sábado, 10 de junho de 2017

DIRETAS JÁ OU ELEIÇÕES GERAIS? CONCURSO PÚBLICO OU ELEIÇÕES PARA OS JUÍZES?

JUSTIÇA

"... a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em ação, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste."
José Saramago

Discute-se muito nas redes sociais e nas rodas políticas a questão das Diretas Já e sobre concurso ou eleição para juízes, em especial para o Supremo Tribunal Federal. Tenho questionamentos sobre ambas as posições.

Primeiro:- para se aprovar uma PEC que permita as eleições diretas para presidente e não a indireta, como querem aqueles envolvidos nos escândalos das delações premiadas, pode muito bem ser chover no molhado. Mesmo que a PEC “ande” com celeridade, a eleição só poderá acontecer em 2018, ano da próxima eleição presidencial, que ao contrário do período da Ditadura, já está no calendário. Ah! Mas pode ser adiantado o calendário! Verdade! Pode! Mas só em 2018, e mesmo assim, no caso de impedimento da participação do Lula como candidato. Caso contrário, o STF será questionado e algum daqueles ministrecos, se não outro/a devem pedir “vistas” a perder de vista. Na prática, acredito estarmos queimando cartuchos e cansando o povo (não o povão, que ainda não foi às ruas). Porque não disputamos com a mídia bandida e seus deputados/as, também bandidos/as, as eleições gerais? Porque não levamos às ruas a necessidade de eleição de um novo Congresso, de uma nova Constituinte?

O fato de mais de 90% da população estar pedindo “Diretas Já” não pode também ser manipulação? Comemorar como comemoramos a aprovação da emenda das Diretas na Comissão do Senado, mesmo sabendo que nada acontecerá este ano, está correto? A possibilidade das Eleições Indiretas acabou?

Segundo: - Na questão do STF é ainda pior. Tem gente defendendo que sejam concursados os juízes. Pergunto para quê? Para termos outros Moros e Dallagnóis como ministros do STF? É isso? Defesa do patrimonialismo exacerbado?
Façamos um corte aqui, depois voltemos à discussão.

Nos 14 anos de governo do PT, vocês sabem dizer quantos Ministros do STF Lula e Dilma nomearam? Se não sabem, aqui vai a resposta...13 Ministros nomeados por nós. Quase um por ano na média. Hoje, dos 11 Ministros lá togados, 8 foram nomeados por nós (sendo solidário na cagada). Barroso, Fachim, Fux, Rosa Weber, Carmem Lúcia, Ayres Brito, Lewandowski e Toffoli. Os demais são Celso Mello (Collor), Gilmar Mendes (FHC) e Alexandre Moraes (Temer). Com uma composição dessas, onde a imensa maioria seria “nossa”, o problema está na não eleição de seus membros ou na péssima escolha de seus membros?

Não está aqui a defesa de só escolher partidários, essa escolha quem fez foi o FHC, o Collor e o Temer. Nós devíamos escolher sim, pessoas que tivessem a mesma visão de mundo, e não avessa, patrimonialista. Juízes que estão lá não para defender e/ou fazer cumprir a Constituição, mas sim para defender os espaços da classe dominante, para atender as necessidades da classe dominante, através das Leis criadas pela própria classe dominante. Essa é a grande verdade.

Vão insistir que defendo a mesma prática de FHC, Collor ou Temer, a partir de suas escolhas? Não! Pasmem “cucarachas”. Vou citar o exemplo do sonho de vocês. Tentem imaginar nos EUA, um presidente democrata, indicando um juiz republicano para a Suprema Corte deles. Ou o contrário, um republicano indicando um democrata. Nunca verão isso lá. Roosevelt, quando presidente dos EUA, para aplicar o “New Deal” e tirar do buraco os EUA por conta da crise de 1929, esperou 3 mandatos para ter maioria na Suprema Corte e poder colocar em prática as ações, o “novo acordo”. Indicou pessoas íntegras, mas com pensamentos próximos a sua linha de pensamento. Outro ponto interessante, é que os juízes e procuradores lá de cima, podem ser demitidos pelos mandatários, como o Trump acaba de fazer com o atual Procurador Geral.
Voltando a discussão...

Na realidade, tem muita culpa nossa (continuando solidário) no que passa o país nos dias de hoje. Optamos, acreditamos que seria possível fazer acordos com o andar de cima, fazer a tão sonhada por eles, conciliação de classe. Acreditamos que eles, íntegros e morais que são (nunca foram), manteriam suas palavras e permitiriam a continuidade da – considerada por eles - perda de seus privilégios. Acabamos no tal acordo – ”caracu”.
Na realidade, continuamos fugindo da autocrítica e continuamos nos escondendo na luta institucional, no sistema viciado, mesmo que, como consequência, ao participar do jogo da PEC das Diretas Já, acabemos por ter que reconhecer o Golpe como legítimo.
Muito foi feito pelo país e seu povo, mas houve ilusão e recuos. O preço, pagamos hoje.

Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT-Maricá/RJ

A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos.
Montesquieu


sábado, 20 de maio de 2017

Efeitos da delação da JBS e a insistência no modelo "eles sabiam mas não tenho prova"

Márcio Valley


A delação da JBS evidenciou a gritante diferença no modo de aplicação do instituto da delação premiada entre a Lava Jato de Brasília e a da República de Curitiba. Em Brasília, houve a primazia da inteligência no curso da operação e do sigilo das diligências. O vazamento, quando ocorreu, foi após a consumação das principais diligências e não antes ou durante, como age Moro, mais interessado nas repercussões políticas de suas ações do que em produzir justiça. Segundo analistas políticos, o vazamento possivelmente foi realizado por algum partidário de Aécio infiltrado na PF ou na PGR, como modo desesperado de alertar os companheiros de tunga e, assim, permitir a ocultação de provas.

As novas delações, ao lado de provocar talvez o maior terremoto político da história nacional, desmoralizam o modus operandi da República de Curitiba. A PGR de Brasília mostra para o Brasil como se faz investigação com base em delação premiada. Os delatores não foram presos preventivamente. Suas famílias não foram perseguidas. Não se apreendeu tablet do neto de ninguém. Não houve necessidade de tortura psicológica. As delações foram realizadas em sigilo.

Moro e seus seguidores ficam, a partir de agora, com a brocha na mão; espera-se que tenham a vivacidade de perceber que não há mais parede para pintar. Como comparar a imensidão corruptiva desvelada pela JBS com as traquinas, as insignificâncias perseguidas por Moro com tanto ardor? Imóveis em nome de outros, barquinhos de alumínio, pedalinhos de criança, as tralhas recebidas de presente por Lula, como continuar essa pantomima farsesca sem cair cada vez mais fundo no ridículo do judiciário mundial?

A partir da exposição das provas incontestáveis produzidas na operação JBS, o que dirão, agora, os tolos que propagandearam por anos a mentira de que Lulinha era o dono da Friboi? Ou de que o PT era a maior organização criminosa política da história do país? Tal tese implica, primeiro, fechar os olhos para as provas incontestáveis, produzidas na própria Lava Jato, que demonstram que a promiscuidade entre empresários e políticos remonta a Cabral. No máximo, e de forma injusta, pode-se culpar o PT por ter aderido ao modelo ou não tê-lo impedido, nada além disso. Segundo, importa aquiescer com a ideia esdrúxula de que personagens secundários, que nem do PT eram (PMDB) ou nem no governo federal estavam (PSDB), receberam centenas de milhões de reais em propinas, enquanto o chefe da quadrilha se contentou com um apartamento e um sítio em nome de terceiros, imóveis, aliás, de classe média, baratos.

