segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Eleição de 2018: atenção ao legislativo - Por Márcio Valley

O comentarista Weden, em texto de sua autoria publicado no blog do Luis Nassif, ancorado no portal de notícias GGN, cujo link forneço ao final, fala sobre o imenso capital político de Lula, sustentando que talvez não seja na presidência que ele poderá dar sua melhor contribuição em favor do país. Na opinião de Weden, numa conjuntura política em que se tem um legislativo reacionário e a necessidade de um presidencialismo de coalisão para obtenção governabilidade, o presidente eleito, qualquer que seja, se torna apenas um sócio do poder e, às vezes, nem isso.
Weden nos chama a atenção para um fato: “Hoje as esquerdas estão reduzidas a 1/6 do Congresso. Com isso, direitos de cidadania e trabalhistas estão correndo sérios riscos. E outros tantos que precisam ser conquistados estão infelizmente adiados.”
Constatada essa realidade política, Weden sugere que “Lula poderia ser um inestimável puxador de votos para as esquerdas na próxima legislatura.”
Absolutamente perfeita a lógica do Weden.
De fato, talvez a melhor estratégia política a ser adotada pelo PT para as eleições de 2018 fosse colocar a eleição presidencial em segundo plano, um objetivo secundário. O momento poderia ser adequado para mirar outro alvo, tão importante quanto, que vem sendo negligenciado pelo partido desde as eleições de 2002, quando conquistou o poder federal. Desde então, o foco em manter a presidência custou ao partido perdas muito importantes, não somente no legislativo, como em mandatos municipais e estaduais.
Como partido, o PT se manteve razoavelmente estável na Câmara dos Deputados desde a eleição de Lula, em 2002, embora reduzindo suavemente a bancada em cada eleição. Todavia, sofreu uma redução acentuada em 2014. De fato, foram eleitos 91 deputados federais petistas em 2002, 89 em 2006, 86 em 2010 e 70 em 2014.
No Senado, sua bancada permaneceu mais estável. Em 2002, nas eleições para renovação de dois terços do senado, sendo disputadas, portanto, 54 das 81 vagas, o PT elegeu 10 senadores. Em 2006, para renovação de um terço, 27 das 81 vagas, foram eleitos 2 senadores petistas. E assim sucessivamente, 11 senadores em 2010 (eleição de 2/3) e 2 em 2014 (eleição de 1/3).
No conjunto das forças progressistas, porém, o tombo foi ainda mais retumbante. As eleições passadas para o legislativo, em 2014, produziram o congresso certamente mais obscurantista das últimas décadas e possivelmente o pior da história do Brasil. Congresso que se apresenta com uma tessitura política engendrada a partir de um conservadorismo que se poderia considerar honesto, mas é manchado ao se aliar, por mero oportunismo político, à pior espécie do conservadorismo fundamentalista religioso e à fatia mais abjeta do patriamonialismo político.
A conclusão resulta, primeiro, da observação pura e simples das práticas que, desde então, passou a pautar as ações do Congresso, que, por exemplo, em nada se envergonha de eleger, para presidi-lo, um político que sabidamente representa o mais vil patrimonialismo político. Ou, ainda, que nomeia um pastor evangélico retrógrado, e por isso mesmo contra qualquer avanço nos direitos dos homossexuais, para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, o que representa um insulto a todo e qualquer eleitor que se posicione favoravelmente à supremacia dos direitos humanos.
Segundo, da análise de levantamento realizado pelo Diap logo após as eleições e que já prenunciava o que viria. Numa contagem mínima e otimista, o Diap concluiu que foram eleito 30 deputados federais representantes da bancada da segurança, mais 52 representando os evangélicos e outros 190 pela bancada corporativa.
Tem-se, pois, nada mais, nada menos, do que 272 deputados federais inclinados ao conservadorismo, ao obscurantismo e à redução dos direitos e liberdades individuais. Como são 513 deputados federais que formam a Câmara dos Deputados, isso significa que 53% de sua composição é hoje formada por políticos que atuam na contramão dos avanços civilizatórios.
O horror, o horror!
Um congresso dessa qualidade precisa ser urgentemente defenestrado e renovado.Impõe-se ampliar o número de parlamentares com ideias arejadas sobre a questão social, não somente em relação à mitigação da desigualdade de renda e riqueza, importante por óbvio, mas também quanto a questões sensíveis envolvendo direitos das minorias, como os preconceitos em geral e notadamente o racial, direitos homoafetivos, a questão do aborto e outros. São assuntos que, com essa composição congressual, somente serão colocados em pauta com o objetivo de cassar conquistas, jamais para avançar.
Com um congresso abjeto, como o atual, de pouco ou nada adianta conquistar a presidência. Fica-se amarrado à lógica fisiologista de produzir governabilidade a qualquer custo, com a única alternativa de lutar contra a sanha oposicionista e sucumbir, pois, sem maioria no Congresso e sem o apoio da imprensa, não há chance de vitória.
O segundo governo Dilma, sob a coação desse Congresso obscurantista, é um exemplo perfeito de como é possível à oposição paralisar por completo a materialização do projeto político eleito pelo povo.
Vive-se um momento paradoxal da política nacional. Dilma foi obrigada a se render ao inimigo. Doravante, e até o final de seu mandato, qualquer conquista social, se houver, será mínima. O que deveria ser o ministério de um partido, o PT, é hoje, em essência, o ministério de um segundo partido, o PMDB, que por sua vez põe em prática uma cópia suavizada da proposta de poder de um terceiro partido, o PSDB.
Trata-se de uma insanidade política e uma violação ao direito democrático de opção popular. O povo escolheu o PT, não foi o PMDM e nem o PSDB.
O momento, assim, é de olhar para a eleição legislativa com mais carinho. A esquerda precisa ser reforçada.
Muito melhor para o povo a existência de um legislativo progressista fiscalizando um eventual executivo conservador, do que um executivo progressista manietado por um legislativo reacionário.
E não é impossível que o PT, mesmo sem Lula candidato, ganhe a eleição presidencial. Mesmo a derrota talvez seja positiva. Nada como a comparação para dissipar mentiras e possíveis dúvidas. Deixe o conservadorismo desmiolado mostrar o seu trabalho e ele se derrotará sozinho.
Lula, em São Paulo, se candidato a deputado federal, por exemplo, levaria com ele para Brasília, talvez, mais uns quinze deputados. Tiririca, com pouco mais de um milhão, elegeu outros cinco. Liberado da eleição presidencial, seria capaz, ainda, de auxiliar na conquista de cadeiras no senado e ajudar a eleição de deputados federais em outros estados.
A guerra política pode ser vencida de muitas maneiras. Talvez a batalha direta pela presidência não seja assim tão importante nessa guerra que se trava no país entre progressistas e reacionários.
É hora de pensar o legislativo.
Link para o texto do Weden: http://jornalggn.com.br/blog/weden/o-capital-lula

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O veto da “PEC da Bengala”

Tem que vetar mesmo. Acabar com essa pouca vergonha de legislar de acordo com seus interesses pessoais. Mas parece a Lei Eleitoral no período da Ditadura, mudava de acordo com o panorama político.

Mentiras que tinham medo de Dilma manipular as escolhas dos futuros ministro, querem é manter no poder aqueles que foram escolhidos para a manutenção do "status quo", como foi o Gilmar Mendes pelo FHC, o Mello pelo Collor e assim por diante.

Hipocrisia dizer que poderiam entrar ministros para serem manipulados, pois alguns que lá estão, estão por quê?

Acho que o PT foi é muito inocente nomeando o Barbosa por exemplo. Dizem que foi vontade do Lula, mas ninguém o queria por saberem ser desequilibrado.

O presidente tem que nomear sim gente proba, que vai trabalhar de acordo com a constituição e não quanto sua militância política e/ou financeira.

Alguém já viu presidente americano republicano indicando juiz democrata para a Suprema Corte? Ou vice-versa? Tem que indicar gente séria, mas que tenha proximidade política com o projeto então em vigor. Roosevelt levou vários mandatos até ter condições de indicar os juízes da Corte que permitiram a implantação do “New Deal”, que tirou os EUA do buraco pós crise de 29. Os que lá estavam preferiam o buraco a ter que distribuir o "Bolsa Família" que ajudou na saída da crise.

