domingo, 6 de setembro de 2015

Danton, Robespierre, Mensalão e Lava Jato

Há pouco publiquei na rede um texto retirado do Diário do Centro do Mundo sobre a importância da Revolução Francesa. Paulo Moreira Leite escreve que, se tivesse uma data para a humanidade, essa data seria 14 de julho de 1789, a data da queda da Bastilha, a data da Revolução que transformou as sociedades no mundo inteiro.

Escrevo esse texto, na data de hoje, 6 de setembro de 2015, véspera da data que comemora nossa Independência, após assistir o filme Danton. Sem entender muito o porquê, acabou vindo a minha cabeça a frase de Marx, “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Após esse momento, começo a anotar alguns dos trechos do filme e a fazer paralelo com o nosso atual momento. A partir de então, pausas e recuos para rever os diálogos.

De cara a questão do Comitê da Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário, que a tudo julgam e interpretam e não dão satisfação a ninguém. Inclusive mandam decapitar quem os questiona, tema do filme. Difícil não remeter ao nosso momento (a história se repete), onde a mídia e o judiciário fazem o que querem como e onde acharem por bem, sem que deem qualquer satisfação de seus desmandos e mandos. Rasga-se a Constituição e o Direito para que seus pontos de vistas prevaleçam, mesmo que fascistas. Danton reclama que o povo deve julgar os atos do Comitê, como hoje pedimos a Regulamentação da Mídia e a Reforma do Judiciário, com a participação popular.

Outro ponto de coincidência fica claro quando o Juiz do Tribunal é questionado por um dos homens de Robespierre que, reclama estar o juiz complacente com Danton deixando-o falar. O Juiz diz não ser carrasco e ouve de seu interlocutor que é sim um carrasco a serviço da “população”. Neste ponto a coincidência é um pouco forçada, pois tanto Barbosa como o Moro, não parecem ter qualquer problema quanto a seus atos, como o juiz demonstrou no filme.

Como aocntece com os “réus” do Mensalão e do Lava Jato além outros fatos isolados, como a proibição do pobre ir à praia na zona sul na cidade do Rio, Danton fala ao povo presente que o julgamento teve início com a sentença já definida e suas testemunhas proibidas de falar e, que hoje, vivem em uma ditadura pior que anterior. Outro ponto em comum está na “delação premiada”, prometem a um dos deputados presos o perdão, se o mesmo assinar confissão de que existia um complô. O deputado assina e Danton e os demais vão à guilhotina. A história como tragédia.
No final Robespierre reconhece que a Revolução tomou rumo errado e a ditadura se faz necessária, pois a nação não se governa sozinha e a democracia é só uma ilusão.

Nos dias de hoje, após a fala de Robespeirre, lembrei-me de Saramago e Hobsbawn, cada um em sua razão, entendiam que a democracia ocidental não existe, é mero folclore, pois o mundo está privatizado e nenhum governante tem poder sobre a vontade das “Corporations”.

Certo é que estamos vivendo uma ordem às avessas onde o interesse da maioria está suplantado pelo de uma minoria, como vem se repetindo ao longo das eras, primeiro como tragédia, depois como farsa.

Dificilmente haverá acordo quanto à necessidade de que se realizem reformas como a política, do judiciário e da mídia, as demais viriam como consequências. Possivelmente somente após uma primeira revolução, onde não se façam acordos, o país poderá avançar. Mas que não repitamos a história, pois continuará farsa. Que avancemos a partir dos exemplos então.

Sérgio Mesquita

Secretário de Formação do PT-Maricá

domingo, 23 de agosto de 2015

A Coca Cola apoiaria Regulamentação da Mídia?

Do mesmo modo que coloco que nossa mídia e classe dominante são atrasadas e sem ideia, podemos conferir que as indústrias no que tange em manter seus lucros também o são. Ambos não inovam em suas estratégias, simplesmente as adaptam às novas tecnologias.

Nossa mídia republica as capas de seus jornais desde os anos 50, para conseguirem o intento de mais um Golpe no país. A indústria, no geral também. Na década de 90, a então existente revista “Atenção”, em um de seus números, tem como matéria principal, as cinco grandes empresas que dominavam o mundo da comunicação. Eram elas, Disney, Sony, Metro, General Eletric e a WestHouse (duas grandes de energia). Porque elas passaram a ser donas dos meios de comunicação ou, ter tentáculos em jornais e outros meios? Como tudo passa por dinheiro, fica fácil a explicação. Primeiro você passa a dominar os meios com o poder da publicidade. Publica matérias a meu favor ou sobre o que é bom para minha empresa e, faço publicidade em suas páginas ou televisão. Assim funciona a democracia de mercado.

Alguns exemplos expostos nas páginas da Atenção: 1 – manipulação do índice de nicotina nas propagandas de cigarro, em especial do cigarro Marlboro – do cowboy que morreu de câncer no pulmão. Depois de muita pressão e adiamentos, os diretores das empresas confessam que manipulavam os índices de nicotina. As manchetes foram de elogios aos delinquentes, pela coragem de terem confessado o crime, eram homens honrados. 2 – Vazamento de petróleo no Alaska. O navio Exxon Valdez vaza o seu petróleo e forma a maré negra. Mata várias espécies animais, em especial peixes e pássaros marinhos e causa uma enorme destruição ambiental. Prejuízo de milhões de dólares ao ambiente e economia local. Como foram as manchetes? Elogios à empresa pelo pronto atendimento a um desastre mais que anunciado. 3 – E General Eletric e Wasthouse? Para combater a crescente onda ecológica contra a energia nuclear, passaram a ser donas ou “acionistas” dos jornais e, aos poucos, as notícias foram sumindo das páginas.

Recentemente tivemos a Monsanto – aquela que doou as sementes suicidas de milho para o Haiti como ajuda humanitária após os terremotos. O povo sabiamente as jogou ao mar. Também temos o caso da Fox News, que demitiu e processou dois de seus jornalistas por terem feito um documentário denunciando a Monsanto. Ela aplicava hormônios no gado leiteiro na busca de produtividade aumentada. Gado e quem bebessem do leite ficavam cancerosos. Olha o que um diretor da Fox falou ao casal de repórteres: “Ora, nós acabamos de fechar um negócio publicitário de milhões com a Monsanto, agora vocês querem pôr no ar um programa que denuncia a Monsanto!?!” Podem assistir essa e outras denúncias no documentário canadense “Corporation”.

Agora, temos a nossa Coca-Cola que, além de seu poder econômico, passa a financiar estudos científicos e táticas de publicidades interligadas. Algo como: Tome Coca-Cola, acorde cedo para correr, fazer ginástica e terá uma vida saudável. Quer nos convencer que a vida saudável passa por tomar Coca Zero????

Senhores, senhoras e os/as, A manipulação da mídia em nossos corações e mentes, existem há anos. O problema é até quando vão acreditar que Regulamentação da Mídia (não só financeira) é censura?

