatto foi acusado e condenado apesar dos inquéritos da Polícia Federal chegarem a conclusão que não houve mensalão (mais de 300 depoimentos). O dinheiro do Visanet nunca foi público e não houve formação de quadrilha. O delegado Zapronha foi punido por dizer em uma entrevista que a acusação de formação de quadrilha era motivo de piada dentro da Polícia Federal.
Alguém viu algumas destas informações estampadas na mídia escrita ou nas chamadas dos telejornais? Elas existem e constam dos Autos da AP 470, com número de folha e outros detalhes.
Deve ter sido por conta disso, de fazerem parte do processo, que o procurador Souza, que antecedeu Gurgel, ter pedido para o Barbosa não incluir na Ap 470 os laudos periciais enviados pelo delegado Zapronha. “Poderia confundir o público”, escreveu ele em mais um bilhetinho.
Agora como ficaria você, ao chegar em casa, depois de suar o pão do dia e ter acesso a discussão acima, ouvir os dois lados da contenta? Eu ficaria satisfeito pois poderia tirar as minhas conclusões a partir das informações disponibilizadas. O problema é que só temos um lado da moeda disponível. Isto é correto? É este o papel da mídia? Disponibilizar só o que lhes interessa?
Já no caso do João Paulo Cunha a situação é mais deprimente ainda. Todos conhecem o João Paulo.  Para o padrão dos deputados em Brasília é conhecido como o “pobretão” da turma. A exemplo de Genoíno, ainda mora no mesmo bairro operário, e sua modesta casa não pagaria a multa imposta no STF.
Barbosa condenou Cunha baseado em três situações:
1.       Relatório da Secretaria de Controle Interno – SECIN da Câmara comprova que houve desvio de verba para a SMP&B. Relatório feito preliminarmente por Alexis Souza, funcionário do Severino Cavalcanti (adversário político de Cunha) que seria nomeado para a SECIN;
2.       Relatório da Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União comprovou a existência de desvio por parte de João Paulo;
3.       Peritos do instituto Nacional de Criminalística da PF foram unânimes em apontar o desvio.
Por conta destes pontos, Cunha foi incluído no processo da AP 470.
Agora vejamos o que apontam os relatórios que basearam Barbosa e seus pares a condenarem Cunha:
1.       Alexis Souza nunca tomou posse na SECIN por conta da renúncia do Severino Cavalcanti, fugindo da cassação. Aldo Rabelo assume a presidência da Câmara e a pedido de João Paulo, inicia uma auditoria. Esta auditoria passa por oito comissões de sindicância da Câmara e, em fevereiro de 2010, chega à conclusão de que não existia qualquer indício de desvio de verba. Porém, Barbosa já havia incluído João Paulo na AP 470, antes da conclusão da citada auditoria;
2.       Uma turma de inspeção de uma das secretarias de Controle Externo do TCU visitou a Câmara entre 25/07 e 3/08 e trabalhou em cima do relatório de Alexis, mesmo ele não tendo nenhum valor legal. A 3ª Secretaria de Controle Externo do TCU recebe o relatório para análise e conclui em 2008, quando o acórdão do pleno foi publicado, considerando o contrato regular e sem indícios de desvio de verba;
3.       Este é o ponto mais escabroso. Souza, procurador que antecedeu Gurgel, envia ofício à Barbosa pedindo que os Autos periciais enviados pelo delegado da PF Zapronha não fossem incluídos na AP 470, pois poderiam causar confusão ao público. Na realidade, Zapronha participou da investigação desde a CPI do Correio até o fim do mensalão. Foi ele quem pediu todas as perícias ao INC e, todas as perícias apontaram para a NÃO formação de quadrilha, para a inexistência de desvio de dinheiro público, inocentava Dirceu, João Paulo e Genoíno e atestava como verdadeiro o empréstimo realizado pelo PT junto aos bancos Rural e BMG. Ou seja, toda a tese usada para a confirmação de existência do mensalão e para a formação de quadrilha e a consequente condenação dos “réus” são falsas.
Agora respondam, lá fundo de suas consciências, se ao longo de 2002, quando Jeferson inventa o termo mensalão (nos depoimentos na PF ele falava que era caixa 2) até os dias de hoje, 2013 alguém ouviu ouviu alguma manchete ou canto de página com o exposto acima? Alguém já se perguntou o porquê das Organizações Globo não questionarem ou negarem os valores recebidos por eles através da SMP&B? Porque a Visanet, hoje Cielo, nunca abriu processo para reaver o dinheiro desviado de suas contas?
Agora retornemos ao ano de 1994 e vamos ao caso da Escola Base
Um grupo de mães procura a polícia e denuncia que os donos e funcionários da Escola de Base drogavam as crianças e depois abusavam sexualmente delas. Delegado responsável ouve as denúncias e antes mesmo de investigar, chama a mídia e solta a bomba. A mídia, por sua vez, a exemplo do delegado, não ouve ninguém e solta as manchetes bombásticas:
·         Kombi era motel na escolinha do sexo;
·         Perua escolar levava crianças para orgia.
Donos da escola e alguns funcionários são presos, seus rostos estampados nacionalmente e suas casas e a escola são depredadas pela população indignada enquanto encontravam-se presos.
Passado o tempo, chega-se a conclusão de que não foi nada daquilo. O laudo do IML , não conclusivo diz que pode ter havido ato sexual com o menino examinado ou, pode ser por diarreia aguda as fissuras encontradas. Aí, a mãe do menino lembra que ele tinha tido uma diarreia forte na época.
Rede Globo é condenada a pagar R$ 1,35 milhões de indenização aos envolvidos. Grupo Folha, o Estadão e a Isto É, também foram condenados e todos recorreram ao STF que até hoje, quase vinte anos depois, ainda não julgaram o caso.
Agora imagine você passando por uma situação dessas? Casa destruída, emprego no lixo e todos virando a cara para você. Mas digamos que você tenha sorte e seja inocentado como foram os “réus” da Escola Base. Porque, até hoje não recebeu nada e porque até hoje a mídia se omite? É justo? Ou isso só acontece com o vizinho e nunca acontecerá com você?
Dois episódios diferentes que demonstram o mesmo comportamento covarde. Um político, não interessa os fatos, interessa somente o que lhes proporcionará atingir o fim pretendido, seus objetivos políticos. No outro, a falta de notícias que motivassem manchetes rentáveis, o dinheiro pelo dinheiro e somente por ele. Por conta da ganância por mais lucro, nada é medido, vale tudo.

Na questão política, vemos a mesma prática desde os anos cinquenta, quando Getúlio comete suicídio para impedir o Golpe, o que era incentivado pelos mesmos jornais e posteriormente pela televisão de hoje. Repetiram a dose em 64, na campanha das Diretas Já, na eleição do Collor, FHC e o desmantelamento do estado e, hoje, com o mensalão.  Diferente, somente o que aprenderam após o processo da Escola de Base. Hoje, todas as manchetes e chamadas televisivas iniciam com os termos, “supostamente”, “possivelmente” e outros “mentes”, pois sempre mentem ou manipulam a informação.

