terça-feira, 28 de junho de 2016

Seriam os estudantes paulistas islandeses?

O caso da Islândia é realmente emblemático e, para os financistas, a notícia não deve ser espalhada pelo mundo não. Como explicar a todos que é possível sim a um país anoitecer falido e amanhecer, no dia seguinte, sem dívidas e com sua soberania resgatada?
Da mesma forma que o dinheiro que circula hoje no mundo é virtual, não tem seu lastro em ouro como “nos antigamente”, as dívidas que existem a partir dele também são virtuais. E como tais, podem ser apagadas pela tecla “delete”. Todo o processo financeiro desregulado é um processo criminoso que atenta contra a vida humana, contra a soberania de países e pessoas e deve ser “deletado”.

Mas se formos deixar para os Congressos atuais, eleitos por uma falsa democracia, como colocaram Saramago e Hobsbawm em seus escritos, nunca será apertada a tecla “delete” da dívida. Pelo contrário, se for apertada, será para apagar a maioria da população que é considerada estorvo para o sistema atual, que só precisa de 20% da mesma para se manter. Os demais 80% representam números - não pessoas - vermelhos em suas planilhas.

 O povo da Islândia deu uma aula de democracia para o mundo. A verdadeira democracia, horizontal, onde todos podem opinar e decidir. O governo foi demitido, banqueiros presos, bancos nacionalizados, dívida anualada e o país voltou à sua normalidade. FMI, a Comunidade Européia e demais entidades financista, preferiram ficar caladas para não chamar atenção para o caso.

Fazendo uma rápida comparação, os estudantes paulistas fizeram a mesma coisa que o povo da Islândia durante as ocupações das escolas públicas. Exerceram a democracia e enfrentaram a máquina do governo paulista e o enquadraram, como os islandeses fizeram com seu sistema financeiro.

Nosso problema, principalmente nas esquerdas, é a existência de um forte patrimonialismo cultural que cega seus quadros. Enquanto mantermos as instâncias de decisão partidárias e das organizações civis verticalizadas, nunca chegaremos perto do que os islandeses e os estudantes paulistas fizeram. Há pouco tempo, ouvi queixa de um membro da Frente Brasil Popular quanto aos movimentos que surgiam contra o Golpe, sem que a Frente avaliasse ou validasse os mesmos. O problema está exatamente aí, porque teríamos de validar ou não as manifestações contra o Golpe? Temos é que incentivá-las, porque se não, as mesmas podem cansar. Temos é que discutir com elas como atingir a um objetivo comum e não para o que, internamente, a Frente ache o correto. Enquanto agirmos assim, corre-se o risco do movimento esfriar e o roteiro do golpe ser levado até o fim, como hoje acontece. Lula acabará preso, Dilma fora e a direita puxando nova eleição presidencial, como querem as corporações.

Se o modelo está esgotado, não adianta lutar por dentro dele. Que comêssemos a botar em prática um novo modelo (que pode até ser um resgate de práticas anteriores), mas tem que ser horizontal e respeitar o povo nas ruas.

Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT-Maricá/RJ


https://youtu.be/lNt7zc6ouco

domingo, 19 de junho de 2016

QUEM SOMOS NO TABULEIRO DO GOLPE...

Qual a importância de Maricá nesse mundo chamado de Brasil

Título estranho né? Importância de Maricá? Até há pouco tempo nem no mapa do RJ estávamos. Importância no Brasil? Coisa de petista!

Verdade. É coisa de petista sim. Mas não somos os únicos que pensam para além do umbigo, que botam os pés para além das fronteiras do “quadrado”, ao contrário do que preconiza a música. Se você, que pode ou não ser petista, não persegue a linha do horizonte, não tem uma utopia e, não é minimamente curioso, aconselho que pare a leitura por aqui. Mas se for minimamente curioso, acho que vale a pena, sem falsas modéstias. Aliás, sempre me vi como aquele que busca extremar as situações. Deixo para os demais a mediação, o acordar uma posição em comum. Meu papel é esticar a corda. Provocar!

Chega, já deu! Voltemos a Maricá e o Brasil de hoje.

Afirmo e reafirmo sem presunções, mas com convicção, que vivemos um processo golpista e criminoso, que depende do esfacelamento de nosso curtíssimo período democrático, e de qualquer resquício de Lei. Um período em que a Constituição, é ignorada ou destruída em nome de um deus de existência recente, chamado Mercado. Não vou aprofundar-me nas justificativas, mas vou sintetizar em um único fato ocorrido em 2005 -  quando o Governo Federal definiu que o PRÉ SAL era da Petrobras, era do Brasil e para os brasileiros. De lá para cá, incentivados pelas Seis Irmãs do petróleo, o golpe contra o Brasil começou. Passou pela farsa criminosa do “Mentirão” e segue em sua nova fase na “Lava Jato”, que não tem interesse em lavar nada. Pior, como coloca Marilena Chauí, com grandes possibilidades de assassinatos por aqui. Pois as Seis Irmãs desde os anos 70 (século passado), promovem guerras, derrubadas de governos e assassinatos para atingirem seus objetivos. Isso é fato, não é especulação. Aqui encerramos o Brasil.

Neste período conturbado de nossa história, local e nacional, Maricá vem se destacando por conta de seu governo petista, em seu segundo mandato. As Leis aqui aprovadas e colocadas em prática fizeram que o município e seu Prefeito, Washington Quaquá, acabassem por virar referência nacional de Governo que busca o fim das desigualdades em seu território, através da redistribuição de renda aliada ao crescimento econômico do município. Pois no meio a uma crise financeira internacional, e uma crise política amoral e aética por que passa o Brasil, Maricá se sobressai. Municípios e mesmo estados, fecham hospitais e escolas, paralisam suas obras e não pagam seus funcionários. Maricá constrói um novo hospital, urbanizando suas vias e praças (saímos de 69 Km de ruas asfaltadas em quase 200 anos, para quase 500 Km em 8 anos), constrói moradias, creches municiais que antes eram inexistentes, e traz para o munícipio o Instituto Federal Fluminense. Ainda estuda a construção e criação de uma universidade municipal, reforma as escolas e projeta os Centros Populares de Educação Integral.  O Governo garante a seus estudantes uniforme completo, material didático, transporte escolar e uma merenda de qualidade. Prepara o município para receber o Porto de Jaconé, as indústrias decorrentes da construção e a manutenção dos negócios e empregos que serão gerados a partir do Porto e do COMPERJ. Seus funcionários recebem em dia, sem atraso e dentro do mês. O professorado de Maricá recebe um salário que está entre os mais altos do país. O Turismo passa por transformações nunca antes imaginadas, contemporizando a chegada de grandes hotéis com o turismo ecológico. Também criou e colocou em funcionamento a Empresa Pública de Transportes – EPT, com tarifa zero, provando para a classe política do país que é possível SIM uma política de transportes que respeite os trabalhadores e que seja gratuita.

Pelo exposto acima e pelos projetos que estão em gestação pela frente, Maricá virou um “péssimo exemplo” de governo a ser seguido. Em especial pelos políticos corruptos que defendem o Golpe contra a democracia brasileira e a Constituição de 88 - um exemplo que deve ser riscado do mapa - assim pensam eles, conservadores e vassalos do capital financeiro. Assim pensam eles - sofredores do complexo de vira-latas que sonham com um apartamento em Miami - a democracia só deve atender aos interesses deles e não o de todos.

Esses políticos se juntarão para que esse projeto de crescimento aliado à qualidade de vida seja interrompido, como estão fazendo com o projeto nacional dos governos Lula e Dilma. Não estão preocupados e nem se interessam com o bem estar da população. Só se interessam com suas contas bancárias e retorno ao feudalismo, onde eles podiam se considerar deuses, acima do bem e o mal. O município de Maricá está inserido nesse processo de disputa ideológica, a favor do entreguismo, de retorno à um passado próximo, onde a classe dominante local sonhava com o retorno do “direito de pernada”, onde a primeira noite de uma noiva era com o seu senhor e não com o marido.

As eleições municipais que ocorrerão em todo o Brasil em outubro desse ano terão o caráter plebiscitário, para além do nome que assumirá a Prefeitura. Estará em jogo qual a linha de pensamento que o governo terá. Seja uma linha de inclusão ou de exclusão de sua população no processo produtivo. Quem vai decidir é você que lê esse texto. Se vai votar naquele candidato que te promete o imediatismo de algumas vantagens pessoais, ou as vantagens de ser parte de um governo que pensa o todo e não o imediato. O que espera para o futuro de seus filhos em Maricá? Um município para todos ou somente para alguns, como até há pouco tempo?

Os olhos estarão voltados para Maricá e outras poucos cidades como São Paulo, onde seus governos pensam em seus trabalhadores a partir de políticas humanas e não do consumo. O trabalhador como cidadão e não como um peão a ser sacrificado no xadrez do poder. “Inté” outubro.