Porém, passado o susto inicial, tenta-se equilibrar a balança política. Para suavizar a situação dos amigos, buscam envolver o PT na história. O problema é que, em relação ao PT, a Lava Jato de Brasília abdica da mesma inteligência e eficiência demonstrada quanto a Temer e Aécio. Para incriminar Lula e Dilma, Janot utiliza a surrada cartilha da República de Curitiba que deu azo àquela malfada capa de Veja: "Eles sabiam".

Janot, como grande parte dos operadores da Lava Jato, é antiesquerdista e suas ações são direcionadas para proteção do mesmo modelo de neoliberalismo admirado por Moro. Para que o projeto prossiga sem percalços, é preciso destruir a hipótese Lula nas eleições presidenciais, que agora aparentam estar perigosamente mais próximas.

O padrão de investigação e busca de provas que incriminaram Temer e Aécio foi de eficiência. Produziram-se provas muito fortes que chegaram aos próprios acusados, gravados em conversas comprometedoras. "Tem que ser um que a gente mate antes de fazer delação" diz Aécio Neves em um dos grampos, referindo-se à pessoa que receberia o dinheiro sujo que ele pediu, segundo notícia publicada na imprensa. A ser confirmada a notícia, trata-se de coisa costumeiramente dita por mafiosos e traficantes de droga, não daquilo que se esperaria de um senador da República.

Esse tipo de prova dificilmente será apresentado no que concerne à Lula ou Dilma.

As novas acusações contra Lula e Dilma seguem o modelo de Curitiba: "delator disse isso" e "delator disse aquilo". Prova material? Nenhuma. Como sempre, só a palavra dos delatores.

Ora, o delator da JBS diz que havia uma conta com milhões de dólares para Lula e Dilma, o que torna fácil demais a investigação: apresenta-se o número da conta e solicita-se o extrato da conta. O problema é que certamente a conta está em nome da própria JBS ou do delator, assim como o triplex está em nome da OAS. Nesse caso, há que se provar que algum dinheiro da conta apontada chegou nas mãos de Lula ou de Dilma. Fora isso, a presunção é de inocência e a acusação, de tão frágil, não deveria sequer ter chegado às manchetes. Aceitar a palavra do delator, nessas circunstâncias, torna fácil para qualquer um acusar sem responsabilidade penal pela eventual possibilidade de mentira: o delator apresenta um bem próprio e diz que ele pertence a Lula ou a Dilma. Pergunta-se, por que esse modelo de propina somente é utilizado por Lula e Dilma? Por que os demais corruptos não deixaram o produto da corrupção em nome dos corruptores? Seria um novo modelo de corrupção superinteligente, no qual o dinheiro da corrupção nunca sai do patrimônio do corruptor?

Aguardemos o desenrolar das acusações contra Lula e Dilma.

Quanto aos acusados em face dos quais efetivamente existem provas, Aécio é afastado do Senado, mas não é preso, ainda que sua conduta seja mais grave do que a do Delcídio (sugerir a morte de testemunha é gravíssimo). Quanto a isso, o problema é o desequilíbrio no tratamento, mas penso que a segurança jurídica orienta para a liberdade dos acusados enquanto não houver condenação transitada em julgado. É o custo dos direitos e garantias individuais: alguns culpados se beneficiam, mas milhares de inocentes deixam de ser presos injustamente.

Paralelamente, apesar da gravidade das acusações e da existência de provas robustas contra si, o vampiro resiste a sair da luz do sol, o que o fará se queimar cada vez mais. Temer diz que não renuncia e não renuncia, repete. O que isso significa? Que ele supõe que poderá permanecer no poder? Claro que não, ele tenta apenas se valer do cargo para se imunizar pelo tempo que puder. Ao se agarrar à presidência, nos obriga apenas a aturá-lo por mais uns vinte dias.

Temer é um produto com data de vencimento estabelecida: entre os dias 6 e 8 de junho ocorrerá o julgamento da impugnação da chapa Dilma-Temer no TSE. Antes, era dado como certo o desmembramento da chapa para condenar apenas a Dilma e livrar o Temer. Agora, com esse complicador da JBS, o julgamento se tornou o meio mais célere e institucional para defenestrá-lo de Brasília. Os ministros do TSE dificilmente perderão essa chance.

O problema é que, depois, ficaremos com Rodrigo Maia até a eleição de um presidente para o mandato tampão. Em princípio, eleição indireta, mas, se o povo pressionar nas ruas, pode ser que aprovem as diretas.

Há os que invocam a hipótese "Volta, querida". Sem dúvida alguma, a anulação do impeachment e o retorno de Dilma à presidência seria o melhor caminho, o mais adequado, o mais honesto. Erraram, pois que consertem o erro e devolvam ao povo a mandatária que escolheram. Existem ações que visam a declaração de nulidade do processo de impeachment. Com vontade política, bastaria ao STF pô-las em pauta com a urgência que o caos político exige e julgar procedente o pedido. Pronto, o vampiro sairia e Dilma retornaria de forma institucional e constitucional. A chance disso ocorrer, porém, é próxima do zero. O STF é majoritariamente conservador, antiesquerdista e, mais do isso, antipetista.

A hipótese mais provável é que Temer seja defenestrado pelo TSE, no julgamento da chapa Dilma-Temer. Se isso se confirmar, seria a segunda oportunidade na qual o "glorioso" STF permitiria, em pouco mais de um ano, que um desqualificado chegue ao mais alto cargo público do país e nele instale a sua quadrilha. Empossado na presidência provisória, Rodrigo Maia, filho e genro de políticos da pior estirpe, articulará para ser eleito indiretamente e, com a caneta na mão, suas chances são grandes. Se não houver rebuliço nas ruas, provavelmente será eleito. O povo nas ruas, exigindo diretas, é capaz de mudar esse destino provável.

A possibilidade de eleições direta antecipadas deve estar deixando Sérgio Moro irritadíssimo com a delação da JBS. Todo o seu calendário, milimetricamente planejado, pode ter ido para o brejo. Se Temer cair e tiver eleições diretas ainda esse ano, não haverá tempo para condenar Lula com decisão definitiva em 2º grau. Como segurar o "sapo barbudo"?


Fazer o quê, né? Shit happens.

sábado, 6 de maio de 2017

Alerta à juventude – O que é ser revolucionário?

Assistimos em Maricá, no dia 05/5, um belo evento patrocinado pelo Sindicato dos Profissionais de Educação – SEP-Maricá, com apoio da Secretaria de Cultura de Maricá, que foi o lançamento do livro “Calabouço”, de Geraldo Jorge Sardinha. O evento contou com a presença de várias entidades representativas da juventude e estudantis. Contou também com presença do grupo musical, composto por professores, “Docentes Bárbaros” que levantava a plateia entre as diversas falas que aconteceram e, em especial, na homenagem ao Belchior falecido recentemente.

Paulo Gomes e Geraldo Sardinha, estudantes em 1968, estavam no restaurante Calabouço quando a ditadura civil-militar assassinou o também estudante Edson Luiz. Sardinha foi um dos que carregou o corpo do Edson até a Assembleia Legislativa. Falaram da época e apresentaram o Núcleo dos “Irredentos”, formado por pessoas que, como eles, não se renderam durante o Golpe de 64 e não se rendem até os dias de hoje, quando acontece mais um Golpe contra a democracia e o povo brasileiro.