Porque não quero renovação no PT: uma rápida resposta a Benedita da Silva

Ontem assisti ao debate entre os candidatos do PT à direção do Diretório Estadual em Niterói. Ouvi excelentes explanações.
Na fala final dos candidatos, chamou-me a atenção a da Benedita, onde ela pergunta o que é renovação e afirma que renovação não passa pela idade do candidato. Concordo com ela, renovação independe da idade. Aliás, tanto a renovação como a inovação independe da idade. O problema está no como e no que renovar?
Na Convenção de 94, disputaram a indicação a candidato a governador Vladimir Palmeira e Milton Temer. A corrente da Benedita esvaziou a Convenção, pois queriam o Bittar mas não queriam a disputa interna. Anularam o pleito e na nova convenção deu Bittar. Bittar terminou em quarto lugar, atrás do Cel. Newton Cruz. O povo do Rio teve que engolir Marcelo Alencar.
Em 96, Chico Alencar disputou a Prefeitura do Rio. Novamente a corrente da Benedita ia para a televisão, inclusive com a participação do Lula, pedir que Chico renunciasse em favor do Miro Teixeira (PDT). Chico não foi para o segundo turno com Cesar Maia por 60.000 votos. Segundo Léo Lince, “um beicinho de pulga”. Após as eleições, Lula veio ao Rio pedir desculpas ao povo, pois entregou a Cesar o governo da cidade do Rio por um longo período.
Em 98, Vladimir ganha a convenção e sai candidato ao governo do Rio, novamente a corrente de dona Benedita, desta vez sem qualquer pudor, impõe o apoio ao Garotinho cassando a candidatura do Vladimir. O povo do Rio teve de amargar Garotinho e sua esposa revezando-se no governo do Rio e, Lula RENOVOU suas desculpas ao povo.
De lá para cá, simplesmente não disputamos mais o governo do Rio e nem a Prefeitura. Tivemos candidatos, mas o partido já estava enfraquecido interna e externamente. Hoje, temos vergonha de RENOVAR as desculpas depois do que está acontecendo na prefeitura do Rio e no governo do estado.

Não desejo renovar e nem inovar, quero é RESGATAR o partido para não precisar renovar outro novo pedido de desculpas. E o candidato que tem as condições de RESGATAR o PT, chama-se Washington Quaquá.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

CULTURA

Ela que transforma, forma e encanta
Por Kelly Kristiny Lima

Do que se faz cultura? Uma pergunta pertinente, que intriga a humanidade. Alguns, simplesmente reproduzem o famoso senso comum, o viver em sociedade. Outros irão responder que cultura não se faz para atingir o outro, mas sim para transformar o modo de ver, ouvir e pensar. Boas respostas, mas não as únicas, na realidade nenhuma que possa condizer com o que realmente é. Cá pra nós, a cultura se faz de muito mais que apenas transformar o cotidiano e o ser humano, muito mais do que ser o cotidiano.
A Casa de Cultura de Maricá não poderia ter outro sentido que não o de exalar cultura, desde sua história até seus momentos vividos na atualidade. São formigas de tamanho gigante que transbordam pela entrada da antiga cadeia municipal, até um improviso musical, porém mágico, que surge de uma simples conversa de apresentação, arrisco dizer, não mais que profissional. Porém, me iludo dizer não mais. Claro, uma apresentação profissional, mas que trouxe consigo o jovem Vander Linhares, munido de sua rabeca, uma proposta de cultura não intencionada. Sim, em poucos minutos a atmosfera da pequena sala, onde trabalham funcionários da Secretaria de Cultura, se transformou! O clima de conversa descontraída ficou mais leve do que sempre esteve e se tornou suave ao som da rabeca pairando no ar. Mell Meirelles não se permitiu só olhar a cultura que transbordava de todos que ali se encontravam, avistou um “tam-tam” e o ativou ao pousar suas mãos sobe o couro que o reveste. Logo invadia nossos ouvidos o famoso forró Asa Branca. Ah! Quanta cultura ingerimos, respiramos, absorvemos nesse ambiente!
Os trabalhadores desta Secretaria estavam fazendo cultura! Não mais que o dever da equipe e deste prédio. Transformaram uma simples “entrevista profissional” num momento que exalava o espírito dos trabalhadores que se unem todos os dias para transformar, o que já dizia Délcio Teobaldo, “é ventos” em CULTURA!
Arrisco palpitar que cultura, é isso! É o ser, ver, transformar, encantar, compreender, sentir, doar, o que temos, sabemos, somos, vivemos e aprendemos nessa vida!
 Como escrever sobre a Casa de Cultura e nosso papel em Maricá e no mundo, depois do belo texto escrito acima? Escrito a partir da emoção de mais um dia de trabalho, por uma fazedora de Cultura.
Cultura é emoção. E é com emoção que devem trabalhar aqueles que pensam e vivem a Cultura. Não fazer para si, mas para o próximo, para além das fronteiras da Casa, para além do Município, para o Mundo.
A Cultura nasce nos recantos, nas mãos dos mais humildes e dos mais abastados.
Do mesmo jeito que lutamos para que não desapareça, resista em seu nascedouro, seu recanto, devemos apresenta-la ao mundo e recebe-la do mundo. Não sejamos egoístas e nem egocentristas. Fazer, viver, transformar a Cultura é fazê-la viva para o mundo. Este é o papel da Casa de Cultura. Esta é nossa sina.
Sérgio Mesquita
Secretário de Cultura de Maricá

domingo, 5 de maio de 2013

texto sobre o encerramento do Projeto da Secretaria de Cultura de Maricá: Golpe de 64: A história que não foi contada

GOLPE DE 64: A história que não foi contada

Depois de três cancelamentos fechamos o Projeto com o excelente show multimídia na Praça Orlando Rangel neste 1º de maio. Aconteceram alguns problemas de iluminação e som por conta da decisão de realizarmos em cima da hora o show, em um evento patrocinado pela Secretaria do Trabalho, ossos do ofício. Só podemos agradecer a oportunidade que nos deu a Secretaria do Trabalho e o apoio das Secretarias de Turismo, Educação e Direitos Humanos.

Foram cinco filmes com palestras e debates com a plateia, uma Batalha de MC`s, o Dia Internacional da Poesia e o show de encerrando o Projeto. Uma verdadeira aula sobre o período negro de nossa recente história.

O objetivo foi o de resgatar nossos verdadeiros heróis e apresentar para as gerações que não viveram aqueles momentos de terror (80 para cá), como aconteceu e as estratégias aplicadas para o sucesso do Golpe: o desmantelamento da Educação e a concentração dos meios de comunicação na nas mãos das famílias que apoiaram o Golpe. Tínhamos o dever de denunciar estas estratégias, pois elas são as mesmas utilizadas até hoje.

Muito timidamente conseguimos alguns avanços na questão da Educação, notadamente nos últimos 10 anos. Na questão da mídia a situação só não é pior por conta do advento da Internet que permite um contraponto à mídia “democrática”, mais com alcance limitado e com riscos de ser abafado por conta das propostas de controle pelo Estado (França, Inglaterra, EUA e outros),que em nome da segurança querem o controle total da Internet e nos calar mais.

Hoje praticamente só temos a Internet para denunciar as mesmas manipulações que aconteceram em 1954 (contra Getúlio) e 1964 (contra Jango). A mesma fórmula. Mentiras, ocultação do que não é de interesse e desvirtuação dos fatos, são práticas comuns nas grandes redes de televisão e mídia impressa. Verdades viram mentiras e mentiras viram verdades. Condena-se e inocenta-se com a mesma desfaçatez e cinismo, e preparam um novo Golpe nos dias de hoje. Não existe “interesse em acabar a corrupção” existe o interesse de retomar o poder. Não pelas elites – não os são, mais pelas classes que ainda dominam o país e não admitem a distribuição do que acreditam serem “suas” rendas.