Não existe um pingo de honestidade no projeto de mudança da idade da aposentadoria compulsória dos 70 para 75. Existem interesses escusos e pessoais.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Minha Casa Minha Vida – Condomínio Carlos Marighella

Dia agitado esse 03.10.2015 no MCMV Carlos Marighella em Itaipuaçu. Foi o dia em que os condôminos aprovaram seu Regimento Interno e elegeram seus síndicos, sub-síndicos e conselheiros fiscais, em cada um dos cinco setores do Condomínio. O dia começou às 7:30h para a equipe da Prefeitura composta pelo Secretário de Direitos Humanos, Mauro Alemão e a Coordenadora do MCMV Lene Oliveira. Ambos com suas equipes, divididas entre os condomínios Carlos Marighela e Carlos Alberto Soares, em Inoã, em pleno processo de mudança de seus moradores. Também estiveram presentes no apoio, as equipes do Centro de Defesa dos Bairros, William Campos, Carolina Farias, Iracema Miranda e Elias Gerner (Samu) e a equipe da Secretaria de Habitação composta por Marcos de Dios, Rogério Almenteiro e eu.
O evento começou às 10:00h com a discussão do Regimento Interno, encerrando-se por volta das 21:30h, quando foi anunciado o resultado das eleições, que ocorreram em paralelo, na parte da tarde, no horário das 14 às 18h.
Momentos de tensão e descontração ocorreram durante as discussões dos artigos do Regimento. Propostas foram aprovadas por aclamações e outras, mais acaloradas, como o pró-labore do Síndico e/ou equipe, animais no condomínio, a utilização dos Centros Comunitários, horário de silêncio e outras, tão pertinentes quanto às expostas. No fim, regimento aprovado e comemoração dos eleitos.
Uma coisa ficou evidente, com todos os problemas que aconteceram na ocupação do condomínio por seus moradores, alguns pertinentes ao processo de construção, outros não. O certo é que emociona o brilho nos olhos de seus moradores, em especial da criançada que, segundo muitos pais, nunca tiveram tanto espaço para brincar e correr.
Por mais que alguns, que nunca souberam o que é privação e são influenciados pela mídia, que faz questão de só ver um lado do processo, não consigam enxergar a beleza e a importância do projeto MCMV para vida dos que foram beneficiados. Não possuem a menor ideia do que é não morar dignamente, como me contou uma senhora que pagava anteriormente R$450,00 de aluguel. No Carlos Marighella, irá pagar para CEF a mensalidade de R$30,00 e com a diferença do valor do antigo aluguel, iria pagar sua água, luz e comida, sem a necessidade de mexer no resto de sua aposentadoria. É claro que, para aquele que gasta em uma noite R$450,00, não vai entender e ainda se colocará contra o empreendimento. A verdade, é que aquele “troquinho” que sobrou da aposentadoria daquela senhora, vai aquecer o pequeno comércio em torno do empreendimento, gerando renda e emprego e aquecendo a economia.
O projeto vai além de um simples teto para se morar dignamente. Só não enxergam aqueles que acreditam que, investir no papel (ciranda financeira) é melhor do que se ter projetos como o MCMV, o Bolsa Família, a Moeda Mumbuca ou ônibus com tarifa zero. Esses só querem saber de acumular com o lucro de seus “investimentos”, mesmo que, no “frigir dos ovos”, tenham que se contentar em viver atrás das grades de seus condomínios, seus “Elysium” terrestres (com medo de que seus filhos vejam e entendam de onde vêm seus luxos). Parabéns para os que pensam projetos como o MCMV e, em especial, para os moradores do Carlos Marighella, que mesmo sem saber, exercitaram um direito pelo qual Marighella lutou e morreu, para que esse e outros direitos fossem garantidos nos dias de hoje. Parabéns as equipes envolvidas e ao governo de Maricá.
Te abraço,

Sérgio Mesquita
Sec. Formação do PT-Maricá

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

QUANDO DESCOBRI QUE MEUS LIVROS ESTAVAM DE CASTIGO.

Hoje, dia 15.10, e não poderia ser em outro dia, a Prefeitura de Maricá levou até o condomínio Carlos Marighella (MCMV) em Itaipuaçu, o evento “Libertação de Livros”, como pré-lançamento do Festival Internacional de Utopia, que será realizado em 2016, no município. O evento foi organizado pelas secretarias Executivas de Políticas Sociais e Adjunta de Políticas Especiais, responsáveis pelo Festival.

Dia do Mestre, Condomínio recém-ocupado e mais de 1000 livros para serem distribuídos para seus moradores, em especial para a criançada que, além dos livros, contou com a presença da Secretaria de Cultura que trouxe música, teatro, dança e tatuagem (tinta lavável). A Secretaria de Saúde também esteve presente com seus funcionários medindo a pressão e falando sobre os programas da Secretaria. Uma bela festa de abertura para um evento que promete ser de responsabilidade.

O título desse texto tem a haver com abertura do evento. Pedro Geromilich, um dos organizadores, falando à criançada, iniciou perguntando se algum deles gostava de castigo. Resposta unânime, ninguém gostava de ficar de castigo. Pedro continua e ensina a criançada que, quando acabamos de ler um livro e o guardamos em uma estante ou gaveta, estamos colocando o livro de castigo, pois ninguém mais o lerá. Do mesmo jeito que criança gosta de brincar, livro gosta de ser lido. Por isso, quando não emprestamos, trocamos ou damos nossos livros para que outros os leiam, eles ficam de castigo. Pronto! Descobri ter um monte de livros de castigo, doidos para brincar. E agora? Tenho que “desapegar”. Livro guardado é informação que não circula, não brinca, e informação que não circula, não gera conhecimento, não gera saber. E nós sem os saberes para trocar ou dar, não somos ninguém, não crescemos e nem produzimos, ficamos de castigo como os livros nas estantes.
Umpf. Arhf, Argh, pow, blang... tenho que tomar uma atitude.

Há algum tempo, resolvi doar meus livros, procurei então a diretora do Joana Benedicta, e expus minha intenção. Ela adorou, mas não tinha espaço físico para recebe-los – não que sejam muitos. Voltei para casa e como minha literatura não impressionava meus filhos ainda jovenzinhos, a ideia não se esvaiu. Porém um belo dia, toda a família leu “Os últimos soldados da guerra fria”, do Fernando Moraes e a filha me pergunta se eu tinha “Os Miseráveis” do Victor Hugo, alguma coisa do Machado ou Euclides. O sorriso veio fácil. O fiozinho da esperança deles começarem a ler meus livros – liam os deles somente – fez com que a vontade passasse.

Depois veio a inauguração da Praça do CEU e sua Biblioteca, e a coceira recomeçou e se mantém. O problema é que de vez em quando, algum livro escapa do castigo e não volta e muitos são lembrados e revistos por mim quando vou escrever algum texto, preparar uma apresentação, palestra ou debate. Não tenho o menor pudor, abuso deles sem qualquer parcimônia e esqueço que estão de castigo.
Perceberam a discussão “demigo” para comigo que causou a Pré-Abertura do Festival Internacional de Utopia de Maricá? Imagine quando for à vera.

Te abraço,
Sérgio Mesquita

Sec. de Formação do PT

Danton, Robespierre, o Mensalão e a Lava Jato

Há pouco publiquei na rede um texto retirado do Diário do Centro do Mundo sobre a importância da Revolução Francesa. Paulo Moreira Leite escreve que, se tivesse uma data para a humanidade, essa data seria 14 de julho de 1789, a data da queda da Bastilha, a data da Revolução que transformou as sociedades no mundo inteiro.

Escrevo esse texto, na data de hoje, 6 de setembro de 2015, véspera da data que comemora nossa Independência, após assistir o filme Danton. Sem entender muito o porquê, acabou vindo a minha cabeça a frase de Marx, “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Após esse momento, começo a anotar alguns dos trechos do filme e a fazer paralelo com o nosso atual momento. A partir de então, pausas e recuos para rever os diálogos.

De cara a questão do Comitê da Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário, que a tudo julgam e interpretam e não dão satisfação a ninguém. Inclusive mandam decapitar quem os questiona, tema do filme. Difícil não remeter ao nosso momento (a história se repete), onde a mídia e o judiciário fazem o que querem como e onde acharem por bem, sem que deem qualquer satisfação de seus desmandos e mandos. Rasga-se a Constituição e o Direito para que seus pontos de vistas prevaleçam, mesmo que fascistas. Danton reclama que o povo deve julgar os atos do Comitê, como hoje pedimos a Regulamentação da Mídia e a Reforma do Judiciário, com a participação popular.

Outro ponto de coincidência fica claro quando o Juiz do Tribunal é questionado por um dos homens de Robespierre que, reclama estar o juiz complacente com Danton deixando-o falar. O Juiz diz não ser carrasco e ouve de seu interlocutor que é sim um carrasco a serviço da “população”. Neste ponto a coincidência é um pouco forçada, pois tanto Barbosa como o Moro, não parecem ter qualquer problema quanto a seus atos, como o juiz demonstrou no filme.