Situado o evento, vamos ao que me levou a escrever este texto.

“Por isso cuidado, meu bem / Há perigo na esquina / Eles venceram e o sinal / Está fechado pra nós / Que somos jovens.”

Preocupou-me alguns dos discursos apresentados pelos jovens presentes, que deixou claro a falta de unidade na luta contra o que está acontecendo no Brasil e no mundo: -o desmantelamento da sociedade democrática e das instituições civis e politicas.

Assisti a reprodução de uma velha política, esgotada e que só serve a manutenção do “status quo”, independente da sigla e cor de sua bandeira. Como disse Che, “ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética.” Portanto o que é ser revolucionário nos dias de hoje? Repetir velhas práticas? A manutenção do tal “centralismo democrático”? A luta por dentro das instâncias criadas por eles, para eles e pelas leis feitas por eles? Como bem colocou Paulo Gomes - estas maneiras de fazer politica já eram denunciadas como velhas por Gramsci, quando nos porões das prisões italianas, no período fascista de Mussolini.

Minha geração e anteriores, não tem mais resposta para mudar o que está colocado hoje. Não nos adianta repetir estratégias e táticas anteriores, mesmo que bem elaboradas e exitosas à sua época, em outras conjunturas, em outras realidades. Realidades estas totalmente diferentes da que encontramos hoje.

“É você / Que ama o passado / E que não vê / Que o novo sempre vem.”

Eduardo Galeano nos dizia que “como um povo pode almejar um futuro melhor se não conhece seu passado”. Devemos sim, conhecer nosso passado, nossa história. Para, a partir das boas práticas, do exitoso, sedimentar a base necessária para a mudança, para a busca do novo. Para revolucionar! Os jovens de 1968 não aceitaram o “lutar por dentro das instituições” como pregava o PCB, por exemplo. Pegaram em armas e foram à luta. De forma acertada ou não, atendendo ou não à conjuntura do momento, tentaram revolucionar.

Esse tipo de revolução nos atende nos dias de hoje? Vamos chegar à conclusão que devemos ser mais radicais? Ou temos que nos preparar melhor para não repetir os mesmos erros, e inovar e transformar a partir dos acertos de antes. Repito, não será o PT, PCB, PcdoB, PSOL, PMDB, PSB, PSDB e demais, que estão imbuídos na manutenção do atual status quo, imbuídos na manutenção desse sistema político esgotado e atrasado, que permite desvios de condutas e princípios, que vocês jovens devem se apoiar. Não! Está na hora de deixarem de serem tutelados e a começar a mudar a forma de fazer política dos “véios”. São vocês que devem nos pautar e apontar os novos caminhos e as novas formas de fazer política. A estudantada de São Paulo mostrou a todos ser possível fazer diferente.

“Ainda somos / Os mesmos e vivemos / Como os nossos pais.”

Infelizmente assisti a reprodução da política “menor” que acontece no Brasil. Forças que deveriam estar unidas em um combate comum, por um objetivo final que atenda a grande maioria da população, disputando espaços e quinhões de poder. Quem tem cargos, mesmo que sem “garrafas”, entendendo-se por “garrafas” à população nas ruas.

Estamos perdendo e, não acredito que nos deixem em 2018 ou em 2020 como já insinuam, voltar a ocupar o Palácio em Brasília. Pois continuamos egoístas frente às necessidades do país. E se, por “felicidade” chegar, vamos chegar para quê? Vamos regulamentar a mídia? Fazer as reformas necessárias? Ou vamos manter o sistema?

Se for conosco, os “véios,” é bem possível que prevaleçam os acordos que a direita só cumpre quando de seus interesses. Mas se a juventude estiver revolucionando, inovando, estarão nos calcanhares dos “véios”, nos mordendo. Provocando-nos a ouvi-los e a perceber que mudanças são necessárias e possíveis.

“Mas também sei / Que qualquer canto / É menor do que a vida / De qualquer pessoa”

À luta.

Sérgio Mesquita
PT-Maricá

terça-feira, 4 de abril de 2017

"Tudo caminha para que não haja eleições em 2018"

"Tudo caminha para que não haja eleições em 2018", diz Marcio Pochmann
 
BRASIL DE FATO
Ednubia Ghisi


Para o economista Márcio Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o cenário de ruptura da democracia brasileira exige reações fora da institucionalidade. “Não tem saída institucional e nem tradicional. Os que deram o golpe não entregarão pela via democrática”, garante, se referindo às eleições de 2018. A afirmação acalorou o debate do I Seminário "Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão", parte do Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado nesta sexta-feira (31/3), no Rio de Janeiro. O evento é realizado pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-Rio) e pela Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge).

Pochmann chama de otimista a análise de que seria possível interromper o golpe por meio de um processo democrático eleitoral, com a candidatura de Lula ou de outra candidatura de esquerda em 2018. “Mas eu não acredito que esse [novo] governo teria condições de apresentar resultados positivos à população”, ressalva.
Na avaliação do economista, “tudo caminha para que não haja eleições em 2018” e, por isso, a necessidade de avançar em outras saídas. “A democracia no Brasil é uma exceção, a regra é o autoritarismo. Em mais de 500 anos de história, temos 50 de democracia”.
Neste cenário de quebra da ordem democrática, o economista aponta a necessidade de ir além de denunciar e reagir. “Se quisermos uma eleição democrática em 2018, precisamos radicalizar. O que nós vamos impor de prejuízo a eles? Se nós não impusermos prejuízo a eles, nós não avançamos. Não estou defendendo a ruptura democrática, porque ela já houve. […] Quanto mais você se abaixa, menos você se levanta”, opina.

Bases do golpe


Sobre as bases em que se deu o golpe, avalia a opção pela recessão como uma das principais. “Sem a recessão não haveria golpe, ou não neste termos”, o que levou a um enfraquecimento da base e de apoio. O segundo elemento foi a descrença de que nós estamos, de fato, num processo de golpe. Apesar da “retórica”, a presidenta Dilma Rousseff não reagiu à altura e participou do processo parlamentar que levou ao golpe.
“Se há golpe, não há normalidade democrática, então requer outro tipo de postura”, e cita como ações que poderiam ser tomadas pela presidenta seria a suspensão das Olimpíadas, a declaração do golpe nas Nações Unidas, o chamado para uma grande reunião de chefes de estado para articular uma reação.
Soluções para a crise

O I Simpósio SOS Brasil Soberano ocorreu na sexta-feira (31), e terá outras três edições, em Salvador (BA) Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR), nos próximos meses. O evento busca soluções práticas para a crise que ocorre no país. Para o presidente do SENGE-RJ, Olímpio Alves dos Santos, o principal objetivo é construir uma discussão de projeto de nação.
“Precisamos de um projeto de emergência, urgente. É necessário abrir o debate a despeito de toda a resistência. O que assistimos é o desmonte do Estado, que foi construído na década de 30”, critica.
Clovis Nascimento, vice-presidente do SENGE-RJ e presidente da Fisenge, afirma que o Brasil vive uma crise sem precedentes.
“É uma crise institucional e política, que partiu de um golpe muito bem engendrado. Temos que construir propostas. Nossas contribuições devem ter como objetivo a melhoria da qualidade de vida”, defende Clovis.


TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO

Meu comentário sobre o 5º módulo do curso de Cidades Inteligentes, do Fórum Cidades Inteligentes, que estou fazendo. Tema: Tecnologia e Educação. Segue o debate no WatsApp que se seguiu com a companheira Aline, jornalista de Nova Iguaçu, após minha publicação no grupo.