Sérgio Mesquita

Secretário de Formação do PT-Maricá

quinta-feira, 19 de maio de 2016

SURTO DE TRIPANOSSOMÍASE AFRICANA NO CONGRESSO

A mosca tsé tsé e a doença do sono em Brasília

(...) vivi durante muitos anos aferrado à crença de que, apesar de umas tantas contrariedades e contradições, esta espécie de que faço parte usava a cabeça como aposento e escritório da Razão. Certo era que o pintor Goya, surdo e sábio, me protestava que era no sono dela que se engendram os monstros, mas eu argumentava que, não podendo ser negado o surgimento dessas avantesmas, tal só acontecia quando a razão, pobrezinha, cansada da obrigação de ser razoável, se deixava vencer pela fadiga e mergulhava no esquecimento de si própria. Chegado agora a estes dias, os meus e os do Mundo, vejo-me diante de duas possibilidades: ou a razão no homem não faz se não dormir e engendrar monstros, ou o homem, sendo indubitavelmente um animal entre os animais, é, também, o mais irracional entre todos eles.(...)
José Saramago – Cadernos de Lanzarote

Na realidade, não sei, ou não sabemos bem, o que está acontecendo com nossos parlamentares em Brasília, como também com nosso judiciário. Em especial o Supremo Tribunal Federal.

Cientificamente, poderíamos partir da possibilidade de surto da Doença do Sono. Uma vez que os governos “petistas” ampliaram nossas relações com o Continente Africano e passamos a trocar mercadorias com mais afinco. Vá que em uma dessas importações, acabamos por trazer e tropicalizar a mosca tsé tsé e, esse carregamento foi parar em Brasília. Tsé tsé para lá, tsé tsé para cá e nosso Congresso e STF picados pela mosca, que além do sono, pode levar a morte do paciente.

Poderíamos estar nesse momento, passando por alguns dos sintomas da doença, em especial, a confusão mental e distúrbios sensoriais. Somente isso para explicar a grande “M” que está acontecendo em Brasília. Estão todos doentes e, como ainda não caíram no sono ou não morreram, a “cáca” está solta. Somente muita, mas muita confusão mental para se justificar todo e qualquer desrespeito às Leis, à Constituição e a população mais carente desse gigante deitado em berço esplendido. Será que também foi picado?

Como entender advogado de facção criminosa na Justiça; um Ogro na Educação; elemento ligado a plano de saúde, tratando da Saúde. Ou mesmo, um monte de investigados e réus no comando do país. Como explicar aos demais países desse Planeta, tal situação inusitada? Em Marte, talvez fosse comum...sei lá, mas aqui? Nem o presidente escapa e, coitada de sua bela esposa. Até então só admirada, e lá foram incomodá-la com a história de “bela, recatada e do lar”. Pior, o próprio marido, presidente golpista sim – alguém avise àquela juíza que gosta de condenar sem provas, o que é golpe, por favor – a faz passar por 171 com a história de ser advogada. “Tava” quietinha no canto dela e não sai mais dos jornais.

Como vamos explicar aos nossos netos, quando eles estiverem estudando História no colégio, o período da República Velha. Que Temer não foi presidente no mesmo período de Prudente de Moraes, Campos Sales e outros? Coitados, sofrerão com o nó na cabeça (homenagem ao amigo Marcos de Dios, professor de História e idealizador do comentário).
Voltemos à doença do sono. Como não morreram, não deve ser ela. Resta-nos Goya e Saramago. Estará a razão deles em estado de coma, engendrando monstros? Ou serão eles os verdadeiros animais irracionais do planeta?

Não dá para acreditar que as corporações, idealizadoras do golpe, vão aceitar esses tipos no comando do país. É muito ruim para os negócios deles. Nem eles esperavam o tamanho escárnio moral daqueles que os representam aqui. E se eles resolverem prender a todos, inclusive o presidente golpista e alguns do STF? Em seguida incentivam eleições gerais em 2016. Já pensaram nisso? Nós também. E temos quase a certeza absoluta que não ficará barato para o campo popular, pois continua o processo de destruição do PT. Não mais só do Lula, mas do partido. Assim se livrariam de seus parlamentares sujos e elegeriam um preposto, sem tanta sujeira, ou pelo menos, ainda debaixo do tapete, enquanto servi-los.

A única maneira hoje de resistência, seriam as ocupações se tornarem insuportáveis para eles. Envolver a sociedade de maneira que, os que antes os apoiaram, revessem suas posições e somassem na luta. Serão menos de 180 dias de resistência. O Senado se veria forçado a manter a Dilma.

Certo é que, com ou sem Dilma, não adianta mais pensar em manter qualquer tipo de negociação com essa gente. Deixaram bem claro que podemos ceder nossos dedos ou até mesmo as mãos, mas no final, estaremos fora e teremos que pedir ajuda para limpar a bunda. Chega de acordo com bandidos.

Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT-Maricá

(texto inspirado nos debates com Marcos de Dios e Rogério Almenteiro, ambos do PT-Maricá)

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A BARBÁRIE NA OUTRA ESQUINA

Inspirado no título do livro de Vargas Llhosa, “O paraíso na outra esquina”, onde o autor conta a sua maneira, a história do pintor Paul Gaugin e de sua avó, militante política, Flora Tristán. Onde em épocas distintas, ambos buscaram alternativas para a sociedade opressora em que viviam. Ela na política e ele no isolamento do Taiti na busca de uma sociedade alternativa, livre de preconceitos.
A troca do termo “paraíso” por “barbárie” se deve pelo meu entendimento que, apesar de não estarmos vivendo em nenhum paraíso, os tempos que se avistam vão nos levar a saudades dos dias de hoje. Por quê?
No ano de 2005, assistimos o início de um Golpe contra o governo brasileiro e sua população. Golpe planejado e pensado pelas grandes corporações, em especial as do petróleo, aliados à mídia nacional e uma camarilha de políticos locais. O ponto de largada foi quando o governo brasileiro anuncia a descoberta do pré-sal e sua disposição de colocar a Petrobras, como a responsável única por sua exploração.
Sua aplicação de fato teve início na farsa que foi o julgamento do mensalão (AP 470). Naquele momento, começamos a assistir o desmantelamento do Estado de Direito onde, Constituição e Leis, passaram a ser um mero detalhe. Ali foi o primeiro balão de ensaio para se testar a estratégia golpista. Como não houve a oposição esperada, nas ruas e no Congresso, os golpistas passaram para sua segunda e derradeira fase, a falácia da luta contra a corrupção. A operação Lava Jato, comandada por um juiz de 1ª Instância, simpático à pregação dos americanos do norte, coloca de vez a “pá de cal” em qualquer dos ensinamentos do Direito, difundidos em nossas Faculdades.
No mensalão foi a teoria do “domínio do fato”, com Barbosa à frente do STF. Hoje, temos a pérola aplicada na Lava Jato, “o Direito existe, mas não é absoluto”. Como bem colocou o ex-ministro do STF, Eros Graos, assistimos a volta à Idade Média, onde o cidadão volta a ser servo. Acredito, com grandes possibilidades de retorno da escravidão. Não aquela do chicote, mas daquela que não ouvirá a população em seus reclames, que considerará a mesma, apenas mais um dado para a manutenção do sistema. O “dado negativo”, que só representará custos. Os descartáveis. Lembro a então ministra do Collor, Zélia Cardoso, “o povo é só um detalhe”.
O país, que a partir do ano de 2002 experimentou novos ares. Onde houve distribuição de renda, de crescimento educacional, de sua infraestrutura, da busca ao respeito pelas minorias. Do respeito internacional, onde deixamos de ser um país que dizia “sim senhor” em vários idiomas, para dizermos “não” em um bom português. Hoje, se vê as voltas com o retorno de sua história, que nos colocará como antes, na situação de mais uma “República das Bananas”, as “Plantations”. Uma colônia, como na época do Império, onde suas riquezas, minerais ou vegetais, enquanto existirem servirão para atender as necessidades dos senhores da Metrópole. Um Golpe, feito pelas mãos daqueles que dependem da falta de justiça, para não serem encarcerados e/ou cassados em seus direitos políticos. Um Golpe, onde o STF reviverá sua triste e recente história do período da Ditadura. Um órgão, outra vez, complacente com os golpistas.
Enquanto Flora, em sua luta pela organização dos trabalhadores, e Gaugin, na procura de uma sociedade livre de preconceitos buscavam o paraíso na outra esquina. Nós, que buscávamos o paraíso aqui, na mesma rua, encontraremos a barbárie na outra esquina, onde só teremos deveres e nenhum direito.
Parabéns para aqueles que vestiram a camisa amarela e foram para as ruas pedirem por Cunha e Temer.
Sérgio Mesquita
Sec. Formação do PT-Maricá/RJ

“Se a ética não governar a razão, a razão desprezará a ética”.