Como aocntece com os “réus” do Mensalão e do Lava Jato além outros fatos isolados, como a proibição do pobre ir à praia na zona sul na cidade do Rio, Danton fala ao povo presente que o julgamento teve início com a sentença já definida e suas testemunhas proibidas de falar e, que hoje, vivem em uma ditadura pior que anterior. Outro ponto em comum está na “delação premiada”, prometem a um dos deputados presos o perdão, se o mesmo assinar confissão de que existia um complô. O deputado assina e Danton e os demais vão à guilhotina. A história como tragédia.
No final Robespierre reconhece que a Revolução tomou rumo errado e a ditadura se faz necessária, pois a nação não se governa sozinha e a democracia é só uma ilusão.

Nos dias de hoje, após a fala de Robespierre, lembrei-me de Saramago e Hobsbawn, cada um em sua razão, entendiam que a democracia ocidental não existe, é mero folclore, pois o mundo está privatizado e nenhum governante tem poder sobre a vontade das “Corporations”.
Certo é que estamos vivendo uma ordem às avessas onde o interesse da maioria está suplantado pelo de uma minoria, como vem se repetindo ao longo das eras, primeiro como tragédia, depois como farsa.

Dificilmente haverá acordo quanto à necessidade de que se realizem reformas como a política, do judiciário e da mídia, as demais viriam como consequências. Possivelmente somente após uma primeira revolução, onde não se façam acordos, o país poderá avançar. Mas que não repitamos a história, pois continuará farsa. Que avancemos a partir dos exemplos então.

Te abraço,
Sérgio Mesquita

Secretário de Formação do PT-Maricá

domingo, 6 de setembro de 2015

Danton, Robespierre, Mensalão e Lava Jato

Há pouco publiquei na rede um texto retirado do Diário do Centro do Mundo sobre a importância da Revolução Francesa. Paulo Moreira Leite escreve que, se tivesse uma data para a humanidade, essa data seria 14 de julho de 1789, a data da queda da Bastilha, a data da Revolução que transformou as sociedades no mundo inteiro.

Escrevo esse texto, na data de hoje, 6 de setembro de 2015, véspera da data que comemora nossa Independência, após assistir o filme Danton. Sem entender muito o porquê, acabou vindo a minha cabeça a frase de Marx, “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Após esse momento, começo a anotar alguns dos trechos do filme e a fazer paralelo com o nosso atual momento. A partir de então, pausas e recuos para rever os diálogos.

De cara a questão do Comitê da Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário, que a tudo julgam e interpretam e não dão satisfação a ninguém. Inclusive mandam decapitar quem os questiona, tema do filme. Difícil não remeter ao nosso momento (a história se repete), onde a mídia e o judiciário fazem o que querem como e onde acharem por bem, sem que deem qualquer satisfação de seus desmandos e mandos. Rasga-se a Constituição e o Direito para que seus pontos de vistas prevaleçam, mesmo que fascistas. Danton reclama que o povo deve julgar os atos do Comitê, como hoje pedimos a Regulamentação da Mídia e a Reforma do Judiciário, com a participação popular.

Outro ponto de coincidência fica claro quando o Juiz do Tribunal é questionado por um dos homens de Robespierre que, reclama estar o juiz complacente com Danton deixando-o falar. O Juiz diz não ser carrasco e ouve de seu interlocutor que é sim um carrasco a serviço da “população”. Neste ponto a coincidência é um pouco forçada, pois tanto Barbosa como o Moro, não parecem ter qualquer problema quanto a seus atos, como o juiz demonstrou no filme.

Como aocntece com os “réus” do Mensalão e do Lava Jato além outros fatos isolados, como a proibição do pobre ir à praia na zona sul na cidade do Rio, Danton fala ao povo presente que o julgamento teve início com a sentença já definida e suas testemunhas proibidas de falar e, que hoje, vivem em uma ditadura pior que anterior. Outro ponto em comum está na “delação premiada”, prometem a um dos deputados presos o perdão, se o mesmo assinar confissão de que existia um complô. O deputado assina e Danton e os demais vão à guilhotina. A história como tragédia.
No final Robespierre reconhece que a Revolução tomou rumo errado e a ditadura se faz necessária, pois a nação não se governa sozinha e a democracia é só uma ilusão.

Nos dias de hoje, após a fala de Robespeirre, lembrei-me de Saramago e Hobsbawn, cada um em sua razão, entendiam que a democracia ocidental não existe, é mero folclore, pois o mundo está privatizado e nenhum governante tem poder sobre a vontade das “Corporations”.

Certo é que estamos vivendo uma ordem às avessas onde o interesse da maioria está suplantado pelo de uma minoria, como vem se repetindo ao longo das eras, primeiro como tragédia, depois como farsa.

Dificilmente haverá acordo quanto à necessidade de que se realizem reformas como a política, do judiciário e da mídia, as demais viriam como consequências. Possivelmente somente após uma primeira revolução, onde não se façam acordos, o país poderá avançar. Mas que não repitamos a história, pois continuará farsa. Que avancemos a partir dos exemplos então.

Sérgio Mesquita

Secretário de Formação do PT-Maricá

domingo, 23 de agosto de 2015

A Coca Cola apoiaria Regulamentação da Mídia?

Do mesmo modo que coloco que nossa mídia e classe dominante são atrasadas e sem ideia, podemos conferir que as indústrias no que tange em manter seus lucros também o são. Ambos não inovam em suas estratégias, simplesmente as adaptam às novas tecnologias.

Nossa mídia republica as capas de seus jornais desde os anos 50, para conseguirem o intento de mais um Golpe no país. A indústria, no geral também. Na década de 90, a então existente revista “Atenção”, em um de seus números, tem como matéria principal, as cinco grandes empresas que dominavam o mundo da comunicação. Eram elas, Disney, Sony, Metro, General Eletric e a WestHouse (duas grandes de energia). Porque elas passaram a ser donas dos meios de comunicação ou, ter tentáculos em jornais e outros meios? Como tudo passa por dinheiro, fica fácil a explicação. Primeiro você passa a dominar os meios com o poder da publicidade. Publica matérias a meu favor ou sobre o que é bom para minha empresa e, faço publicidade em suas páginas ou televisão. Assim funciona a democracia de mercado.

Alguns exemplos expostos nas páginas da Atenção: 1 – manipulação do índice de nicotina nas propagandas de cigarro, em especial do cigarro Marlboro – do cowboy que morreu de câncer no pulmão. Depois de muita pressão e adiamentos, os diretores das empresas confessam que manipulavam os índices de nicotina. As manchetes foram de elogios aos delinquentes, pela coragem de terem confessado o crime, eram homens honrados. 2 – Vazamento de petróleo no Alaska. O navio Exxon Valdez vaza o seu petróleo e forma a maré negra. Mata várias espécies animais, em especial peixes e pássaros marinhos e causa uma enorme destruição ambiental. Prejuízo de milhões de dólares ao ambiente e economia local. Como foram as manchetes? Elogios à empresa pelo pronto atendimento a um desastre mais que anunciado. 3 – E General Eletric e Wasthouse? Para combater a crescente onda ecológica contra a energia nuclear, passaram a ser donas ou “acionistas” dos jornais e, aos poucos, as notícias foram sumindo das páginas.

Recentemente tivemos a Monsanto – aquela que doou as sementes suicidas de milho para o Haiti como ajuda humanitária após os terremotos. O povo sabiamente as jogou ao mar. Também temos o caso da Fox News, que demitiu e processou dois de seus jornalistas por terem feito um documentário denunciando a Monsanto. Ela aplicava hormônios no gado leiteiro na busca de produtividade aumentada. Gado e quem bebessem do leite ficavam cancerosos. Olha o que um diretor da Fox falou ao casal de repórteres: “Ora, nós acabamos de fechar um negócio publicitário de milhões com a Monsanto, agora vocês querem pôr no ar um programa que denuncia a Monsanto!?!” Podem assistir essa e outras denúncias no documentário canadense “Corporation”.

Agora, temos a nossa Coca-Cola que, além de seu poder econômico, passa a financiar estudos científicos e táticas de publicidades interligadas. Algo como: Tome Coca-Cola, acorde cedo para correr, fazer ginástica e terá uma vida saudável. Quer nos convencer que a vida saudável passa por tomar Coca Zero????

Senhores, senhoras e os/as, A manipulação da mídia em nossos corações e mentes, existem há anos. O problema é até quando vão acreditar que Regulamentação da Mídia (não só financeira) é censura?