Te Abraço,

Sérgio Mesquita

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

RODA VIVA

Não sei se uma triste homenagem a Chico ou um simples reconhecimento de sua genialidade. O fato é que hoje, como ontem, a letra de uma de suas melhores e significativas músicas, “Roda Viva”, que tão bem representou o sentimento de angústia nos períodos de chumbo, durante a ditadura no Brasil, venha hoje, representar outra angústia, outra dor, neste curto período de aprendizado democrático.
O fato é que hoje estamos pagando por erros de um passado recentíssimo, quando um partido como o PT, nascido de um belo parto natural, sem fórceps, abre mão de seus ideais e nada contra a corrente do rio que desaguou em sua criação.
Parto da história do PT no Estado do Rio e seus municípios, mas que foi comum em vários outros estados deste país. Ainda no ano de 94, Milton Temer e Vladimir Palmeira disputam a prévia para o governo. Vladimir vence, mas Bitar foi o candidato após a corrente majoritária provocar o não quórum na disputa inicial, manobrando assim a busca do que acreditavam ser o melhor. Nosso candidato chegou em 4º lugar atrás do Cel. Newton Cruz.
Chegam as eleições de 96 (municipais), Chico Alencar disparado na disputa interna do partido no Rio. Lula, nosso grande presidente (sem ironia), pede a Chico que abandone a campanha e apoie Miro Teixeira. A militância do PT nas ruas – eu, Quaquá e muitos, em campanha em Maricá, fomos para o Rio fazer a campanha de Chico algumas vezes, e o PT “sabotava” a campanha. Sem dinheiro, Chico ficou há 90 mil votos do segundo turno. Conde ganhou e Miro ficou em 5º lugar.
No ano de 98 foi o clímax. Nem Brizola queria o Garotinho, como havia colocado para Chico, Milton Temer e o falecido Neiva. Novamente a militância conquista a Convenção e lança oficialmente Vladimir Palmeira para governador. O resultado ninguém esquece, estava em São Paulo e ouvi/cantei Zé Ramalho e Beth Carvalho (“E ver que toda essa, engrenagem / Já sente o ferrugem lhe comer” e “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”). A candidatura conquistada no voto estava caçada em favor de Garotinho, que em seguida lançou-se candidato a presidente do Brasil, contra o PT. Chega-nos a roda viva.
"Tem dias que a gente se sente / Como quem partiu ou morreu / A gente estancou de repente / Ou foi o mundo então que cresceu / A gente quer ter voz ativa / No nosso destino mandar / Mas eis que chega a roda-viva / E carrega o destino pra lá."
Abrimos mão de nossos destinos em nome de um pragmatismo que talvez não fosse tão necessário assim. Oito anos depois de muita desgraceira, conquistamos Brasília. De lá para cá, são exatos 14 anos onde, não tem como negar que houve transformação na vida daqueles mais carentes. Uma transformação para melhor, com mais dignidade. Mas a que preço?
Abandonamos nossas crenças e nossos princípios, pior e mais graves, nossa democracia interna. Deixamos de discutir internamente e com a população, quando abrimos mãos de sua organização que tantos frutos nos renderam. Hoje somos um partido verticalizado, mesmo no melhor de suas administrações, o diálogo é reduzido ou não existe. A nossa mais linda roseira, que se chamava democracia interna, é levada para lá.
"A gente vai contra a corrente / Até não poder resistir / Na volta do barco é que sente / O quanto deixou de cumprir / Faz tempo que a gente cultiva / A mais linda roseira que há / Mas eis que chega a roda-viva / E carrega a roseira pra lá."
A consequência de vir a fazer parte da mesmice do cotidiano político do Brasil, um cotidiano triste, não honesto com sua população, nos levou a descrença enquanto um partido de ideário firme e ético, junto a essa mesma população. Somos mais um partido, igual a todos os demais. Não soubemos nos comportar enquanto intrusos que somos nas engrenagens do poder. Engrenagens criadas pelos donos do poder, de acordo com as Leis criadas por eles e para atender as necessidades deles. Uma vez entre seus dentes rotatórios, não colocamos nenhuma cunha, não tentamos modificá-las. Iludimo-nos achando que nos serviriam e acabamos por servi-la, conquistados que fomos por suas benesses.
"A roda da saia, a mulata / Não quer mais rodar, não senhor / Não posso fazer serenata / A roda de samba acabou / A gente toma a iniciativa / Viola na rua, a cantar / Mas eis que chega a roda-viva / E carrega a viola pra lá."
O trabalho agora é resgatar nossa viola, para na rua voltarmos a cantar. O problema é como? Bastará-nos retornar ao passado? Claro que não, não temos tempo para começarmos agora a formar corações e mentes, atividade abandonada há muito e que precisa ser resgatada. Manter ou buscar novos acordos com aqueles que sempre nos quiseram pelas costas, se não mortos? Claro que não, seria um simples paliativo para uma “morte já anunciada”, lembrando Garcia Marquez. O problema está no “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”, situação que é de inteira responsabilidade nossa.
Podemos compor e continuarmos a sermos massacrados na mídia e no Congresso, em fogo brando ou morno, de acordo com as nossas concessões e perdas de conquistas. Ou ir para o enfrentamento, deixarmos de ser dentes na engrenagem, e não permitir que a fogueira queime nossa utopia para que transformemos nossos sonhos em verdades.
"O samba, a viola, a roseira / Um dia a fogueira queimou / Foi tudo ilusão passageira / Que a brisa primeira levou / No peito a saudade cativa / Faz força pro tempo parar / Mas eis que chega a roda-viva / E carrega a saudade pra lá."
O problema é que o tempo não para, e ele pode ser cruel ou benévolo, a escolha é nossa.
Te abraço,
Sérgio Mesquita
Secretário de Formação do PT-Maricá


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Qual o verdadeiro problema do jornalismo de hoje?

Na realidade, acontece com o jornalismo o que aconteceu com o Rádio, com o cinema, com o livro, com a televisão, todos ainda em mudanças. É o choque da nova tecnologia sobre a velha. Mas em nenhum momento de nossa história algumas dessas tecnologias deixou de existir. Nenhuma foi substituída, todos os produtos e seus conteúdos estão aí, sendo distribuídos de acordo com as novas demandas e meios.

Mais ou menos o que acontece com os movimentos de poder no Brasil, o coronelismo existe até hoje e convive com os empresários da indústria, os empresários da mídia e hoje da cognição. Todos convivem, mesmo que não em harmonia aqui ou ali, segundo Waldez Ludwuig.

O problema com o jornalismo de hoje, que se confunde com as necessidades dos donos das mídias, está em não ser mais a verdade absoluta, como sempre havia sido, pretensamente. Verdade essa que manipulou a população em 54 (suicídio do Getúlio), 64 (Golpe militar-civil), na campanha pelas Diretas, morte do Tancredo, eleições de Collor, FHC, Petrobras e outros exemplos.

A perda financeira existe, mas somente parte pode ser creditada as novas mídias. Também passaram a existir novas formas de exploração do jornalista, onde os donos dos meios de comunicação que reclamam, utilizam-se abertamente delas. A maior perda, em minha opinião, vem da questão da falta de ética e das manipulações, até grosseiras e ofensivas em relação a realidade. Situação como a do questionamento feito por uma profissional do jornalismo, seguindo diretriz editorial de sua empresa (O Globo), sobre a justeza ou não de uma homenagem à Lula na França. Um absurdo ético e jornalista, que mais uma vez leva nossos profissionais a passarem vergonhas sem igual frente a imprensa estrangeira. Este é o pior problema.

Quando a culpa é sempre do elo mais fraco.

É certo que a sociedade brasileira está saturada com toda essa loucura que nos ronda, como o desrespeito à vida, a falta de ética e, enfim, com o próprio ser humano.
Há muito o Brasil perdeu a característica de ser um povo alegre e solidário. O individualismo disfarçado em meritocracia, o “meu pirão primeiro” já apagou dos rostos nas ruas aqueles sorrisos despretensiosos e sinceros. Agora é competir e tratar de si.

Um dos muitos exemplos que pode justificar o colocado acima está na questão da discussão da maioridade penal. Em minha opinião um dos maiores absurdos quando apresentado como solução para acabar a violência na rua.

Sendo simplista, aumentar a população carcerária sem que uma nova vaga se quer seja criada. Ou seja, piorar o que hoje já é muito ruim. Para isso, um colunista yuppie de uma revista em processo falimentar, recém-saído das fraldas, propõe que se construam menos escolas e mais presídios, com certeza uma solução apoiada por outros iguais a ele.

Mas sem simplismo, com um pouco mais de profundidade, vou me ater em um único ponto, dentre os vários que poderiam ajudar no entendimento do engano que é a redução da maioridade.
Tudo bem, não vamos tratá-los como crianças, àqueles que aos dez anos já possuem uma arma e “barbarizam”, como colocam os defensores da diminuição da idade. Mas não esqueçamos que, além de crianças que são, suas vidas em nada se assemelham com as que estamos acostumados a ver entre nossos iguais, por que não são nossos iguais, suas realidades estão aquém da imaginação dos muitos que defendem a diminuição.

Fica mais fácil para a mídia, para os donos do tráfego, para os donos das armas que são colocadas nas ruas, para os corruptos e corruptores, atacarem o elo mais fraco da corrente, este só tem dez anos ou pouco mais e, arrebenta fácil. Teremos uma maior rotatividade de mão de obra “bandida” e, os verdadeiros criminosos continuarão escondidos nos bastidores reclamando da falta de segurança para seus filhos.

Já pensou em atacar o elo mais forte? Sei que dará mais trabalho, pois é como democracia, dá trabalho mantê-la e estar sempre negociando as posições. Fácil é a ditadura, que não dá trabalho mais é tão perversa como a ideia da diminuição da maioridade. Mata, prende sem provas e costuma sumir com as pessoas. Ausência do estado de direito, da República.

Porque antes de sumir com os menores das ruas, não processamos e prendemos aquele juiz corrupto, que vende a sentença, o habeas corpus? Porque não prendemos aquele promotor corrupto, que só investiga o lado que não lhe faz um agrado? Aquele delegado que negocia em sua Delegacia a tipificação da ocorrência do crime cometido? Aquele advogado que atende ao criminoso preso como um leva e trás, para que os negócios não se percam durante as férias do mesmo – que tem o dinheiro para comprá-las? E o político? Aquele que tem seus processos engavetados, nunca julgados ou investigados? Que recebe das empresas para emperrar ou agilizar Leis de interesses de poucos?
Será que, com essa trabalheira toda, no final das contas, com muito suor e medo de atentado contra sua saúde, a proposição acima não acabe por tirar aquele menor, que hoje nos assusta, das ruas e o coloque nas escolas, criadas a partir do dinheiro não desviado?

