terça-feira, 25 de novembro de 2014

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”

Inicio pedindo licença ao velho e bom escritor, hoje falecido, José Saramago, para tomar emprestado o título de um dos seus livros. Utilizo-me da “cegueira” e não da “lucidez”, outro de seus livros, apesar do assunto ser a Política, tão bem tratada na “lucidez”. Explico.

A cegueira de que tratamos é consequência da “sanha” com que nossa mídia, nossa “democrática” mídia, vem tratando a política nacional na busca de satisfazer seus interesses e os interesses daqueles que ela representa. Seu objetivo é uno e seu foco é doentio. Doente a ponto de perder qualquer vestígio de ética ou reparar no entorno, nas consequências que poderão advir de seus atos, compartilhados por uma direita igualmente cega.

Doze raivosos anos para desconstruir o PT – que tem ajudado – no intuito de, além do poder, voltar a ter o controle da máquina estatal. Nem que, para isso, precisem destruir as instituições que definem o Estado Democrático, desqualificando os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, como também investem no desacreditar da política, mola mestra de qualquer sociedade que tenha a intenção de se considerar civilizada. Pensam eles nas possíveis consequências de seus atos ou não conseguem mais tirar os “antolhos”, já enraizados em seus corações e mentes?

Investiram pesados na operação “Lava Jato”. Manipularam, inventaram e agora, que ficou claro para todo, que mesmo antes do golpe civil militar a corrupção já existia, cresceu exponencialmente durante aquele período ditatorial e, hoje, continua firme e forte, não sabem mais como parar o que iniciaram. Não sabem como abafar dos escândalos, cada vez mais escabrosos, o nome do Aécio e dos membros do PSDB e PMDB. Acreditavam que ficariam somente no PT. Mas não interessa! O objetivo supremo é tirar o PT de Brasília e os antolhos não permitem ver outra coisa.

Relatórios apontam o número de até 250 parlamentares envolvidos de alguma forma no escândalo. Seja recebendo propina ou tendo a campanha “ajudada” pelas empresas envolvidas. Tentam colar os nomes de Lula e Dilma, tentam um golpe sem armas, apoiados nos favores de um Judiciário também comprometido, por conta de alguns de seus membros.

O que a cegueira não os deixa ver é que no “frigir dos ovos”, podem não sobrar candidatos e/ou partidos. Pode não existir mais a Política. Civilização sem Política é barbárie, é o caos. E nesses momentos é que se fabricam os salvadores da pátria.

Não irão apoiar o que sobrar da extrema esquerda e só sobrarão aqueles da outra extremidade, a direita reacionária. Apoiarão os bolsonaros da vida na próxima eleição. Pois serão eles que cairão no colo de uma mídia que, em recente passado, ajudou a assassinar muita gente para ter suas regalias e o crescimento de seus “negocin” a ditadura. Marinhos e civitas pulando de alegria em seus caixões, enquanto seus seguidores estarão fumando charutos cubanos regados a scotch.

Na realidade, quem tem que lutar para que não deixem que se coloquem os antolhos, somos nós, os mais de cem milhões de brasileiros que vão votar mais à frente. Porque, se depender deles, a mídia e seus representados, só nos restarão os bolsonaros, malafaias e outros elementos que desconhecem o verdadeiro valor da palavra DEMOCRACIA.

Que a Polícia Federal continue a fazer seu trabalho com a tranquilidade que nunca teve. Que o Judiciário lembre que o Brasil é bem maior do que o mundo privilegiado em que vivem. Que o PT pare de compor com a classe dominante, pois para eles somos inimigos e, como inimigos tentarão sempre nos destruir, nunca conciliar. Continuar compondo após doze anos de governo, é entregar para o bandido a próxima eleição.
Te abraço.

Sérgio Mesquita

domingo, 23 de novembro de 2014

QUEM NÃO SE COMUNICA...

Ao longo de nossa história, como seres pensantes, desde o tempo das cavernas que a comunicação é importante e, se não dita nossos rumos, nos dá uma ideia do que esperar. A comunicação foi importante em todas as lutas da raça humana, em especial naquelas que se colocavam e se colocam contra as injustiças. Simón Bolívar levava, junto com suas tropas, uma “prensa”; Solano Lopes, o “ditador” paraguaio massacrado pela Tríplice Aliança, que na realidade era quádrupla (Brasil, Uruguai e Argentina – sob comando da Inglaterra), editava jornal  nos campos de batalha com charges sobre os soldados brasileiros, escravos em busca da alforria.
Durante toda a nossa história, existiu informação e contrainformação. E no final, valia a história dos heróis vencedores contra a covardia da malta dos vencidos. O problema é que a situação não mudou. Desde os idos tempos até os dias de hoje. Normalmente quem detém o território físico, detém a informação. Foi-se o tempo em que a religião era a detentora, depois os reis. Com a chegada da burguesia, ela passou a dominar as terras e as comunicações. O Deus continuou inatingível fisicamente, mas desceu do Céu para a Terra. Hoje, quem domina as comunicações é o tal deus mercado.
Como já disse anteriormente, a “luta continua” e a informação é hoje a arma mais importante, mais que a própria bomba. Quem determina qual guerra lutar e onde, é a tal da comunicação afinada com o deus mercado. Quem a detém, sem sujar as mãos de sangue – no máximo suja de tinta – é quem realmente toma as decisões. Não é mais a política de Estado, pois quem define quais serão os políticos do Estado, são os donos dos meios de comunicação através da “prevalência” dos seus interesses pessoais e dos grupos ou corporações dos quais fazem parte ou representam.
Hoje no Brasil, vivenciamos na carne esse poder. A eleição presidencial, que estava definida em primeiro turno, foi para o segundo, e a vitória do PT veio apertada, quase deu Aécio. Mas mesmo ele é produto dessa mídia e engana-se quem lê e acredita ser ele um novo líder. Bastaram menos de um mês e ninguém mais sabe dele. Continuam as faltas no Senado e faltam suas explicações quanto ao aparecimento de seu nome e do PSDB na operação “Lava a Jato”. A verdade nua e crua é que a mídia conseguiu levar a eleição para o segundo turno e quase a venceu. No final, valeu a força de uma velha militância, já cansada e sem entender com clareza o que está acontecendo internamente.
Inspirado no ditado, ”para os amigos, tudo; para os inimigos, a Lei”, podemos dizer que hoje, para os amigos, tudo; para os inimigos, as mentiras, as manipulações, e não a Lei. Basta vermos as manipulações no julgamento da AP 470 e o que acontece hoje na “Lava a Jato”.
Encerro aqui com uma simples pergunta aos nossos camaradas do “establishment”. Quando iremos reagir a essa situação? Quando vamos nos organizar para combater esse poder? Por que não investimos na Lei das Mídias? Vamos ou não regulamentar essa pouca-vergonha que é a comunicação brasileira nas mãos de poucos? Há anos, durante um treinamento sobre imprensa sindical, ouvi do Vito Giannotti no começo dos anos 90: se a CUT organizasse a imprensa sindical, seus sindicatos filiados, nossa tiragem seria muitas vezes maior que toda a tiragem privada. Copiando o Vito, se o PT se organizar sua comunicação será bem maior e mais eficiente. Para dentro e para fora principalmente, pois não nos basta falar para nós mesmos. O que nos falta? Perder a próxima eleição para acordar?

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Teoria de conspiração ou mais um crime de corrupção

Assistindo recentemente ao filme de animação brasileiro “Uma História de Amor e Fúria”, lembrei-me da fala de um garoto de Maricá, de 18 anos, já um monstro em sabedoria, Bernardo Farias, filho do professor de história e filosofia, e amigo, Marcos De Dios.
Antes um porquê da citação da animação. Trata-se de um filme que narra vários casos de amor ao longo da história do Brasil. Desde o descobrimento até um futuro próximo que me inspirou o texto. A história acontece em um Rio de Janeiro com prédios de centenas de andares, Trens suspensos em vários níveis e naves de transportes como nos desenhos dos Jetsons. O que chamou a atenção foi o problema da água. O personagem principal, que está presente em todas as histórias de amor e fúria, comenta que meio copo de água custa mais caro que uma garrafa de whisky. Uma observação, os enredos das várias histórias temporais da animação passa pela luta contra a injustiça. Daí a questão da corrupção fazer parte do título do texto.
Lendo nas mídias alternativas as notícias sobre a operação “Lava a Jato”, da polícia Federal, e a recente e esperada prisão, pela primeira vez, dos corruptores envolvidos com negócios públicos, com o dinheiro público, também senti aquela leve sensação de alívio. Claro, sem deixar de atentar para a prática da nossa “democrática” mídia e da nossa direita que deseja mais um golpe contra a democracia. Como já fizeram em 54, 64 e outras datas, quando deturpam e criam notícias de acordo com seus interesses.
O que um garoto de dezoito anos falou para seu pai: “Não perceberam o que está por trás das prisões dos empresários? Trata-se de luta entre segmentos da classe dominante”. E explicou o por quê. O que tento traduzir a seguir.
As empreiteiras brasileiras, a exemplo da Petrobras, estão se ramificando, realizando negócios para além das fronteiras brasileiras. Estão ganhando mercado internacional em consequência direta da política externa do governo do PT. A Petrobras hoje é a quarta empresa em tamanho no mundo e uma das que mais investem em pesquisa. Nossas empreiteiras estão com obras espalhadas pela América Latina e África. Ganhando cada vez mais mercado. E isso incomoda as empresas estrangeiras, os governos das metrópoles e a nossa direita, que deseja a volta do Brasil Colônia e seus status de senhores feudais. Senhores aqui e vassalos das metrópoles. Desejam a volta do Brasil como exportador de matéria prima.
  • A partir daí, vamos à teoria da conspiração:
  • A água, em breve, será mais valiosa do que o petróleo ou qualquer outra coisa;
  •  As enormes reservas do pré-sal em nossas águas territoriais;
  •  A Amazônia como a maior reserva de água;
  • A suspeita queda do avião do Eduardo Campos – caixa preta não grava nada;
  • Jornalista americano denuncia a CIA como envolvida na queda do avião do Eduardo Campos;
  • Os presidentes do Uruguai e Venezuela denunciam documentos que colocam a Marina como projeto dos EUA para a presidência do Brasil;
  • O Brasil investe, na medida do possível, na indústria bélica para defesa do pré-sal e da Amazônia (para piorar... os caças comprados não foram americanos);
  • Os diretores das empresas denunciadas na operação Lava Jato foram presos;
  • Os diretores das empresas estrangeiras envolvidas no “trensalão paulista”, que confessaram o esquema com o PSDB, estão soltos e não são incomodados, bem como os dirigentes do PSDB.