Te Abraço,

Sérgio Mesquita

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

RODA VIVA

Não sei se uma triste homenagem a Chico ou um simples reconhecimento de sua genialidade. O fato é que hoje, como ontem, a letra de uma de suas melhores e significativas músicas, “Roda Viva”, que tão bem representou o sentimento de angústia nos períodos de chumbo, durante a ditadura no Brasil, venha hoje, representar outra angústia, outra dor, neste curto período de aprendizado democrático.
O fato é que hoje estamos pagando por erros de um passado recentíssimo, quando um partido como o PT, nascido de um belo parto natural, sem fórceps, abre mão de seus ideais e nada contra a corrente do rio que desaguou em sua criação.
Parto da história do PT no Estado do Rio e seus municípios, mas que foi comum em vários outros estados deste país. Ainda no ano de 94, Milton Temer e Vladimir Palmeira disputam a prévia para o governo. Vladimir vence, mas Bitar foi o candidato após a corrente majoritária provocar o não quórum na disputa inicial, manobrando assim a busca do que acreditavam ser o melhor. Nosso candidato chegou em 4º lugar atrás do Cel. Newton Cruz.
Chegam as eleições de 96 (municipais), Chico Alencar disparado na disputa interna do partido no Rio. Lula, nosso grande presidente (sem ironia), pede a Chico que abandone a campanha e apoie Miro Teixeira. A militância do PT nas ruas – eu, Quaquá e muitos, em campanha em Maricá, fomos para o Rio fazer a campanha de Chico algumas vezes, e o PT “sabotava” a campanha. Sem dinheiro, Chico ficou há 90 mil votos do segundo turno. Conde ganhou e Miro ficou em 5º lugar.
No ano de 98 foi o clímax. Nem Brizola queria o Garotinho, como havia colocado para Chico, Milton Temer e o falecido Neiva. Novamente a militância conquista a Convenção e lança oficialmente Vladimir Palmeira para governador. O resultado ninguém esquece, estava em São Paulo e ouvi/cantei Zé Ramalho e Beth Carvalho (“E ver que toda essa, engrenagem / Já sente o ferrugem lhe comer” e “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”). A candidatura conquistada no voto estava caçada em favor de Garotinho, que em seguida lançou-se candidato a presidente do Brasil, contra o PT. Chega-nos a roda viva.
"Tem dias que a gente se sente / Como quem partiu ou morreu / A gente estancou de repente / Ou foi o mundo então que cresceu / A gente quer ter voz ativa / No nosso destino mandar / Mas eis que chega a roda-viva / E carrega o destino pra lá."
Abrimos mão de nossos destinos em nome de um pragmatismo que talvez não fosse tão necessário assim. Oito anos depois de muita desgraceira, conquistamos Brasília. De lá para cá, são exatos 14 anos onde, não tem como negar que houve transformação na vida daqueles mais carentes. Uma transformação para melhor, com mais dignidade. Mas a que preço?
Abandonamos nossas crenças e nossos princípios, pior e mais graves, nossa democracia interna. Deixamos de discutir internamente e com a população, quando abrimos mãos de sua organização que tantos frutos nos renderam. Hoje somos um partido verticalizado, mesmo no melhor de suas administrações, o diálogo é reduzido ou não existe. A nossa mais linda roseira, que se chamava democracia interna, é levada para lá.
"A gente vai contra a corrente / Até não poder resistir / Na volta do barco é que sente / O quanto deixou de cumprir / Faz tempo que a gente cultiva / A mais linda roseira que há / Mas eis que chega a roda-viva / E carrega a roseira pra lá."
A consequência de vir a fazer parte da mesmice do cotidiano político do Brasil, um cotidiano triste, não honesto com sua população, nos levou a descrença enquanto um partido de ideário firme e ético, junto a essa mesma população. Somos mais um partido, igual a todos os demais. Não soubemos nos comportar enquanto intrusos que somos nas engrenagens do poder. Engrenagens criadas pelos donos do poder, de acordo com as Leis criadas por eles e para atender as necessidades deles. Uma vez entre seus dentes rotatórios, não colocamos nenhuma cunha, não tentamos modificá-las. Iludimo-nos achando que nos serviriam e acabamos por servi-la, conquistados que fomos por suas benesses.
"A roda da saia, a mulata / Não quer mais rodar, não senhor / Não posso fazer serenata / A roda de samba acabou / A gente toma a iniciativa / Viola na rua, a cantar / Mas eis que chega a roda-viva / E carrega a viola pra lá."
O trabalho agora é resgatar nossa viola, para na rua voltarmos a cantar. O problema é como? Bastará-nos retornar ao passado? Claro que não, não temos tempo para começarmos agora a formar corações e mentes, atividade abandonada há muito e que precisa ser resgatada. Manter ou buscar novos acordos com aqueles que sempre nos quiseram pelas costas, se não mortos? Claro que não, seria um simples paliativo para uma “morte já anunciada”, lembrando Garcia Marquez. O problema está no “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”, situação que é de inteira responsabilidade nossa.
Podemos compor e continuarmos a sermos massacrados na mídia e no Congresso, em fogo brando ou morno, de acordo com as nossas concessões e perdas de conquistas. Ou ir para o enfrentamento, deixarmos de ser dentes na engrenagem, e não permitir que a fogueira queime nossa utopia para que transformemos nossos sonhos em verdades.
"O samba, a viola, a roseira / Um dia a fogueira queimou / Foi tudo ilusão passageira / Que a brisa primeira levou / No peito a saudade cativa / Faz força pro tempo parar / Mas eis que chega a roda-viva / E carrega a saudade pra lá."
O problema é que o tempo não para, e ele pode ser cruel ou benévolo, a escolha é nossa.
Te abraço,
Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT-Maricá


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Qual o verdadeiro problema do jornalismo de hoje?

Na realidade, acontece com o jornalismo o que aconteceu com o Rádio, com o cinema, com o livro, com a televisão, todos ainda em mudanças. É o choque da nova tecnologia sobre a velha. Mas em nenhum momento de nossa história algumas dessas tecnologias deixou de existir. Nenhuma foi substituída, todos os produtos e seus conteúdos estão aí, sendo distribuídos de acordo com as novas demandas e meios.

Mais ou menos o que acontece com os movimentos de poder no Brasil, o coronelismo existe até hoje e convive com os empresários da indústria, os empresários da mídia e hoje da cognição. Todos convivem, mesmo que não em harmonia aqui ou ali, segundo Waldez Ludwuig.

O problema com o jornalismo de hoje, que se confunde com as necessidades dos donos das mídias, está em não ser mais a verdade absoluta, como sempre havia sido, pretensamente. Verdade essa que manipulou a população em 54 (suicídio do Getúlio), 64 (Golpe militar-civil), na campanha pelas Diretas, morte do Tancredo, eleições de Collor, FHC, Petrobras e outros exemplos.

A perda financeira existe, mas somente parte pode ser creditada as novas mídias. Também passaram a existir novas formas de exploração do jornalista, onde os donos dos meios de comunicação que reclamam, utilizam-se abertamente delas. A maior perda, em minha opinião, vem da questão da falta de ética e das manipulações, até grosseiras e ofensivas em relação a realidade. Situação como a do questionamento feito por uma profissional do jornalismo, seguindo diretriz editorial de sua empresa (O Globo), sobre a justeza ou não de uma homenagem à Lula na França. Um absurdo ético e jornalista, que mais uma vez leva nossos profissionais a passarem vergonhas sem igual frente a imprensa estrangeira. Este é o pior problema.

Quando a culpa é sempre do elo mais fraco.

É certo que a sociedade brasileira está saturada com toda essa loucura que nos ronda, como o desrespeito à vida, a falta de ética e, enfim, com o próprio ser humano.
Há muito o Brasil perdeu a característica de ser um povo alegre e solidário. O individualismo disfarçado em meritocracia, o “meu pirão primeiro” já apagou dos rostos nas ruas aqueles sorrisos despretensiosos e sinceros. Agora é competir e tratar de si.

Um dos muitos exemplos que pode justificar o colocado acima está na questão da discussão da maioridade penal. Em minha opinião um dos maiores absurdos quando apresentado como solução para acabar a violência na rua.

Sendo simplista, aumentar a população carcerária sem que uma nova vaga se quer seja criada. Ou seja, piorar o que hoje já é muito ruim. Para isso, um colunista yuppie de uma revista em processo falimentar, recém-saído das fraldas, propõe que se construam menos escolas e mais presídios, com certeza uma solução apoiada por outros iguais a ele.

