segunda-feira, 26 de outubro de 2015

EUA por trás dos golpes, as garras da águia, por Márcio Valley

John Adams foi o primeiro vice-presidente dos Estados Unidos, tendo George Washington como presidente, e seu segundo presidente, governando no período de 1797 a 1801. Iluminista e republicano, está inserido num contexto histórico que representa o início do fim de uma longa tradição, cujo berço é Grécia clássica e seu filho dileto é o senado romano, na qual o pensamento filosófico e a arte da oratória ainda eram fortes na política. Tempos nos quais não havia esperança para um candidato a político alienado da razão, das verdades e das condições históricas de sua própria época, como hoje parece ser apanágio necessário de parcela considerável dos políticos brasileiros.
Adams disse uma obviedade que, proferida pela boca de um pensador que experimentou o poder, ganha densidade: “Existem duas maneiras de conquistar e escravizar uma nação. Uma é pela espada, a outra é pela dívida”.
E disse outra que merece profunda e necessária reflexão pelos brasileiros, que estamos numa grave turbulência democrática: "Democracia nunca dura muito e logo se desperdiça, exaure, e mata a si mesma. Nunca houve até agora uma democracia que não tenha cometido suicídio."
As palavras chave aqui são espada, dívida e escravidão.
A sociedade ocidental experimenta, como forma de organização política, a democracia submetida ao estado de direito, entendida a democracia como o direito do cidadão de participar do poder político, em oposição às ditaduras e tiranias, e o estado de direito como o cabedal jurídico que limita a atuação estatal ao garantir os direitos e liberdades individuais, impedindo o despotismo e o esmagamento do cidadão pelo peso do Estado.
Não se pode discordar da afirmação de Churchill de que a democracia é o pior dos regimes políticos, porém não existe nada melhor. De fato, a democracia dá voz potencial a todos os cidadãos na escolha do próprio destino, sendo que a participação nos rumos da coletividade é um dos principais fatores de elevação da autoestima. Mesmo para quem advogue o socialismo, a democracia deve ser considerada indispensável como meio de alcançar a felicidade comum, caso contrário pode-se repetir a farsa que foi a experiência soviética.
A democracia, como forma de governo, encontrou um sistema econômico que aparentemente com ela forma um par perfeito na direção dos negócios públicos e privado: o capitalismo. Baseado na propriedade privada, nenhuma pessoa que defenda o liberalismo, entendido como a liberdade de autodeterminação da própria vida, pode ser contra o capitalismo sem incorrer numa contradição em termos.
Ainda assim, democracia e capitalismo parecem estar fracassando no objetivo de estender à humanidade a qualidade de vida que deveria ser um efeito necessário do desenvolvimento humano. Por quê?
A resposta parece ser: democracia e capitalismo degeneraram por excesso de liberdade deste último.
Praticamente todas as ações humanas estão sujeitas a alguma restrição de liberdade individual, pois tal restrição é absolutamente necessária à manutenção da saúde do tecido social. Seria impossível viver numa sociedade que não penalizasse o homicídio, a apropriação indevida do patrimônio alheio e a violação da liberdade sexual, apenas para ficar nesses exemplos.
A democracia e o capitalismo, como produtos da ação humana, não podem ficar de fora dessa restrição nas respectivas atuações. E, na verdade, estão de fato sujeitos a diversas restrições.
O problema é que o capitalismo consegue escapar dessas amarras e, livre, corrompe a democracia.
Enquanto o capitalismo manteve-se essencialmente territorial, ainda era possível exercer sobre ele algum pouco controle, ante a necessidade do capital, e muitas vezes do próprio capitalista, de permanecer no local da produção. Obrigado a estar no local, devia alguma submissão às leis locais, ainda que mínima. Tal possibilidade de controle, ainda que bastante rarefeita, não mais existe. Atualmente, desvinculado de qualquer território específico, nenhum país é capaz de lhe restringir a liberdade.
A primeira vítima dessa liberdade é justamente a democracia.
Historicamente, os ricos sempre foram senhores do Estado, num primeiro momento como monarcas e, posteriormente, como eleitores privilegiados. Salvo poucas exceções, ou os ricos estão no poder diretamente ou o poder é exercido pelos escolhidos da riqueza. A estreiteza da relação riqueza-governo é de tal ordem que se chega a justificar a existência do Estado como instituição garantidora da propriedade, nada mais.
Democracia real, portanto, sempre foi e continua a ser uma utopia longínqua.
Mesmo quando se fala em democracia clássica grega, isso guarda pouca relação com o que se entende hoje por democracia popular. O comparecimento à praça da Ágora era exclusividade de cidadãos homens nascidos de pais atenienses, uma casta de privilegiados. Mulheres e estrangeiros residentes eram excluídos da democracia. Além disso, havia servidão e escravidão em Atenas, obviamente sem direito algum, o que por si contraria o sentimento que temos hoje em relação aos fins e objetivos da democracia.
Contudo, num único e breve momento da história, que não chegou a cem anos, um espirro histórico em quase cinco mil anos de civilização, uma parte da própria elite, talvez entediada pela mesmice, inaugurou uma nova forma de pensar que hoje designamos por Iluminismo.
Os iluministas eram membros altamente intelectualizados da elite, pensadores que puseram a razão acima dos temores mitológicos que até então dominavam a humanidade. Durante esse período, Nietzche chegou a decretar a morte de Deus. O filósofo só não previu que, tratando-se de um ser todo-poderoso, no final do século seguinte, Ele ressuscitaria, e com bastante disposição para angariar fundos, nas igrejas pentecostais.
Essa facção diletante e aborrecida da elite europeia começou a pensar em coisas como o abandono das barbaridades da Idade Média, do obscurantismo religioso e das arbitrariedades do Estado. Iniciou um processo de valorização do ser humano, visando à construção de uma nova sociedade, fundada axiologicamente no altruísmo social e na dignidade da pessoa humana. Havia um quê de utilitarismo no objetivo pretendido por essa elite de intelecto entendiado que ousou desafiar as repugnâncias de sua época. Não era, propriamente, o bem do indivíduo que se buscava, mas da sociedade. Afinal, uma sociedade com uma carga menor de carências individuais é certamente capaz de gerar um ambiente menos perigoso para circular, possivelmente com um grau de felicidade geral maior e mais cheirosa e bonita de se ver.
Embora o ciclo do pensamento iluminista tenha durado pouco, encerrando-se no despertar do século XIX, ecos dessa forma racionalista de pensar, pressupondo a valorização do ser humano, persiste até os dias de hoje e foi consagrada em instrumentos históricos notáveis, como a constituição americana e a carta dos direitos humanos. Nossa constituição é recheada de valores iluministas.
Esse espirro histórico durante o qual uma fração da parcela rica da sociedade foi confrontada com sua obrigação moral de cuidar dos desvalidos veio a causar, tempos depois, reforçada pela influência de outros eventos históricos importantes, como a ascensão das ideias de Marx e as grandes guerras, um pequeno, mas significativo relaxamento na sofreguidão pelo lucro.
Por um breve momento, repentinamente parecia que a sociedade humana tinha encontrado o caminho para o florescimento de grande parte dos indivíduos, um arranjo saudável entre a busca pelo lucro e a necessidade de excluir a experiência humana da miséria abjeta.
