Na realidade, acontece com o jornalismo o que aconteceu com o Rádio, com o cinema, com o livro, com a televisão, todos ainda em mudanças. É o choque da nova tecnologia sobre a velha. Mas em nenhum momento de nossa história algumas dessas tecnologias deixou de existir. Nenhuma foi substituída, todos os produtos e seus conteúdos estão aí, sendo distribuídos de acordo com as novas demandas e meios.
Mais ou menos o que acontece com os movimentos de poder no Brasil, o coronelismo existe até hoje e convive com os empresários da indústria, os empresários da mídia e hoje da cognição. Todos convivem, mesmo que não em harmonia aqui ou ali, segundo Waldez Ludwuig.
O problema com o jornalismo de hoje, que se confunde com as necessidades dos donos das mídias, está em não ser mais a verdade absoluta, como sempre havia sido, pretensamente. Verdade essa que manipulou a população em 54 (suicídio do Getúlio), 64 (Golpe militar-civil), na campanha pelas Diretas, morte do Tancredo, eleições de Collor, FHC, Petrobras e outros exemplos.
A perda financeira existe, mas somente parte pode ser creditada as novas mídias. Também passaram a existir novas formas de exploração do jornalista, onde os donos dos meios de comunicação que reclamam, utilizam-se abertamente delas. A maior perda, em minha opinião, vem da questão da falta de ética e das manipulações, até grosseiras e ofensivas em relação a realidade. Situação como a do questionamento feito por uma profissional do jornalismo, seguindo diretriz editorial de sua empresa (O Globo), sobre a justeza ou não de uma homenagem à Lula na França. Um absurdo ético e jornalista, que mais uma vez leva nossos profissionais a passarem vergonhas sem igual frente a imprensa estrangeira. Este é o pior problema.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Quando a culpa é sempre do elo mais fraco.
É certo que a sociedade brasileira está saturada com toda
essa loucura que nos ronda, como o desrespeito à vida, a falta de ética e,
enfim, com o próprio ser humano.
Há muito o Brasil perdeu a característica de ser um povo
alegre e solidário. O individualismo disfarçado em meritocracia, o “meu pirão
primeiro” já apagou dos rostos nas ruas aqueles sorrisos despretensiosos e
sinceros. Agora é competir e tratar de si.
Um dos muitos exemplos que pode justificar o colocado acima
está na questão da discussão da maioridade penal. Em minha opinião um dos
maiores absurdos quando apresentado como solução para acabar a violência na
rua.
Sendo simplista,
aumentar a população carcerária sem que uma nova vaga se quer seja criada.
Ou seja, piorar o que hoje já é muito ruim. Para isso, um colunista yuppie de
uma revista em processo falimentar, recém-saído das fraldas, propõe que se
construam menos escolas e mais presídios, com certeza uma solução apoiada por
outros iguais a ele.
Mas sem simplismo, com um pouco mais de profundidade, vou me
ater em um único ponto, dentre os vários que poderiam ajudar no entendimento do
engano que é a redução da maioridade.
Tudo bem, não vamos tratá-los como crianças, àqueles que aos
dez anos já possuem uma arma e “barbarizam”, como colocam os defensores da
diminuição da idade. Mas não esqueçamos que, além de crianças que são, suas
vidas em nada se assemelham com as que estamos acostumados a ver entre nossos
iguais, por que não são nossos iguais, suas realidades estão aquém da
imaginação dos muitos que defendem a diminuição.
Fica mais fácil para a mídia, para os donos do tráfego, para
os donos das armas que são colocadas nas ruas, para os corruptos e corruptores,
atacarem o elo mais fraco da corrente, este só tem dez anos ou pouco mais e,
arrebenta fácil. Teremos uma maior rotatividade de mão de obra “bandida” e, os
verdadeiros criminosos continuarão escondidos nos bastidores reclamando da
falta de segurança para seus filhos.
Já pensou em atacar o elo mais forte? Sei que dará mais
trabalho, pois é como democracia, dá trabalho mantê-la e estar sempre
negociando as posições. Fácil é a ditadura, que não dá trabalho mais é tão
perversa como a ideia da diminuição da maioridade. Mata, prende sem provas e
costuma sumir com as pessoas. Ausência do estado de direito, da República.
Porque antes de sumir com os menores das ruas, não
processamos e prendemos aquele juiz corrupto, que vende a sentença, o habeas
corpus? Porque não prendemos aquele promotor corrupto, que só investiga o lado
que não lhe faz um agrado? Aquele delegado que negocia em sua Delegacia a
tipificação da ocorrência do crime cometido? Aquele advogado que atende ao
criminoso preso como um leva e trás, para que os negócios não se percam durante
as férias do mesmo – que tem o dinheiro para comprá-las? E o político? Aquele
que tem seus processos engavetados, nunca julgados ou investigados? Que recebe
das empresas para emperrar ou agilizar Leis de interesses de poucos?
Será que, com essa trabalheira toda, no final das contas,
com muito suor e medo de atentado contra sua saúde, a proposição acima não
acabe por tirar aquele menor, que hoje nos assusta, das ruas e o coloque nas
escolas, criadas a partir do dinheiro não desviado?
Na realidade somos uns covardes e como tais não nos
aventuramos em direção ao perigo, não lutamos contra o sistema. Não queremos sair do
conforto de nossos sofás. Sabemos que vivemos em um sistema corrupto, que
depende do crime para saciar sua fome de lucros e posses. É mais fácil, prender
o criminoso de "alta periculosidade" que tem dez anos, a incomodar aquele senhor
que vive dentro das grades de seu Condomínio de luxo.
Sérgio Mesquita
segunda-feira, 16 de março de 2015
A Batalha de Argel em Terras Tupiniquins
Acabo de assistir ao pronunciamento do Governo Federal,
hoje, dia 15.03.2015, após as manifestações contra o governo que aconteceram
com destaque em São Paulo, terra do PSDB.
Não farei referência às perguntas dos valorosos e
democráticos funcionários da mídia lá presentes, pois são as mesmas desde o ano
de 2005, com uma roupagem mais moderninha (por conta da tecnologia somente) do
que aconteceu em 1954 e 1964. Já que o título se refere a uma guerra de
libertação... e as perguntas são sem novidades no “front”. Este é o espaço que dedicarei
a nossa “democrática mídia”.
No filme, que retrata da luta do povo argelino contra a
colonização francesa, quando um dos líderes guerrilheiro ou terrorista (prometi
não citar mais, mas é assim que a mídia trata), está sendo “interrogado” de
acordo com o Tribunal de Genebra – cinismo de minha parte - é acusado de ser
covarde por usar crianças e mulheres na luta. O então “terrorista” – os
franceses demoliram prédios com os moradores dentro - responde que: deem-me
seus tanques e aviões e eu paro de usar minhas mulheres e crianças. Uma simples
relação de troca.
Nossos bravos companheiros e ministros, Rossetto e Cardoso,
e são bravos companheiros sim, responderam bem as perguntas. Foram incisivos em
relação à defesa da democracia e o direito de se manifestar. Colocaram-se muito
bem em relação àquela minoria que se manifestava a favor do fascismo, do
retorno da Ditadura, impeachment sem qualquer base legal. Deixaram claro para
quem ainda tinha dúvida, que não passavam de uma minoria que se aproveitava de
um movimento democrático, total incoerência deles, os manifestantes golpistas.
Faltou a meu ver mais energia nas respostas de nossos
ministros, quando os funcionários que interrogavam - obedientes a seus patrões
- citavam o número de participantes na manifestação de São Paulo, e pediam a
opinião deles. Em suas respostas não frisaram que parte daquelas pessoas que lá
estavam, estavam porque passaram a semana toda sendo convocadas por uma
imprensa, que luta desesperadamente para sobreviver e resgatar suas regalias,
suas contas no HSBC, independente das necessidades do povo. Usaram de seus
funcionários artistas para encher as manifestações em todo o Brasil. Faltou aos
nossos ministros, a inspiração do “terrorista” argelino em suas respostas que
poderia ser assim: “me deem os meios de comunicação de massa e vamos ver como
serão as próximas manifestações”. Uma simples relação de troca, como propôs o
argelino. O problema é que não responderam, como também não usamos nossas
“criancinhas e mulheres”, que poderiam ser traduzidas em um novo Marco Civil,
este sobre a Regulamentação da Mídia. O que trocar?
Para a sobrevivência de uma verdadeira democracia não pode
existir, como no Brasil e outros poucos países, concentração dos meios de
comunicação em poucas famílias. O exercício da democracia fica restrito a
vontade destas poucas famílias. E ao contrário do que prega acanhadamente o
governo, não nos interessa só a Regulamentação Econômica da Mídia. A Regulamentação
da Ética Jornalística é muito mais importante e necessária, pois permitirá
àqueles funcionários que hoje passam vergonha no exercício da profissão,
trabalharem com altivez e responsabilidade pública e não privada.
Te Abraço.
Sérgio Mesquita
segunda-feira, 9 de março de 2015
A Passos de Ganso em Direção ao Nazismo ou Não Participo de Panelaço da Globo.