Mas sem simplismo, com um pouco mais de profundidade, vou me ater em um único ponto, dentre os vários que poderiam ajudar no entendimento do engano que é a redução da maioridade.
Tudo bem, não vamos tratá-los como crianças, àqueles que aos dez anos já possuem uma arma e “barbarizam”, como colocam os defensores da diminuição da idade. Mas não esqueçamos que, além de crianças que são, suas vidas em nada se assemelham com as que estamos acostumados a ver entre nossos iguais, por que não são nossos iguais, suas realidades estão aquém da imaginação dos muitos que defendem a diminuição.

Fica mais fácil para a mídia, para os donos do tráfego, para os donos das armas que são colocadas nas ruas, para os corruptos e corruptores, atacarem o elo mais fraco da corrente, este só tem dez anos ou pouco mais e, arrebenta fácil. Teremos uma maior rotatividade de mão de obra “bandida” e, os verdadeiros criminosos continuarão escondidos nos bastidores reclamando da falta de segurança para seus filhos.

Já pensou em atacar o elo mais forte? Sei que dará mais trabalho, pois é como democracia, dá trabalho mantê-la e estar sempre negociando as posições. Fácil é a ditadura, que não dá trabalho mais é tão perversa como a ideia da diminuição da maioridade. Mata, prende sem provas e costuma sumir com as pessoas. Ausência do estado de direito, da República.

Porque antes de sumir com os menores das ruas, não processamos e prendemos aquele juiz corrupto, que vende a sentença, o habeas corpus? Porque não prendemos aquele promotor corrupto, que só investiga o lado que não lhe faz um agrado? Aquele delegado que negocia em sua Delegacia a tipificação da ocorrência do crime cometido? Aquele advogado que atende ao criminoso preso como um leva e trás, para que os negócios não se percam durante as férias do mesmo – que tem o dinheiro para comprá-las? E o político? Aquele que tem seus processos engavetados, nunca julgados ou investigados? Que recebe das empresas para emperrar ou agilizar Leis de interesses de poucos?
Será que, com essa trabalheira toda, no final das contas, com muito suor e medo de atentado contra sua saúde, a proposição acima não acabe por tirar aquele menor, que hoje nos assusta, das ruas e o coloque nas escolas, criadas a partir do dinheiro não desviado?

Na realidade somos uns covardes e como tais não nos aventuramos em direção ao perigo, não lutamos contra o sistema. Não queremos sair do conforto de nossos sofás. Sabemos que vivemos em um sistema corrupto, que depende do crime para saciar sua fome de lucros e posses. É mais fácil, prender o criminoso de "alta periculosidade" que tem dez anos, a incomodar aquele senhor que vive dentro das grades de seu Condomínio de luxo.

Sérgio Mesquita

  

segunda-feira, 16 de março de 2015

A Batalha de Argel em Terras Tupiniquins

Acabo de assistir ao pronunciamento do Governo Federal, hoje, dia 15.03.2015, após as manifestações contra o governo que aconteceram com destaque em São Paulo, terra do PSDB.
Não farei referência às perguntas dos valorosos e democráticos funcionários da mídia lá presentes, pois são as mesmas desde o ano de 2005, com uma roupagem mais moderninha (por conta da tecnologia somente) do que aconteceu em 1954 e 1964. Já que o título se refere a uma guerra de libertação... e as perguntas são sem novidades no “front”. Este é o espaço que dedicarei a nossa “democrática mídia”.

No filme, que retrata da luta do povo argelino contra a colonização francesa, quando um dos líderes guerrilheiro ou terrorista (prometi não citar mais, mas é assim que a mídia trata), está sendo “interrogado” de acordo com o Tribunal de Genebra – cinismo de minha parte - é acusado de ser covarde por usar crianças e mulheres na luta. O então “terrorista” – os franceses demoliram prédios com os moradores dentro - responde que: deem-me seus tanques e aviões e eu paro de usar minhas mulheres e crianças. Uma simples relação de troca.

Nossos bravos companheiros e ministros, Rossetto e Cardoso, e são bravos companheiros sim, responderam bem as perguntas. Foram incisivos em relação à defesa da democracia e o direito de se manifestar. Colocaram-se muito bem em relação àquela minoria que se manifestava a favor do fascismo, do retorno da Ditadura, impeachment sem qualquer base legal. Deixaram claro para quem ainda tinha dúvida, que não passavam de uma minoria que se aproveitava de um movimento democrático, total incoerência deles, os manifestantes golpistas.

Faltou a meu ver mais energia nas respostas de nossos ministros, quando os funcionários que interrogavam - obedientes a seus patrões - citavam o número de participantes na manifestação de São Paulo, e pediam a opinião deles. Em suas respostas não frisaram que parte daquelas pessoas que lá estavam, estavam porque passaram a semana toda sendo convocadas por uma imprensa, que luta desesperadamente para sobreviver e resgatar suas regalias, suas contas no HSBC, independente das necessidades do povo. Usaram de seus funcionários artistas para encher as manifestações em todo o Brasil. Faltou aos nossos ministros, a inspiração do “terrorista” argelino em suas respostas que poderia ser assim: “me deem os meios de comunicação de massa e vamos ver como serão as próximas manifestações”. Uma simples relação de troca, como propôs o argelino. O problema é que não responderam, como também não usamos nossas “criancinhas e mulheres”, que poderiam ser traduzidas em um novo Marco Civil, este sobre a Regulamentação da Mídia. O que trocar?

Para a sobrevivência de uma verdadeira democracia não pode existir, como no Brasil e outros poucos países, concentração dos meios de comunicação em poucas famílias. O exercício da democracia fica restrito a vontade destas poucas famílias. E ao contrário do que prega acanhadamente o governo, não nos interessa só a Regulamentação Econômica da Mídia. A Regulamentação da Ética Jornalística é muito mais importante e necessária, pois permitirá àqueles funcionários que hoje passam vergonha no exercício da profissão, trabalharem com altivez e responsabilidade pública e não privada.
Te Abraço.

Sérgio Mesquita

segunda-feira, 9 de março de 2015

A Passos de Ganso em Direção ao Nazismo ou Não Participo de Panelaço da Globo.

Não vou escrever aqui nada que, de uma forma ou outra, já não tenha “pululado”nas redes sociais. Insistirei sim, no que venho colocando há anos, que é, estarmos vivendo mais um processo golpista que, só não foi de novo vencedor, por conta da movimentação contrária e denúncias nas redes sociais. Por que, se dependesse da mídia e do poder Judiciário, a coisa já teria acontecido. Generalizo em relação ao Judiciário, mas não me preocupa muito a generalização, pois na prática, o silêncio da maioria pode nos levar a acreditar em consentimento quanto ao processo, a meu ver criminoso. Tentam repetir 54 e 64.

O clima criado pela mídia e o ranço de alguns juízes e procuradores estão levando a população a um tudo ou nada, onde os defensores do Golpe, a exemplo de Hitler, usam e abusam da mídia e propaganda, para tentar atingir o mito da raça pura, os não corruptos – atirem a primeira pedra!

Não tenho qualquer conhecimento em Direito, na magistratura ou no que for pertinente a área, mas acredito ter algum senso de justiça que, acredito ser comum a maioria das pessoas, e por isso me manifesto aqui. Na esperança que algum doutor da área me explique o que não consigo entender. Pois se não vejamos:

1 – Pode alguém ser condenado sem prova?

No caso da AP 470 (mentirão) duas juízas declaram em seus votos contra José Dirceu, que não encontraram nenhuma prova contra o réu. Nada nos autos investigativos, nada nos depoimentos, nada na investigação da Polícia Federal, mas tanto elas como outros, condenaram o Dirceu. Segundo Rosa Weber, baseada na literatura jurídica. Literatura esta que, por informação do constitucionalista Ives Gandra, ex-assessor de FHC, só seria encontrada nos livros escritos para apoiar as decisões de Hitler na Alemanha. Fascismo 1 x0.

2 – Pode alguém ser preso para confessar?

Aqui a coisa é um pouco mais perversa. Na Idade Média costumava-se prender as bruxas para que, as mesmas sob tortura, confessassem serem bruxas. Uma das torturas consistia em afogar a candidata a bruxa por vários minutos e, se ela morresse, ficava confirmado que era uma bruxa. Ninguém sobreviveu é claro. Moro utiliza a mesma técnica na operação Lava a Jato quando prende os “réus” sem julgamento para que os mesmos confessem, a exemplo de Hitler durante seu governo na Alemanha. Porque perder tempo com trâmites legais? Fascismo 2 x 0.

3 – Pode um julgamento durar uma eternidade?