Durante esse piscar de olhos, nós parecíamos realmente ser a espécie mais inteligente do planeta.
A legislação trabalhista protetiva ganhou impulso, um patamar salarial mínimo é garantido, estipula-se um máximo de horas para o trabalho, o Estado passa a conceder assistência social aos desfavorecidos, o acesso a uma educação fundamental é garantida, assim como o acesso à saúde básica, além de outras iniciativas vocacionadas à eliminação da condição de vida degradante.
Um pouco depois disso, em meados do século XX, ao bem-estar da população veio agregar-se uma outra concessão do capital: a redução da miséria pelo incremento na renda. Foi a época dos baby boomers americanos e dos Trinta Gloriosos da França. Nesse momento histórico também se inclui os cinquenta anos em cinco de Juscelino, no Brasil.
Entretanto, quando tudo indicava que a democracia e o capitalismo iriam cumprir o desígnio para o qual estavam predestinados, de conduzir a humanidade ao paraíso na Terra, salvar o planeta da miséria, eis que se inicia um desagradável retrocesso e se reacende a fogueira quase apagada da degradação da condição humana. Perdem-se totalmente ou são mitigadas as conquistas históricas do desenvolvimento civilizatório iniciado a partir do final do século XIX.
A América Latina viu-se arrebatada por ditaduras, no Oriente Médio inicia-se um processo de desestabilização política que ainda continua, a Europa ser torna um fantasma do que chegou a ser do que poderia ainda ser.
Quem é o culpado? Quem estragou a festa da civilização?
O culpado mais provável é a ressurgência da ótica do poder absoluto que dominava o cenário na época da barbárie humana, dos faraós, czares e imperadores. Retorna a vontade do rico de usar o seu poder de forma absoluta, inquestionável, acima do bem e do mal. Poder absoluto que, hoje, se traduz na perspectiva do lucro a qualquer preço, pensamento bárbaro similar à conquista total e da terra arrasada, que se colocou no passado e se coloca no presente acima dos interesses da humanidade. Esse espírito deletério é representado por algo que é celebrado e olhado de forma positiva até por quem é sua vítima: a globalização da economia.
A globalização não é um movimento recente, as grandes navegações do século XVI já representavam esse intuito, e tampouco é culpada pelo problema, trata-se apenas de ferramenta extremamente útil para alcançar o real objetivo: lucratividade desmedida, poder sem limites.
A globalização é atualmente a maior responsável pela renovação da escravidão em roupagens modernas. Hoje o senhor do escravo não precisa mais construir senzalas e nem necessita morar na casa grande. Ele obtém o trabalho gratuito pagando, por exemplo, cinquenta centavos de dólar por uma camisa numa fábrica em Bangladesh, que emprega costureiras por 20 dólares mensais. A corporação fashion americana ou europeia pode afirmar, assim, que não é ela a responsável por pagar esse salário miserável a um trabalhador seu. Certamente.
Numa sociedade saudável, a globalização seria ótima, desde que entendida como a liberdade plena de deslocamento do ser humano no planeta, pessoas e seus patrimônios. No despertar da humanidade, a globalização era um fato, inexistiam fronteiras e impedimentos ao tráfego humano.
Nossa sociedade, porém, está muito longe de ser saudável. Alguém já afirmou que somente uma pessoa muito doente pode se dizer perfeitamente adaptada a essa sociedade degenerada. Nesse sentido, a inquietação, o inconformismo, é que seria sinônimo de inteligência e saúde mental.
A globalização, vista sob seu aspecto meramente econômico, admite apenas a liberdade de tráfego para o capital. Pessoas continuam locais e impedidas de atravessar fronteiras, vide o exemplo trágico dos refugiados, alvo da “piedade” europeia muitas vezes traduzida no afundamento de seus barcos.
Atualmente, o poder político real não está mais nas mãos dos presidentes das nações. Voltamos à era dos faraós, dos reis, dos imperadores. A única diferença é que, hoje, eles sentam em tronos incógnitos. Não se sabe mais quem são os reis e onde estão os seus castelos, porque eles perderam o ancestral orgulho de estar no comando. A nova onda do imperador é não ser admirado, somente temido. As invocações da genealogia e da heráldica tornaram-se anacrônicas e até perigosas para os soberanos num mundo apertado por sete bilhões de pessoas, em grande parte faminta, no qual matar milhares, em caso de convulsão, não é mais assim tão glamoroso. Hoje, nossos novos monarcas se apetecem somente pelo poder e pela riqueza. Alguns poucos, menos cerebrais, à isso acrescentam a vontade da fama.
Os novos reis não possuem um local definido, uma área geográfica, para a ação imperial. No antigo modelo, cada nação representava um pedaço do planeta dominado por seu próprio rei. O poder do rei estava adstrito ao território da nação. Isso é passado. Na atual divisão do poder, território nada mais significa. O comando não mais se divide entre nações e seus territórios, mas entre corporações e seus ramos de negócios. A economia está fatiada e cada uma das fatias representa um reino específico comandado por poucos monarcas absolutos. Há quem sustente que temos atualmente 147 reis, cada um deles comandando as corporações que encabeçam e que, em desdobramento, dominam todas as demais (http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=rede-c...).
O poder dos novos reis emana tanto das riquezas do passado, decorrentes da acumulação primitiva, como das riquezas modernas, obtidas por empreendedorismo e oportunismo. Munidos da força dessas riquezas, manipulam a política como meio de controlar os sistemas monetário e financeiro, ou seja, a toda a economia. Não se trata de uma conspiração, mas de orientação identitária a partir de uma ideia contida no senso comum, de que a riqueza deve ser mantida nas mãos de quem as detém e ampliada ao máximo, independentemente das consequências. Embora não seja uma conspiração, em toda a plenitude da palavra, isso não significa que não se reúnam ocasionalmente para traçar diretrizes comuns. Fazem isso com frequência regular no Fórum Econômico de Davos, na reunião de Bilderberg e em outros grupos menores, mas não menos importantes, como a sociedade Skull & Bones, além de outros, alguns dos quais talvez nem chegue ao conhecimento do público.
Como todo rei, eles precisam de um exército. Esse exército, atualmente, se chama Estados Unidos da América.
Os Estados Unidos não são "o" império, como muitos pensam. São apenas o soldado do imperador, a interface do poder, a máscara com a qual é encenado o teatro farsesco da democracia e da liberdade. São também a espada de que nos alertava John Adams, com a qual é imposta a vontade absoluta dos reis a todos os países.
Os Estados Unidos, como braço armado dos imperadores, submete a economia mundial à vontade do poder de quatro modos distintos: (a) corrompendo os governos nacionais, (b) mediante a concessão de empréstimos condicionados a exigências futuras virtualmente impossíveis de cumprir, concedidos por instituições como Banco Mundial e FMI, (c) assassinando políticos de países estrangeiros que incomodem ou (d) pelo velho, tradicional e eficaz método de invasão armada.
Independentemente do método, o objetivo é o mesmo: fragilizar a nação-alvo e obrigá-la ao cumprimento da agenda corporativa. Um interesse presente é a venda de ativos do colonizado. A privataria tucana praticada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso não possui outra explicação. Um intuito marcadamente presente é o controle de recursos naturais, principalmente o petróleo. Outras vezes, o desejo é instalar bases militares americanas no país. Enfim, a submissão das demais nações é interessante sempre e pelos mais variados motivos, mas principalmente por interesse em recursos minerais ou de proteção aos produtos das corporações internacionais.