Não vou escrever aqui nada que, de uma forma ou outra, já não
tenha “pululado”nas redes sociais. Insistirei sim, no que venho colocando há anos,
que é, estarmos vivendo mais um processo golpista que, só não foi de novo
vencedor, por conta da movimentação contrária e denúncias nas redes sociais.
Por que, se dependesse da mídia e do poder Judiciário, a coisa já teria
acontecido. Generalizo em relação ao Judiciário, mas não me preocupa muito a
generalização, pois na prática, o silêncio da maioria pode nos levar a
acreditar em consentimento quanto ao processo, a meu ver criminoso. Tentam repetir
54 e 64.
O clima criado pela mídia e o ranço de alguns juízes e
procuradores estão levando a população a um tudo ou nada, onde os
defensores do Golpe, a exemplo de Hitler, usam e abusam da mídia e propaganda,
para tentar atingir o mito da raça pura, os não corruptos – atirem a primeira
pedra!
Não tenho qualquer conhecimento em Direito, na magistratura
ou no que for pertinente a área, mas acredito ter algum senso de justiça que,
acredito ser comum a maioria das pessoas, e por isso me manifesto aqui. Na
esperança que algum doutor da área me explique o que não consigo entender. Pois
se não vejamos:
1 – Pode alguém ser condenado sem prova?
No caso da AP 470 (mentirão) duas juízas declaram em seus
votos contra José Dirceu, que não encontraram nenhuma prova contra o réu. Nada
nos autos investigativos, nada nos depoimentos, nada na investigação da Polícia
Federal, mas tanto elas como outros, condenaram o Dirceu. Segundo Rosa Weber,
baseada na literatura jurídica. Literatura esta que, por informação do
constitucionalista Ives Gandra, ex-assessor de FHC, só seria encontrada nos
livros escritos para apoiar as decisões de Hitler na Alemanha. Fascismo 1 x0.
2 – Pode alguém ser preso para confessar?
Aqui a coisa é um pouco mais perversa. Na Idade Média
costumava-se prender as bruxas para que, as mesmas sob tortura, confessassem
serem bruxas. Uma das torturas consistia em afogar a candidata a bruxa por
vários minutos e, se ela morresse, ficava confirmado que era uma bruxa. Ninguém
sobreviveu é claro. Moro utiliza a mesma técnica na operação Lava a Jato quando
prende os “réus” sem julgamento para que os mesmos confessem, a exemplo de
Hitler durante seu governo na Alemanha. Porque perder tempo com trâmites
legais? Fascismo 2 x 0.
3 – Pode um julgamento durar uma eternidade?
De novo vemos os interesses pessoais e de grupos políticos
de direita, adoradores do Deus Mercado, através de um Juiz do STF, enrolar “sine
die” um julgamento que já tem seu resultado definido. Resultado este que poderá
mudar muita coisa na vida política brasileira, a partir da proibição do
financiamento privado nas próximas eleições. Assistimos hoje uma direita ensandecida,
através do argumento da corrupção, provocada por conta desse mesmo
financiamento privado, querer a qualquer tempo, mudar o resultado de uma
eleição presidencial. Mas se quer pretende recolocar na pauta do STF o processo
para findá-lo. Na Alemanha nazista, quando havia processos contra os
comunistas, ciganos, gays ou judeus, também não eram julgados. Fascismo 3 x 0.
A partir dessas observações, eu, cidadão de cultura mediana,
espero que algum doutor na área jurídica possa me justificar, nas normas da
Lei, os atos expostos acima. Caso não possam, que se manifestem e ajudem ao
país a continuar em seu mais longo período democrático. Sieg heil!
Mais humilde que sou, te abraço.
Sérgio Mesquita
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Perverso prazer diante da humilhação alheia
O destaque que faço ao texto abaixo, não é só por concordar
com o mesmo. Há algum tempo, desde os procedimentos "legais" do
Barbosa e seus pares em relação a AP 470 (mentirão), que venho denunciando
estarmos assistindo ao fim da justiça para todos (apesar de sabê-la somente
para alguns). As descriminações feitas pelo Barbosa, o rasgar da Constituição e
outras, sempre foi denunciada por mim através da seguinte sentença:
"amanhã pode ser você". E quando for você ou seu filho, aí haverá
indignação da mídia e etc.
Com a Lava Jato, a coisa passou a acontecer no quintal de seu
vizinho (da Mônica Bergamo por exemplo), aí você acha um absurdo o tratamento
que está sendo dados aos corruptos. Concordo plenamente! Porém minha
concordância parte do princípio que todos merecemos o mínimo de dignidade, seja
na prisão ou morando debaixo do viaduto.
(...)
Serve também para a repetição de comentários sobre os
providenciais protestos diante da arbitrariedade que atinge pessoas desse
status, quando arbitrariedades iguais ou piores ocorrem diariamente e não
despertam a indignação de advogados de renome, supostamente preocupados apenas
com os honorários que lhes rendem seus clientes endinheirados.
(...)
O SONHO DO CELTA, OU COMO DESTRUIR UMA EMPRESA À INGLESA
Inspiro-me nesse texto
em um dos grandes livros do Vargas Llosa, “O Sonho do Celta”. O livro trata da
história de Roger Casement, irlandês que viveu no começo do século XX,
trabalhando para Coroa Inglesa. Seu trabalho consistia em denunciar os abusos e
o não respeito aos direitos humanos nas colônias e protetorados britânicos na
África e América Latina. Foi agraciado com a honra de “Companheiro da Ordem de
São Jorge e São Miguel” e o título de “Cavaleiro”. Porém, depois de presenciar
tantas injustiças, retorna a Irlanda e passa a lutar pela independência de seu
país, caindo em desgraça para com a Coroa Inglesa, sendo preso, condenado à
morte e morto.
Conto um pouco dessa história, porque faço um
paralelo entre a estratégia do governo inglês em apagar a memória do Roger e
destruir sua imagem através da mídia, expondo o ex-cavalheiro a um lixamento
sem precedentes. Foi acusado de todas as atrocidades possíveis, inclusive com
superexposição de sua vida sexual, era homossexual. Preso, praticamente
incomunicável, impedido de ler os jornais ou ter acesso a qualquer notícia, sua
vida era esculhambada sem que o mesmo pudesse se defender ou mesmo ter acesso
aos meios de comunicação para tal.
Trazendo o exemplo inglês para nossos dias e
país, vejamos como a Petrobras está sendo tratada por nossa mídia e políticos
que sonham em tornarem-se “cucarachas” em Miami.
O processo de linchamento é ainda pior, com
requintes de crueldade uma vez que por tratar-se de uma empresa, inanimada, lhe
imputam características que, infelizmente, só dizem respeito à raça humana. A
grande mídia “cola” na empresa a pecha de ser corrupta, incapaz e inoperante,
enquanto a mesma é premiada e reconhecida mundialmente como a melhor empresa do
ramo petrolífero (condições essas conseguidas devido sua administração que é
feita por pessoas, por seres humanos).
Nossa mídia trata a Petrobras com o maior dos
ensinamentos do nazista Joseph Goebbels (“uma mentira contada mil vezes
torna-se uma verdade”), que era responsável pela comunicação do III Reich, na
Alemanha nazista durante a 2ª Guerra. Utilizam-se dessa prática desde os anos
cinquenta, sessenta e ao longo das décadas – cansado de lembrar isso. Foi assim
quando levaram ao suicídio o Getúlio, na preparação do Golpe de 64, eleição do
Collor e mais, muito mais mentiras transformadas em verdades.
Voltando ao exemplo do livro, fico imaginando se
não existe entre os milhares de funcionários das Organizações Globo, Abril,
Estadão, Folha e outras mais, algum Roger Casement em suas fileiras. Alguém que
seja capaz de se indignar e lutar pela verdade, lutar por sua consciência. Não
precisa ser homossexual, basta ser alguém cansado das mentiras e disposto a ver
na cadeia àqueles que realmente devem ir, claro que, depois de todos os
trâmites processuais seguidos. Não iremos nós repetir as práticas que
condenamos , certo? Certo!
Encerrando e repetindo outros trechos de outros
escritos, que fique claro para quem não quer admitir, que a estratégia de
destruição da Petrobras e demais empresas nacionais, faz parte da estratégia
daqueles que defendem o ”Deus Mercado”. Não passa de uma luta por mercado. Esta
luta é o meio, o fim é o Golpe para se retirar de Brasília um governo que
trouxe dignidade para os mais carentes, soberania e respeito internacional. Um
governo que deixou de dizer “sim senhor” em vários idiomas e passou a dizer
“não, vamos conversar” em um bom português.
Te abraço,
Sérgio Mesquita
Ps: Vargas Llosa hoje é mais um defensor do
neoliberalismo, do mercado. Mas sua literatura, principalmente a
biográfica-romanceada é de excelente qualidade. Destaco a Guerra do Fim do
Mundo, um dos grandes livros sobre Canudos.
Hoje defende a Cultura para os ricos, para quem
pode pagar. Diz que a popularização da Cultura será o fim da mesma. Discordo.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
QUANDO O COMPLEXO DE VIRALATA CEGA
Ler ou assistir os jornais de hoje, é de entristecer e dar
vontade de tomar a seguinte decisão: que se dane tudo. Entrega logo essa porra
de governo, acaba logo com a Petrobras e vamos aguardar uns poucos meses, e ver
essa mesma gentinha que defende um golpe, a ditadura, se lamentar porque perdeu
tudo. Nem aeroporto vazio vai sobrar. Pronto falei!