Deixo claro que os diretores presos merecem a prisão, e só foram presos por conta da mudança política pela qual o Brasil passou com Lula e Dilma. Se nada tivesse mudado, o governo fosse do PSDB, só Deus, coitado, é quem saberia.
Mas como, historicamente, o Brasil sempre sofreu influência maldita das metrópoles, primeiro Inglaterra e depois os EUA, que além de financiarem políticos aqui, planejaram e executaram o golpe civil militar de 64, nada é impossível na lógica capitalista. Por que o que interessa para eles é que voltemos a ser colônia.
Agora, durmam com esse barulho.

Sérgio Mesquita

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Assassinato em Iguala

Uma barbárie que não teve a devida repercussão na mídia ocidental. Quarenta e três estudantes assassinados por ordem do Prefeito e sua mulher na cidade de Iguala, no México.
O que fazer agora? Devem estar se perguntando as autoridades mexicanas e o mundo capitalista. Como reagir ou tentar retomar a vida, quando países ocidentais começam a incluir em seus PIBs, a receita advinda das drogas e da prostituição? Assim procedeu a Itália, e estuda seguir o exemplo, a Inglaterra, entre outros. O que fazer com a população mais carente, quando o Estado assume esse papel? A legalização às avessas.
Como reagir no México, país mais que exaltado por FHC e os seus como um dos exemplos a serem seguidos, se hoje ele apresenta todos os seus índices sociais abaixo da marca de há 20 anos? País que assinou o NAFTA, a ALCA e mais de trinta acordos bilaterais, chegar ao ponto em que chegou! O que fazer, quando os cartéis das drogas se apossam da Polícia, Justiça e do Parlamento? Como chegamos a esse ponto?
Chico Alencar, há muito tempo, falou sobre a guerra das drogas no Rio. Recusava a denominação dada pela mídia de guerra civil. Dizia ele que era uma guerra por mercado, uma guerra capitalista. Loucura? Claro que não. Primeiro a Inglaterra, quando, ainda Império, as drogas foram de suma importância para sua dominação na China. Os EUA as usou para “alimentar” seus soldados no Vietnã, e depois para financiar as guerrilhas de direita na América Latina, África e outros recantos. No Brasil, é ou será diferente?
A milícia, o tráfego e os comandos controlam áreas e decidem, após acordo, quais candidatos podem ou não fazer campanha eleitoral ali. E depois de eleitos? Serão cobrados na hora de votar em projetos de segurança ou de combate ao tráfego?
Já foi notícia que o crime organizado investe na formação de advogados, juízes e policiais. Quais as contramedidas por parte do Estado? Vamos esperar o que aconteceu no México? Pior. E depois que acontecer? Manda os tanques? Joga-se napalm? Qual será o resultado para além do surgimento de um novo “Beira Mar”, um novo comandante? E povo da “favela”? Baixa de guerra?
Aumento da repressão apenas, não resolveu e não resolverá. Baixar a maioridade e prender menores, não deu resultado onde foi aplicada. A Alemanha voltou atrás em sua Lei. E agora? O que fazer se chegamos aonde chegamos?
Agora mais do que nunca, lembrando uma propaganda da FIAT, “está na hora de rever seus conceitos”. Para tal, que elejamos um Congresso Constituinte e reformemos a Política, a Justiça, a Polícia e regulamentemos a mídia. Caso contrário, entraremos em guerra, e nosso inimigo comum, receberá apoio das “forças democráticas” ocidentais, como recebeu a Ucrânia, e nos tornearemos oficialmente fascistas. Já existem alguns brasileiros que, segundo Leonardo Boff, não moram no Brasil, moram no Leblon, Ipanema, Jardins e outros, e desejam essa ajuda ardentemente, quase que “trincados”.

Sérgio Mesquita

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Política Econômica na visão de quem não entende “xongas” de economia.

Pois é. Não entendo nada de economia. Leio um livro aqui, um blog lá e assim vai. Nada específico sobre economia, mas, dependendo do assunto, a economia é tratada com maior ou menor profundidade. Exceto no livro do David Harvey, “O enigma do capital – e as crises do capitalismo”, que estou lendo.
Porém, aprendi na vida, nas andanças políticas e outras, que existem posicionamentos e maneiras diferentes de se enxergar o crescimento ou não de um país. De afirmarmos se um país cresce ou não, dentro de um sistema capitalista, pois vivemos em um apesar da nossa mídia insistir em nos comparar a Cuba.
Assistindo hoje – tentando voltar a assistir aos jornais e programas televisivos que tratam do país e do mundo – o programa Painel da Globo News, onde Belluzzo e mais dois economistas debatiam o Brasil. Optei por desistir de continuar assistindo e fui escrever este texto. Aceito que tenho que ser mais aberto em relação a isso, mas dá enjoo. Parece que a eleição ainda não acabou e continuam as manipulações.
Assistia aos economistas defensores das “planilhas” com seus números e índices azuis contra os que utilizam a planilha como meio para um comentário analítico e não sintético. Que examinam a planilha para além dos números, atentos ao mundo em volta.
O assunto era a credibilidade do Brasil, e Belluzzo demonstrava que a credibilidade não é uma coisa que tem fórmula. O ter ou não ter depende de pontos de vistas. Como exemplo ele cita a recente eleição americana. Pequeno parênteses quanto à eleição americana. Foram mais de 100 plebiscitos realizados junto com as escolhas dos deputados. Fim do parênteses. O Partido Republicano (direita e oposição a Obama) ganhou de lavada do Partido Democrático e, no plebiscito que tratava do aumento do salário mínimo, ganhou a proposta do aumento. Os Republicanos são visceralmente contra o aumento e, a população que votou neles, também votou no aumento. O que isso significa? Como nossa mídia insiste em dizer que a crise acabou lá fora e os Estados Unidos estão em franco crescimento, por que dar “uma no cravo e outra na ferradura”? Beluzzo explicava, a população não vê e não sente esse crescimento. Acabam por desconfiar do Obama. Ela entende que só melhorariam de vida se o salário mínimo aumentar, pois, para eles, os números azuis na planilha não mudaram suas vidas.
Nesse ponto, o apresentador interrompe Beluzzo e diz que ele está depondo contra a Dilma, pois a Dilma não tem credibilidade, o Brasil não tem credibilidade. Foi quando desisti de continuar assistindo ao programa. Chegam às raias do absurdo quando precisam impor o pensamento de seus patrões, da classe dominante. Interrompem e tentam quebrar o raciocínio dos entrevistados. Com minha humilde inteligência, percebi o que o Belluzzo iria falar quando interrompido. A nossa mídia diz que o país está em crise, a economia a ponto de explodir e a maioria do povo vota na continuidade do projeto. Votam em Dilma. Porque sentem no seu dia a dia que a vida melhorou. Diferente dos EUA e da Europa, que continuam em crise. Aliás, a mídia deles afirma que a crise é pior do que a de 1929. Para nossa mídia, a crise acabou e todos crescem, à exceção do Brasil.
Os que enxergam somente números, falam que a arrecadação fiscal caiu. Verdade. Política de desoneração para se baixar custos, gerar empregos e incentivar a produção. A dívida pública aumentou. Verdade. Nunca se investiu tanto em infraestrutura quanto nesses últimos anos, gerando empregos e aquecimento do mercado interno. A Petrobras é a quarta empresa em investimentos no mundo. E para desespero deles, o governo mantem no Orçamento Federal as verbas para a manutenção de projetos como o Bolsa Família, Pronatec, FIES e outros.
Nos tempo dos economistas de Harvard, antes eram os Chicago Boys, a Planilha não teria nada disso. O país estaria em crescimento, pois não haveria déficit fiscal nem aumento da dívida interna. Pois não haveria emprego nem obras. Ouviríamos de novo que deveríamos apertar o cinto e dar nossa cota de sofrimento para que o país crescesse. Utilizando-se de termo um pouco mais antigo seria... “crescer o bolo para depois dividi-lo”. Alguém, em algum momento provou um pedacinho desse bolo?
Apesar de nossa democrática mídia dizer que o país não tem credibilidade, o índice do Risco Brasil na época de FHC era superior aos 2000 pontos. Hoje, está abaixo dos 200. Conclusão: vou continuar a frequentar os blogs e a mídia alternativa. Será melhor para a minha saúde mental.
Obs: Óbvio que essa política só foi possível por que tínhamos gerado reservas de capital para isso, ao longo dos governos do PT. Também é óbvio que um dia ela acaba. Se a crise continuar, teremos que pensar em outras soluções que, como a atual, entenderam que o melhor do Brasil, são os brasileiros.

Sérgio Mesquita

domingo, 2 de novembro de 2014

O espanto da morte.