José Saramago

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A VIDA IMITA A ARTE MUITO MAIS QUE A ARTE IMITA A VIDA / PARTE II - JANOT

Ainda na linha Oscar Wilde, seguimos pelas coincidências (ou seriam inspirações?) da vida. Recentemente, morreu o grande escritor italiano, Umberto Eco. Antes de nos deixar para criar sua arte em outras paragens, escreveu “Número zero”, um romance que desnuda, ou denuncia como a mídia age.

O romance trata do lançamento futuro de um jornal de nome “Amanhã”. Segundo seu editor, no dia seguinte os jornais publicam o que todos já viram na televisão no dia anterior. Nada é novidade. A ideia é colocar uma publicação que, no dia seguinte, o amanhã, publicará especulações sobre o acontecido no dia anterior, que poderão acontecer no amanhã. Fará especulações sobre as possíveis consequências do fato noticiado. Mas não somente isso. Será um jornal que publicará a verdade doa a quem doer. Essa será a principal marca do jornal.

Vou apenas reproduzir um trecho, que tem tudo a ver com o título. Leiamos:

“...os americanos já não precisam dos partidos que podiam manobrar e os deixaram nas mãos dos magistrados, ou talvez, poderíamos arriscar, os magistrados estão seguindo um roteiro escrito pelos serviços secretos americanos, mas por enquanto não vamos exagerar... O ‘Amanhã’, porém, vai imaginar e fazer uma série de previsões. E esse artigo de hipóteses e insinuações eu confio ao senhor Lucidi, que precisará ser hábil para, dizendo ‘é possível’ e ‘talvez’, contar de fato o que depois de fato aconteceria. Com alguns nomes de políticos, bem distribuídos entre os vários partidos, ponha as esquerdas no meio também, dê a entender que o jornal está coletando outros documentos, e diga isso de um modo que faça morrer de medo aqueles que lerem nosso número 0/1”

Uma explicação, o primeiro número seria o zero, mas todos os números seguintes seriam zero “/” alguma coisa. Outra informação, o jornal nunca seria lançado. Seu dono, através do medo do que seria o número seguinte do “Amanhã”, na realidade, espera ser comprado pelos membros do Clube. Além de receber uma grana para não publicar o jornal, passaria a ser sócio do Clube... vale a leitura.

Voltando a nossa realidade. Alguma parecença com nossa mídia? Com os “supostamente”, “ouviu dizer”, “talvez”? Não é exatamente isso que nos é passado diuturnamente pelos meios de comunicação, especulações? Perceberam a última lista do Janot, o Procurador Geral? Os cursos nos EUA que nosso juizinho, aquele que gosta de uniformes de cor preta, andou fazendo?

Nesse caso, o que temos é a arte imitando a vida. Uma vez que Umberto Eco, na realidade denuncia uma prática internacional, usada pelos donos das corporações para dominar velhos e novos quintais, sem disparar tiros. Apoiados na mola mestra, o motor do capitalismo, a corrupção.

E tem gente que estuda para bater panela em apoio a Cunha e Temer.

Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT-Maricá/RJ

domingo, 1 de maio de 2016

A VIDA IMITA A ARTE MUITO MAIS QUE A ARTE IMITA A VIDA - Oscar Wilde

Neste domingo, 1º de maio, feriado internacional em homenagem aos trabalhadores de todo o mundo. A comemoração no Brasil nos deixa um gosto acre-doce na boca. A acidez de uma grande farsa golpista e o doce de ver o povo na rua comemorando o seu dia, bem como pelo seu retorno as ruas, na luta contra esse mesmo golpe que ataca a recente história democrática do país.
Essa acidez ficou-me mais sentida, depois que revi o excelente filme “Chicago”, estrelado por Richard Gere, Catherine Zeta Jones, Renée Zellweger. Daí a lembrança da frase do Oscar Wilde, que tomo emprestada como título do texto - ”a vida imitando a arte”.

Basta-nos transportar para as personagens da Catherine e Renée “os cunhas“ e “temers” de nosso mundo político, que respondem a processos ou já são condenados. Richard Gere, o advogado de defesa, pode muito bem encarnar os seus opostos - nossos juízes e procuradores. Não por suas “finalidades” no circo, como bem colocado no filme. Mas, principalmente, pela “parecença”, pela estratégia que os acusadores golpistas utilizam-se contra Dilma e o povo brasileiro.

Como no filme, o julgamento e todo o processo, não passam de uma grande farsa custeada por muito dinheiro em seus bolsos, sejam guardados aqui, na Suíça ou qualquer outro paraíso fiscal. No filme, temos duas assassinas de fato, sendo inocentadas. No Brasil o reverso, uma inocente sendo culpada e julgada por notórios corruptos e juízes comprometidos como patrimonialismo, a Velha República.
Ao contrário do filme, que, ao terminar, você sai satisfeito pela beleza da arte e pela mensagem passada, na vida real, o que nos sobrará será desgraça de ver a injustiça no comando de nossas vidas. Uma perspectiva de um futuro onde Justiça e Direito, parafraseando Saramago, não nos servirá e não nos respeitará.

Enganam-se os que pensam que o Golpe termina com a pretendida saída da Dilma e o PT de Brasília. Isso não passa de estratégia na busca do verdadeiro objetivo. Acabar com nossa soberania, desregulamentar toda e qualquer lei trabalhista e entregar o que nos resta às grandes corporações e seus prepostos. A inocência dos “cunhas”, é apenas um detalhe.

Sempre coloquei que o Golpe já foi dado. Temos é que revertê-lo nas ruas. Fazer o que for necessário, e que seja na mesma medida em que tentam nos quebrar.

Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT-Maricá/RJ


https://www.youtube.com/watch?v=9EpaMmF9WVU

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Entre o político e o idiota, ou o cão pastoreio e o papagaio.

Muitos em Maricá ainda não entenderam, ou fingem não entender, o real papel a que se prestou o nosso Deputado Federal Fabiano Horta, ao ceder temporariamente seu cargo à Wadih Damous no Congresso. Começo por afirmar que isso é coisa de gente grande, que não se apequena, pensa enxergando o todo e não somente seu umbigo. Pois senão vejamos.
Deste os tempos idos, lá na Grécia antiga, berço da filosofia e da democracia, que os gregos entendiam existir dois tipos de pessoas: os “polítikos” e os “idiotés”. Políticos, eram aqueles que pensavam a Polis (cidade), enxergavam o todo e pensavam o bem comum. Idiotas eram aqueles que só pensavam em si mesmo e nas suas necessidades, só enxergando o próprio umbigo, nada além de um palmo do nariz.
Somente o parágrafo acima já daria para tirar as dúvidas daqueles que estranharam ou se sentiram “traídos” pelo posicionamento do Fabiano. Afirmo que a atitude de humildade e pleno conhecimento do momento político por que passa o país, fizeram do Fabiano Horta não um deputado de Maricá, mas sim do Brasil. Um deputado que enxerga a toda uma população que conquistou melhores condições de vida, com possibilidades de ter o seu diploma universitário, ou simplesmente, poder fazer as tão famosas e até a pouco, inatingíveis três refeições diárias. Fabiano enxergou o Brasil e não a manutenção de seu “status” pessoal. Não foi o “status” de ser deputado que o motivou a concorrer à Camara, foi a possibilidade de continuar a defender, em outra esfera, um projeto de país soberano e atuante na luta contra as desigualdades, sejam internas ou externas.
Quando procurado pelo ex-presidente Lula, acompanhado do prefeito Washington Quaquá, para ceder seu cargo temporariamente, ao então suplente Wadih, o fez sabendo bem o que fazia. O PT e o Brasil, precisavam qualificar a luta jurídica, trazer para a realidade o falso embate que era colocado por deputados idiotas, que se preocupavam mais em não serem processados do que no bem do país. Não existem diferenças entre a luta de Fabiano e Wadhi, pensam iguais e com a mesma esperança e convicção. Buscam por um país melhor para todos, não somente para uma parcela de sua população. A diferença, está no aprofundamento do conhecimento jurídico que o Wadhi possui e que o Fabiano não tem aprofundado, pois sua formação é no campo da veterinária.
Naquele momento, o PT precisava qualificar a disputa jurídica e deixar claro para a população e para o mundo, que juridicamente e legalmente, não havia motivo sequer para se falar em impeachment. O embate em tempo real, no cara a cara com aqueles que se preocupavam em barrar a Lava Jato, foi feito e bem feito pelo Wadhi. Deputados foram desmoralizados, desmentidos ao vivo e cores para o mundo. Para o Brasil, estes desmentidos e desmoralizações aconteceram somente nas redes sociais, pois nossas mídias só enxergavam, idiotas que também são, seus umbigos e interesses.
Fabiano foi e continuará sendo grande. Sua grandeza é do mesmo tamanho de sua luta por Maricá e por um Brasil melhor. E, por ser veterinário de profissão, o comparo a um cão pastoreio, que cuida de todos a sua volta, e não a um papagaio de pirata, que só sabe repetir “loro quer café com bolacha”.
Com certeza, Maricá, o PT e o Brasil agradecem a Fabiano Horta.