Embora na superfície se tratem de solicitações americanas, o interesse subjacente, e principal, é das corporações. Apenas como exemplo, a guerra do Iraque favoreceu empresas de construção e petrolíferas, tendo o governo americano arcado com a totalidade do prejuízo. Na privatização brasileira, foram corporações que se beneficiaram do sucateamento de nossas estatais.
Constitui fato histórico reconhecido que o governo dos Estados Unidos atuou para desestabilizar governos de países soberanos, muitos deles pacíficos e amigos dos americanos, inclusive através de assassinatos políticos.
Foi assim em 1949, quando o governo americano auxiliou o golpe de estado que conduziu Husni al-Za'im ao comando da Síria. Alçado ao poder, Za'im implementou ações em benefício de corporações do petróleo.
Em 1953, os americanos, com apoio dos ingleses, derrubaram Mohammed Mossadegh, que fora democraticamente eleito presidente do Irã. Mossadegh ousou nacionalizar a indústria de petróleo iraniana, até então controlada por uma corporação britânica, porque entendia que essa riqueza mineral deveria beneficiar primeiramente o povo iraniano. Em seu lugar, ascendeu Mohammad Reza Pahlavi, um tirano autoritário, porém simpático ao poderio americano. Reza Pahlavi permaneceu no poder até 1979, quando uma revolução iraniana, liderada pelo Aiatolá Khomeini, o depôs.
Como agiram os americanos nesse episódio? Enviaram um emissário, munido de milhões de dólares, para corromper os adversários políticos de Mossadegh. Mossadegh, um democrata eleito, foi retratado pela imprensa como um tirano, enquanto Reza Pahlavi, um monarca absolutista despótico, era fantasiado de liberal.
Conduzido pela desonestidade da imprensa e por políticos corruptos totalmente desvinculados dos interesses do Irã, o povo aderiu ao golpe a auxiliou na queda de Mossadegh. Tiro no próprio pé, movido pela ignorância e pela fraude.
O modelo utilizado no Irã, contra Mossadegh, torna-se padrão para a derrubada discreta de governos incômodos: envio de poucos emissários americanos, preferencialmente um homem só, com acesso ilimitado a dinheiro, para corromper a imprensa e políticos locais.
O modus operandi é relatado por John Perkins, no livro Confissões de um Assassino Econômico, ele próprio tendo sido um desses agentes infiltrados.
Em 1954, na Guatemala, o governo de Arbenz Guzmán, eleito democraticamente presidente em 1951, desejava realizar uma ampla reforma agrária no país, em benefício de seu povo. Isso, porém contrariava amplamente os interesses de uma corporação americana do ramo de frutas. O governo dos EUA enviou emissários para corromper os políticos da oposição. Novamente a imprensa mundial agiu, passando a imagem de que Arbenz era um agente soviético. Arbenz foi deposto, sendo substituído por uma ditadura militar que atendia aos interesses da corporação prejudicada. Esse é considerado o primeiro dos vários golpes militares patrocinados pelos americanos na América Latina, Brasil inclusive.
Em 1963, no Iraque, o general Abd al-Karim Qasim, que havia liderado um golpe contra monarquia e proclamado a república, foi deposto e preso com apoio dos americanos. Qasim era nacionalista, o que sempre desagrada as corporações. De 1963 a 1968 há uma sucessão de golpes e assassinatos no poder iraquiano, sempre com suspeitas de participação dos americanos, até se estabilizar a presidência nas mãos de Ahmed Hassan al-Bakr do Partido Baath, auxiliado por um jovem político, que se tornará seu vice-presidente em 1979 e, finalmente, dez anos depois, passará a comandar o país, Saddam Hussein.
Saddam se tornaria marionete dos EUA em suas tentativas de derrubar o governo do Irã, iniciadas em 1980, novamente por interesses no petróleo.
Em 31 de março de 1964, João Goulart, democraticamente eleito vice-presidente do país e que assumiu de forma constitucional a presidência após a renúncia de Jânio Quadros, também sob a pecha de agente soviético e que também pretendia realizar uma reforma agrária no país, foi deposto por um golpe militar apoiado financeiramente pelo governo dos Estados Unidos. Como sempre, em seu lugar assumiu uma ditadura militar, que vigorou até 1984, vinte anos após.
Em 1981, Jaime Roldós, eleito democraticamente presidente do Equador em 1979, morreu num acidente de avião. Existem fortes suspeitas de que o acidente tenha sido obra do governo americano. Roldós, assim como Mossadegh no Irã, desejava, e estava adotando ações para esse fim, que o petróleo equatoriano beneficiasse o povo do Equador, o que desagradou as corporações do petróleo. Afirma-se que, não sendo possível desinstalar Roldós pela corrupção, restou a opção de simular um acidente de avião.
Hugo Chavez, eleito democraticamente para presidente da Venezuela em 1998, reelegendo-se em 2000 e novamente em 2006, foi duramente combatido pelo governo americano, com apoio integral da imprensa venezuelana. O discurso de Chavez era anti-neo-liberalismo e contrário à geopolítica americana. Em sua primeira eleição, Chavez encerrou um ciclo de 43 anos no poder de um conluio de políticos corruptos que englobava os três maiores partidos venezuelanos. Chavez utilizou o imenso poderia da Venezuela no petróleo como uma arma contra os americanos. Novamente um político nacionalista pretendendo utilizar o petróleo para ajudar o próprio povo. O percentual de venezuelanos classificados como pobres despencou de quase metade da população, 49,4% no ano de 1999, para menos de um terço, 27,8% no ano de 2010. A história revela que esse comportamento não agrada às corporações. Por isso, em 2002, com a imprensa totalmente contrária a Chavez, um golpe de estado o depôs, com fortes indícios de participação ativa dos americanos, que imediatamente reconheceram a legitimidade do governo golpista. Entretanto, ante a reação mundial negativa, o golpe foi um fracasso e, três dias depois, Chavez voltou ao poder.
Os exemplos de intervenção americana direta e indireta poderiam continuar por longo tempo, como no golpe do Chile em 1973, na Argentina em 1976, na morte de Omar Torrijos do Panamá em 1981, na tragédia do Afeganistão, na invasão do Iraque em 2003, na Nicarágua e em El Salvador na década de 1980, Camboja, Vietnã e etc e etc...
Brasil. 2002. Um partido criado pelos trabalhadores e com origem nitidamente socialista elege o seu candidato para a presidência da república. O político de origem sindicalista e sem formação acadêmica, Luis Inácio Lula da Silva, após três tentativas infrutíferas, finalmente sobe a rampa do Palácio do Planalto, não sem antes se comprometer formalmente a não instalar um governo comunista no país, num documento denominado Carta aos Brasileiros, nítida concessão às corporações.
Lula surpreende os conservadores, pois sob seu governo a economia avança admiravelmente. De fato, no período de 2003 a 2010, o PIB brasileiro apresenta um aumento anual médio de 4% ao ano, enquanto o representante da elite neoliberal, o acadêmico laureado Fernando Henrique Cardoso, nos oito anos anteriores, obteve somente 2,3% ao ano. No último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2002, a taxa de desemprego era de 10,5% da população economicamente ativa. Lula a reduz para 5,3%. A arrecadação tributária bate recordes em cima de recordes, não por aumento da tributação, mas como reflexo de um incrível incremento no mercado interno. Lula liquida a dívida brasileira com o FMI e aumenta as reservas de US$ 37,6 bilhões para US$ 288,5 bilhões . A taxa de juros Selic cai de 25% ao ano para 8,75% ao ano. O Brasil atravessa sem grandes danos a maior crise econômica desde 1929, que foi a crise de 2008. O salário mínimo, que teve redução real (descontada a inflação) no governo FHC de cerca de 5%, consegue aumento real de cerca de 54% nos oitos anos do governo petista.