O problema são os segundos seguintes após o desabafo, você
pensa em seu filho, na criançada do entorno de sua casa, nos vizinhos (alguns
defendendo o golpe) e pensa: que merda, o que será do futuro dos meus filhos? O
menino estuda Geofísica e não terá mais Petrobras no Brasil. O que sobrará para
essa população toda, que começou a “respirar” agora, comprar um pouquinho mais,
passear por conta do fruto de seu trabalho? Reverter de novo o fluxo migratório?
Os nordestinos retornam para São Paulo? Mas não tem água em São Paulo! E agora?
O que fazer para conter essa massa de gente que voltará ao estado de miséria,
que voltará a viver abaixo da linha da pobreza, passar fome de novo? Acham que
vão aceitar isso de graça? Vamos matar a todos? A TV Globo diz que somos muçulmanos
e incentiva a eliminação de todos nós?
E você, que pertence àquela classe média tão bem odiada pela
Marilene Chauí? Acha que continuará tudo bem? Que a fome pelo lucro fácil do
capital estrangeiro é a mesma de 54 ou 64? Engana-se mademoiselle et monsieur. A
fome hoje é muito maior, não vai sobrar pedra sobre pedra. E se você já não
tiver feito como o Barbosa e comprado seu “apesinho” na América Latina
americana, Miami, vai dançar igual. Quem já comprou vai descobrir que, por ter
complexo de vira-lata, só restará o ser cucaracha ”noseua”.
A realidade é nua e crua. O projeto da Globo e suas coirmãs,
da nossa direita tupiniquim (no sentido pejorativo mesmo) que se beneficia dos
favores por ela realizados aos donos do capital, é de acabar com o Brasil.
Nasceram e cresceram aprendendo que daqui nada presta, só presta o que é de
fora. Não admitem que o país possa ter qualquer tipo de soberania. Todas as
conquistas e respeito oriundos de nossa política externa e interna são
impensáveis para eles. Acostumados e treinados que foram a responderem “sim
senhor” em vários idiomas, vide FHC.
Os ataques hoje (que não são de hoje, são desde os anos 50)
à Petrobras e ao governo do PT, não tem nada a ver com ética e combate a
corrupção (que, aliás, só passou a existir efetivamente de 2002 para cá), basta
pesquisar um pouquinho para descobrir que os verdadeiros bandidos, são os acusadores
e empregados de empresas de comunicação que sempre se beneficiaram da sujeira.
Acabar com a Petrobras foi sempre o sonho deles. Tirar o PT
de um espaço que não foi criado e pensado para ele, é recente. Nossa
oligarquia, ainda escravagista, não admite que o PT esteja no governo do Brasil
e o quer fora de qualquer jeito. Mesmo que, se preciso for, retornar com a
Ditadura assassina por que já passamos. Não existe limite para esse tipo de
gente. Como já colocado em outro texto, não passam de peões travestidos de
lordes em um jogo de xadrez, onde só existe um jogador, o capital financeiro,
que não possue o menor pudor na hora de sacrificar os peões quese acham lordes.
Que existe corrupção existe. Existe desde os tempos de Jesus
Cristo e muito antes dele. Não dá para hoje, supondo-nos seres mais
inteligentes que nossos antepassados, sermos enganados e achar que tudo o de
ruim começou agora, do governo Lula para cá. Na crença deles, Cabral ainda não
descobriu o Brasil. Pois se assim acreditassem, a Globo seria forçada a tirar
qualquer referência à Cabral em seu noticiário, como faz com FHC e a “Lava a
Jato”.
A estratégia é simples
e me foi colocada por um menino de 18 anos. Nossas empreiteiras estão ganhando
o mercado externo, África, Ásia, América Latina e Central. As americanas e europeias
perdendo mercado e envolvidas em escândalos de corrupção (Trensalão de SP é um
pequeno exemplo). Como resolver esse problema? Desmontam-se nossas empreiteiras
utilizando-se a corrupção como fachada, prende-se os diretores e culpa-se o
governo com “achismos”. Alguém viu campanha para se destruir as empreiteiras do
Trensalão Paulista? Como são estrangeiras, seus diretores foram afastados pela
matriz e a empresa continua funcionando no mundo e aqui no Brasil. Já as nossas,
além das prisões, as mesmas devem ficar proibidas de funcionarem no país. Paralisam-se
as obras e que venha o desemprego. Interrompem-se os investimentos em infraestrutura
e que venha mais desemprego. O descontentamento da população acontece e a culpa
é colocada no governo do PT.
Com a Petrobras a estratégia é a mesma. A corrupção existe
desde sua fundação. Porém, como a mesma é quem sustenta o projeto de um Brasil
melhor, junta-se a fome com a vontade de comer. Privatiza-se a empresa,
entrega-se nosso óleo à voracidade estrangeira e, de quebra, quebra-se a
espinha dorsal do governo do PT. Todo um caudal para criar a instabilidade
necessária para um novo Golpe.
Retornando-se ao início do texto, não pense você que faz
claque, não irá sofrer com o retorno do Brasil a situação de colônia. Se você
faz parte da classe média clássica, odiada pela Chauí, estará rindo de tudo,
pois não vive de seu trabalho, vive da especulação. Mas se você pertence a
classe média, mas é trabalhador como eu e muitos, possui um carguinho, mas
vende sua mão de obra igual a um simples borracheiro, estará perdido igual a
qualquer simples cidadão brasileiro. Se muito, vai viajar de ônibus leito, pois
os aeroportos voltarão a se transformar em uma imensa sala VIP. Mas se nada
disso te importar, preocupe-se realmente com o que deve se preocupar. Qual será
o futuro de seu filho nesse Brasil colônia?
Que sejam julgados na Lei os verdadeiros corruptores e
corruptos, mas deixem as empresas funcionando. Elas não são culpadas por
quaisquer desvios que possam ser oriundos de nós mesmos, meros mortais
egoístas. Encerrando... camaradas, se Dilma ou Lula são culpados, que se ponha
na mesma cela o FHC, Sarney, Collor e nossos ditadores.
Te abraço.
Sérgio Mesquita
domingo, 18 de janeiro de 2015
Intrusos no espaço institucional
Repetindo uma discussão anterior, como introdução ao texto,
cito Paulo Fatigati que sempre nos lembra de uma situação real: nós somos intrusos
no espaço institucional de governo. Nosso espaço está na organização dos
trabalhadores (sindicatos) e nos movimentos sociais. Os espaços institucionais
são deles, da direita dona do poder. Foram criados para eles, por leis criadas
por eles. Por isso não nos aceitam e tentam recuperar o que acreditam ser, por
direito divino, somente deles.
Esta linha de raciocínio é verdadeira e explica bem os
movimentos políticos do PSDB, dos demais partidos de direita e de nossa mídia
entreguista. Como bem colocado no texto “linkado” ao final, como exemplo. O
Globo sempre foi contra a Petrobrás, do seu nascimento até os dias de hoje. Os sucessivos
governos paulistas também nunca a engoliram bem, pois a locomotiva poderia
deixar de ser o Estado de São Paulo, pois tinham o discurso que São Paulo era a
locomotiva do Brasil.
O que assistimos hoje dentro do Brasil e fora, infelizmente,
são ações orquestradas para impedir o crescimento de novas nações que possam
gerar “problemas” para os donos do capital, EUA, Alemanha e outros menores. O
texto explica bem o porquê da queda do preço do petróleo, estratégia dos EUA para
prejudicar a Rússia, Irã, Venezuela e o Brasil. Os EUA também perdem com a
queda, mas na visão dele, entrega os anéis na intenção de manter as mãos, enquanto
nós poderíamos perder as nossas. Porém no mundo de hoje, como colocado por
vários autores, a Rússia e demais poderão se recuperar mais rápido que o
próprio EUA em sua visão cega. Tiro no pé.
No Brasil, por política de governo, não afundamos na última
crise principalmente por conta dos investimentos na infraestrutura e na
Petrobras. Em especial na Petrobras. Por isso querem colocar a culpa de ações
individuais de corrupção na empresa como toda, como bem explica o Gabrielli na
entrevista.
FHC e os demais preferem ver o Brasil com desemprego e a Petrobras na mão de estrangeiros – com destaque para os EUA – a ver a empresa dando sustentabilidade a uma política feita por intrusos. Não porque queriam eles estar no timão da política, mas por serem entreguistas e subservientes ao poder do capital financeiro, pois suas contas bancárias ficariam mais gordas com o dinheiro “desviado”, em suas visões, para os mais pobres. Basta ler os colunistas do Globo e etc. Aeroportos que parecem rodoviárias, praias cheias de pobres e sua empregada doméstica, que não deveria ter carteira assinada, com um celular melhor que o seu.