“A verdade é que a única coisa que me espanta são os humanos”.
É com esta frase que a morte termina de narrar sua história no livro “A menina que roubava livros”: espantada com os humanos. Como coloca durante sua narrativa, serviu a vilões, viu coisas ruins e coisas belas, mas resume toda a sua experiência, seu “viver”, em um único sentimento, o espanto com os humanos.
Escrevo isto agora porque, apesar de ter lido o livro há algum tempo, só vi o filme hoje. E apesar da máxima, verdadeira, de que o filme nunca é igual ao livro, não sei. O fato é que o filme me tocou e fiquei meio que emocionado ao final, ao ouvir a morte encerrando sua narrativa. Quem me conhece sabe o que quero dizer, olhos um tanto quanto marejados.
O fato primeiro é que adoro livros e o livro é quase o personagem principal da história, onde, como dizem, podemos viajar sem nos locomover. No caso da história, não só ajudava a menina a sobreviver ante o caos, como também a ajudou a crescer para entender ou tentar entender o mesmo. Coisas que a literatura faz sem que percebamos.
O ponto, porém, não é o livro e sua magia. O ponto é o espantar que podemos causar à própria morte através de nossos atos. Este foi o motivo que me levou a escrever este texto.  A capacidade irracional que, nós racionais, temos de nos ferir e ferir o entorno por onde passamos.
Talvez, esta capacidade de espantarmos a própria morte é que nos leva a presenciar o que estamos presenciando nestes momentos pré e pós-eleitoral. Como do nada, são colocados para fora nossos preconceitos, raivas e desprezo para com o próximo. Nossa irracionalidade à frente do racional, como bem aconteceu durante a II Guerra, palco da história.

Até quando vamos sobreviver a nós mesmos? Não sei! Mas assumo como meu papel neste mundo procurar sempre pelo bem estar do próximo, seu crescimento e cidadania. Não vejo outra maneira de tirarmos da morte seu espanto. E quando ela chegar para nós, e todos estarão em seus braços um dia, que venha sem espanto, quase com pena de executar seu trabalho.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Quando a preocupação é para com os pequenos

Todos conhecemos como é bela a vista do alto da Serra do Camburi. Quem ainda não conhece, deve visitar a rampa de parapente e saborear a deliciosa comida da dona Neusa, feita no fogão a lenha. Mas a serra não tem só sua beleza paradisíaca não. Tem suas fábricas de farinha, alguns moradores e a Escola Municipal Rodrigo Monteiro. Sim, no alto da serra, ao lado da fábrica de farinha de seu Simião, encontra-se a E.M. Rodrigo Monteiro com professora, merendeira, merenda, servente e o enorme número de quatro estudantes. Sim, toda uma escola para atender quatro filhos de moradores do local (ano passado formaram-se doze).
Por isso o título do texto. Toda uma estrutura montada para que seus beneficiários não tivessem que viajar diariamente até a escola mais próxima, subindo e descendo uma serra ainda de acesso difícil. Era assim até o ano de 2010. Sua professora/diretora, dona Clarivaldina, passa a semana ocupando um lugarzinho na casa da Marlene, a merendeira da escola e moradora do local. É assim que as crianças do lugar recebem seus livros, uniforme e passam o dia na escola, muito bem equipada por sinal e com aquele jeitinho do sítio da vovó.
Foi com esse clima que os intrépidos trabalhadores da Secretaria de Cultura subiram o morro em duas camionetes 4X4, cedidas pela Defesa Civil e pela Secretaria de Educação. Fomos contar história para um dos melhores públicos por que passamos. Violoncelo, flauta, saxofone, cajon e violão acompanharam Perseu e seus personagens maravilhosos. Personagens estes, construídos a partir de sua interpretação e expressões faciais. Com uma simples troca de chapéu, transformava o Coronel no Boi Barroso ou na esposa Cantilina do capataz Chico. Um Romeu e Julieta de final feliz dividiu a atenção com a história do Boi Barroso. Uma festa para a criançada que, inicialmente desconfiadas, passaram aos sorrisos soltos e sinceros. Após a apresentação, fomos brindados com um belo almoço, reforçado com os alimentos produzidos na própria Serra. De novo o clima do sítio da vovó toma conta de nossos corações.
Ao começarmos a descer a serra, a certeza de um dever cumprido à altura dos esforços da Secretaria de Educação e da Prefeitura de Maricá, que traduzem na prática a opção pelo crescimento humano aliado ao crescimento econômico.
Violão – Ronaldo Valentim
Violoncelo – Pedro Szygethy
Cajon – Paulo Ernani
Saxofone e Flauta – Gustavo Gibi
Perseu – Contador de História

sábado, 25 de outubro de 2014

Ainda sem medo da Papuda ou... com cada vez mais raiva da Papuda.

Após lermos o excelente texto do Tarso Genro, atual governador do RS, ficamos inspirados e com a certeza de que nem tudo está perdido, apesar das aparências (http://www.viomundo.com.br/denuncias/tarso-genro-uma-explicacao-para-a-ofensiva-midiatica-da-turma-da-petrobrax.html).
A esquerda no país vem sofrendo ataques diários de uma classe que não admite perder o status de “dominante”. São massacres diários pela mídia, que já confessou ser a única oposição ao governo petista no Brasil, em consonância com uma estratégia de escala mundial, comandada por países como o EUA, Alemanha e Inglaterra e França. Estratégia esta que visa acabar com qualquer possibilidade de distribuição de renda ou soberanias nacionais. Tarso explica bem este ponto em seu texto. O nosso, quer discutir o comportamento das esquerdas no Brasil, que mais parecem cordeiros esperando pela hora do abate.
Calamo-nos durante quase todo processo da AP 470 (mentirão) e continuamos calados em relação às tentativas de destruição da Petrobras e de algumas personalidades não neoliberais, da esquerda. O STF e a mídia estão fazendo o que querem e, salvo por algumas vozes dissonantes, assistimos intimidados as maiores baixarias e faltas de qualquer ética ou dignidade por parte deles.
É verdade que parte da culpa é nossa. A partir do momento em que o oportunismo toma conta da política, quando a governabilidade passa ser mais importante que as transformações tantas vezes exaltadas nos discursos, não se pode esperar tanto assim dos que estão à frente, encastelados em seus cargos. Podemos citar aqui Eduardo Galeano: “Hoje as torturas são chamadas de “procedimento legal”, a traição se chama “realismo”, o oportunismo se chama “pragmatismo”, o imperialismo se chama “globalização” e as vítimas do imperialismo se chamam “países em via de desenvolvimento”. O dicionário também foi assassinado pela organização criminosa do mundo. As palavras já não dizem o que dizem ou não sabemos o que dizem”.
Abrimos mão das campanhas calcadas na militância para priorizar o marketing, o parecer bom moço. A consequência não poderia ser outra para além de Lampedusa, “mudar para deixar tudo como está”.
Sabemos não ser a regra, mas se não “radicalizarmos” na discussão, como tentar entender o silencio da esquerda, seu bom comportamento frente às manipulações e mentiras tanto colocadas pela imprensa em apoio aos neoliberais e ao capital estrangeiro.
Estramos deixando companheiros serem rifados sem que ninguém saia em suas defesas, mesmo sabendo serem falsas e de interesse de uma classe que só pensa em aumentar seus lucros. Porque nos calamos?
O STF tira Hitler da tumba (apesar de não sabermos onde foi enterrado) para condenar José Dirceu sem provas, como admitiram não tê-las durante o julgamento. Já o Collor é absolvido devido as provas serem insuficientes. O julgamento da AP 470 não foi desmembrado, o julgamento do PSDB foi. São vários os exemplos que poderiam ser citados aqui. E a esquerda brasileira, o que fez para combater isso?
Esquecem eles que uma coisa não se pode negar, a direita é organizada e corporativa. Já nós esperamos o que? Herdarmos os cargos dos que forem sendo abatidos paulatinamente pela direita? Nunca permitirão.
Ainda não perceberam – o que é difícil de acreditar – que o processo em andamento é como as peças do dominó alinhadas, depois da queda de uma, inicia-se a queda da seguinte. Se omitir agora por que é de outro partido ou é seu desafeto que está sendo agredido, irá levar todos para o mesmo exílio, e quem perde é a população como um todo. Quando Freixo foi atacado pela Globo, Lindberg e o PT saíram em sua defesa, atentos ao que acontecia e acontece. Este talvez seja o único exemplo de solidariedade pela classe e pelos ideais de transformação.
Zé Dirceu, Genuíno, Cunha e outros foram linchados sem que ninguém se levantasse com horror, por conta do pano de fundo. Fomos tímidos e quase complacentes com a mídia e a direita. Quando muito, partimos para o embate do quem mais “rouba”. Nivelamos por baixo, mesmo sabendo que, nosso Caixa 2 na AP 470, confessado, foi com dinheiro privado conseguido através de empréstimos, que foi cobrado posteriormente pela Justiça mineira – apesar de Barbosa dizer serem fictícios. O do PSDB, que envolve FHC, Azeredo e mesmo o Gilmar Mendes, foi com dinheiro público, das empresas mineiras, da Saúde e outros órgãos públicos. Mesmo sabendo disso, ficamos caladinhos ou timidamente se manifestando. Há bravas e honrosas exceções, mas infelizmente poucas se comparadas com o tamanho da movimentação da direita reacionária.
Este quadro não mudando, perderá o Brasil, perderá a população mais necessitada e ganharão aqueles que sempre defenderam as torturas, os assassinatos e a concentração de renda. Se este quadro não mudar, o país será levado paulatinamente a um estado de caos, com a direita indo para a rua defender a violência e a derrubada “democrática” do governo, como já aconteceu em outros países. Como bem colocou Tarso: “A desmoralização de um ativo público da dimensão da Petrobras, os ataques ao seu “aparelhismo” político, a crítica aos gastos públicos excessivos (programas sociais, na verdade), os ataques às políticas do BNDES – de forma combinada com um permanente processo de identificação da corrupção com o Estado e com os Partidos em geral — fecham um quadro completo do cerco ao país: liquidem com a Petrobras e teremos o Estado brasileiro pela metade; acabem com os gastos sociais e teremos uma crise social mais profunda do que a das jornadas de junho; restrinjam o BNDES e o crescimento – que já é pífio — se reduzirá ainda mais; desmoralizem os partidos e a política e a técnica neoliberal substituirá o contencioso democrático”.
Como os militares estão aferrados às suas funções profissionais e constitucionais e não estão para aventuras, o golpismo pós-moderno vem se constituindo através da direita midiática. Esta, se bem sucedida no convencimento a que está devotada, encarregaria um novo Governo social-liberal da desmontagem do atual Estado Social “moderado”, obtido no Brasil num cenário mundial adverso.
O problema, para os que estão quietinhos, é que a direita ao reassumir o governo, não vai se contentar somente em nos tirar dos cargos, vai continuar trabalhando nosso massacre (de toda a esquerda), na busca da perpetuação de seu domínio e do governo. Não se iludam.