Na realidade somos uns covardes e como tais não nos aventuramos em direção ao perigo, não lutamos contra o sistema. Não queremos sair do conforto de nossos sofás. Sabemos que vivemos em um sistema corrupto, que depende do crime para saciar sua fome de lucros e posses. É mais fácil, prender o criminoso de "alta periculosidade" que tem dez anos, a incomodar aquele senhor que vive dentro das grades de seu Condomínio de luxo.

Sérgio Mesquita

  

segunda-feira, 16 de março de 2015

A Batalha de Argel em Terras Tupiniquins

Acabo de assistir ao pronunciamento do Governo Federal, hoje, dia 15.03.2015, após as manifestações contra o governo que aconteceram com destaque em São Paulo, terra do PSDB.
Não farei referência às perguntas dos valorosos e democráticos funcionários da mídia lá presentes, pois são as mesmas desde o ano de 2005, com uma roupagem mais moderninha (por conta da tecnologia somente) do que aconteceu em 1954 e 1964. Já que o título se refere a uma guerra de libertação... e as perguntas são sem novidades no “front”. Este é o espaço que dedicarei a nossa “democrática mídia”.

No filme, que retrata da luta do povo argelino contra a colonização francesa, quando um dos líderes guerrilheiro ou terrorista (prometi não citar mais, mas é assim que a mídia trata), está sendo “interrogado” de acordo com o Tribunal de Genebra – cinismo de minha parte - é acusado de ser covarde por usar crianças e mulheres na luta. O então “terrorista” – os franceses demoliram prédios com os moradores dentro - responde que: deem-me seus tanques e aviões e eu paro de usar minhas mulheres e crianças. Uma simples relação de troca.

Nossos bravos companheiros e ministros, Rossetto e Cardoso, e são bravos companheiros sim, responderam bem as perguntas. Foram incisivos em relação à defesa da democracia e o direito de se manifestar. Colocaram-se muito bem em relação àquela minoria que se manifestava a favor do fascismo, do retorno da Ditadura, impeachment sem qualquer base legal. Deixaram claro para quem ainda tinha dúvida, que não passavam de uma minoria que se aproveitava de um movimento democrático, total incoerência deles, os manifestantes golpistas.

Faltou a meu ver mais energia nas respostas de nossos ministros, quando os funcionários que interrogavam - obedientes a seus patrões - citavam o número de participantes na manifestação de São Paulo, e pediam a opinião deles. Em suas respostas não frisaram que parte daquelas pessoas que lá estavam, estavam porque passaram a semana toda sendo convocadas por uma imprensa, que luta desesperadamente para sobreviver e resgatar suas regalias, suas contas no HSBC, independente das necessidades do povo. Usaram de seus funcionários artistas para encher as manifestações em todo o Brasil. Faltou aos nossos ministros, a inspiração do “terrorista” argelino em suas respostas que poderia ser assim: “me deem os meios de comunicação de massa e vamos ver como serão as próximas manifestações”. Uma simples relação de troca, como propôs o argelino. O problema é que não responderam, como também não usamos nossas “criancinhas e mulheres”, que poderiam ser traduzidas em um novo Marco Civil, este sobre a Regulamentação da Mídia. O que trocar?

Para a sobrevivência de uma verdadeira democracia não pode existir, como no Brasil e outros poucos países, concentração dos meios de comunicação em poucas famílias. O exercício da democracia fica restrito a vontade destas poucas famílias. E ao contrário do que prega acanhadamente o governo, não nos interessa só a Regulamentação Econômica da Mídia. A Regulamentação da Ética Jornalística é muito mais importante e necessária, pois permitirá àqueles funcionários que hoje passam vergonha no exercício da profissão, trabalharem com altivez e responsabilidade pública e não privada.
Te Abraço.

Sérgio Mesquita

segunda-feira, 9 de março de 2015

A Passos de Ganso em Direção ao Nazismo ou Não Participo de Panelaço da Globo.

Não vou escrever aqui nada que, de uma forma ou outra, já não tenha “pululado”nas redes sociais. Insistirei sim, no que venho colocando há anos, que é, estarmos vivendo mais um processo golpista que, só não foi de novo vencedor, por conta da movimentação contrária e denúncias nas redes sociais. Por que, se dependesse da mídia e do poder Judiciário, a coisa já teria acontecido. Generalizo em relação ao Judiciário, mas não me preocupa muito a generalização, pois na prática, o silêncio da maioria pode nos levar a acreditar em consentimento quanto ao processo, a meu ver criminoso. Tentam repetir 54 e 64.

O clima criado pela mídia e o ranço de alguns juízes e procuradores estão levando a população a um tudo ou nada, onde os defensores do Golpe, a exemplo de Hitler, usam e abusam da mídia e propaganda, para tentar atingir o mito da raça pura, os não corruptos – atirem a primeira pedra!

Não tenho qualquer conhecimento em Direito, na magistratura ou no que for pertinente a área, mas acredito ter algum senso de justiça que, acredito ser comum a maioria das pessoas, e por isso me manifesto aqui. Na esperança que algum doutor da área me explique o que não consigo entender. Pois se não vejamos:

1 – Pode alguém ser condenado sem prova?

No caso da AP 470 (mentirão) duas juízas declaram em seus votos contra José Dirceu, que não encontraram nenhuma prova contra o réu. Nada nos autos investigativos, nada nos depoimentos, nada na investigação da Polícia Federal, mas tanto elas como outros, condenaram o Dirceu. Segundo Rosa Weber, baseada na literatura jurídica. Literatura esta que, por informação do constitucionalista Ives Gandra, ex-assessor de FHC, só seria encontrada nos livros escritos para apoiar as decisões de Hitler na Alemanha. Fascismo 1 x0.

2 – Pode alguém ser preso para confessar?

Aqui a coisa é um pouco mais perversa. Na Idade Média costumava-se prender as bruxas para que, as mesmas sob tortura, confessassem serem bruxas. Uma das torturas consistia em afogar a candidata a bruxa por vários minutos e, se ela morresse, ficava confirmado que era uma bruxa. Ninguém sobreviveu é claro. Moro utiliza a mesma técnica na operação Lava a Jato quando prende os “réus” sem julgamento para que os mesmos confessem, a exemplo de Hitler durante seu governo na Alemanha. Porque perder tempo com trâmites legais? Fascismo 2 x 0.

3 – Pode um julgamento durar uma eternidade?

De novo vemos os interesses pessoais e de grupos políticos de direita, adoradores do Deus Mercado, através de um Juiz do STF, enrolar “sine die” um julgamento que já tem seu resultado definido. Resultado este que poderá mudar muita coisa na vida política brasileira, a partir da proibição do financiamento privado nas próximas eleições. Assistimos hoje uma direita ensandecida, através do argumento da corrupção, provocada por conta desse mesmo financiamento privado, querer a qualquer tempo, mudar o resultado de uma eleição presidencial. Mas se quer pretende recolocar na pauta do STF o processo para findá-lo. Na Alemanha nazista, quando havia processos contra os comunistas, ciganos, gays ou judeus, também não eram julgados. Fascismo 3 x 0.

A partir dessas observações, eu, cidadão de cultura mediana, espero que algum doutor na área jurídica possa me justificar, nas normas da Lei, os atos expostos acima. Caso não possam, que se manifestem e ajudem ao país a continuar em seu mais longo período democrático. Sieg heil!
Mais humilde que sou, te abraço.

Sérgio Mesquita

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Perverso prazer diante da humilhação alheia


O destaque que faço ao texto abaixo, não é só por concordar com o mesmo. Há algum tempo, desde os procedimentos "legais" do Barbosa e seus pares em relação a AP 470 (mentirão), que venho denunciando estarmos assistindo ao fim da justiça para todos (apesar de sabê-la somente para alguns). As descriminações feitas pelo Barbosa, o rasgar da Constituição e outras, sempre foi denunciada por mim através da seguinte sentença: "amanhã pode ser você". E quando for você ou seu filho, aí haverá indignação da mídia e etc.
Com a Lava Jato, a coisa passou a acontecer no quintal de seu vizinho (da Mônica Bergamo por exemplo), aí você acha um absurdo o tratamento que está sendo dados aos corruptos. Concordo plenamente! Porém minha concordância parte do princípio que todos merecemos o mínimo de dignidade, seja na prisão ou morando debaixo do viaduto.
(...)
Serve também para a repetição de comentários sobre os providenciais protestos diante da arbitrariedade que atinge pessoas desse status, quando arbitrariedades iguais ou piores ocorrem diariamente e não despertam a indignação de advogados de renome, supostamente preocupados apenas com os honorários que lhes rendem seus clientes endinheirados.
(...)