FHC e os demais preferem ver o Brasil com desemprego e a Petrobras na mão de estrangeiros – com destaque para os EUA – a ver a empresa dando sustentabilidade a uma política feita por intrusos. Não porque queriam eles estar no timão da política, mas por serem entreguistas e subservientes ao poder do capital financeiro, pois suas contas bancárias ficariam mais gordas com o dinheiro “desviado”, em suas visões, para os mais pobres. Basta ler os colunistas do Globo e etc. Aeroportos que parecem rodoviárias, praias cheias de pobres e sua empregada doméstica, que não deveria ter carteira assinada, com um celular melhor que o seu.
Te abraço,
Sérgio Mesquita
sábado, 10 de janeiro de 2015
Em nome de Deus, o mundo transformado em um ringue de vale tudo
Basta-nos uma rápida passada de vista nos livros de história
para compreender que, em nome de deuses que ensinam a tudo se perdoar, mata-se
indiscriminadamente. Não importa qual vertente. Se seita, culto ou qualquer
outra nomenclatura. Onde a mensagem deveria ser de paz, é de guerra ou de puro
egoísmo. Nesse sentido, somente você e seus próximos merecerão algum reino em
outra vida. Os demais estão perdidos ou têm parte com o demo.
Enquanto a maioria das pessoas se preocupa em ter um
salvador eterno, ou as 70 virgens do Islã, esquecem os verdadeiros e terrenos
motivos que nos levam a essa luta insana. Eric Hobsbawn nos havia advertido
para isso faz tempo. Segundo ele, se o modelo econômico não mudar e continuarem
as injustiças em nome do capital (o Deus em sua forma terrena), só nos restará
a barbárie, o caos completo. Os últimos acontecimentos nos levam a aceitar,
fora de dúvida, a sua previsão, que tem a concordância de outros vários
historiadores, filósofos, sociólogos e economistas. Aí pelos anos 1980,
Adam Schaff, em “A sociedade informática”, apontava para o mesmo “dilema”, se é
que podemos falar em dilema quando se trata do futuro da humanidade. Mesmo
os estudiosos da direita começam a entender que poderá não sobrar muita coisa
quando as guerras em nome da “democracia” e de Deus desconstruírem o mundo,
arrasarem o que resta do mundo, e o fascismo voltar ao poder, como está
acontecendo por conta da guerra particular dos EUA contra a Rússia.
Quando nossas grades em volta de nossos prédios e os rolos
de arame farpados não segurarem a turba empobrecida e alijada de seus direitos,
a salvação virá, e será aplaudida, pela força e o fim dos direitos
democráticos. O fim do direito à vida. Como bem explicita Leonardo Boff, quando nos sobrar somente o
medo, o terrorismo será o verdadeiro vencedor. Avançando um pouco, seja
através do fundamentalismo religioso ou somente econômico, o resultado será o
mesmo, ricos mais ricos e pobres, ironicamente do outro lado das cercas, mais
pobres.
O atentado na França, felizmente e por enquanto, é nosso
último exemplo do que podemos esperar da ganância humana desenfreada. Somos
nós, seres “racionais”, os únicos capazes de destruir o mundo em que vivemos e
do qual precisamos. A discussão aqui não é ecológica, é econômica. A busca pela
sonância do vil metal enchendo os bolsos é o verdadeiro motivo de toda a
paranoia em que hoje vivemos. E ela tende ao infinito.
Entrementes, a mídia, em sua esmagadora maioria, adota,
como sempre, manobras diversionistas, desviando a atenção dos verdadeiros
motivos da guerra que vivemos. Afinal, quando esses veículos não pertencem as
corporações hegemônicas da economia e da política, dependem de seus anúncios.
No final dos anos 90, a revista “Atenção”, que já não circula mais, denunciava
em um de seus números que a maior parte das empresas de comunicação eram
propriedade, na época, a cinco grandes grupos: Sony, Disney, Warner, General
Eletric e Westinghouse. Notem duas potências da energia entre as donas dos
meios de comunicação no planeta.
O que esperar de um mundo onde poucos determinam o que praticamente
todos devemos discutir e assistir? O que esperar de um país como o Brasil,
onde governo e população se rendem à mentira de que regulamentação é sinônimo
de censura? A resposta é simples, o retorno do fascismo e a perda de quaisquer
direitos.
Te abraço
Sérgio Mesquita
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Quem controla a Internet?
Há tempos venho levantando questões sobre o poder da
Internet. Em uma redação sobre o tema, escrevi que ninguém sabe a força real
desse meio de comunicação e informação. Um chinês põe a alma em leilão e o
subcomandante Marcos impede um massacre, pelo exército mexicano, com seu laptop
nas montanhas de Chiapas. Duas ações distintas utilizando a mesma ferramenta.
Mas a dinâmica da rede também pode ser utilizada em
favor de interesses pessoais ou de grupos econômicos/políticos. Assistimos a
isso agora com o ataque à Coreia do Norte, quando a isolaram do mundo ao
bloquearem seu acesso à rede. Agora não se tem mais dúvidas quanto ao poder de
quem tem o conhecimento e os equipamentos para tal exercício. Ou seja: basta,
literalmente, desligar o interruptor.
Essa discussão é alvo de intervenções minhas desde os
tempos “das privatarias” do FHC e seus cúmplices. Em especial quando entregou
todo o nosso sistema de comunicação ao mexicano Carlos Slim. Todos os nossos
dados bancários, de segurança, ou simples recados de amor, nas mãos de
estrangeiros que, se chateados ou incentivados por interesses econômicos, como
a água ou o pré-sal, nos tiram da rede. O que fazer? Perguntem ao FHC.
Ora, o Brasil ganhou notoriedade mundial por conta da
aprovação, um tanto quanto esquartejada, do Marco Civil da Internet, que, mesmo
levando-se em consideração a falta de alguns pedaços, ainda é uma grande Lei e
exemplo a ser seguido. Assim, o que aconteceu na Coreia (link ao final do
texto) estava “previsto” na Lei, como proposta para amenizar o problema.
Contudo, com o esquartejamento, promovido a serviço das Telcos (empresas de
telecomunicação como Vivo, TIM, Claro – do Slim e outras) por Eduardo Cunha,
essa cautela foi cortada. No texto original, existiam exigências de que os
provedores da rede tivessem seus servidores e storages em solo nacional, numa tentativa de “amenizar” a
espionagem estadunidense, tão ignorada por nossa mídia servil.
Eduardo Cunha venceu a batalha com apoio de seus pares
no Congresso e, logo após, por conta da espionagem estadunidense, França e
Alemanha anunciaram estudos para internalizar na Europa os seus servidores de
Internet, a fim de dar mais trabalho ao serviço de segurança dos EUA, o
National Security Agency (NSA), com o intuito de tornar mais difícil o acesso
os dados europeus. Todo o tráfego da rede mundial passa pelos EUA, e eles,
“democraticamente”, detêm o poder de acessar nossos bilhetinhos eletrônicos com
ou sem nossa permissão.
Escrevo isso devido à única discordância minha em relação
ao texto, quando diz que “pode acabar fortalecendo a tendência à
balcanização do universo digital com a criação de redes nacionais
independentes. Trata-se de uma ideia alimentada por regimes autoritários em
várias partes do mundo, porque lhes permite controlar o fluxo interno de
mensagens entre usuários da internet”. Discordo porque a conta vai somente
para os estados autoritários, quando o que testemunhamos recentemente foram
países democráticos como Inglaterra e França (à época de Sarkosy), discutirem e
defenderem a censura na rede. Enquanto isso, os EUA já o fazem abertamente,
espionando os seus e a nós.
A
Internet foi criada a partir de necessidade militar e, como quase todos os
avanços tecnológicos, acabam beneficiando uma pequeníssima parcela da sociedade
civil dos países que controlam o poder imperial no mundo. O mesmo se pode dizer
dos conhecimentos científicos, de onde derivam a tecnologia, que deveria estar
a serviço do bem estar social, e não do econômico/político, que é o que costuma
acontecer na prática. O que ocorreu com a Coreia pode nos levar à balcanização
do mundo sim, como bem alerta o texto, mas também não podemos ou devemos fechar
os olhos e fingir que nada acontece ou poderá acontecer conosco. O mundo da
fantasia só existe nas empresas de comunicação, que, de tanto fantasiarem,
trocaram a realidade pelo fantástico.
Te abraço
Te abraço
Sérgio
Mesquita
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Um fim de ano para não esquecer ─ idas e vindas que não têm preço
No dia seguinte ao dia em que o mundo inteiro se
regozija por conta do fim do bloqueio estadunidense a Cuba (18.11.2014), pelo
retorno dos três últimos “soldados da guerra fria”, segundo Fernando de Moraes
(excelente livro que conta a história dos cinco cubanos presos nos EUA), Maricá
comemora a entrada em funcionamento dos ônibus da Empresa Pública de
Transportes (EPT), os já carinhosamente chamados de “vermelhinhos”, por conta
da cor da bandeira do município, de predominância vermelha. Um coroamento de
toda uma luta, que não se encerra, do único governo que, em Maricá, realmente
se preocupou com sua população. Os “vermelhinhos” rodando sem cobrar um centavo
sequer de passagem.
