O presente texto é voltado para as companheiras e companheiros do
Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá – ICTIM, em especial para
aqueles e aquelas que trabalham nas três Incubadoras de Inovação Social (em
Cultura; Robótica e Sustentabilidade; Tecnologias). Mas vale para o mundo
também e compartilharei este texto entre os grupos que participo.
Trata-se de textos retirados do capítulo 12 do livro “Novos
Renascimentos: Impactos da Tecnologia na Transformação Completa da Sociedade”,
do Prof. Dr. Antônio M. Alberti, do Instituto Nacional de Tecnologia – INATEL,
localizado na cidade de Santa Rita do Sapucaí-MG, berço do Vale da Eletrônica
Brasileiro. Cidade que também sedia o “HackTown”, que acontece este ano (23),
em agosto.
Alberti além de pintor, escultor, músico etc., desenvolveu, entre
outras estripulias, uma Internet independente, e faz parte do grupo no Brasil
que estuda o 6G, representando o INATEL.
Seu livro pode ser dividido em duas partes: uma mais técnica, porém
escrita de maneira para que pessoas “leigas” em TI possam ter ideia do que está
sendo exposto. Como por exemplo: tomar ciência que tem maluco estudando
programação a partir de mudança da propriedade do “spin”, nos átomos.
Loucura, mas houve um tempo em que a Igreja empastelou o laboratório que
permitiu a primeira transmissão de rádio do Mundo, realizada pelo padre Roberto
Landell em São Paulo, no ano de 1890. Padre Landell disse que poderíamos nos
comunicar com pessoas mortas... deu ruim. Em sua segunda parte, a coisa é mais
intrigante e puxa pelo cérebro. Filosofia pura onde se discute as
possibilidades futuras das aplicações tecnológicas e suas possíveis
consequências, todas, por enquanto, ainda de nossas responsabilidades, até que
surja a máquina consciente. Discussão também presente no livro.
Vamos ao que acho interessante dividir com o povo das Incubadoras
Sociais, que já trabalham bem próximo ao que será exposto aqui.
O capítulo 12, “Novos Renascimentos”, apresenta algumas questões que o
autor deixa claro não ter as respostas, mas sim um caminho que poderá ou
deveria ser seguido. São três as questões selecionadas: Por que precisamos
empreender a mudança? Por que devemos trabalhar o lado humano? Existe
empreendedorismo para melhorar o mundo? E uma quarta que é geral, e acho
importante colocá-la: A solução é impedir o avanço tecnológico? Vamos aos
textos.
Por que precisamos empreender a mudança?
Porque a pandemia de COVID-19 não é o maior desafio que tivemos neste
século. Temos que dar o bom exemplo para as IAGs [Inteligência Artificial
Generativa]. O mundo está lotado de maus exemplos! Temos problemas importantes
de longa data: sustentabilidade, poluição, impactos ambientais, desemprego, crise
de relevância, doenças, pandemias, armas químicas, armas biológicas, violência,
criminalidade, corrupção, guerras. Como discuti antes, nem precisamos de um
levantar das superinteligências para o caos. O mero uso de exército de IAs sem
preocupação social e em modelos movidos somente por interesses, sem considerar
princípios, já pode ser suficiente para fomentar distopias e cenários
apocalípticos. O uso de armas químicas e biológicas. Novas pandemias.
Aprisionamento e a perda da liberdade pelo aprisionamento e as distopias
tecnológicas. Distopias de todo o tipo. Dominação e manipulação pelos
metaversos, monitoramento do físico, proibições, novas roupagens para os
modelos velhos.
Por que devemos trabalhar o lado humano?
Creio que os exemplos dados neste livro, ou seja, os desafios e
responsabilidades que vêm junto com o empoderamento tecnológico já deixaram que
a solução, assim como o problema está no humano em si. Mesmo com o advento das
IAGs, são humanos que as irão educar, inspirar e motivar. Pelo menos em um
primeiro momento. É claro que no futuro podemos ter IAGs autônomas e
conscientes que ajam por conta própria. Mas, até lá são os humanos que devem
dar o bom exemplo. Acredito que a liderança criativa, cuidadosa, detalhista,
visionária, sistêmica, ética, justa, empática, transparente, livre, amorosa e
feliz deve dar o exemplo e puxar a transformação. Só assim os demais seguirão.
Temos que oportunizar e emponderar essas lideranças. Formar e torcer para que
elas emerjam em todas as cidades de mundo afora.
Existe empreendedorismo para melhorar o mundo?
O empreendedorismo em rede (com suporte de tecnologia, sem cargos,
horizontal, cogerido, sistêmico, equilibrado e liderado de forma criativa e
situacional) parece ser um dos caminhos. Um empreendedorismo baseado em
princípios (e valores) e não puramente em interesse, onde os fins justificam os
meios. Um empreendedorismo transparente, onde a máxima “faça o que eu digo, mas
não faça o que eu faço” saia de cena [Paulo Freire: quando o discurso e a
prática se confundem]. Precisamos viabilizar novos modelos de empreendedorismo.