Enfim, Lula surpreendeu positivamente durante os oito anos de seu mandato. Contudo, somente obteve paz no primeiro mandato, de 2003 a 2006. A partir do final do primeiro mandato, todavia, passou a ser alvo de crítica feroz da grande imprensa e dos políticos de oposição, principalmente do próprio PSDB.
O que mudou?
Muitas coisas podem ter provocado essa mudança de atitude. Uma delas, talvez a mais relevante, foi o anúncio da descoberta de imensas jazidas de petróleo na camada do pré-sal, ocorrida justamente em 2006. Segue-se à descoberta o anúncio do governo petista de que essas jazidas de petróleo seriam resguardadas para o interesse nacional, inclusive com a possibilidade de criação de uma estatal específica para elas, a Petrosal, o que desagrada às grandes corporações de petróleo do mundo.
Petróleo, nacionalismo, interesses corporativos, ação desestabilizadora. A história se repete.
Um governo cujo sucesso, até então, e embora com um certo ar blasé, era reconhecido pela imprensa, numa reviravolta passa a ser alvo de uma campanha difamatória impiedosa dessa mesma imprensa. Ilícitos que, quando comprovados em governos passados, sequer mereciam manchetes, passaram a ser estampados na capa de jornais e revistas por meras suspeitas.
Adotou-se a prática da escandalização do banal, da manipulação dos fatos e da culpabilidade por dedução lógica.
O escândalo do mensalão transforma uma prática corriqueira em todos os partidos, incorreta, porém usual, de utilização das sobras do caixa 2 de campanhas para a conquista de apoio político, é manejado para parecer compra de votos. Se foi comprovada a compra de votos para votar a emenda da reeleição da Fernando Henrique Cardoso, obviamente interessado nessa emenda, e nada respingou na reputação de FHC, no mensalão afirma-se a compra de votos para aprovação de leis de interesse público, como leis da previdência e outras, sem que se pare para pensar porque um partido iria adotar tal prática para aprovação de projetos de interesse nacional. E ainda que se comprovasse o pagamento, e isso não foi provado, o erro estaria no partido que compra ou no político que precisa ser comprado para aprovar tais leis?
Sem conseguir evitar a reeleição de Dilma pelo PT, mesmo com o mensalão, a escandalização avança, provocando dissensões no próprio tecido social. Amigos deixam de se falar, parentes se dividem, pessoas brigam nas ruas por conta de opiniões contrárias, cadeirantes são agredidos por se manifestarem a favor do PT, velórios são vilipendiados pelo ódio político, pessoas públicas são agredidas em restaurantes em função de exercerem cargo no governo, sair à rua com uma estrelinha do PT aos poucos vai se transformando numa aventura mortal.
Nada impede a imprensa e um setor menos intelectualizado do PSDB de prosseguir nessa sanha acusatória. O governo se vê envolvido numa trama que envolve a grande mídia, um partido (PSDB) que representa os interesses neoliberais desejado pelas corporações, parcela do Ministério Público Federal e do judiciário federal simpáticos ao PSDB, com alguns de seus componentes inclusive tendo sido nomeados pelo próprio Fernando Henrique Cardoso.
A corrupção sistêmica, que Fernando Henrique Cardoso, recentemente, reconheceu existir desde o seu governo, e que soube e que nada fez pois sabia que isso seria mexer num vespeiro incontrolável, é atribuída ao único partido político que em toda a história brasileira agiu de forma republicana e deixou as instituições funcionarem no combate à corrupção.
Como se diz, o PT torna-se vítima de seu próprio republicanismo.
O povo, conduzido como massa de manobra, não percebe as discrepâncias no discurso oposicionista da moralidade seletiva e se agita contra o partido que forneceu as melhores condições jamais experimentadas pelos trabalhadores e pela parcela menos desfavorecida do país.
Contudo, por mais insana que se apresente a conduta da oposição tucana e da imprensa, não parece provável que assumiriam a possibilidade de causar uma ruptura social no país se não houvessem interesses ocultos muito mais sólidos.
A imprensa parece estar cavando a própria sepultura, ao enterrar sua credibilidade em toneladas de lama desveladas rapidamente pela internet. Um ato de suicídio dessa magnitude não pode representar um mero interesse em se livrar de um partido incômodo. Deve existir algo mais.
Quais são os verdadeiros interesses ocultos por trás desse movimento de desestabilização do governo brasileiro?
A equação possui governo de tendência socialista, petróleo, nacionalismo, escandalização pela imprensa e um partido político que atua de forma contrária aos interesses do próprio país.
Todas as vezes em que esses elementos estiveram presentes na mesma equação, os Estados Unidos da América atuaram em desfavor do governo nacional rebelde aos interesses das corporações.
Não há motivo algum para supor que agora fariam diferente.
Na eleição americana do ano 2000, Al Gore foi nitidamente alvo de uma fraude eleitoral que conduziu Bush filho ao poder. Poderia ter iniciado uma disputa jurídica acirrada para obtenção de recontagem. Republicanamente, porém, abdicou dessa disputa em nome da paz política dos Estados Unidos.
No Brasil, Aécio Neves, coloca a própria ambição política acima de um resultado político justo, honesto e reconhecido pelo seu próprio partido após realizar dispendioso e inútil esmiuçamento nas urnas eleitorais. Isso, todavia, não impede Aécio de assumir essa insanidade vexatória num comportamento que o fez ser apelidado corretamente por Jânio de Freitas de “taradinho do impeachment”.
Aécio Neves, cuja riqueza pessoal em grande parte é devida à ação política oligárquica de sua família e à sua própria atuação política, pois está envolvido na política desde antes de se formar na faculdade, se vende como um paladino da moralidade e da ética para maquiar o que é somente mera ambição política, egolatria e mania de grandeza. Se acha no direito de desestabilizar a nação em nome desses vícios de caráter, sendo ombreado nesse propósito por pessoa vaidosa que pensa incorporar a figura de estadista e de sábio político, Fernando Henrique Cardoso, mas que não revela a grandeza de impedir a luta fratricida que está se iniciando no Brasil.
Todavia, não se vê uma defesa contundente da democracia pelo “parceiro amigo” do Brasil, os EUA, que seriam capazes de adotar ações através das próprias corporações donas dos meios de comunicação brasileiros.
O silêncio dos americanos em relação a assuntos internos de outros países que com potencial de atingi-los, mesmo superficialmente, é revelador, pois sempre foi indicativo, não de neutralidade, mas de incitação, apoio material ou, no mínimo, posição favorável aos revoltosos.
O Brasil sempre foi um empecilho às corporações por sua inclinação a um alinhamento com os países sul-americanos e com outras nações menos privilegiadas.
Isso, por si só, já constitui uma ofensa ao imperialismo corporativo.
A gota d'água foi a política protecionista do pré-sal.
É muito possível, pelo que se extrai dos relatos históricos, que a tentativa de desestabilização do governo do PT, acentuado no governo da Dilma, possua garras de águia habilmente escondidas.
Garras que manipulam marionetes brasileiras.
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Eleição de 2018: atenção ao legislativo - Por Márcio Valley