Quem não é do município, não tem ideia do que isso
representa, e pode até não entender a alegria, a satisfação daqueles que sempre
lutaram contra o domínio perverso de pouquíssimas famílias sobre um grupo de políticos servis e enganados,
pois se achavam lordes quando na realidade não passavam de peões em um
tabuleiro de xadrez onde só existia um jogador manipulando as peças.
Processo longo, de anos durante os quais alguns
munícipes mudavam de calçada para fugir de um simples bom dia ou boa tarde
àqueles ditos “comunistas do PT”. Eu ria internamente quando percebia o
esbaforir de seus semblantes e seus olhos baixos. O simbolismo começou com a
retirada de um busto, que representava o poder local, do Terminal Rodoviário,
que, embora público, estava entregue a uma empresa de ônibus privada, símbolo
do poder e do atraso do município. A simples retirada causou indignação dos
servos e, por outro lado, um recado claro dos “comunistas do PT” à cidade, tudo mudaria.
O Prefeito Washington Quaquá, em seus discursos ao
povo, sempre deixava claro que a cidade só mudaria se a sua pequena classe que
controlava a economia fosse quebrada em seu predomínio. Modernizou a cidade,
abriu suas portas para novos empreendedores e empresas, coisa antes impossível
de se pensar, pois para os donos da empresa de ônibus não interessava a geração
de emprego local. Interessava somente o transporte desses trabalhadores para os
outros municípios em seus ônibus. Novas empresas e novos empreendimentos chegam
a Maricá e fecha-se o ano com os “vermelhinhos” interligando o município de
norte a sul, de Ponta Negra a Itaipuaçu, forma de assegurar o direito de ir e
vir, o que antes era impensável sem que o munícipe que viaja de ônibus
pagasse no mínimo duas passagens.
Os “vermelhinhos” vieram para ficar, e não têm por
que não ficar. Na prática, patrões e empregados lucram quando os custos das
passagens saem de suas planilhas. Lucra todo o morador que, empregado ou não,
precisar se deslocar para ir a um médico, quando seus filhos ou eles próprios
forem à escola e (por que não?) quando simplesmente quiserem se divertir em
lugar afastado de suas casas.
A via principal (nosso rio Amazonas) está coberta,
agora é começar a trabalhar seus afluentes para atingir o interior de nossos
bairros, o que já está sendo pensado a partir do transporte alternativo. A
ideia seria contratá-los diretamente para que essa passagem também venha a ser
gratuita.
Parabéns ao governo Washington Quaquá. Parabéns a
todos aqueles que sempre acreditaram que mudar era possível.
Te abraço.
Te abraço.
Sérgio Mesquita
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Quando a luta é baseada no amor e respeito ao próximo
As diferenças, infelizmente, são gritantes quando da disputa
política entre direita e esquerda no Brasil. Assistimos nossa “democrática”
mídia, de maneira plácida, quase que suspirante, noticiar ou não dar as
notícias nos “tons” que deveria dar se não estivesse atuando como verdadeiros
partidos políticos. Refiro-me especialmente às empresas de notícias, que
ignoram ou, mais precisamente se “lixam”
para o fato de serem detentoras temporais de concessão pública.
Pessoas como ”bolsonaros” vão armadas para comícios,
escolhem quem deveriam ou não estuprar e, se não fossem as redes sociais, nada
disso estaria sendo noticiado. Ou na melhor das hipóteses viraria, uma nota,
esquecida no dia seguinte. Pedidos esdrúxulos pela volta da ditadura,
julgamentos fantasiosos que ignoram o estado de direito, tudo acompanhado de
discursos vazios, mas raivosos.
Máscaras nas frentes das câmeras lembrando antigos salvadores da pátria. Aliás, temos a figura do ex-governador de Minas, que governava o estado a partir das praias cariocas que, segundo um comediante, o Neves de seu nome deveria ser apelido, pois é sempre Natal em seu nariz. O indivíduo insiste no complô, no desejo de inverter o resultado de uma eleição democrática, por meio de um golpe apoiado por uma mídia canalha e alguns juízes suspeitos quanto à integridade. Pregam a violência utilizando-se de grupos fascistas ou mesmo suas polícias militares contra aqueles que não comungam com suas hipocrisias.
Máscaras nas frentes das câmeras lembrando antigos salvadores da pátria. Aliás, temos a figura do ex-governador de Minas, que governava o estado a partir das praias cariocas que, segundo um comediante, o Neves de seu nome deveria ser apelido, pois é sempre Natal em seu nariz. O indivíduo insiste no complô, no desejo de inverter o resultado de uma eleição democrática, por meio de um golpe apoiado por uma mídia canalha e alguns juízes suspeitos quanto à integridade. Pregam a violência utilizando-se de grupos fascistas ou mesmo suas polícias militares contra aqueles que não comungam com suas hipocrisias.
No campo da religião, os mesmos destemperos e atrocidades
para com a democracia e respeito ao cidadão. Não importa se cristã ou islâmica,
quando fundamentalista, cortam-se gargantas, põem-se na fogueira, apedreja e
assim por diante. Não importa, “nós é nós e o resto é o resto”.
A violência, o sectarismo, a criminalização dos movimentos
sociais, a homofobia e outras formas de agressão à democracia, são comuns aos
dois grupos, contra aqueles que são ou pensam ”diferente”.
Agora, o contraditório, normalmente é ignorado pela mídia.
Os movimentos, hoje ainda minoritários, contra o racismo, pela liberdade religiosa, respeito às mulheres, às minorias e a liberdade sexual, quando vão as ruas se manifestar, vão em busca do respeito e amor ao próximo. Quando se manifestam, podem ter certeza de que será como uma grande festa, seja em local público ou não.
Será que ninguém percebe essa pequena diferença que separa aqueles grupos raivosos e antidemocráticos, daqueles que só querem o bem do próximo?
Os movimentos, hoje ainda minoritários, contra o racismo, pela liberdade religiosa, respeito às mulheres, às minorias e a liberdade sexual, quando vão as ruas se manifestar, vão em busca do respeito e amor ao próximo. Quando se manifestam, podem ter certeza de que será como uma grande festa, seja em local público ou não.
Será que ninguém percebe essa pequena diferença que separa aqueles grupos raivosos e antidemocráticos, daqueles que só querem o bem do próximo?
Parabéns, Maricá, pela bela festa que foi a 2ª Parada do
Orgulho LGBT.
Te abraço,
Sérgio Mesquita
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Quando o que importa é o equilíbrio
“A utopia está lá no horizonte. Me
aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o
horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para
que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
Todos sabemos que a tecnologia existe e se desenvolve com o
objetivo de facilitar e dar mais conforto em nossas vidas. Todo invento e suas
futuras mutações, no papel, tem como objetivo a busca de uma melhor qualidade
de vida, ou pelo menos assim deveria ser. Deveria por quê? Porque na realidade, o “lado negro da força”, que todos
temos um pouco e em alguns se sobressai, acaba por transformar a tecnologia em
um mal, e não um bem. Mantendo a linha cinematográfica, chegará uma hora já
prevista nas telas de cinema, que a máquina cansará de nos ajudar e, por achar
que será melhor para a humanidade, tomará o poder e nos guiará a partir de suas
certezas matemáticas. Assistimos a isso em filmes “futuristas”, onde HAL (IBM) assume
o comando em “2001 uma odisseia no espaço”, o “Caçador de Androides” e o
aventureiro “Exterminador do Futuro”, entre outros. Filmes que nos alertam por
conta do caminho escolhido por aqueles, que esfomeados por lucros e acumulação
desenfreada de bens, destroem a vida humana e seu entorno, ou, quando
bonzinhos, nos transformam em autômatos e ai trocamos de lugar com as máquinas.
Porém, sem suas qualidades de velocidade e precisão, pois ainda somos humanos.
Agora por que esse “blablablá”? Porque temos o outro lado da
moeda que, apesar de outro, sofre igualmente com o mesmo “lado negro da força”,
que joga em todos os lados para não perder.
Nesse outro lado, o domínio deveria ser completamente nosso.
No entanto, devido à mesma insensibilidade exposta anteriormente, prejudica-nos
tanto ou mais. E infelizmente temos duas classes de homens e mulheres que
representam bem esse ponto. Fica a ressalva de que não são suas totalidades, mas
uma parcela dotada de visibilidade. São os médicos e juízes, que, a partir de
opostos – mais ou menos humanos – prejudicam igualmente seus “clientes”.
Os médicos, principalmente os mais novos, já nascidos em
meio à tecnologia, mais se preocupam com o resultado da máquina do que com o
exercício do exame. Abandonaram o sexto sentido, que ficava em suas cabeças
dizendo que existe algo mais a ser descoberto. Aos poucos vão se rendendo à
máquina. E como quem as fabrica quer sempre mais lucro, não demorará o dia em
que o médico só assinará a receita cuspida pela impressora, já indicando a qual
farmácia ou laboratório o “cliente” deverá se encaminhar. Hoje, alguns já o
fazem sem auxílio da máquina, mas os conglomerados, as corporações logo irão
indicar automaticamente o remédio, a drogaria e/ou laboratório, por conta de
seus acordos financeiros. Falta muito pouco para o fechamento do cerco. A
tecnologia utilizada para benefício de alguns em detrimento do todo. E são
esses profissionais que aos pouco vão perdendo sua humanidade, que passam a se
manifestar politicamente sempre a favor do sistema que ignora os seres humanos,
razão de suas existências e juramento.