O SONHO DO CELTA, OU COMO DESTRUIR UMA EMPRESA À INGLESA


Inspiro-me nesse texto em um dos grandes livros do Vargas Llosa, “O Sonho do Celta”. O livro trata da história de Roger Casement, irlandês que viveu no começo do século XX, trabalhando para Coroa Inglesa. Seu trabalho consistia em denunciar os abusos e o não respeito aos direitos humanos nas colônias e protetorados britânicos na África e América Latina. Foi agraciado com a honra de “Companheiro da Ordem de São Jorge e São Miguel” e o título de “Cavaleiro”. Porém, depois de presenciar tantas injustiças, retorna a Irlanda e passa a lutar pela independência de seu país, caindo em desgraça para com a Coroa Inglesa, sendo preso, condenado à morte e morto.


Conto um pouco dessa história, porque faço um paralelo entre a estratégia do governo inglês em apagar a memória do Roger e destruir sua imagem através da mídia, expondo o ex-cavalheiro a um lixamento sem precedentes. Foi acusado de todas as atrocidades possíveis, inclusive com superexposição de sua vida sexual, era homossexual. Preso, praticamente incomunicável, impedido de ler os jornais ou ter acesso a qualquer notícia, sua vida era esculhambada sem que o mesmo pudesse se defender ou mesmo ter acesso aos meios de comunicação para tal.

Trazendo o exemplo inglês para nossos dias e país, vejamos como a Petrobras está sendo tratada por nossa mídia e políticos que sonham em tornarem-se “cucarachas” em Miami.

O processo de linchamento é ainda pior, com requintes de crueldade uma vez que por tratar-se de uma empresa, inanimada, lhe imputam características que, infelizmente, só dizem respeito à raça humana. A grande mídia “cola” na empresa a pecha de ser corrupta, incapaz e inoperante, enquanto a mesma é premiada e reconhecida mundialmente como a melhor empresa do ramo petrolífero (condições essas conseguidas devido sua administração que é feita por pessoas, por seres humanos).
Nossa mídia trata a Petrobras com o maior dos ensinamentos do nazista Joseph Goebbels (“uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade”), que era responsável pela comunicação do III Reich, na Alemanha nazista durante a 2ª Guerra. Utilizam-se dessa prática desde os anos cinquenta, sessenta e ao longo das décadas – cansado de lembrar isso. Foi assim quando levaram ao suicídio o Getúlio, na preparação do Golpe de 64, eleição do Collor e mais, muito mais mentiras transformadas em verdades.

Voltando ao exemplo do livro, fico imaginando se não existe entre os milhares de funcionários das Organizações Globo, Abril, Estadão, Folha e outras mais, algum Roger Casement em suas fileiras. Alguém que seja capaz de se indignar e lutar pela verdade, lutar por sua consciência. Não precisa ser homossexual, basta ser alguém cansado das mentiras e disposto a ver na cadeia àqueles que realmente devem ir, claro que, depois de todos os trâmites processuais seguidos. Não iremos nós repetir as práticas que condenamos , certo? Certo!

Encerrando e repetindo outros trechos de outros escritos, que fique claro para quem não quer admitir, que a estratégia de destruição da Petrobras e demais empresas nacionais, faz parte da estratégia daqueles que defendem o ”Deus Mercado”. Não passa de uma luta por mercado. Esta luta é o meio, o fim é o Golpe para se retirar de Brasília um governo que trouxe dignidade para os mais carentes, soberania e respeito internacional. Um governo que deixou de dizer “sim senhor” em vários idiomas e passou a dizer “não, vamos conversar” em um bom português.

Te abraço,
Sérgio Mesquita

Ps: Vargas Llosa hoje é mais um defensor do neoliberalismo, do mercado. Mas sua literatura, principalmente a biográfica-romanceada é de excelente qualidade. Destaco a Guerra do Fim do Mundo, um dos grandes livros sobre Canudos.
Hoje defende a Cultura para os ricos, para quem pode pagar. Diz que a popularização da Cultura será o fim da mesma. Discordo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

QUANDO O COMPLEXO DE VIRALATA CEGA

Ler ou assistir os jornais de hoje, é de entristecer e dar vontade de tomar a seguinte decisão: que se dane tudo. Entrega logo essa porra de governo, acaba logo com a Petrobras e vamos aguardar uns poucos meses, e ver essa mesma gentinha que defende um golpe, a ditadura, se lamentar porque perdeu tudo. Nem aeroporto vazio vai sobrar. Pronto falei!

O problema são os segundos seguintes após o desabafo, você pensa em seu filho, na criançada do entorno de sua casa, nos vizinhos (alguns defendendo o golpe) e pensa: que merda, o que será do futuro dos meus filhos? O menino estuda Geofísica e não terá mais Petrobras no Brasil. O que sobrará para essa população toda, que começou a “respirar” agora, comprar um pouquinho mais, passear por conta do fruto de seu trabalho? Reverter de novo o fluxo migratório? Os nordestinos retornam para São Paulo? Mas não tem água em São Paulo! E agora? O que fazer para conter essa massa de gente que voltará ao estado de miséria, que voltará a viver abaixo da linha da pobreza, passar fome de novo? Acham que vão aceitar isso de graça? Vamos matar a todos? A TV Globo diz que somos muçulmanos e incentiva a eliminação de todos nós?

E você, que pertence àquela classe média tão bem odiada pela Marilene Chauí? Acha que continuará tudo bem? Que a fome pelo lucro fácil do capital estrangeiro é a mesma de 54 ou 64? Engana-se mademoiselle et monsieur. A fome hoje é muito maior, não vai sobrar pedra sobre pedra. E se você já não tiver feito como o Barbosa e comprado seu “apesinho” na América Latina americana, Miami, vai dançar igual. Quem já comprou vai descobrir que, por ter complexo de vira-lata, só restará o ser cucaracha ”noseua”.

A realidade é nua e crua. O projeto da Globo e suas coirmãs, da nossa direita tupiniquim (no sentido pejorativo mesmo) que se beneficia dos favores por ela realizados aos donos do capital, é de acabar com o Brasil. Nasceram e cresceram aprendendo que daqui nada presta, só presta o que é de fora. Não admitem que o país possa ter qualquer tipo de soberania. Todas as conquistas e respeito oriundos de nossa política externa e interna são impensáveis para eles. Acostumados e treinados que foram a responderem “sim senhor” em vários idiomas, vide FHC.

Os ataques hoje (que não são de hoje, são desde os anos 50) à Petrobras e ao governo do PT, não tem nada a ver com ética e combate a corrupção (que, aliás, só passou a existir efetivamente de 2002 para cá), basta pesquisar um pouquinho para descobrir que os verdadeiros bandidos, são os acusadores e empregados de empresas de comunicação que sempre se beneficiaram da sujeira.

Acabar com a Petrobras foi sempre o sonho deles. Tirar o PT de um espaço que não foi criado e pensado para ele, é recente. Nossa oligarquia, ainda escravagista, não admite que o PT esteja no governo do Brasil e o quer fora de qualquer jeito. Mesmo que, se preciso for, retornar com a Ditadura assassina por que já passamos. Não existe limite para esse tipo de gente. Como já colocado em outro texto, não passam de peões travestidos de lordes em um jogo de xadrez, onde só existe um jogador, o capital financeiro, que não possue o menor pudor na hora de sacrificar os peões quese acham lordes.

Que existe corrupção existe. Existe desde os tempos de Jesus Cristo e muito antes dele. Não dá para hoje, supondo-nos seres mais inteligentes que nossos antepassados, sermos enganados e achar que tudo o de ruim começou agora, do governo Lula para cá. Na crença deles, Cabral ainda não descobriu o Brasil. Pois se assim acreditassem, a Globo seria forçada a tirar qualquer referência à Cabral em seu noticiário, como faz com FHC e a “Lava a Jato”.

 A estratégia é simples e me foi colocada por um menino de 18 anos. Nossas empreiteiras estão ganhando o mercado externo, África, Ásia, América Latina e Central. As americanas e europeias perdendo mercado e envolvidas em escândalos de corrupção (Trensalão de SP é um pequeno exemplo). Como resolver esse problema? Desmontam-se nossas empreiteiras utilizando-se a corrupção como fachada, prende-se os diretores e culpa-se o governo com “achismos”. Alguém viu campanha para se destruir as empreiteiras do Trensalão Paulista? Como são estrangeiras, seus diretores foram afastados pela matriz e a empresa continua funcionando no mundo e aqui no Brasil. Já as nossas, além das prisões, as mesmas devem ficar proibidas de funcionarem no país. Paralisam-se as obras e que venha o desemprego. Interrompem-se os investimentos em infraestrutura e que venha mais desemprego. O descontentamento da população acontece e a culpa é colocada no governo do PT.

Com a Petrobras a estratégia é a mesma. A corrupção existe desde sua fundação. Porém, como a mesma é quem sustenta o projeto de um Brasil melhor, junta-se a fome com a vontade de comer. Privatiza-se a empresa, entrega-se nosso óleo à voracidade estrangeira e, de quebra, quebra-se a espinha dorsal do governo do PT. Todo um caudal para criar a instabilidade necessária para um novo Golpe.