O comentarista Weden, em texto de sua autoria publicado no blog do Luis Nassif, ancorado no portal de notícias GGN, cujo link forneço ao final, fala sobre o imenso capital político de Lula, sustentando que talvez não seja na presidência que ele poderá dar sua melhor contribuição em favor do país. Na opinião de Weden, numa conjuntura política em que se tem um legislativo reacionário e a necessidade de um presidencialismo de coalisão para obtenção governabilidade, o presidente eleito, qualquer que seja, se torna apenas um sócio do poder e, às vezes, nem isso.
Weden nos chama a atenção para um fato: “Hoje as esquerdas estão reduzidas a 1/6 do Congresso. Com isso, direitos de cidadania e trabalhistas estão correndo sérios riscos. E outros tantos que precisam ser conquistados estão infelizmente adiados.”
Constatada essa realidade política, Weden sugere que “Lula poderia ser um inestimável puxador de votos para as esquerdas na próxima legislatura.”
Absolutamente perfeita a lógica do Weden.
De fato, talvez a melhor estratégia política a ser adotada pelo PT para as eleições de 2018 fosse colocar a eleição presidencial em segundo plano, um objetivo secundário. O momento poderia ser adequado para mirar outro alvo, tão importante quanto, que vem sendo negligenciado pelo partido desde as eleições de 2002, quando conquistou o poder federal. Desde então, o foco em manter a presidência custou ao partido perdas muito importantes, não somente no legislativo, como em mandatos municipais e estaduais.
Como partido, o PT se manteve razoavelmente estável na Câmara dos Deputados desde a eleição de Lula, em 2002, embora reduzindo suavemente a bancada em cada eleição. Todavia, sofreu uma redução acentuada em 2014. De fato, foram eleitos 91 deputados federais petistas em 2002, 89 em 2006, 86 em 2010 e 70 em 2014.
No Senado, sua bancada permaneceu mais estável. Em 2002, nas eleições para renovação de dois terços do senado, sendo disputadas, portanto, 54 das 81 vagas, o PT elegeu 10 senadores. Em 2006, para renovação de um terço, 27 das 81 vagas, foram eleitos 2 senadores petistas. E assim sucessivamente, 11 senadores em 2010 (eleição de 2/3) e 2 em 2014 (eleição de 1/3).
No conjunto das forças progressistas, porém, o tombo foi ainda mais retumbante. As eleições passadas para o legislativo, em 2014, produziram o congresso certamente mais obscurantista das últimas décadas e possivelmente o pior da história do Brasil. Congresso que se apresenta com uma tessitura política engendrada a partir de um conservadorismo que se poderia considerar honesto, mas é manchado ao se aliar, por mero oportunismo político, à pior espécie do conservadorismo fundamentalista religioso e à fatia mais abjeta do patriamonialismo político.
A conclusão resulta, primeiro, da observação pura e simples das práticas que, desde então, passou a pautar as ações do Congresso, que, por exemplo, em nada se envergonha de eleger, para presidi-lo, um político que sabidamente representa o mais vil patrimonialismo político. Ou, ainda, que nomeia um pastor evangélico retrógrado, e por isso mesmo contra qualquer avanço nos direitos dos homossexuais, para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, o que representa um insulto a todo e qualquer eleitor que se posicione favoravelmente à supremacia dos direitos humanos.
Segundo, da análise de levantamento realizado pelo Diap logo após as eleições e que já prenunciava o que viria. Numa contagem mínima e otimista, o Diap concluiu que foram eleito 30 deputados federais representantes da bancada da segurança, mais 52 representando os evangélicos e outros 190 pela bancada corporativa.
Tem-se, pois, nada mais, nada menos, do que 272 deputados federais inclinados ao conservadorismo, ao obscurantismo e à redução dos direitos e liberdades individuais. Como são 513 deputados federais que formam a Câmara dos Deputados, isso significa que 53% de sua composição é hoje formada por políticos que atuam na contramão dos avanços civilizatórios.
O horror, o horror!
Um congresso dessa qualidade precisa ser urgentemente defenestrado e renovado.Impõe-se ampliar o número de parlamentares com ideias arejadas sobre a questão social, não somente em relação à mitigação da desigualdade de renda e riqueza, importante por óbvio, mas também quanto a questões sensíveis envolvendo direitos das minorias, como os preconceitos em geral e notadamente o racial, direitos homoafetivos, a questão do aborto e outros. São assuntos que, com essa composição congressual, somente serão colocados em pauta com o objetivo de cassar conquistas, jamais para avançar.
Com um congresso abjeto, como o atual, de pouco ou nada adianta conquistar a presidência. Fica-se amarrado à lógica fisiologista de produzir governabilidade a qualquer custo, com a única alternativa de lutar contra a sanha oposicionista e sucumbir, pois, sem maioria no Congresso e sem o apoio da imprensa, não há chance de vitória.
O segundo governo Dilma, sob a coação desse Congresso obscurantista, é um exemplo perfeito de como é possível à oposição paralisar por completo a materialização do projeto político eleito pelo povo.
Vive-se um momento paradoxal da política nacional. Dilma foi obrigada a se render ao inimigo. Doravante, e até o final de seu mandato, qualquer conquista social, se houver, será mínima. O que deveria ser o ministério de um partido, o PT, é hoje, em essência, o ministério de um segundo partido, o PMDB, que por sua vez põe em prática uma cópia suavizada da proposta de poder de um terceiro partido, o PSDB.
Trata-se de uma insanidade política e uma violação ao direito democrático de opção popular. O povo escolheu o PT, não foi o PMDM e nem o PSDB.
O momento, assim, é de olhar para a eleição legislativa com mais carinho. A esquerda precisa ser reforçada.
Muito melhor para o povo a existência de um legislativo progressista fiscalizando um eventual executivo conservador, do que um executivo progressista manietado por um legislativo reacionário.
E não é impossível que o PT, mesmo sem Lula candidato, ganhe a eleição presidencial. Mesmo a derrota talvez seja positiva. Nada como a comparação para dissipar mentiras e possíveis dúvidas. Deixe o conservadorismo desmiolado mostrar o seu trabalho e ele se derrotará sozinho.
Lula, em São Paulo, se candidato a deputado federal, por exemplo, levaria com ele para Brasília, talvez, mais uns quinze deputados. Tiririca, com pouco mais de um milhão, elegeu outros cinco. Liberado da eleição presidencial, seria capaz, ainda, de auxiliar na conquista de cadeiras no senado e ajudar a eleição de deputados federais em outros estados.
A guerra política pode ser vencida de muitas maneiras. Talvez a batalha direta pela presidência não seja assim tão importante nessa guerra que se trava no país entre progressistas e reacionários.
É hora de pensar o legislativo.
Link para o texto do Weden: http://jornalggn.com.br/blog/weden/o-capital-lula