Sérgio Mesquita              PT – Secretário de Cultura de Maricá

Marcos de Dios                PT _ Assessor da Secretaria de Cultura de Maricá

Regulamentação da Mídia

Lixo jogado no prédio da Abril em São Paulo, é muito pouco para o que representa aquela revista para a democracia. Mas é esta mesma democracia que nos faz pensar que tá de bom tamanho a reação popular. Qualquer medida para além poderia nos trazer consequências ruins para todos. Com certeza as dependências da Abril fedem mais do que o lixo lá jogado. O nosso trabalho agora deverá ser, enquanto militantes, tirar o partido e o governo da falta de atitude quanto a Regulação da Mídia. Não dá para entender o porquê de se ficar FINANCIANDO estas empresas, através de publicidade oficial enquanto usam o nosso dinheiro para desvirtuar qualquer conceito de democracia e liberdade de imprensa. Já demos mostra como trabalhar contra estas forças, através do Marco Civil da Internet, lei que mesmo com os retrocessos que lá foram impostos, é a melhor Lei sobre o assunto no mundo. Devemos e podemos fazer o mesmo com a imprensa. Sabemos que vão trabalhar tão ou mais sujos do que estão fazendo agora, com destaque para o Barbosa  e o rasgar da Constituição, quando do julgamento da AP 470. Tiveram um gostinho de vitória e querem tornar isso prática em nossa Justiça.
Todos lembram as baixarias de nossa imprensa quando provocaram o suicídio de Getúlio em 54, quando mentiram para a população no apoio ao Golpe de 64, levando-nos há 21 anos de escuridão, assassinatos e roubos. Depois mentiram para que não acontecesse a campanha pelas Diretas Já. A Globo anunciou o comício de São Paulo como uma atividade pelo aniversário da cidade, como se no Brasil inteiro só tivessem idiotas assistindo ao seu Jornal Nacional. Depois veio a farsa da doença do Tancredo, a farsa das eleições de 89 com ápice na edição do último debate entre Collor e Lula, a farsa do FHC e hoje a farsa de Mensalão que nunca existiu, de um desvio de dinheiro público que nunca existiu, no caso do PT, mas existiu no caso Tucano.
Está na hora do enfrentamento de verdade. Não podemos continuar financiando estas empresas com o dinheiro público, para em troca recebermos mentiras e manipulações. A direita está desesperada. A América Latina está mostrando para o mundo que existe um outro modo de governar, diferente do que os de lá, das Europa e dos EUA querem nos impor. Estamos mostrando que, mesmo dentro do mundo capitalista, é possível melhorar as vidas das pessoas, com pequenas ações de distribuição de renda e investimentos públicos. Eles nem isso aceitam. Querem é o domínio do capital especulativo em detrimento da democracia, do desenvolvimento e do bem estar das pessoas. Capital especulativo só rima com repressão, fome e péssimos serviços.

Esta campanha foi a mais radical e suja que a direita nos impôs na busca de recuperar o governo, para juntar de novo em suas mãos, o poder e o governo. O governo será nosso e o poder continuará com eles, a serviço das baixarias, das mentiras, desvios e outros crimes. Para mudarmos isso, o primeiro passo é tornarmos nossa imprensa realmente livre e democrática e, somente Regulamentando é que conseguiremos isso.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Fraude nas urnas

Infelizmente tenho que concordar com as preocupações do Sérgio Amadeu (http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/10/sergio-amadeu-lisura-das-eleicoes-esta-nas-maos-de-empresas-privadas/). O que não é difícil, pela pessoa que é, mas sim pelos riscos que denuncia.
Lá trás, ainda antes da primeira eleição eletrônica, O Globo publicou carta minha, que discordava do posicionamento da imprensa e do governo. Lá, coloquei que o processo eleitoral americano, era melhor (o processo e não a convulsão que são suas eleições) pois a contagem era eletrônica e o voto existe fisicamente. Por lei, se a contagem ficasse menor que 5% (acho ser esse o número), as urnas eram abertas e o voto contado em espécie. O que em nosso processo, é impossível de acontecer.
Hoje a situação me é mais grave ainda. Pois como coloco que estamos vivendo um processo golpista sem armas, exacerbado a partir do julgamento da AP 470, onde Constituição foi rasgada pelo Barbosa, nossas urnas estão nas mãos de empresas privadas e não mais da Justiça Eleitoral. E como nossa iniciativa privada, com exceções, gosta de receber benesses e defende claramente um projeto distinto do atual governo, o que poderá acontecer?
Ainda antes das eleições, há alguns meses, começaram a aparecer na mídia notícias sobre a possibilidade de fraudes nas urnas. Após as eleições em primeiro turno e, principalmente após as eleições de São Paulo, as matérias começaram aparecer com um pouco mais de intensidade. Não ficaria surpreso se, após a vitória da Dilma, a mídia não começasse um trabalho “informativo” de que as urnas não são confiáveis e que as eleições estariam sobre suspeita e, apoiariam sua anulação – estão desesperados.
Teorias da conspiração a parte, acredito que a direita hoje, seria capaz de queimar o Alkmin em São Paulo, para em nome deum “bem maior” - a retirada do PT, anular as eleições. Até porque os paulistas não suportam a ideia do Aécio e apresentariam outro candidato, caso consigam impedir a posse da Dilma. Atenção!

Que o TSE retome o processo; que as urnas sejam modificadas e imprimam seu voto; que nós o depositemos em outra urna. No caso de dúvida, abra-se a urna específica, e que seja feita a contagem manual.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Texto baseado em matéria do L´Humanité

Como bem coloca o jornal francês L`Humanité, a direita brasileira é a pior que existe no mundo. Diferente das direitas reacionárias e retrógradas da Europa e EUA, a nossa é entreguista, subserviente e não gosta do povo. Basta uma rápida passagem pela nossa história para identificarmos que, nossas "conquistas" sempre aconteceram através de acordos, onde os senhores de sempre eram os beneficiados.
Nossa Independência, a República, os Golpes de 54 e 64, a abertura política, a eleição do Tancredo (leia-se Sarney) e a implantação do neoliberalismo, são alguns exemplos. Se passarmos nossa história em uma peneira, sobrará em sua tela os mesmos de sempre: nosso empresariado que só tem fome de lucro e nossa mídia serviu.
Se você não gosta do PT e de sua política para com o Brasil, é um direito seu. Mas na hora de votar, pensa no que poderá voltar a ser nosso país. Um país que voltará a dizer "sim senhor" em vários idiomas, em contrapartida do Brasil que hoje é respeitado e ouvido internacionalmente. Um país que, mesmo com a continuidade da crise mundial de 2008 (considerada a pior desde 1929), conseguiu manter seu crescimento positivo, baixar a taxa de desemprego a quase zero, sair do mapa da fome mundial e melhorar a Educação e a Saúde, apesar de todas as mentiras e tentativas de golpes contra a democracia, que tem no julgamento do mensalão com Barbosa, o seu ápice.
Votar em Dilma é votar em uma política que é foco de estudo e adaptação em outros países no mundo. Votar em Dilma é não voltar a depender do FMI e do beneplácito norte-americano.
Por isso voto em Dilma para presidente e no Rio, Lindiberg para governador, Fabiano Horta para Federal, 1303, e Zeidan para Estadual, 13103.