Sérgio Mesquita
Sec. Formação do PT-Maricá-RJ

terça-feira, 12 de abril de 2016

O medo do Lula. Nas vésperas do Impeachment, Lula na frente das pesquisas.

Mas se a esquerda, em especial o PT, não mudar o rumo e continuar negociando com o andar de cima na busca de uma governabilidade que nunca nos darão, não chegaremos as eleições de 18. Já mudei meu discurso, antes dizia que não vivíamos em um Estado de Direito, mas hoje, já vivemos uma ditadura. Os assassinatos começaram e a Justiça, como em 64, se apequena.
O povo na rua é necessário, mas em todos os momentos e não só nos "finalmentes". Pois o impeachment não passando, o que acredito, essa direita corrupta e raivosa vai recrudescer para além de novas operações policialescas falaciosas. Como iremos responder a continuidade do desmonte do país até as eleições de 18? Com mais concessões ao capital?
Eles já sabem o que fazer. Continuarão a aprovar as leis de seus interesses e contra a população, inclusive, salvo engano de minha parte, aquelas que os livrarão das novas lava-jatos e da atual também. Já para nós, continuarão a nos colocar na cadeia independente das leis.
Passado o impeachment, devemos tomar ações como a da Frente em São Paulo, devemos ir para as ruas e explicar à população o que está acontecendo, com panfletos, cultura e debates públicos nas comunidades. Temos que explicar para além da classe média obtusa o que realmente acontecendo no país. Buscar a população que só tem a Globo como meio de informação. Esquecemos de realizar esse trabalho enquanto estivemos em Brasília. A estudantada e o povo da Frente de São Paulo nos apontou o caminho que deveria ser tomado em 2002. Se queremos vencer as eleições, temos menos de dois anos para começar a reverter esse quadro e, ganha as eleições, transformar os eventos de formação política em projeto de estado, sem sectarismo, ouvindo as discordância e convencendo pela distribuição dos saberes e fazeres. Sem democracia participativa com o conjunto da sociedade estaremos somente reproduzindo um modelo que, em discurso, colocamos como esgotado.
À luta hoje e sempre, dia 17 deve ser o "Marco" pelo que faremos para mudar o país e seu povo. Não uma data a ser comemorada como vitória, pois nós é que deixamos chegar a esse ponto.Que a estrela do PT volte a brilhar intensamente e que a esquerda nesse país se una em torno da democracia participativa e não a representativa. Que o dia 17 seja o começo da virada, e não a manutenção do que está aí.
Eles tem medo do Lula sim, que façamos do medo pesadelo! Não somente por ser o Lula, mas principalmente por ser com o Lula.
Sérgio Mesquita, Formação PT/Maricá-RJ

quinta-feira, 17 de março de 2016

O MODELO ESGOTOU


“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” - Secundaristas de SP praticam Vandré.
Não importa se de direita ou esquerda, nosso modelo de gestão política está superado e não responde mais às necessidades da população. Esse esgotamento é mais prejudicial no lado da esquerda, uma vez que a direita se serve muito bem do modelo. Em especial no sistema Capitalista, que ignora a população e se reinventa a cada crise há mais de 400 anos, nunca as solucionando sempre as contornando, “empurrando com a barriga”.
Se quisermos mesmo transformar o mundo em um lugar melhor para se viver e amar, devemos abandonar nossas atuais práticas e, a exemplo de 64, aprendermos com os estudantes, com a juventude que cria e transformas atitudes e está sempre incomodada com as mesmices.
Hoje, no meio de mais uma das crises do capitalismo, não conseguimos dar respostas à população. Não por não sabermos o que fazer, mas sim o como fazer e/ou como recuperar as práticas de democracia interna. Uma vez que hoje reproduzimos o patrimonialismo da classe dominante em detrimento da iniciativa e criatividade, característica do povo brasileiro e da esquerda.
A estudantada de São Paulo nos mostrou que nem tudo está perdido ou entregue, como querem nos convencer a mídia da classe dominante. Um grupo de meninas propõe durante uma assembleia, uma vez que esgotadas as várias iniciativas de diálogo com Alckmin, que as escolas sejam ocupadas. Mesmo sem saberem muito como, foram adiante e 200 escolas são ocupadas no estado de São Paulo. Fizeram com que Alckmin recuasse em seu projeto de privatização do ensino e aceitasse a demissão de seu Secretário de Educação.
Qual a diferença desse movimento estudantil para os demais movimentos? Ele foi decidido e organizado de forma horizontal e amplamente democrática. Não existiu chefe ou cacique. Os chefes e caciques que lá apareceram para apoiar e dar força ao movimento tiveram que se enquadrar à sua lógica e não o contrário, como estamos há algum tempo sendo “acostumados”.
Como colocado no excelente documentário de Carlos Pronzato, “Acabou a paz! Isto aqui vai virar o Chile”, os estudantes não aceitaram a visão “messiânica” da esquerda, de alcançar um futuro melhor. O futuro era aquele dia, é o hoje, como bem representou Vandré em sua música, retratada no subtítulo desse texto – “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Nós, velhos que nascemos nos movimentos verticalizados, mas ainda com alguma democracia interna, hoje não sabemos mais como exercer essa democracia e reproduzimos o cotidiano, mas o cotidiano não é mais resposta e nem solução. Ou olhamos para os mais jovens para beber (não “vampirizar”) de suas energias e olhar diferenciado de mundo, ou vamos “morrer” enquanto agentes que querem transformar o mundo em um mundo mais justo e digno de se viver. Um mundo que vá para além dos 20% da população, suficientes para manter a roda do capitalismo girando.
Parabéns aos estudantes secundaristas de São Paulo, por nos permitir conhecer um pouco de suas sabedorias através do documentário que vocês fizeram. Pronzato foi só a ferramenta de divulgação. Aliás, sendo justo, uma excelente ferramenta.

Sérgio Mesquita 
Sec. de Formação do PT-Maricá
https://www.youtube.com/watch?v=LK9Ri2prfNw

domingo, 28 de fevereiro de 2016


Os Dez Mandamentos

Ladislau Dowbor 

 Como sociedade, desejamos não somente sobreviver, mas viver com qualidade de vida, e porque não, com felicidade. E isto implica elencarmos de forma ordenada os resultados mínimos a serem atingidos, com os processos decisórios correspondentes. Os Mandamentos abaixo elencados têm um denominador comum: todos já foram experimentados e estão sendo aplicados em diversas regiões do mundo, setores ou instâncias de atividade. São iniciativas que deram certo, e cuja generalização, com as devidas adaptações e flexibilidade em função da diversidade planetária,  é hoje viável. Não temos a ilusão relativamente à distância entre a realidade política de hoje e as medidas sistematizadas abaixo. Mas pareceu-nos essencial, de toda forma, elencar de forma organizada as medidas necessárias, pois ter um norte mais claro ajuda na construção de uma outra governança planetária. Não estão ordenadas por  ordem de importância, pois a maioria tem implicações simultâneas e dimensões interativas. Mas todos os mandamentos deverão ser obedecidos, pois a ira dos elementos nos atingirá a todos, sem precisar esperar a outra vida.

Considerando que a obediência à versão original dos Dez Mandamentos foi apenas aleatória, desta vez o Autor teve a prudência de acrescentar a cada Mandamento uma nota de explicação, destinada em particular aos impenitentes.


I – Não comprarás os Representantes do Povo
Resgatar a dimensão pública do Estado: Como podemos ter mecanismos reguladores que funcionem se é o dinheiro das corporações a regular que elege os reguladores? Se as agências que avaliam risco são pagas por quem cria o risco? Se é aceitável que os responsáveis de um banco central venham das empresas que precisam ser reguladas, e voltem para nelas encontrar  emprego?

Uma das propostas mais evidentes da última crise financeira, e que encontramos mencionada em quase todo o espectro político, é a necessidade de se reduzir a capacidade das corporações privadas ditarem as regras do jogo. A quantidade de leis aprovadas no sentido de reduzir impostos sobre transações financeiras, de reduzir a regulação de banco central, de autorizar os bancos a fazerem toda e qualquer operação, somado com o poder dos lobbies financeiros tornam evidente a necessidade de se resgatar o poder regulador do estado, e para isto os políticos devem ser eleitos por pessoas de verdade, e não por pessoas jurídicas, que constituem ficções em termos de direitos humanos. Enquanto não tivermos financiamento público das campanhas, políticas que representem os interesses dos cidadãos, prevalecerão os interesses econômicos de curto prazo, os desastres ambientais e a corrupção.