De novo vemos os interesses pessoais e de grupos políticos de direita, adoradores do Deus Mercado, através de um Juiz do STF, enrolar “sine die” um julgamento que já tem seu resultado definido. Resultado este que poderá mudar muita coisa na vida política brasileira, a partir da proibição do financiamento privado nas próximas eleições. Assistimos hoje uma direita ensandecida, através do argumento da corrupção, provocada por conta desse mesmo financiamento privado, querer a qualquer tempo, mudar o resultado de uma eleição presidencial. Mas se quer pretende recolocar na pauta do STF o processo para findá-lo. Na Alemanha nazista, quando havia processos contra os comunistas, ciganos, gays ou judeus, também não eram julgados. Fascismo 3 x 0.

A partir dessas observações, eu, cidadão de cultura mediana, espero que algum doutor na área jurídica possa me justificar, nas normas da Lei, os atos expostos acima. Caso não possam, que se manifestem e ajudem ao país a continuar em seu mais longo período democrático. Sieg heil!
Mais humilde que sou, te abraço.

Sérgio Mesquita

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Perverso prazer diante da humilhação alheia


O destaque que faço ao texto abaixo, não é só por concordar com o mesmo. Há algum tempo, desde os procedimentos "legais" do Barbosa e seus pares em relação a AP 470 (mentirão), que venho denunciando estarmos assistindo ao fim da justiça para todos (apesar de sabê-la somente para alguns). As descriminações feitas pelo Barbosa, o rasgar da Constituição e outras, sempre foi denunciada por mim através da seguinte sentença: "amanhã pode ser você". E quando for você ou seu filho, aí haverá indignação da mídia e etc.
Com a Lava Jato, a coisa passou a acontecer no quintal de seu vizinho (da Mônica Bergamo por exemplo), aí você acha um absurdo o tratamento que está sendo dados aos corruptos. Concordo plenamente! Porém minha concordância parte do princípio que todos merecemos o mínimo de dignidade, seja na prisão ou morando debaixo do viaduto.
(...)
Serve também para a repetição de comentários sobre os providenciais protestos diante da arbitrariedade que atinge pessoas desse status, quando arbitrariedades iguais ou piores ocorrem diariamente e não despertam a indignação de advogados de renome, supostamente preocupados apenas com os honorários que lhes rendem seus clientes endinheirados.
(...)

O SONHO DO CELTA, OU COMO DESTRUIR UMA EMPRESA À INGLESA


Inspiro-me nesse texto em um dos grandes livros do Vargas Llosa, “O Sonho do Celta”. O livro trata da história de Roger Casement, irlandês que viveu no começo do século XX, trabalhando para Coroa Inglesa. Seu trabalho consistia em denunciar os abusos e o não respeito aos direitos humanos nas colônias e protetorados britânicos na África e América Latina. Foi agraciado com a honra de “Companheiro da Ordem de São Jorge e São Miguel” e o título de “Cavaleiro”. Porém, depois de presenciar tantas injustiças, retorna a Irlanda e passa a lutar pela independência de seu país, caindo em desgraça para com a Coroa Inglesa, sendo preso, condenado à morte e morto.


Conto um pouco dessa história, porque faço um paralelo entre a estratégia do governo inglês em apagar a memória do Roger e destruir sua imagem através da mídia, expondo o ex-cavalheiro a um lixamento sem precedentes. Foi acusado de todas as atrocidades possíveis, inclusive com superexposição de sua vida sexual, era homossexual. Preso, praticamente incomunicável, impedido de ler os jornais ou ter acesso a qualquer notícia, sua vida era esculhambada sem que o mesmo pudesse se defender ou mesmo ter acesso aos meios de comunicação para tal.

Trazendo o exemplo inglês para nossos dias e país, vejamos como a Petrobras está sendo tratada por nossa mídia e políticos que sonham em tornarem-se “cucarachas” em Miami.

O processo de linchamento é ainda pior, com requintes de crueldade uma vez que por tratar-se de uma empresa, inanimada, lhe imputam características que, infelizmente, só dizem respeito à raça humana. A grande mídia “cola” na empresa a pecha de ser corrupta, incapaz e inoperante, enquanto a mesma é premiada e reconhecida mundialmente como a melhor empresa do ramo petrolífero (condições essas conseguidas devido sua administração que é feita por pessoas, por seres humanos).
Nossa mídia trata a Petrobras com o maior dos ensinamentos do nazista Joseph Goebbels (“uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade”), que era responsável pela comunicação do III Reich, na Alemanha nazista durante a 2ª Guerra. Utilizam-se dessa prática desde os anos cinquenta, sessenta e ao longo das décadas – cansado de lembrar isso. Foi assim quando levaram ao suicídio o Getúlio, na preparação do Golpe de 64, eleição do Collor e mais, muito mais mentiras transformadas em verdades.

Voltando ao exemplo do livro, fico imaginando se não existe entre os milhares de funcionários das Organizações Globo, Abril, Estadão, Folha e outras mais, algum Roger Casement em suas fileiras. Alguém que seja capaz de se indignar e lutar pela verdade, lutar por sua consciência. Não precisa ser homossexual, basta ser alguém cansado das mentiras e disposto a ver na cadeia àqueles que realmente devem ir, claro que, depois de todos os trâmites processuais seguidos. Não iremos nós repetir as práticas que condenamos , certo? Certo!

Encerrando e repetindo outros trechos de outros escritos, que fique claro para quem não quer admitir, que a estratégia de destruição da Petrobras e demais empresas nacionais, faz parte da estratégia daqueles que defendem o ”Deus Mercado”. Não passa de uma luta por mercado. Esta luta é o meio, o fim é o Golpe para se retirar de Brasília um governo que trouxe dignidade para os mais carentes, soberania e respeito internacional. Um governo que deixou de dizer “sim senhor” em vários idiomas e passou a dizer “não, vamos conversar” em um bom português.

Te abraço,
Sérgio Mesquita

Ps: Vargas Llosa hoje é mais um defensor do neoliberalismo, do mercado. Mas sua literatura, principalmente a biográfica-romanceada é de excelente qualidade. Destaco a Guerra do Fim do Mundo, um dos grandes livros sobre Canudos.
Hoje defende a Cultura para os ricos, para quem pode pagar. Diz que a popularização da Cultura será o fim da mesma. Discordo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

QUANDO O COMPLEXO DE VIRALATA CEGA

Ler ou assistir os jornais de hoje, é de entristecer e dar vontade de tomar a seguinte decisão: que se dane tudo. Entrega logo essa porra de governo, acaba logo com a Petrobras e vamos aguardar uns poucos meses, e ver essa mesma gentinha que defende um golpe, a ditadura, se lamentar porque perdeu tudo. Nem aeroporto vazio vai sobrar. Pronto falei!

O problema são os segundos seguintes após o desabafo, você pensa em seu filho, na criançada do entorno de sua casa, nos vizinhos (alguns defendendo o golpe) e pensa: que merda, o que será do futuro dos meus filhos? O menino estuda Geofísica e não terá mais Petrobras no Brasil. O que sobrará para essa população toda, que começou a “respirar” agora, comprar um pouquinho mais, passear por conta do fruto de seu trabalho? Reverter de novo o fluxo migratório? Os nordestinos retornam para São Paulo? Mas não tem água em São Paulo! E agora? O que fazer para conter essa massa de gente que voltará ao estado de miséria, que voltará a viver abaixo da linha da pobreza, passar fome de novo? Acham que vão aceitar isso de graça? Vamos matar a todos? A TV Globo diz que somos muçulmanos e incentiva a eliminação de todos nós?

E você, que pertence àquela classe média tão bem odiada pela Marilene Chauí? Acha que continuará tudo bem? Que a fome pelo lucro fácil do capital estrangeiro é a mesma de 54 ou 64? Engana-se mademoiselle et monsieur. A fome hoje é muito maior, não vai sobrar pedra sobre pedra. E se você já não tiver feito como o Barbosa e comprado seu “apesinho” na América Latina americana, Miami, vai dançar igual. Quem já comprou vai descobrir que, por ter complexo de vira-lata, só restará o ser cucaracha ”noseua”.

A realidade é nua e crua. O projeto da Globo e suas coirmãs, da nossa direita tupiniquim (no sentido pejorativo mesmo) que se beneficia dos favores por ela realizados aos donos do capital, é de acabar com o Brasil. Nasceram e cresceram aprendendo que daqui nada presta, só presta o que é de fora. Não admitem que o país possa ter qualquer tipo de soberania. Todas as conquistas e respeito oriundos de nossa política externa e interna são impensáveis para eles. Acostumados e treinados que foram a responderem “sim senhor” em vários idiomas, vide FHC.