Sérgio Mesquita: Como já colocado em comentário anterior, trabalhei 30 anos com TIC. Nas Fundações que geriam e produziam a antiga TVE-RJ, hoje TV Brasil e as Rádios MEC, AM e FM. Nos último 15 e 20 anos, incluiu-se a TV Escola e recentemente, em 2013, a TV INES voltada para o surdo mudo. Um trabalho bem próximo a educadores e pedagogos. Meu papel era colocar a tecnologia disponível, entre outras, a serviço da TV Escola e demais.

Portanto, me preocupa quando no campo da Educação, a tecnologia ficar reduzida a questão das máquinas e dos softwares, que são sim importantes como ferramentas de apoio.  Em especial quando se tratando de crianças no Ensino Fundamental. Mesmo entendendo que essas crianças praticamente já nascem conectadas.

Em 2012, realizamos um final de semana de palestras, ao estilo das palestras TED - Technology, Entertainment, Design, sem muito tempo para o entretenimento. Foram dois dias que iniciavam às 9h e terminavam próximo das 21h, onde o tema era Tecnologias Educacionais.

Tivemos de tudo, de computadores a bonecos de panos que eram vestidos como luvas. O grupo CESAR de Pernambuco apresentou sua gincana educacional que mesclava tecnologia e os livros na biblioteca. Na última prova as equipes só podiam usar livros como apoio. Assisti também a uma palestra sobre a melhora do ensino em uma escola do interior de Minas, onde as professoras passaram a fazer aulas de teatro e a confeccionarem seus bonecos de mão. Quando a aula ficava chata, quem assumia era o boneco através da professora. As notas subiram e as turmas passaram a ler de 3 a 4 livros por ano.

Portanto na área da Educação, em especial, tecnologia é toda e qualquer ferramenta que apoie o desenvolvimento do aprendizado, inclusive o computador que tem seu lugar de destaque nos dias de hoje. Uma criança bem formada em seus tenros anos, com certeza terá uma visão de utilização da tecnologia bem mais avançada, muito além daquelas de minha geração.

Aqui em Maricá, como Sec. de Ciência e Tecnologia, deixo bem claro quando falo em público, seja em pequenas reuniões ou grandes, digo que a enxada na mão de um lavrador é a tecnologia, o saber abrir a cova para colocar a semente é a ciência. A máquina (a nova tecnologia), só acelera o processo de semeadura, que se realizada fora da época, não passará de trabalho perdido.

Outro ponto que me preocupou foi a ênfase na ”Educação para a economia.” Acredito que a tecnologia, como colocado na primeira aula por mim, existe para dar qualidade de vida às pessoas. Educar nossos jovens para a economia que temos hoje é incentivar o egoísmo, a disputa com o próximo. Se hoje temos as ferramentas colaborativas, que as usemos para a verdadeira colaboração, que a utilizemos para o bem comum e não por uma posição individual, passageira, em uma economia que ignora o cidadão e incentiva o indivíduo. Se um dos pontos que definem uma Cidade Inteligente, passa pela economia criativa, em especial na Cultura, porque não podemos pensar em um mercado criativo, onde todos os setores da economia, também sejam criativos?

Como já exposto e sendo repetitivo, a tecnologia deve ser utilizada para o bem comum e não para atender o que temos posto hoje no mundo. Para tanto, nossos estudantes devem ser preparados a partir de um pensamento social que privilegie a solidariedade, a vida em comunidade. Não a vida em seus quartos, resumidas a conversas sem o olho no olho, a viajarem pelo mundo sem sentir o vento no rosto. Toda a tecnologia citada neste ponto do curso, também permite este outro crescimento. A questão é política.

Aqui, sempre que discutimos uma nova aplicação tecnológica, perguntamos: Para que? E para quem? Respondida as perguntas, aí vamos para a aplicação.

Aline: Companheiro Sérgio Mesquita eu acrescentaria uma provocação ao seu comentário: vc não acha que os novos paradigmas da Educação na Sociedade de Consumo inverte a lógica do uso da Tecnologia pela Educação? Explico: Eu acredito que, cada vez mais, são os usos das tecnologias que levam à Educação. É um caminho diferente ao qual estamos costumamos a traçar. Por que digo isso? quando eu estava fazendo entrevistas para o mestrado, observei um caminho inversamente conflitante no uso das tecnologias para fins informacionais e educacionais (ou seja, usos que não eram para o entretenimento). Dentre os meus entrevistados, sobretudo os jovens, disseram "aprender mais coisas interessantes" quando estavam navegando aleatoriamente pelas redes do que quando estavam lendo um livro obrigatório da escola. Eles diziam-se guiados pelo fenômeno que nós comunicólogos chamamos de "serendipidade". A serendipidade acontece quando você vai atrás de alguma informação ou conhecimento depois de se deparar com algo que lhe chama atenção. É como descobrir algo novo quando você nem estava procurando aquilo. É uma "descoberta por coincidência", digamos. Nas redes sociais, por exemplo, é muito comum vermos uma propaganda ou uma postagem sobre determinado assunto que não sabemos, e aí nos vemos despertados a pesquisar mais sobre aquilo. Quem já passou por isso?

Esse tipo de "fenômeno" está cada vez mais frequente, e portanto usual, na medida em que aumentam os nossos hábitos e consumo de informação. E, querendo ou não, isso gera um impacto muito grande na forma como as pessoas adquirem conhecimento.

Pois bem, você não acha então que, do ponto de vista da Educação, deveríamos olhar com mais atenção para esses hábitos de consumo informacional?

Afinal, esses hábitos não atravessam também (e hoje em dia muito mais!) os processos educacionais?

Enfim, eu gostaria de ouvir sua opinião sobre isso, pois tenho encontrado certa dificuldade de debater essa perspectiva com alguns amigos da Educação, que acreditam que as tecnologias sempre serão "auxiliares" no processo pedagógico. Eu não acho que são auxiliares. Mas também não acho que sejam protagonistas (não me entenda mal). Pra dizer a verdade, eu acredito que as tecnologias representam uma inversão de paradigmas no processo educacional que, cada vez mais, se verá impelido pela construção do conhecimento de maneira horizontal e distribuída. Isto é, formado e compartilhado por redes. E, ao meu ver, a gente precisa urgentemente discutir como a Educação "formal" vai disputar o seu espaço nessa dinâmica.

Você não acha?
*desculpe os erros de digitação...

Sérgio Mesquita: Vamos começar concordando quanto a horizontalidade. Outro ponto está na importância de algumas ferramentas que podem sim ajudar na cooperação. Mas essas ferramentas não possuem inteligência própria, e quando com alguma inteligência, a mesma está colocada por alguém com objetivos bem definidos.

Em relação a busca aleatória,  vale a mesma observação acima. O que está lá disponível, não está lá aleatoriamente, alguém disponibilizou. E nos dias de hoje, onde a manipulação é a regra, podemos questionar qual aprendizado estamos obtendo.

Em qualquer linha de aprendizado, seja à direita ou esquerda, tem-se que ter uma linha de ação, uma cadeia a ser seguida e deve ter um mínimo de coerência para que haja encadeamento das ideias. Qualquer linha de pensamento deve ter início, meio e fim. Podemos comparar o conhecimento compartimentado a linha de produção fordista, onde o operário só sabia executar determinada função. Os japoneses criaram as células, o toyotismo, onde cada um tinha o conhecimento do todo.
Posso ter falado um monte de besteiras...rsrsrs...mas não vejo como alguém poderá discutir alguma ideia conhecendo somente pedaços dela, que lhe pareceram mais agradável em sua navegação.