II – Não Farás Contas erradas
As contas têm de refletir os objetivos que visamos. O PIB indica a intensidade do uso do aparelho produtivo, mas não nos indica a utilidade do que se produz, para quem, e com que custos para o estoque de bens naturais de que o planeta dispõe. Conta como aumento do PIB um desastre ambiental, o aumento de doenças, o cerceamento de acesso a bens livres. O IDH já foi um imenso avanço, mas temos de evoluir para uma contabilidade integrada dos resultados efetivos dos nossos esforços, e particularmente da alocação de recursos financeiros, em função de um desenvolvimento que não seja apenas economicamente viável, mas também socialmente justo e ambientalmente sustentável. As metodologias existem, aplicadas parcialmente em diversos países, setores ou pesquisas. A ampliação dos indicadores internacionais como o IDH, a generalização de indicadores nacionais como os Calvert-Henderson Quality of Life Indicators nos Estados Unidos, as propostas da Comissão Stiglitz/Sen/Fitoussi, o movimento FIB – Felicidade Interna Bruta – todos apontam para uma reformulação das contas. A adoção em todas as cidades de indicadores locais de qualidade de vida – veja-se os Jacksonville Quality of Life Progress Indicators – tornou-se hoje indispensável para que seja medido o que efetivamente interessa: o desenvolvimento sustentável, o resultado em termos de qualidade de vida da população. Muito mais do que o produto (output), trata-se de medir o resultado (outcome).

III – Não Reduzirás o Próximo à Miséria
Algumas coisas não podem faltar a ninguém. A pobreza crítica é o drama maior, tanto pelo sofrimento que causa em si, como pela articulação com os dramas ambientais, o não acesso ao conhecimento, a deformação do perfil de produção que se desinteressa das necessidades dos que não têm capacidade aquisitiva. A ONU calcula que custaria 300 bilhões de dólares (no valor do ano 2000) tirar da miséria um bilhão de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia. São custos ridículos quando se considera os trilhões transferidos para grupos econômicos financeiros no quadro da última crise financeira. O benefício ético é imenso, pois é inaceitável morrerem de causas ridículas 10 milhões de crianças por ano. O benefício de curto e médio prazo é grande, na medida em que os recursos direcionados à base da pirâmide dinamizam imediatamente a micro e pequena produção, agindo como processo anticíclico, como se tem constatado nas políticas sociais de muitos países. No mais longo prazo, será uma geração de crianças que terão sido alimentadas decentemente, o que se transforma em melhor aproveitamento escolar e maior produtividade na vida adulta. Em termos de estabilidade política e de segurança geral, os impactos são óbvios. Trata-se do dinheiro mais bem investido que se possa imaginar, e as experiências brasileira, mexicana e de outros países já nos forneceram todo o know-how correspondente. A teoria tão popular de que o pobre se acomoda se receber ajuda, é simplesmente desmentida pelos fatos: sair da miséria estimula, e o dinheiro é simplesmente mais útil onde é mais necessário.

IV – Não Privarás Ninguém do Direito de Ganhar o seu Pão
Universalizar a garantia do emprego é viável. Toda pessoa que queira ganhar o pão da sua família deve poder ter acesso ao trabalho. Num planeta onde há um mundo de coisas a fazer, inclusive para resgatar o meio ambiente, é absurdo o número de pessoas sem acesso a formas organizadas de produzir e gerar renda. Temos os recursos e os conhecimentos técnicos e organizacionais para assegurar, em cada vila ou cidade, acesso a um trabalho decente e socialmente útil. As experiências de Maharashtra na Índia demonstraram a sua viabilidade, como o mostram as numerosas experiências brasileiras, sem falar no New Deal da crise dos anos 1930. São opções onde todos ganham: o município melhora o saneamento básico, a moradia, a manutenção urbana, a policultura alimentar. As famílias passam a poder viver decentemente, e a sociedade passa a ser melhor estruturada e menos tensionada. Os gastos com seguro-desemprego se reduzem. No caso indiano, cada vila ou cidade é obrigada a ter um cadastro de iniciativas intensivas em mão de obra. Dinheiro emprestado ou criado desta forma representa investimento, melhoria de qualidade de vida, e dá excelente retorno. E argumento fundamental: assegura que todos tenham o seu lugar para participar na construção de um desenvolvimento sustentável. Na organização econômica, além do resultado produtivo, é essencial pensar no processo estruturador ou desestruturador gerado. A pesca oceânica industrial pode ser mais produtiva em volume de peixe, mas o processo é desastroso, tanto para a vida no mar como para centenas de milhões de pessoas que viviam da pesca tradicional. A dimensão de geração de emprego de todas as iniciativas econômicas tem de se tornar central. Assegurar a contribuição produtiva de todos, ao mesmo tempo que se augmenta gradualmente o salário mínimo e se reduz a jornada, leva simplesmente a uma prosperidade mais democrática.

V – Não Trabalharás Mais de Quarenta Horas
Podemos trabalhar menos, e trabalharemos todos, com tempo para fazermos mais coisas interessantes na vida. A sub-utilização da força de trabalho é um problema planetário, ainda que desigual na sua gravidade. No Brasil, conforme vimos, com 100 milhões de pessoas na PEA, temos 31 milhões formalmente empregadas no setor privado, e 9 milhões de empregados públicos. A conta não fecha. O setor informal situa-se na ordem de 50% da PEA. Uma imensa parte da nação “se vira” para sobreviver. No lado dos empregos de ponta, as pessoas não vivem por excesso de carga de trabalho. Não se trata aqui de uma exigência de luxo: são incontáveis os suicídios nas empresas onde a corrida pela eficiência se tornou simplesmente desumana. O stress profissional está se tornando uma doença planetária, e a questão da qualidade de vida no trabalho passa a ocupar um espaço central.  A redistribuição social da carga de trabalho torna-se hoje uma necessidade. As resistências são compreensíveis, mas a realidade é que com os avanços da tecnologia os processos produtivos tornam-se cada vez menos intensivos em mão de obra, e reduzir a jornada é uma questão de tempo. Não podemos continuar a basear o nosso desenvolvimento em ilhas tecnológicas ultramodernas enquanto se gera uma massa de excluídos, inclusive porque se trata de equilibrar a remuneração e, consequentemente, a demanda. A redução da jornada não reduzirá o bem estar ou a riqueza da população, e sim a deslocará para novos setores mais centrados no uso do tempo livre, com mais atividades de cultura e lazer. Não precisamos necessariamente de mais carros e de mais bonecas Barbie, precisamos sim de mais qualidade de vida.

VI – Não Viverás para o Dinheiro
A mudança de comportamento, de estilo de vida, não constitui um sacrifício, e sim um resgate do bom senso. Neste planeta de 7 bilhões de habitantes, com um aumento anual da ordem de 75 milhões,  toda política envolve também uma mudança de comportamento individual e da cultura do consumo. O respeito às normas ambientais, a moderação do consumo, o cuidado no endividamento, o uso inteligente dos meios de transporte, a generalização da reciclagem, a redução do desperdício – há um conjunto de formas de organização do nosso cotidiano que passa por uma mudança de valores e de atitudes frente aos desafios econômicos, sociais e ambientais. No apagão energético do final dos anos 90 no Brasil, constatou-se como uma boa campanha informativa, o papel colaborativo da mídia, e a punição sistemática dos excessos permitiu uma racionalização generalizada do uso doméstico da energia. Esta dimensão da solução dos problemas é essencial, e envolve tanto uma legislação adequada, como sobretudo uma participação ativa da mídia.

Hoje 95% dos domicílios no Brasil têm televisão, e o uso informativo inteligente deste e de outros meios de comunicação tornou-se fundamental. Frente aos esforços necessários para reequilibrar o planeta, não basta reduzir o martelamento publicitário que apela para o consumismo desenfreado, é preciso generalizar as dimensões informativas dos meios de comunicação. A mídia científica praticamente desapareceu, os noticiários navegam no atrativo da criminalidade, quando precisamos vitalmente de uma população informada sobre os desafios reais que enfrentamos. A pergunta a se fazer a cada ato de conusmo, não é só se “é bom para mim”, mas se é bem para o planeta e o bem comum, e buscar um equilíbrio razoável. A opção individual é essencial, mas não suficiente. Grande parte da mudança do comportamento individual depende de ações públicas: as pessoas não deixarão o carro em casa (ou deixarão de tê-lo) se não houver transporte público, não farão reciclagem se não houver sistemas adequados de coleta. Precisamos de uma política pública de mudança do comportamento individual.