Retornando-se ao início do texto, não pense você que faz claque, não irá sofrer com o retorno do Brasil a situação de colônia. Se você faz parte da classe média clássica, odiada pela Chauí, estará rindo de tudo, pois não vive de seu trabalho, vive da especulação. Mas se você pertence a classe média, mas é trabalhador como eu e muitos, possui um carguinho, mas vende sua mão de obra igual a um simples borracheiro, estará perdido igual a qualquer simples cidadão brasileiro. Se muito, vai viajar de ônibus leito, pois os aeroportos voltarão a se transformar em uma imensa sala VIP. Mas se nada disso te importar, preocupe-se realmente com o que deve se preocupar. Qual será o futuro de seu filho nesse Brasil colônia?

Que sejam julgados na Lei os verdadeiros corruptores e corruptos, mas deixem as empresas funcionando. Elas não são culpadas por quaisquer desvios que possam ser oriundos de nós mesmos, meros mortais egoístas. Encerrando... camaradas, se Dilma ou Lula são culpados, que se ponha na mesma cela o FHC, Sarney, Collor e nossos ditadores.
Te abraço.

Sérgio Mesquita

domingo, 18 de janeiro de 2015

Intrusos no espaço institucional

Repetindo uma discussão anterior, como introdução ao texto, cito Paulo Fatigati que sempre nos lembra de uma situação real: nós somos intrusos no espaço institucional de governo. Nosso espaço está na organização dos trabalhadores (sindicatos) e nos movimentos sociais. Os espaços institucionais são deles, da direita dona do poder. Foram criados para eles, por leis criadas por eles. Por isso não nos aceitam e tentam recuperar o que acreditam ser, por direito divino, somente deles.

Esta linha de raciocínio é verdadeira e explica bem os movimentos políticos do PSDB, dos demais partidos de direita e de nossa mídia entreguista. Como bem colocado no texto “linkado” ao final, como exemplo. O Globo sempre foi contra a Petrobrás, do seu nascimento até os dias de hoje. Os sucessivos governos paulistas também nunca a engoliram bem, pois a locomotiva poderia deixar de ser o Estado de São Paulo, pois tinham o discurso que São Paulo era a locomotiva do Brasil.

O que assistimos hoje dentro do Brasil e fora, infelizmente, são ações orquestradas para impedir o crescimento de novas nações que possam gerar “problemas” para os donos do capital, EUA, Alemanha e outros menores. O texto explica bem o porquê da queda do preço do petróleo, estratégia dos EUA para prejudicar a Rússia, Irã, Venezuela e o Brasil. Os EUA também perdem com a queda, mas na visão dele, entrega os anéis na intenção de manter as mãos, enquanto nós poderíamos perder as nossas. Porém no mundo de hoje, como colocado por vários autores, a Rússia e demais poderão se recuperar mais rápido que o próprio EUA em sua visão cega. Tiro no pé.

No Brasil, por política de governo, não afundamos na última crise principalmente por conta dos investimentos na infraestrutura e na Petrobras. Em especial na Petrobras. Por isso querem colocar a culpa de ações individuais de corrupção na empresa como toda, como bem explica o Gabrielli na entrevista.

FHC e os demais preferem ver o Brasil com desemprego e a Petrobras na mão de estrangeiros – com destaque para os EUA – a ver a empresa dando sustentabilidade a uma política feita por intrusos. Não porque queriam eles estar no timão da política, mas por serem entreguistas e subservientes ao poder do capital financeiro, pois suas contas bancárias ficariam mais gordas com o dinheiro “desviado”, em suas visões, para os mais pobres. Basta ler os colunistas do Globo e etc. Aeroportos que parecem rodoviárias, praias cheias de pobres e sua empregada doméstica, que não deveria ter carteira assinada, com um celular melhor que o seu.

Te abraço,                                                                                       
Sérgio Mesquita

sábado, 10 de janeiro de 2015

Em nome de Deus, o mundo transformado em um ringue de vale tudo

Basta-nos uma rápida passada de vista nos livros de história para compreender que, em nome de deuses que ensinam a tudo se perdoar, mata-se indiscriminadamente. Não importa qual vertente. Se seita, culto ou qualquer outra nomenclatura. Onde a mensagem deveria ser de paz, é de guerra ou de puro egoísmo. Nesse sentido, somente você e seus próximos merecerão algum reino em outra vida. Os demais estão perdidos ou têm parte com o demo.

Enquanto a maioria das pessoas se preocupa em ter um salvador eterno, ou as 70 virgens do Islã, esquecem os verdadeiros e terrenos motivos que nos levam a essa luta insana. Eric Hobsbawn nos havia advertido para isso faz tempo. Segundo ele, se o modelo econômico não mudar e continuarem as injustiças em nome do capital (o Deus em sua forma terrena), só nos restará a barbárie, o caos completo. Os últimos acontecimentos nos levam a aceitar, fora de dúvida, a sua previsão, que tem a concordância de outros vários historiadores, filósofos, sociólogos e economistas. Aí pelos anos 1980, Adam Schaff, em “A sociedade informática”, apontava para o mesmo “dilema”, se é que podemos falar em dilema quando se trata do futuro da humanidade. Mesmo os estudiosos da direita começam a entender que poderá não sobrar muita coisa quando as guerras em nome da “democracia” e de Deus desconstruírem o mundo, arrasarem o que resta do mundo, e o fascismo voltar ao poder, como está acontecendo por conta da guerra particular dos EUA contra a Rússia.

Quando nossas grades em volta de nossos prédios e os rolos de arame farpados não segurarem a turba empobrecida e alijada de seus direitos, a salvação virá, e será aplaudida, pela força e o fim dos direitos democráticos.  O fim do direito à vida. Como bem explicita Leonardo Boff, quando nos sobrar somente o medo, o terrorismo será o verdadeiro vencedor. Avançando um pouco, seja através do fundamentalismo religioso ou somente econômico, o resultado será o mesmo, ricos mais ricos e pobres, ironicamente do outro lado das cercas, mais pobres.

O atentado na França, felizmente e por enquanto, é nosso último exemplo do que podemos esperar da ganância humana desenfreada. Somos nós, seres “racionais”, os únicos capazes de destruir o mundo em que vivemos e do qual precisamos. A discussão aqui não é ecológica, é econômica. A busca pela sonância do vil metal enchendo os bolsos é o verdadeiro motivo de toda a paranoia em que hoje vivemos. E ela tende ao infinito.

Entrementes, a mídia, em sua esmagadora maioria, adota, como sempre, manobras diversionistas, desviando a atenção dos verdadeiros motivos da guerra que vivemos. Afinal, quando esses veículos não pertencem as corporações hegemônicas da economia e da política, dependem de seus anúncios. No final dos anos 90, a revista “Atenção”, que já não circula mais, denunciava em um de seus números que a maior parte das empresas de comunicação eram propriedade, na época, a cinco grandes grupos: Sony, Disney, Warner, General Eletric e Westinghouse. Notem duas potências da energia entre as donas dos meios de comunicação no planeta.

O que esperar de um mundo onde poucos determinam o que praticamente todos devemos discutir e assistir? O que esperar de um país como o Brasil, onde governo e população se rendem à mentira de que regulamentação é sinônimo de censura? A resposta é simples, o retorno do fascismo e a perda de quaisquer direitos.

Te abraço

Sérgio Mesquita

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Quem controla a Internet?

Há tempos venho levantando questões sobre o poder da Internet. Em uma redação sobre o tema, escrevi que ninguém sabe a força real desse meio de comunicação e informação. Um chinês põe a alma em leilão e o subcomandante Marcos impede um massacre, pelo exército mexicano, com seu laptop nas montanhas de Chiapas. Duas ações distintas utilizando a mesma ferramenta.

Mas a dinâmica da rede também pode ser utilizada em favor de interesses pessoais ou de grupos econômicos/políticos. Assistimos a isso agora com o ataque à Coreia do Norte, quando a isolaram do mundo ao bloquearem seu acesso à rede. Agora não se tem mais dúvidas quanto ao poder de quem tem o conhecimento e os equipamentos para tal exercício. Ou seja: basta, literalmente, desligar o interruptor.

Essa discussão é alvo de intervenções minhas desde os tempos “das privatarias” do FHC e seus cúmplices. Em especial quando entregou todo o nosso sistema de comunicação ao mexicano Carlos Slim. Todos os nossos dados bancários, de segurança, ou simples recados de amor, nas mãos de estrangeiros que, se chateados ou incentivados por interesses econômicos, como a água ou o pré-sal, nos tiram da rede. O que fazer? Perguntem ao FHC.