Torná-lo próspero em múltiplas dimensões, inclusive a financeira.
É óbvio que o empreendedor que comprar essa ideia enfrentará todo o
tipo de problema e concorrência desleal. Terá que ser próspero financeiramente,
mesmo com todas as implicações de executar essa mentalidade e novos modelos. O
desafio é enorme. O ganho é comprovar que é possível fazer diferente. Liderar,
por exemplo. Tornar-se referência em termos de modelo, mentalidade, cultura e
justiça organizacional. A meu ver, implantar uma organização com essas
características, de fato (e não só no marketing) vai atrair todos
aqueles interessados no trabalho do futuro. Em criar futuros de valor. Vai
atrair aqueles que desejam prosperidade, em uma organização que os cure dos
traumas dos modelos ultrapassados.
Sempre existe um gap entre o que desejamos e o que de fato
fazemos. Podemos desejar a utopia, mas na prática empoderar a distopia, o
autocrático, o escasso, o não sistêmico, o desiquilibrado o injusto e até mesmo
o antiético. O ser humano é naturalmente dual e limitado. Por mais que
desejamos mudança, estamos fadados a recaídas o tempo todo em modelos
ultrapassados. Não é nada trivial refazer as conexões neurais para novos
modelos e mentalidades. Mesmo que se deseje muito, mudar para o melhor pode ser
um esforço fenomenal e lento. Muito, mas muito, mais lento do que o avanço
exponencial de nossas tecnologias e seus empoderamentos. Esse gap é o que
ameaça a humanidade hoje.
A solução é impedir o avanço tecnológico?
Em um mundo altamente tecnológico, todos são empoderados exponencialmente.
Basta alguns mal-intencionados resolverem usar tecnologias extremamente
poderosas para o mal e teremos o caos ou a infelicidade total. A solução é
impedir o avanço tecnológico? Certamente, não. A história está cheia de
exemplos de que isso não funciona. O importante é avançar na conscientização,
novos modelos organizacionais e mentalidades positivas, que favoreçam a utopia
e não o caos.
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Encerro aqui, mas ponho, quem sabe um gosto doce ou amargo em nossas
bocas, pois como exposto no livro, depende somente de nós. O livro apresenta
várias outras discussões, inclusive da possibilidade de novas espiritualidades
e divindades a partir das IAGs e do metaverso... Se liga na encrenca.
Outro ponto importante tocado no livro, está na importância da
aplicação das Leis Sistêmicas, por todos e todas. São somente três “artigos”,
mas mexem com o nosso universo na busca do equilíbrio. Segundo Edgar O. Wilson,
“O verdadeiro problema da humanidade é o seguinte: temos emoções paleolíticas,
instituições medievais e tecnologia divina”. São elas
1 – Ordem
Diz respeito à ordem das coisas, à história, ao respeito e a honra ao
que já foi feito, a precedência das ações dos atores, ao posicionamento
temporal nos sistemas (...). Desonrar a ordem pode levar ao desequilíbrio
sistêmico (...).
2 – Pertencimento
Trata-se do direito de pertencer. Pertencer a algo é uma necessidade
básica. Todos pertencem aos mais diversos coletivos: famílias, empresas, escolas,
bairro, grupos sociais etc. (...). Não
devemos excluir as pessoas nos processos, coletivos e qualquer grupo. Este é um
dos maiores desafios da cocriação criativa, da gestão compartilhada, das
economias leves, dos novos modelos organizacionais, do empreendedorismo
criativo em rede (...).
3- Equilíbrio do Dar e Receber: Reciprocidade
Em todos os relacionamentos estamos sempre dando e recebendo. Sejam
carinhos, sejam valores financeiros, sejam entregas, sejam o que for. O
desequilíbrio do dar e receber desgasta os relacionamentos (...).
(...) O desequilíbrio sistêmico é ruim para todo o coletivo. As
Constelações Sistêmicas são dinâmicas de grupo que buscam resgatar o equilíbrio
(...). Max Nolan Shen [79] argumenta que quanto mais equilibrado for um
coletivo mais felizes as pessoas serão. E mais, que toda a comunicação deve
respeitar as Leis. Ou seja, não deve desrespeitar a ordem, o pertencimento e a
reciprocidade. É a chamada Comunicação Afetiva (...).
Há braços.
Sérgio Mesquita
Subsecretário de C&T da Secretaria
de Educação de Maricá-RJ
“A Tecnologia como ferramenta de resgate de nossas humanidades”
Mantra da Sec. de Ciência, Tecnologia
e Comunicações de Maricá (2017-2020)