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O veto da “PEC da Bengala”

Tem que vetar mesmo. Acabar com essa pouca vergonha de legislar de acordo com seus interesses pessoais. Mas parece a Lei Eleitoral no período da Ditadura, mudava de acordo com o panorama político.

Mentiras que tinham medo de Dilma manipular as escolhas dos futuros ministro, querem é manter no poder aqueles que foram escolhidos para a manutenção do "status quo", como foi o Gilmar Mendes pelo FHC, o Mello pelo Collor e assim por diante.

Hipocrisia dizer que poderiam entrar ministros para serem manipulados, pois alguns que lá estão, estão por quê?

Acho que o PT foi é muito inocente nomeando o Barbosa por exemplo. Dizem que foi vontade do Lula, mas ninguém o queria por saberem ser desequilibrado.

O presidente tem que nomear sim gente proba, que vai trabalhar de acordo com a constituição e não quanto sua militância política e/ou financeira.

Alguém já viu presidente americano republicano indicando juiz democrata para a Suprema Corte? Ou vice-versa? Tem que indicar gente séria, mas que tenha proximidade política com o projeto então em vigor. Roosevelt levou vários mandatos até ter condições de indicar os juízes da Corte que permitiram a implantação do “New Deal”, que tirou os EUA do buraco pós crise de 29. Os que lá estavam preferiam o buraco a ter que distribuir o "Bolsa Família" que ajudou na saída da crise.

Não existe um pingo de honestidade no projeto de mudança da idade da aposentadoria compulsória dos 70 para 75. Existem interesses escusos e pessoais.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Minha Casa Minha Vida – Condomínio Carlos Marighella

Dia agitado esse 03.10.2015 no MCMV Carlos Marighella em Itaipuaçu. Foi o dia em que os condôminos aprovaram seu Regimento Interno e elegeram seus síndicos, sub-síndicos e conselheiros fiscais, em cada um dos cinco setores do Condomínio. O dia começou às 7:30h para a equipe da Prefeitura composta pelo Secretário de Direitos Humanos, Mauro Alemão e a Coordenadora do MCMV Lene Oliveira. Ambos com suas equipes, divididas entre os condomínios Carlos Marighela e Carlos Alberto Soares, em Inoã, em pleno processo de mudança de seus moradores. Também estiveram presentes no apoio, as equipes do Centro de Defesa dos Bairros, William Campos, Carolina Farias, Iracema Miranda e Elias Gerner (Samu) e a equipe da Secretaria de Habitação composta por Marcos de Dios, Rogério Almenteiro e eu.
O evento começou às 10:00h com a discussão do Regimento Interno, encerrando-se por volta das 21:30h, quando foi anunciado o resultado das eleições, que ocorreram em paralelo, na parte da tarde, no horário das 14 às 18h.
Momentos de tensão e descontração ocorreram durante as discussões dos artigos do Regimento. Propostas foram aprovadas por aclamações e outras, mais acaloradas, como o pró-labore do Síndico e/ou equipe, animais no condomínio, a utilização dos Centros Comunitários, horário de silêncio e outras, tão pertinentes quanto às expostas. No fim, regimento aprovado e comemoração dos eleitos.
Uma coisa ficou evidente, com todos os problemas que aconteceram na ocupação do condomínio por seus moradores, alguns pertinentes ao processo de construção, outros não. O certo é que emociona o brilho nos olhos de seus moradores, em especial da criançada que, segundo muitos pais, nunca tiveram tanto espaço para brincar e correr.
Por mais que alguns, que nunca souberam o que é privação e são influenciados pela mídia, que faz questão de só ver um lado do processo, não consigam enxergar a beleza e a importância do projeto MCMV para vida dos que foram beneficiados. Não possuem a menor ideia do que é não morar dignamente, como me contou uma senhora que pagava anteriormente R$450,00 de aluguel. No Carlos Marighella, irá pagar para CEF a mensalidade de R$30,00 e com a diferença do valor do antigo aluguel, iria pagar sua água, luz e comida, sem a necessidade de mexer no resto de sua aposentadoria. É claro que, para aquele que gasta em uma noite R$450,00, não vai entender e ainda se colocará contra o empreendimento. A verdade, é que aquele “troquinho” que sobrou da aposentadoria daquela senhora, vai aquecer o pequeno comércio em torno do empreendimento, gerando renda e emprego e aquecendo a economia.
O projeto vai além de um simples teto para se morar dignamente. Só não enxergam aqueles que acreditam que, investir no papel (ciranda financeira) é melhor do que se ter projetos como o MCMV, o Bolsa Família, a Moeda Mumbuca ou ônibus com tarifa zero. Esses só querem saber de acumular com o lucro de seus “investimentos”, mesmo que, no “frigir dos ovos”, tenham que se contentar em viver atrás das grades de seus condomínios, seus “Elysium” terrestres (com medo de que seus filhos vejam e entendam de onde vêm seus luxos). Parabéns para os que pensam projetos como o MCMV e, em especial, para os moradores do Carlos Marighella, que mesmo sem saber, exercitaram um direito pelo qual Marighella lutou e morreu, para que esse e outros direitos fossem garantidos nos dias de hoje. Parabéns as equipes envolvidas e ao governo de Maricá.
Te abraço,

Sérgio Mesquita
Sec. Formação do PT-Maricá

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

QUANDO DESCOBRI QUE MEUS LIVROS ESTAVAM DE CASTIGO.