Há braços.
Ps...desculpas pelos erros também.

Aline: Legal você ter lembrado da lógica da linha de produção. No entanto, o que segue sendo uma dificuldade pra mim em aceitar esse ponto de vista é o seguinte: estamos falando de tecnologias apenas como ferramentas (do capitalismo)?

Eu, na verdade, me referia não apenas às TICs num sentido material, mas também aos espaços que elas ocupam nas nossas vidas. Falava, portanto, das experiências que a minha geração acostumou-se a entender como "natural" da vida cotidiana. Essa relação de quase ubiquidade da vida/lugar/tempo digital coloca a nossa relação com as tecnologias num outro patamar.

Um exemplo pitoresco q me ocorre agora é o fato de vivenciarmos uma grande liquidez da vida pública e privada. Há quem diga que estamos vivendo uma crise da vida privada, já que nossas experiências digitais são, por tabela, compartilhadas com todo mundo, a todo momento. Somos todos vigiados, uns pelos outros, e todos por um grande sistema de controle-capital. O problema está, justamente, no fato das pessoas não estarem preocupadas com isso (e aqui estou falando de achismo). Os jovens não me parecem preocupados se, a cada check-in que eles fazem na rua, milhões de dados ficam armazenados, e portanto controlados, em algum lugar da Big Data.

Isso não é uma questão para a maioria das pessoas que usam redes sociais a todo momento, por exemplo. É uma questão para nós, que problematizamos a realidade e seus contextos.

Com isso, quero dizer que, inevitavelmente, a sociedade está caminhando para o uso generalizado das tecnologias não apenas como "ferramenta" mas como forma de Ser e de Existir dos espaços públicos (digitais, bora não só...).

Acredite, tô falando sério! Já vi gente séria falando isso e nos alertando para os "modos de ser" das próximas gerações...

Agora você pode me perguntar "mas o q isso tem a ver com o nosso papo sobre educação?".

Bom, eu defendo que não dá mais pra gente ficar dizendo q as tecnologias são ferramentas dentro de uma linha de aprendizado ditada por nós. Eu ainda bato na tecla que há uma diferença sutil aí - entre relegar à tecnologia o papel de "máquina" ou aceitar q ela integra um processo de inteligência q é coletivo, q é complexo, q não é linear e que, portanto, não é coerente.

Dentro de um espectro de experiências únicas que cada um de nós pode ter, isso significa que é possível aprender mesmo onde as ideias parecem fragmentadas, ou parecem não fazer sentido.

A disposição da informação, portanto, me parece favorecer a autonomia do aprendizado, na medida em que desperta o sentido do que seja "conhecimento" para cada um.

A gente não aprende nas relações políticas do cotidiano? Nas relações políticas, muitas vezes tomamos atitudes ou fazemos escolhas sem sentido (ou até contraditórias), que, se observadas no contexto maior, dizem respeito ao modo como aprendemos a lidar com o universo de complexidades que é a política. Eu costumo dizer que o caos vai nos ensinando a tirar proveito apenas do for melhor pro nosso conhecimento de mundo. E é assim que eu enxergo a política. É assim que eu enxergo a vida.

Na minha vida, eu chamo de conhecimento o conjunto de cacos; o conjunto das ideias que foram surgindo no meu caminho, e que, em algum momento, me despertaram um saber útil.

Mas, ainda que essa seja uma ideia pessoal e leiga sobre o que seja "aprendizado" e "conhecimento", acho q podemos aproveitá-la para a seguinte questão:

Ora, se esse tipo de experiência de aprendizagem (não linear e aleatória) acontece na vida e nas relações off-line, seria muito absurdo dizer que assim também ocorre nas experiências de quem passa 16h por dia conectado?

Por outro lado, deixando um pouco de lado a minha provocação, concordo que as tecnologias são agências e não agentes do conhecimento; e que estão atreladas aos meios de produção e gestão do consumo em suas diversas instâncias capitalistas. Todavia, me parece q se quisermos realmente aproximar as pessoas, sobretudo jovens, para um debate mais crítico acerca do uso das tecnologias de informação, temos que falar sobre essa realidade que nos assalta o cotidiano: a realidade dos hábitos; hábitos que nos constituem enquanto sujeitos-digitais!

Enfim... Essa reflexão ainda vai longe e é muito bom poder trocar ideias com quem está disposto a refletir para além do que nos é colocado. Espero ansiosa pela sua resposta, e agradeço a oportunidade de aprender contigo!

Sérgio Mesquita: Bom dia.
Segundamente, Fora Temer. Primeiramente, você é maravilhosa. Obrigado por nos permitir essa troca. Peço-lhe um favor, me permita expor nossa conversa com meus próximos, em especial na Sec. de Ciência e Tecnologia. Foi montada com um grupo de educadores e pedagogos tão preocupados quanto nós. Mas só se permitir. Voltemos a nossa troca.

A tecnologia não tem ideologia. Quem a tem somos nós, capitalistas, socialistas, budistas e outros "istas". Mas não podemos esquecer que o Face, Google e o próprio zap aqui, são criações capitalistas e ganham muito dinheiro a partir de nossos usos. Poucos sabem ou se preocupam com isso, talvez por conta, quem sabe, da fragmentação do conhecimento. Aliás, acredito que nem os militares americanos tinham ideia de que a Internet poderia chegar onde chegou ou têm ideia de onde pode chegar ainda. Fiz uma redação sobre a Internet quando voltei ao banco da escola, onde a partir do colocado acima, citei dois exemplos do uso da ferramenta. Um chinês que leiloa a alma e o subcomandante Marcos que barra o avanço do exército mexicano em Chiapas, a partir de seu lap top nas montanhas. Portanto, enquanto usuários, nós ditamos a linha. Mas enquanto empresa, ela serve às corporações e nossos dados são vendidos e manipulados em interesse do capitalismo. Isso é fato.

Agora, o grande nó da questão, por que uma geração inteira que não se preocupa ou acha isso natural, a fragmentação? Esse achismo é espontâneo ou é fruto de um trabalho de anos, pensado e aplicado?

São décadas de imposição de uma contra cultura em detrimento da cultura. Você aprende na escola que deve ser o melhor, o mundo esta aí para te servir e pronto. Thatcher na década de 70 dizia que não existia sociedade, o que existe são indivíduos e no máximo a família.  Doutrinação pelo consumo, pela publicidade. Você não é mais o responsável pela educação dos seus, você terceiriza para a escola e para televisão,  pois você  acredita não ter tempo. Para que aula de história e educação física. O mundo deve ser dos sedentários, basta teclar. Perder tempo viajando, visitando um migo enfermo? Basta a carinha triste disponível na rede.

As consequências estão aí. Porque não estamos nas ruas brigando pelo o que acreditamos? Porque o golpe na democracia e nos direitos é visto com naturalidade pela a maioria das pessoas? Nesse exato momento, estou deitado em minha cama nesse rico debate. Não seria melhor estarmos com um grupo de preocupados  e não  preocupados, olhando olho no olho? Exaltados, ficando vermelhos, mas sem perder a ternura? Ah! E as vídeos conferências? Ótima ferramenta para a continuidade do debate, mas não serve para a geração do mesmo, em minha opinião.

Esse nosso debate aqui, não seria tão enriquecedor se tivesse mais gente nessa tecnologia. Temos o exemplo das conversas em grupo do próprio zap. E se formos levar em consideração a frieza do texto...ferrou tudo.