Na realidade não são as questões religiosas, de liberdade ou não, que movem o mundo para as guerras de “libertação”. Foram e sempre serão lutas pelo capital e sua concentração. O bem contra o mal se traduz em mais dinheiro no bolso a qualquer custo.

Por isso fizemos questão de realizar este projeto pela Casa de Cultura e pretendemos fazer muito mais. Como cita Raul Castro: “devagar mais sem pausa”.

No mais só posso agradecer a equipe de colaboradores da Cultura e aos nossos amigos que incentivaram, criaram e discutiram o show em sua forma e conteúdo e, claro, ao nosso Governo Municipal.

Sobre a matéria "O flagelo silencioso"

Sobre o texto publicado em: http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed743_o_flagelo_silencioso


Após mais de 29 anos trabalhando na TVE-RJ e depois TV Brasil (através da OS – ACERP) posso arriscar alguma opinião sobre o assunto.
Durante o estudo de criação da EBC, foi colocado para os responsáveis do mesmo, a importância da não criação de uma Empresa de direito público, pois seria o retorno a um passado triste da TVE-RJ que foi de direito privado, passou para público, retornou ao privado (como OS) e, com a criação da EBC simplesmente deixaria de existir sendo substituída por uma televisão de direito público (TV Brasil).
Explicando o imbróglio de direito “público e privado”: por ser um meio de comunicação, os impactos tecnológicos são enormes e, se para cada atualização de seu parque for necessário licitação, irá correr sempre atrás do rabo. Outro ponto de igual importância está no seu quadro profissional. A dinâmica, o salário do mercado e atualização profissional, infelizmente está além do Concurso Público. Não estou defendendo terceirização de mão de obra como muito acontece principalmente nas OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Uma Organização Social está mais para Cooperativa de Produção do que prestação de serviço - Mal comparando. Somam-se a isso as fiscalizações que as OSs sofrem como se pública fossem, pois também recebem dinheiro público (Contratos de Gestão).
O fato é que a EBC foi criada e ainda patina por conta das dificuldades geradas por seu modelo jurídico. Quer e deve se “livrar” da ACERP (OS que cuidava da TVE-RJ e da Rádio MEC), mas não pode (ainda) abrir mão da mesma. Infelizmente deve acontecer com a EBC o que aconteceu com a TVE. Vai se descolar do mercado profissional e tecnológico, apesar de seu atual quadro de profissionais ser composto por gente atualizada. Porém dificilmente conseguirá manter seus melhores profissionais, como vem ocorrendo.
No meu ver, a atual direção não tem tanta responsabilidade assim no processo, pois está além de sua vontade, mas como alguns que lá estão defenderam o modelo atual, com certeza amargam pela decisão tomada lá trás.
Por ser uma empresa “política” talvez não esteja se posicionando como devia em relação ao tema. Uma empresa de comunicação pública deveria ser a primeira a gritar contra o processo de privatização do espectro público. Nos EUA a PBS, televisão pública, foi a única a noticiar a derrota do Bush filho, enquanto as privadas saudavam sua reeleição. Qual a diferença entre os modelos?
Defendi a EBC como uma empresa ou agência reguladora, mas como o modelo destas agências são o de privilegiar o privado em detrimento ao público, não sei se resolveria. O fato é que ainda estamos nas mãos das seis famílias detentoras do monopólio da comunicação e, caminhamos para o fim da neutralidade da Internet com o apoio da ANATEL. Nosso governo deveria enxergar estes movimentos e ter um posicionamento mais claro sobre o assunto.

quarta-feira, 13 de março de 2013

JUSTIFICATIVA DO PROJETO "GOLPE DE 64 A HISTÓRIA QUE NÃO FOI CONTADA" PARA SECRETARIA DE CULTURA DE MARICÁ



A Luta de Classes continua acirrada no mundo e em especial no Brasil. Apesar de todos os avanços nas políticas públicas, obtidas nestes últimos 10 anos, continuamos sofrendo do mesmo mal que, na década de 60, permitiu o acontecimento do Golpe de 64 -  O domínio dos meios de comunicação nas mãos de 6 famílias.
Estas famílias, que em nome da liberdade de expressão, manipulam os fatos, não permitem e não desejam que o povo brasileiro seja autossuficiente e muito menos que, este mesmo povo possa se governar. Constroem as imagens de seus interesses e tentam desconstruir as que não são de seus interesses. Fabricam mentiras e escondem a verdade.
Esta realidade pode ser confirmada nos últimos 50 anos, analisando-se quatro grandes episódios de nossa recente história: O Golpe Militar de 64, a Campanha pelas Diretas, a eleição do Collor e hoje o Mensalão. Basta uma rápida análise, mesmo que superficial, para encontrarmos um denominador em comum – Em todos os casos, a mídia trabalhou e continua trabalhando contra o povo e sua autodeterminação. Deturpam a notícia em favor de da acumulação do capital.
Este processo se mantém forte, muito devido à estratégia dos militares golpistas que investiram no desmantelamento da Educação. As gerações que se seguiram aos anos 60 e 70, aos poucos foram sendo “desmemorializadas” e transformadas em “apertadores de parafusos”, a chamada “geração Coca-Cola”. Somente uma pequena parte da população conseguiu algum tipo de Educação e mesmo essa parte, sem saber como pensar e construir alternativas para a sociedade como um todo.
A esquerda por sua vez, ainda não consegue se contrapor por ter adotado uma política de bom comportamento, assumindo em algumas situações discursos antes negados. Vê-se em uma encruzilhada. Retoma, com as devidas atualizações, a Luta de Classe e se vê taxada de “dinossauro” pela mídia ou, em nome da modernidade, quase se entrega ao discurso oficial, estampado nas primeiras páginas dos jornais como O Globo, Estadão, Folha e outras publicações de caráter reacionário.
O presente Projeto tem por objetivo resgatar o outro lado da história. A história daqueles que lutaram contra a opressão e os assassinatos que se seguiram por duas décadas de Ditadura.
Contrapor-se ao discurso oficial e desnudar o outro lado da história, faz parte da luta de um Governo socialista que busca a igualdade e justiça para o conjunto de sua população. É dever da Secretaria de Cultura não só apoiar como também participar ativamente desta luta de resgate da memória de um período também conhecido como os “anos de chumbo”. O presente Projeto se encaixa bem neste perfil quando utilizando-se de várias mídias, resgata os fatos históricos e os expõe para discussão a partir de uma visão crítica. É a informação transformada em conhecimento.

terça-feira, 22 de março de 2011

OBAMA, DEMOCRACIA E VISITA AO BRASIL

Há pouco, escrevi um texto baseado no posicionamento de um dos grandes nomes da intelectualidade mundial, Eric Hobsbawm (sergiomesquita.blogspot.com – Eleição como alegoria). Ele coloca que as eleições hoje não passam de meras formalidades, uma festa. Justifica sua linha de pensamento através do processo de privatização do estado, que domina a linha de pensamento liberal de nossas democracias. O que isso tem haver com Obama e sua visita?

Obama foi eleito nos EUA como “o cara” que levantaria a economia nacional e “pacificaria” o mundo, por ser o oposto de seu antecessor. O negro que humanizaria o sistema de Saúde. Passada a festa, não mudou nada, tem um Congresso retrógrado (bem ao estilo da moral americana), popularidade em baixa e já se envolveu em sua primeira guerra em nome da democracia e, a Saúde, continua a mesma.