Hoje, dia 15.10, e não poderia ser em outro dia, a Prefeitura de Maricá levou até o condomínio Carlos Marighella (MCMV) em Itaipuaçu, o evento “Libertação de Livros”, como pré-lançamento do Festival Internacional de Utopia, que será realizado em 2016, no município. O evento foi organizado pelas secretarias Executivas de Políticas Sociais e Adjunta de Políticas Especiais, responsáveis pelo Festival.

Dia do Mestre, Condomínio recém-ocupado e mais de 1000 livros para serem distribuídos para seus moradores, em especial para a criançada que, além dos livros, contou com a presença da Secretaria de Cultura que trouxe música, teatro, dança e tatuagem (tinta lavável). A Secretaria de Saúde também esteve presente com seus funcionários medindo a pressão e falando sobre os programas da Secretaria. Uma bela festa de abertura para um evento que promete ser de responsabilidade.

O título desse texto tem a haver com abertura do evento. Pedro Geromilich, um dos organizadores, falando à criançada, iniciou perguntando se algum deles gostava de castigo. Resposta unânime, ninguém gostava de ficar de castigo. Pedro continua e ensina a criançada que, quando acabamos de ler um livro e o guardamos em uma estante ou gaveta, estamos colocando o livro de castigo, pois ninguém mais o lerá. Do mesmo jeito que criança gosta de brincar, livro gosta de ser lido. Por isso, quando não emprestamos, trocamos ou damos nossos livros para que outros os leiam, eles ficam de castigo. Pronto! Descobri ter um monte de livros de castigo, doidos para brincar. E agora? Tenho que “desapegar”. Livro guardado é informação que não circula, não brinca, e informação que não circula, não gera conhecimento, não gera saber. E nós sem os saberes para trocar ou dar, não somos ninguém, não crescemos e nem produzimos, ficamos de castigo como os livros nas estantes.
Umpf. Arhf, Argh, pow, blang... tenho que tomar uma atitude.

Há algum tempo, resolvi doar meus livros, procurei então a diretora do Joana Benedicta, e expus minha intenção. Ela adorou, mas não tinha espaço físico para recebe-los – não que sejam muitos. Voltei para casa e como minha literatura não impressionava meus filhos ainda jovenzinhos, a ideia não se esvaiu. Porém um belo dia, toda a família leu “Os últimos soldados da guerra fria”, do Fernando Moraes e a filha me pergunta se eu tinha “Os Miseráveis” do Victor Hugo, alguma coisa do Machado ou Euclides. O sorriso veio fácil. O fiozinho da esperança deles começarem a ler meus livros – liam os deles somente – fez com que a vontade passasse.

Depois veio a inauguração da Praça do CEU e sua Biblioteca, e a coceira recomeçou e se mantém. O problema é que de vez em quando, algum livro escapa do castigo e não volta e muitos são lembrados e revistos por mim quando vou escrever algum texto, preparar uma apresentação, palestra ou debate. Não tenho o menor pudor, abuso deles sem qualquer parcimônia e esqueço que estão de castigo.
Perceberam a discussão “demigo” para comigo que causou a Pré-Abertura do Festival Internacional de Utopia de Maricá? Imagine quando for à vera.

Te abraço,
Sérgio Mesquita

Sec. de Formação do PT

Danton, Robespierre, o Mensalão e a Lava Jato

Há pouco publiquei na rede um texto retirado do Diário do Centro do Mundo sobre a importância da Revolução Francesa. Paulo Moreira Leite escreve que, se tivesse uma data para a humanidade, essa data seria 14 de julho de 1789, a data da queda da Bastilha, a data da Revolução que transformou as sociedades no mundo inteiro.

Escrevo esse texto, na data de hoje, 6 de setembro de 2015, véspera da data que comemora nossa Independência, após assistir o filme Danton. Sem entender muito o porquê, acabou vindo a minha cabeça a frase de Marx, “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Após esse momento, começo a anotar alguns dos trechos do filme e a fazer paralelo com o nosso atual momento. A partir de então, pausas e recuos para rever os diálogos.

De cara a questão do Comitê da Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário, que a tudo julgam e interpretam e não dão satisfação a ninguém. Inclusive mandam decapitar quem os questiona, tema do filme. Difícil não remeter ao nosso momento (a história se repete), onde a mídia e o judiciário fazem o que querem como e onde acharem por bem, sem que deem qualquer satisfação de seus desmandos e mandos. Rasga-se a Constituição e o Direito para que seus pontos de vistas prevaleçam, mesmo que fascistas. Danton reclama que o povo deve julgar os atos do Comitê, como hoje pedimos a Regulamentação da Mídia e a Reforma do Judiciário, com a participação popular.

Outro ponto de coincidência fica claro quando o Juiz do Tribunal é questionado por um dos homens de Robespierre que, reclama estar o juiz complacente com Danton deixando-o falar. O Juiz diz não ser carrasco e ouve de seu interlocutor que é sim um carrasco a serviço da “população”. Neste ponto a coincidência é um pouco forçada, pois tanto Barbosa como o Moro, não parecem ter qualquer problema quanto a seus atos, como o juiz demonstrou no filme.

Como aocntece com os “réus” do Mensalão e do Lava Jato além outros fatos isolados, como a proibição do pobre ir à praia na zona sul na cidade do Rio, Danton fala ao povo presente que o julgamento teve início com a sentença já definida e suas testemunhas proibidas de falar e, que hoje, vivem em uma ditadura pior que anterior. Outro ponto em comum está na “delação premiada”, prometem a um dos deputados presos o perdão, se o mesmo assinar confissão de que existia um complô. O deputado assina e Danton e os demais vão à guilhotina. A história como tragédia.
No final Robespierre reconhece que a Revolução tomou rumo errado e a ditadura se faz necessária, pois a nação não se governa sozinha e a democracia é só uma ilusão.

Nos dias de hoje, após a fala de Robespierre, lembrei-me de Saramago e Hobsbawn, cada um em sua razão, entendiam que a democracia ocidental não existe, é mero folclore, pois o mundo está privatizado e nenhum governante tem poder sobre a vontade das “Corporations”.
Certo é que estamos vivendo uma ordem às avessas onde o interesse da maioria está suplantado pelo de uma minoria, como vem se repetindo ao longo das eras, primeiro como tragédia, depois como farsa.

Dificilmente haverá acordo quanto à necessidade de que se realizem reformas como a política, do judiciário e da mídia, as demais viriam como consequências. Possivelmente somente após uma primeira revolução, onde não se façam acordos, o país poderá avançar. Mas que não repitamos a história, pois continuará farsa. Que avancemos a partir dos exemplos então.