VII –  Não Ganharás Dinheiro com o Dinheiro dos Outros
Racionalizar os sistemas de intermediação financeira é viável. A alocação final dos recursos financeiros deixou de ser organizada em função dos usos finais de estímulo e orientação de atividades econômicas e sociais, para obedecer às finalidades dos próprios intermediários financeiros. A atividade de crédito é sempre uma atividade pública, seja no quadro das instituições públicas, seja no quadro dos bancos privados que trabalham com dinheiro do público, e que para tanto precisam de uma carta-patente que os autorize a ganhar dinheiro com dinheiro dos outros. A recente crise financeira de 2008 demonstrou com clareza o caos que gera a ausência de mecanismos confiáveis de regulação no setor. Nas últimas duas décadas, temos saltado de bolha em bolha, de crise em crise, sem que a relação de forças permita a reformulação do sistema de regulação em função da produtividade sistêmica dos recursos. Enquanto não se gera uma relação de forças mais favorável, precisamos batalhar os sistemas nacionais de regulação financeira. O dinheiro não é mais produtivo onde rende mais para o intermediário: devemos buscar a produtividade sistêmica de um recurso que é público.
A Coréia do Sul abriu recentemente um financiamento de 36 bilhões de dólares para financiar transporte coletivo e alternativas energéticas, gerando com isto 960 mil empregos. O impacto positivo é ambiental pela redução de emissões, é anti-cíclico pela dinamização da demanda, é social pela redução do desemprego e pela renda gerada, é tecnológico pelas inovações que gera nos processos produtivos mais limpos. Tem inclusive um impacto raramente considerado, que é a redução do tempo vida que as pessoas desperdiçam no transporte. Trata-se aqui, evidentemente, de financiamento público, pois os bancos comerciais não teriam esta preocupação, nem esta visão sistêmica. (UNEP,Global Green New Deal, 2009). Em última instância, os recursos devem ser tornados mais acessíveis segundo que os objetivos do seu uso sejam mais produtivos em termos sistêmicos, visando um desenvolvimento mais inclusivo e mais sustentável. A intermediação financeira é um meio, não é um fim.
Particular atenção precisa ser dada aos intermediários que ganham apenas nos fluxos entre outros intermediários – com papéis que representam direitos sobre outros papéis – e que têm tudo a ganhar com a maximização dos fluxos, pois são remunerados por comissões sobre o volume e ganhos, e geram portanto volatilidade e pro-ciclicidade, com os monumentais volumes que nos levaram por exemplo a valores em derivativos da ordem de 863 trilhões de dólares em junho de 2008, 15 vezes o PIB mundial. A intermediação especulativa – diferentemente das intermediação de compras e vendas entre produtores e utilizadores finais – apenas gera uma pirâmide especulativa e insegurança, além de desorganizar os mercados e as políticas econômicas.[1]

VIII – Não Tributarás Boas Iniciativas
A filosofia do imposto, de quem se cobra, e a quem se aloca, precisa ser revista. Uma política tributária equilibrada na cobrança, e reorientada na aplicação dos recursos, constitui um dos instrumentos fundamentais de que dispomos, sobretudo porque pode ser promovida por mecanismos democráticos. O eixo central não está na redução dos impostos, e sim na cobrança socialmente mais justa e na alocação mais produtiva em termos sociais e ambientais. A taxação das transações especulativas (nacionais ou internacionais) deverá gerar fundos para financiar uma série de políticas essenciais para o reequilíbrio social e ambiental. O imposto sobre grandes fortunas é hoje essencial para reduzir o poder político das dinastias econômicas (10% das famílias do planeta é dono de 90% do patrimônio familiar acumulado no planeta). O imposto sobre a herança é fundamental para dar chances a partilhas mais equilibradas para as sucessivas gerações. O imposto sobre a renda deve adquirir mais peso relativamente aos impostos indiretos, com alíquotas que permitam efetivamente redistribuir a renda. É importante lembrar que as grandes fortunas do planeta em geral estão vinculadas não a um acréscimo de capacidades produtivas do planeta, e sim à aquisição maior de empresas por um só grupo, gerando uma pirâmide cada vez mais instável e menos governável de propriedades cruzadas, impérios onde a grande luta é pelo controle do poder financeiro, político e midiático, e a apropriação de recursos naturais. O sistema tributário tem de ser reformulado no sentido anti-cíclico, privilegiando atividades produtivas e penalizando as especulativas; no sentido do maior equilíbrio social ao ser fortemente progressivo; e no sentido de proteção ambiental ao taxar emissões tóxicas ou geradoras de mudança climática, bem como o uso de recursos naturais não renováveis.[2] 

O poder redistributivo do Estado é grande, tanto pelas políticas que executa – por exemplo as políticas de saúde, lazer, saneamento e outras infra-estruturas sociais que melhoram o nível de consumo coletivo  – como pelas que pode fomentar, como opções energéticas, inclusão digital e assim por diante. Fundamental também é a política redistributiva que envolve política salarial, de previdência, de crédito, de preços, de emprego. A forte presença das corporações junto ao poder político constitui um dos entraves principais ao equilíbrio na alocação de recursos. O essencial é assegurar que todas as propostas de alocação de recursos sejam analisadas pelo triplo enfoque econômico, social e ambiental. No caso brasileiro, constatou-se com as recentes políticas sociais (“Bolsa-Família”, políticas de previdência etc.) que volumes relativamente limitados de recursos, quando chegam à “base da pirâmide”, são incomparavelmente mais produtivos, tanto em termos de redução de situações críticas e consequente aumento de qualidade de vida, como pela dinamização de atividades econômicas induzidas pela demanda local. A democratização aqui é fundamental. A apropriação dos mecanismos decisórios sobre a alocação de recursos públicos está no centro dos processos de corrupção, envolvendo as grandes bancadas corporativas, por sua vez ancoradas no financiamento privado das campanhas.

IX – Não Privarás o Próximo do Direito ao Conhecimento
Travar o acesso ao conhecimento e às tecnologias sustentáveis não faz o mínimo sentido. A participação efetiva das populações nos processos de desenvolvimento sustentável envolve um denso sistema de acesso público e gratuito à informação necessária. A conectividade planetária que as novas tecnologias permitem constitui uma ampla via de acesso direto. O custo-benefício da inclusão digital generalizada é simplesmente imbatível, pois é um programa que desonera as instâncias administrativas superiores, na medida em que as comunidades com acesso à informação se tornam sujeitos do seu próprio desenvolvimento. A rapidez da apropriação deste tipo de tecnologia até nas regiões mais pobres se constata na propagação do celular, das lan houses mais modestas. O impacto produtivo é imenso para os pequenos produtores que passam a ter acesso direto a diversos mercados tanto de insumos como de venda, escapando aos diversos sistemas de atravessadores comerciais e financeiros. A inclusão digital generalizada é um destravador potente do conjunto do processo de mudança que hoje se torna indispensável.

O mundo frequentemente esquece que 2 bilhões de pessoas ainda cozinham com lenha, área em que há inovações significativas no aproveitamento calórico por meio de fogões melhorados. Tecnologias como o sistema de cisternas do Nordeste, de aproveitamento da biomassa, de sistemas menos agressivos de proteção dos cultivos etc., constituem um vetor de mudança da cultura dos processos produtivos. A criação de redes de núcleos de fomento tecnológico online, com ampla capilaridade, pode se inspirar da experiência da Índia, onde foram criados núcleos em praticamente todas as vilas do país. O World Economic and Social Survey 2009 é particularmente eloquente ao defender a flexibilização de patentes no sentido de assegurar ao conjunto da população mundial o acesso às informações indispensáveis para as mudanças tecnológicas exigidas por um desenvolvimento sustentável.

X – Não Controlarás a Palavra do Próximo
Democratizar a comunicação tornou-se essencial. A comunicação é uma das áreas que mais explodiu em termos de peso relativo nas transformações da sociedade. Estamos em permanência cercados de mensagens. As nossas crianças passam horas submetidas à publicidade ostensiva ou disfarçada. A indústria da comunicação, com sua fantástica concentração internacional e nacional  - e a sua crescente interação entre os dois níveis - gerou uma máquina de fabricar estilos de vida, um consumismo obsessivo que reforça o elitismo, as desigualdades, o desperdício de recursos como símbolo de sucesso. O sistema circular permite que os custos sejam embutidos nos preços dos produtos que nos incitam a comprar, e ficamos envoltos em um cacarejo permanente de mensagens idiotas pagas do nosso bolso. Mais recentemente, a corporação utiliza este caminho para falar bem de si, para se apresentar como sustentável e, de forma mais ampla, como boa pessoa. O espectro eletromagnético em que estas mensagens navegam é público, e o acesso a uma informação inteligente e gratuita para todo o planeta, é simplesmente viável. Expandindo gradualmente as inúmeras formas alternativas de mídia que surgem por toda parte, há como introduzir uma cultura nova, outras visões de mundo, cultura diversificada e não pasteurizada, pluralismo em vez de fundamentalismos religiosos ou comerciais.