Em relação ao Brasil, ao contrário do que pensam aqueles que continuam com Lula atravessado na garganta, sua visita não foi por que Dilma tem estilo diferente ou política diferente do Lula. Sua visita foi para tentar recuperar seu prestígio (EUA) e um mercado que sempre foi cativo ao americano. O Brasil diversificou seus parceiros comerciais e isto prejudicou a balança americana. Obama não veio para ser um igual. Nosso suco, aço, sapato e outros continuam e continuarão sobretaxados lá. Exaltou a democracia e iniciou uma guerra do hotel em que estava hospedado.

E por falar em democracia (qual?). Apoiaram Mubarack por trinta anos. Quando a população egípcia foi para as ruas, ficaram quietos. O ditador era aliado.

Já em relação ao Kadafi, quando o pêndulo tendeu para o ditador, os mesmos da guerra do Iraque (aquela da mentira das armas de dizimação em massa) a exceção da Alemanha, estão bombardeando o país em apoio a população que quer democracia. E no Barem? País sem democracia onde o rei (que na Inglaterra perdeu o poder) nomeia o primeiro ministro (o mesmo há quarenta anos) e demais políticos. Quando a população foi para as ruas, o “não ditador” recebe ajuda militar de outro rei “não ditador”, da Arabia Saudita, para combater a população que, a exemplo do Egito, Tunísia e Líbia, foram para as ruas pedirem democracia. Lá, a ONU e os paladinos da democracia estão quietinhos. Não estão bombardeando nada e a imprensa democrática, só da destaque para o lado que interessa a eles economicamente.

E por falar em população na rua, os tunisianos e egípcios foram para as ruas desarmados. De onde vieram as armas dos “rebeldes” líbios?

Infelizmente, de acordo com a história intervencionista americana (com ou sem armas), com certeza seus políticos e empresários devem estar adorando a tsunami japonesa. Economicamente será um alento para economia americana a ajuda que oferecerão.

Te abraço.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

BREVE VISÃO SOBRE O JORNALISMO

Mensagem a uma amiga recém formada

Para minha amiga, JORNALISTA e esposa do lusitano, amigo e companheiro de trabalho Alcino (hehehe).Que seja muito bem vinda esta nova fase em sua vida e, claro, na do Alcino também (por tabela).

Como bem sabe, já fui “dono” de jornal, “jornalista”, colunista, diagramador, fotógrafo, participei de programa de rádio e outras funções que perpassam pela comunicação, além claro de trabalhar na TV Brasil. E, por conta desta pequena experiência, irei tecer alguns comentários sobre alguns pontos, de acordo com o que acredito e aprendi com outros, bem mais notáveis do que eu. Aliás extremamente mais notáveis!

Para começar, não caia no engodo da imprensa imparcial. Tudo que tem a participação humana, torna-se parcial. Quando esta parcialidade é explícita e assumida, no mínimo o veículo merece respeito, mesmo que não concordemos com sua linha editorial. Mas, quando travestida da “imparcialidade”, só podemos desconfiar e muito.

Outro ponto de conflito, é o Controle Social da Mídia. Controle este “vendido” para a sociedade como o retorno da censura. Grande mentira. Pode-se comparar a campanha dos Meios de Comunicação contra o Controle ao corporativismo de alguns juízes e advogados para não terem seus pares revistados nos Presídios ou seus atos questionados pela sociedade. Advogado pode levar arma para o presídio e homens do judiciário podem vender suas sentenças sem problemas. Na realidade, os donos dos meios de comunicação não querem é dar satisfação de seus atos. Podem denigrir uma imagem ou criarem uma falsa ao bel prazer. Exemplos clássicos foram a eleição de Collor e seu “impeachment”.

Sabemos que as notícias são manipuladas e o que, você jornalista pode fazer? Render-se? Viver de luz? Complicado né. Principalmente quando recém formada a procura de um espaço. Oliver Stones, cineasta americano, já questionou: “o que adianta viver na maior democracia do mundo, se todos leem as mesmas coisas”. Loucura, mas este será seu mundo daqui para frente. Submissa ou indignada? Só o tempo e as experiências por que passar vão te ajudar neste dilema e alicercear seu caráter. Agora é tempo ao tempo.

Saramago já nos disse que todo o jornalista deve ter o “dom”, ser sempre investigativo e ter a ética presente.Este deve ser o caminho a ser buscado, na minha opinião. A faculdade para colocar a técnica a serviço do “dom”. O caráter investigativo deve existir em quaisquer das áreas de trabalho. Se escreve sobre degustação, vá degustar antes de falar. E, finalmente, ele nos coloca que a ética deve estar para o jornalista assim como o zumbido está para o voo da abelha. Ele é ótimo!

Amiga... agora é com você! E não se preocupe se não concordar com o texto. Sinal que está LENDO e não passando os olhos. Parabéns por mais este degrau.

Te abraço e boa sorte.

domingo, 21 de novembro de 2010

O VOTO COMO ALEGORIA
Impressiona a fome de alguns em não permitir a diplomação do Tiririca. Tudo bem. A Lei exige que o candidato não seja analfabeto? Ele provou que não é.... Aliás, se diploma fosse sinônimo de austeridade, ética e cidadania, teríamos um excelente Congresso. Infelizmente a realidade se mostra diferente. Acredito que a cruzada contra a diplomação do Tiririca seja mais de cunho segregacional que legal.
Foram próximos 1,5 milhões de votos. Conscientes? De brincadeira? Ou um recado?
Particularmente, Tiririca não teria meu voto. Por qualquer motivo que me apresentem, acho um erro este tipo de voto. Sempre existirão opções, mesmo que poucas.
Já tivemos outros exemplos e nenhum deles deu em alguma coisa, pelo menos, não lembro. Juruna, Enéias, Clodovil, Macaco Tião e muitos outros. Até Mulher Melancia concorreu nesta última Eleição. Votos que tiveram seus 15 minutos de fama e nada mais. Sem qualquer efeito prático.
Agora o que realmente vem me preocupando...
O problema é que, este tipo de voto só vem confirmando o (auto) isolamento do cidadão do processo político. Aos poucos a ideologia, a ética e a política deixam de fazer parte da disputa eleitoral. Porque?
Segundo Eric Hobsbawn, em seu livro “Globalização, Democracia e Terrorismo”, o processo de privatização do Estado, iniciado desde da década de 70 (século passado), vem tirando das mãos dos governos as decisões e rumos a serem tomados, em benefício do bem estar da população.
Com a privatização dos serviços públicos, a lógica do “custo x benefício” muda do bem estar social para o lucro empresarial (mercado). O governante ou candidato, pode ter boas intenções e ideias e, ser eleito em consequência delas. Mas, na hora de governar, se o lucro estiver no oposto de sua campanha, é lá que a empresa detentora do serviço (público) irá trabalhar.
Como a lógica do mercado precisa cada vez menos da participação do cidadão, e mais do consumidor, o processo eleitoral vem mudando da disputa política ideológica para a disputa da melhor produção midiática. Por isso, em países de voto não obrigatório como os EUA, presidentes são eleitos com próximos 25% do total de votos possíveis. No Brasil, fica-se assustado com índices de abstenção próximo aos mesmos 25% (onde o voto é obrigatório). Nas atuais democracias liberais, bastam os mesmos 25% para se eleger Executivos e Parlamentos.
Por conta do exposto, vamos defender o fim da contagem de votos, a que se resume o atual processo? Claro que não! Nem eu e, com certeza, Hobsbawn defende algo perto disso.
Sempre afirmei e reafirmo que a democracia é muito difícil. Fácil é a ditadura – “baixa o pau e pronto” - seja feita a “minha” vontade.
Hoje, o processo ditatorial vem mascarado pela democracia de mercado. Não precisa-se mais “descer o pau”. Basta descaracterizar a Eleição. O poder econômico é quem decide quem participa ou não dos benefícios democráticos – leia-se do mercado. Processo ainda mais perverso que a ditadura explícita.
Por isso temos os “Tiriricas” (com e sem diplomas) dirigindo a nossa vida, enquanto representantes do povo. A consciência desta situação, talvez evitasse os 1,5 milhões que ele teve.
Te abraço.
Sérgio Mesquita.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