Te abraço,
Sérgio Mesquita

Secretário de Formação do PT-Maricá

domingo, 6 de setembro de 2015

Danton, Robespierre, Mensalão e Lava Jato

Há pouco publiquei na rede um texto retirado do Diário do Centro do Mundo sobre a importância da Revolução Francesa. Paulo Moreira Leite escreve que, se tivesse uma data para a humanidade, essa data seria 14 de julho de 1789, a data da queda da Bastilha, a data da Revolução que transformou as sociedades no mundo inteiro.

Escrevo esse texto, na data de hoje, 6 de setembro de 2015, véspera da data que comemora nossa Independência, após assistir o filme Danton. Sem entender muito o porquê, acabou vindo a minha cabeça a frase de Marx, “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Após esse momento, começo a anotar alguns dos trechos do filme e a fazer paralelo com o nosso atual momento. A partir de então, pausas e recuos para rever os diálogos.

De cara a questão do Comitê da Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário, que a tudo julgam e interpretam e não dão satisfação a ninguém. Inclusive mandam decapitar quem os questiona, tema do filme. Difícil não remeter ao nosso momento (a história se repete), onde a mídia e o judiciário fazem o que querem como e onde acharem por bem, sem que deem qualquer satisfação de seus desmandos e mandos. Rasga-se a Constituição e o Direito para que seus pontos de vistas prevaleçam, mesmo que fascistas. Danton reclama que o povo deve julgar os atos do Comitê, como hoje pedimos a Regulamentação da Mídia e a Reforma do Judiciário, com a participação popular.

Outro ponto de coincidência fica claro quando o Juiz do Tribunal é questionado por um dos homens de Robespierre que, reclama estar o juiz complacente com Danton deixando-o falar. O Juiz diz não ser carrasco e ouve de seu interlocutor que é sim um carrasco a serviço da “população”. Neste ponto a coincidência é um pouco forçada, pois tanto Barbosa como o Moro, não parecem ter qualquer problema quanto a seus atos, como o juiz demonstrou no filme.

Como aocntece com os “réus” do Mensalão e do Lava Jato além outros fatos isolados, como a proibição do pobre ir à praia na zona sul na cidade do Rio, Danton fala ao povo presente que o julgamento teve início com a sentença já definida e suas testemunhas proibidas de falar e, que hoje, vivem em uma ditadura pior que anterior. Outro ponto em comum está na “delação premiada”, prometem a um dos deputados presos o perdão, se o mesmo assinar confissão de que existia um complô. O deputado assina e Danton e os demais vão à guilhotina. A história como tragédia.
No final Robespierre reconhece que a Revolução tomou rumo errado e a ditadura se faz necessária, pois a nação não se governa sozinha e a democracia é só uma ilusão.

Nos dias de hoje, após a fala de Robespeirre, lembrei-me de Saramago e Hobsbawn, cada um em sua razão, entendiam que a democracia ocidental não existe, é mero folclore, pois o mundo está privatizado e nenhum governante tem poder sobre a vontade das “Corporations”.

Certo é que estamos vivendo uma ordem às avessas onde o interesse da maioria está suplantado pelo de uma minoria, como vem se repetindo ao longo das eras, primeiro como tragédia, depois como farsa.

Dificilmente haverá acordo quanto à necessidade de que se realizem reformas como a política, do judiciário e da mídia, as demais viriam como consequências. Possivelmente somente após uma primeira revolução, onde não se façam acordos, o país poderá avançar. Mas que não repitamos a história, pois continuará farsa. Que avancemos a partir dos exemplos então.

Sérgio Mesquita

Secretário de Formação do PT-Maricá

domingo, 23 de agosto de 2015

A Coca Cola apoiaria Regulamentação da Mídia?

Do mesmo modo que coloco que nossa mídia e classe dominante são atrasadas e sem ideia, podemos conferir que as indústrias no que tange em manter seus lucros também o são. Ambos não inovam em suas estratégias, simplesmente as adaptam às novas tecnologias.

Nossa mídia republica as capas de seus jornais desde os anos 50, para conseguirem o intento de mais um Golpe no país. A indústria, no geral também. Na década de 90, a então existente revista “Atenção”, em um de seus números, tem como matéria principal, as cinco grandes empresas que dominavam o mundo da comunicação. Eram elas, Disney, Sony, Metro, General Eletric e a WestHouse (duas grandes de energia). Porque elas passaram a ser donas dos meios de comunicação ou, ter tentáculos em jornais e outros meios? Como tudo passa por dinheiro, fica fácil a explicação. Primeiro você passa a dominar os meios com o poder da publicidade. Publica matérias a meu favor ou sobre o que é bom para minha empresa e, faço publicidade em suas páginas ou televisão. Assim funciona a democracia de mercado.

Alguns exemplos expostos nas páginas da Atenção: 1 – manipulação do índice de nicotina nas propagandas de cigarro, em especial do cigarro Marlboro – do cowboy que morreu de câncer no pulmão. Depois de muita pressão e adiamentos, os diretores das empresas confessam que manipulavam os índices de nicotina. As manchetes foram de elogios aos delinquentes, pela coragem de terem confessado o crime, eram homens honrados. 2 – Vazamento de petróleo no Alaska. O navio Exxon Valdez vaza o seu petróleo e forma a maré negra. Mata várias espécies animais, em especial peixes e pássaros marinhos e causa uma enorme destruição ambiental. Prejuízo de milhões de dólares ao ambiente e economia local. Como foram as manchetes? Elogios à empresa pelo pronto atendimento a um desastre mais que anunciado. 3 – E General Eletric e Wasthouse? Para combater a crescente onda ecológica contra a energia nuclear, passaram a ser donas ou “acionistas” dos jornais e, aos poucos, as notícias foram sumindo das páginas.

Recentemente tivemos a Monsanto – aquela que doou as sementes suicidas de milho para o Haiti como ajuda humanitária após os terremotos. O povo sabiamente as jogou ao mar. Também temos o caso da Fox News, que demitiu e processou dois de seus jornalistas por terem feito um documentário denunciando a Monsanto. Ela aplicava hormônios no gado leiteiro na busca de produtividade aumentada. Gado e quem bebessem do leite ficavam cancerosos. Olha o que um diretor da Fox falou ao casal de repórteres: “Ora, nós acabamos de fechar um negócio publicitário de milhões com a Monsanto, agora vocês querem pôr no ar um programa que denuncia a Monsanto!?!” Podem assistir essa e outras denúncias no documentário canadense “Corporation”.

Agora, temos a nossa Coca-Cola que, além de seu poder econômico, passa a financiar estudos científicos e táticas de publicidades interligadas. Algo como: Tome Coca-Cola, acorde cedo para correr, fazer ginástica e terá uma vida saudável. Quer nos convencer que a vida saudável passa por tomar Coca Zero????

Senhores, senhoras e os/as, A manipulação da mídia em nossos corações e mentes, existem há anos. O problema é até quando vão acreditar que Regulamentação da Mídia (não só financeira) é censura?

Te Abraço,

Sérgio Mesquita