Ora, o Brasil ganhou notoriedade mundial por conta da aprovação, um tanto quanto esquartejada, do Marco Civil da Internet, que, mesmo levando-se em consideração a falta de alguns pedaços, ainda é uma grande Lei e exemplo a ser seguido. Assim, o que aconteceu na Coreia (link ao final do texto) estava “previsto” na Lei, como proposta para amenizar o problema. Contudo, com o esquartejamento, promovido a serviço das Telcos (empresas de telecomunicação como Vivo, TIM, Claro – do Slim e outras) por Eduardo Cunha, essa cautela foi cortada. No texto original, existiam exigências de que os provedores da rede tivessem seus servidores e storages em solo nacional, numa tentativa de “amenizar” a espionagem estadunidense, tão ignorada por nossa mídia servil.

Eduardo Cunha venceu a batalha com apoio de seus pares no Congresso e, logo após, por conta da espionagem estadunidense, França e Alemanha anunciaram estudos para internalizar na Europa os seus servidores de Internet, a fim de dar mais trabalho ao serviço de segurança dos EUA, o National Security Agency (NSA), com o intuito de tornar mais difícil o acesso os dados europeus. Todo o tráfego da rede mundial passa pelos EUA, e eles, “democraticamente”, detêm o poder de acessar nossos bilhetinhos eletrônicos com ou sem nossa permissão.

Escrevo isso devido à única discordância minha em relação ao texto, quando diz que “pode acabar fortalecendo a tendência à balcanização do universo digital com a criação de redes nacionais independentes. Trata-se de uma ideia alimentada por regimes autoritários em várias partes do mundo, porque lhes permite controlar o fluxo interno de mensagens entre usuários da internet”. Discordo porque a conta vai somente para os estados autoritários, quando o que testemunhamos recentemente foram países democráticos como Inglaterra e França (à época de Sarkosy), discutirem e defenderem a censura na rede. Enquanto isso, os EUA já o fazem abertamente, espionando os seus e a nós.

A Internet foi criada a partir de necessidade militar e, como quase todos os avanços tecnológicos, acabam beneficiando uma pequeníssima parcela da sociedade civil dos países que controlam o poder imperial no mundo. O mesmo se pode dizer dos conhecimentos científicos, de onde derivam a tecnologia, que deveria estar a serviço do bem estar social, e não do econômico/político, que é o que costuma acontecer na prática. O que ocorreu com a Coreia pode nos levar à balcanização do mundo sim, como bem alerta o texto, mas também não podemos ou devemos fechar os olhos e fingir que nada acontece ou poderá acontecer conosco. O mundo da fantasia só existe nas empresas de comunicação, que, de tanto fantasiarem, trocaram a realidade pelo fantástico.
Te abraço

Sérgio Mesquita

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Um fim de ano para não esquecer ─ idas e vindas que não têm preço

No dia seguinte ao dia em que o mundo inteiro se regozija por conta do fim do bloqueio estadunidense a Cuba (18.11.2014), pelo retorno dos três últimos “soldados da guerra fria”, segundo Fernando de Moraes (excelente livro que conta a história dos cinco cubanos presos nos EUA), Maricá comemora a entrada em funcionamento dos ônibus da Empresa Pública de Transportes (EPT), os já carinhosamente chamados de “vermelhinhos”, por conta da cor da bandeira do município, de predominância vermelha. Um coroamento de toda uma luta, que não se encerra, do único governo que, em Maricá, realmente se preocupou com sua população. Os “vermelhinhos” rodando sem cobrar um centavo sequer de passagem.

Quem não é do município, não tem ideia do que isso representa, e pode até não entender a alegria, a satisfação daqueles que sempre lutaram contra o domínio perverso de pouquíssimas famílias sobre um grupo de políticos servis e enganados, pois se achavam lordes quando na realidade não passavam de peões em um tabuleiro de xadrez onde só existia um jogador manipulando as peças.

Processo longo, de anos durante os quais alguns munícipes mudavam de calçada para fugir de um simples bom dia ou boa tarde àqueles ditos “comunistas do PT”. Eu ria internamente quando percebia o esbaforir de seus semblantes e seus olhos baixos. O simbolismo começou com a retirada de um busto, que representava o poder local, do Terminal Rodoviário, que, embora público, estava entregue a uma empresa de ônibus privada, símbolo do poder e do atraso do município. A simples retirada causou indignação dos servos e, por outro lado, um recado claro dos “comunistas do PT” à cidade,  tudo mudaria.

O Prefeito Washington Quaquá, em seus discursos ao povo, sempre deixava claro que a cidade só mudaria se a sua pequena classe que controlava a economia fosse quebrada em seu predomínio. Modernizou a cidade, abriu suas portas para novos empreendedores e empresas, coisa antes impossível de se pensar, pois para os donos da empresa de ônibus não interessava a geração de emprego local. Interessava somente o transporte desses trabalhadores para os outros municípios em seus ônibus. Novas empresas e novos empreendimentos chegam a Maricá e fecha-se o ano com os “vermelhinhos” interligando o município de norte a sul, de Ponta Negra a Itaipuaçu, forma de assegurar o direito de ir e vir, o que antes era impensável  sem que o munícipe que viaja de ônibus pagasse no mínimo duas passagens.

Os “vermelhinhos” vieram para ficar, e não têm por que não ficar. Na prática, patrões e empregados lucram quando os custos das passagens saem de suas planilhas. Lucra todo o morador que, empregado ou não, precisar se deslocar para ir a um médico, quando seus filhos ou eles próprios forem à escola e (por que não?) quando simplesmente quiserem se divertir em lugar afastado de suas casas.

A via principal (nosso rio Amazonas) está coberta, agora é começar a trabalhar seus afluentes para atingir o interior de nossos bairros, o que já está sendo pensado a partir do transporte alternativo. A ideia seria contratá-los diretamente para que essa passagem também venha a ser gratuita.

Parabéns ao governo Washington Quaquá. Parabéns a todos aqueles que sempre acreditaram que mudar era possível.
Te abraço.

Sérgio Mesquita

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Quando a luta é baseada no amor e respeito ao próximo

As diferenças, infelizmente, são gritantes quando da disputa política entre direita e esquerda no Brasil. Assistimos nossa “democrática” mídia, de maneira plácida, quase que suspirante, noticiar ou não dar as notícias nos “tons” que deveria dar se não estivesse atuando como verdadeiros partidos políticos. Refiro-me especialmente às empresas de notícias, que ignoram ou, mais precisamente se “lixam”  para o fato de serem detentoras temporais de concessão pública.

Pessoas como ”bolsonaros” vão armadas para comícios, escolhem quem deveriam ou não estuprar e, se não fossem as redes sociais, nada disso estaria sendo noticiado. Ou na melhor das hipóteses viraria, uma nota, esquecida no dia seguinte. Pedidos esdrúxulos pela volta da ditadura, julgamentos fantasiosos que ignoram o estado de direito, tudo acompanhado de discursos vazios, mas raivosos.

Máscaras nas frentes das câmeras lembrando antigos salvadores da pátria. Aliás, temos a figura do ex-governador de Minas, que governava o estado a partir das praias cariocas que, segundo um comediante, o Neves de seu nome deveria ser apelido, pois é sempre Natal em seu nariz. O indivíduo insiste no complô, no desejo de inverter o resultado de uma eleição democrática, por meio de um golpe apoiado por uma mídia canalha e alguns juízes suspeitos quanto à integridade. Pregam a violência utilizando-se de grupos fascistas ou mesmo suas polícias militares contra aqueles que não comungam com suas hipocrisias.

No campo da religião, os mesmos destemperos e atrocidades para com a democracia e respeito ao cidadão. Não importa se cristã ou islâmica, quando fundamentalista, cortam-se gargantas, põem-se na fogueira, apedreja e assim por diante. Não importa, “nós é nós e o resto é o resto”.

A violência, o sectarismo, a criminalização dos movimentos sociais, a homofobia e outras formas de agressão à democracia, são comuns aos dois grupos, contra aqueles que são ou pensam ”diferente”.
Agora, o contraditório, normalmente é ignorado pela mídia.

Os movimentos, hoje ainda minoritários, contra o racismo, pela liberdade religiosa, respeito às mulheres, às minorias e a liberdade sexual, quando vão as ruas se manifestar, vão em busca do respeito e amor ao próximo. Quando se manifestam, podem ter certeza de que será como uma grande festa, seja em local público ou não.

Será que ninguém percebe essa pequena diferença que separa aqueles grupos raivosos e antidemocráticos, daqueles que só querem o bem do próximo?