Os ataques hoje (que não são de hoje, são desde os anos 50) à Petrobras e ao governo do PT, não tem nada a ver com ética e combate a corrupção (que, aliás, só passou a existir efetivamente de 2002 para cá), basta pesquisar um pouquinho para descobrir que os verdadeiros bandidos, são os acusadores e empregados de empresas de comunicação que sempre se beneficiaram da sujeira.

Acabar com a Petrobras foi sempre o sonho deles. Tirar o PT de um espaço que não foi criado e pensado para ele, é recente. Nossa oligarquia, ainda escravagista, não admite que o PT esteja no governo do Brasil e o quer fora de qualquer jeito. Mesmo que, se preciso for, retornar com a Ditadura assassina por que já passamos. Não existe limite para esse tipo de gente. Como já colocado em outro texto, não passam de peões travestidos de lordes em um jogo de xadrez, onde só existe um jogador, o capital financeiro, que não possue o menor pudor na hora de sacrificar os peões quese acham lordes.

Que existe corrupção existe. Existe desde os tempos de Jesus Cristo e muito antes dele. Não dá para hoje, supondo-nos seres mais inteligentes que nossos antepassados, sermos enganados e achar que tudo o de ruim começou agora, do governo Lula para cá. Na crença deles, Cabral ainda não descobriu o Brasil. Pois se assim acreditassem, a Globo seria forçada a tirar qualquer referência à Cabral em seu noticiário, como faz com FHC e a “Lava a Jato”.

 A estratégia é simples e me foi colocada por um menino de 18 anos. Nossas empreiteiras estão ganhando o mercado externo, África, Ásia, América Latina e Central. As americanas e europeias perdendo mercado e envolvidas em escândalos de corrupção (Trensalão de SP é um pequeno exemplo). Como resolver esse problema? Desmontam-se nossas empreiteiras utilizando-se a corrupção como fachada, prende-se os diretores e culpa-se o governo com “achismos”. Alguém viu campanha para se destruir as empreiteiras do Trensalão Paulista? Como são estrangeiras, seus diretores foram afastados pela matriz e a empresa continua funcionando no mundo e aqui no Brasil. Já as nossas, além das prisões, as mesmas devem ficar proibidas de funcionarem no país. Paralisam-se as obras e que venha o desemprego. Interrompem-se os investimentos em infraestrutura e que venha mais desemprego. O descontentamento da população acontece e a culpa é colocada no governo do PT.

Com a Petrobras a estratégia é a mesma. A corrupção existe desde sua fundação. Porém, como a mesma é quem sustenta o projeto de um Brasil melhor, junta-se a fome com a vontade de comer. Privatiza-se a empresa, entrega-se nosso óleo à voracidade estrangeira e, de quebra, quebra-se a espinha dorsal do governo do PT. Todo um caudal para criar a instabilidade necessária para um novo Golpe.

Retornando-se ao início do texto, não pense você que faz claque, não irá sofrer com o retorno do Brasil a situação de colônia. Se você faz parte da classe média clássica, odiada pela Chauí, estará rindo de tudo, pois não vive de seu trabalho, vive da especulação. Mas se você pertence a classe média, mas é trabalhador como eu e muitos, possui um carguinho, mas vende sua mão de obra igual a um simples borracheiro, estará perdido igual a qualquer simples cidadão brasileiro. Se muito, vai viajar de ônibus leito, pois os aeroportos voltarão a se transformar em uma imensa sala VIP. Mas se nada disso te importar, preocupe-se realmente com o que deve se preocupar. Qual será o futuro de seu filho nesse Brasil colônia?

Que sejam julgados na Lei os verdadeiros corruptores e corruptos, mas deixem as empresas funcionando. Elas não são culpadas por quaisquer desvios que possam ser oriundos de nós mesmos, meros mortais egoístas. Encerrando... camaradas, se Dilma ou Lula são culpados, que se ponha na mesma cela o FHC, Sarney, Collor e nossos ditadores.
Te abraço.

Sérgio Mesquita

domingo, 18 de janeiro de 2015

Intrusos no espaço institucional

Repetindo uma discussão anterior, como introdução ao texto, cito Paulo Fatigati que sempre nos lembra de uma situação real: nós somos intrusos no espaço institucional de governo. Nosso espaço está na organização dos trabalhadores (sindicatos) e nos movimentos sociais. Os espaços institucionais são deles, da direita dona do poder. Foram criados para eles, por leis criadas por eles. Por isso não nos aceitam e tentam recuperar o que acreditam ser, por direito divino, somente deles.

Esta linha de raciocínio é verdadeira e explica bem os movimentos políticos do PSDB, dos demais partidos de direita e de nossa mídia entreguista. Como bem colocado no texto “linkado” ao final, como exemplo. O Globo sempre foi contra a Petrobrás, do seu nascimento até os dias de hoje. Os sucessivos governos paulistas também nunca a engoliram bem, pois a locomotiva poderia deixar de ser o Estado de São Paulo, pois tinham o discurso que São Paulo era a locomotiva do Brasil.

O que assistimos hoje dentro do Brasil e fora, infelizmente, são ações orquestradas para impedir o crescimento de novas nações que possam gerar “problemas” para os donos do capital, EUA, Alemanha e outros menores. O texto explica bem o porquê da queda do preço do petróleo, estratégia dos EUA para prejudicar a Rússia, Irã, Venezuela e o Brasil. Os EUA também perdem com a queda, mas na visão dele, entrega os anéis na intenção de manter as mãos, enquanto nós poderíamos perder as nossas. Porém no mundo de hoje, como colocado por vários autores, a Rússia e demais poderão se recuperar mais rápido que o próprio EUA em sua visão cega. Tiro no pé.

No Brasil, por política de governo, não afundamos na última crise principalmente por conta dos investimentos na infraestrutura e na Petrobras. Em especial na Petrobras. Por isso querem colocar a culpa de ações individuais de corrupção na empresa como toda, como bem explica o Gabrielli na entrevista.

FHC e os demais preferem ver o Brasil com desemprego e a Petrobras na mão de estrangeiros – com destaque para os EUA – a ver a empresa dando sustentabilidade a uma política feita por intrusos. Não porque queriam eles estar no timão da política, mas por serem entreguistas e subservientes ao poder do capital financeiro, pois suas contas bancárias ficariam mais gordas com o dinheiro “desviado”, em suas visões, para os mais pobres. Basta ler os colunistas do Globo e etc. Aeroportos que parecem rodoviárias, praias cheias de pobres e sua empregada doméstica, que não deveria ter carteira assinada, com um celular melhor que o seu.

Te abraço,                                                                                       
Sérgio Mesquita

sábado, 10 de janeiro de 2015

Em nome de Deus, o mundo transformado em um ringue de vale tudo

Basta-nos uma rápida passada de vista nos livros de história para compreender que, em nome de deuses que ensinam a tudo se perdoar, mata-se indiscriminadamente. Não importa qual vertente. Se seita, culto ou qualquer outra nomenclatura. Onde a mensagem deveria ser de paz, é de guerra ou de puro egoísmo. Nesse sentido, somente você e seus próximos merecerão algum reino em outra vida. Os demais estão perdidos ou têm parte com o demo.

Enquanto a maioria das pessoas se preocupa em ter um salvador eterno, ou as 70 virgens do Islã, esquecem os verdadeiros e terrenos motivos que nos levam a essa luta insana. Eric Hobsbawn nos havia advertido para isso faz tempo. Segundo ele, se o modelo econômico não mudar e continuarem as injustiças em nome do capital (o Deus em sua forma terrena), só nos restará a barbárie, o caos completo. Os últimos acontecimentos nos levam a aceitar, fora de dúvida, a sua previsão, que tem a concordância de outros vários historiadores, filósofos, sociólogos e economistas. Aí pelos anos 1980, Adam Schaff, em “A sociedade informática”, apontava para o mesmo “dilema”, se é que podemos falar em dilema quando se trata do futuro da humanidade. Mesmo os estudiosos da direita começam a entender que poderá não sobrar muita coisa quando as guerras em nome da “democracia” e de Deus desconstruírem o mundo, arrasarem o que resta do mundo, e o fascismo voltar ao poder, como está acontecendo por conta da guerra particular dos EUA contra a Rússia.

Quando nossas grades em volta de nossos prédios e os rolos de arame farpados não segurarem a turba empobrecida e alijada de seus direitos, a salvação virá, e será aplaudida, pela força e o fim dos direitos democráticos.  O fim do direito à vida. Como bem explicita Leonardo Boff, quando nos sobrar somente o medo, o terrorismo será o verdadeiro vencedor. Avançando um pouco, seja através do fundamentalismo religioso ou somente econômico, o resultado será o mesmo, ricos mais ricos e pobres, ironicamente do outro lado das cercas, mais pobres.