O fato que mais inspira esperança é a multiplicação impressionante de iniciativas nos planos da tecnologia, dos sistemas de gestão local, do uso da internet para democratizar o conhecimento, da descoberta de novas formas de produção menos agressivas, de formas mais equilibradas de acesso aos recursos. O Brasil neste plano tem mostrado que começar a construir uma vida mais digna para o “andar de baixo”, para os dois terços de excluídos, não gera tragédias para os ricos. Inclusive, numa sociedade mais equilibrada, todos passarão a viver melhor. Tolerar um mundo onde um bilhão de pessoas passam fome, onde 10 milhões de crianças morrem anualmente de causas ridículas, e onde se dilapidam os recursos naturais das próximas gerações, em proveito de fortunas irresponsáveis, já não é possível.

Nesta época interativa, o Altíssimo declarou-se disposto a considerar outros Mandamentos. Sendo o Secretariado do Altíssimo hoje bem equipado, os que por acaso tenham sugestões ou necessitem consultar documentos mais completos, poderão se instruir com outros Assessores, em linha direta sob www.criseoportunidade.wordpress.com  Críticas, naturalmente, deverão ser endereçadas a Instâncias Superiores. Apreciações positivas e sugestões de outros Mandamentos poderão ser enviadas ao blog acima citado, ou no e-mail ladislau@dowbor.org




[1] BIS Quarterly Review, December 2008, Naohiko Baba et al., www.bis.org/publ/qtrpdf/r_qt0812b.pdf p. 26: “In November, the BIS released the latest statistics based on positions as at end-june 2008 in the global over-the-counter (OTC) derivatives markets. The notional amounts outstanding of OTC derivatives continued to expand in the first half of 2008. Notional amounts of all types of OTC contracts stood at $863 trillion at the end of June, 21% higher than six months before”. São 863 trilhões de dólares de derivativos emitidos, frente a um PÌB mundial de cerca de 60 trilhões.
[2] Susan George traz uma ilustração convincente: um bilionário que aplica o seu dinheiro com uma conservadora remuneração de 5% ao ano, aumenta a sua fortuna em 137 mil dólares por dia. Taxar este tipo de ganhos não é “aumentar os impostos”, é corrigir absurdos. 

“HONORABLE MENTION” PARA MORO E SERRA

Mais uma vez, abrimos mão da luta em nome de um pseudo-acordo com aqueles que nos querem fora de Brasília, se possível, na cadeia. Mesmo que para nos colocar na cadeia, seja necessário que se abra mão da justiça e da Constituição, como já o fazem.
A cada projeto, a cada pressão, ou ação da direita, nos recolhemos e assumimos como nossos, os projetos idealizados por eles, corruptos em essência e de fato, além de subservientes ao capital estrangeiro. A cada anel que entregamos, supostamente, na intenção de mantermos os dedos, assumimos perante a população propostas que só nos levarão à morte política, para felicidade dos integristas do PSDB e cia. (ou CIA mesmo). Covardia? Acostumamo-nos às benesses do poder? Acredito que sim. Fico no aguardo de justificativas convincentes.
A estratégia deles está colocada - mantendo o foco neste século XXI - no Golpe através da deturpação da justiça e apoio de uma mídia criminosa e defensora dos interesses do capital especulativo, em especial, do ano de 2005 para cá. Sabemos disso e, mesmo assim, nos curvamos covardemente ao abrirmos mão da discussão pública, para tentar resolver no Congresso através de acordos e sem o apoio popular, como já defendeu um deputado do PT, em uma das reuniões preparatórias na cidade do Rio, para ato de defesa do governo Dilma: “Não precisa de manifestação de rua”.
Ontem, 24.02, participamos de um novo acordo onde, em sua essência, manteve-se a estratégia do PSDB de minar a Petrobras, para tirar do governo do PT sua grande fonte de sustentação das políticas públicas, e da geração de renda e emprego.
Moro, por sua vez, através do discurso do combate à corrupção da mesma Petrobras, vai atingido o objetivo de destruir as empreiteiras nacionais e abrir campo para as “multis” como a Alstom e a Siemens (Metro de SP) e outras. Uma vez que aqui, se defende o fechamento das empresas junto com a prisão de seus diretores. Diferente do tratamento da justiça estrangeira que, prende os diretores, os agentes públicos corruptos, mas mantém as empresas, seus negócios e seus empregos. As paralisações das obras visam o desemprego e paralização do mercado interno, na busca de revolta popular contra o governo do PT. Nada é feito pensando no país ou em sua população, somente nos patrões deles, aliados do capital especulativo estrangeiro.
Serra, como prometido às estrangeiras do petróleo, mina a Petrobras no Congresso. Moro, a sustentação da empregabilidade e manutenção do mercado interno através da paralização das obras de infraestrutura como o COMPERJ e outras mais. O Governo, em vez de partir para o enfrentamento levando a discussão à população, recua e abre mão dos princípios defendidos por mais de 30 anos da história do PT. Prejudica os trabalhadores como na negociação do INSS e, pode acabar com a soberania do país conquistada nessas quase duas décadas, nos mais de 500 anos de história do país.
Proponho a Moro e Serra a começarem o trabalho da “internacionalização” da Amazônia (solo e subsolo) e de nossa água, como aconteceu na Bolívia. Só que lá, o povo foi às ruas e reverteu a privatização. Eram proibidos inclusive de coletar a água da chuva. Iria preso o boliviano que colocasse um balde na chuva para coletar água (2000). E como a água hoje, é motivo de intervenção estrangeira, que o governo comece a negociar a permissão de se coletar até 5 litros por ano da água da chuva por família – como exemplo de negociação, mantendo-se a linha atual adotada.
Ainda bem que temos Maricá na contramão desse fluxo, pois não abrimos mão de nossos princípios, e mantemos o foco na população empobrecida.
Boa sede.

Sérgio Mesquita

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

NÃO PASSARÃO

(...)
Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação.
Não morre um povo!
(...)
(Miguel Torga)

Esse texto foi pensado a partir de um momento da história do Sr. Antônio Coutinho. Um Zé Ninguém, não aquele do Wilhelm Reich que se anula perante o sistema, mas naquele que paga por mais de 500 anos de uma existência ainda colonial. Aquele, que por mais que o país tenha avançado socialmente, ainda nos lembra, através de seu suor e fome, que a realidade ainda é dura.
Porém a curta história do Sr. Antônio aconteceu quase que paralela a de outro senhor. Este famoso, sem fome, mas acima de tudo cidadão. Falo do Chico Buarque e dos molequinhos que se acham acima do bem e do mal. Seu Antônio nos comprova a partir de sua dor, que o povo brasileiro ainda é bondoso. Chico, infelizmente, não por ele, mas por aqueles que o confrontaram, mostra o outro lado da moeda. O lado do egoísmo e da ignorância. Do sentimento que mantém o capitalismo vivo, mesmo que incoerente.
De um lado, Sr. Antônio desmaia por conta do calor e fome. Por sorte, em frente ao Recanto do Petisco, em Niterói, do meu amigo e companheiro de décadas de TVE, Gilberto Ribeiro. De imediato socorrido pelo Gilberto, por mim, Marcos de Dios, Rogerinho e pela Sandra, nossa desconhecida que estava em outra mesa, e também percebeu a queda do seu Antônio. De pronto o colocamos mais confortável e Gilberto, de imediato, trouxe uma garrafa de água gelada. Ao identificarmos que o problema era fome, Gilberto trás uma porção de bolinho de feijoada e um mate gelado. Ao abrir a quentinha, o cheiro do quitute toma conta do entorno e, ao senti-lo, seu Antônio abre um sincero sorriso, revelando a falta de muitos de seus dentes. Avisamos para comer devagar e ele sorri. Nesse tempo, Sandra retorna com duas bolsas de compras, com comida para ele levar para casa. Ainda sorrindo, seu Antônio separa mais da metade da poção, colocando-a em um dos sacos de compras e nos avisa: é para os de casa. Levamos seu Antônio até nossa mesa, entregamos nossos trocados para que ele pudesse pagar os dois ônibus para sua casa, e ficamos conversando até que se sentisse melhor para seguir seu caminho, como seguiu. Nos entreolhamos emocionados e voltamos a nossa discussão política.
Do outro lado da baia, outros como nós, possivelmente mais abastados do que nós , aliás... muito mais abastados . Mostraram-se grandes abestados, ignorantes e grosseiros. Não por que pensam diferente de nós. Isso é democracia, é bom. Mas é fato que, a falta de leitura diversificada, a falta de democracia na mídia e a sede de poder de nossa direita escravagista, acabam por transformá-los em ignorantes sem causa. Quase um exército de reserva. Não para trabalhar com salário aviltado, como desejam para o povo, mas para atacar as pessoas nas ruas. Como não sobrevivem aos fatos, só lhes restam à agressão.
Nossa mídia, em especial a Globo, de tanto incentivar a ignorância através de suas manipulações e mentiras, estão conseguindo tirar uma das principais características do povo brasileiro. A sua alegria e solidariedade.
Para eles, do andar de cima, pesa mais a questão da alegria. Sempre foram mais egoístas e focados na obtenção de bens e poder, o mundo foi criado para atender suas necessidades. Para os do andar de baixo, pesa mais o fim da solidariedade. Seja por questões culturais ou de necessidade, a solidariedade no andar de baixo é infinitamente superior ao do andar de cima. Em relação à alegria, perdemos todos, independente do andar.
Uma das grandes características, identificadas por aqueles que nos visitam, está na nossa alegria de viver e no carinho demonstrado pelo abraço fácil e o beijo no rosto. Muitas vezes, motivo de estranheza. Hoje, muito para além do politicamente correto, acabaremos por nos vigiar, mudar nossas vestimentas e tolher nosso sorriso e carinho. Pois àqueles que só se interessam pelo capital, se possível, nos quererão mortos.
O azar desses ignorantes esta na nossa arte e cultura, que insiste no caminho contrário como bem nos guiava Gonzaguinha:
(...)
Somos nós que fazemos a vida
Como der ou puder ou quiser
Sempre desejada
(...)
Eu fico com a pureza da resposta das crianças
É a vida, é bonita, é bonita.