MEU VOTO EM 31.10.2010

Queridos parente e amigos.
Chegamos há um momento em que temos de nos despir de todos os preconceitos e conceitos para tomarmos uma decisão, talvez mais importante que a tomada na eleição de 2002.
Para tanto, primeiro é preciso desmascarar uma lenda criada ao longo destes últimos 8 anos, por aqueles que trabalham intensivamente para o retorno de uma política discriminatória com apogeu nos 8 anos do governo FHC/Serra.
A lenda criada é do “descolamento” do Governo Lula, do Lula, de uma política pensada e repensada ao longo de mais de 25 anos no seio do PT. Lula fez tudo sozinho a partir de sua privilegiada cabeça. Depois dele, se Dilma vencer, o monstro do PT irá ressurgir das trevas e destruir o país. Esta é a linha de campanha do Serra, de novo o medo (lembram da Regina Duarte).
Durante estes últimos 8 anos, assistimos sim uma mudança de rumo e atitudes que, como já dito, pensada ao longo de mais de duas décadas (não ignorando a história de luta de tempos passados). É claro e óbvio que este trabalho foi sim, facilitado pelo enorme carisma de um pernambucano que chegou em um “pau de arara” e conquistou o Brasil e o mundo, “esse é o cara”. Tive a oportunidade de almoçar por duas vezes com ele no início da década de 90 e, estar com ele pessoalmente durante a apuração do primeiro turno nestas eleições. Vi a mesma pessoa que, como meus cabelos, mais grisalho.
O que está em jogo nesta eleição não é quem é mais simpático ou simpática - por mais incrível que pareça, a preocupação de muitos dos que estão em dúvida. O que realmente está em jogo é a continuidade de um Projeto de Governo que, de forma efetiva começou a transformar a história de mais de 500 anos de colonialismo, para uma história de respeito e preocupação com povo brasileiro. O fim do “sim senhor” em vários idiomas pelo “muita calma nessa hora” em um claro e bom português. Você pode até não gostar mais é impossível fechar os olhos para as mudanças que ocorreram e irão continuar ocorrer com o nosso apoio.
Não queremos e nunca foi projeto do PT, apesar do apregoado pela imprensa, aumentarmos o mandato do Lula, muito menos desejo dele. Lembro aqui que, quem mudou a Constituição para aumentar seu mandado foi o FHC com apoio do Serra e asseclas.
Neste próximo 31.10, o voto não será na Dilma ou no Serra. O voto será dado para quem irá dar continuidade as conquistas obtidas e seus aprimoramentos. Será dado em quem acredita e sempre lutou e luta por dignidade e respeito a todo um povo. Ou podemos votar no discurso falso e hipócrita, daqueles que nunca se preocuparam com o povo ou com o país.
Do mesmo jeito que vi o mesmo Lula de anos atrás, conheci pessoalmente a Dilma. Uma Dilma nem mais bonita e nem mais feia, nem mais simpática ou antipática que sua imagem na televisão. Conheci a Dilma que, como meus amigos gaúchos comentam: “com ela tem que trabalhar”.
Meu voto por convicção e pelos últimos 8 anos é 13. Dilma presidente.
Te abraço.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

E O VOSSO REINO??? NADA???


O título acima, adaptado de uma passagem religiosa, serve bem para o texto que segue. Política e religião se misturam há muito, quando o objetivo é a satisfação de uns poucos em relação aos demais. Spock, em um dos filmes “Jornada nas Estrelas”, fala ao Kirk um pouco antes de falecer: “a necessidade de um não pode se sobrepor a necessidade de muitos”. Bonito né. Possivelmente em Vulcano, planeta de Spock, a frase seja uma regra. Já aqui, em nossa amada Terra... sei não.
E o vosso Reino? Nada? Só o venha a nós?
Este é o tratamento que as grandes nações do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Alemanha, França, Inglaterra e Rússia) dão aos demais países: o venha a nós. O vosso reino é somente vosso nunca nosso.
Esta linha de raciocínio é a que permite a estes países produzirem e explodirem bombas (nucleares ou não), colocarem seus exércitos, sempre em nome da democracia e liberdade, na casa de outros habitantes do planeta. Com ou sem o aval do próprio órgão que fazem parte (vide invasão do Iraque).
Aliás, em relação ao Iraque, ficou mais que provado que a documentação apresentada para justificar a invasão (condenada pela ONU), era falsa. Teve jornalista britânico, da BBC, suicidando quando descobriu-se usado pelo governo. Agora é o Irã, que já foi aliado, a exemplo do mesmo Iraque.
É esta linha ideológica, dogmática, que permite a países que nunca realizaram eleições, suas mulheres não podem estudar e são apedrejadas, são considerados exemplos de civilidade e cidadania. Nestes países, você sempre encontrará uma “Base Militar Aliada” e/ou produtos de interesses estratégicos, comerciais ou não, para os guardiões da paz.
Por outro lado, países vizinhos aos acima, com a mesma religião e realizando eleições, são inimigos do mundo. Não respeitam os direitos humanos e praticam crimes inenarráveis. Normalmente, estes países não são lá tão subservientes as necessidades comerciais e expansionistas dos cinco paladinos.
Temos nossos exemplos aqui também. Em nossas Américas, Zelaia presidente de Honduras, foi derrubado porque tentou mudar a Constituição para, em eleição, disputar um segundo mandato (lembram de FHC). Na Colômbia, Uribe com as mesmas manobras, quer seu terceiro mandato. Na Colômbia, permitiu-se a instalação de Base Militar Americana. Lá, o presidente deve até merecer mais mandatos.
Esta introdução, que poderia ser bem maior em consequência da quantidade de exemplos, é só para dividir com vocês minha opinião sobre a atitude dos cinco paladinos, em relação ao acordo em que Brasil e Turquia fecharam com o Irã. HIPOCRESIA PURA.
Para os EUA não interessa nenhum acordo. O governo ainda não se recuperou. Ainda estão atônitos por causa do atentado das Torres. Para piorar, muitos de sua população, mesmo sem acreditar, não acham impossível ter sido alguma coisa interna ou permitida de maneira tácita.
Com tudo isso, precisam-se de novas guerras, de novos financiamentos para a indústria da guerra e do petróleo, tudo pela manutenção do poder.
Não se assustem se daqui a pouco, nós sermos os alvos. O petróleo tá acabando? Tá! Mas e água como está? Quem tem água potável a céu aberto em quantidade? Quem pensou na Amazônia acertou. Ouro, minérios diversos, Urânio e muita, muita água.
A internacionalização da Amazônia, que já foi sugerida anteriormente, logo será pauta do Conselho de Segurança da ONU, dos cinco paladinos da justiça e paz. Vão dizer que não respeitamos nossos índios e a floresta. Logo eles, que mataram os seus. HIPOCRESIA.
Te abraço.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Existe mídia sem ideologia???