O atentado na França, felizmente e por enquanto, é nosso último exemplo do que podemos esperar da ganância humana desenfreada. Somos nós, seres “racionais”, os únicos capazes de destruir o mundo em que vivemos e do qual precisamos. A discussão aqui não é ecológica, é econômica. A busca pela sonância do vil metal enchendo os bolsos é o verdadeiro motivo de toda a paranoia em que hoje vivemos. E ela tende ao infinito.

Entrementes, a mídia, em sua esmagadora maioria, adota, como sempre, manobras diversionistas, desviando a atenção dos verdadeiros motivos da guerra que vivemos. Afinal, quando esses veículos não pertencem as corporações hegemônicas da economia e da política, dependem de seus anúncios. No final dos anos 90, a revista “Atenção”, que já não circula mais, denunciava em um de seus números que a maior parte das empresas de comunicação eram propriedade, na época, a cinco grandes grupos: Sony, Disney, Warner, General Eletric e Westinghouse. Notem duas potências da energia entre as donas dos meios de comunicação no planeta.

O que esperar de um mundo onde poucos determinam o que praticamente todos devemos discutir e assistir? O que esperar de um país como o Brasil, onde governo e população se rendem à mentira de que regulamentação é sinônimo de censura? A resposta é simples, o retorno do fascismo e a perda de quaisquer direitos.

Te abraço

Sérgio Mesquita

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Quem controla a Internet?

Há tempos venho levantando questões sobre o poder da Internet. Em uma redação sobre o tema, escrevi que ninguém sabe a força real desse meio de comunicação e informação. Um chinês põe a alma em leilão e o subcomandante Marcos impede um massacre, pelo exército mexicano, com seu laptop nas montanhas de Chiapas. Duas ações distintas utilizando a mesma ferramenta.

Mas a dinâmica da rede também pode ser utilizada em favor de interesses pessoais ou de grupos econômicos/políticos. Assistimos a isso agora com o ataque à Coreia do Norte, quando a isolaram do mundo ao bloquearem seu acesso à rede. Agora não se tem mais dúvidas quanto ao poder de quem tem o conhecimento e os equipamentos para tal exercício. Ou seja: basta, literalmente, desligar o interruptor.

Essa discussão é alvo de intervenções minhas desde os tempos “das privatarias” do FHC e seus cúmplices. Em especial quando entregou todo o nosso sistema de comunicação ao mexicano Carlos Slim. Todos os nossos dados bancários, de segurança, ou simples recados de amor, nas mãos de estrangeiros que, se chateados ou incentivados por interesses econômicos, como a água ou o pré-sal, nos tiram da rede. O que fazer? Perguntem ao FHC.

Ora, o Brasil ganhou notoriedade mundial por conta da aprovação, um tanto quanto esquartejada, do Marco Civil da Internet, que, mesmo levando-se em consideração a falta de alguns pedaços, ainda é uma grande Lei e exemplo a ser seguido. Assim, o que aconteceu na Coreia (link ao final do texto) estava “previsto” na Lei, como proposta para amenizar o problema. Contudo, com o esquartejamento, promovido a serviço das Telcos (empresas de telecomunicação como Vivo, TIM, Claro – do Slim e outras) por Eduardo Cunha, essa cautela foi cortada. No texto original, existiam exigências de que os provedores da rede tivessem seus servidores e storages em solo nacional, numa tentativa de “amenizar” a espionagem estadunidense, tão ignorada por nossa mídia servil.

Eduardo Cunha venceu a batalha com apoio de seus pares no Congresso e, logo após, por conta da espionagem estadunidense, França e Alemanha anunciaram estudos para internalizar na Europa os seus servidores de Internet, a fim de dar mais trabalho ao serviço de segurança dos EUA, o National Security Agency (NSA), com o intuito de tornar mais difícil o acesso os dados europeus. Todo o tráfego da rede mundial passa pelos EUA, e eles, “democraticamente”, detêm o poder de acessar nossos bilhetinhos eletrônicos com ou sem nossa permissão.

Escrevo isso devido à única discordância minha em relação ao texto, quando diz que “pode acabar fortalecendo a tendência à balcanização do universo digital com a criação de redes nacionais independentes. Trata-se de uma ideia alimentada por regimes autoritários em várias partes do mundo, porque lhes permite controlar o fluxo interno de mensagens entre usuários da internet”. Discordo porque a conta vai somente para os estados autoritários, quando o que testemunhamos recentemente foram países democráticos como Inglaterra e França (à época de Sarkosy), discutirem e defenderem a censura na rede. Enquanto isso, os EUA já o fazem abertamente, espionando os seus e a nós.

A Internet foi criada a partir de necessidade militar e, como quase todos os avanços tecnológicos, acabam beneficiando uma pequeníssima parcela da sociedade civil dos países que controlam o poder imperial no mundo. O mesmo se pode dizer dos conhecimentos científicos, de onde derivam a tecnologia, que deveria estar a serviço do bem estar social, e não do econômico/político, que é o que costuma acontecer na prática. O que ocorreu com a Coreia pode nos levar à balcanização do mundo sim, como bem alerta o texto, mas também não podemos ou devemos fechar os olhos e fingir que nada acontece ou poderá acontecer conosco. O mundo da fantasia só existe nas empresas de comunicação, que, de tanto fantasiarem, trocaram a realidade pelo fantástico.
Te abraço

Sérgio Mesquita

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Um fim de ano para não esquecer ─ idas e vindas que não têm preço

No dia seguinte ao dia em que o mundo inteiro se regozija por conta do fim do bloqueio estadunidense a Cuba (18.11.2014), pelo retorno dos três últimos “soldados da guerra fria”, segundo Fernando de Moraes (excelente livro que conta a história dos cinco cubanos presos nos EUA), Maricá comemora a entrada em funcionamento dos ônibus da Empresa Pública de Transportes (EPT), os já carinhosamente chamados de “vermelhinhos”, por conta da cor da bandeira do município, de predominância vermelha. Um coroamento de toda uma luta, que não se encerra, do único governo que, em Maricá, realmente se preocupou com sua população. Os “vermelhinhos” rodando sem cobrar um centavo sequer de passagem.

Quem não é do município, não tem ideia do que isso representa, e pode até não entender a alegria, a satisfação daqueles que sempre lutaram contra o domínio perverso de pouquíssimas famílias sobre um grupo de políticos servis e enganados, pois se achavam lordes quando na realidade não passavam de peões em um tabuleiro de xadrez onde só existia um jogador manipulando as peças.

Processo longo, de anos durante os quais alguns munícipes mudavam de calçada para fugir de um simples bom dia ou boa tarde àqueles ditos “comunistas do PT”. Eu ria internamente quando percebia o esbaforir de seus semblantes e seus olhos baixos. O simbolismo começou com a retirada de um busto, que representava o poder local, do Terminal Rodoviário, que, embora público, estava entregue a uma empresa de ônibus privada, símbolo do poder e do atraso do município. A simples retirada causou indignação dos servos e, por outro lado, um recado claro dos “comunistas do PT” à cidade,  tudo mudaria.

O Prefeito Washington Quaquá, em seus discursos ao povo, sempre deixava claro que a cidade só mudaria se a sua pequena classe que controlava a economia fosse quebrada em seu predomínio. Modernizou a cidade, abriu suas portas para novos empreendedores e empresas, coisa antes impossível de se pensar, pois para os donos da empresa de ônibus não interessava a geração de emprego local. Interessava somente o transporte desses trabalhadores para os outros municípios em seus ônibus. Novas empresas e novos empreendimentos chegam a Maricá e fecha-se o ano com os “vermelhinhos” interligando o município de norte a sul, de Ponta Negra a Itaipuaçu, forma de assegurar o direito de ir e vir, o que antes era impensável  sem que o munícipe que viaja de ônibus pagasse no mínimo duas passagens.

Os “vermelhinhos” vieram para ficar, e não têm por que não ficar. Na prática, patrões e empregados lucram quando os custos das passagens saem de suas planilhas. Lucra todo o morador que, empregado ou não, precisar se deslocar para ir a um médico, quando seus filhos ou eles próprios forem à escola e (por que não?) quando simplesmente quiserem se divertir em lugar afastado de suas casas.

A via principal (nosso rio Amazonas) está coberta, agora é começar a trabalhar seus afluentes para atingir o interior de nossos bairros, o que já está sendo pensado a partir do transporte alternativo. A ideia seria contratá-los diretamente para que essa passagem também venha a ser gratuita.

Parabéns ao governo Washington Quaquá. Parabéns a todos aqueles que sempre acreditaram que mudar era possível.
Te abraço.

Sérgio Mesquita