Parabéns, Maricá, pela bela festa que foi a 2ª Parada do Orgulho LGBT.
Te abraço,

Sérgio Mesquita

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Quando o que importa é o equilíbrio

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
Todos sabemos que a tecnologia existe e se desenvolve com o objetivo de facilitar e dar mais conforto em nossas vidas. Todo invento e suas futuras mutações, no papel, tem como objetivo a busca de uma melhor qualidade de vida, ou pelo menos assim deveria ser. Deveria por quê? Porque na realidade, o “lado negro da força”, que todos temos um pouco e em alguns se sobressai, acaba por transformar a tecnologia em um mal, e não um bem. Mantendo a linha cinematográfica, chegará uma hora já prevista nas telas de cinema, que a máquina cansará de nos ajudar e, por achar que será melhor para a humanidade, tomará o poder e nos guiará a partir de suas certezas matemáticas. Assistimos a isso em filmes “futuristas”, onde HAL (IBM) assume o comando em “2001 uma odisseia no espaço”, o “Caçador de Androides” e o aventureiro “Exterminador do Futuro”, entre outros. Filmes que nos alertam por conta do caminho escolhido por aqueles, que esfomeados por lucros e acumulação desenfreada de bens, destroem a vida humana e seu entorno, ou, quando bonzinhos, nos transformam em autômatos e ai trocamos de lugar com as máquinas. Porém, sem suas qualidades de velocidade e precisão, pois ainda somos humanos.

Agora por que esse “blablablá”? Porque temos o outro lado da moeda que, apesar de outro, sofre igualmente com o mesmo “lado negro da força”, que joga em todos os lados para não perder.
Nesse outro lado, o domínio deveria ser completamente nosso. No entanto, devido à mesma insensibilidade exposta anteriormente, prejudica-nos tanto ou mais. E infelizmente temos duas classes de homens e mulheres que representam bem esse ponto. Fica a ressalva de que não são suas totalidades, mas uma parcela dotada de visibilidade. São os médicos e juízes, que, a partir de opostos – mais ou menos humanos – prejudicam igualmente seus “clientes”.

Os médicos, principalmente os mais novos, já nascidos em meio à tecnologia, mais se preocupam com o resultado da máquina do que com o exercício do exame. Abandonaram o sexto sentido, que ficava em suas cabeças dizendo que existe algo mais a ser descoberto. Aos poucos vão se rendendo à máquina. E como quem as fabrica quer sempre mais lucro, não demorará o dia em que o médico só assinará a receita cuspida pela impressora, já indicando a qual farmácia ou laboratório o “cliente” deverá se encaminhar. Hoje, alguns já o fazem sem auxílio da máquina, mas os conglomerados, as corporações logo irão indicar automaticamente o remédio, a drogaria e/ou laboratório, por conta de seus acordos financeiros. Falta muito pouco para o fechamento do cerco. A tecnologia utilizada para benefício de alguns em detrimento do todo. E são esses profissionais que aos pouco vão perdendo sua humanidade, que passam a se manifestar politicamente sempre a favor do sistema que ignora os seres humanos, razão de suas existências e juramento.

Já os juízes, que por função deveriam ser os menos influenciáveis pelo meio, por seus sentimentos e, em vez de trabalharem com o “preto no branco”, à beira da insensibilidade, com imparcialidade, começam a deixar de fazê-lo, pelas mesmas causas que levarão as máquinas a nos guiar e os médicos a tornarem-se autômatos.

O lucro e a ganância de alguns, em detrimento da Justiça. Basta observar o comportamento recente de alguns deles durante a AP 470 (mentirão), na operação Lava Jato, no caso do “Trensalão” do PSDB e, agora, no voto de Gilmar Mendes em relação às contas de Dilma Rousseff. Declara seu voto pela aprovação, mas tem a certeza da existência de fraude muito bem-feita. Faz um discurso falando sobre irregularidades que não identificou e, diferente do comportamento adotado relativamente à AP 470, vota de acordo com o “preto no branco”. Deve estar com muitas saudades do Joaquim Barbosa, que, destemperado, chamou os holofotes para si, deixando os demais à vontade para rasgarem a Constituição.

Disso tudo que foi escrito acima, a única certeza que devemos ter, até como um norte a ser seguido, é que a falta de um equilíbrio, mesmo que tênue, nos levará ao caos. Nesse caso, o único sistema que não serve é a democracia.
Te abraço.

Sérgio Mesquita

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Recebidos entre palmas e sapateados

Aconteceu neste fim de semana (28 e 29.11), entre uma sexta e um sábado chuvosos, o 2 º Fórum de Cultura do Interior na cidade de Quissamã. Foi por si só uma proveitosa reunião onde gestores, parlamentares e fazedores de cultura trocaram ideias, receios e esperanças. Não as esperanças de Júlio Cortázar, apresentadas em seu livro “Histórias de Cronópios e Famas”, mas sim aquelas que nos levam a continuar na luta, a transgredir, colocar o pé para além da marca institucional na busca do bem comum. O encontro se deu no Centro Cultural Sobradinho, local aprazível que teria tudo para dar certo. E deu. O que não esperávamos eram as iguarias estéticas que nossa anfitriã, Marta Medeiros, Coordenadora de Cultura de Quissamã tinha preparado para aqueles que chegaram ainda na sexta-feira.

Fomos conhecer de perto, eu pela primeira vez, o Fado. Não o tradicional português, explorado com humor na música dos, infelizmente falecidos, Mamonas Assassinas. Conhecemos o Fado advindo da mãe África que, segundo Reinaldo Sant’Ana, é muito parecido com o de Cabo Verde. Um Fado onde os músicos pedem licença para adentrar ao ambiente antes da cantoria, sapateado e palmas. Em um ambiente tão rústico quanto rico em sabedoria e respeito às tradições. Moços, velhos e novos dividindo o prazer da dança em comunhão.

Uma viola de dez cordas e dois pandeiros feitos à mão e afinados ao fogo, literalmente. Essa simples formação fez a alegria de muitos. Conheci o mestre Antônio Morim, que, com uma das mãos tomava posse do pandeiro, e com a outra, ausente, tocava o instrumento, antes exposto na parede.

Humildemente, não deixava a “peteca cair”, acariciava seu pandeiro ao ritmo da alegria. Foi assim que conheci sua filha e neta, que, entre um “self” e outro, entrava na roda sem qualquer pudor, por conta de sua juventude e beleza. Até Marco De Dios, assessor da Secretaria de Cultura de Maricá, não resistiu e entrou na dança. Por outro lado, duro que sou, fiquei na admiração, emocionado por ver uma história que resiste à pasteurização global que nos impõem (peço desculpas ao Pasteur por utilizar de forma depreciativa seu nome). Assim começou o 2º Fórum, com muita energia e deixando claro que o dia seguinte seria ótimo, como foi. Obrigado Quissamã.
Te abraço.

Sérgio Mesquita

terça-feira, 25 de novembro de 2014

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”

Inicio pedindo licença ao velho e bom escritor, hoje falecido, José Saramago, para tomar emprestado o título de um dos seus livros. Utilizo-me da “cegueira” e não da “lucidez”, outro de seus livros, apesar do assunto ser a Política, tão bem tratada na “lucidez”. Explico.

A cegueira de que tratamos é consequência da “sanha” com que nossa mídia, nossa “democrática” mídia, vem tratando a política nacional na busca de satisfazer seus interesses e os interesses daqueles que ela representa. Seu objetivo é uno e seu foco é doentio. Doente a ponto de perder qualquer vestígio de ética ou reparar no entorno, nas consequências que poderão advir de seus atos, compartilhados por uma direita igualmente cega.

Doze raivosos anos para desconstruir o PT – que tem ajudado – no intuito de, além do poder, voltar a ter o controle da máquina estatal. Nem que, para isso, precisem destruir as instituições que definem o Estado Democrático, desqualificando os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, como também investem no desacreditar da política, mola mestra de qualquer sociedade que tenha a intenção de se considerar civilizada. Pensam eles nas possíveis consequências de seus atos ou não conseguem mais tirar os “antolhos”, já enraizados em seus corações e mentes?

Investiram pesados na operação “Lava Jato”. Manipularam, inventaram e agora, que ficou claro para todo, que mesmo antes do golpe civil militar a corrupção já existia, cresceu exponencialmente durante aquele período ditatorial e, hoje, continua firme e forte, não sabem mais como parar o que iniciaram. Não sabem como abafar dos escândalos, cada vez mais escabrosos, o nome do Aécio e dos membros do PSDB e PMDB. Acreditavam que ficariam somente no PT. Mas não interessa! O objetivo supremo é tirar o PT de Brasília e os antolhos não permitem ver outra coisa.

Relatórios apontam o número de até 250 parlamentares envolvidos de alguma forma no escândalo. Seja recebendo propina ou tendo a campanha “ajudada” pelas empresas envolvidas. Tentam colar os nomes de Lula e Dilma, tentam um golpe sem armas, apoiados nos favores de um Judiciário também comprometido, por conta de alguns de seus membros.

O que a cegueira não os deixa ver é que no “frigir dos ovos”, podem não sobrar candidatos e/ou partidos. Pode não existir mais a Política. Civilização sem Política é barbárie, é o caos. E nesses momentos é que se fabricam os salvadores da pátria.