O Texto abaixo nos mostra bem como funciona a nossa “liberdade de imprensa”, tanto para o bem como para o mal.
Quando nossa imprensa democrática, apolítica e sem partido “grita” que querem resgatar a censura, na verdade querem somente a manutenção de seus status.
Oliver Stones (cineasta americano), como já escrevi em alguns textos, denuncia bem este fato com uma pequena frase: “Como podemos viver na maior democracia do mundo se todos leem as mesmas notícias”.
A minha intenção é somente demonstrar que, independente da esquerda ou direita, devemos ler com muito carinho as notícias que nos são permitidas ler e, filtrá-las. Não podemos simplesmente repassar qualquer mensagem que nos chegue a alcance. Pensemos!
Te abraço.
Sérgio Mesquita

Operação "Tempestade no Cerrado": o que fazer?

O PT é um partido sem mídia...
O PSDB é uma mídia com partido...
Mauro Carrara

"Tempestade no Cerrado": é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.
A expressão é inspirada na operação "Tempestade no Deserto", realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.
Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.
A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.
A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.
As conversas tensas nos "aquários" do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.

1. Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.
2. Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.
3. Ressuscitar o caso "Mensalão", de 2005, e explorá-lo ao máximo.
4. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.
5. Elevar o tom de voz nos editoriais.
6. Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de "censura".
7. Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.
8. Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.
9. Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.

Quem está por trás

Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral.
É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.
A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo "cientista político" Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.
Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.

O conteúdo

As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.
Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e "vetada" pelo TCU.
Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.

Criam deturpações numéricas.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto "Minha Casa, Minha Vida" está fadado ao fracasso.
Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas. O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis.
Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.
A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses.
A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.
Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena.
É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90.
Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia.
É o caso da "bomba" requentada neste março. Segundo Alencar, Lula vai "admitir" (em tom de confissão, logicamente) que foi avisado por Roberto Jefferson da existência do Mensalão.

Crimes anônimos na Internet

Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores.
Três deles merecem destaque...


1. O "Bolsa Bandido". Refere-se a uma lei aprovada na Constituição de 1988 e regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.
2. Dilma "terrorista". Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: "Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas".
3. O filho encrenqueiro. De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.

O que fazer

Sabe-se da incapacidade dos comunicadores oficiais. Como vivem cercados de outros governistas, jamais sentem a ameaça. Pensam com o umbigo.
Raramente respondem à injúria, à difamação e à calúnia. Quando o fazem, são lentos, pouco enfáticos e frequentemente confusos.
Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade.

São cinco as tarefas imediatas...

Cada cidadão deve estabelecer uma rede com um mínimo de 50 contatos e, por meio deles, distribuir as versões limpas dos fatos. Nesse grupo, não adianda incluir outros engajados. É preciso que essas mensagens sejam enviadas à Tia Gertrudes, ao dentista, ao dono da padaria, à cabeleireira, ao amigo peladeiro de fim de semana. Não o entupa de informação. Envie apenas o básico, de vez
em quando, contextualizando os fatos.

1. Escreva diariamente nos espaços midiáticos públicos. É o caso das áreas de comentários da Folha, do Estadão, de O Globo e de Veja. Faça isso diariamente. Não precisa escrever muito. Seja claro, destaque o essencial da calúnia e da distorção. Proceda da mesma maneira nas comunidades virtuais, como Facebook e Orkut. Mas não adianta postar somente nas comunidades de política.
2. Faça isso, sem alarde e fanatismo, nas comunidades de artes, comportamento, futebol, etc. Tome cuidado para não desagradar os outros participantes com seu proselitismo. Seja elegante e sutil.
3. Converse com as pessoas sobre a deturpação midiática. No ponto de ônibus, na padaria, na banca de jornal. Parta sempre de uma concordância com o interlocutor, validando suas queixas e motivos, para em seguida apresentar a outra versão dos fatos.
4. Em caso de matérias com graves deturpações, escreva diretamente para a redação do veículo, especialmente para o ombudsman e ouvidores. Repasse aos amigos sua bronca.
5. Se você escreve, um pouquinho que seja, crie um blog. É mais fácil do que você pensa. Cole lá as informações limpas colhidas em bons sites, como aqueles de Azenha, PHA,Grupo Beatrice, entre outros. Mesmo que pouca gente o leia, vai fazer volume nas indicações dos motores de busca, como o Google. Monte agora o seu.

A guerra começou. Não seja um desertor.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Foi-se a 1ª Década. Que Venha a Próxima.

É verdade que falta um ano para o final da primeira década do século XXI. Há pouco tempo, quase ontem, virávamos o Século XX. “Bug do Milênio”, final dos tempos e outras pérolas foram anunciadas e rogadas.
Quando chegou o primeiro dia do século seguinte, fora a ressaca que pode ter sido mais forte ou fraca, nada mudou. Mais um dia de um novo ano como qualquer outro. Nada de calamidades anunciadas e o “bug do milênio” rendeu bastante para os programadores de computador e, só.
No entanto, esta atual década ainda não findada, mostrou que muita coisa aconteceu e está por acontecer. Logo em seu início é derrubado o “Golias” americano. Os EUA sofrem atentado dentro de suas fronteiras (as torres do World Trade). O mito do país indestrutível, da economia forte e exército imbatível (mesmo após o Vietname), literalmente começam a desabar junto com as Torres.
O centro do poder desloca-se da América do Norte para a Europa, com sua nova moeda e ainda incipiente União e, continua a migrar para novas organizações e grupamentos governamentais, que buscam respeito e poder de decisão nas instâncias criadas no século passado, muitas desrespeitadas por seus próprios fundadores. Está aí a ONU que não nos deixa mentir.
Surge o G20 no finalzinho do século XX, o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) começam a despontar como futuras economias. Lula é apontado como personalidade do ano de 2009 (Le Monde) e não o Obama.
O clima começa a incomodar e ser usado como moeda de troca e barganha política. Questões como a fome e a SIDA, tratadas pontualmente no século passado, não foram resolvidas. Permanecem os problemas e soma-se a questão do meio ambiente que, devido as suas especificidades, não possui fronteiras para confinamento. Não adianta tentar isolar o clima, transferir as industrias poluentes para outras áreas, consumir ou poluir a água ou florestas alheias. A água, como as florestas derrubadas aqui ou acolá, irão impactar no mundo como um todo e não somente em algumas de suas áreas.
A situação está tão latente que a conferência de Copenhague quase militarizou-se. As ONGs que lá estavam foram expulsas, acordo por baixo dos panos denunciados, a presidente da entidade renuncia e um resultado pífio, imposto pelos grandes do século passado, é o seu relatório final. Nenhum compromisso sério, de impacto é assinado. Ficou como positivo a boa vontade de alguns países como o Brasil em vias de sancionar a Lei de Política Nacional de Mudanças Climáticas.
Falando no Brasil, experimentamos algumas mudanças por aqui também. Sentimos mais orgulho, não nos colocamos subservientes nos grandes encontros governamentais e passamos a exigir nossa parcela de dignidade e respeito.
A crise financeira que preocupou e ainda preocupa o mundo, acabou confirmando-se aqui não passar de uma “marola”. A política econômica, independente de sua “matiz política” tem garantido o mercado interno e mantido o dólar em níveis aceitáveis. A procura de novos parceiros para nossas exportações possibilitaram a manutenção de uma Balança Comercial favorável.
Temos problemas e não são poucos. Mas estamos conhecendo uma nova Polícia Federal e um novo Ministério Público que, apesar de todas as diversidades, se não conseguem tirar de circulação certos políticos e personalidades, deixam bem claro para a população quem são estes cidadãos sórdidos e em que estão envolvidos. A corrupção não está maior nem menor neste final de década, mas com certeza está mais exposta, divulgada e combatida.
Não conquistamos os direitos de sediarmos uma Copa do Mundo e uma Olimpíadas de graça. Como colocou Lula no Prêmio Brasil Olímpico, “foi fruto de muito trabalho sério”. Trabalho este, “facilitado” por toda uma política e postura governamental de respeito ao próximo, respeito ao povo brasileiro. Respeito este que fazemos por merecer a cada novo dia de luta e trabalho.
Otimismo exacerbado? Inocente? Petista? Não! Apenas acredito que nós, “homo sapiens”, não devemos ser tão ruins para com os outros e para com o planeta, como fazemos questão de demonstrar.
Que venha a próxima década!
Te abraço.