domingo, 27 de julho de 2014

Comentário inspirado a partir da matéria publicada em "http://tijolaco.com.br/blog/?p=19446"
Assim trabalha nossa mídia, Mas enganam-se os que pensam que estas atitudes são por conta das eleições somente. Também são por contas das eleições! Mas o buraco é muito mais em baixo, ou em cima, uma vez que as causas estão acima da Linha do Equador.
Se formos analisar o comportamento dos maiores e mais ricos meios de comunicação do mundo, verificaremos que a prática é mesma, acima ou abaixo da Linha. Nossa "democrática" mídia trabalha aliada a FOX, CNN e parte da BBC londrina, para não entrarmos de muito no continente europeu. Pois teríamos que citar a Espanha, França (com exceção do Le Monde), Alemanha e outros.
Na prática, a prática é a mesma...
Fabricam mentiras, deturpam verdades e nós... acreditamos no "ouro de Moscou", nas "armas químicas" do Iraque, na "invasão de Israel pela Palestina", "no avião que atingiu o Pentágono", apesar de não se encontrar nenhum destroço, no ataque Alemão aos nossos navios na II Guerra, no Collor, FHC e atualmente, como o Santander, em mensagens aos seus clientes VIP, informaram que se a Dilma ganhar o dólar subirá a estratosfera. O Lulometro do passado, virou Dilmometro.
Na realidade, o que não falam, é que o modelo capitalista selvagem se esgotou. E as tentativas de se dar sobrevida a ele também. Não existe mais o que fazer além de reinventar o que já tentaram. Até fascistas de volta no poder os EUA colocaram na Ucrânia. Bill Gates (Microsoft) e Soros (o mega especulador) são considerados comunistas pelos republicanos americanos, por defenderem para os EUA as políticas sociais brasileiras. Viche!!!
A bela Manuela, citada na matéria, se tivesse guardado um ano de salário no Congresso, teria muito mais dos que os 1200% apontados como escândalo pela filial Globo no Rio Grande do Sul. E perguntamos nós, comunistas e comedores de criancinhas: E os 500 Kg de cocaína que pousou nas terras do Aécio? Foi em seu aeroporto particular? Quem está respondendo pelo crime de tráfico? O Avião que foi atingido na Ucrânia, no mesmo dia que Israel atacou o restinho da Faixa de Gaza, foi coincidência ou estratégia para desviar a atenção, via mídia, de mais um crime contra a humanidade?
Republicanos americanos e seus lacaios sul-americanos não aceitam e não admitem, que povos até então pertencentes a seu quintal se "rebelem", e passem a olhar mais para suas populações e menos para os lucros irresponsáveis. Por isso não aceitam o sucesso das medidas sociais aplicadas aqui, hoje referencias mundial. São contra a distribuição de renda, mesmo que isso na prática de sobrevida ao sistema capitalista, só que um pouquinho menos desumano. A fome pelo lucro é maior do que a inteligência e, por conta dessa fome, se tiverem que apoiar o retorno de fascistas, ditaduras e assassinatos (com ou sem VANT), o farão. E a nossas mídias, daqui e de lá, se calam por que na realidade são vira-latas sim.

Adaptando a piadinha da matéria: a nossa mídia é como a minissaia, quanto mais escreve menos verdade aparece.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Uma análise de conjuntura acertada.


(Texto construído para o curso de Difusão Política-RJ da FPA)

Vou falar sobre Maricá e como foi traçada luta de mais de 20 anos até a chegada a Prefeitura e seu andamento hoje.

Desde tempos idos que se elegeu como o principal entrave, para o crescimento da cidade o monopólio da empresa de ônibus, Nsa. Sra. do Amparo. A empresa sempre teve na mão a política local. Independente do candidato que se elegesse, nada mudava para ela. Em segundo lugar, identificávamos o empresariado local que, por sua vez, também bebia nas águas da empresa de ônibus. 

Sempre nos colocamos, acertadamente, como a única força política – mesmo quando pequeninos – que poderia mudar esta história e colocar Maricá no mapa do Brasil. Decisão que nos custou muitos anos de luta e insistência na mesma tecla.

Em 2004 quase nos elegemos, em 2008 ganhamos e nos reelegemos agora em 2012. Foram vários os momentos ruins no primeiro mandato, a Prefeitura estava mais “pelada” que nossa Mata Atlântica. Dívidas para pagar, HDs “apagados” e muito mais. Assumimos literalmente a luz de vela o governo municipal. 

Mas mesmo com todos os problemas, a linha de atuação foi mantida, brigar pelo fim do monopólio do transporte e mudar e “elite” econômica da cidade. Ou seja, cortar o mal pela raiz. 

Mantida a linha, hoje, agora em maio, começam a rodar os primeiros ônibus da Empresa Municipal de Transporte Público, dotados de ar condicionado, Wi Fi, GPS, acessibilidade, circuito de TV e sistema de segurança, com transmissão “on line” para a central de controle. 

Em relação ao empresariado local, a Prefeitura investiu pesado – aproveitando a proximidade do COMPERJ – na “venda” do município para os empreendimentos afins com o complexo petrolífero. Inclusive participando Feiras de Negócios na Itália e França, o que redeu reuniões com os governos japonês e chinês para tratar da questão do transporte sobre trilho. 

Outras empresas de várias nacionalidades procuram o governo municipal para tratar de possíveis instalações em Maricá. Não só na área do Petróleo, mas também na área do turismo e lazer. 

Mas ao contrário do que acontece normalmente, as contrapartidas não são só por parte do governo, mas principalmente são cobradas pelo governo às empresas que aqui pretendem se instalar. Estas contrapartidas estão permitindo ao município, praticamente, ter pela primeira vez, coleta de esgoto, seu tratamento e futuro descarte no emissário submarino que também será construído.

Estes e muitos outros benefícios estão acontecendo, em consequência direta do que foi planejado há 20 anos pelo menos. 
O impacto da empresa municipal de transporte, que começará a rodar com passagens inferiores ao cobrado pelas privadas, mais a promessa de em quatro anos, a passagem ser gratuita, quebrou e muito o poder dos donos do monopólio (mas a luta continua acirrada). Somando-se aos ônibus, também estão planejados e em estado avançado de estudo, os transportes aquaviario e sobre trilhos.

Em relação à “elite” econômica, seu poder já quase não existe. As chegadas de novos empreendimentos e de lojas de varejos com nome no mercado estão fazendo com que muitos dos negociantes de Maricá passem a ver o governo com outros olhos e, aqueles mais contrários, estão ficando isolados, no limbo. 

Ainda temos muitos problemas e muito por fazer, mas o bom levantamento da conjuntura local, feita ainda no final da década de 80 e inicio da de 90 ajudou e muito na hora de decidir qual o rumo de nossa atuação no município. É claro que com o passar dos anos, houve mudanças nas estratégias, mas a linha central se manteve a mesma. O que nos deu força e credibilidade junto á população. 

Sofremos no poder o que todos sofrem. Mentiras e intrigas são criadas e/ou forjadas, mas nunca falaram que recebemos dinheiro da empresa de ônibus.

domingo, 6 de abril de 2014

Redução da idade penal

Discussão aças interessante esta da diminuição da idade penal para o menor no link: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/04/reducao-da-maioridade-penal-professora-rebate-senador-em-rede-nacional.html
Enquanto devemos à Educação e Saúde, os “cidadãos” que defenderam a ditadura, os assassinatos e torturas são os primeiros a quererem diminuir a idade penal. Por quê?
Em um evento “não muito interessante em um cemitério”, encontrei Vladimir Palmeira. Saudade “matada” iniciaram-se várias conversas e, em uma delas, Vladimir colocou que o país está envelhecendo, o número de jovens está diminuindo. Concordamos todos e, coloquei que apesar disso, falo para minha filha só pensar em filho quando estiver estabelecida profissionalmente – está na faculdade hoje. Vladimir rindo, me chamou de reacionário de direita, pois quem faz revolução são os jovens, velhos não vão para rua. Imediatamente lembrei-me de uma fala de meu sogro, hoje nos seus 80 e tal anos. Diz ele que sua geração se acovardou e ficou vendo a estudantada apanhando e morrendo na ditadura sem fazer nada.
Voltando ao texto da reportagem, quando a professora fala dos exames que alguns estados dos EUA fazem em menores para avaliar se possuem atitudes de adulto – ela discorda do método. Lembrei imediatamente do livro do Cid Benjamin, “Gracias a la Vida”, na parte que ele lembra o julgamento do César, seu irmão que também pegou em armas. Cesinha era menor de idade e não poderia ser julgado, muito menos por um Tribunal Militar, o que fazer? Chamaram um psiquiatra que atestou a idade mental de Cesinha como a de um homem de 35 anos. Cesinha foi julgado e condenado (já havia sido torturado).
Pergunto eu, não será essa luta pela diminuição da idade penal, mais uma manobra para que se mantenha o status quo da classe que ainda é dominante? As manifestações de junho do ano passado foram puxadas por jovens. Depois apropriada pelos fascistas e pelas mentiras das mídias. Mas foram os jovens que através da rede iniciaram o processo.
Aliás, isto me leva a outro assunto... o Marco Civil da Internet.

Assisti aos debates antes da aprovação e doía ver o “comunista” do Roberto Freire dizendo que teríamos uma internet “cubana” no Brasil. Ele só esqueceu que foi o Sarcosy na França e o Cameron na Inglaterra que defenderam a censura na rede, depois que tiveram que enfrentar manifestações. Esquece ele (esquece nada, ele sabe) que o Obama é que espiona as redes. Aliás a França e Alemanha estudam criar os datacenters europeus, para que os dados da Europa não passem mais pelos EUA. Já aqui, a desculpa para não fazermos o mesmo, era que iria encarecer o serviço para o usuário. Podemos conviver com a espionagem sem problema, principalmente se reduzirmos a idade penal para prender os jovens “terroristas” que se utilizam da Rede.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Fazer o obvio é buscar o Estado de Direito

De forma bem simplificada poderíamos dizer que política pode ser definida como o “como nos relacionamos com o entorno”. Tudo é política, até o fato de dizer-se não político. Mas como o ponto é a política na política, falemos sobre ela.
Relendo o bom e velho Maquiavel, entendo que ser político é simplesmente ser óbvio no trato das coisas e com as pessoas. Nosso problema é não entender que basta fazer o obvio. Mário Covas, aquele do PSDB, já dizia que as vezes, para se fazer a coisa certa, é preciso desagradar muita gente – sem entrar no mérito do que é certo para ele. Situação obvia, pois nunca agradaremos a todos. Daí os ensinamentos do Maquiavel, ser temido, mas justo.
Sempre falo que a maneira mais fácil de resolver qualquer situação, está na Ditadura. Basta a sua vontade e, quem não concordar vira carta fora do baralho. A democracia é difícil, dá trabalho, tem que engolir sapo, estar sorrindo e outras “coisitas”. Mas acredito ser a melhor maneira de se resolver e co-dirigir um governo, uma associação, etc. Um verdadeiro Estado de Direito, deve ser pautado na cooperação e no respeito entre os que estão no aparelho e os que mantêm este aparelho e/ou dependem dele.
Não podemos abrir mão da participação popular e devemos sempre provocar a mesma. A burocratização e o afastamento das bases, podem nos levar no máximo a sermos bons síndicos. Mas bons síndicos só administram bem o que já está estabelecido. Se nosso objetivo é transformar, devemos sempre trabalhar com um pé para além das fronteiras estabelecidas. Nosso dever é levar a fronteira para onde o pé está e, não manter o pé dentro da ordem. Manter o pé dentro é a mesma coisa de mudar para deixar como está.