Já os juízes, que por função deveriam ser os menos
influenciáveis pelo meio, por seus sentimentos e, em vez de trabalharem com o
“preto no branco”, à beira da insensibilidade, com imparcialidade, começam a
deixar de fazê-lo, pelas mesmas causas que levarão as máquinas a nos guiar e os
médicos a tornarem-se autômatos.
O lucro e a ganância de alguns, em detrimento da Justiça. Basta observar o comportamento recente de alguns deles durante a AP 470 (mentirão), na operação Lava Jato, no caso do “Trensalão” do PSDB e, agora, no voto de Gilmar Mendes em relação às contas de Dilma Rousseff. Declara seu voto pela aprovação, mas tem a certeza da existência de fraude muito bem-feita. Faz um discurso falando sobre irregularidades que não identificou e, diferente do comportamento adotado relativamente à AP 470, vota de acordo com o “preto no branco”. Deve estar com muitas saudades do Joaquim Barbosa, que, destemperado, chamou os holofotes para si, deixando os demais à vontade para rasgarem a Constituição.
O lucro e a ganância de alguns, em detrimento da Justiça. Basta observar o comportamento recente de alguns deles durante a AP 470 (mentirão), na operação Lava Jato, no caso do “Trensalão” do PSDB e, agora, no voto de Gilmar Mendes em relação às contas de Dilma Rousseff. Declara seu voto pela aprovação, mas tem a certeza da existência de fraude muito bem-feita. Faz um discurso falando sobre irregularidades que não identificou e, diferente do comportamento adotado relativamente à AP 470, vota de acordo com o “preto no branco”. Deve estar com muitas saudades do Joaquim Barbosa, que, destemperado, chamou os holofotes para si, deixando os demais à vontade para rasgarem a Constituição.
Disso tudo que foi escrito acima, a única certeza que
devemos ter, até como um norte a ser seguido, é que a falta de um equilíbrio,
mesmo que tênue, nos levará ao caos. Nesse caso, o único sistema que não serve
é a democracia.
Te abraço.
Sérgio Mesquita
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Recebidos entre palmas e sapateados
Aconteceu neste fim de semana (28 e 29.11), entre uma sexta
e um sábado chuvosos, o 2 º Fórum de Cultura do Interior na cidade de Quissamã.
Foi por si só uma proveitosa reunião onde gestores, parlamentares e fazedores de
cultura trocaram ideias, receios e esperanças. Não as esperanças de Júlio
Cortázar, apresentadas em seu livro “Histórias de Cronópios e Famas”, mas sim
aquelas que nos levam a continuar na luta, a transgredir, colocar o pé para
além da marca institucional na busca do bem comum. O encontro se deu no Centro
Cultural Sobradinho, local aprazível que teria tudo para dar certo. E deu. O
que não esperávamos eram as iguarias estéticas que nossa anfitriã, Marta
Medeiros, Coordenadora de Cultura de Quissamã tinha preparado para aqueles que
chegaram ainda na sexta-feira.
Fomos conhecer de perto, eu pela primeira vez, o Fado. Não o
tradicional português, explorado com humor na música dos, infelizmente
falecidos, Mamonas Assassinas. Conhecemos o Fado advindo da mãe África que,
segundo Reinaldo Sant’Ana, é muito parecido com o de Cabo Verde. Um Fado onde
os músicos pedem licença para adentrar ao ambiente antes da cantoria, sapateado
e palmas. Em um ambiente tão rústico quanto rico em sabedoria e respeito às
tradições. Moços, velhos e novos dividindo o prazer da dança em comunhão.
Uma viola de dez cordas e dois pandeiros feitos à mão e
afinados ao fogo, literalmente. Essa simples formação fez a alegria de muitos.
Conheci o mestre Antônio Morim, que, com uma das mãos tomava posse do pandeiro, e com a outra,
ausente, tocava o instrumento, antes exposto na parede.
Humildemente, não deixava a “peteca cair”, acariciava seu pandeiro ao ritmo da alegria. Foi assim que conheci sua filha e neta, que, entre um “self” e outro, entrava na roda sem qualquer pudor, por conta de sua juventude e beleza. Até Marco De Dios, assessor da Secretaria de Cultura de Maricá, não resistiu e entrou na dança. Por outro lado, duro que sou, fiquei na admiração, emocionado por ver uma história que resiste à pasteurização global que nos impõem (peço desculpas ao Pasteur por utilizar de forma depreciativa seu nome). Assim começou o 2º Fórum, com muita energia e deixando claro que o dia seguinte seria ótimo, como foi. Obrigado Quissamã.
Te abraço.
Humildemente, não deixava a “peteca cair”, acariciava seu pandeiro ao ritmo da alegria. Foi assim que conheci sua filha e neta, que, entre um “self” e outro, entrava na roda sem qualquer pudor, por conta de sua juventude e beleza. Até Marco De Dios, assessor da Secretaria de Cultura de Maricá, não resistiu e entrou na dança. Por outro lado, duro que sou, fiquei na admiração, emocionado por ver uma história que resiste à pasteurização global que nos impõem (peço desculpas ao Pasteur por utilizar de forma depreciativa seu nome). Assim começou o 2º Fórum, com muita energia e deixando claro que o dia seguinte seria ótimo, como foi. Obrigado Quissamã.
Te abraço.
Sérgio Mesquita
terça-feira, 25 de novembro de 2014
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”
Inicio pedindo licença ao velho e bom escritor, hoje
falecido, José Saramago, para tomar emprestado o título de um dos seus livros. Utilizo-me da “cegueira” e não da “lucidez”, outro de seus livros, apesar do
assunto ser a Política, tão bem tratada na “lucidez”. Explico.
A cegueira de que tratamos é consequência da “sanha” com que
nossa mídia, nossa “democrática” mídia, vem tratando a política nacional na
busca de satisfazer seus interesses e os interesses daqueles que ela
representa. Seu objetivo é uno e seu foco é doentio. Doente a ponto de
perder qualquer vestígio de ética ou reparar no entorno, nas consequências que
poderão advir de seus atos, compartilhados por uma direita igualmente cega.
Doze raivosos anos para desconstruir o PT – que tem ajudado
– no intuito de, além do poder, voltar a ter o controle da máquina estatal. Nem
que, para isso, precisem destruir as instituições que definem o Estado
Democrático, desqualificando os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário,
como também investem no desacreditar da política, mola mestra de qualquer
sociedade que tenha a intenção de se considerar civilizada. Pensam eles nas possíveis consequências de seus atos ou não
conseguem mais tirar os “antolhos”, já enraizados em seus corações e mentes?
Investiram pesados na operação “Lava Jato”. Manipularam,
inventaram e agora, que ficou claro para todo, que mesmo antes do golpe civil
militar a corrupção já existia, cresceu exponencialmente durante aquele período
ditatorial e, hoje, continua firme e forte, não sabem mais como parar o que
iniciaram. Não sabem como abafar dos escândalos, cada vez mais escabrosos, o
nome do Aécio e dos membros do PSDB e PMDB. Acreditavam que ficariam somente no
PT. Mas não interessa! O objetivo supremo é tirar o PT de Brasília e os
antolhos não permitem ver outra coisa.
Relatórios apontam o número de até 250 parlamentares
envolvidos de alguma forma no escândalo. Seja recebendo propina ou tendo a
campanha “ajudada” pelas empresas envolvidas. Tentam colar os nomes de Lula e
Dilma, tentam um golpe sem armas, apoiados nos favores de um Judiciário também
comprometido, por conta de alguns de seus membros.
O que a cegueira não os deixa ver é que no “frigir dos
ovos”, podem não sobrar candidatos e/ou partidos. Pode não existir mais a
Política. Civilização sem Política é barbárie, é o caos. E nesses momentos é
que se fabricam os salvadores da pátria.
Não irão apoiar o que sobrar da extrema esquerda e só
sobrarão aqueles da outra extremidade, a direita reacionária. Apoiarão os
bolsonaros da vida na próxima eleição. Pois serão eles que cairão no colo de
uma mídia que, em recente passado, ajudou a assassinar muita gente para ter
suas regalias e o crescimento de seus “negocin” a ditadura. Marinhos e civitas
pulando de alegria em seus caixões, enquanto seus seguidores estarão fumando
charutos cubanos regados a scotch.
Na realidade, quem tem que lutar para que não deixem que se
coloquem os antolhos, somos nós, os mais de cem milhões de brasileiros que vão
votar mais à frente. Porque, se depender deles, a mídia e seus representados,
só nos restarão os bolsonaros, malafaias e outros elementos que desconhecem o
verdadeiro valor da palavra DEMOCRACIA.
Que a Polícia Federal continue a fazer seu trabalho com a
tranquilidade que nunca teve. Que o Judiciário lembre que o Brasil é bem maior do
que o mundo privilegiado em que vivem. Que o PT pare de compor com a classe
dominante, pois para eles somos inimigos e, como inimigos tentarão sempre nos
destruir, nunca conciliar. Continuar compondo após doze anos de governo, é
entregar para o bandido a próxima eleição.