domingo, 23 de agosto de 2009

COM QUE ROUPA EU VOU? (14/08/2009)

Ao estilo – com muita presunção - do então deputado pelo PT, Chico Alencar, inspirado na letra do samba de Noel, escreveu carta ao Lula à época da cassação da candidatura de Vladimir Palmeiras ao Estado (1998), escreverei esta coluna com uma pequena nuance. Na realidade o título deveria ser “Com que roupa eu fico – oposição ou situação?”.
Esta dúvida está na cabeça de muitos de meus amigos e amigas por causa desta coluna, escrita em um jornal com perfil atual de oposição. Portanto, quero deixar claro aqui o meu posicionamento: Não mudei em nada, sou petista, apoio o governo por convicção e acredito na pessoa do Prefeito e sua índole. Foram uns 18 anos de luta (no meu caso) para chegarmos até aqui e, tenho a certeza, que serão necessários mais alguns para transformarmos nossa Maricá.
Hoje, temos completo um semestre de governo, com um Orçamento que já acreditávamos fictício e que a realidade se mostrou pior ainda. Mesmo assim, cobram-se resultados de anos em meses.
É fato que existem problemas, já ouvi muita reclamação. Entendo que na maioria das vezes, são coisas de súdito querendo ser mais rei que a própria realeza e outras, conflitos oriundos da própria coligação, o que acontece em qualquer eleição com qualquer Partido. Não é privilégio nosso.
O problema é que quando fui convidado para aqui escrever, o perfil deste jornal era também o de divulgação do governo com isenção, ou seja, elogiar e criticar quando assim achasse necessário e, sempre de maneira construtiva. Prática esta que nunca foi problema para mim e muito menos para o Quaquá, pois temos um belo histórico de debates.
Hoje, no meu entender, as críticas aqui apresentadas não estão lá tão construtivas o que me levou a iniciar uma conversa com o Diretor do Jornal, quanto a possibilidade do mesmo vir a virar panfleto ou não. Conversa esta que daremos continuidade, pois também sou amigo e tenho apreço pelo Ricardo Vieira, que é o Diretor.
Esta coluna, em especial será curta e grossa, pois estou atrasado com a mesma, são exatas 18:30 do dia 13.08 e o jornal tem que estar na rua amanhã e não tive disponibilidade para trabalhá-la melhor. Ricardo já me ligou e não quero deixar furo.
Te abraço e peço desculpas.

O QUE ADIANTA VIVER NA MAIOR DEMOCRACIA DO MUNDO SE TODOS LEEM A MESMA COISA” (07/08/2009)

O QUE ADIANTA VIVER NA MAIOR DEMOCRACIA DO MUNDO SE TODOS LEEM A MESMA COISA”
Oliver Stone
É a segunda vez que cito a frase acima. A primeira foi quando um jornal de Maricá escreveu que o Outras Palavras era do PT. Respondemos que não. O Outras Palavras foi idealizado, escrito e diagramado por petista e não pelo PT. Muito pelo contrário, por várias vezes fomos criticados nas reuniões do Diretório pelo espaço que cedíamos para munícipes de outras linhas políticas. É verdade que ao lado de cada texto ou informe publicitário, escrevíamos a “Opinião do Conselho Editorial” que, podia concordar ou não com o teor ali disponibilizado. Mas o espaço era garantido.
Voltando ao cineasta norte-americano, Oliver Stone estava preocupado com a “pasteurização” da imprensa no geral. Todos os grandes meios de comunicação noticiam as mesmas matérias, obtidas nas mesmas fontes e com as mesmas fotos. E, como apenas cinco empresas praticamente dominam a maioria dos órgãos de comunicação do planeta, fica impossível dizer que a mídia não é direcionada (matéria publicada na Revista Atenção, de onde foi retirada a frase de Oliver Stone). A título de curiosidade, duas destas empresas são a GE e WestingHouse, as demais: Sony, Warner e Disney.
É por essas e outras que dificilmente assistimos na televisão ou lemos nos jornais, as reais razões das campanhas escondidas atrás das notícias em destaques. Como exemplo, temos duas campanhas hoje no “ar”, ambas envolvendo diretamente a Petrobras. A CPI e o Conselho de Ética contra Sarney (não vou aqui defender Sarney e muito menos se temos ou não motivos para CPI e, deixo claro que não confio em políticos que passaram pela Arena, PDS e PSDB). O “pano de fundo” de ambas as campanhas, está na questão da liberação ou não do petróleo localizado na área do “Pré-Sal”. Sarney defende a exploração somente pela Petrobras, como exposto pelo jornalista e palestrante Oswaldo Maneschi, no Fórum de Comunicação Social promovido pela Prefeitura de Maricá. Na mesma linha, temos o responsável pela comunicação e patrocínio cultural da Petrobras, Wilson Santarosa, citado na CPI. Em entrevista na revista Carta Capital (05.08), afirma que o interesse escondido na CPI é a desestabilização da empresa para facilitar a exploração do petróleo no “Pré-Sal” pelas “multis”. Alguém em sã consciência acha isso impossível? Alguém em sã consciência acha que as bases americanas a serem instaladas na Colômbia são por conta do narcotráfico e ação humanitária?
Em Maricá, dentro de nossas proporções, acontece a mesma coisa quando jornais passam a atuar como panfletos e não como meio de distribuição da informação, a favor ou contra - não interessa. Se panfleto, não existe preocupação com a veracidade da informação e a discussão sobre a mesma.
Tem-se que ter cuidado com as fontes de pesquisa. Textos livres na internet como no sítio da “Wikpedia” podem ser pesquisados, mas com a confirmação do que lá está disponibilizado através de outras referências. Se não, você pode colocar uma informação (assinada ou não, copiada ou não) e ser rebatido.
Como exemplo, vou apontar duas fontes que podem levantar questionamentos em matérias já publicadas sobre os índios guaranis e sua ocupação territorial. Fonte: Enciclopédia Barsa: “(...) O grande tronco tupi-guarani se estendia do Rio Paraná à bacia amazônica e chegava aos limites da Guiana, incluindo a maior parte do leste brasileiro, com ramos para o oeste que chegavam até os Andes. Antes do descobrimento, houve uma forte migração dos guaranis para as proximidades do rio Prata, onde se estabeleceram.(...)”. Fonte: “As Demarcações Guarani, a Caminho da Terra Sem Mal”, trabalho de Maria Inês Ladeira, antropóloga do Centro de Trabalho Indigenista – CTI, “(...) Na região costeira do Sul e Sudeste do Brasil, entre os estados do Rio Grande do Sul e Espírito Santo, existem, atualmente, 53 aldeias guarani e incontáveis locais de parada provisória. As considerações apresentadas no presente artigo fundamentam-se na dinâmica de ocupação territorial dos Guarani que vivem atualmente nessa região litorânea do Brasil, cuja maioria é constituída pelos Mbya, seguidos dos Nhandeva (estes e os Kaiová compõem os três subgrupos guaranis no Brasil). Entretanto, muitas das situações que serão aqui mencionadas são também vivenciadas pelos Guarani no interior do Brasil, da Argentina e do Paraguai (...).
Boa leitura e discussão sobre a coluna.
Te abraço.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