Nosso governo hoje está sendo um ótimo síndico, mas acredito que a distribuição da renda deva ir além da distribuição pela distribuição. Corremos o risco de aumentar o voto da burguesia, uma vez que os que hoje estão ascendendo estão agradecidos, mas sonhando em fazer parte de uma classe superior e, para tal irão reproduzir o pensamento da mesma – tiro no pé. Por tanto, precisamos avançar para além da ordem estabelecida, vamos ganhar os corações como estamos fazendo, mas não podemos abrir mão das mentes. Como disse, democracia é difícil, mas sem ela nunca teremos um estado de “direito”, participativo.

domingo, 30 de março de 2014

Marco Civil da Internet... a discussão que não existiu

Marco Civil da Internet... a discussão que não existiu
Por ter trabalhado 30 anos na área de informática, em televisão (TVE-RJ, hoje TV Brasil) acompanhei de perto as discussões, falsa do lado da oposição raivosa e as respostas e os porquês da necessidade da aprovação do Marco.
O que não assisti, nem no Congresso, no dia da votação, foi o que para mim, salvo total equívoco meu, foi a exposição da real intenção da teles com fim da neutralidade; as intenções daqueles que defenderam as teles; e a torcida que a nossa “democrática” mídia, quietinha fazia pelo fim da neutralidade.
Acredito que a discussão do fim da neutralidade começa na fome por mais dinheiros das teles. Venderam o que tinham para vender, cobram o absurdo aqui no Brasil e, chegaram à encruzilhada: para manter o modelo atual, vão ter que investir mais na infraestrutura – está além da capacidade instalada. Para não precisar investir e aumentar os ganhos precisam do fim da neutralidade.
Acabando-se com neutralidade, iriam aumentar os preços dos pacotes, pois ali estaria embutida a prioridade de tráfego. Os mais ricos pagariam mais, sem reclamar e, teriam seus filmes, fotos e mensagens com mais “velocidade”. Os mais pobres ficariam restritos ao tráfego de textos. Com isso, sem gastar um centavo, arrecadariam mais. Fazendo um paralelo com o que acontece no Canal do Panamá: O navio de bananas, que não pagou pela prioridade de tráfego, só poderia atravessar o canal depois do navio de transporte de carros, que pagou. Sem o aumento  da capacidade do Canal, ganharam mais dinheiro. Exatamente a lógica das teles.
Já, políticos como Eduardo Cunha, possivelmente teria uma boa ajuda de custo em sua campanha. Ele e os que defenderam a “democracia” na Rede.
E nossa “democrática” mídia, que foi achincalhada recentemente, devido a exposição de suas mentiras, como aconteceu na questão das manifestações de junho/2013. Qual o interesse em manter as manchetes contra o Marco? Com o aumento dos custos dos serviços na “WEB”, as redes sociais teriam menos influência devido seu esvaziamento, Blogs e organizações como a MÍdia Ninja perderiam poder de penetração, o que reestabeleceria seu poder de influencia – não que o tivessem perdido – por ausência da contraposição.
A exemplo da AP 470, fomos tímidos e nos deixamos pautar pelo discurso “democrático” deles. Nenhum parlamentar levantou qualquer das questões acima. Pelo menos não os vi.
São vários os exemplos que poderíamos usar em contraposição: Freire, o ex-comunista, dizia que queríamos censurar a Internet. Transformá-la na Internet cubana ou do Irã. Ninguém ao defender o contrário, citou os exemplos dos governos inglês, francês e americano, que defenderam abertamente o controle da rede, em especial das redes sociais.
Quando se discutiu a questão dos datacenters no Brasil, ninguém falou que a Alemanha e a França, iniciaram discussão para criação dos datacenters da União Europeia, pois não querem mais seus dados passando pelos EUA.

É certo que nosso modelo de fazer política está esgotado, mas se não o querem mudar, que pelo menos não nos deixemos pautar por ele.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Neutralidade da Rede - Marco Civil da Internet

Vou tentar simplificar um pouco a questão da neutralidade da rede e tentar explicar àqueles que adoram reproduzir os discursos de nossa “democrática” mídia que vive da publicidade das teles e dos favores políticos. Por outro lado, nossas teles precisam de um mercado mais “livre” para ganhar mais. Então, junta-se as teles, os “comentaristas” de plantão de nossa mídia e a fome do PMDB e....pronto. O Marco Civil da Internet vira tentativa de censura do PT. Não acham estranho?
O Marco está muito além da neutralidade, mas porque a neutralidade é tão combatida? O bravo e valoroso Eduardo Cunha: “Não é que o projeto provoque prejuízo às Teles. O que está em jogo ai é que o projeto provoca uma necessidade de investimento maior para manter o nível de serviço igualitário, que acarretará, ao fim, no aumento do custo para o usuário”.
Mentira deslavada. O que está em jogo é a exclusão de uma parcela grande da população, com a melhora do serviço para aqueles 10% que concentram 90% da renda. Isto feito, as teles vão ganhar mais, sem precisar investir, nossos políticos não precisarão se preocupar tanto com as redes sociais e, nossa amada mídia, poderá mentir mais tranquilamente, sem medo das mídias alternativas da rede, que não terão dinheiro para se manter. Este é o viés político da manobra.
Ou seja... mudar para deixar tudo como está!
O que é a neutralidade.... By eu mesmo...rsrs
Minha vizinha maravilhosa tem uma conexão de 10MB. Eu, não tão maravilhoso e com menos dinheiro, tenho uma conexão de 2MB.
Ambos querem “baixar” o mesmo filme lá da China para nossos computadores. De acordo com a neutralidade que existe hoje – que querem acabar – nossos filmes chegarão juntos à portaria de nosso prédio. Como nossa conexão possuem velocidades diferentes (chamada de” última milha”), o filme chegará mais rápido no computador de minha maravilhosa vizinha. O meu irá demorar um pouco mais.
O que querem as teles... cobrar prioridades na rede. Ou seja... durante o percurso da China até nossa porta, por algum milagre, eu poder pagar por essa prioridade, meu filme chegará primeiro na portaria. Eu paguei mais caro tenho prioridade. Lembram do Eduardo Cunha... “(...)uma necessidade de investimento maior para manter o nível de serviço igualitário”(...). O termo “igualitário” dá urticária neles.
Qual a consequência do fim da neutralidade? Os 10% mais ricos, além de uma melhor “última milha”, terão toda a estrada a seu favor. A maioria dos 90% restantes não poderão desfrutar da estrada, pois não possuem “dindim” para tal. As teles vão ganhar mais dinheiro – para apoiarem o PMDB – sem qualquer investimento físico na rede. As teles mais ricas, os ricos mais felizes e que se dane o resto da população.
O pior problema é a consequência política. Os donos das mídias voltarão a ser os maiorais e a verdade será mais manipulada do que é hoje.

Te abraço.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Texto de provocação lido na palestra da FLIM em Maricá com o tema Regulamentação da Mídia x Censura