Encerramos o texto desejando a todos ótimas Festas neste findar e começo de ano. E que 2016 venha rico em carinho, alegria e solidariedade.

Marcos de Dios, professor de Filosofia e História, PT-Maricá
Rogério Altameiro, Metroviário, DM PT-Maricá
Sérgio Mesquita, Servidor Público, Sec. Formação PT-Maricá


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

UMA PONTE PARA O ABISMO

Começamos este texto com um elogio ao Jornal o Globo. Seu editorial de domingo 13.12, aniversário do AI 5, foi corajoso e sem a sua máscara desgastada por anos e anos de manipulação da informação. Assume que está do lado das Corporações Internacionais e, seu único interesse, é o fatiamento do país como nas Sesmarias do século XVI.
O editorial “Há dinamite de pavio aceso no Orçamento”, página 18, coloca em pratos limpos o que sempre defenderam, um Brasil a la Grécia sem um Syriza e o fim da Constituição de 88. Querem o suprassumo do neoliberalismo, um país onde sua existência é servir as grandes Corporações através do retorno da escravidão (fim dos direitos trabalhistas) e entrega de nossas riquezas naturais com mais privatização (Petrobras e o que FHC não conseguiu ). E internamente, o máximo de poder àqueles que defendem os interesses dos sinhozinhos de além mar.
Elogiamos o editorial, mas fica aqui o aviso à família Marinho: se daqui há 21 anos ou outro tempo, se repetirem o que fizeram com os editoriais de apoio à Ditadura, e começarem a publicarem que “não é bem assim”, “veja bem...”. Que a família vá à ou para merda. Pois confirmariam o seu status de suprassumo da canalhice e falta da ética.
O ponto central do editorial está na questão fiscal e na Constituição de 88, motivo de pesadelos dos adeptos do neoliberalismo. Mas em nenhum momento cita a situação de conjuntura por que passa o mundo desde 2006, apesar da crise ser de 2008, data que a mesma atingiu a classe média americana. O editorial é escrito como se o mundo estivesse em pleno desenvolvimento, sem desemprego, sem fome e o mercado em glória. Para os editorialista do jornal e seus “chicago boys” somente o Brasil está em crise e a culpa é da Dilma.
A questão fiscal chega a ser risível. O Globo sempre foi contra qualquer Reforma Fiscal, Agrária, da Educação entre outras, onde podemos destacar as Reformas da Política e a Regulamentação da Mídia (Comunicação). Mas possuem o descaramento de dizer que o governo não as fez.
Na questão dos impostos não defendem uma nova tabela do IR, e que se mexa no percentual do imposto sobre as heranças. A média nos países ocidentais do primeiro mundo está na casa dos 11% e no Brasil somente 3,86%[i]. Voltando ao IR, além do imposto não ser sobre a renda e sim sobre o salário, sua alíquota máxima é a menor entre 116 países. No governo FHC, em 1995 foi aprovada uma Lei onde os mais ricos se quer pagam o imposto, pois ficaram isentos. Se pagassem, hoje o arrecadado seria próximo a meio ajuste fiscal que não foi aprovado[ii]. Criticam a redução do IPI feita no auge da crise de 2008 e os investimentos (gastos em seus dicionários) em infraestrutura, pois a equação “imposto arrecadado x investimento em obras”, no mundo neoliberal foi negativa,  reduzindo o superávit (que é distribuído entre as Corporações). No mundo da justiça social, gerou empregos, movimentou o mercado interno e permitiu uma melhor redistribuição de renda entre os mais necessitados. Mas nada disso interessa para os donos do capital.
O editorial também critica as verbas carimbadas para Saúde e Educação e a vinculação do salário mínimo à algumas ações de cunhos sociais. No mundo do capital, tudo deve ser privatizado e que o mercado regule os custos com aposentadoria e outros investimento como em educação e justiça social. O que vale é a meritocracia daqueles que mais possuem condição de pagar por seus estudos e saúde.
O cinismo maior vem quanto às críticas ao uso do BNDES em especial, e dos bancos públicos no apoio ao desenvolvimento interno e ao crédito. A Globo abocanhou 284 milhões de reais do BNDES para a Globocabos e através da “contabilidade criativa”, que critica no governo em seu editorial, maquiou outros 305 milhões que seriam sua parcela[iii]. Apesar de a empresa estar com uma dívida de 1,6 bilhões de reais, o governo FHC liberou a operação junto ao BNDES. Quando no governo Lula, essas operações são consideradas lobbies e fraudes, mesmo quando em empresas que estejam em pleno desenvolvimento e gerando empregos, o que não foi o caso da Globo.
Já, em relação à Constituição os golpes são mais baixos e perversos. Como havíamos comentado em outros textos, não estão preparando o Golpe contra a democracia. Na realidade o Golpe já foi dado em 2005 com a quase, se não total, extinção do Estado de Direito. Começou com o resgate da prática nazista do “domínio do fato”, inventada para que Hitler justificasse seus atos contra os negros, ciganos, comunistas, gays e judeus entre outros, no processo do Mensalão. E hoje temos como pérola “o direito existe, mas não é absoluto”, para justificar os atos fascistas da Operação Lava Jato. Duas ações combinadas que jogam no lixo o aprendizado adquirido dentro de uma Faculdade de Direito. Segundo Eros Grau (STF)[iv], o cidadão volta a ser súdito. Dependendo do Juiz e do réu, vale o que está escrito ou, o direito não é absoluto. São esses pontos que põe em risco a Constituição de 88, não são suas verbas “carimbadas” para Educação e Saúde, como já colocado.
Atacar o salário mínimo e a redistribuição de renda é outro sonho das Corporações. Custos menores significam mais lucros e, dinheiro não “jogado fora” significa que irá sobrar mais para o butim e, como consequência, melhores “mesadas” para os seus vassalos de cá.
Trocando em miúdos, o editorial é uma elegia aos fins dos direitos dos cidadãos, pois para eles não somos seres humanos e sim um número em uma planilha. Planilha essa que demonstra que basta o consumo de 20% da população mundial para a manutenção do sistema e suas crises. O restante é peso morto, um fardo inútil que não serve para nada.
Marcos de Dios: Professor de Filosofia e História, PT-Maricá
Rogério Almenteiro Gomes: Metroviário, DM PT-Maricá
Sérgio Mesquita: Servidor Público, Sec. de Formação PT-Maricá


[i] http://economia.ig.com.br/financas/meubolso/2014-06-03/no-brasil-imposto-sobre-heranca-e-um-dos-menores-do-mundo.html
[ii] http://www.cartacapital.com.br/economia/uma-fortuna-de-200-bi-protegida-do-ir-da-pessoa-fisica-3229.html
[iii] http://advivo.com.br/blog/marcos-doniseti/no-governo-fhc-bndes-emprestou-r-284-milhoes-para-a-globo
[iv] “No caso que ora cogitamos, esse falso princípio estaria sendo vertido na máxima segundo a qual ‘não há direitos absolutos’. E, tal como tem sido em nosso tempo pronunciada, dessa máxima se faz gazua apta a arrombar toda e qualquer garantia constitucional. Deveras, a cada direito que se alega o juiz responderá que esse direito existe, sim, mas não é absoluto, porquanto não se aplica ao caso. E assim se dá o esvaziamento do quanto construímos ao longo dos séculos para fazer, de súditos, cidadãos. Diante do inquisidor não temos direito. Ou melhor, temos sim, vários, mas como nenhum deles é absoluto, nenhum é reconhecível na oportunidade em que deveria acudir-nos.” (Voto do Ministro Eros Grau no Julgamento do HC 95.009/STF).