Não irão apoiar o que sobrar da extrema esquerda e só sobrarão aqueles da outra extremidade, a direita reacionária. Apoiarão os bolsonaros da vida na próxima eleição. Pois serão eles que cairão no colo de uma mídia que, em recente passado, ajudou a assassinar muita gente para ter suas regalias e o crescimento de seus “negocin” a ditadura. Marinhos e civitas pulando de alegria em seus caixões, enquanto seus seguidores estarão fumando charutos cubanos regados a scotch.

Na realidade, quem tem que lutar para que não deixem que se coloquem os antolhos, somos nós, os mais de cem milhões de brasileiros que vão votar mais à frente. Porque, se depender deles, a mídia e seus representados, só nos restarão os bolsonaros, malafaias e outros elementos que desconhecem o verdadeiro valor da palavra DEMOCRACIA.

Que a Polícia Federal continue a fazer seu trabalho com a tranquilidade que nunca teve. Que o Judiciário lembre que o Brasil é bem maior do que o mundo privilegiado em que vivem. Que o PT pare de compor com a classe dominante, pois para eles somos inimigos e, como inimigos tentarão sempre nos destruir, nunca conciliar. Continuar compondo após doze anos de governo, é entregar para o bandido a próxima eleição.
Te abraço.

Sérgio Mesquita

domingo, 23 de novembro de 2014

QUEM NÃO SE COMUNICA...

Ao longo de nossa história, como seres pensantes, desde o tempo das cavernas que a comunicação é importante e, se não dita nossos rumos, nos dá uma ideia do que esperar. A comunicação foi importante em todas as lutas da raça humana, em especial naquelas que se colocavam e se colocam contra as injustiças. Simón Bolívar levava, junto com suas tropas, uma “prensa”; Solano Lopes, o “ditador” paraguaio massacrado pela Tríplice Aliança, que na realidade era quádrupla (Brasil, Uruguai e Argentina – sob comando da Inglaterra), editava jornal  nos campos de batalha com charges sobre os soldados brasileiros, escravos em busca da alforria.
Durante toda a nossa história, existiu informação e contrainformação. E no final, valia a história dos heróis vencedores contra a covardia da malta dos vencidos. O problema é que a situação não mudou. Desde os idos tempos até os dias de hoje. Normalmente quem detém o território físico, detém a informação. Foi-se o tempo em que a religião era a detentora, depois os reis. Com a chegada da burguesia, ela passou a dominar as terras e as comunicações. O Deus continuou inatingível fisicamente, mas desceu do Céu para a Terra. Hoje, quem domina as comunicações é o tal deus mercado.
Como já disse anteriormente, a “luta continua” e a informação é hoje a arma mais importante, mais que a própria bomba. Quem determina qual guerra lutar e onde, é a tal da comunicação afinada com o deus mercado. Quem a detém, sem sujar as mãos de sangue – no máximo suja de tinta – é quem realmente toma as decisões. Não é mais a política de Estado, pois quem define quais serão os políticos do Estado, são os donos dos meios de comunicação através da “prevalência” dos seus interesses pessoais e dos grupos ou corporações dos quais fazem parte ou representam.
Hoje no Brasil, vivenciamos na carne esse poder. A eleição presidencial, que estava definida em primeiro turno, foi para o segundo, e a vitória do PT veio apertada, quase deu Aécio. Mas mesmo ele é produto dessa mídia e engana-se quem lê e acredita ser ele um novo líder. Bastaram menos de um mês e ninguém mais sabe dele. Continuam as faltas no Senado e faltam suas explicações quanto ao aparecimento de seu nome e do PSDB na operação “Lava a Jato”. A verdade nua e crua é que a mídia conseguiu levar a eleição para o segundo turno e quase a venceu. No final, valeu a força de uma velha militância, já cansada e sem entender com clareza o que está acontecendo internamente.
Inspirado no ditado, ”para os amigos, tudo; para os inimigos, a Lei”, podemos dizer que hoje, para os amigos, tudo; para os inimigos, as mentiras, as manipulações, e não a Lei. Basta vermos as manipulações no julgamento da AP 470 e o que acontece hoje na “Lava a Jato”.
Encerro aqui com uma simples pergunta aos nossos camaradas do “establishment”. Quando iremos reagir a essa situação? Quando vamos nos organizar para combater esse poder? Por que não investimos na Lei das Mídias? Vamos ou não regulamentar essa pouca-vergonha que é a comunicação brasileira nas mãos de poucos? Há anos, durante um treinamento sobre imprensa sindical, ouvi do Vito Giannotti no começo dos anos 90: se a CUT organizasse a imprensa sindical, seus sindicatos filiados, nossa tiragem seria muitas vezes maior que toda a tiragem privada. Copiando o Vito, se o PT se organizar sua comunicação será bem maior e mais eficiente. Para dentro e para fora principalmente, pois não nos basta falar para nós mesmos. O que nos falta? Perder a próxima eleição para acordar?

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Teoria de conspiração ou mais um crime de corrupção

Assistindo recentemente ao filme de animação brasileiro “Uma História de Amor e Fúria”, lembrei-me da fala de um garoto de Maricá, de 18 anos, já um monstro em sabedoria, Bernardo Farias, filho do professor de história e filosofia, e amigo, Marcos De Dios.
Antes um porquê da citação da animação. Trata-se de um filme que narra vários casos de amor ao longo da história do Brasil. Desde o descobrimento até um futuro próximo que me inspirou o texto. A história acontece em um Rio de Janeiro com prédios de centenas de andares, Trens suspensos em vários níveis e naves de transportes como nos desenhos dos Jetsons. O que chamou a atenção foi o problema da água. O personagem principal, que está presente em todas as histórias de amor e fúria, comenta que meio copo de água custa mais caro que uma garrafa de whisky. Uma observação, os enredos das várias histórias temporais da animação passa pela luta contra a injustiça. Daí a questão da corrupção fazer parte do título do texto.
Lendo nas mídias alternativas as notícias sobre a operação “Lava a Jato”, da polícia Federal, e a recente e esperada prisão, pela primeira vez, dos corruptores envolvidos com negócios públicos, com o dinheiro público, também senti aquela leve sensação de alívio. Claro, sem deixar de atentar para a prática da nossa “democrática” mídia e da nossa direita que deseja mais um golpe contra a democracia. Como já fizeram em 54, 64 e outras datas, quando deturpam e criam notícias de acordo com seus interesses.
O que um garoto de dezoito anos falou para seu pai: “Não perceberam o que está por trás das prisões dos empresários? Trata-se de luta entre segmentos da classe dominante”. E explicou o por quê. O que tento traduzir a seguir.
As empreiteiras brasileiras, a exemplo da Petrobras, estão se ramificando, realizando negócios para além das fronteiras brasileiras. Estão ganhando mercado internacional em consequência direta da política externa do governo do PT. A Petrobras hoje é a quarta empresa em tamanho no mundo e uma das que mais investem em pesquisa. Nossas empreiteiras estão com obras espalhadas pela América Latina e África. Ganhando cada vez mais mercado. E isso incomoda as empresas estrangeiras, os governos das metrópoles e a nossa direita, que deseja a volta do Brasil Colônia e seus status de senhores feudais. Senhores aqui e vassalos das metrópoles. Desejam a volta do Brasil como exportador de matéria prima.
  • A partir daí, vamos à teoria da conspiração:
  • A água, em breve, será mais valiosa do que o petróleo ou qualquer outra coisa;
  •  As enormes reservas do pré-sal em nossas águas territoriais;
  •  A Amazônia como a maior reserva de água;
  • A suspeita queda do avião do Eduardo Campos – caixa preta não grava nada;
  • Jornalista americano denuncia a CIA como envolvida na queda do avião do Eduardo Campos;
  • Os presidentes do Uruguai e Venezuela denunciam documentos que colocam a Marina como projeto dos EUA para a presidência do Brasil;
  • O Brasil investe, na medida do possível, na indústria bélica para defesa do pré-sal e da Amazônia (para piorar... os caças comprados não foram americanos);
  • Os diretores das empresas denunciadas na operação Lava Jato foram presos;
  • Os diretores das empresas estrangeiras envolvidas no “trensalão paulista”, que confessaram o esquema com o PSDB, estão soltos e não são incomodados, bem como os dirigentes do PSDB.

Deixo claro que os diretores presos merecem a prisão, e só foram presos por conta da mudança política pela qual o Brasil passou com Lula e Dilma. Se nada tivesse mudado, o governo fosse do PSDB, só Deus, coitado, é quem saberia.
Mas como, historicamente, o Brasil sempre sofreu influência maldita das metrópoles, primeiro Inglaterra e depois os EUA, que além de financiarem políticos aqui, planejaram e executaram o golpe civil militar de 64, nada é impossível na lógica capitalista. Por que o que interessa para eles é que voltemos a ser colônia.
Agora, durmam com esse barulho.

Sérgio Mesquita