Chegamos em casa cansados do trabalho, em busca de um bom banho,  nos alimentar, um afago nas crianças, ver uma televisãozinha e descansar, para suar no dia seguinte, o pão nosso de cada dia.
Sentamos na cama ou sofá, esperamos o jornal das oito, que começa as nove, e nos indignamos a ponto de querer desligar a televisão. Mas a indignação é grande. O sangue até da uma esquentadinha e você murmura entre os dentes: “canalhas, cadeia para todos”. Acaba o jornal e você pode até tentar uma saliência para espairecer, com seu parceiro ou parceira. Se conseguir, melhor. Senão, é mais revolta ao ler nos jornais do dia seguinte as manchetes assistidas na noite anterior. “Bandidos” você pensa, ”na próxima eleição vão ver só”, continua pensando, até começar o batente.
O fluxo acima pode ser muito bem o seu, que nos escuta agora. Não adivinhamos. Este fluxo pode representar a maioria das pessoas que possuem algum “status”, algum dinheiro e são consideradas como Classe Média, Média Alta. Acham que o dia é curto, se matam no trabalho para, no final do mês, por compensação e não por dever cumprido, receberem um “dimdim” e continuar vendo e ouvindo, sem discutir o que os donos das mídias nos impõem.
Vamos apresentar em dois momentos distintos, com aproximadamente vinte anos de diferença, dois episódios, um político e outro policial, que demonstram bem a que pode levar a nossa “preguiça” de ler uma notícia inteira e, principalmente não busca-la em outras fontes de informação (outra mídia de viés político e/ou econômico distinto daquela que vemos todos os dias). Simplificando, transformar uma informação em conhecimento.
Em ordem decrescente de data, começaremos com a questão política bem atual. Vamos começar pela AP 470, conhecida como mensalão. Vamos citar a condenação do João Paulo Cunha e do Pizzolatto. Em seguida falaremos do episódio da Escola de Base, da cidade de São Paulo, evento ocorrido no ano de 1994.
Mensalão
Pizzolato foi condenado por ter facilitado o desvio de quase R$ 74 milhões considerados dinheiro público pelo STF e João Paulo de R$ X,x milhões.
Vamos ao Pizollatto:
·         Barbosa encaminha aos demais Ministros o Auto 2828, do Instituto Nacional de Criminalística, que investigou no Banco do Brasil, quem era responsável pela movimentação do dinheiro do Visanet (hoje Cielo), com “bilhetinho” dizendo tratar-se de um documento longo (43 páginas) e ele já havia lido e estava convencido da culpa do Pizolatto – Não sabemos quem mais leu o documento mas, o nome Pizolatto não é citado em nenhuma das páginas do documento;
·         Foram necessárias 767 NFs (mãe) e 2631 NFs (filhas) assinadas por um total de 57 funcionários do BB diferentes;
·         Todas as 767 NFs e suas filhas foram auditadas pela Simonaggio Perícias, empresa de auditoria muito utilizada nos tribunais nacionais;
·         Nenhumas destas NFs têm validade, sem que haja, no mínimo, três assinaturas atestando a transferência;
·         Somando-se o total de assinaturas por NF, chegamos ao total de 2631 assinaturas,
·         Nomes como o de Rogério Oliveira (PSDBXXXX) aparecem 541 vezes; Cláudio Vasconcelos 386, Roberto Messias em 279 NFs; Rosemere Souza em 229 e Pizolatto em 19 NFs, é o 20º colocado da lista. Assinaram mais NFs que ele, 19 outros funcionários do BB;
Somente Pizolatto foi acusado e condenado apesar dos inquéritos da Polícia Federal chegarem a conclusão que não houve mensalão (mais de 300 depoimentos). O dinheiro do Visanet nunca foi público e não houve formação de quadrilha. O delegado Zapronha foi punido por dizer em uma entrevista que a acusação de formação de quadrilha era motivo de piada dentro da Polícia Federal.
Alguém viu algumas destas informações estampadas na mídia escrita ou nas chamadas dos telejornais? Elas existem e constam dos Autos da AP 470, com número de folha e outros detalhes.
Deve ter sido por conta disso, de fazerem parte do processo, que o procurador Souza, que antecedeu Gurgel, ter pedido para o Barbosa não incluir na Ap 470 os laudos periciais enviados pelo delegado Zapronha. “Poderia confundir o público”, escreveu ele em mais um bilhetinho.
Agora como ficaria você, ao chegar em casa, depois de suar o pão do dia e ter acesso a discussão acima, ouvir os dois lados da contenta? Eu ficaria satisfeito pois poderia tirar as minhas conclusões a partir das informações disponibilizadas. O problema é que só temos um lado da moeda disponível. Isto é correto? É este o papel da mídia? Disponibilizar só o que lhes interessa?
Já no caso do João Paulo Cunha a situação é mais deprimente ainda. Todos conhecem o João Paulo.  Para o padrão dos deputados em Brasília é conhecido como o “pobretão” da turma. A exemplo de Genoíno, ainda mora no mesmo bairro operário, e sua modesta casa não pagaria a multa imposta no STF.
Barbosa condenou Cunha baseado em três situações:
1.       Relatório da Secretaria de Controle Interno – SECIN da Câmara comprova que houve desvio de verba para a SMP&B. Relatório feito preliminarmente por Alexis Souza, funcionário do Severino Cavalcanti (adversário político de Cunha) que seria nomeado para a SECIN;
2.       Relatório da Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União comprovou a existência de desvio por parte de João Paulo;
3.       Peritos do instituto Nacional de Criminalística da PF foram unânimes em apontar o desvio.
Por conta destes pontos, Cunha foi incluído no processo da AP 470.
Agora vejamos o que apontam os relatórios que basearam Barbosa e seus pares a condenarem Cunha:
1.       Alexis Souza nunca tomou posse na SECIN por conta da renúncia do Severino Cavalcanti, fugindo da cassação. Aldo Rabelo assume a presidência da Câmara e a pedido de João Paulo, inicia uma auditoria. Esta auditoria passa por oito comissões de sindicância da Câmara e, em fevereiro de 2010, chega à conclusão de que não existia qualquer indício de desvio de verba. Porém, Barbosa já havia incluído João Paulo na AP 470, antes da conclusão da citada auditoria;
2.       Uma turma de inspeção de uma das secretarias de Controle Externo do TCU visitou a Câmara entre 25/07 e 3/08 e trabalhou em cima do relatório de Alexis, mesmo ele não tendo nenhum valor legal. A 3ª Secretaria de Controle Externo do TCU recebe o relatório para análise e conclui em 2008, quando o acórdão do pleno foi publicado, considerando o contrato regular e sem indícios de desvio de verba;
3.       Este é o ponto mais escabroso. Souza, procurador que antecedeu Gurgel, envia ofício à Barbosa pedindo que os Autos periciais enviados pelo delegado da PF Zapronha não fossem incluídos na AP 470, pois poderiam causar confusão ao público. Na realidade, Zapronha participou da investigação desde a CPI do Correio até o fim do mensalão. Foi ele quem pediu todas as perícias ao INC e, todas as perícias apontaram para a NÃO formação de quadrilha, para a inexistência de desvio de dinheiro público, inocentava Dirceu, João Paulo e Genoíno e atestava como verdadeiro o empréstimo realizado pelo PT junto aos bancos Rural e BMG. Ou seja, toda a tese usada para a confirmação de existência do mensalão e para a formação de quadrilha e a consequente condenação dos “réus” são falsas.
Agora respondam, lá fundo de suas consciências, se ao longo de 2002, quando Jeferson inventa o termo mensalão (nos depoimentos na PF ele falava que era caixa 2) até os dias de hoje, 2013 alguém ouviu ouviu alguma manchete ou canto de página com o exposto acima? Alguém já se perguntou o porquê das Organizações Globo não questionarem ou negarem os valores recebidos por eles através da SMP&B? Porque a Visanet, hoje Cielo, nunca abriu processo para reaver o dinheiro desviado de suas contas?
Agora retornemos ao ano de 1994 e vamos ao caso da Escola Base
Um grupo de mães procura a polícia e denuncia que os donos e funcionários da Escola de Base drogavam as crianças e depois abusavam sexualmente delas. Delegado responsável ouve as denúncias e antes mesmo de investigar, chama a mídia e solta a bomba. A mídia, por sua vez, a exemplo do delegado, não ouve ninguém e solta as manchetes bombásticas:
·         Kombi era motel na escolinha do sexo;
·         Perua escolar levava crianças para orgia.
Donos da escola e alguns funcionários são presos, seus rostos estampados nacionalmente e suas casas e a escola são depredadas pela população indignada enquanto encontravam-se presos.
Passado o tempo, chega-se a conclusão de que não foi nada daquilo. O laudo do IML , não conclusivo diz que pode ter havido ato sexual com o menino examinado ou, pode ser por diarreia aguda as fissuras encontradas. Aí, a mãe do menino lembra que ele tinha tido uma diarreia forte na época.
Rede Globo é condenada a pagar R$ 1,35 milhões de indenização aos envolvidos. Grupo Folha, o Estadão e a Isto É, também foram condenados e todos recorreram ao STF que até hoje, quase vinte anos depois, ainda não julgaram o caso.
Agora imagine você passando por uma situação dessas? Casa destruída, emprego no lixo e todos virando a cara para você. Mas digamos que você tenha sorte e seja inocentado como foram os “réus” da Escola Base. Porque, até hoje não recebeu nada e porque até hoje a mídia se omite? É justo? Ou isso só acontece com o vizinho e nunca acontecerá com você?
Dois episódios diferentes que demonstram o mesmo comportamento covarde. Um político, não interessa os fatos, interessa somente o que lhes proporcionará atingir o fim pretendido, seus objetivos políticos. No outro, a falta de notícias que motivassem manchetes rentáveis, o dinheiro pelo dinheiro e somente por ele. Por conta da ganância por mais lucro, nada é medido, vale tudo.

Na questão política, vemos a mesma prática desde os anos cinquenta, quando Getúlio comete suicídio para impedir o Golpe, o que era incentivado pelos mesmos jornais e posteriormente pela televisão de hoje. Repetiram a dose em 64, na campanha das Diretas Já, na eleição do Collor, FHC e o desmantelamento do estado e, hoje, com o mensalão.  Diferente, somente o que aprenderam após o processo da Escola de Base. Hoje, todas as manchetes e chamadas televisivas iniciam com os termos, “supostamente”, “possivelmente” e outros “mentes”, pois sempre mentem ou manipulam a informação.

Porque não quero renovação no PT: uma rápida resposta a Benedita da Silva

Ontem assisti ao debate entre os candidatos do PT à direção do Diretório Estadual em Niterói. Ouvi excelentes explanações.
Na fala final dos candidatos, chamou-me a atenção a da Benedita, onde ela pergunta o que é renovação e afirma que renovação não passa pela idade do candidato. Concordo com ela, renovação independe da idade. Aliás, tanto a renovação como a inovação independe da idade. O problema está no como e no que renovar?
Na Convenção de 94, disputaram a indicação a candidato a governador Vladimir Palmeira e Milton Temer. A corrente da Benedita esvaziou a Convenção, pois queriam o Bittar mas não queriam a disputa interna. Anularam o pleito e na nova convenção deu Bittar. Bittar terminou em quarto lugar, atrás do Cel. Newton Cruz. O povo do Rio teve que engolir Marcelo Alencar.
Em 96, Chico Alencar disputou a Prefeitura do Rio. Novamente a corrente da Benedita ia para a televisão, inclusive com a participação do Lula, pedir que Chico renunciasse em favor do Miro Teixeira (PDT). Chico não foi para o segundo turno com Cesar Maia por 60.000 votos. Segundo Léo Lince, “um beicinho de pulga”. Após as eleições, Lula veio ao Rio pedir desculpas ao povo, pois entregou a Cesar o governo da cidade do Rio por um longo período.
Em 98, Vladimir ganha a convenção e sai candidato ao governo do Rio, novamente a corrente de dona Benedita, desta vez sem qualquer pudor, impõe o apoio ao Garotinho cassando a candidatura do Vladimir. O povo do Rio teve de amargar Garotinho e sua esposa revezando-se no governo do Rio e, Lula RENOVOU suas desculpas ao povo.
De lá para cá, simplesmente não disputamos mais o governo do Rio e nem a Prefeitura. Tivemos candidatos, mas o partido já estava enfraquecido interna e externamente. Hoje, temos vergonha de RENOVAR as desculpas depois do que está acontecendo na prefeitura do Rio e no governo do estado.