QUEM NÃO SE COMUNICA... SE “TRUMBICA”. (31/07/2009)

Vou mudar um pouco a linha da coluna e vou falar sobre um assunto que me é bem próximo: a Comunicação. Em especial a institucional.
Aconteceu nesta última segunda, dia 27.07.2009, o Fórum sobre Comunicação Social promovido pela Prefeitura como preparação para a Conferência Municipal de Comunicação Social, a ser realizada em outubro. Como não escreverei matéria sobre o encontro, e somente farei considerações com intuito de colaboração, encerro o assunto do Fórum parabenizando as secretarias que o organizaram: Comunicação Social e Gestão de Metas.
Em relação a Conferência, acredito que o governo irá apresentar uma proposta de ação para discussão no evento. Esta proposta deve estar bem afinada com a Missão e Visão que o norteiam. E deve ter como objetivos finais, não só a democratização e distribuição da informação mas principalmente transformar esta informação em conhecimento nos corações e mentes da população.
Para tanto, a proposta que dará conteúdo e forma a Comunicação Social deve estar em total consonância com as demais Secretarias de Governo, ser alimentada e justificada por elas. Não pode e não deve ser mera repassadora de informação.
Outro ponto importante está na integração digital. Aqui a preocupação precisa estar além da liberalidade da conexão. A Comunicação Social em parceria direta com a TI da Prefeitura deve integrar o projeto social com o tecnológico. Terá a Prefeitura condições de interligar todo o município e suas unidades de uma só vez ou será em partes?. E no caso específico da Educação e a distribuição dos “lap-tops”, interligará primeiro as escolas e treinará seus professores no uso da máquina e da Internet ou simplesmente irá distribuir as máquinas? Quais sítios nossos mestres apresentarão para seus alunos, através da Comunicação, como referência de buscas e apoio ao processo educacional e de aprendizado?
Saindo um pouco do problema institucional, como se dará esta liberalidade para a população como um todo. A conexão será inciada em um grande “Portal” do município, generalista (com informação para os não munícipes) e uma área bem identificada para acesso dos munícipes em busca dos serviços que lá estarão disponibilizados? Ou nos contentaremos em simplesmente permitir o acesso livre para que todos alimentem seus “orkuts”, “msns”, twitter e outros?
Municípios que simplesmente liberaram o acesso sem preocupação inicial com o conteúdo não obtiveram crescimento social e menos ainda em seus negócios (divulgação do turismo, produtos locais e etc.). A única área que apresentou crescimento foi a de vendas de computadores.
Terminando, ainda temos a questão dos canais de Rádio e Televisão digital, com ou sem interatividade. Neste ponto específico fica como proposta a criação de uma Fundação Municipal de direito privado e sem fins lucrativos. Como? Deixo por conta de nossos legisladores as questões legais.
Dou a ideia pela experiência por mim adquirida nos 26 anos de televisão estatal/pública. Parte deles em fundação pública de direito público, onde fez-se de tudo menos televisão. Outra parte como Organização Social (privada sem fins lucrativos), o que permitiu maior agilidade na manutenção e criação do negócio de televisão e rádio. Para tal, cria-se um Conselho Administrativo, onde a Prefeitura indicará no todo ou em parte seus membros, de acordo com a Lei de sua criação e, inclua verba pública (contrato de gestão como ex.). Uma vez que o dinheiro público está envolvido, a Fundação fica passível de sofrer todas as fiscalizações dos órgão públicos afins, como se pública fosse e com a agilidade de empresa privada.
Te abraço.

domingo, 26 de julho de 2009

BRINCANDO EM CIMA DAQUILO (24/07/2009)

Calma! Apesar do título, o assunto é sério e dentro dos padrões morais da sociedade ocidental. Aquele que normalmente é exposto da porta para fora. Porque para dentro ou, como ouvi muito no movimento sindical – até a página cinco tudo bem, depois vale tudo. Mas, vamos ao texto.
Quantas vezes ouvimos de nossos pais e avós a recomendação: “menino olhe onde brinca”.
Mais novos e mesmo adolescentes, éramos todos super-homens, não sentíamos fome nem frio e mesmo quando algo dava errado, o prejuízo era só seu. Uns pontos aqui, alguns membros engessados e muitos sustos e aporrinhações para os pais e avós. Depois, só risadas e histórias repetidas ao longo dos anos. Conheço um adolescente que quando novinho, tinha o apelido de “Faz Merdinha da Estrela”. Dá para imaginar a encrenca né!
O problema é você como adulto, continuar a brincar. Brinca com a vida, o dinheiro e a esperança dos outros.
Você exerce uma profissão de maneira irresponsável ou pior, transforma em profissão o que deveria ser próximo da doação (nada de “franciscanismo”). Você vira político profissional, “ongueiro” ou milita no movimento estudantil durante anos e, pior ainda, tá cheio de cabelos brancos e continua estudante organizando a “juventude”. Hoje até pode aparecer na televisão e no jornal com “N” cursos incompletos, e você lá representando a estudantada.
Cara! Você não representa nada! Deixou de ser estudante há muito tempo. Não passa de um mero político que participa de uma eleição mais barata em busca de seus 15 minutos de fama. A institucionalização e a sede do poder é tanta, que a razão principal deixou de ser o povo, a causa estudantil ou qualquer outra. Dane-se que analfabeto esteja sendo aprovado no vestibular. “Luto por uma causa maior... estou inserido na discussão conjuntural nacional... luto pela solução do grande para resolver a causa menor”. “Balela”, nem o inglês vai ver! Estão brincando de representação – tudo “café com leite”. Mais ou menos como um senador que conseguiu nas urnas algo próximo dos 5% de votos, no estado do Amazonas, quando tentou ser governador e em Brasília brinca de representante do povo.
Não esqueci a ideia do Projeto de Lei de Iniciativa Popular “regulamentando” a profissão de político. Quer brincar de político profissional? Aposentadoria pelo INSS, não exercer o mesmo cargo eletivo por mais de duas vezes a qualquer tempo e/ou “zona” leitoral,... por aí vai. O problema está em achar um político que ajude no projeto: “Ehr... o quê? Desculpas, minha “tátara-tátara-vó” acabou de sofrer um acidente dirigindo na Linha Amarela...” É bom brincar. Também gosto. Só não vale com o povo.
Continuo com minha crença no ser humano inabalada. Segundo meu gerente, como Líder eu estou mais para avó (sem conotação sexual e de idade) do que para chefe. Mas existem momentos em que quase deixo-me levar. Quase concordo quando escuto que Brasília deve ser implodida. Porque se explodir... espalha e a cosia pode piorar.
Só para constar. A questão da explosão/implosão é maneira de se expressar somente - brincadeirinha. Vai que algum desavisado comece a me chamar de terrorista e o EUA invadam Maricá brincando de paladinos da liberdade? “Vixe”! Voltaremos a dançar “For all” e não Forró.
Encerrando, dia 20.07, foi comemorado o “dia do amigo”. E, amigo de verdade, que não brinca, é aquele que além dos tapinhas nas costas, também pisa no calo para que você se lembre sempre que existe o outro lado da moeda. Xingue o “desgraçado” pela lembrança da dor, mas depois agradeça e trate de tomar cuidado onde pisa.
Te abraço