Concordo que devemos sim, levar em consideração e com a devida atenção que merece, as novas tecnologias ao pensarmos o projeto educacional que queremos. Nossas universidades ainda trabalham no modelo criado pelos militares e nossas secretarias de educação devem repensar seus modelos também. As reformas anteriores e a atual só estão presentes para agravar a contra cultura, e criar autômatos. O sistema precisa da fragmentação para sua sobrevivência. Esse deve ser o ponto de partida.

Há braços....

Aline: Hahaha, pode usar a conversa certamente. Aliás, melhor mesmo que a tivéssemos pessoalmente! Gostei muito dos seus esclarecimentos e gostaria que me avisasse quando for oferecer/participar de cursos com essa temática. Agradeço sua disposição! Um ótimo fim de semana.

Marcos De Dios: Grande diálogo Sérgio Mesquita e Aline. Temos vida inteligente na rede. Uma luz no fim do túnel.

Victória: Quero agradecer aos companheiros Aline e Sérgio, por me permitir acessar o conteúdo da excelente conversa. Achei a análise das redes pertinente. Este é um dilema que vivemos no mundo contemporâneo. Usar as redes é uma forma de comunicação rápida, mas além de alimentar às multinacionais que estão por trás delas, alimenta também o distanciamento pessoal entre as pessoas. Inclusive àquelas que amamos. Valeu.

sábado, 18 de março de 2017

Crônica de uma morte anunciada II (18.02.2017)

Em 2015, escrevi a primeira versão do texto em que “pego emprestado” um dos títulos do Gabrial Garcial Marquez, “Crônica de uma morte anunciada”, em que discuti as posturas do PT e, em especial, de nossa presidenta.
Pouco tempo depois, em outro texto, que discutia a Lava Jato, tive o mesmo abrilhantado pela visão de um garoto, com então 18 anos, Bernardo, filho do companheiro Marcos de Dios, que em seu comentário coloca que um dos objetivos principais da Lava Jato era acabar com as empreiteiras nacionais, que ganhavam espaços no mundo por conta da política internacional do PT em Brasília. Visão mais que confirmada posteriormente, em especial após discursos do Cunha no Plenário da Câmara,  defendendo a abertura total do país para as empreiteiras estrangeiras.
O Brasil é o único país do mundo, onde quando uma diretoria de uma empresa é flagrada em processo de corrupção, quem paga são os empregados e país com o fechamento ou proibição de abertura de novos contratos. Na Alemanha e na Holanda por exemplo, a Siemens e a Alston, condenadas “na Suíça” por corrupção nas obras do Metro de São Paulo, continuam funcionando aqui, muito bem obrigado. As empresas foram multadas e os diretores envolvidos afastados, e a remessa dos lucros para o exterior, continuam bem obrigado. Mas nossos valorosos Juízes, Deputados, Procuradores e outros serviçais, defendem abertamente o desemprego e o fechamento das empresas em prol de seus patrões acima da linha do Equador. E você, de amarelo dizendo “somos milhões de Cunhas “ – acredito.
Agora, recentemente assistimos a mais um grande escândalo. Dessa vez as vítimas (que cometeram crimes contra a humanidade e devem ser punidas) estão na indústria de alimentos.
Lendo o blog do Nassif (jornalggn.com.br – link ao final), ele coloca muito bem as consequências e o como e porque essas empresas foram denunciadas. Briga interna na Polícia Federal. Delegado que quer lugar de outro, arma o circo de forma midiática (acredito que de hoje em diante, deva ser matéria obrigatória e eliminatória nas provas para juízes, delegados e procuradores, Comunicação e Marketing. Matérias que envolvam os direitos civis, administrativos e constitucionais passam a ser eletivas), e desmascara a indústria de alimentos. Em especial uma das que mais bancou o “por fora” de nossos políticos, a Friboi que tem como um de seus acionistas o Maílson da Nóbrega e não o Lulinha.
De novo se repete a estratégia da Lava Jato. A destruição em vez da punição dos responsáveis e a correção do processo. Perdemos as empreiteiras, perdemos o petróleo, a indústria naval e agora é a indústria de alimentos. Que venham as estrangeiras, nosso papel como produtor, deve se resumir ao setor primário. Voltar a ser colônia.
E os delegados, os juízes e promotores que defendem o fim do país enquanto nação soberana? Tudo bem voltarmos ao Mapa da Fome? Aqueles que foram de maior agrado da mídia (bandida) sobreviverão, e os demais se aposentarão com seu vencimentos integrais ou ascenderão a cargos maiores. E você, de amarelo, não entendendo porque vai trabalhar mais, ganhar menos e não ter nenhum direito, só deveres.

Há braços.


Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT Maricá


domingo, 26 de fevereiro de 2017

QUIETISMO, AQUIESCÊNCIA E EMULAÇÃO - Paul Kugman

“mesmo aqueles de nós que saíram das fronteiras do mundo acadêmico e tentaram falar com o exterior não se comprometeram o suficiente para encontrar formas adequadas para se comunicar com um grupo mais amplo de pessoas. Continua-se confiando demais no código, dando por descontado que as pessoas sabem ou entendem coisas que muitas delas não sabem e não entendem. Não é o suficiente”.
O que você não deveria fazer depois deste ano tão desanimador? Três grandes tentações serão sentidas, em diferentes graus, dependendo das pessoas. Vou chamá-las de quietismo, aquiescência e emulação.
Quietismo
Comecemos pelo quietismo. Significa, substancialmente, renunciar a tentar dialogar com o mundo em geral. Significa encurvar-se sobre si mesmo. Significa se concentrar na própria especialização. Se você é economista, significa voltar a escrever ensaios que serão lidos por algumas centenas de pessoas e renunciar a qualquer tentativa de fazer com que essa palavra chegue ao mundo mais amplo. Pelo menos no que se refere a mim, essa é uma tentação muito forte.
Quero contar-lhes o que eu fiz no domingo passado. Eu tinha um editorial para escrever, mas decidi que precisava esclarecer algumas coisas na minha cabeça e, depois, talvez escrevê-las para outros. Então, passei algumas horas muito agradáveis lendo artigos acadêmicos e, depois, abraçado no meu velho amigo Fred (Fred está para “Federal Reserve Economic Data”, um site fantástico para encontrar estatísticas.)
Foi uma experiência maravilhosamente relaxante, calmante, um pouco o equivalente nerd de assistir vídeos de gatinhos no YouTube (eu também faço isso, aliás). Em suma, foi ótimo.
Obviamente, as pessoas vão continuar fazendo coisas desse tipo. Vão continuar trabalhando nos seus mundos específicos, trabalhando em coisas que não são necessariamente destinadas a atingir um público de massa. Ao contrário, a maioria das pessoas vai fazer isso: nem todos podem tentar, ou deveriam tentar, influenciar a opinião dos não especialistas, dos não adeptos aos trabalhos.
Eu acho que, no fim, mesmo se você for a pessoa mais introvertida e acadêmica do mundo, para todos nós, a justificativa última daquilo que fazemos é fazer algo que vai mudar o mundo, que vai melhorar as coisas.
Se você ler a obra-prima de um economista extremamente influente como John Maynard Keynes, a “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, que é um livro notoriamente difícil (é um trabalho duro até mesmo para os economistas de profissão), você vai ver que, no fim, ele fornece uma autojustificação. Por que ele escreve esse livro que, com efeito, é dirigido a um público de adeptos aos trabalhos, sabendo que os políticos não vão lê-lo? Porque as ideias importam, dizia. “Os homens práticos, que se acreditam imunes a qualquer influência intelectual, geralmente são escravos de algum economista já falecido. Os líderes loucos, que ouvem vozes vindas do ar, destilam sua exaltação de algum escrevinhador acadêmico de alguns anos atrás.” Em suma, as ideias vêm e vão pelo mundo. Mas o que acontece se os líderes loucos destilam a sua exaltação de um site de mentiras gerido por São Petersburgo? Qual o papel, nesse caso, para o raciocínio aprofundado?
Bem, a menos que se acredite que existe um canal que permite que o saber acadêmico penetre no mundo real, todo o esforço é bastante desanimador. Por isso, é o caso de continuar trabalhando duro para tentar estabelecer essa conexão. Das várias coisas que eu estou falando, o quietismo é a tentação que exerce a maior atração em mim: mas também é uma tentação à qual eu não quero ceder.
Aquiescência
Vocês já estão vendo, não é mesmo? Se um conjunto de ideias têm sucesso politicamente, isso significa que alguma validade elas devem ter. Há alguns intelectuais que são centristas de profissão: se há duas inclinações, a verdade deve estar sempre no meio; e, se há extremismo, deve ser, por força, igualmente extremo, independentemente do contexto.
Vocês certamente estão vendo muitos que já começam a encontrar subterfúgios para defender que o presidente [Trump] e os seus colaboradores mais próximos devem ter alguma razão. O problema dessa atitude, naturalmente, é que o fato de ter o poder não torna certo aquilo que você diz, o fato de ter o poder não decide onde está a verdade. Só porque algo funcionou bem, isso não significa que possui qualquer validade.
Vocês devem aferrar com força os seus princípios. Não devem acreditar que o seu lado está sempre certo (certamente não é o caso), não devem acreditar que são infalíveis (absolutamente não é o caso), mas devem acreditar que os instrumentos da razão – tentar compreender realmente como o mundo funciona e tentar basear a sua visão de como o mundo deveria ser sobre essa compreensão – não são influenciados pelos destinos políticos. Vocês devem continuar acreditando nisso. Se vocês cederem a essa tentação, renunciem ao próprio sentido da existência de vocês.
Emulação
O que acabamos de ver, e não é a primeira vez, é que ideias simplistas, completamente erradas, funcionaram muito bem. Que aqueles que afirmam coisas simplistas, facilmente refutáveis, não pagam nenhum imposto. E que ter uma narrativa forte, mesmo que totalmente falsa, aparentemente funciona melhor do que ter uma narrativa sofisticada, mas pouco convincente. Talvez, então, deveríamos fazer a mesma coisa?
Nesse ponto, eu deveria fornecer exemplos correspondentes para o outro lado do espectro político, mas a verdade é que não há nada de realmente comparável. E aqui voltamos a uma das coisas que eu dizia antes sobre os centristas de profissão: é uma espécie de axioma pelo qual duas partes do debate político devem necessariamente ser simétricas, mas não é assim. Simplesmente há uma enorme diferença.
Quando ouço as pessoas dizerem: “Se introduzirmos os deveres de Trump e abraçarmos o protecionismo, vai se desencadear outra depressão que irá destruir milhões e milhões de postos de trabalho”, eles estão dizendo algo que não é validado pela análise econômica. O argumento de que o protecionismo destrói postos de trabalho não é aquilo que dizem os manuais de economia (e eu escrevi vários manuais de economia). Aquilo que os manuais dizem é que o protecionismo reduz a eficiência e nos torna mais pobres no longo prazo. Eles não dizem que vai destruir muitos postos de trabalho. Porém, vê-se muita gente – que deveria saber dessas coisas – propagando análises alarmistas.
A Moody’s publicou uma análise sobre os efeitos da política comercial de Trump que é chocante na sua falta de fundamentos. Não é que o modelo econômico esteja errado, é justamente que ele não está baseado em nada, em nenhum modelo que qualquer pessoa possa utilizar para qualquer coisa. Eles simplesmente fabricaram uma história ali para assustar as pessoas contra os efeitos da política comercial. E é uma tentação que eu entendo. Alguém pode dizer: “Você vai pagar um preço quando vierem à tona as coisas que você disse que estavam erradas”, mas, nos últimos meses, a verdade é que não vimos ninguém pagar preço algum por dizer coisas inexatas. Existem muitos outros exemplos como esse e, em alguns casos, provavelmente muito mais graves.
Vocês devem lembrar por que estamos lutando realmente. Eu tenho valores, uma preferência política: há coisas que eu quero ver realizadas. Eu quero uma sociedade que seja mais benevolente para com os infelizes, que conforte os aflitos e aflija os ricos, e não o contrário. Quero uma sociedade aberta, em muitos sentidos.
Mas há algo maior do que a simples questão do que vai acontecer com a política fiscal, com os programas sociais ou com o salário mínimo. Tornou-se cada vez mais evidente que, embora a luta de fundo, obviamente, seja entre direita e esquerda (entre um Estado concebido como a serviço da oligarquia e um Estado concebido como protetor), ela é também, em certo nível, uma luta entre aqueles que querem defender o Iluminismo e aqueles que querem destruí-lo.
A honestidade intelectual é um valor fundamental. Vocês não devem começar contando mentiras nobres, porque sacrificariam aquilo que vocês são. Não se escondam no seu jardim. Não comecem a encontrar truques para defender que coisas insensatas, no fim das contas, têm sentido.
O que fazer?
Mesmo aqueles de nós que saíram das fronteiras do mundo acadêmico e tentaram falar com o exterior não se comprometeram o suficiente para encontrar formas adequadas para se comunicar com um grupo mais amplo de pessoas. Continua-se confiando demais no código, dando por descontado que as pessoas sabem ou entendem coisas que muitas delas não sabem e não entendem. Não é o suficiente.
O pior de tudo é quando se sobe na cátedra, quando se defende algo aproveitando-se da própria autoridade. Eu não acho que já tenha feito isso ou, pelo menos, tento evitá-lo. Pediram-me para assinar diversos abaixo-assinados sobre os terríveis efeitos das políticas de Trump. Eu tinha uma desculpa: o New York Times não me permite fazer coisas desse tipo. Mas o fato é que essa estratégia é incrivelmente ineficaz. Ela simplesmente não funciona: não nestes Estados Unidos, não nesta fase da nossa civilização. Dizer “eu sou um especialista, acreditem em mim” simplesmente não funciona.
Mas, mesmo para além disso, a tentação de ficar calmo e não se esforçar para traduzir abstrações em coisas mais concretas, que as pessoas possam compreender, é muito grande. E devemos combatê-la. Uma forma para combatê-la, também aqui, é evitar não só o jargão técnico, mas também certos modos de enquadrar a questão que são de difícil compreensão.
Há muito tempo, quando eu estudava para o mestrado, o meu orientador na época, o falecido Rudi Dornbusch, dizia que, quando se escreve para um público genérico, não é preciso começar dizendo: “Tomemos uma economia pequena e aberta…”. É preciso dizer: “Na Bélgica…”.
Ora, eu não quero ser aquele que simplesmente diz: “Faça o que eu faço. Todos deveriam ser como eu”. Eu também fiz um exame de consciência, e uma coisa que é importante e que eu não faço, e que não é natural para mim fazer, é individualizar, focar a atenção nas histórias de pessoas individuais. Realmente não é o meu estilo. Eu não sou aquele tipo de pessoa que vai para outro país e encontra um artigo local que, coincidentemente, diz exatamente as coisas que eu penso. Eu também não sou aquele tipo de pessoa que faz jornalismo in loco e encontra uma família que foi afetada pelo problema. E há um motivo pelo qual eu não faço isso: sempre me irritou, e continua me irritando, quando os políticos fazem um discurso e dizem: “Deixem-me contar sobre a família Garcia”. Mas eles fazem isso por uma ótima razão: fazem porque é a maneira pela qual a maioria das pessoas se relacionam. É preciso ir para o lado pessoal, e é uma coisa que os intelectuais públicos também devem encontrar a maneira de fazer.
Outra coisa que vocês devem fazer é focar o assunto. Não significa que vocês devem renunciar aos seus padrões, mas vocês devem se perguntar: o que é que funciona? Há pessoas que é preciso persuadir, há uma tese a ser defendida: como fazemos isso? E que pontos precisam ser postos em relevo? As pessoas têm pouco tempo e um intervalo de atenção limitado, e se distraem facilmente se vocês começarem pela tangente. Vocês devem manter o foco.
Recentemente, eu participei de um evento com o ex-deputado democrata Barney Frank sobre a possibilidade de novos progressos na reforma das finanças, e acabou-se discutindo se havia esperança de salvar alguma coisa. Barney disse uma coisa muito afiada sobre a comunicação política: “Devemos nos comprometer em dizer a verdade e nada além da verdade, mas não necessariamente toda a verdade. Às vezes, ela é uma distração”.
Para mim, ele tem razão. Vocês devem focar o assunto. E, acima de tudo, levar adiante rixas com os seus colegas e querer passar por cima dos outros são sempre uma coisa feia, mas, nesse contexto, são um pecado capital. Aqui, não se trata de vocês, trata-se do mundo.
Continuem insistindo. A minha avó, que às vezes falava um inglês excêntrico, sempre dizia que “Roma não foi construída da noite para o dia”. Vocês devem ter paciência e aceitar que, em muitas ocasiões, não conseguirão vencer a discussão, pelo menos não imediatamente. Indivíduos péssimos vão ganhar as eleições, pessoas que dizem bobagens totais vão chamar a atenção de quem está no poder e talvez vão conseguir persuadir grande parte da opinião pública. Mas isso não significa que vocês não podem fazer a diferença em sentido positivo, se persistirem. Vocês simplesmente devem perseverar. Vocês devem ter a pele dura e estar preparados para reviravoltas. Vocês também devem estar preparados para receber muitos ataques pessoais.
Continuem promovendo a vida da mente como um caminho, pelo menos, para uma possível melhoria da vida em geral. As forças que acabamos de ver são algo que aqueles que prestavam atenção sabiam que existiam, mas se revelaram mais fortes do que se imaginava. Provavelmente, será uma longa noite. Se eu lhes pareço calmo e reconciliado, vocês estão muito enganados. Não passa um dia, certamente não passa uma noite sem que eu atravesse uma fase de pessimismo e de pânico. Mas vocês devem fazer o seu dever.
Em tudo isso, o papel do raciocínio aprofundado e a tentativa de fazer com que esse raciocínio aprofundado chegue a um público mais amplo e mais inteligente será mais essencial do que nunca. Talvez, daqui a dez anos, vamos pensar novamente neste discurso e diremos: “Nossa, como estávamos deprimidos. Mas, no fim, tudo correu bem”.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