Te abraço.
Te abraço.
Sérgio Mesquita
domingo, 23 de novembro de 2014
QUEM NÃO SE COMUNICA...
Ao longo de nossa história, como seres
pensantes, desde o tempo das cavernas que a comunicação é importante e, se não
dita nossos rumos, nos dá uma ideia do que esperar. A comunicação foi
importante em todas as lutas da raça humana, em especial naquelas que se
colocavam e se colocam contra as injustiças. Simón Bolívar levava, junto com
suas tropas, uma “prensa”; Solano Lopes, o “ditador” paraguaio massacrado pela
Tríplice Aliança, que na realidade era quádrupla (Brasil, Uruguai e Argentina –
sob comando da Inglaterra), editava jornal nos campos de batalha com
charges sobre os soldados brasileiros, escravos em busca da alforria.
Durante toda a nossa história, existiu
informação e contrainformação. E no final, valia a história dos heróis
vencedores contra a covardia da malta dos vencidos. O problema é que a situação
não mudou. Desde os idos tempos até os dias de hoje. Normalmente quem detém o
território físico, detém a informação. Foi-se o tempo em que a religião era a
detentora, depois os reis. Com a chegada da burguesia, ela passou a dominar as
terras e as comunicações. O Deus continuou inatingível fisicamente, mas desceu
do Céu para a Terra. Hoje, quem domina as comunicações é o tal deus mercado.
Como já disse anteriormente, a “luta
continua” e a informação é hoje a arma mais importante, mais que a própria
bomba. Quem determina qual guerra lutar e onde, é a tal da comunicação afinada
com o deus mercado. Quem a detém, sem sujar as mãos de sangue – no máximo suja
de tinta – é quem realmente toma as decisões. Não é mais a política de Estado,
pois quem define quais serão os políticos do Estado, são os donos dos meios de
comunicação através da “prevalência” dos seus interesses pessoais e dos grupos
ou corporações dos quais fazem parte ou representam.
Hoje no Brasil, vivenciamos na carne
esse poder. A eleição presidencial, que estava definida em primeiro turno, foi
para o segundo, e a vitória do PT veio apertada, quase deu Aécio. Mas mesmo ele
é produto dessa mídia e engana-se quem lê e acredita ser ele um novo líder.
Bastaram menos de um mês e ninguém mais sabe dele. Continuam as faltas no
Senado e faltam suas explicações quanto ao aparecimento de seu nome e do PSDB
na operação “Lava a Jato”. A verdade nua e crua é que a mídia conseguiu levar a
eleição para o segundo turno e quase a venceu. No final, valeu a força de uma
velha militância, já cansada e sem entender com clareza o que está
acontecendo internamente.
Inspirado no ditado, ”para os amigos,
tudo; para os inimigos, a Lei”, podemos dizer que hoje, para os amigos,
tudo; para os inimigos, as mentiras, as manipulações, e não a Lei.
Basta vermos as manipulações no julgamento da AP 470 e o que acontece hoje na
“Lava a Jato”.
Encerro aqui com uma simples pergunta aos nossos camaradas do “establishment”.
Quando iremos reagir a essa situação? Quando vamos nos organizar para combater
esse poder? Por que não investimos na Lei das Mídias? Vamos ou não regulamentar
essa pouca-vergonha que é a comunicação brasileira nas mãos de poucos? Há anos,
durante um treinamento sobre imprensa sindical, ouvi do Vito Giannotti no
começo dos anos 90: se a CUT organizasse a imprensa sindical, seus sindicatos
filiados, nossa tiragem seria muitas vezes maior que toda a tiragem privada.
Copiando o Vito, se o PT se organizar
sua comunicação será bem maior e mais eficiente. Para dentro e para
fora principalmente, pois não nos basta falar para nós mesmos. O que nos falta?
Perder a próxima eleição para acordar?
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Teoria de conspiração ou mais um crime de corrupção
Assistindo recentemente ao filme de animação brasileiro “Uma
História de Amor e Fúria”, lembrei-me da fala de um garoto de Maricá, de 18
anos, já um monstro em sabedoria, Bernardo Farias, filho do professor de
história e filosofia, e amigo, Marcos De Dios.
Antes um porquê da citação da animação. Trata-se de um filme
que narra vários casos de amor ao longo da história do Brasil. Desde o
descobrimento até um futuro próximo que me inspirou o texto. A história
acontece em um Rio de Janeiro com prédios de centenas de andares, Trens
suspensos em vários níveis e naves de transportes como nos desenhos dos
Jetsons. O que chamou a atenção foi o problema da água. O personagem principal,
que está presente em todas as histórias de amor e fúria, comenta que meio copo
de água custa mais caro que uma garrafa de whisky. Uma observação, os enredos
das várias histórias temporais da animação passa pela luta contra a injustiça.
Daí a questão da corrupção fazer parte do título do texto.
Lendo nas mídias alternativas as notícias sobre a operação
“Lava a Jato”, da polícia Federal, e a recente e esperada prisão, pela primeira
vez, dos corruptores envolvidos com negócios públicos, com o dinheiro público,
também senti aquela leve sensação de alívio. Claro, sem deixar de atentar para
a prática da nossa “democrática” mídia e da nossa direita que deseja mais um golpe
contra a democracia. Como já fizeram em 54, 64 e outras datas, quando deturpam
e criam notícias de acordo com seus interesses.
O que um garoto de dezoito anos falou para seu pai: “Não
perceberam o que está por trás das prisões dos empresários? Trata-se de luta
entre segmentos da classe dominante”. E explicou o por quê. O que tento
traduzir a seguir.
As empreiteiras brasileiras, a exemplo da Petrobras, estão
se ramificando, realizando negócios para além das fronteiras brasileiras. Estão
ganhando mercado internacional em consequência direta da política externa do
governo do PT. A Petrobras hoje é a quarta empresa em tamanho no mundo e uma
das que mais investem em pesquisa. Nossas empreiteiras estão com obras
espalhadas pela América Latina e África. Ganhando cada vez mais mercado. E isso
incomoda as empresas estrangeiras, os governos das metrópoles e a nossa direita,
que deseja a volta do Brasil Colônia e seus status de senhores feudais.
Senhores aqui e vassalos das metrópoles. Desejam a volta do Brasil como exportador
de matéria prima.
- A partir daí, vamos à teoria da conspiração:
- A água, em breve, será mais valiosa do que o petróleo ou qualquer outra coisa;
- As enormes reservas do pré-sal em nossas águas territoriais;
- A Amazônia como a maior reserva de água;
- A suspeita queda do avião do Eduardo Campos – caixa preta não grava nada;
- Jornalista americano denuncia a CIA como envolvida na queda do avião do Eduardo Campos;
- Os presidentes do Uruguai e Venezuela denunciam documentos que colocam a Marina como projeto dos EUA para a presidência do Brasil;
- O Brasil investe, na medida do possível, na indústria bélica para defesa do pré-sal e da Amazônia (para piorar... os caças comprados não foram americanos);
- Os diretores das empresas denunciadas na operação Lava Jato foram presos;
- Os diretores das empresas estrangeiras envolvidas no “trensalão paulista”, que confessaram o esquema com o PSDB, estão soltos e não são incomodados, bem como os dirigentes do PSDB.
Deixo claro que os diretores presos merecem a prisão, e só
foram presos por conta da mudança política pela qual o Brasil passou com Lula e
Dilma. Se nada tivesse mudado, o governo fosse do PSDB, só Deus, coitado, é
quem saberia.
Mas como, historicamente, o Brasil sempre sofreu influência
maldita das metrópoles, primeiro Inglaterra e depois os EUA, que além de financiarem
políticos aqui, planejaram e executaram o golpe civil militar de 64, nada é
impossível na lógica capitalista. Por que o que interessa para eles é que
voltemos a ser colônia.
Agora, durmam com esse barulho.
Sérgio Mesquita
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Assassinato em Iguala
Uma barbárie que não teve a devida repercussão na mídia
ocidental. Quarenta e três estudantes assassinados por ordem do Prefeito e sua
mulher na cidade de Iguala, no México.
O que fazer agora? Devem estar se perguntando as autoridades
mexicanas e o mundo capitalista. Como reagir ou tentar retomar a vida, quando
países ocidentais começam a incluir em seus PIBs, a receita advinda das drogas
e da prostituição? Assim procedeu a Itália, e estuda seguir o exemplo, a
Inglaterra, entre outros. O que fazer com a população mais carente, quando o
Estado assume esse papel? A legalização às avessas.
Como reagir no México, país mais que exaltado por FHC e os seus
como um dos exemplos a serem seguidos, se hoje ele apresenta todos os seus índices
sociais abaixo da marca de há 20 anos? País que assinou o NAFTA, a ALCA e mais
de trinta acordos bilaterais, chegar ao ponto em que chegou! O que fazer,
quando os cartéis das drogas se apossam da Polícia, Justiça e do Parlamento? Como
chegamos a esse ponto?