Não desejo renovar e nem inovar, quero é RESGATAR o partido para não precisar renovar outro novo pedido de desculpas. E o candidato que tem as condições de RESGATAR o PT, chama-se Washington Quaquá.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

CULTURA

Ela que transforma, forma e encanta
Por Kelly Kristiny Lima

Do que se faz cultura? Uma pergunta pertinente, que intriga a humanidade. Alguns, simplesmente reproduzem o famoso senso comum, o viver em sociedade. Outros irão responder que cultura não se faz para atingir o outro, mas sim para transformar o modo de ver, ouvir e pensar. Boas respostas, mas não as únicas, na realidade nenhuma que possa condizer com o que realmente é. Cá pra nós, a cultura se faz de muito mais que apenas transformar o cotidiano e o ser humano, muito mais do que ser o cotidiano.
A Casa de Cultura de Maricá não poderia ter outro sentido que não o de exalar cultura, desde sua história até seus momentos vividos na atualidade. São formigas de tamanho gigante que transbordam pela entrada da antiga cadeia municipal, até um improviso musical, porém mágico, que surge de uma simples conversa de apresentação, arrisco dizer, não mais que profissional. Porém, me iludo dizer não mais. Claro, uma apresentação profissional, mas que trouxe consigo o jovem Vander Linhares, munido de sua rabeca, uma proposta de cultura não intencionada. Sim, em poucos minutos a atmosfera da pequena sala, onde trabalham funcionários da Secretaria de Cultura, se transformou! O clima de conversa descontraída ficou mais leve do que sempre esteve e se tornou suave ao som da rabeca pairando no ar. Mell Meirelles não se permitiu só olhar a cultura que transbordava de todos que ali se encontravam, avistou um “tam-tam” e o ativou ao pousar suas mãos sobe o couro que o reveste. Logo invadia nossos ouvidos o famoso forró Asa Branca. Ah! Quanta cultura ingerimos, respiramos, absorvemos nesse ambiente!
Os trabalhadores desta Secretaria estavam fazendo cultura! Não mais que o dever da equipe e deste prédio. Transformaram uma simples “entrevista profissional” num momento que exalava o espírito dos trabalhadores que se unem todos os dias para transformar, o que já dizia Délcio Teobaldo, “é ventos” em CULTURA!
Arrisco palpitar que cultura, é isso! É o ser, ver, transformar, encantar, compreender, sentir, doar, o que temos, sabemos, somos, vivemos e aprendemos nessa vida!
 Como escrever sobre a Casa de Cultura e nosso papel em Maricá e no mundo, depois do belo texto escrito acima? Escrito a partir da emoção de mais um dia de trabalho, por uma fazedora de Cultura.
Cultura é emoção. E é com emoção que devem trabalhar aqueles que pensam e vivem a Cultura. Não fazer para si, mas para o próximo, para além das fronteiras da Casa, para além do Município, para o Mundo.
A Cultura nasce nos recantos, nas mãos dos mais humildes e dos mais abastados.
Do mesmo jeito que lutamos para que não desapareça, resista em seu nascedouro, seu recanto, devemos apresenta-la ao mundo e recebe-la do mundo. Não sejamos egoístas e nem egocentristas. Fazer, viver, transformar a Cultura é fazê-la viva para o mundo. Este é o papel da Casa de Cultura. Esta é nossa sina.
Sérgio Mesquita
Secretário de Cultura de Maricá

domingo, 5 de maio de 2013

texto sobre o encerramento do Projeto da Secretaria de Cultura de Maricá: Golpe de 64: A história que não foi contada

GOLPE DE 64: A história que não foi contada

Depois de três cancelamentos fechamos o Projeto com o excelente show multimídia na Praça Orlando Rangel neste 1º de maio. Aconteceram alguns problemas de iluminação e som por conta da decisão de realizarmos em cima da hora o show, em um evento patrocinado pela Secretaria do Trabalho, ossos do ofício. Só podemos agradecer a oportunidade que nos deu a Secretaria do Trabalho e o apoio das Secretarias de Turismo, Educação e Direitos Humanos.

Foram cinco filmes com palestras e debates com a plateia, uma Batalha de MC`s, o Dia Internacional da Poesia e o show de encerrando o Projeto. Uma verdadeira aula sobre o período negro de nossa recente história.

O objetivo foi o de resgatar nossos verdadeiros heróis e apresentar para as gerações que não viveram aqueles momentos de terror (80 para cá), como aconteceu e as estratégias aplicadas para o sucesso do Golpe: o desmantelamento da Educação e a concentração dos meios de comunicação na nas mãos das famílias que apoiaram o Golpe. Tínhamos o dever de denunciar estas estratégias, pois elas são as mesmas utilizadas até hoje.

Muito timidamente conseguimos alguns avanços na questão da Educação, notadamente nos últimos 10 anos. Na questão da mídia a situação só não é pior por conta do advento da Internet que permite um contraponto à mídia “democrática”, mais com alcance limitado e com riscos de ser abafado por conta das propostas de controle pelo Estado (França, Inglaterra, EUA e outros),que em nome da segurança querem o controle total da Internet e nos calar mais.

Hoje praticamente só temos a Internet para denunciar as mesmas manipulações que aconteceram em 1954 (contra Getúlio) e 1964 (contra Jango). A mesma fórmula. Mentiras, ocultação do que não é de interesse e desvirtuação dos fatos, são práticas comuns nas grandes redes de televisão e mídia impressa. Verdades viram mentiras e mentiras viram verdades. Condena-se e inocenta-se com a mesma desfaçatez e cinismo, e preparam um novo Golpe nos dias de hoje. Não existe “interesse em acabar a corrupção” existe o interesse de retomar o poder. Não pelas elites – não os são, mais pelas classes que ainda dominam o país e não admitem a distribuição do que acreditam serem “suas” rendas.

Na realidade não são as questões religiosas, de liberdade ou não, que movem o mundo para as guerras de “libertação”. Foram e sempre serão lutas pelo capital e sua concentração. O bem contra o mal se traduz em mais dinheiro no bolso a qualquer custo.

Por isso fizemos questão de realizar este projeto pela Casa de Cultura e pretendemos fazer muito mais. Como cita Raul Castro: “devagar mais sem pausa”.

No mais só posso agradecer a equipe de colaboradores da Cultura e aos nossos amigos que incentivaram, criaram e discutiram o show em sua forma e conteúdo e, claro, ao nosso Governo Municipal.

Sobre a matéria "O flagelo silencioso"

Sobre o texto publicado em: http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed743_o_flagelo_silencioso


Após mais de 29 anos trabalhando na TVE-RJ e depois TV Brasil (através da OS – ACERP) posso arriscar alguma opinião sobre o assunto.
Durante o estudo de criação da EBC, foi colocado para os responsáveis do mesmo, a importância da não criação de uma Empresa de direito público, pois seria o retorno a um passado triste da TVE-RJ que foi de direito privado, passou para público, retornou ao privado (como OS) e, com a criação da EBC simplesmente deixaria de existir sendo substituída por uma televisão de direito público (TV Brasil).
Explicando o imbróglio de direito “público e privado”: por ser um meio de comunicação, os impactos tecnológicos são enormes e, se para cada atualização de seu parque for necessário licitação, irá correr sempre atrás do rabo. Outro ponto de igual importância está no seu quadro profissional. A dinâmica, o salário do mercado e atualização profissional, infelizmente está além do Concurso Público. Não estou defendendo terceirização de mão de obra como muito acontece principalmente nas OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Uma Organização Social está mais para Cooperativa de Produção do que prestação de serviço - Mal comparando. Somam-se a isso as fiscalizações que as OSs sofrem como se pública fossem, pois também recebem dinheiro público (Contratos de Gestão).
O fato é que a EBC foi criada e ainda patina por conta das dificuldades geradas por seu modelo jurídico. Quer e deve se “livrar” da ACERP (OS que cuidava da TVE-RJ e da Rádio MEC), mas não pode (ainda) abrir mão da mesma. Infelizmente deve acontecer com a EBC o que aconteceu com a TVE. Vai se descolar do mercado profissional e tecnológico, apesar de seu atual quadro de profissionais ser composto por gente atualizada. Porém dificilmente conseguirá manter seus melhores profissionais, como vem ocorrendo.
No meu ver, a atual direção não tem tanta responsabilidade assim no processo, pois está além de sua vontade, mas como alguns que lá estão defenderam o modelo atual, com certeza amargam pela decisão tomada lá trás.
Por ser uma empresa “política” talvez não esteja se posicionando como devia em relação ao tema. Uma empresa de comunicação pública deveria ser a primeira a gritar contra o processo de privatização do espectro público. Nos EUA a PBS, televisão pública, foi a única a noticiar a derrota do Bush filho, enquanto as privadas saudavam sua reeleição. Qual a diferença entre os modelos?
Defendi a EBC como uma empresa ou agência reguladora, mas como o modelo destas agências são o de privilegiar o privado em detrimento ao público, não sei se resolveria. O fato é que ainda estamos nas mãos das seis famílias detentoras do monopólio da comunicação e, caminhamos para o fim da neutralidade da Internet com o apoio da ANATEL. Nosso governo deveria enxergar estes movimentos e ter um posicionamento mais claro sobre o assunto.