TER OU NÃO TER CARNAVAL...EIS A QUESTÃO

É fato que vivemos em meio a um processo golpista no Brasil, como também em algumas outras partes do mundo, em especial nas áreas fronteiriças com a Rússia e no Oriente Médio. Lá como cá, o capataz das corporações é o mesmo e age de forma direta ou indireta, o governo dos EUA. O mesmo dos Bushs, do Barack de dentes alvos e do Trump de cabelos esvoaçantes.

Mas o que isso tem a haver com a cabeleira do Zezé?

O Golpe, que se iniciou em 2005, com Jeferson e os seus (PTB) recebendo propina nos Correios, foi concretizado com a farsa do “Mentirão”, apelidado pela mídia de “mensalão”. Prendeu Zé Dirceu, com três juízes (Fux, Weber e Lúcia) escrevendo em seus votos que, apesar de não terem encontrado nenhuma prova contra o réu, o condenariam assim mesmo. O PT se recolhe e deixa Zé ir preso. Desde então, se iniciam várias negociações antes, durante e depois das eleições que, não impedem o processo de impeachment da Dilma. A máscara (que não é da Colombina) cai e os escroques tomam conta do país.

Golpe sacramentado e confirmadíssimo, o país entra em uma espiral descendente onde a democracia já ferida, é ignorada completamente por aqueles que assumiram Brasília. O país piora fisicamente, moralmente e retorna aos tempos da República Velha. Direitos são transformados em negócios, as riquezas do país, como nos idos de FHC, voltam a ser entregues por quaisquer trinta moedas (aquelas do Judas),  e a miséria, a falta de segurança, o desemprego e a fome batem a nossa porta como antes de 2002.

E o cacete da cabeleira do Zezé...cadê!

Hoje a mídia ainda tenta esconder o caos que tanto pediu, mas fica difícil. E pelo jeito, nem o Carnaval vai adiar o processo crescente de revolta. Já são vários os Blocos que denunciam ou simplesmente puxam o “Fora Temer”. Globo e capangas terão que inventar um carnaval em paralelo para não noticiar o impossível de se esconder. Nem na Sapucaí conseguirão.

Arf!!! É ou não peruca a cabeleira do Zezé?

O fato é que a crise chegou e, aqueles governos do tucanato e do pmdb, entre outros, fizeram água e praticamente faliram por esse brasilzão a fora. E no Rio não foi diferente. Várias cidades turísticas cancelaram seus carnavais por conta da crise que eles mesmos criaram. Em Maricá, a exceção de Niterói, todo seu entorno cancelou o carnaval, bem como as famosas cidades da Região dos Lagos e da Costa Leste.

Tá bom...esquece a cabeleira. E o índio? Quer ou não quer apito?

Bom. Colocada a minha visão da crise, vamos ao que me levou a escrever.

Pego um taxi em Maricá e escuto do motorista algo como... ainda bem que vamos ter Carnaval. É o período em que conseguimos faturar bem. Ano que vem vai ser melhor ainda, o desfile das Escolas vai retornar. Dois dias depois, em outro taxi... não poderia ter Carnaval em Maricá. A cidade vai encher muito, os assaltantes vão vir para cá. Isso aqui vai virar um inferno.

Independente de o índio querer ou não apito, o fato é que não agradaremos os gregos, os troianos e muito menos os espartanos (vi nesse sábado 18.02 um cara fantasiado de espartano). Mas é fato também que Maricá sobreviveu e com algumas sobras. Teve e tem competência em seu governo. Pode sim fazer os shows que vem fazendo desde 2008. E para aqueles que pensam que as cidades atingidas pela má administração e apoio ao Golpe, sofrerão perda de receitas. Sei não. São locais turísticos por suas belezas – para sorte dos golpistas que lá estão – não pelo Carnaval. Vão encher, vai faltar água e as praias estarão lotadas. Em Maricá, vai faltar água também, a cidade vai encher sim, suas praias irão encher e... você vai saber se é peruca ou não a cabeleira do Zezé e o que o índio vai fazer se não derem o apito.

Há braços.

Sérgio Mesquita
Secretário de Comunicação, Ciência e Tecnologia de Maricá

Secretário de Formação do PT-Maricá