Chico Alencar, há muito tempo, falou sobre a guerra das
drogas no Rio. Recusava a denominação dada pela mídia de guerra civil. Dizia
ele que era uma guerra por mercado, uma guerra capitalista. Loucura? Claro que
não. Primeiro a Inglaterra, quando, ainda Império, as drogas foram de suma
importância para sua dominação na China. Os EUA as usou para “alimentar” seus
soldados no Vietnã, e depois para financiar as guerrilhas de direita na América
Latina, África e outros recantos. No Brasil, é ou será diferente?
A milícia, o tráfego e os comandos controlam áreas e
decidem, após acordo, quais candidatos podem ou não fazer campanha eleitoral
ali. E depois de eleitos? Serão cobrados na hora de votar em projetos de
segurança ou de combate ao tráfego?
Já foi notícia que o crime organizado investe na formação de
advogados, juízes e policiais. Quais as contramedidas por parte do Estado?
Vamos esperar o que aconteceu no México? Pior. E depois que acontecer? Manda os
tanques? Joga-se napalm? Qual será o resultado para além do surgimento de um
novo “Beira Mar”, um novo comandante? E povo da “favela”? Baixa de guerra?
Aumento da repressão apenas, não resolveu e não resolverá.
Baixar a maioridade e prender menores, não deu resultado onde foi aplicada. A
Alemanha voltou atrás em sua Lei. E agora? O que fazer se chegamos aonde
chegamos?
Agora mais do que nunca, lembrando uma propaganda da FIAT, “está
na hora de rever seus conceitos”. Para tal, que elejamos um Congresso
Constituinte e reformemos a Política, a Justiça, a Polícia e regulamentemos a
mídia. Caso contrário, entraremos em guerra, e nosso inimigo comum, receberá
apoio das “forças democráticas” ocidentais, como recebeu a Ucrânia, e nos tornearemos
oficialmente fascistas. Já existem alguns brasileiros que, segundo Leonardo
Boff, não moram no Brasil, moram no Leblon, Ipanema, Jardins e outros, e
desejam essa ajuda ardentemente, quase que “trincados”.
Sérgio Mesquita
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Política Econômica na visão de quem não entende “xongas” de economia.
Pois é. Não entendo nada de economia. Leio um livro aqui, um
blog lá e assim vai. Nada específico sobre economia, mas, dependendo do assunto,
a economia é tratada com maior ou menor profundidade. Exceto no livro do David
Harvey, “O enigma do capital – e as crises do capitalismo”, que estou lendo.
Porém, aprendi na vida, nas andanças políticas e outras,
que existem posicionamentos e maneiras diferentes de se enxergar o crescimento
ou não de um país. De afirmarmos se um país cresce ou não, dentro de um sistema
capitalista, pois vivemos em um apesar da nossa mídia insistir em nos comparar
a Cuba.
Assistindo hoje – tentando voltar a assistir aos jornais e
programas televisivos que tratam do país e do mundo – o programa Painel da
Globo News, onde Belluzzo e mais dois economistas debatiam o Brasil. Optei por
desistir de continuar assistindo e fui escrever este texto. Aceito que tenho
que ser mais aberto em relação a isso, mas dá enjoo. Parece que a eleição ainda
não acabou e continuam as manipulações.
Assistia aos economistas defensores das “planilhas” com seus
números e índices azuis contra os que utilizam a planilha como meio para um
comentário analítico e não sintético. Que examinam a planilha para além dos
números, atentos ao mundo em volta.
O assunto era a credibilidade do Brasil, e Belluzzo
demonstrava que a credibilidade não é uma coisa que tem fórmula. O ter ou não
ter depende de pontos de vistas. Como exemplo ele cita a recente eleição
americana. Pequeno parênteses quanto à eleição americana. Foram mais de 100
plebiscitos realizados junto com as escolhas dos deputados. Fim do parênteses.
O Partido Republicano (direita e oposição a Obama) ganhou de lavada do Partido
Democrático e, no plebiscito que tratava do aumento do salário mínimo, ganhou a
proposta do aumento. Os Republicanos são visceralmente contra o aumento e, a
população que votou neles, também votou no aumento. O que isso significa? Como nossa
mídia insiste em dizer que a crise acabou lá fora e os Estados Unidos estão em
franco crescimento, por que dar “uma no cravo e outra na ferradura”? Beluzzo
explicava, a população não vê e não sente esse crescimento. Acabam por
desconfiar do Obama. Ela entende que só melhorariam de vida se o salário mínimo
aumentar, pois, para eles, os números azuis na planilha não mudaram suas vidas.
Nesse ponto, o apresentador interrompe Beluzzo e diz que ele
está depondo contra a Dilma, pois a Dilma não tem credibilidade, o Brasil não
tem credibilidade. Foi quando desisti de continuar assistindo ao programa.
Chegam às raias do absurdo quando precisam impor o pensamento de seus patrões,
da classe dominante. Interrompem e tentam quebrar o raciocínio dos entrevistados.
Com minha humilde inteligência, percebi o que o Belluzzo iria falar quando
interrompido. A nossa mídia diz que o país está em crise, a economia a ponto de
explodir e a maioria do povo vota na continuidade do projeto. Votam em Dilma.
Porque sentem no seu dia a dia que a vida melhorou. Diferente dos EUA e da
Europa, que continuam em crise. Aliás, a mídia deles afirma que a crise é pior
do que a de 1929. Para nossa mídia, a crise acabou e todos crescem, à exceção
do Brasil.
Os que enxergam somente números, falam que a arrecadação
fiscal caiu. Verdade. Política de desoneração para se baixar custos, gerar
empregos e incentivar a produção. A dívida pública aumentou. Verdade. Nunca se
investiu tanto em infraestrutura quanto nesses últimos anos, gerando empregos e
aquecimento do mercado interno. A Petrobras é a quarta empresa em investimentos
no mundo. E para desespero deles, o governo mantem no Orçamento Federal as
verbas para a manutenção de projetos como o Bolsa Família, Pronatec, FIES e
outros.
Nos tempo dos economistas de Harvard, antes eram os Chicago
Boys, a Planilha não teria nada disso. O país estaria em crescimento, pois não
haveria déficit fiscal nem aumento da dívida interna. Pois não haveria emprego
nem obras. Ouviríamos de novo que deveríamos apertar o cinto e dar nossa cota de
sofrimento para que o país crescesse. Utilizando-se de termo um pouco mais
antigo seria... “crescer o bolo para depois dividi-lo”. Alguém, em algum
momento provou um pedacinho desse bolo?
Apesar de nossa democrática mídia dizer que o país não tem
credibilidade, o índice do Risco Brasil na época de FHC era superior aos 2000
pontos. Hoje, está abaixo dos 200. Conclusão: vou continuar a frequentar os
blogs e a mídia alternativa. Será melhor para a minha saúde mental.
Obs: Óbvio que essa política só foi possível por que tínhamos
gerado reservas de capital para isso, ao longo dos governos do PT. Também é
óbvio que um dia ela acaba. Se a crise continuar, teremos que pensar em outras
soluções que, como a atual, entenderam que o melhor do Brasil, são os
brasileiros.
Sérgio Mesquita
domingo, 2 de novembro de 2014
O espanto da morte.
“A verdade é que a única coisa que me espanta são os
humanos”.
É com esta frase que a morte termina de narrar sua história
no livro “A menina que roubava livros”: espantada com os humanos. Como coloca
durante sua narrativa, serviu a vilões, viu coisas ruins e coisas belas, mas
resume toda a sua experiência, seu “viver”, em um único sentimento, o espanto
com os humanos.
Escrevo isto agora porque, apesar de ter lido o livro há
algum tempo, só vi o filme hoje. E apesar da máxima, verdadeira, de que o filme
nunca é igual ao livro, não sei. O fato é que o filme me tocou e fiquei meio
que emocionado ao final, ao ouvir a morte encerrando sua narrativa. Quem me
conhece sabe o que quero dizer, olhos um tanto quanto marejados.
O fato primeiro é que adoro livros e o livro é quase o
personagem principal da história, onde, como dizem, podemos viajar sem nos
locomover. No caso da história, não só ajudava a menina a sobreviver ante o
caos, como também a ajudou a crescer para entender ou tentar entender o mesmo.
Coisas que a literatura faz sem que percebamos.
O ponto, porém, não é o livro e sua magia. O ponto é o
espantar que podemos causar à própria morte através de nossos atos. Este foi o
motivo que me levou a escrever este texto. A capacidade irracional que, nós racionais,
temos de nos ferir e ferir o entorno por onde passamos.
Talvez, esta capacidade de espantarmos a própria morte é
que nos leva a presenciar o que estamos presenciando nestes momentos pré e pós-eleitoral.
Como do nada, são colocados para fora nossos preconceitos, raivas e desprezo
para com o próximo. Nossa irracionalidade à frente do racional, como bem
aconteceu durante a II Guerra, palco da história.
Até quando vamos sobreviver a nós mesmos? Não sei! Mas
assumo como meu papel neste mundo procurar sempre pelo bem estar do próximo,
seu crescimento e cidadania. Não vejo outra maneira de tirarmos da morte seu
espanto. E quando ela chegar para nós, e todos estarão em seus braços um dia,
que venha sem espanto, quase com pena de executar seu trabalho.
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